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sábado, 25 de setembro de 2010

“Cruzadas” mediático-justiceiras anti-Porto (I)

«Esta semana telefonaram-me da SIC. Queriam que eu respondesse à pergunta do Referendo: “O Pinto da Costa é o responsável pela crise do futebol português?” (...) acabei por recusar responder, a não ser em estúdio e em directo, para não colaborar na paranóia persecutória da SIC contra o Porto. (...) Não fosse o retorno seguro de audiência que tem dizer mal do Porto, e a SIC poder-nos-ia contemplar com outros “referendos”. (…)
Como dizia o Jorge Schnitzer, da SIC, é preciso não esquecer que, por menos do que isto o Olympique de Marselha e o Milan desceram de divisão. Por menos do que o quê, nem vale a pena perguntar. O que interessa é reter da frase o objectivo final deste “jornalismo de investigação”: já que não se consegue vencer o Porto, vamos caluniá-lo, aquém e além fronteiras. Se não se pode evitar que ganhe os campeonatos, vamos despromovê-lo administrativamente à II Divisão. Eis o sonho do Schnitzer: já imaginaram que bom que era um campeonato sem o Porto? Que bom que era não terem de sofrer as vitórias do Porto na Liga dos Campeões? Isso é que era um verdadeiro pontapé na crise! É que, como dizia o Artur Jorge, quando o Porto vai à frente, há sempre crise no futebol português. (…)
Tiro o chapéu aos que congeminaram toda esta operação, logo no início de Agosto, mal o futebol regressou. À força de insistirem, segundo a velha técnica de repetir a calúnia e as insinuações até à exaustão, eles conseguiram impor duas verdades: o futebol português está em crise – uma; o Pinto da Costa é o culpado – duas.»
Miguel Sousa Tavares, PÚBLICO, 15/11/1996


14 anos depois, já não há Schnitzer (nem Rangel), mas no resto continua quase tudo na mesma.