Mostrar mensagens com a etiqueta Norte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Norte. Mostrar todas as mensagens

sábado, 30 de julho de 2011

Um canal contra a espiritualidade centralista

«A distância da capital e do poder mediático, juntamente com a incapacidade de influir na orientação editorial quotidiana dos órgãos de comunicação social, impõe ao FC Porto: vencer mais vezes do que os rivais e desenvolver um modelo de comunicação externa muito diferente dos clubes mais poderosos de Lisboa. (...)

Portugal ainda não se libertou da asserção queiroziana de que o país é Lisboa e o resto é paisagem. Pelo contrário, salvo alguns - poucos - anos depois do 25 de Abril, o país passou a viver mais em Lisboa e em função de Lisboa (...)
O mesmo sucede em relação ao desporto. Não importa que o FC Porto vença habitualmente, e muitas vezes, em diversas modalidades; não interessa que clubes nortenhos dominem em diferentes actividades desportivas; não importa que fora de Lisboa se evidenciem talentos nas mais distintas áreas; (...) A espiritualidade lisboeta e centralista é redutora, pretende que tudo aconteça perto de si e, o mais possível, à medida dos seus interesses. (...)
Porque essa espiritualidade tende a dominar, Belmiro de Azevedo mudou a sede do Público do Porto para Lisboa e a Invicta ficou reduzida a um jornal de índole nacional, o Jornal de Notícias (...)

Mas vai subsistindo a espiritualidade lisboeta e centralista, razão por que o FC Porto decidiu inovar (mais uma vez) na sua comunicação, optando por tomar uma posição accionista maioritária no Porto Canal, o que nos interroga sobre o futuro do canal com pronúncia do Norte e orientação regionalista. Mas, antecipando argumentos e objectivos, parece-me que o emblema do dragão não desejará ganhar poder e influência comunicacional apenas para si. Esse seria um comportamento redutor, que pouco ou nada adiantaria relativamente a um canal clubista.
Os responsáveis portistas sentirão que, independentemente do cultivo das vitórias, o futuro terá de ser feito com agregação de interesses, iniciativas, realizações e objectivos de outras instituições locais e regionais aos mais diversos níveis. Uma visão minimalista, de interesse individual, não consolidaria a espiritualidade do dragão nem contribuiria para um maior reconhecimento da vitalidade da sua organização e dos seus êxitos.
O desempenho mediático do FC Porto no Porto Canal não se afastará, por isso, de um pensamento integrador, inclusivo e expressivo do que de mais importante acontecer na região, promovendo e desenvolvendo as diferentes culturas que nela existem e se evidenciam. Pelo menos na informação generalista.

No desporto, a marca FC Porto será dominante. Porque ela é a raiz da força, do poder e da influência. Como contraponto à espiritualidade lisboeta e centralista.»
Alfredo Barbosa, semanário Grande Porto, 15/07/2011

----------

É já a partir da próxima segunda-feira, dia 1 de Agosto, que o FC Porto vai tomar conta dos destinos do Porto Canal.

O director de Programas Desportivos será Rui Cerqueira, que irá acumular essa função com a de director de Comunicação do FC Porto.

Quanto ao director de Informação e Programas Não Desportivos a escolha recaiu em Domingos Andrade, até agora director-adjunto de Informação da Lusa, onde estava desde 2009.

Domingos Andrade tem 41 anos, é doutorando em Ciências da Comunicação pela Universidade do Minho, com uma Pós-Graduação em Sociologia das Organizações e licenciado em Comunicação Social. Entre 2003 e 2008 foi chefe de redacção do Jornal de Notícias. Desde 2005 que é docente da Faculdade de Filosofia da Universidade Católica.

Tal como já tinha referido aqui, a primeira grelha de programação da responsabilidade da nova direcção do Porto Canal só estará disponível no início do próximo ano mas, segundo foi anunciado, já em Agosto serão alterados os conteúdos de cariz desportivo, de forma a projectar a marca e as actividades do FC Porto.


Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Do Porto para o Mundo

Em 1 de Julho passado, em Serralves, durante a conferência promovida para assinalar os 20 anos da TSF no Porto, Pinto da Costa contou a seguinte história:

Há alguns meses fui a Natal, no Brasil, e cerca de dois terços dos passageiros do avião em que viajei eram provenientes do Porto, mas foram obrigados a embarcar em Lisboa


Não sei o que pensarão os Dragões da TAP sobre isto, mas no JN de ontem Jorge Fiel voltou ao assunto:

«O aeroporto Sá Carneiro e o porto de Leixões são infraestruturas estratégicas para afirmação do Porto como capital do Noroeste Peninsular e têm-se comportado à altura da sua missão, apesar das manobras lisboetas para os estrangular.

O lóbi feito pelos empresários do Norte salvou, no ano passado, o rentável porto de Leixões a uma tentativa de centralizar a sua gestão em Lisboa, numa espécie de ANA dos portos, onde diluiria no prejuízo dos outros portos o lucro alcançado com uma gestão competente.

E está bem viva na nossa memória a tentativa de assassinato a sangue frio do Sá Carneiro, perpetrada pela TAP ao retirar-lhe a esmagadora maioria das ligações directas, diligentemente centralizadas em Lisboa. O nosso aeroporto apenas sobreviveu porque a Lufthansa e Ryanair identificaram na deserção da TAP uma oportunidade de que rapidamente tiraram partido. Os alemães reforçaram logo o número de voos diários do Porto a Frankfurt, usados pelos homens de negócios nortenhos que preferem escalar um aeroporto nas margens do Meno do que do Tejo.

Muito provavelmente, a TAP deve a sua sobrevivência à estratégia de Fernando Pinto em apostar nas rotas de Luanda e Brasil. Mas, no essencial, o Sá Carneiro deve a sua sobrevivência a um irlandês chamado Michael O'Leary, que anunciou o início da operação portuense da Ryanair vestido com uma camisola do FC Porto, no ano em que Mourinho se transferiu para o Chelsea após ter levado os dragões à conquista da Champions.»
Jorge Fiel, JN

O artigo completo - Gosto das Anas, mas não da ANA - pode ser lido aqui.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A pronúncia do Norte

Em homenagem aos dois clubes que vão estar na final europeia de Dublin;
Em homenagem aos dois jovens treinadores (ambos portuenses e portistas!) que lideram brilhantemente estas duas equipas;
E sem esquecer os milhões de adeptos do FC Porto, de Norte a Sul do país e espalhados pelos quatro cantos do Mundo;
Só me apetece dizer:
É a pronúncia do Norte
Os tontos chamam-lhe torpe


domingo, 5 de setembro de 2010

Norte, centralismo e futebol

«Quando há 15 anos se iniciou o actual longo ciclo de poder liderado pelo PS, o Porto convivia com três importantes jornais quotidianos, os semanários e restantes títulos de expressão diária tinham a norte redacções alargadas e com peso próprio, a RTP apostava em expandir em Gaia uma importante produção descentralizada, era lançada a ideia de construção do Media Park, a RTP N - então com N de Norte - começava a desenhar-se como canal regional, a SIC e a TVI pareciam querer apostar numa real descentralização.
Volvida uma década e meia, o JN sobrevive forte mas cada vez mais só. O Comércio do Porto morreu, o Primeiro de Janeiro arrasta-se heróica mas sofridamente, as secções locais de semanários, revistas e restantes diários, são cada vez mais simbólicos quiosques de bairro, na RTP N o N passou de Norte a N de quase Nada e não são os bem-intencionados e projectos Porto Canal ou Grande Porto que contariam este trajecto.

Era esta caminhada inevitável? Com certeza. A indústria da comunicação é das que convive pior com projectos bem-intencionados mas economicamente inviáveis. Corre atrás de acontecimentos relevantes, persegue as actividades geradoras de mais-valias, precisa de estar ao lado dos centros de poder. Ora pouco disto passou a existir no Grande Porto e no Norte em geral. Ao longo da última vintena de anos partiram a economia, a vida cultural e social, os melhores quadros, muitos jovens talentosos. Se nos quisermos cingir ao importante mundo da comunicação social, é notável recordar de onde saíram progressivamente Joaquim Oliveira, Judite de Sousa, Rodrigo Guedes de Carvalho, José Alberto Carvalho, Paulo Baldaia, Carlos Daniel. Do Porto. A maioria de forma irreversível. Esta louca macrocefalia, cada dia mais forte que está a condenar o país ao subdesenvolvimento ainda pode e deve ser combatida, mas tal pressupõe compreender a sua génese e identificar os seus responsáveis.

O principal culpado é obviamente o Governo de Portugal, os sucessivos governos, autores de políticas pró activamente castrantes da energia das diferentes regiões de Portugal. Governos que aproveitaram o processo de privatizações para sediarem em exclusivo na capital todo o sistema financeiro e segurador, os poucos grandes grupos estratégicos (PT, Galp, EDP). Em paralelo concentraram o mais possível o funcionamento de todos os Institutos e Empresas Públicas e das poucas entidades supranacionais que se localizaram entre nós.

Não é pois exagero afirmar que 90% das decisões que condicionam o nosso presente e futuro são tomadas num quadrilátero com pouco mais de 200 Km/2, limitada a sul pelo Tejo, a norte pelo rio Trancão, a este pelo Parque das Nações e a oeste pela Serra de Sintra. Assim não é de estranhar que estejamos perante a única região do país com uma média de rendimento per capita próximo da média europeia. Quem parte e reparte e não fica com a melhor parte ou é pouco inteligente ou não tem arte.
Em tudo isto perde o país e perde o povo anónimo de Lisboa, que tem de conviver com uma cidade maravilhosa, mas que asfixia com o peso deste centralismo. Um peso que inferniza a sua vida e vai expulsando os seus verdadeiros cidadãos para as grandes cidades dormitório periféricas (Lisboa já tem pouco mais de 500 mil habitantes!).

Culpados são também os agentes políticos, económicos e sociais, que a norte não têm sabido unir-se, gerar ideias e projectos mobilizadores, defenderem a sua pertinência, fazerem deles casos de sucesso e imposição nacional.

Como defensor da regionalização político administrativa acho, contudo, que vale a pena alertar os que militam por essa causa para o logro de partir para ela sem prévias medidas cautelares. Medidas que aplanem o caminho de uma verdadeira descentralização.
Um próximo Governo, que tem de significar alternância, terá que dispersar pelo país institutos públicos, repartir pelas regiões competências e lideranças das soberanas empresas públicas, transferir mais competências para autarquias e outras comunidades locais, conceder qualificados poderes de decisão aos múltiplos órgãos descentralizados da administração, definir regras orçamentais que obriguem a uma justa e sistemática repartição dos escassos recurso da nossa comunidade. Quando isso acontecer a comunicação social regressará ao país real e será um factor decisivo de igualização de oportunidades.

Até lá ancoremos a esperança nas poucas instituições que por aqui vão sobrevivendo com êxito. Entre elas destacam-se poucas, numa primeira linha talvez só três, a Universidade do Porto, o Futebol Clube do Porto e o Jornal de Notícias. Que outras aprendam com o seu exemplo.»
Luís Filipe Menezes
JN, 29/08/2010


Neste seu artigo de opinião, Luís Filipe Menezes diz muitas verdades, mas a ideia que prespassa de que o centralismo começou há 15-20 anos atrás não é uma delas. Contudo, é inteiramente verdade que Portugal é um dos países mais centralistas da Europa e que este centralismo asfixiante se tem vindo a agravar nos últimos anos (há mesmo quem afirme que Sócrates é o governante mais centralista desde o Marquês de Pombal).
E, infelizmente, também não é verdade que em termos da comunicação social, o Jornal de Notícias se possa comparar à Universidade do Porto (a maior do país e a mais bem classificada nos rankings internacionais) e ao Futebol Clube do Porto, que é "só" o clube português de mais sucesso (a nível interno e externo) no pós-25 de Abril.

Nota: A inserção das imagens no texto e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.
Imagens: JN, Fórum Trás-os-Montes

sábado, 26 de junho de 2010

Do Terreiro do Paço, nem bom vento...


Em Fevereiro passado, num artigo intitulado 'Gallaecia, centralismo e desporto', escrevi o seguinte: «o poderosíssimo loby centralista tudo fará para boicotar, atrasar ou dificultar todos os projectos ou iniciativas que contribuam para fazer sombra à "capital do Império"».

Uns dias depois, da capital vinha a confirmação de uma notícia pré-anunciada: o TGV Lisboa - Madrid é para fazer já, enquanto que as linhas Porto - Lisboa e Porto - Vigo são adiadas para as calendas.
E continuando na sua senda de "apoio" à dinamização da economia na região mais afectada pela crise - é no Norte que fecharam mais empresas e que está a maior parte dos desempregados -, o governo de Lisboa decidiu que esta era a altura ideal para portajar três das sete SCUT existentes em Portugal, com a "coincidência" de serem todas no Norte...

A propósito desta medida do governo de Lisboa, no dia 23 de Junho, em entrevista à RTP, o Secretário-Geral do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, Xoan Vásquez Mão, afirmou o seguinte:
"Quem vem de férias, ou quem vem ao IKEA, ou passar um fim-de-semana ao Porto, ou apanhar o avião ao Porto tem que fazer fila na bomba de gasolina para recolher o aparelho, tem que pagar, depois receber a devolução. Não sabe como é que funciona. Se se engana tem de ficar no trânsito à espera. Com tudo isto quem vai passar um dia de férias tranquilamente, ou apanhar o avião, vai chegar incomodado, com mau feitio. Vai antes a Santiago ou vai fazer as compras ao IKEA a La Coruña. Qual é o efeito de não haver dinheiro galego em Portugal? Obviamente não vai haver dinheiro português para gastar na Galiza. Porque a relação é tão forte que todos dependemos de todos."

E mais adiante acrescentou:
"Se associarmos isto ao TGV, à dificuldade nas comunicações, o problema está a fazer com que a Galiza, que tem um sentimento muito especial para com Portugal - para nós é a nossa casa, somos a mesma gente - comece a olhar para o Cantábrico, a virar costas, e isso pode acabar por ser um problema muito grave. E aqui não é um problema com o Norte de Portugal, é um problema com o Governo português que parece pretender levantar todas as dificuldades possíveis para que esta Euro região não avance."

De facto, e como escreveu Paulo Morais no JN de 09/06/2010, "o centralismo é doença crónica de sucessivos governos. O fenómeno não é de agora. Com o advento da democracia em 1974, os governos de Lisboa, tendo perdido os territórios ultramarinos, contentam-se agora com colonizar e espoliar o resto do continente. Mas esta atitude atingiu o absurdo e a sem vergonha nos últimos meses. Os exemplos são inúmeros. O Governo continua apostado em construir essa obra inútil e cara que é o TGV de Lisboa para Madrid, mas cancela a expansão do metro do Porto, que serve milhões de passageiros e é imprescindível para o desenvolvimento da sua Área Metropolitana. Quando o Estado ameaça falência e há necessidade de cobrar portagens nas SCUT, o Executivo opta por sacrificar o Grande Porto e o Norte."

E o que é que isto tem a ver com o futebol e, em particular, com o Futebol Clube do Porto? Então o FC Porto não é um clube nacional?
Sim, é indiscutível que o FC Porto cresceu muito nas últimas décadas, conquistando milhares de adeptos de norte a sul de Portugal e nas regiões autónomas. Mas o FCP não pode ser dissociado da cidade do Porto, da Área Metropolitana do Porto e, inclusivamente, do Norte de Portugal, porque é aí que estão as suas raízes e concentrada a esmagadora maioria dos seus adeptos.

À semelhança do Barcelona e de outros grandes europeus, o FC Porto possui uma identidade e forte matriz regional. Contudo, sendo esta uma das suas principais forças, pode e vai tornar-se uma fraqueza se a economia da área metropolitana e da região Norte continuar a definhar. Sobre isto não haja ilusões. E é por isso que este assunto - centralismo, regionalização, capacidade económica das regiões, PIB per capita - tem mais a ver com o futebol e com o FC Porto do que alguns pensam.

(*) Durante muito tempo, dizia-se que "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento". Agora, que Castela deixou de ser uma ameaça, é do Terreiro do Paço (símbolo maior do centralismo sufocante que asfixia o país) que não sopram bons ventos para os portugueses de Elvas, Valença, Bragança, Porto, Faro, Viana, etc.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Gallaecia, centralismo e desporto


"Depois do 25 de Abril, era natural ter reuniões no Porto com administradores de bancos e de companhias de seguros. O próprio BPI e BCP, que nasceram na CCDR-Norte, já não têm a administração no Porto. Hoje em dia, um jovem quadro da banca que esteja no Porto está sem perspectivas de evoluir na carreira."

"Há cerca de uma década, o PIB per capita da Galiza e do Norte de Portugal era idêntico e agora a diferença é superior a 40%. A grande diferença entre as duas regiões ibéricas reside na organização do respectivo sistema político."

"Se imaginássemos que os Estados centrais implodiam, a Galiza e o Norte de Portugal formam claramente um país, partilhando características muito próprias."

Estas três frases foram proferidas por José Silva Peneda, ex-ministro de Cavaco Silva, ex-eurodeputado do PSD e presidente do Conselho Económico e Social, numa entrevista publicada pelo JN em 19 de Dezembro passado.

Embora o centralismo do Terreiro do Paço seja cada vez mais descarado, com frequentes atitudes discriminatórias face ao resto do país, não existe (ainda) um sentimento separatista significativo no Norte de Portugal. Contudo, penso que o Porto e o Norte teriam muito a ganhar se aprofundassem a ligação à Galiza, tirando partido do seu passado comum e das características sócio-culturais que os unem. Daí que seja estratégico dar vida à Euro-região Norte de Portugal - Galiza, reforçar o papel do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular e construir o TGV Porto-Vigo em linha mista (para passageiros e mercadorias), obrigatoriamente prevendo uma estação num aeroporto Sá Carneiro com gestão autónoma. Evidentemente, o poderosíssimo loby centralista tudo fará para boicotar, atrasar ou dificultar todos os projectos ou iniciativas que contribuam para fazer sombra à "capital do Império", mas cabe-nos a nós, portuenses, minhotos, durienses e transmontanos, lutar por aquilo que nos permita, e aos nossos filhos, ter um futuro melhor.

E para além de uma integração económica que se deseja cada vez mais forte, há claramente espaço para iniciativas conjuntas de promoção do turismo de natureza, histórico, religioso e gastronómico, criando rotas que envolvam locais e monumentos das duas regiões nestes domínios.
O governo português e o Turismo de Portugal não estão interessados nisso? Admito que não, mas para que servem a CCDR-N e os deputados eleitos pelos distritos do Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança?

E o desporto?
Na aproximação à Galiza o FC Porto já deu um pequeno passo, quando organizou uma edição do Dragon Force na localidade galega de Redondela, província de Pontevedra, entre os dias 20 e 24 de Julho de 2009. Isto para além do actual treinador da equipa sénior de basquetebol - Moncho López - ser galego (natural de Ferrol), o que pode potenciar algum intercâmbio transfronteiriço ao nível desta modalidade.

Também existe (existiu?) uma Copa Gallaecia de selecções de futebol jovens, cuja 2ª edição foi realizada em 2007 envolvendo selecções das Associações de Braga, Porto, Bragança, Viana do Castelo, Vila Real, Coruña, Ferrol, Lugo, Ourense, Pontevedra, Santiago e Vigo. Contudo, foi uma iniciativa com pouca ou nenhuma visibilidade e, por isso, sem qualquer impacto público.

Ora, como fenómeno de massas, o futebol é um meio privilegiado que poderia ser usado no aprofundamento da integração entre o Norte e a Galiza, mas para isso seria necessário envolver os principais clubes desta Euro-região. Nesse sentido, o Eixo Atlântico seria a entidade ideal para dinamizar a organização de um Torneio de Verão que juntasse clubes como o FC Porto, Braga, Vitória Guimarães, Gil Vicente, Chaves, Deportivo Corunha, Celta Vigo, Santiago Compostela, Pontevedra entre outros, com edições anuais a serem realizadas, alternadamente, no Norte de Portugal e na Galiza. Para além dos municípios dos clubes envolvidos, estou convencido que não seria difícil arranjar patrocinadores dos dois lados da fronteira, bem como descontos da hotelaria (com preços mais favoráveis para os adeptos) e, para uma maior divulgação, contar também com o apoio da comunicação social local e regional (TV Galicia, Porto Canal, Jornal de Notícias, Faro de Vigo, Diário do Minho, etc.).

A aproximação à Galiza, por si só, resolve o problema deste centralismo sufocante da capital que está a abafar o país? Não, mas a luta contra o centralismo é uma “guerra” de muitas “batalhas”, que só poderá ser vencida se a população e os principais actores da região se unirem nesta luta. A propósito do vergonhoso caso Red Bull Air Race, um participante galego escreveu o seguinte no Fórum Gallaecia:
"Dende a Crunha quero mandar un conselho... a loita polo proprio comeza nas pequenas victorias que um mesmo pode acadar para o país. Mostrar um descontento a nível social grande pode fazer recuar a Lisboa, e mesmo o político de turno. Forza!"
Haja líderes no Norte, políticos, empresários, académicos, agentes culturais, etc., que tenham visão estratégica e queiram travar esta "guerra", que eu estou convencido que não faltarão "soldados" para engrossar as fileiras.


P.S.1 Gallaecia ou Callaecia era o nome de uma província romana que abrangia o território do noroeste peninsular e que corresponde, aproximadamente, às actuais regiões da Galiza, Asturias (parte Oeste) e Norte de Portugal. Gallaecia vem do nome Kallaico referente a uma tribo que vivia nas margens do rio Douro - os calaicos - que prestavam culto a Cal-Leach. Em 137 a.C., depois de ter derrotado os lusitanos (e da morte de Viriato), Decimus Junius Brutus venceu a batalha do Douro e avançou, de Sul para Norte, para a conquista daquilo que viria a ser designado pelos romanos por Gallaecia (um ano depois o Senado romano concedeu-lhe o título de Callaicus, "o calaico"). Ao contrário do que os manuais escolares nos querem fazer crer, o povo originário de Portugal não é (apenas) os lusitanos e não foi concerteza por acaso que os romanos decidiram separar a Gallaecia das restantes regiões da Hispânia, incluindo da Lusitânia.

P.S.2 Um vídeo sobre a Gallaecia e a herança Celta.

P.S.3 Penso que seria escusado dizê-lo, mas mais uma vez repito que nada me move contra os "alfacinhas". O cancro que suga o país e que é preciso combater não é Lisboa, mas sim o centralismo, em que muitos dos seus protagonistas (Cavaco Silva, Durão Barroso, José Sócrates, João Cravinho, Pacheco Pereira...) nem sequer são lisboetas de origem.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

A ditadura da Capital na comunicação social

«Pelo menos 181 jornalistas das redacções do Porto de vários órgãos de comunicação social perderam o emprego nos últimos cinco anos, 54 dos quais no despedimento colectivo anunciado quinta-feira pelo grupo Controlinveste, apurou esta sexta-feira a Lusa.

Justificado pelo grupo de Joaquim Oliveira com a «evolução acentuadamente negativa do mercado» e a «profunda quebra de receitas», o despedimento abrangeu um total de 75 jornalistas do «Jornal de Notícias» (JN), «Diário de Notícias» (DN), «O Jogo» e «24 Horas».

Destes, 54 (23 no JN, seis no DN, 15 no jornal «O Jogo» e 10 no «24 Horas») nas redacções do Porto destas publicações.

No caso do jornal «24 Horas» deixou mesmo de existir a delegação do Porto, com a saída de todos os jornalistas que a compunham.

Recentemente, foram também «convidados a sair» três jornalistas da Rádio Regional de Lisboa (Rádio Clube Português), do grupo Media Capital, no Porto.

O esvaziamento das redacções do Porto, de vários órgãos de comunicação social, já vem acontecendo há algum tempo, acompanhado do encerramento de publicações sedeadas na cidade, como «O Comércio do Porto».

Este jornal, que era o diário mais antigo do país, foi encerrado em Julho de 2005 pelo grupo que então o detinha, os espanhóis da Prensa Ibérica, que acabou também com «A Capital», um dos mais prestigiados títulos de Lisboa.

No caso d' «O Comércio do Porto» perderam o emprego 50 jornalistas.

Dois anos antes, em 2003, a estação televisiva NTV, um canal regional do Porto criado em 2001 através de uma parceria entre a PT Multimédia e a RTP, dispensou também 25 dos 37 jornalistas contratados a termo certo, tendo acabado por desaparecer para dar origem à actual RTPN, que absorveu os restantes profissionais.

Também em 2003 a Lusomundo Media/PT encerrou a redacção do Porto da revista Notícias Magazine, despedindo os quatro jornalistas que a compunham.

Em 2006 foi a vez de o jornal «Público» iniciar um processo de rescisões que resultou na saída de 11 jornalistas no Porto (incluindo os correspondentes de Aveiro, Famalicão, Braga e Vila Real), enquanto o semanário «Expresso» dispensou, em Junho de 2007, dois jornalistas na redacção da cidade.

A estes juntaram-se, em Agosto de 2008, mais 32 jornalistas de outros dos mais antigos diários portugueses, o portuense «O Primeiro de Janeiro», alvo de um processo de despedimento colectivo

Fonte: Agência Financeira
2009/01/16

----------

Nem faço comentários. Os factos falam por si.

Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (II)

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (I)

(continuação)

Eu acho ridícula a falta de noção que existe relativamente à estratégia para derrotar o FC Porto.

Eu dou um exemplo: muitos acham que agridem ou diminuem o FC Porto chamando-o “Clube Regional”. Acham esses que assim insultam ou ridicularizam o Porto. Nada de mais errado.

O Porto é de facto um clube regional. Mas o Porto quer ser um clube regional. Está nos genes do Porto ser um clube regional. É isso que dá força ao Porto. Olhemos para o Barcelona. Não é o Barcelona um clube regional? E isso diminui o Barcelona?

Quanto mais chamarem ao FC Porto “Clube Regional”, mais forte estão a torná-lo, mais estão a unir os jogadores, os adeptos, mais o Porto se torna bandeira da Região Norte.

É por isso, e muitos não o entendem, que é difícil ser-se benfiquista hoje na cidade do Porto. É que o FC Porto é usado por muitos como um instrumento numa pretensa guerra Norte-Sul.

É por não me identificar com essa guerra, e muito menos com a utilização do futebol para esses fins, que me sinto muito confortável de gostar tanto do Benfica, mesmo vivendo no Porto, ainda que isso me traga às vezes alguns dissabores. E, efectivamente, traz.

O Benfica é, de facto, um clube diferente, um clube com uma implantação mundial e com uma dimensão muito superior à do FC Porto.

Mas no Benfica, essa dimensão e essa grandeza em nada têm contribuído nos últimos anos para as vitórias. É que tem faltado humildade e respeito pelos outros para transformar essa força em resultados desportivos.

O Benfica, pura e simplesmente não tem sabido reagir aos sucessos do FC Porto e ao presidente que o Porto tem.

E já agora que falamos do presidente do FC Porto, parece-me importante perceber o que é o Porto antes e depois de Pinto da Costa.

Pinto da Costa assume a presidência do Porto em 1982. Nessa altura o Porto tinha no seu palmarés 7 campeonatos, 4 Taças de Portugal, 2 Supertaças e nenhum título europeu, nem sequer uma final.

Durante os mandatos de Pinto da Costa como presidente, o Porto ganhou 16 campeonatos, 9 Taças de Portugal, 13 Supertaças, foi 2 vezes Campeão Europeu, ganhou 2 Taças Intercontinentais, 1 Taça UEFA, 1 Supertaça Europeia e isto para falar apenas de futebol.

Pinto da Costa ganhou 70% dos campeonatos que o FC Porto conquistou ao longo do seu historial, 69% das Taças de Portugal, 87% das Supertaças e 100% dos títulos europeus que o seu clube venceu.

O actual presidente do FC Porto conseguiu que o Porto ultrapassasse o Sporting no ranking de títulos conquistados a nível interno e tornou o Porto o clube português com mais títulos internacionais ganhos.

Desde que Pinto da Costa é presidente, o Porto ganhou 16 campeonatos enquanto os restantes clubes todos juntos ganharam 11. Mas o pior de tudo é que esse domínio tem-se vindo a acentuar. O Porto que nunca tinha ganho sequer 1 tricampeonato, chegou a um penta e nos últimos 6 anos ganhou 5 campeonatos, sendo actualmente, tricampeão.


Falo das vitórias do Porto com a frieza dos números e com a tristeza de ver ano após ano a total incapacidade do Benfica em reagir de uma forma enérgica a este cenário.

Uma das coisas que na realidade mais me choca é o facto do Benfica ter demonstrado uma total inépcia para lidar com Pinto da Costa ao longo de todos estes anos.

Foi, aliás, o ódio a Pinto da Costa que fez com que os benfiquistas elegessem Vale e Azevedo para presidente do Benfica. Na altura, Vale e Azevedo era apelidado o “Pinto da Costa Vermelho”.


Na última década, apenas por duas vezes vi o Benfica reagir a Pinto da Costa com determinação e estratégia. Uma foi na época 2004/05 com José Veiga e a outra vez é agora com Rui Costa.

É importante clarificar que José Veiga e Rui Costa têm comportamentos totalmente diferentes e que eu nunca me identifiquei com Veiga e sou um confesso admirador de Rui Costa.

Apesar de não gostar do estilo de Veiga (ainda hoje me lembro de uma lamentável conferência de imprensa em que Veiga e Luís Filipe Vieira atacavam a vida pessoal de Pinto da Costa), reconheço que ele foi capaz de blindar o balneário do Benfica, construir um espírito de grupo, defender o treinador e o grupo de trabalho. E isso deu-nos um título ao fim de 11 anos.


Hoje, felizmente, temos o Rui Costa. Rui Costa já no defeso respondeu com mestria a Pinto da Costa, no momento em que ferido pela ida de Cristian Rodriguez para o Porto, foi buscar o Reyes ao Atlético de Madrid.

Rui Costa com os seus conhecimentos de futebol conseguiu outra coisa que há muito não se via: o Benfica tem melhor treinador e melhores jogadores que o Porto. Se o Benfica tivesse no seu seio o hábito de ganhar eu diria, desde já, que o campeonato era nosso. Como esse hábito não existe, as pernas tremem mais, mas até para isso Rui Costa é fundamental. Rui Costa já ganhou tudo e com a sua experiência de Milão seguramente conseguirá transmitir ao grupo a confiança necessária para sermos campeões.

E com melhor equipa e com melhor treinador que os nossos adversários, os resultados estão á vista: temos já 4 pontos (no mínimo) de avanço sobre o Porto e 5 sobre o Sporting.

Há, ainda, outra questão que poucos têm referido, mas que me parece determinante também para os resultados que o Porto tem conseguido. Há já vários anos que o orçamento do Porto para o futebol é maior que o do Benfica e do Sporting juntos. Este facto demonstra bem onde tem estado a liderança do futebol português.

Na realidade, não sei se isso é uma situação sustentável para o Porto a longo prazo e, com franqueza, isso não me interessa pois não me preocupam as finanças dos outros clubes. Mas que isso confere uma grande vantagem desportiva ao Porto, isso é inegável.

No entanto, isso, por si só não explica tudo, uma vez que há vários anos que o orçamento para o futebol do Benfica é significativamente maior que o do Sporting e nós temos ficado sistematicamente atrás deles e até conseguimos ficar atrás do Guimarães que tem um orçamento muitíssimo menor.

Bruno Carvalho, 26/11/2008


Nota: As fotos, os links para outros artigos e os negritos no texto são da minha responsabilidade.

(continua)

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (I)

Um benfiquista do Porto, Bruno Carvalho (director-geral do Porto Canal), publicou um artigo num dos principais blogues benfiquistas onde, entre outros aspectos, dissertou sobre a Região Norte, o Porto, o centralismo, o regionalismo, o FC Porto, o SLB e Pinto da Costa.
Naturalmente, discordo de algumas das coisas que Bruno Carvalho escreveu e, também, temos perspectivas diferentes sobre diversos aspectos. Contudo, considero que é um artigo interessante, que traduz uma visão pouco habitual nos benfiquistas (os do Norte, então, costumam estar entre os mais fanáticos) e que merece ser lido e ser objecto de alguma reflexão.

Nota: Devido à extensão do artigo, optei por o partir e publicar em várias partes.

----------

Apesar de estarmos num blog do Benfica, não me parece nada estranho que falemos do nosso principal adversário dos últimos anos.

Aliás, estou em crer que é a dificuldade em perceber qual a relação que o Benfica deve ter com o FC Porto que nos tem levado a tantos equívocos e dissabores.

Acho, igualmente, positivo clarificar, desde já, que tenho um grande respeito pelo FC Porto e que muitos dos meus melhores amigos são portistas, o que até é natural atendendo a que eu vivo na cidade do Porto.

Não me parece que seja possível compreender o que é actualmente o FC Porto sem fazer um retrato da realidade social vivida na cidade do Porto e na Região Norte de Portugal.

Se olharmos para o Índice de Poder de Compra (IPC) verificamos que, sendo a média de Portugal 100, o Índice de Poder de Compra na Região de Lisboa e Vale do Tejo é de 149 e o do Norte é de 83.

Lisboa é, de facto, o local de Portugal onde o poder de compra é mais elevado, situando-se, claramente, acima da média do País, enquanto no Norte o poder de compra é apenas 55% do de Lisboa (praticamente metade) e situa-se muito abaixo da média nacional.

Se, por outro lado, olharmos para os dados de desemprego do final de 2007, verificamos que a Taxa de Desemprego em Portugal se situava nos 7.9%, enquanto no Norte atingia 9.5%, sendo a zona do País mais afectada por este flagelo.

Apesar de alguma recuperação em 2008, é previsível que o Norte seja atingido com violência pela actual crise devido às características exportadoras de muitas das suas empresas, numa altura em que os principais mercados (Estados Unidos, Espanha, Alemanha, etc.) estão em clara recessão.

Pode-se, ainda, constatar que as oportunidades de emprego nas multinacionais, na Administração Pública e na área dos serviços estão quase todas em Lisboa. Assim, o Porto vê constantemente os seus jovens irem viver para a capital ou para o estrangeiro.

Mas não é preciso olhar muito para os números para se perceber a difícil situação que o Porto e o Norte do País atravessam.


A cidade do Porto assistiu, nos últimos anos, a uma confrangedora perda de importância no contexto nacional.

Tomemos, por exemplo, o caso dos bancos. Várias instituições financeiras que tinham sede no Porto, transferiram o seu centro de decisão para Lisboa, de uma forma formal ou informal. O BPA, BCP e até o BPI são casos disso.

Ao nível da Comunicação Social o panorama também tem sido deprimente, tendo fechado um título emblemático como “O Comércio do Porto” e com “O Primeiro de Janeiro” reduzido a quase nada. Mesmo o grande jornal da região, o “JN”, está longe de ser o jornal do Porto como era no passado.

O Porto é humilhado e mal tratado quase diariamente. Por exemplo, o aeroporto do Porto é controlado por Lisboa e agora até a gestão do Metro do Porto foi assumida pelo governo e retirada às instituições locais, apesar do Metro ser considerado um caso de enorme sucesso.


Em largas franjas da população do Porto há o sentimento que a capital portuguesa é centralista, egoísta e pouco solidária com o resto do País.

Pode-se dizer, sem exageros, que o Norte de Portugal e a cidade do Porto em particular, vivem uma das situações mais difíceis da sua história, onde a pobreza, a falta de perspectivas de futuro e a sensação de abandono predominam.

Provavelmente muitos dos que estão a ler o que escrevo, e muitos são de Lisboa, não acreditam em mim ou acham que estou a exagerar.

Infelizmente não estou. A situação é ainda pior do que aquela que eu consigo transmitir.

É importante que se diga que eu não tenho nada contra Lisboa. É uma cidade de que eu muito gosto, da qual me orgulho (em especial do Estádio da Luz) e onde tenho diversos amigos.

Isso não me impede de constatar que já há vários anos os nossos políticos optaram deliberadamente por concentrar toda a riqueza e quase todo o investimento em Lisboa na tentativa de criar uma cidade que fosse capaz de competir com as principais metrópoles europeias e designadamente com Madrid e Barcelona.

No entanto, esse modelo adoptado, que existe na prática, mas não é comunicado formalmente às pessoas, tem graves consequências, quer para o resto do País quer para a própria cidade de Lisboa, que também sofre com essa opção, uma vez que esta acarreta enormes inconvenientes, desde problemas sociais, de exclusão, de violência, de criminalidade, de mobilidade e muitos outros.

É neste contexto de grave crise no Norte do País e de profundo desânimo, que temos que olhar para o FC Porto e para as suas vitórias.


É que o FC Porto tornou-se a alegria e a esperança de muita gente.

Bruno Carvalho, 26/11/2008


Nota: As fotos e negritos são da minha responsabilidade.

(continua)