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quarta-feira, 23 de março de 2016

Dragões Diário: pela boca morre o peixe

O Dragões Diário - o mesmo espaço que diz a leitores que escreve o que lhes mandam escrever ao mesmo tempo que publica que são um meio independente do clube...ai quanta confusão naquelas cabeças - ontem decidiu atacar uma das maiores referências da história do FC Porto.
Não é novidade e não dista, em nada, da politica de mensagens de quem lhes pagam. Pelo menos não são as companheiras dos que por lá escrevem que mandam esses bitaites, menos mal. Onde é que isso já se viu? 

Ora bem, Baía enganou-se. E Baía devia ter cuidado. Não porque não seja humano errar - quantos de nós não confundiu datas e nomes na vida, eu o primeiro? - mas porque cada erro que cometa vai ser aproveitado para deixá-lo em ridiculo. É triste quando um clube como este chega a esse ponto, malhar nos seus heróis para proteger-se das incómodas verdades. Baía disse - erradamente - que tinha sido treinado por Peseiro (foi por Couceiro, mas o contexto era o mesmo) e que o FC Porto tinha desinvestido no plantel depois de Dublin ao vender Meireles e Bruno Alves (foram vendidos no Verão anterior mas isso não invalida sequer que esse desinvestimento seja real). Portanto, disse duas verdades enganando-se nos protagonistas. E o Dragões Diário, vigilante como sempre da verdade absoluta, decidiu relembrar os portistas que um personagem assim, que confunde nomes, datas e momentos não merece muito respeito. 

Fico feliz, portanto, que o FC Porto tenha no Dragões Diário um pilar de sabedoria, conhecimento ímpar da história do futebol e dos seus protagonistas e eventos. Porque o Dragões Diário, ao contrário do Vítor Baía - esse tipo que é só o segundo jogador mais titulado da história do futebol - sabe sempre do que fala. 

Sabe?

Na edição de hoje dessa publicação tão impoluta e perfeita, chamo a atenção para o seguinte parágrafo:

"Há 58 anos, a 23 de março de 1958, o guarda-redes Acúrsio marca de baliza a baliza, com um pontapé fantástico aos quatro minutos, que adiantava o FC Porto em casa do Belenenses. Mas essa nem foi a maior façanha do guarda-redes, que sofreu uma fratura  num braço após um choque com Vicente, avançado do Belenenses. Estavam jogados apenas dez minutos e como então não havia substituições, Acúrsio aguentou estoicamente na sua posição até ao fim, um jogo que os Dragões venceram por 3-1."

Ah...esse grande Vicente, um avançado lendário do Belenenses. 
Esse portento goleador, figura ímpar da história do nosso futebol colectivo, estrela indiscutível e um jogador de quem é fácil falar de memória - já para não dizer, consultar o arquivo, coisa para preguiçosos - que curiosamente era defesa-central e não avançado. Esse Vicente - um jogador duro, duro, que o diga Pelé - mas que o Dragões Diário, na sua imensa sabedoria e infalibidade, se calhar confundiu com o seu irmão, um tal de Matateu - esse sim figura histórica dos golos com sabor a Ultramar e habitual goleador em jogos contra o FC Porto durante os anos cinquenta. 

Terá sido Vicente, o central que o DD transformou em avançado a lesionar Acúrsio? Terá sido Matateu, o fabuloso avançado que o DD transformou no irmão a chocar com o guarda-redes dragão?

Não conheço um registo video do episódio em detalhe para afirmar com veracidade absoluta qual dos dois é o protagonista infeliz desta história que envolve um grande portista como era Acúrsio mas a minha maior confusão é não saber que fazer, uma vez que tenho o Dragões Diário por um pilar de máxima sabedoria futebolística e não posso acreditar que os mesmos escribas que nada fizeram pelo FC Porto mas que não tiveram problemas em enxovalhar uma das maiores figuras do clube, sejam incapazes de distinguir entre dois irmãos. 

Amigos do DD, precisam de ajuda com precisões históricas? Olhem, perguntem ao Vítor Baía, ele sim sabe o que é defender uma baliza com as cores do FC Porto. Talvez ele saiba esta!

PS: Foi com Matateu, mas não digam a ninguém!

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Maicon a capitão? Próximo!

O que é um capitão do FC Porto? Qual é o perfil de jogador?

A pergunta terá certamente muitas respostas, algumas com partes bem antagónicas, mas todas elas têm de certeza uma coisa em comum: o FC Porto está em primeiro das prioridades, no topo, sem excepções. No campo só há um pensamento, e esse é o FC Porto!

Tem que ser alguém que quebra antes de torcer, que quando a situação aperta cerra os dentes e empurra para a frente, que não conhece a palavra desistir, que quando perde não dorme, que chora com os adeptos sofrem com uma derrota. Tem de ser um de nós. Um portista!

O Maicon, o Herrera, o Brahimi, o Indi, algum deles é isso?
Já foi visto várias vezes, mas no ultimo jogo assistiu-se, mais uma vez, ao atropelo de uma das tradições em campo do FC Porto desde que eu me lembro: em casa jogamos a segunda parte para sul. Isto só não acontece quando o sorteio não o permite. No domingo passado, o Arouca saiu com a bola, o que faz com que tenha sido o capitão do FC Porto a pedir para jogar na primeira parte para sul.
A gota de água que fez transbordar o copo que tinha a paciência para aturar um jogador medíocre como o Maicon, foi ele ter abandonado o campo a meio de uma jogada, quando os seus colegas de equipa precisavam dele... Naquele momento devia ter pedido a substituição, cerrado os dentes, e aguentava em campo o tempo que fosse preciso, nem que tivesse que disputar os lances com o pé debaixo do braço!

Melhor do que utilizar palavras, há dois vídeos que mostram bem o que para mim é um capitão.

Capitão João Pinto a receber a Taça de Portugal debaixo de uma chuva de objetos


Capitão Pedro Emanuel, a mancar, tenta em desespero de causa tirar um bola de dentro da baliza

"Quando falo da ausência e do desaparecimento daquilo que é a mística e as referência do que é a cultura do FC Porto, refiro-me a isto. Isto é impensável. Vi o João Pinto, e só para falar dos meus capitães, a ter um dedo do pé fraturado e a obrigar o médico a dá-lo como apto para ir lá para dentro, rasgando a bota do lado esquerdo onde o dedo estava em contacto e pintando a meia branca de preto para poder ir lá para dentro. Quando vemos o nosso capitão a fazer aquilo, vamos com ele até à morte. É isto a transmissão de valores. Ele aprendeu com alguém, eu e o Fernando Couto com ele, o Jorge Costa connosco e a seguir o Bruno Alves e outros tomaram o testemunho."
Por Vitor Baia

Há várias histórias de capitães que deram tudo pelo FC Porto, noutros tempos, em que estar no FC Porto era o destino, um concretizar de um sonho, e não apenas um mero ponto de passagem para um salto para um contrato das arábias. Esses tempos passaram, e nunca mais vão existir planteis carregados jogadores satisfeitos por este poder ser o seu último clube, mas não há espaço para dois ou três? Que possam ser capitães em campo e fora dele, e que possam representar tudo aquilo que este clube é para nós? 

O que preciso num capitão? Que seja portista, que seja do Norte,que tenha feito o máximo percurso na formação, que sofra connosco quando as coisas não corram bem, que seja dos nossos... 

Neste plantel vejo um candidato: André de seus dois nomes...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2016

“Cansei dessa merda aqui!”

Mensagem da mulher de Maicon no Instagram (fonte: Maisfutebol)

«A mulher de Maicon, Úrsula Roque, partilhou uma publicação no Instagram na qual tece duras críticas a quem descreve como “quem se diz doutores” e que responsabiliza pelas dificuldades físicas do defesa-central.

Eu vou apoiar-te sempre porque sei o tanto que ama esse clube por que tantas vezes já brigou comigo para focar no Porto! Quem está vaiando não sabe o que passou aqui. A culpa não é sua, já faz 4 meses que tenta voltar a 100% e não consegue porque o erro não foi seu e sim de quem se diz doutores! Um absurdo não conseguir melhorar um jogador que treina de manhã e à tarde todo o dia para voltar a jogar e pede para parar e não pode! Cansei dessa merda aqui! Desculpa Maicon, sei que ama, mas eu já não aguento mais essa falta de dedicação e seriedade!”

Entretanto, Maicon já colocou a sua conta do Instagram em modo privado, assim como a sua mulher.»


Será que o FC Porto já bateu no fundo ou, como diz um amigo meu portista, ainda há mais fundo?

Enfim, como é óbvio, o que é preciso é atacar o Vítor Baía (inclusive em termos pessoais), para que isso sirva de aviso a todos os sócios do FC Porto que se atrevam a criticar esta Direção/Administração e, pior, que tenham a veleidade de estar disponíveis para assumir responsabilidades no Clube/SAD.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

O (meu) Porto não era isto

Como é (presumo) do conhecimento de todos os portistas, Vítor Baía proferiu um conjunto de afirmações muito críticas do momento atual do FC Porto e, particularmente, dos dirigentes que rodeiam o presidente Pinto da Costa:

Se eu [Vítor Baía] fosse presidente do FC Porto, a primeira coisa que fazia era correr com aquela gente toda [que rodeia Pinto da Costa]. Acabava com todas aquelas relações promiscuas que existem e recolocava o clube na senda da honestidade e seriedade

Ora, é perfeitamente natural que o núcleo duro de Pinto da Costa, a célebre “estrutura”, não tenha gostado destas declarações. Agora, como é óbvio, quem exerce cargos em clubes/SAD's, tem de estar preparado para ouvir este e outro tipo de críticas (treinadores e árbitros ouvem pior todas as semanas).

Assim sendo, e não tendo havido qualquer ataque pessoal, por alma de quem é que a esposa do presidente do FC Porto veio a público responder e fazer ataques pessoais a um sócio do Futebol Clube do Porto (o qual também é um destacado ex-atleta e ex-dirigente do clube)?

Notícias na comunicação social da resposta-ataque da esposa de Pinto da Costa

Li e ouvi muitas reacções às declarações (feitas nas redes sociais) da esposa do presidente do FC Porto.
Podemos especular sobre os motivos desta sua intervenção intempestiva, a tentar silenciar uma voz crítica e, pelos vistos, incómoda.
Contudo, na minha perspectiva, o essencial é dito no artigo seguinte, da autoria de Luís Aguilar, e do qual reproduzo, com a devia vénia, os seguintes extractos.


«E eis que o FC Porto se transforma num clube em que as mulheres dos dirigentes dão bitaites nas redes sociais e ofendem figuras históricas da instituição. Longe vão os tempos em que os dragões falavam a uma só voz – a do presidente – e em que os outros testemunhos, que raramente apareciam, serviam apenas para sublinhar o que Pinto da Costa já tinha dito, fosse bom ou mau. Era um clube com estratégia e organização. Era uma equipa com muitas referências de balneário. Com jogadores que tinham muitos anos de casa. Símbolos como Vítor Baía. Não havia espaço para eleger um capitão como Bruno Martins Indi, por exemplo, que chegou apenas na época passada. Os tempos, porém, são outros. Pinto da Costa deve estar muito mal para permitir que a forte estrutura que criou seja agora uma mercearia de bairro em que todos julgam ter o direito de lavar roupa suja.

A esposa do presidente dos dragões usou o Instagram para atacar Vítor Baía. O antigo capitão do Porto tinha dito, entre outras coisas, que "pessoas que dão facadas a Pinto da Costa estão ao seu lado" e que, no lugar do presidente, "corria com toda a estrutura atual", manifestando, uma vez mais, a sua disponibilidade para um dia assumir os comandos do clube. É uma opinião de quem conhece bem a casa. Uma ambição legítima. Mas logo veio a esposa do líder dos dragões defender a honra do marido – que não tinha sido posta em causa por Baía – num post lamentável. "Quando me chamaram à atenção para essas declarações do ex-guarda-redes Vítor Baía não contive a gargalhada", começa por escrever a mulher de Pinto da Costa. Tudo o resto que se segue é demasiado triste para rir.

(...) Se Baía não pode falar dos dragões, então ninguém pode. Mais grave: teve de ler, entre outras apreciações, que "passeava as suas namoradas em trajes mínimos" na SAD e que "não soube gerir o seu próprio dinheiro", num ataque claro aos problemas financeiros da sua fundação. O que tem isso a ver com futebol e o estado atual do clube? Nada!

Em 2014, Maldini criticou severamente a gestão do Milan. Nessa altura, contudo, o histórico capitão da equipa italiana não foi atacado pelas esposas de Berlusconi ou Galliani. No reino do dragão, a história é outra. O clube que durante tantos anos se orgulhou da forma como controlava a sua comunicação – característica que se dizia ser um dos segredos de tantas vitórias – está transformado numa república das bananas em que falam as mulheres dos presidentes e até os pais dos treinadores. Cada um diz/escreve o que quer. Os resultados – ou falta deles – estão à vista. O Porto não era isto. Agora, pelos vistos, parece não ser mais do que isto.»


sábado, 7 de março de 2015

SMS do dia

O Vítor Baía é a nova Carolina Salgado do futebol português. Os gabrieis já o citam como fonte fidedigna, e portanto não deve faltar muito para assinar um livro com a Leonor Pinhão. Triste fim...

segunda-feira, 26 de maio de 2014

Foi há 10 anos!


Cumpre-se hoje uma década sobre o segundo triunfo do FC Porto na maior prova de clubes a nível europeu: a Liga dos Campeões. O ano 2004 ficará para sempre na nossa memória (e no nosso Museu!).


Resumo dos golos:

sábado, 10 de maio de 2014

Julen quem?

Quantas vezes imaginei que o presidente mais titulado da história e um dos meus ídolos de adolescência iria apresentar um  novo treinador como “primeira, segunda e terceira” opção que nunca treinou um clube de primeira divisão? Nunca.

Pinto da Costa sempre gostou de apostas arriscadas. 
Ao contrário do mito urbano instalado, saiu-lhe tantas vezes mal como bem. Por cada Artur Jorge, José Mourinho e André Vilas-Boas houve um Quinito, um Fernando Santos, um Del Neri, um Co Adriaanse ou um Paulo Fonseca. Mas pronto, o pessoal gosta do copo meio cheio, que se pode dizer. Só que ao contrario do novo “Mister” – a quem desejo o melhor, como desejei  aos anteriores detentores da cadeira de sonho por muito que pudesse ter considerado a escolha errada – todas essas apostas partiam de uma ideia estabelecida nos anos anterior pelo trabalho desses treinadores em clubes pequenos. Também se esquece muito facilmente que de todas as apostas de risco, as poucas que funcionaram, foram feitas em homens com cultura de casa FCP, que tinham trabalho directamente com grandes treinadores na história de clube como auxiliares e que tinham uma bagagem de alta roda maior do que o CV aparentava. Isso é válido para Artur Jorge, para José Mourinho e para André Vilas-Boas. Não o é para Julen Lopetegui.

O novo treinador do FCP nunca passou por uma primeira divisão na vida. E isso parece-me ser importante de recordar, não vá agora qualquer tipo com meia dúzia de horas de Football Manager achar que pode chegar ao FC Porto directamente do Tourizense.
Treinou dois clubes, o modesto Rayo Vallecano (do qual foi despedido sem impedir que a equipa caísse para a 2 Divisão B) e o Real Madrid Castilla, filial do clube da capital espanhola com quem também não teve grandes exigências. De aí, graças à sua velha amizade com Fernando Hierro e Vicente del Bosque, com quem trabalhou no Real Madrid, foi incorporado ao staff técnico de formação da selecção espanhola como seleccionador sub-19. De aí passou aos sub-21 com quem ganhou um titulo europeu em Israel de forma categórica e com uma equipa que deixou uma excelente imagem. Uma equipa com Thiago, Isco, Illarramendi, Rodrigo, De Gea e afins. Com a mesma geração (e uma outra, mais tarde, composta por Jesé, Deulofeu, Oliver Torres, Paco Alcacer e Suso), falhou por duas vezes chegar às meias-finais do Mundial de sub-20, o objectivo mínimo para a melhor geração jovem do futebol mundial. Um dado para ter na cabeça. De aí ao Porto foi um salto de pardal, com uma ajuda pelo caminho de um celebre empresário cuja sombra se vai estendendo, cada vez mais sobre o Dragão, e também de um velho colega seu no Barcelona, o putativo candidato presidencial (para alguns) Vitor Baia. Aposta pessoal de Antero Henriques (ao parecer ao contrario do “defunto” Paulo Fonseca), Lopetegui é a maior incógnita da história do FC Porto. De longe. Perigosamente.



O FCP está diante de um dos anos mais importantes da sua história.
Não é preciso dar muitas voltas. O Benfica está melhor, pode fazer o que o FCP nunca conseguiu fazer (sem detentor de todas as provas nacionais num mesmo ano e ainda juntar isso a um titulo europeu) e não dá impressão de que vá implodir brevemente. Tem crédito ilimitado, tem imprensa a bajular-lhes os pés, tem a sua influência nos corredores de poder assegurado e pela primeira vez em trinta anos está em legitimas condições de sonhar com o Bicampeonato. Não seria o fim do mundo mas seria um inicio de um novo mundo no futebol português. O equilíbrio seria maior do que nunca foi desde os anos oitenta. E chegaria num momento extremamente delicado para nós. Entre os duelos intestinais pelos que aspiram a liderar o clube no futuro, os problemas de solvência financeira com um passivo descontrolado que obriga a vender e vender, não estamos em condições, à priori, de dar o murro na mesa que se deu em 2010 com a chegada (por 12 milhões de euros) de um jogador fundamental como Moutinho e a manutenção de peças como Hulk e Falcao na frente de ataque. Este ano é altamente previsível que saiam Fernando, Mangala e Jackson Martinez, talvez num negócio conjunto como sucedeu no ano anterior. Ninguém descarte que também saiam jogadores como Varela, Defour ou Maicon. Helton tem o futuro profissional por um fio e Alex Sandro e Danilo são futebolistas que – não nos enganemos – foram contratados com a promessa que não ficariam aqui muito tempo. Não estarão satisfeitos.
Sem dinheiro para investir (e os últimos investimentos têm corrido bastante mal) e com muitos jogadores que foram mais cinzentos que luminosos este ano (Quintero, Herrera, Reyes, Quaresma) que agora terão de assumir outro protagonismo, o FCP precisava, mais do que nunca, de um treinador com um perfil de liderança, de elevada cultura táctica, de experiência a lidar com conflitos quotidianos, com ambições desmedidas de muitos meninos-mimados. Lopetegui pode ser o que Pinto da Costa (ou Antero) quiser. Mas não é nada disso. Durante 4 anos (quatro!!!) treinou duas semanas de três em três meses jogadores cujas preocupações eram nulas porque as deixavam para os clubes. Cada jogo era tão desequilibrado (ver historial fases apuramento Europeus) que dava para gerir egos com comodidade. Exigência táctica? Muito pouca. Experiência em manobrar um balneário todos os dias? Nenhuma. Liderança em momentos de crise? Impossível de saber, nunca foi testada.

Lopetegui tem 47 anos. Não é uma jovem promessa do futebol mundial que passou debaixo do radar do mundo. É um homem que foi tantos anos comentador televisivo como treinador de futebol. Um homem com o CV que eu – se fosse adepto de um Vitoria de Guimarães – torceria o nariz. Até porque todos sabemos de cor seleccionadores de futebol juvenil que se transformam em grandes treinadores seniores com os anos, não é Carlos Queiroz?
O que é Lopetegui? 
Uma escolha fácil, imposta por agente influente que se adequa à falta de liderança da estrutura do FCP, incapaz de contratar um treinador de perfil elevado (habitualmente incapaz de aturar o regime de imposição desta direcção na área desportiva) e com medo para apostar num novo treinador jovem português como Marco Silva depois do flop Paulo Fonseca e do despedimento de um bicampeão em titulo chamado Vitor Pereira. 
O que é Lopetegui? 
Um treinador que só trabalhou com jovens como era Jesualdo Ferreira, um homem que desperdiçou uma geração inteira de jovens promessas. Um treinador que vai ter a exigência de bater o pé ao Benfica enquanto as armas que tem na mão (salvo se Pinto da Costa tiver encontrado um bau de ouro) serão Quintero, Reyes, Herrera, Carlos Eduardo, Kayembe, Toze, Vitor Garcia, André Silva, Ghilas, Rafa e companhia. Por muito potencial que tenham, todos eles, não são nem Falcao, Hulk e Moutinho nem Isco, Thiago ou Jesé.
O que é Lopetegui? 
Um homem de quem ninguém sabe nada (a começar por quem manda no FCP que terá acesso aos mesmos – escassos – vídeos que qualquer um de nós tem) e que herda um lugar onde Pinto da Costa quer ver à viva força Jorge Jesus ou André Vilas Boas mas que nenhum dos dois quer ocupar, deixando-o de mãos a abanar.


O presidente do FCP diz que o novo técnico é a sua primeira, segunda e terceira escolha e um exemplo da melhor liga do mundo. É pena que Lopetegui nunca tenha treinado na melhor liga do mundo (a mesma onde coabitam estilos tão variados como Paco Jemez, Diego Simeone, Tata Martino, Unai Emery, Ernesto Valverde, Carlo Ancelloti, Marcelino Toral, todos eles iguais como duas gotas de água presidente) e seja claramente o nome mais obscuro de uma lista que deveria ter sido elaborada a pensar na exigência do desafio que nos espera. Julen Lopetegui pode ser campeão europeu com o FC Porto. Nada me faria mais feliz. Com que ganhe o campeonato já me dou por satisfeito depois do ano que vivemos. Mas é a aposta mais arriscada de que eu me lembro num clube que considero de topo do futebol europeu. Se funcionar, Pinto da Costa terá acertado e recuperado a sua estrela. Honra lhe seja feita. Mas se falhar, será o segundo tiro consecutivo nos pés. Consciente, propositado. Um erro perfeitamente evitável (com Paulo Fonseca ainda podia haver duvidas) com olhar para o que este treinador logrou em dez anos de carreira profissional. Se nos sai um novo Del Neri não se esqueçam de quem preferiu voltar a colocar o seu ego pessoal à frente das necessidades do clube. Largos dias têm…      

PS 1: O facto do treinador ter deixado cair a um jornalista seu amigo (da Radio Marca) a noticia de que seria o novo treinador do FC Porto antes do anuncio oficial (algo que a sua familia, alias, já o sabia há uma semana contrariando as graçolas de Pinto da Costa na apresentação) deixa muito a desejar como cartão de visita e contraria tudo aquilo que o FC Porto antes valorizava no sigilo e profissionalismo dos contratos assinados com técnicos. Del Neri fez o mesmo e sabemos quanto tempo durou...

PS 2: As caixas de comentários deste e doutros blogs da bluegosfera (e alguns artigos) alinham pelo discurso de que "se este é o homem elegido pelo NGP então é o melhor que podemos ter". Cada um é livre de pensar o que quiser, está claro, mas Pinto da Costa - o maior presidente da história de um clube em Portugal e alguém que nunca conseguiremos substituir à altura - não é infalível. A história já nos devia ter ensinado isso e ainda que todos - críticos e não críticos - queiramos o sucesso absoluto deste projecto porque somos todos portistas, um pouco de perspectiva não faz mal a ninguém...