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segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Jogar à Porto sem jogadores à Porto


Depois do empréstimo de Maicon ao São Paulo - prévia renovação de contrato para comprar o silêncio de quem não explicou sequer, como devia como capitão, aos sócios e adeptos o motivo do seu comportamento e as suspeitas levantadas pelos familiares nas redes sociais - o plantel do maior clube português conta apenas com 3 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa. Sim, leram bem. Em 25 jogadores, o FC Porto tem 3 jogadores com mais de dois anos de azul e branco e dragão ao peito. Soa a ridículo. E se soa, é porque o é. Sobretudo quando este clube, talvez mais do que nenhum outro, se fez grande precisamente imprimindo um estilo próprio - "o jogar à Porto" - com jogadores que sentiam a mística do clube e a interpretavam como ninguém depois de incorporar todos os conceitos mais básicos do portismo servindo de porta-estandartes para os que vinham depois.

O FC Porto sempre foi um clube de ciclos curtos até mesmo na realidade pré-Bosman. Sempre tivemos jogadores estrangeiros - e até aos anos 70 em proporção superior ao dos rivais de Lisboa que usavam a "batota" das colónias para manterem-se competitivos - e sabíamos que os jogadores da casa que se destacavam tarde ou cedo teriam tubarões atrás. Para contra-balançar essa realidade criou-se, sobretudo com a chegada de José Maria Pedroto e Pinto da Costa, uma genuína cultura de balneário assente em jogadores que - formados em casa ou contratados cedo na sua carreira - formavam um núcleo duro que raramente se rompia. Sabiam que não eram provavelmente nem os segundos melhores na sua posição mas que, em conjunto, eram invencíveis. Esse espírito cimentou a história do FC Porto até há bem poucos anos. Das gerações dos operários de Pedroto e Artur Jorge passou-se aos homens lançados nos anos noventa nos mandatos de Carlos Alberto Silva, Bobby Robson e António Oliveira e projectados para o novo milénio por Fernando Santos. Ano sim, ano também o FC Porto continuava a ser o que sempre foi, um clube vendedor. Não havia dúvidas, já com a lei Bosman em acção, que futebolistas como Jardel, Zahovic, Deco, Sérgio Conceição, Vítor Baía, Fernando Couto e afins tinham mercado e iam sair. Mas havia sempre os que ficavam - os Paulinho, os Aloísio, os Folha, os Jorge Costa - - ou os que saiam já muito tarde na carreira depois de ter dado tudo o que tinham. Entre uns e outros o clube garantiam ter sempre uma dezena de futebolistas imbuídos no espírito da casa. Os treinadores mudavam, as estrelas iam e vinham, mas eles seguravam o edifício. Mesmo no pós-Gelsenkirchen, quando a razia fez-se mais evidente, soube-se encontrar veículos de transmissão e jogadores que, vindos de fora, aprenderam depressa a lição como demonstrou sempre Lucho Gonzalez, João Moutinho ou Hulk que, sem ser da casa ou dos arredores, souberam ser "jogadores à Porto".

Ora, face à politica comissionista, a politica de "contentores", de relações com fundos e agências, perseguida de forma implacável e sem olhar para trás da coluna dirigente - uma politica que se aplica cada vez mais à própria formação, contratando-se jogadores por cinco vezes mais o seu valor em negócios difíceis de explicar (Juca, da próxima vez tenta lá fazer jornalismo a sério e perguntar a Pinto da Costa os porquês detrás dos negócios Kayembe, Victor Garcia ou a renovação de Ruben Neves e os 5% para o irmão de um dos administradores) - o espírito à Porto tem vindo a desaparecer. Os próprios homens - ou homem, se quiserem - que alimentaram com êxito e visão essa política de jogadores da casa ou imbuídos no espírito da casa, são os mesmos - ou, o mesmo, se preferirem - que se encarregaram de dinamitar essa realidade. Hoje, em Fevereiro de 2016, o FC Porto tem 25 jogadores inscritos no primeiro plantel e desse lote há três futebolistas que têm mais de dois anos de primeira equipa. A saída de Maicon - veteraníssimo e capitão por antiguidade, que não por mérito próprio de liderança - outro sinal evidente de que algo está podre - deixou Helton, Varela e, pasmem-se, Herrera, como os nomes mais antigos no balneário.
Helton é o rei dos veteranos e um farol de portismo absoluto que suportou estoicamente tudo - de criticas a lesões quase impossíveis de recuperar a lugares de suplente difíceis de explicar - e Varela um jogador que quis forçar a sua saída mas que escolheu o destino errado e foi forçado a voltar com o rabo entre as pernas. O terceiro em discórdia, Herrera, não podia ser maior patinho feio (herda o posto na hierarquia de Maicon) e seguramente é jogador com guia de marcha em Junho. A estes podem juntar-se ainda Ruben, Chiodzie, André André ou André Silva, com passado mais ou menos largo na formação mas com muito poucos kms de equipa  principal.
Em comparação o Benfica tem 9 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa - a que podem juntar outros seis da formação num total de 15 futebolistas - e o Sporting tem 11 jogadores no primeiro plantel com mais de dois anos de casa a que podem juntar ainda outros dois jogadores da formação para um total de 13.
Esta é a nossa triste realidade. Algo de quem não tem culpa Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e, naturalmente, muito menos, José Peseiro. Os treinadores no FC Porto são excelentes bodes expiatórios mas os ciclos têm sido tão curtos e o seu poder tão exíguo que na hora da verdade só existe um local para onde se olhar para apontar culpados a esta realidade.

Ninguém pode criticar uma política que tem décadas - a de comprar barato e desconhecido, vender caro e preparando estrelas de primeiro quilate para outros - a funcionar perfeitamente. Esse não é nem nunca foi o problema do FC Porto entre outras coisas porque é algo absolutamente inevitável. China e Premier serão amanhã o que a liga espanhola, francesa e russa foram no passado. Não, esse não é o problema. O problema está no orçamento descontrolado - ano após ano - nas exíguas mais valias entre comissões, vendas de percentagens e investimentos em activos cada vez mais caros e, sobretudo, na ausência de uma visão desportiva - o FC Porto é um dos poucos clubes de elite que não conta com um Director Desportivo digno de usar esse titulo - que garanta que paralelamente a esses negócios necessários exista uma guarda pretoriana que garanta que os que venham a seguir saibam o que é "jogar à Porto". Ninguém está a pedir que existam dez jogadores que fiquem uma década no clube, um cenário que é cada vez mais irreal em qualquer liga. Mas ter apenas três jogadores - dois suplentes e um mal amado - é cair no fundo. Para o próximo ano ninguém sabe que será dos três. Podem estar cá todos ou até mesmo nenhum o que faria de Ruben Neves (se fica, que esperemos que sim), o mais veterano do plantel. Um miúdo da casa não pode levar esse peso nos ombros com 20 anos de idade. É o caminho mais curto para atropelar uma futura referência. Todos antes dele que prometiam muito, de Gomes a Postiga, tiveram em quem se apoiar. Ruben pode acabar só como o último sobrevivente do espírito de jogador à Porto num plantel sem jogadores - formados ou comprados, nacionais ou estrangeiros - que saibam realmente o que isso significa. Não é por casualidade que até Sapunaru - um desses estrangeiros que souberam entender isso de ser um "jogador à Porto" - afirmou publicamente o choque que lhe provocou visitar o Olival. E ele, mais do que nós, sabia por dentro o que o Porto foi e o que o Porto é hoje.

Ás vezes, entre resultado positivo e resultado negativo, entre bola na trave e bola dentro, estas questões ficam esquecidas mas depois, quando as coisas correm mal, todos levantam a cabeça à procura de referências mas hoje em dia só as encontram nos jogos de veteranos. O gesto de Maicon só é possível no contexto deste FC Porto do pós-pintocostismo com Pinto da Costa, um clube sem lideres a nenhum nível e onde os jogadores vêm trabalhar todos os dias como se estivessem noutro sítio qualquer.
   

domingo, 12 de julho de 2015

Analisar o negócio Iker Casillas

Iker Casillas é o novo guarda-redes do FC Porto. 
É também provavelmente um dos dois guarda-redes de maior perfil mediático a actuar em Portugal, em conjunto com Peter Schmeichel. Também é dos futebolistas mais titulados da história. E é o jogador que vai receber o salário mais alto da história do clube. Casillas é tudo isso e portanto este negócio tem muitos pontos para analisar de pontos de vistas radicalmente distintos, do desportivo ao financeiro, do potencial de futuro às necessidades do presente. 

Comecemos pelo desportivo.
Casillas passa a ser o melhor guarda-redes da liga portuguesa. De longe. 
Iker é melhor que Helton - sim, é melhor do que Helton mesmo já não sendo o "San Iker" - e também bastante melhor que Julio César, Artur, Rui Patricio, Jose Sá e afins. Poucos duvidam disso. Não sendo já um guarda-redes de elite mundial, a meu ver, está claramente numa segunda linha. Mais ainda porque os seus últimos anos em Madrid, altamente irregulares, estão intimamente ligados ao clima que se vivia na Castellana, algo que não o vai afectar à distância. Casillas está no Porto porque quer. E isso é um ponto a favor. Podia ter ido para Roma mas entendeu que o FC Porto lhe dava condições melhores para assegurar a titularidade da baliza de Espanha no Euro 2016, o seu grande objectivo. Por isso vai estar altamente motivado, duplamente até. Para garantir a sua titularidade em França e para demonstrar aos que o têm - e são muitos, talvez a maioria - criticado de que estavam errados. Nesse sentido a sua chegada é de louvar. Casillas vai melhorar as opções existentes e tendo em Raul Gudiño um projecto de futuro a amadurecer, pode cumprir com esses dois/três anos necessários para o mexicano dar o salto. Quem vai pagar o preço é Helton com quem o clube renovou há pouco tempo mas antes de saber que Iker estava disponivel. 
Desportivamente Iker terá motivação mas também é verdade que chega sabendo-se intocável. Não terá de trabalhar semanalmente pela titularidade, está garantida verbalmente, sem ela não havia negócio. A eleição do Porto também tem, e muito, a ver com a proximidade com Madrid onde vai continuar a viver a sua familia sendo que Iker tem um acordo não escrito com o clube para poder ir passar alguns dias a Madrid à semana, provavelmente com voos de ida e volta diários. Resta saber até que ponto esse relaxamento competitivo e essas viagens podem ou não afectar o seu rendimento desportivo.

Tudo isso é Iker, o guarda-redes. Mas também há Iker, o mais bem pago do plantel.
Casillas chega a ganhar uma fortuna. Em Madrid recebia cerca de 7 milhões de euros limpos ao ano. Vai continuar a ganhar esse dinheiro mas o pagamento será dividido entre o Real Madrid, o FC Porto e o próprio, que vai perdoar dinheiro ao clube espanhol. O FC Porto pagará cerca de 3,5 milhões de euros, superando, por um milhão de euros, o seu tope salarial. Só não pagamos mais porque o Financial Fair Play nos proibe. O resto é pago pelo Real Madrid nos primeiros dois anos. Isso significa que Iker chega ao Porto a ganhar muito mais do que os colegas o que nunca cria bom ambiente de balneário. Nenhum jogador do clube tem o prestigio e perfil de Casillas, é certo, mas todos sabemos como são os futebolistas. Este precedente não deixa de ser perigoso ainda para mais na ausência de lideres que imponham a cordura dentro do balneário. Iker é também o jogador mais caro de sempre do nosso futebol e essa inversão a curto prazo tem de se traduzir em algo. Titulos, pontos ganhos por si mesmo. Em Portugal sabemos que o papel do guarda-redes é relativo. Estamos habituados a jogar no campo do rival pelo que as defesas milagrosas de Casillas serão pontuais. Mas têm de estar. Iker tem de demonstrar em cada jogo, nem que seja um par de vezes, que merece esse salário caso contrário a sua chegada perde qualquer lógica. O mesmo é aplicável na Champions onde, aí sim, se exige o melhor de Casillas. É onde veremos o seu verdadeiro nivel. Caso não esteja à altura das expectativas, o espanhol pode transformar-se num verdadeiro elefante branco. 



Por fim fica Iker, o simbolo mediático.
Casillas tem milhões de seguidores a nivel mundial. Não nos enganemos, são seguidores da marca Espanha e Real Madrid, não passarão forçosamente a ser seguidores da marca Porto. Casillas é igualmente detentor dos seus direitos de imagem pelo que esqueçam também golpes publicitários que encham os cofres do Dragão. Esse dinheiro vai todo para a sua conta bancária. Depois, relembrem-me que guarda-redes a nivel mundial é uma fonte de riquezas em marketing....pois. Não há.
Os guarda-redes não vendem camisolas, nenhum deles.
Casillas não estava no top 10 dos jogadores que mais camisolas vendiam com o Real Madrid ou com a selecção espanhola. Ninguém, na Ásia ou na América Latina (onde a maior parte do merchandising é pirata) vai perder a cabeça para ter a camisola de guarda-redes do FC Porto com Casillas. Muitos continuarão com a do Real Madrid, outros com a de Espanha. Essa é a realidade. O que Casillas pode trazer está em novos anuncios e sponsors para o clube mas, ainda assim, não estamos a falar de um futebolista que gere emoções a esse nivel. É mediático sim, sobretudo por ter sido o capitão de Espanha, mas tal como sucedia com Xavi ou Iniesta, por exemplo, não é um futebolista que renda muito em termos de marketing. Seguramente o FC Porto terá uma exposição mediática unica a nivel mundial mas é dificil que essa exposição se reflicta em dinheiro.

Haverá charters de adeptos ao Dragão para ver Casillas? Duvido muito.
Serão os jogos da liga portuguesa mais apetecidos lá fora por termos Casillas? Talvez, mas aí quem ganha é quem tem os direitos, a Olivedesportos.
Pode o FC Porto fechar um bom patrocinio ao ter um jogador do perfil de Casillas? Sim, mas salvo seja um patrocinio milionário, cada vez menos o que se paga para estar nas camisolas é redundante dentro do dinheiro ingressado pelos clubes como os relatórios de contas recentes provam em relação à PT.

Casillas dicilmente será uma mina de ouro e pode acabar até por dar prejuizo financeiro. Serão 7 milhões em salários em dois anos, zero em passe. Não é um negócio caro (vide Imbula ou todos aqueles flops para comissionista ver...allo Bolat) mas o que é, sem duvida, é um negócio sem retorno. 

Portanto, que pensar do negócio Casillas?

Financeiramente é um erro atroz ter um futebolista veterano e que não decide jogos a receber mais de 1 milhão de euros do que o nosso recorde e do que o segundo jogador mais bem pago do plantel (agora é Tello).
Pode gerar todo o tipo de problemas de balneário, invejas, criticas se algum jogo correr mal, etc. Desportivamente dependerá do que Casillas for capaz de fazer em comparação a Helton. Sim, essa será a sua vara de medir.

Casillas tem de ser muito melhor, ganhar muitos mais pontos por si mesmo, ser muito mais determinante em jogos da Champions, para que desportivamente faça sentido abdicar de um jogador com o mesmo perfil e idade por outro pagando muitissimo mais. 

A nivel de exposição só o tempo o dirá.
O Porto será mais falado lá fora, seguramente em Espanha e na América Latina, e poderá aproveitar algo dessa exposição mas do mesmo modo que hoje o Sporting não é um clube altamente popular só porque teve a Schmeichel (que chegou a Portugal como campeão europeu em titulo, a mesma idade e a ganhar menos, em proporção, do que Casillas agora, em claro declive de carreira e com um cachet bem menor) também o Porto não se vai tornar numa referência mundial por Casillas. Nem o deve ser. 

Tenho a plena convição de que Iker vai fazer uma óptima temporada. 
Vai ser decisivo em alguns jogos, vai falhar alguma que outra vez, como todos. Vai permitir maior exposição do clube mas não necessariamente maiores ingressos. Se o seu salário fosse de acordo com a realidade do clube, teria sido um negócio que aprovaria, apesar de tudo. Mas não é.

Iker é mais caro do que aquilo que nós devemos - não podemos, que também não, mas devemos - pagar a um futebolista em fim de carreira, em particular para uma posição onde a alternativa, da casa e mais barata a todos os niveis, já nos dava a todos garantias nos próximos dois anos. A Iker desejo-lhe toda a sorte que não teve nos últimos anos em Espanha mas considero o negócio um erro, mais uma fuga para a frente de um grupo de dirigentes desesperados pela ausência de resultados dos últimos dois anos e que já não sabem que politica coerente seguir sempre e quando haja titulos que a justifiquem.

Que ninguém se engane. O FC Porto 2015/16 podia ser campeão e equipa de oitavos de final de Champions - os objectivos reais de cada ano - sem Iker Casillas. Com ele no plantel não muda nada. Ou melhor, não muda nada, desportivamente. Seremos no final do ano um clube mais pobre, com um buraco mais grande para tapar. Mas como alguns pretendem ficar aqui até morrer, esse problema já não será deles. Será nosso. E quando chegar esse momento, todos se lembrarão das boas noites que Casillas nos deu e se perguntarão se essas noites valiam os problemas que vieram depois. 

Suerte Iker!

PS: Os pais do Iker Casillas - que não o próprio, está claro - declararam ao jornal El Mundo que para eles o FC Porto é um clube de "Segunda Divisão B" e que o filho merecia algo muito melhor. Espero que o Porto demonstre ao Casillas que é possivel ser feliz longe de Madrid e que os portistas demonstrem, aos pais do Casillas, quando venham ao estádio do Dragão de Segunda Divisão B ver um jogo, com um enorme coro de aplausos o que um grupo de adeptos de "Segunda Divisão B" são capazes.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Apostar em Helton e Gudiño

Raúl Gudiño (O JOGO, 02-12-2014)

Raúl Gudiño chegou ao Porto por empréstimo do Club Deportivo Guadalajara (a FCP SAD tem opção de compra do seu passe), em Setembro de 2014, para jogar nos juniores mas, em 29 de Novembro de 2014, estreou-se pela equipa B e deu logo nas vistas.

Seis meses depois e após ter visto este jovem guarda-redes mexicano atuar diversas vezes, quer em jogos da equipa B, quer na fase final do campeonato de juniores, penso que Raúl Gudiño deveria ser a grande aposta do FC Porto para a baliza da equipa principal… daqui a um ou dois anos. Até lá, se nada de anormal acontecer, Helton demonstrou que é perfeitamente capaz de assegurar a baliza do FC Porto sem comprometer.

Helton? Mas, então, o FC Porto não precisa de um guarda-redes de topo?

Onde estão os guarda-redes de topo (que sejam claramente melhores do que o Helton) interessados em virem para o campeonato português? Existem? Quanto custa o respectivo passe?

Gerir implica fazer escolhas e decidir onde investir os (escassos) recursos financeiros existentes. Ora, mesmo que houvesse guarda-redes de topo disponíveis para virem para o Porto e cujo passe custasse menos de 15M, a pergunta seguinte é: uma opção dessas faz sentido?

Faz sentido a FCP SAD gastar 10M, 12M ou 15M no passe de um “guarda-redes de topo”, tendo no plantel Helton e Gudiño? (já para não falar em Fabiano, Ricardo Nunes ou Andrés Fernández)

Penso que não. Há outras posições (ponta-de-lança para substituir Jackson e/ou defesa-central com um perfil semelhante ao Otamendi) em que me parece muito mais necessário investir o limitado dinheiro existente.

E mais. Queremos, ou não, criar condições, para que os jogadores mais promissores, que se destacam na equipa B possam, num horizonte de um ou dois anos, integrar o plantel principal?
É que se queremos isso, não podemos gastar 10, 12 ou 15M num “guarda-redes de topo”, que irá tapar e impedir esse cenário. Até porque, no caso dos guarda-redes, os suplentes só jogam em caso de lesão ou castigo do titular.

Helton tem 37 anos (feitos a 18 de Maio) e, embora esteja na fase descendente da sua carreira, ainda é um bom guarda-redes de equipa grande podendo, perfeitamente, jogar mais uma ou duas épocas (para quando a renovação?).

Raúl Gudiño tem 19 anos (feitos a 22 de Abril), ainda não completou a sua formação, mas tem características que podem fazer dele, a médio prazo, um guarda-redes de topo internacional.

Raul Gudiño (O JOGO, 07-06-2015)

Assim sendo, na minha opinião, a época 2015/2016 deveria ser aproveitada para:

– Colocar o Gudiño a treinar com a equipa principal, para se integrar no plantel, beneficiando da presença do compatriota Herrera e tendo o Helton como “professor”;

– Experimentar o Gudiño em alguns jogos particulares da equipa principal (logo na pré-temporada), bem como, em jogos da Taça da Liga;

– Dar continuidade à titularidade de Gudiño na equipa B;

– Iniciar/acelerar o processo de correção de algumas deficiências do Gudiño – melhorar o jogo de pés; melhorar o timing de saídas da baliza; melhorar a colocação das barreiras nos livres.

No final da época 2015/2016, far-se-ia uma análise e das duas uma:
a) Gudiño “cresceu”, melhorou nos aspectos que precisa de corrigir e está em condições de discutir, com Helton, a titularidade da baliza do FC Porto;
b) Gudiño não evoluiu e é preciso ir ao mercado arranjar um bom guarda-redes para suceder a Helton.

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Renovar com Helton? Obviamente!

O JOGO, 18-05-2015
«A cumprir a décima época de Dragão ao peito, Helton é uma figura incontornável da última década do futebol portista. O guarda-redes brasileiro, que chegou ao FC Porto no início da época 2005/2006 proveniente da União de Leiria, celebra esta segunda-feira 37 anos, um dia depois de ter cumprido o 321.º jogo oficial com a camisola azul e branca, registo que faz de Helton o terceiro jogador estrangeiro com mais jogos em toda a história do FC Porto. (…) No ranking geral, Helton é o 15.º jogador mais utilizado de sempre no FC Porto.
Nos 321 jogos que realizou pelos Dragões, Helton soma 220 vitórias, apresentando assim uma admirável taxa de sucesso de 69 por cento. Porque muitas dessas vitórias resultaram na conquista de títulos, importa recordar tudo o que o guarda-redes brasileiro acrescentou ao currículo desde há dez anos: uma Liga Europa, sete Ligas portuguesas, quatro Taças de Portugal e seis Supertaças
in www.fcporto.pt, 18-05-2015


No final do jogo em Belém, Helton, que está em final de contrato, desmentiu que já tivesse renovado com o FC Porto, assumiu a vontade de continuar, mas disse que ainda não tinham falado com ele.

É caso para perguntar: estamos (FC Porto) à espera de quê?

Helton - Cultura de vitórias

Helton - Enorme experiência nas competições europeias

Helton - Cultura do clube

Helton - "Ponte" entre os novos e os "velhos"

Helton - Bom balneário e apoio aos companheiros de equipa

Perante tudo isto e vendo a boa forma desportiva que evidenciou após a grave lesão que teve em Março de 2014, nem me passa pela cabeça que a SAD não renove com o capitão Helton.

segunda-feira, 16 de março de 2015

Helton, um ano depois


«Um ano menos um dia depois, Helton voltava a jogar para o campeonato (desde 16 de março de 2014, dia em que se lesionou com gravidade no tendão d'Aquiles, frente ao Sporting). Não foram 12 meses de paragem, porque pelo meio Helton atuou por três vezes para a Taça da Liga (numa delas, em Braga, com fantástica exibição). O brasileiro, líder, entrou da melhor forma: confiante, a dar segurança aos colegas, no momento difícil. Assinou defesa assombrosa, a evitar 1-1, em remate de André Claro, nos primeiros minutos da segunda parte. Teve que sair uma vez da área, mas fê-lo bem. Será titular na Madeira, no reduto do Nacional, no castigo que Fabiano terá pelo vermelho. E depois disso… quem sabe?»
Germano Almeida, Maisfutebol, 15-03-2015


Na conferência de imprensa após o FC Porto x Arouca, questionado acerca da exibição de Helton, Julen Lopetegui respondeu assim:

[Helton] Esteve muito bem, concentrado. Demonstrou que é um fantástico guarda-redes, sem dúvida nenhuma

E, acerca das saídas de Fabiano fora da baliza, Lopetegui, também ele um ex-guarda-redes, disse o óbvio:

Os guarda-redes devem saber explorar o espaço. São momentos que o jogo, por vezes, exige


Ora, a recorrente má leitura de jogo e um timing de reacção desadequado são, precisamente, duas das piores características do Fabiano, que fazem com que o gigante guarda-redes brasileiro seja medíocre na cobertura do espaço à frente da área.

Pode mesmo dizer-se, que as hesitações e saídas intempestivas de Fabiano tornaram-se uma imagem de marca e já custaram muitos dissabores: o derrube a Tozé e consequente penálti no Estoril (que o jogador emprestado pelo FC Porto não falhou…); o choque com Casemiro em Braga, deixando a baliza escancarada; e a “colisão aérea” com Danilo frente ao Basileia; são três exemplos, três situações que deixam poucas dúvidas acerca desta sua evidente limitação.

Aliás, há três meses atrás, no dia seguinte ao FC Porto x SL Benfica, já tinha chamado à atenção para esta grave limitação:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar.»



Aos 36 anos (faz 37 daqui a dois meses), após uma lesão gravíssima e quase um ano sem competir regularmente, é natural que Helton não esteja no top das suas capacidades. Contudo, o que mostrou ontem e aquilo que já tinha mostrado num “cósmico” jogo disputado em Braga, é mais do que suficiente para, salvo qualquer recaída, a titularidade da baliza do FC Porto lhe ser entregue até ao final desta época (pelo menos).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sete longos meses sem fins-de-semana



Agora que, salvo algo de monstruoso que ninguém acredita que possa suceder, tudo ficou resolvido, vão ser sete longos meses (até ao início da próxima época) em que, jogos mesmo a sério, só iremos ter dois (ok, quatro se eliminarmos o Basileia e partindo do princípio que temos realmente equipa para discutir uns quartos-de-final de Liga dos Campeões).
Se quisermos ser bondosos, poderemos acrescentar uma eventual final da taça da Liga (a tal que ninguém gostava) a esta pequena lista de jogos minimamente interessantes até ao final de Agosto.
Muito argumentarão que, dada a nossa inacreditável vantagem de apenas um ponto em relação ao scp, os jogos continuarão todos a ser a sério até final. Bem, falar em lutas pelo segundo-lugar soa até ofensivo para um clube com o nosso palmarés nos últimos 30 anos. Por muito aborrecido que seja ter que jogar uma pré-eliminatória para aceder à "Champions", a grande verdade é que ficar em segundo ou terceiro não aquece nem arrefece ninguém.
Na verdade, podemos até evitar falar em "travessias do deserto" mas de uma seca monumental já ninguém nos livra. De repente, nos próximos fins-de-semana, as ligas estrangeiras tornar-se-ão ainda mais cativantes e até as outras modalidades terão um renovado interesse aos nossos olhos.
O mais penoso nisto tudo é que diferença futebolística está longe de estar reflectida nestes largos pontos que nos separam do nosso rival. Habitualmente, tamanho "buraco" traduz uma série de insuficiências de um dos lados, algo que está longe de ser verdade na presente época. Tirando os fanatismos habituais, este slb parece inferior às recentes versões passadas.
Por isso mesmo, não é tarefa fácil explicar estes últimos acontecimentos. Tendo a presente temporada como ponto inicial de análise, existirão obviamente vários erros próprios mas nenhum com tamanho suficiente para que alguém possa acreditar, com toda a convicção, que tudo poderia ter sido diferente.
Mas vamos lá a esses "pormenores" que, não tendo sido decisivos, foram erros que nos deverão servir de lição:
Ghilas é melhor que Adrián, ponto. O primeiro deveria ter ficado e o segundo não deveria ter sido adquirido em mais uma das nossas "confusas" contas com o Atlético Madrid.
Tozé, se é que a equipa B realmente serve para algo, teria também lugar neste plantel. Não existe esse abismo, como muitos acreditam, em relação a Óliver. No fundo, é tudo uma questão de apostas. O espanhol, mesmo vindo emprestado, é aposta assumida desde a primeira hora, já o português foi sempre olhado de lado. E é nesta falta de confiança que muitos se perdem.
Já a saída de Josué, embora num patamar mais debatível, deixou também dúvidas. E deixemos, por agora, a eterna questão-Kelvin para outras núpcias.
Mas, tendo assim o plantel sido escolhido, haveria melhor "11" que aquele habitualmente colocado em campo, excessivas rotações à parte?
Bem, se olharmos com cuidado para os quase 11 meses de titularidade de Fabiano, quantos pontos ou vitórias lhe devemos? Certo que, não havendo Hélton por largos meses, as alternativas eram praticamente nulas. Mas, e agora com o capitão de regresso e em grande forma? Que desculpa pode haver? Que motivação terá, daqui em diante, um jogador a quem for dada uma "oportunidade" na taça da Liga, sabendo ele que nem uma exibição de qualidade máxima lhe abrirá as portas da equipa principal?
Já quanto a Alex Sandro, há mais de ano e meio que joga metade daquilo que rendia quando alcançou a titularidade. Danilo, que até começou bem, parece de regresso ao seu habitual modo de "não te rales muito", que ele sempre acciona quando os resultados deixam de aparecer. 
Mas, lá está, com Ricardo e José Ángel teríamos agora mais pontos? Nenhumas garantias de tal, se quisermos ser absolutamente honestos. 
E quanto ao resto? Bem, Maicon continua a ser Maicon, como aquela oportunidade desperdiçada logo nos minutos iniciais no Funchal nos relembrou. O nosso adversário directo não falharia aquela oportunidade madrugadora para ficar logo em (decisiva) vantagem.
De resto, confirma-se que Casemiro e Tello são úteis mas nada do outro mundo, como a qualidade dos seus clubes de origem poderia fazer crer. Pelo menos, ainda estão num patamar inferior àquele onde se situam Jackson, Brahimi e até mesmo Quaresma. E é este patamar que se exige a quem quer ser titular de longa duração num clube como o nosso.
Por fim, e basta olhar para o seu rosto, Quintero passou de jovem alegre e cheio de potencial para alguém a quem as mordaças tácticas transformaram num jogador apavorado pelo receio de falhar. Bem escondido continua ele pelas extremidades do campo, e isto quando joga. Quem ficou a ganhar com esta sua "domesticação"? Pois, ninguém ao certo saberá responder.
Mas estaria o FCP a discutir, ombro-a-ombro, o primeiro lugar se o atrás descrito tivesse acontecido de outra forma? Provavelmente não, e é isto que mais assusta: do ponto em que se iniciou a presente temporada, não se vislumbra grandes alternativas para um futuro diferente. Isto porque, sem "fundos", os empréstimos vindos dos "grandes" europeus tenderão a aumentar ainda mais e, em termos de liderança, como se tem visto, é cada vez mais difícil arranjar melhor.
Poderemos, então, melhorar em quê, durante estes penosos meses que se avizinham? A nossa obsessão pela posse de bola, ao contrário do que se apregoa, soa a excessiva. Reparemos que o nosso rival abriu o marcador em dois lances de futebol directo nas suas duas últimas saídas (Penafiel e Marítimo). Já nós, nem no último segundo contra um Marítimo, com tudo praticamente perdido, o nosso guarda-redes foi autorizado a avançar para a área contrária, num lance de bola parada.
Na liga portuguesa, exagerar na posse e num futebol "rendilhado", especialmente fora de portas, pode ser contra-produtivo. É uma lição que levamos desta temporada. As nossas habituais e tão elogiadas estatísticas, ao invés de serem motivo para orgulho, podem muito bem ser a mais clara expressão do nosso falhanço. Isto porque as nossas oportunidades reais de golo são em número vergonhoso para tamanho "controlo" das partidas. E o inverso sucede com praticamente todos os adversários que encontramos pela frente: por menos oportunidades que tenham, conseguem sempre criar perigo.
Por último, o factor-sorte. Todos sabemos que esta se conquista e dará mesmo muito trabalho alcançá-la, mas temos que honestamente reconhecer que a sorte, em 2014/15, nada quer connosco. Não que, alguma vez, se a deva usar como principal desculpa.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Sim, ele está bem vivo


Quem diria que um jogo para a Taça da Liga se iria tornar num dos mais marcantes da época? Quem diria que, não uma vitória mas sim um empate, originaria festejos no regresso dos jogadores ao Dragão? Pois tudo isto aconteceu mesmo, cortesia do "trio" do Sr.Cosme.

E agora, depois deste verdadeiro vendaval de acontecimentos da última quarta-feira, o que poderá ser diferente daqui para a frente?
Por exemplo, deve Hélton assumir a titularidade de imediato? Apetece dizer que sim. Sendo verdade que Fabiano poderá ficar algo perturbado, é também certo que mais vale sair assim do "11" do que após um erro grave.
Por outro lado, e após esta grande exibição de Hélton, Fabiano sabe que estaria sempre a prazo.
Ficará, muito provavelmente, em baixo psicologicamente mas saberá também que, dados os 36 anos de Hélton, o mais certo será a titularidade regressar, mais dia menos dia. Deve é trabalhar cada vez mais e, entretanto, ir aprendendo com o mestre.
Só deve existir um único critério para se entrar no "11" titular: a qualidade. Hoje por hoje, Hélton ainda é melhor que Fabiano.

Hélton que chegou mesmo a "despedir-se" através das redes (anti) sociais no início da presente época, acaba por realizar, e após quase um ano de afastamento, uma das sua maiores exibições ao serviço do nosso clube. Quando um dia ele realmente pendurar mesmo as chuteiras, este jogo será, para muitos, aquele que virá imediatamente à memória.
Trata-se efectivamente de um jogador muito especial. A sua forma calma de estar dentro e fora de campo, será mesmo a sua maior qualidade. Aliás, por mais que nos solidarizemos com a fúria de Antero Henrique no final dos primeiros 45 minutos em Braga (poderia ser qualquer um dos nós), temos de louvar a atitude de apaziguamento por parte do nosso capitão.

Hélton e Jackson, dois capitães a liderar pelo seu próprio exemplo, nas duas mais recentes partidas. E é assim mesmo que tem que ser.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

H-E-L-T-O-N

A revolta de Antero Henrique perante Cosme Machado

Afinal, a Taça Cosme Damião…, perdão, a Taça da Liga serviu para algo verdadeiramente importante: revoltar e unir jogadores, treinador, dirigentes e adeptos portistas contra aquele que é o verdadeiro adversário do FC Porto nesta época – o SISTEMA ENCARNADO, suportado num lote de árbitros (in)competentes, subservientes e alinhados com o “desígnio nacional” de levar o SL Benfica ao colo até aos títulos pretendidos.

Não vale a pena falar nos muitos casos deste SC Braga x FC Porto e, muito menos, na escandalosa dualidade de critérios de Cosme Machado. Aliás, contrariamente ao pretendido, o árbitro da AF Braga acabou por prestar um favor ao FC Porto.

Em primeiro lugar, com a sua inenarrável exibição de hoje, tornou impossível ser nomeado para qualquer outro jogo do FC Porto até ao final desta época. Ora, sabendo que ainda há 17 jogos do campeonato 2014/2015 para disputar, é um alívio.

Em segundo lugar, a escandalosa arbitragem de hoje, deverá fazer com que, pelo menos nas próximas duas ou três semanas, seja um bocadinho mais difícil prejudicar o FC Porto. Parece que não, mas isto começa a dar demasiado nas vistas.

Em terceiro lugar, ao obrigar os DRAGÕES a jogarem 55 minutos com menos dois jogadores, transformou os restantes em “heróis”, pelo espirito de luta e sacrifício que demonstraram (Rúben Neves jogou os últimos 10-15 minutos a mancar!).

Helton!

Finalmente, ao inferiorizar (em número) o “exército” portista, possibilitou que o “guardião do castelo azul-e-branco” – Helton – brilhasse a grande altura, fizesse uma das melhores exibições da sua carreira e, depois da grave lesão que sofreu, mostrasse a todos que está vivo e bem vivo.

ENORME HELTON!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Guarda-redes de equipa grande

A seguir ao FC Porto x SL Benfica, jogo em que Fabiano teve responsabilidades directas no 2º golo dos encarnados, escrevi o seguinte:

«Fabiano é um guarda-redes grande, mas não é, nem nunca será, um grande guarda-redes. Debaixo dos postes é bom, mas o “gigante” brasileiro tem limitações que são conhecidas e que ontem voltaram a ser visíveis: é mau a jogar com os pés, é lento a executar e a reagir e, nas saídas da baliza, deixa muito a desejar. Por aquilo que já mostrou, Andrés Fernandez também não parece ser guarda-redes para uma equipa de top (Lopetegui identificou cedo o problema e, por alguma razão, queria que a SAD tivesse contratado Keylor Navas… antes do Mundial). Se Helton estiver fisicamente recuperado a 100%, não tenho dúvidas que é a melhor solução existente no plantel atual.»


O JOGO, 11-01-2015
No último jogo (FC Porto x CF Belenenses), Fabiano voltou a defender uma bola para a frente e a quase oferecer um golo à equipa adversária (valeu um corte, in extremis, de Maicon).

Mas, para além das limitações técnicas que são conhecidas – dificuldades a jogar com os pés, lentidão e hesitações a sair da baliza – parece-me que Fabiano tem outro problema, que é crítico quando se é guarda-redes de uma equipa grande: “congela” e fica com as suas capacidades diminuídas, quando está muito tempo sem intervir no jogo.

Em muitos jogos do campeonato português, um guarda-redes do FC Porto é quase um espectador. Contudo, tem de ter a capacidade de se manter concentrado e “quente” para, quando for chamado a intervir, não complicar e, pelo contrário, conseguir evitar “golos feitos” na sua baliza.

Neste aspecto (e não só) um Helton a 100% dá (daria) mais garantias do que Fabiano.

Evidentemente, após 10 meses sem jogar, Helton não pode estar a 100%. Contudo, talvez esteja em condições para voltar à baliza do FC Porto num jogo da Taça da Liga, contra uma equipa da II Liga (União da Madeira) que, ainda por cima, vai ser disputado no Estádio do Dragão (na próxima terça-feira).

Será desta, que Lopetegui vai dar uma oportunidade a Helton?

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Bemvindo de volta!

Após 8 meses de ausência, Hélton finalmente regressou aos treinos com os colegas, estando (clinicamente) totalmente recuperado. Seja muito bemvindo!

Penso que isto é uma óptima notícia. Apesar de achar que Fabiano tem estado bem, espero que Helton ainda esteja para as curvas e possa ter capacidade para ainda vir ao menos lutar pela titularidade (a partir de Janeiro), à medida que ganhe forma e ritmo. 

Mas se não for o caso, penso que será uma presença muito importante no balneário e nos treinos - não só é muitíssimo mais experiente do que a esmagadora maioria dos colegas, como é (relativamente falando) «homem da casa», estando no FCP há já 10 anos (quando a maioria dos colegas nem 2 anos leva...). Além disso a sua forma de ser fará certamente com que seja muito respeitado e visto pelos colegas como um bom conselheiro e «tutor».

Sendo assim espero bem que não saia em Dezembro/Janeiro *e* que seja inscrito no resto da época (tanto no campeonato como na Liga dos Campeões onde não está inscrito até Janeiro, presumindo que conseguimos passar a fase de grupos). Mesmo que saia depois no Verão...

Temos GRs a mais? Pois temos, e a isso já eu tinha torcido o nariz no Verão quando contratámos Ricardo e Andres Fernandez... mas isso não é culpa de Hélton, e sinceramente prefiro ficar com ele no plantel a um desses dois para a 2a metade da época, mesmo que não seja o mesmo Hélton de antigamente. Num plantel tão jovem e com tantas caras novas, estou convicto que a sua importância no balneário e treinos torna-se ainda maior. Espero que Lopetegui tenha o bom senso de o reconhecer...

sábado, 2 de agosto de 2014

O quinto guarda-redes

Tendo no plantel Fabiano (26 anos), Ricardo (32 anos), Kadú (19 anos) e Helton (36 anos), que sentido faz contratar um quinto guarda-redes para a época 2014/2015?

Sabendo-se que o brasileiro Helton (vai iniciar a sua 10ª época no FC Porto) só deverá estar em condições de voltar a competir em Novembro ou Dezembro e que, em princípio, o angolano Kadú será o guarda-redes da equipa B (foi titular em 24 jogos da II Liga 2013/2014), a contratação do espanhol Andrés Fernández só pode significar que o espanhol Lopetegui não confiava numa solução em que o brasileiro Fabiano (titular nos últimos 13 jogos oficiais da época passada) fosse o “dono” da baliza portista e o português Ricardo (ex-Académica, não falhou um único minuto nos últimos dois campeonatos) fosse a sua “sombra”.

Mas, Fabiano parece querer complicar a vida a Lopetegui…

O JOGO, 28-07-2014

Fabiano, O JOGO, 28-07-2014

A única explicação que eu vejo para a contratação de Andrés Fernández, é se o ex-Osasuna se distinguir, pela positiva, naquelas que são as duas principais lacunas de Fabiano: sair da baliza e jogar com os pés. E, claro, se estes dois aspectos forem considerados fundamentais por Lopetegui (numa lógica da equipa jogar subida e do guarda-redes encurtar espaços nas costas da defesa).

Andrés Fernández, O JOGO, 26-07-2014

De outro modo, parece-me incompreensível “obrigar” a FC Porto SAD a gastar 2 milhões de euros no passe Andrés Fernández, mais salários e as habituais comissões.

terça-feira, 16 de abril de 2013

A titularidade de Abdoulaye na Taça da Liga


Em Dezembro passado, decorreu durante uns dias uma votação neste blogue, em que questionamos se na Taça da Liga o FC Porto deveria jogar com:
- Equipa titular
- Titulares e segundas escolhas
- Apenas segundas escolhas
- Jogadores da equipa B

Vale o que vale, mas apenas 10% das pessoas que se deram ao trabalho de responder votaram na opção ‘Equipa titular’ (ver resultado na coluna ao lado) e embora a amostra tenha sido pequena, esta votação foi de encontro ao que me parecia ser o sentimento claramente maioritário dos adeptos portistas em relação à Taça Lucílio Baptista… perdão, Taça da Liga.

Cerca de quatro meses depois, tendo o FC Porto chegado à final da Taça da Liga 2012/13, a opção de Vítor Pereira foi apostar num onze semelhante ao habitual (levando em conta a lesão de Varela), com apenas dois jogadores do lote dos menos utilizados: o guarda-redes Fabiano e o defesa-central Abdoulaye.

Embora não tenha ficado surpreendido com nenhuma destas duas escolhas, devo dizer que, quando soube pela rádio o onze inicial do FC Porto, considerei de maior risco a titularidade de Fabiano do que a de Abdoulaye.
Porquê?
Basicamente por três razões:
1ª) A posição de guarda-redes é crítica numa equipa de futebol.
2ª) Até esta altura, Fabiano teve uma utilização residual em jogos das duas principais competições em que a equipa do FC Porto esteve envolvida – Campeonato e Liga dos Campeões – tendo apenas participado em um jogo (Abdoulaye participou em sete).
3ª) Cinco dias antes, Abdoulaye tinha jogado 45 minutos contra este mesmo SC Braga (substituindo o lesionado Maicon), sem comprometer ( «Entrou periclitante e demorou uns 15’ a estabilizar. Depois de assentar, não voltou a errar», FC Porto um a um, O JOGO).

Além disso, lembrei-me da anterior presença do FC Porto numa final da Taça da Liga (época 2009/10), em que a opção por Nuno Espirito Santo em vez de Helton correu bastante mal.
Contudo, desta vez a troca de guarda-redes correu bem, Fabiano fez uma grande exibição (juntamente com Fernando foi considerado o melhor jogador do FC Porto) e, por isso, no final do jogo não ouvi, nem li, portistas a criticarem a sua inclusão no onze inicial.

A contestação surgiu sim, mas em torno de Abdoulaye levando, inclusivamente, o jornal O JOGO a questionar conhecidos adeptos portistas acerca da sua presença no onze inicial e se isso tinha sido decisivo para a derrota do FC Porto.

(O JOGO, 14-04-2013)

Teria sido melhor optar por Otamendi em vez de Abdoulaye?

Vendo o que se passou, provavelmente, mas é bom lembrar que no jogo anterior, precisamente contra o mesmo adversário, Otamendi esteve particularmente infeliz. O jornal O JOGO atribuiu-lhe a pior pontuação entre todos os jogadores (titulares e suplentes) do FC Porto e analisou assim a sua exibição:

«Otamendi – Estranhamente intranquilo, o argentino perdeu a noção dos espaços e nos primeiros 45’ acumulou falhas em catadupa. Aos 20’ isolou João Pedro e pouco depois escorregou e daí surgiu o golo de Alan. Na segunda parte quase limpava a face quando, de cabeça, atirou à trave.»

E não se pode dizer que a exibição de Otamendi no FC Porto x SC Braga para o campeonato tenha sido caso único. A fase menos boa que está a atravessar vem de alguns jogos atrás. Por exemplo, no Marítimo x FC Porto, a apreciação feita no jornal O JOGO foi a seguinte:

«Otamendi – Falhou demasiado, deixando o Marítimo ameaçar a baliza portista ao não abordar corretamente alguns lances, sempre com Heldon no papel de protagonista (61’ e 82’). Pior exibição da época, seguramente

Na minha opinião, Otamendi é um bom defesa-central mas, por aquilo que escrevi atrás, considero normal que tenha sido suplente na final da Taça da Liga.

Aos treinadores compete fazer as escolhas. Os adeptos e jornalistas comentam-nas no final. Quando as coisas correm bem (ver, por exemplo, a entrada de Kelvin no FC Porto x SC Braga para o campeonato), os jogadores fazem capas de jornais. Quando correm mal, o treinador é criticado. O futebol é assim e ninguém é obrigado a seguir uma carreira de treinador.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mourinho e os guarda-redes simbólicos

José Mourinho está a fazer de tudo para ser despedido do Real Madrid.
Cada vez se parece mais aquele tipo de trabalhadores que querem ser despedidos para receber uma indemnização e decidem desafiar o patrão por tudo e por nada para forçar a situação. Ele sabe que naquele balneário ninguém o suporta, que lhe será impossível voltar a vencer a liga e a Champions League parece uma utopia cada vez mais evidente. Para preparar o futuro, com 12 milhões de euros no bolso, o melhor é sair quanto antes. Por isso decidiu pisar o último símbolo do clube espanhol que faltava: Iker Casillas.

As discussões de Mourinho com Casillas não são nada novas.
Remontam ao dia em que o capitão do Real Madrid ligou ao seu melhor amigo, Xavi Hernandez, em plena sequência de Clásicos, em 2011, e da troca de insultos e acusações entre ambos os clubes. Mourinho não lhe perdoou ao madrileno que pensara pela sua própria cabeça e como faz sempre, desenhou uma cruz no seu nome e manteve-a até hoje. Mas Casillas não é um jogador qualquer.
Capitão, herdeiro único da última equipa a vencer a Champions League com o clube, símbolo máximo do futebol espanhol e da sua geração mais brilhante, casado e amigo de jornalistas influentes, era a peça com quem não se podia meter livremente sem saber que acabaria por perder. Até agora.
Ao relegá-lo ao banco de suplentes num jogo decisivo em Málaga, Mourinho condenou-se e voltou a demonstrar a sua particular veia por discutir com guarda-redes que também são símbolos e lideres de balneário. Viajemos até 2003.



Mourinho tinha acabado de chegar e reencontrou-se com Vitor Baía, com quem tinha vivido épocas douradas no FC Porto e em Barcelona como adjunto de Bobby Robson.
Os dois eram amigos e rapidamente o treinador tentou afastar-se do jogador para não dar a imagem errada ao balneário. Mas Baía era o líder indiscutível, particularmente depois do afastamento de Jorge Costa, e o capitão dessa equipa. E não queria abdicar facilmente do poder que tinha para um homem que tinha começado a carreira há meio ano. Houve discussões, houve fricção e houve problemas quando Mourinho devolveu a braçadeira ao regressado "Bicho", passando por cima do historial de Baía e da sua maior longevidade com o clube.
O choque aconteceu depois de Mourinho não ter convocado Baía para uma viagem a Guimarães, entregando a titularidade a Nuno Espírito Santo. Baía pediu explicações a Mourinho, lembrou-o do seu passado como "traductor" e Mourinho queixou-se à directiva que ficou do seu lado e suspendeu Baía de todas as actividades. Nesse dia o guarda-redes deu igualmente uma polémica entrevista ao Record em que deixava antever que havia movimentos no clube para o substituírem  Uma linha de raciocínio que vem de encontro com as declarações, à posteriori, de Scolari e com o pensamento de Mourinho, que gosta de eleger um guarda-redes sempre com o mesmo tipo de características  algo que Baía não tem. O 99 vinha também de um período complicado, depois de várias lesões e do Mundial 2002, e essa discussão podia ter colocado um ponto final na sua carreira.

Só um posterior pedido de desculpas do 99 - quase um mês depois dos incidentes - o permitiu voltar a ocupar o seu lugar natural, nas redes, a caminho do biénio mais bem sucedido da história do clube. A partir de aí não voltou a haver um conflito aberto, apesar de já Mourinho ter recomendado ao clube a contratação de Helton, que anos mais tarde seria o substituto definitivo do capitão azul e branco.

Nesse mano a mano, Mourinho saiu vencedor e a sua posição no balneário reforçada, apoiada directamente por uma SAD que não sabia bem como lidar com os pesos pesados do balneário (veja-se caso Jorge Costa). Neste duelo concreto é fácil perceber que o português já perdeu. Perdeu a credibilidade que lhe restava, o apoio da directiva, da pouca imprensa que ainda o aguentava e do adepto comum, habituado a ver em Casillas um símbolo do madridismo. Dois guarda-redes históricos, duas histórias paralelos e um mesmo protagonista. O homem que não lidava bem com os guarda-redes!


terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Erros fatais


1. Danilo já mostrou qualidades, é bom a atacar, mas a defender é cada buraco... Logo nos instantes iniciais, o PSG aproveitou o espaço dado pelo internacional brasileiro e, após um centro da esquerda, Ibrahimovic quase que inaugurava o marcador.
Perto da meia-hora, mais uma autoestrada aberta por Danilo, obrigando Otamendi (grande joga!) a fazer falta e a ver o cartão amarelo. Da falta, cruzamento para a área e o lateral que custou quase 20 milhões fica a ver Thiago Silva saltar e a colocar a bola no ângulo da baliza de Helton. 1-0.
Após o que se viu nos últimos dois jogos, tenho cada vez mais dúvidas que o Danilo seja a melhor solução do plantel para alinhar a lateral-direito nos jogos contra adversários mais fortes.

2. Helton estava a fazer uma boa exibição, com algumas defesas de grau de dificuldade elevado, mas o peru que esteve na origem do 2-1 é difícil de engolir.

3. Tal como aconteceu na passada sexta-feira em Braga, numa altura em que o FC Porto tinha o jogo perfeitamente controlado, foi um erro individual que deitou tudo a perder.

4. Apesar da enorme machadada que foi o 2º golo do PSG (até pela forma como foi sofrido), a equipa reagiu bem e, tal como aconteceu em Braga, criou ocasiões flagrantes para voltar a empatar o jogo. Mas quando um "matador" como Jackson Martínez falha um golo feito só com o guarda-redes pela frente e, na recarga, já sem guarda-redes na baliza, um jogador da categoria do Lucho, em posição frontal, remata por cima da barra...

5. Varela é esforçado, ajuda bastante na defesa mas, mais uma vez, mostrou não ser um extremo ao nível que é exigido por uma equipa com as ambições do FC Porto.
Porque não entrou Atsu mais cedo? Talvez a resposta esteja nas exibições do jovem ganês nos últimos jogos.

6. É quase dramático (passe o exagero) olhar para o banco de suplentes do FC Porto e ver quais eram as alternativas ofensivas à disposição de Vítor Pereira. E o problema é que no resto do plantel não há melhor.
O jeitaço que daria a Vítor Pereira ter no plantel um segundo avançado como Lima ou Éder (que foi dado como contratação do FC Porto, mas acabou em Braga a custo zero...).

7. A arbitragem foi caseirona e, logo nos primeiros cinco minutos, a forma simpática como reagiu às entradas de Ibrahimovic sobre Otamendi e de van der Wiel sobre James, mostraram para que lado ia estar inclinado o relvado. Depois ainda houve dois foras-de-jogo assinalados a Jackson, quando o ponta-de-lança portista já ia isolado, e que a realização francesa não repetiu...
Só quem não viu a forma como o senhor Craig Thomson conduziu o jogo, pode estranhar que três jogadores portistas - James, Danilo e Mangala - tenham perdido a cabeça e visto cartões amarelos nos últimos minutos do desafio de Paris.

8. Apesar destas duas derrotas seguidas terem sido em Braga e Paris, com expulsões, auto-golos e "perus" pelo meio, a comunicação social lisboeta não irá perder esta oportunidade para "deitar sal" para cima da ferida.
E nós? Em vez de iniciarmos a caça as bruxas, com a queima do treinador na fogueira da contestação, parece-me que seria mais produtivo que, dentro das possibilidades financeiras da SAD, a Administração tentasse colmatar as evidentes lacunas que existem no plantel 2012/13.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

A Lei do mais forte



É sempre muito bom, seja em que circunstância for, somar três pontos numa competição de nível tão elevado como é a Liga dos Campeões. O 0-2 definido já bem perto do final espelha melhor a décalage entre a equipa da casa e campeão português. O conjunto azul e branco esteve muito longe de fazer uma exibição de gala. Bastou-lhe gerir a posse de bola com segurança e ir aproveitando as fragilidades evidentes do setor recuado do adversário croata. Vitória saborosa, pois claro. Mas, por aquilo que se viu, tinha de ser obrigatória.

Com efeito, este Dínamo de Zagreb não demonstra melhoras da paupérrima prestação da Champions da temporada passada. Pouca capacidade na posse de bola e demasiada tremedeira ao sair da sua área cristalizam as limitações desta equipa sem andamento para esta competição. Vítor Pereira, mesmo assim, não facilitou e respeitou o adversário. Sinal claro através da inclusão de Miguel Lopes à direita, privilegiando a robustez defensiva. O português cumpriu e integrou-se em manobras ofensivas sempre que solicitado.

Bem cedo a equipa azul e branca chamou a si a condução do jogo. Num ritmo sempre pausado o FC Porto circulava a bola de forma confortável perante a inépcia pressionante adversária. James e Varela fletiram muitas vezes das laterais para dentro afunilando a construção portista. Mas, curiosamente, eram mais perigosos e desequilibradores quando alargavam o jogo pelas suas alas. Alex Sandro, o outro defesa lateral, foi igualmente importante nestas manobras.

Se ao domínio do encontro já nada faltava para os comandados de Vítor pereira fazer o que queriam, pecava a equipa nos poucos lances de finalização que criava. James ainda tentou fora de área uma vez e depois veio o brinde de Kelava onde Jackson Martinez resvalou para o lado anedótico do futebol. Sem tempo para a merecida risada – ou insulto de todo o dragão que se preze, Lucho deu vantagem às nossas cores, na sequência de um bom “raide” de Alex Sandro até á linha final. O capitão corrigia o que deveria ter sido confirmado pouco antes.

Ao regresso das cabines as bases do encontro foram-se mantendo inalteráveis, num domínio portista total, sem um perceptível incómodo dos homens da casa. Até ao minuto 65 tudo era simplificado e fácil de ordenar. Uma letargia que quase contagiou o dragão, passando depois por um par de sustos quando o discernimento se toldou, o Dínamo acelerou e nosso meio campo se perdeu. Helton foi resolvendo sempre com muito acerto e ainda lançou dois contra ataques venenosos.

Ainda assim durou pouco a investida croata. Em pouco mais de dez minutos o entusiasmo caseiro afrouxou e a crença na reviravolta no resultado era quase nula. Cristian Atsu, pouco incomodado com os humores do adversário, lançou-se ao ataque do golo da tranquilidade. Com uma bela arrancada e um passe certeiro pôs Defour à mercê do golo que viria a selar o resultado final. Finalmente, mais folgado, como poderia e deveria ter saído, mais cedo.

sábado, 23 de junho de 2012

Uma Figura Incontornável


As palavras de Pinto da Costa que confirmam a renovação de contrato por parte de Helton, são um desfecho que pessoalmente considero inevitável face ao peso que o guarda-redes brasileiro detém no balneário do FC Porto. A forma como o jogador contornou alguns obstáculos alegadamente criados pelo seu anterior empresário Nélson Almeida (ao que parece o intermediário terá recusado uma proposta inicial da SAD azul e branca), comprovam que o seu interesse em continuar de dragão ao peito vai muito além do recheio da conta bancária.

Mesmo quando estava longe de reunir unanimidade, ou melhor dizendo, quando gerou alguma desconfiança em pleno reinado de Jesualdo Ferreira, sempre considerei Helton como atleta de topo na sua posição. Independentemente de reconhecer que nesse período assumiu uma postura aligeirada que o traiu em alguns jogos, o titular das redes portistas foi sempre completo entre os postes e fora deles, revelando uma elasticidade e rapidez nas intervenções bem acima da média.

Foi contudo, a entrega da braçadeira de capitão, no seguimento da assunção de Villas-Boas ao comando técnico da equipa, que elevou Helton ao patamar de excelência no clube, consciencializando-o dessa missão dentro e fora do campo. As suas exibições últimos dois anos - com particular destaque na época 2010/2011 - falam por si só, e a liderança do balneário surgiu de forma natural, mercê da postura calma e dialogante, bem como dos anos de casa que já traz às costas.

Se uma base indispensável para o caminho de sucesso que o nosso clube tem levado nos últimos trinta anos está assente nas várias figuras incontornáveis que têm passado pelo clube, Helton fez-se integrar nesse lote por mérito próprio. É uma referência do presente, e elas escasseiam no atual balneário, pelo que o último contrato de futebolista da sua vida só poderia ser com o FC Porto.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Final inteiramente merecida e também alguns avisos



Final completamente merecida.

Uma derrota que não ofusca, minimamente, uma campanha extraordinária.

Dublin, está aí. Pode coroar uma das melhores épocas de sempre de toda a história do nosso grandioso clube.

Ponto prévio: o Villarreal é uma equipa muito forte. O futebol que produziu, colocou-nos as maiores dificuldades da actual temporada.
Ficamos a saber que pese o nosso fabuloso vendaval ofensivo, ainda há coisas a limar na defesa. Muita concentração será necessária na final. E, já agora, também no Jamor.
Otamendi tem que ser mais rápido a reagir. Sapunaru não pode ser tão cabeça no ar. A.Pereira não pode descuidar tanto o seu flanco.

Há no entanto uma grande estrela na nossa baliza. Hélton está a realizar a sua melhor época de sempre. Está um verdadeiro monstro entre os postes. Compensa muita coisa.
É também um excelente capitão pela calma que transmite aos colegas.

Há também a registar mais 2 baixas: C.Rodriguez (outra vez!) e Fernando.
Seria mau partir para Dublin com 4 atletas indisponíveis

Falcao bateu o record the Klinsmann e já é o melhor marcador de sempre de todas as edições da Liga Europa/Taça UEFA.

Não é que seja um resultado injusto, mas este jogo foi perdido com um penalty irregular. A FIFA já deu instruções claras que a "paradinha" é ilegal.
Que fazer? Talvez oferecer um jantar ao árbitro e ao treinador do Villarreal. A Marca também está convidada...



E agora é uma final nortenha.

O Norte na grande montra europeia.
Domingos tem finalmente a final que tanto fez por merecer enquanto atleta.
Nós e Villas-Boas sonhamos com isso e muito mais.

A época "perfeita" está bem perto.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Com muitos golos se enganam os tolos


Com alguma naturalidade, ou se calhar nem por isso, o FC Porto sai da Bélgica com passaporte na mão para a fase grupos da Liga Europa. O resultado expressivo de 3 golos sem resposta, deixam a ideia de uma partida fácil e totalmente dominada pela nossa a equipa. Verdade, nos primeiros 45 minutos. Nem tanto, no 2º tempo. Acima de tudo, a diferença no marcador começou a construir-se na ingenuidade dos jogadores do Genk, que deitaram tudo a perder num penalty estúpido e numa expulsão infantil.

Para candidato da Liga Europa, segundo as palavras de Villas Boas, o resultado de estreia da sua equipa nesta competição aparenta confirmar a sua tese. Porem, quem assistiu ao encontro, pode constatar que ainda há muita matéria a rever para que este FC Porto possa ser levado a sério neste troféu. Da lentidão de processos, aos disparates defensivos, sobra apenas a esperança na abundância de qualidade no miolo do terreno, para possa colocar algum equilíbrio numa equipa que ainda procura a sua identidade.

Sem a presença da velocidade e imprevisibilidade de Hulk, o conjunto azul e branco, apesar de dominante, entrou no jogo a lume brando. Bola no pé, mas sem grande progressão. Os Belgas, retraídos pelo medo do adversário que tinham diante de si, limitavam-se a resguardar a sua baliza tentando não cometer erros. A estratégia sair-lhes-ia furada pela inexperiência do defesa central Joneleit. Um penalty que desbloqueou o jogo insosso e previsível dos portistas.


Se o primeiro tempo revelou um Genk passivo e sem ambição, na 2ª parte os Belgas transfiguram-se. Uma postura diferente, influenciada, talvez, pela troca dos avançados - Vossel por Ogunjimi - pondo a nu fragilidades comprometedoras do sector mais recuado da nossa equipa. Falhas de marcação e cobertura à zona que apenas não deram em golo porque Helton está absolutamente soberbo neste inicio de temporada.

Viviam-se momentos difíceis nesta fase do encontro. A defesa tremia que nem varas verdes e o meio campo não conseguia tomar as rédeas do jogo, pela inferioridade numérica no sector e mercê da pouca disponibilidade para baixar linhas por parte de Belluschi e Moutinho. Villas Boas percebeu isso e meteu ao barulho Souza e mais tarde Rúben Micael. Um 4 x 2 x 3 x 1 que estabilizou a equipa. Mas o golpe fatal nas aspirações do Genk surgira pelo meio destas alterações, na expulsão de Matoukou numa entrada a matar sobre Moutinho.



A redenção azul e branca do futebol muito tremido e algo perdido do 2º tempo viria nos últimos 10 minutos. Dois belos golos de Souza e Belluschi acabaram com a história desta eliminatória e deram o 1º triunfo portista em solo belga. Uma doçura de final que ofusca muita coisa que ainda há para resolver nesta equipa do FC Porto, que fatalmente se revelará quando o adversário for de outro quilate.

Mas o melhor é eu estar caladinho, não dizer mais nada, não ser tão pessimista e negativista, não vá alguém ficar incomodado com esta crónica pintada em tons de cinza escuro.

Fotos: uefa.com, Agência Lusa e Record