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sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Parafraseando Mark Twain…

O JOGO, 12-08-2015

O Museu do FC Porto foi inaugurado há quase dois anos (em setembro de 2013) e no último mês - Julho de 2015 - foi batido o número de visitas mensal (mais de 30 mil).

11 dias depois, no dia 11 de agosto, foi batido o recorde de visitas num só dia (1730 visitas).

A sessão e jogo de apresentação do plantel 2015/2016 esgotou a lotação do estádio e ontem, ao final da tarde, o clube anunciou que já só restavam 700 bilhetes à venda para o jogo inaugural do campeonato (FC Porto x Vitória Guimarães).

Eu já aqui tinha falado nas sinergias entre estádio cheio, visitas ao museu e camisolas vendidas. Lá mais para a frente, veremos os números que serão alcançados mas, se esta tendência se mantiver, este mês serão batidos todos os recordes.

A propósito: lembram-se do que foi dito em Abril e Maio passado, em que alguns quase deram o FC Porto como estando “moribundo” (Meu Deus, dois anos sem ganhar nada! É o apocalipse! É o fim!)?

Pois bem, parafraseando Mark Twain (com as devidas adaptações), eu diria que as notícias acerca da morte do FC Porto foram manifestamente exageradas…

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Arquivos dos últimos 25 anos

O treinador do FC Porto limitou-se a dizer aquilo que o instruíram a afirmar. Mas como só chegou este ano ao futebol português, o melhor conselho que lhe posso dar é pedir à sua entidade patronal para ter acesso aos arquivos dos últimos 25 anos e aí ele talvez ficasse a perceber bem o que é favorecimento no âmbito do futebol português
José Eduardo Moniz, vice-presidente do SL Benfica e administrador da Benfica SAD, em declarações ao programa ‘Bola Branca’, da Rádio Renascença

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Meu caro José Eduardo (posso tratá-lo assim?),

Antes de mais nada, gostaria que satisfizesse a minha curiosidade.

Lembra-se dos ‘broches’ de A BOLA, a propósito da sua abortada candidatura à presidência do SL Benfica? Já fez as pazes com o José Manuel Delgado?

Lembra-se daquilo que você próprio disse, acerca da época 2010/2011 (publicado no Correio da Manhã, de 9 de Abril de 2011)?

José Eduardo Moniz (Correio da Manhã, 09-04-2011)

E lembra-se daquilo que escreveu no final da época 2011/2012 (publicado no Record, de 1 de Maio de 2012)?

José Eduardo Moniz (Record, 01-05-2012)


Mas já que quer desenterrar os arquivos dos últimos 25 anos, vamos a isso.

A propósito de favorecimentos, no âmbito do futebol português, sabe qual é a primeira coisa que me ocorre?

Elefante Branco! Já lá foi? Já ouviu falar? Há cada estória… Tenho a certeza que você ia gostar…

Outra coisa que está no top das minhas lembranças é uma afirmação do seu presidente, feita em 2003, a propósito da contratação de Jankauskas (ex-jogador do seu clube) pelo FC Porto: “são mais importantes os lugares na Liga do que contratar bons jogadores
Lindo, não acha? Cá entre nós, o que será que o Luís queria dizer com isto?…

E, claro, quem é que não se lembra da “extraordinária” atuação do benfiquista Bruno Paixão em Campo Maior (na época 1999/2000)?

E, uns anos depois, quem não se recorda do “gato das botas”, como ficou conhecido o árbitro benfiquista Hélio Santos, após o seu “brilhante” desempenho no estádio do Algarve (época 2004/2005), no âmbito de um processo mais vasto – o ‘Estorilgate’?

Depois vieram tempos mais sombrios, com armadilhas montadas no túnel da Luz, bem como, as célebres imagens captadas umas horas antes de um SL Benfica x FC Porto, onde é possível ver elementos do seu clube a levantarem o ângulo de uma das câmaras. Espectáculo!

E, finalmente, embora os seus telemóveis nunca tenham estado sob escuta (quem é que tem coragem de colocar o presidente da "instituição" sob escuta?), as escutas esquecidas. Sim, no âmbito de escutas feitas para apanhar terceiros, soube-se das preferências de Luís Filipe Vieira por determinados árbitros (em 2004, Paulo Paraty e João Ferreira estavam à cabeça), dos “favorzinhos” solicitados por José Veiga ao presidente dos árbitros e das manobras de bastidores e influências de João Rodrigues. Tudo muito transparente e, evidentemente, em prol da verdade desportiva…

Mas, verdadeiramente, do que eu me lembro é disto…

Museu do FC Porto - Troféus Internacionais

Se o José Eduardo quiser, terei todo o gosto em o convidar e servir de cicerone numa visita ao Museu do FC Porto onde, entre dezenas de troféus conquistados nas últimas três décadas, poderá ver:

- uma Taça dos Clubes Campeões Europeus (época 1986/1987);
- uma Supertaça Europeia (época 1987/1988);
- duas Taças Intercontinentais (épocas 1987/1988 e 2004/2005);
- uma Taça UEFA (época 2002/2003);
- uma Liga dos Campeões (época 2003/2004), competição que, neste formato, nunca foi ganha por nenhum outro clube português;
- uma Liga Europa (época 2010/2011).

Que tal? Acha que estas taças foram roubadas? Como é que, de 1987 a 2011, o FC Porto terá ganho todos estes troféus internacionais?

Caro José Eduardo Moniz, ajude-me. Quantos troféus internacionais (oficiais!) é que o seu clube ganhou nos últimos 25 anos? 30 anos? 35 anos? 40 anos? 50 anos?

Nota: Clique nas imagens para as ampliar.

domingo, 27 de abril de 2014

Azul ao Fundo do Túnel


O SLB é o clube de todos os regimes e á sua mesa juntam-se altos dirigentes de todos os quadrantes do regime, sejam do arco da governação ou da oposição. O SCP é mais elitista, aristocrático e convencido. Bruno de Carvalho acrescentou-lhe a vertente populista que lhes fica tão bem. Ambos recebem fortes apoios institucionais. A proximidade ao poder ajuda. Com o SLB é mais íntima essa familiaridade que favorece o trânsito de favores e um tratamento diferenciado. Foi assim quando o governo da altura aceitou as acções do SLB para caucionar a dívida para com a SS ou  a forma como o ministério público permitiu a intromissão abusiva do SLB no processo AD e na divulgação das escutas, que ainda se ouvem nos órgãos de comunicação social colaboracionistas.

O FCP é um clube regional e não se deve envergonhar disso. É a oposição e o contrapoder ao centralismo desportivo que segue em linha com um país que vive obcecado com o primado absolutista da capital. E, por isso, deve continuar a ser um clube de resistência, e não se deve envergonhar disso. O maior cosmopolitismo do clube,  cujo nome passa a fronteira nacional e goza mais prestígio lá fora que cá dentro, deve acompanhar esse crescimento e esse perfil, sem perder as suas origens. Quando os amigos dos nossos rivais comentam que não estamos a jogar à Porto, estão a reconhecer uma assinatura que identifica os valores pelos quais nos batemos e pelos quais nos temem. E esse temor tem muitos rostos e matizes e é implacável quando estamos por cima. Tudo serve para denegrir o valor e a justeza do nosso sucesso. O FCP é um clube da cidade e tem um grande orgulho disso, como o tem demonstrado das formas mais diversas. Quem se tem portado menos bem é a cidade. O Rui Rio comandou o divórcio e o litígio foi abrandando, mas só terminou quando deixou a presidência da câmara. Estamos em tempo de apaziguamento, mas ainda há um certo constrangimento de considerar que, para a cidade, é muito importante o reconhecimento que o FCP é uma instituição que tem  uma história que se casa com o perfil da cidade e da sua gente. Quem tem uma dívida para com o FCP é a cidade que deve, sem medo  e vergonha, assumir essa estreita ligação que, obviamente, não dispensa a “separação de poderes” entre ambas as instituições. Rui Moreira já deu alguns passos que considero muito tímidos. Mas, percebo a timidez porque esses bacocos que têm as chaves do poder são capazes de tudo, nomeadamente de o apoucarem pelo mesmo que outros fazem, porque vivem bem mais perto do Terreiro do Paço e apoiam os clubes certos. Insisto: o FCP é um clube da cidade, da resistência e cosmopolita; não deve abdicar desse perfil em nome de projetos parolos de conquista aos mouros ou pseudo modernistas que visam entorpecer a resistência  quanto à influência asfixiante e às tendências hegemónicas dos clubes da segunda circular e dos seus aliados institucionais, públicos ou privados.


Essa tendência hegemónica suavizou com o advento da liberdade, mas está pronta a explodir se não cuidarmos convenientemente da nossa casa, pois os ventos correm de feição para os saudosistas da ordem desportiva do antanho. Mas, espreitar o futuro, ignorando as actuais dinâmicas desportivas, as condições dos mercados, a situação do país e uma avaliação actualizada das nossas forças e fraquezas, não chegará para que a mudança seja bem mais que cosmética. Resistir não pode ser apenas uma forma de continuar a estar vivo. Não nos devemos resignar á tarefa humilde e útil de animadores do campeonato que nos querem atribuir, a bem da Nação. Por isso, a tarefa é exigente e urgente. As últimas três épocas revelaram alguns sinais de erosão (e de cansaço) que devem ser identificados e atacados. Compete a quem de direito fazê-lo. Não é preciso uma revolução: basta rever processos e procedimentos, avaliar as competências dos que exercem altas funções na estrutura do clube, bem como do quadro de dirigentes e técnicos mais próximos da competição. Depois, reformar o que tiver de ser reformado. Não penso que seja suficiente uma configuração do plantel. Os sócios e adeptos devem perceber que não se pode ganhar sempre e ser solidários nos momentos maus ou menos bons, mas é difícil se não identificarem a justeza do percurso e os meios escolhidos para o percorrer. A diarreia propagandística das últimas semanas para enaltecer a conquista do SLB e o sucesso do SCP chateiam e assustam, se os erros cometidos pelo FCP não forem identificados e os méritos dos rivais não forem reconhecidos. Na “guerra” nunca se pode subestimar a força do “inimigo”, se queremos vencer.


O FCP divulgou que no dia 25 há ainda mais “Azul ao Fundo do Túnel”. É essa luz cheia de azul e de grandeza, que esperamos continue a brilhar. Para isso, é preciso  trabalhar bem no presente para que o futuro não se  esgote nas saudades do passado.

domingo, 29 de setembro de 2013

Museu Futebol Clube do Porto



Estas fotos foram por mim seleccionadas de entre as dezenas existentes no 'Fotos da Curva', onde pode ser visualizada uma extensa reportagem fotográfica da inauguração do Museu do Futebol Clube do Porto.

Outras galerias de fotos da inauguração do Museu do FC Porto:

Conforme foi divulgado, há partes do museu que ainda não estão concluídas e a abertura ao publico será apenas no dia 26 de Outubro.

Trajecto dentro do museu (fonte: infografia JN)

segunda-feira, 9 de setembro de 2013

O futuro Museu

Sala Museu Afonso Pinto de Magalhães (fonte: BLOGHISTÓRIAS)

Estamos a menos de três semanas da data prevista para a inauguração do novo museu do FC Porto (28 de Setembro de 2013) e as notícias acerca deste assunto têm sido escassas. Por exemplo, nada se sabe (publicamente) acerca da dimensão e áreas que o museu vai ter, nem tão pouco, até agora, houve a habitual visita guiada de jornalistas às obras em curso. Aliás, parece haver até um certo secretismo, possivelmente para alimentar uma expectativa crescente entre os sócios e adeptos portistas.

Do pouco que veio a público, em 26 de Junho soube-se que o nome oficial do museu do FC Porto incluirá o do banco brasileiro que financia a construção – ‘Museu do FC Porto by BMG’.

Na mesma altura, foi também divulgado que o FC Porto tinha estabelecido uma parceria com o Museu do Futebol (instituição da Secretaria de Estado da Cultura do Governo de São Paulo), no âmbito da qual estão previstas a criação de mostras conjuntas, bem como, de projetos ligados ao futebol português e brasileiro.

Entretanto, em 18 de Julho, o FC Porto iniciou uma campanha dirigida a sócios e adeptos de recolha de espólio para o novo Museu.

«Os associados e adeptos que queiram participar nesta acção podem utilizar a aplicação VALOR FC PORTO no Facebook ou dirigir-se, pessoalmente, à Porta 1 do Estádio do Dragão com o seu item de colecção. A acção de recolha de espólio vai decorrer durante os meses de Agosto e Setembro, nos dias úteis, das 10h às 13h e das 14h às 17h.
A partir de Outubro, o local de recepção será transferido para as instalações do Museu.»

Penso que esta ideia foi excelente porque, de facto, há associados que, ao longo de uma vida, foram reunindo fotos, peças, camisolas, etc., de inestimável valor.



Confesso que é com alguma expectativa que aguardo pelos resultados desta campanha e para ver em que é que a mesma se irá traduzir no espólio do novo museu.

De resto, o presidente já disse que o Museu do FC Porto não será um mero armazém de taças ("Não quero um armazém de taças como o FC Porto já teve. Vamos ter um museu do melhor que há no Mundo", Pinto da Costa, 23-05-2013, em entrevista à RTP).
Contudo, para além de objectos oferecidos por ex-jogadores (Américo, Rolando, Gomes, Baía, Jorge Costa, etc.), do Toyota que Madjer ganhou na Taça Intercontinental de 1987, da baliza do estádio de Dublin (onde Falcao marcou o golo da vitória na Liga Europa 2011) e de uma peça monumental produzida pela artista plástica Joana Vasconcelos, pouco mais se sabe.

Joana Vasconcelos (fonte: blog 'Sou Portista com muito orgulho')

P.S. Sabe-se, e é visível a quem passa pelo Estádio do Dragão, que o museu irá abranger os espaços que eram ocupados pelo Bingo e pela antiga loja da Rádio Popular. Para quem vê de fora a azáfama é grande, mas fica a ideia de que será necessário um contrarrelógio para conseguir inaugurar o novo museu no dia em que o FC Porto completa 120 anos.

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Baliza de Dublin no futuro museu

Pelas notícias que vieram a público anteontem, a SAD decidiu comprar a baliza em que o Falcão marcou o golo da vitória em Dublin para a colocar no futuro museu.

É sem dúvida uma ideia original. Confesso que as "relíquias" de jogos importantes que me despertam mais emoção/interesse são a bola com que se marcou o golo da vitória ou a camisola que o jogador que marcou o golo da vitória envergava na altura, ambas autografadas pelo dito-cujo; mas a baliza não deixa de ser uma ideia interessante.

Deixo no entanto duas ideias para o futuro museu, e pegando na achega da baliza:

1) Hoje em dia e com as tecnologias actuais (3D or 4D immersion) é bem possível recriar virtualmente e com grande qualidade um estádio e fazer os visitantes ter a sensação q estão lá dentro no meio do relvado... (colocando um visor, tipo óculos de sol futuristas).

Isso sim, é que seria mesmo porreiro. Podiam fazê-lo para as antigas Antas, para o Pratter, para Sevilha e/ou para Gelsenkirchen. Eu pagava de bom grado uns 5€ para tirar usufruto disso, e o espaço que ocuparia no estádio seria minúsculo.

2) Mini Madame Tussaud: estátuas de cera de grandes jogadores da nossa história, vestidos a rigor com o equipamento da sua época áurea (e com as feições que tinham na altura, claro). Já agora, quem diz jogadores até diz treinadores ou presidentes.

A escolha dos jogadores podia ser feita por votação dos sócios - pelo efeito democrático e participativo, mas também para evitar que a SAD fique numa posição algo desconfortável na escolha de algumas figuras ainda vivas (a grande maioria dos grandes nomes da nossa história), como por exemplo Oliveira, Futre, Baía ou Gomes.

Ficam aqui duas ideias, quem sabe pode ser que cheguem aos ouvidos da SAD (e quem sabe, se calhar até já pensaram nisso). Aliás, acho que não seria nada má ideia que a SAD proporcionasse uma área no seu website onde os sócios e adeptos pudessem votar e propor mais ideias - mesmo que não se aproveitasse nenhuma (o que duvido muito), não se perdia nada.

O que é certo é que após a longa "gestação" do museu (já lá vão mais de 8 anos que não temos um), as expectativas são naturalmente elevadas. Estou certo que no mínimo dos mínimos o museu vai ser muito digno, mas espero que a SAD tenha feito um benchmarking exaustivo com os melhores museus de clube pelo mundo fora, "roubando" as melhores ideias que encontraram de forma entusiasta e desenvergonhada.

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Taça do Arsenal (III)

A Taça do Arsenal (I)
A Taça do Arsenal (II)

III. As comemorações da vitória e a maior taça do Mundo

No jogo contra o Arsenal o FC Porto alinhou com:
Barrigana (foto ao lado); Alfredo e Francisco; Joaquim, Romão, Virgílio; Lourenço, Araújo, Correia Dias (cap.), Gastão e Catolino (Sanfins na 2ª parte).

O árbitro foi o escocês Webb, auxiliado pelos bandeirinhas portugueses Vieira da Costa e Avelino Ribeiro.

Os golos do FC Porto foram marcados por Araújo (9’) e Correia Dias (20’ e 28’).

A vitória teve uma repercussão espantosa, tendo chegado centenas de telegramas de felicitações de todo o lado (Brasil, Angola, Moçambique, etc.).
A própria Direcção-Geral dos Desportos (DGD) também decidiu louvar o clube. Assim, na presença de toda a Direcção azul e branca, o Delegado do Porto da DGD, Mário de Carvalho, leu o seguinte louvor,: “Depois do êxito desportivo alcançado pelo FC Porto, cuja vitória sobre o Arsenal, primeiro classificado da Liga Inglesa, fortaleceu o prestigio do nosso futebol no plano internacional e deu relevo ao desenvolvimento da campanha desportiva portuguesa, entendo dever louvar: os jogadores do FC Porto pelo aprumo e lealdade com que se comportaram, aos quais também felicito pelo êxito que reflecte o bom desempenho das funções que exercem”.
a) Pelo Director Geral, o interino António Cardoso


Após o desafio, à noite, realizou-se um banquete dedicado aos dirigentes e jogadores londrinos. Presidiu Júlio Ribeiro de Campos, presidente do FC Porto, que tinha à sua direita o comandante Bones, presidente do Arsenal, e à sua esquerda o Cônsul da Inglaterra, o representante do comandante da 1ª Região Militar e o Delegado da DGD.

Durante os discursos, o manager do Arsenal Football Club, Tom Whittaker, afirmou:
Viemos aqui mais para representar a Inglaterra do que o nosso próprio clube. Contudo, nunca contamos com adversário tão difícil e que se revelou de uma classe muito superior à do Benfica.
Ganharam e ganharam bem. O Arsenal quando vai para o campo procura sempre fazer o melhor e esse melhor está pendente do que o adversário consente. O FC Porto não nos deixou fazer mais, surpreendendo-nos os 3-0 que nos obrigaram a tentar uma recuperação, mas o adversário não consentiu.
Não há desculpas. O FC Porto venceu e venceu bem. Defrontamos uma grande equipa
.”


Ganhar aquela que era considerada a melhor equipa do Mundo e, ainda por cima, no timing e contexto em que tal vitória tinha ocorrido, era um feito que, no entender de muitos portistas, tinha de ser imortalizado.

Deste modo, um grupo de seis sócios do FC Porto - Eduardo Soares, José Moreira, Ivo Araújo, Manuel Ferreira, Elói da Silva e Torcato Plácido - decidiram abrir uma subscrição pública para compra de um troféu condigno que perpetuasse aquela tarde de glória portista.

A subscrição foi um enorme sucesso. Centenas de simpatizantes aderiram, tendo sido angariado 200 contos, dinheiro suficiente para mandar fazer um troféu majestoso - a Taça do Arsenal -, que seria oferecido ao clube um ano depois.

A Taça do Arsenal é composta por duas peças monumentais: uma peça totalmente concebida em prata e um relicário.

A peça de prata é constituída por três figuras esculturais de mulher, erguendo-se nas pontas dos pés, segurando a taça, circundada por três dragões dominados por três atletas que procuram alcançá-la para beberem dela o vinho da vitória. Na sua construção gastaram-se 130 quilos de prata!

O relicário, que tem 2,80 metros de altura e pesa 120 quilos (!), é uma espécie de caixa assente em quatro dragões de prata, com quatro portas de cristal. O relicário é rematado com um grupo escultório constituído por uma figura de atleta, de joelho em terra, dominando um leão, que tem uma bola junto dele. Na mão direita o atleta ergue um facho, enquanto que na mão esquerda segura a bandeira do FC Porto. Por detrás dele, dominando toda a peça, a figura da vitória.

Todo o conjunto, pesando mais de 250 quilos, custou 200 contos, exactamente a importância que se arrecadara ao longo de todo um ano de colectas. Os portistas ofereciam, assim, a si próprios o maior troféu do Mundo.



Fontes:
‘A Vida do grande clube nortenho (2)’, Selecções Desportivas, Dezembro de 1978
‘História de 50 anos do Desporto Português’, A BOLA
‘Glória e vida de três gigantes, A BOLA
MaisFutebol, 2006/09/24

Fotos:
Paixão pelo Porto
Óculos azuis e brancos

quarta-feira, 30 de abril de 2008

O museu do FC Porto

... e pronto, com a vitória no campeonato já cá canta mais um "caneco" conquistado de forma brilhante (a que se pode eventualmente juntar mais uma Taça de Portugal). Mas... para onde vão os "canecos"?

Já lá vão quase 5 anos que o museu do FCP no antigo estádio das Antas encerrou portas, e desde então nunca mais se soube do paradeiro dos troféus nem se sabe de nenhum projecto em concreto para um novo Museu.

Este é um assunto que me entristece bastante. Se é verdade e indiscutível que o que mais interessa é o presente e o futuro, também é verdade que a pujança de um clube se mede também pela forma como tem memória e honra o seu passado e os seus.

Fui diversas vezes ao antigo museu desde criança, e não me esqueço do brilho nos olhos com que de lá saía (aliás, lembro-me ainda melhor do brilho nos olhos do meu falecido avô). O antigo museu, pelos parâmetros contemporâneos, não era exactamente uma referência na sua categoria - mas isso era extremamente secundário, já que o impacto num portista de ver taças conquistadas com muito suor por gerações de atletas do clube era inconmensurável.

É através de coisas como esta que consegue passar o sentimento portista entre gerações, é através de medidas como esta que se consegue aproximar o clube dos sócios e adeptos. Já nem me refiro a uma certa vergonha que sinto por ter amigos estrangeiros que visitaram o Dragão e ficaram parvos por não termos os troféus expostos - já visitei vários museus de grandes clubes europeus, e todos eles se orgulham de exibir a história e os troféus do clube.

Considero pois que ao nem sequer dar qualquer explicação aos sócios (e já lá vão 5 anos...) o clube está em certa medida a faltar ao respeito perante aqueles que dão razão de ser ao clube.

Diz-se por aí que a razão para ainda não termos museu é que houve um erro de planeamento no Dragão, com o espaço previsto para o Museu a revelar-se demasiado pequeno. Bem, esse cenário hipotético para mim não invalida que:

1) não se dê a explicação devida aos sócios e adeptos

2) não se dê prioridade a corrigir o problema (por exemplo: porque não prever um espaço para esse fim no novo pavilhão?)

3) não se tome uma medida provisória, com a exibição dos principais troféus e uma pequena exibição multimédia num espaço disponível no Dragão, mesmo que insuficiente para um museu "a sério" - uma medida provisória deste género custaria certamente uma pequeníssima quantia.

Concluindo, vejo neste caso um sintoma de um problema generalizado: o problema de que os interesses comerciais da SAD se sobre-impõem cada vez mais aos interesses do clube e dos sócios, com o efeito secundário de que os sócios são cada vez mais tratados como meros consumidores de um produto. É pena.