Nas últimas duas semanas, a atenção mediática do país (leia-se, da RTP, da SIC, da TVI, da Antena 1, da TSF, da RR, de A BOLA, do Record, do Correio da Manhã, etc.) esteve virada para a seleção portuguesa de futebol, ou melhor, para o joelho esquerdo de Cristiano Ronaldo.
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| Partes de capas do Correio da Manhã nas últimas duas semanas |
A coisa foi (é) de tal maneira que, agora que CR7 voltou aos treinos, o país respirou de alívio e quase passa despercebido à generalidade dos portugueses que Pepe, seu companheiro no Real Madrid, continua em tratamentos.
Já ouvi e li que Pepe está a ser poupado para estar no auge das suas capacidades no jogo de arranque do Mundial, mas isso não é notícia, é o habitual sempre que Pepe tem sido chamado à seleção portuguesa. Isto é, em vez de participar nos treinos, passa os dias em repouso / tratamento / recuperação e depois, quando chega o dia do jogo, é… titular!
Tudo isto faz-me lembrar o dia 31 de Agosto de 2011 (já lá vão quase três anos…), na véspera de um jogo em Chipre, de qualificação para o Euro2012, quando Ricardo Carvalho abandonou um estágio da selecção.
A razão para tal atitude?
Após uma semana de treinos, Ricardo Carvalho percebeu que ia ser suplente, enquanto Pepe, que tinha passado os dias sem treinar, ia fazer parte do onze inicial de Paulo Bento.
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| Ricardo Carvalho |
Num comunicado enviado à Agência Lusa, o melhor defesa central português da última década, disse o que lhe ia na alma:
«Sinto-me em plena forma física e também mental, como o tem demonstrado a minha prestação no meu clube e na selecção. Se me fazem sentir a mais e não mo dizem, a única possibilidade é a saída. (…) Tendo cumprido 75 internacionalizações e sido profundamente dedicado à defesa do bom-nome da equipa das 'quinas', nunca antes me senti tão desrespeitado e ferido na minha dignidade. Entre os meus pares, sou apenas mais um atleta. No entanto, mereço também, como os outros, consideração e respeito (…)».
Com Paulo Bento é assim.
São titulares jogadores que passam os dias / semanas anteriores ao(s) jogo(s) sem treinar.
Mas isso não interessa. O que importa é que os “outros”, os que passam os jogos com o rabinho sentado no banco de suplentes, fiquem caladinhos e não façam ondas.
Em futebolês, são jogadores que “fazem um bom balneário”. Se jogam muito ou pouco, isso é secundário.
E, segundo dizem os entendidos da coisa, foi precisamente por ser emocionalmente instável e por não “fazer um bom balneário”, que outro Ricardo, Quaresma, ficou de fora.
Ao contrário de Pepe, um jogador emocionalmente muito estável, de comportamento irrepreensível…
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| Pepe em “ação” |
… e que na seleção de Paulo Bento não corre o risco de ser suplente (“O problema de Pepe tem nome, chama-se Varane. Não há mais história”, José Mourinho, 08-05-2013).
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