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quarta-feira, 19 de julho de 2017

Portistas nas páginas de A BOLA

Nortada, Miguel Sousa Tavares (A BOLA, 18-07-2017)

«Os factos reportam-se a um jogo Beira-Mar - FC Porto, a quatro ou cinco jornadas do final de um campeonato que o FC Porto haveria de vencer tranquilamente com, salvo erro, uns 14 pontos de avanço sobre o segundo classificado – o Sporting. Ou seja, os 6 pontos retirados foram só para mostrar serviço. Recorde-se ainda que, nesses gloriosos dias, o FC Porto era treinado por José Mourinho, a sua superioridade interna era imensa e incontestável e estava a dias de se sagrar campeão europeu. Enquanto isso, o Benfica terminaria o campeonato a mais de 20 pontos de distância, em quarto lugar, atrás do Vitória de Guimarães.»
O que é feito de Carolina Salgado?
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 18-07-2017


O Miguel Sousa Tavares (MST) confunde algumas datas e factos (algo que, por vezes, acontece nas suas crónicas semanais publicadas na A BOLA), mas a mensagem essencial da crónica desta semana, além de pôr o dedo na ferida, é perfeitamente clara e correta.

As duas versões do livro de Carolina (jornal SOL, 08-09-2007)

Juiz acusa Carolina de mentir (O JOGO, 01-07-2008)

O célebre Beira-Mar x FC Porto, arbitrado por Augusto Duarte e que terminou empatado (0-0), foi disputado na época 2003/2004, jornada 31. Isto é, a quatro jornadas do fim desse campeonato e a cerca de um mês do FC Porto se sagrar campeão europeu em Gelsenkirchen, no dia 26 de Maio de 2004.
A equipa do FC Porto (treinada por José Mourinho) ganhou esse campeonato com 82 pontos. Mais 8 pontos que o SLB (2º classificado) e mais 9 pontos que o Sporting (3º classificado).

O campeonato que o FC Porto ganhou com 20 pontos de avanço (mais tarde reduzidos a 14) foi quatro anos depois, na época 2007/2008.
A equipa do FC Porto (orientada pelo prof Jesualdo Ferreira) terminou esse campeonato com 75 pontos e, após lhe terem sido retirados 6 pontos pelo CD da Liga (presidido pelo dr. Ricardo Costa), ficou com 69 pontos.
O Sporting terminou com 55 pontos. O V. Guimarães terminou com 53 pontos. E o SLB terminou esse campeonato em 4º lugar, com 52 pontos (a 23 pontos do FC Porto!).

Quanto à validade das escutas… Ao contrário do que afirma o MST, as escutas não foram ilegais, conforme foi explicado no último programa ‘Universo Porto’ (emitido no Porto Canal, na passada segunda-feira). As escutas não são é válidas para serem usadas no processo disciplinar da Liga/FPF que, “oportunamente”, foi (re)aberto pelo benfiquista de Canelas.

Percebe-se que este tipo de lapsos sejam aproveitados, por benfiquistas e sportinguistas, para descredibilizar o MST. O que me custa a aceitar é que também sejam aproveitados por portistas, para atacar e até insultar o MST, sempre que ele escreve uma crónica crítica do Presidente Pinto da Costa ou de decisões da Administração da SAD.

Ora, convém lembrar que, quando o Apito Dourado “explodiu”, enquanto o Presidente e o Clube/SAD se remeteram ao silêncio, o MST foi dos poucos, juntamente com alguns blogues (entre os quais tenho o orgulho de colocar o ‘Reflexão Portista’), a dar a cara e vir para a “frente de batalha” na praça pública.

É perfeitamente normal discordar das opiniões do MST e eu discordo com frequência, principalmente quando as opiniões são referentes a jogadores ou treinadores. Contudo, não me esqueço que o MST que critica o Presidente nas páginas de A BOLA é a mesma pessoa, o mesmo Portista que, nessas mesmas páginas, defendeu o FC Porto num dos períodos mais delicados da nossa história.

Por isso, e não só, obrigado Miguel.

terça-feira, 31 de maio de 2016

Vergonha Diária


A newsletter enviada diariamente aos sócios que a subscreveram e com o nome "Dragões Diário" publicou, hoje, o seguinte texto:

"Miguéis"
Miguel Sousa Tavares voltou a pronunciar-se sobre a atualidade do FC Porto, enquanto comentador da SIC e, eventualmente, enquanto adepto, porque sócio deixou de ser estatutariamente aquando da última renumeração, em 2015, uma vez que já não pagava as quotas desde 2010. Não deve ter sido a crise ou até a resolução de um banco que o impossibilitou de cumprir o sagrado dever de sócio. Como comentador, MST pode ter muitas opiniões e é capaz de lhe dar mais jeito que sejam variadas para agradar a quem lhas patrocina e que nada têm a ver com o Porto, cidade e clube. Para descanso dos “Miguéis” deste país, os contactos para a contratação do novo treinador, seja ele qual for, estão a ser feitos diretamente pelo presidente do FC Porto, sem intermediários, não havendo por isso lugar ao pagamento de qualquer comissão. Já diz o ditado, quem muito fala, pouco acerta.

Que esta nova velha Direcção não se dá muito bem com a liberdade de expressão, já se sabia há muito.
O que é lamentável - e grave - é que o Clube divulgue publicamente informação sobre sócios ou ex-sócios, e de quando estes pagaram ou deixaram de pagar as quotas. Isto é que não deveria ser estatutariamente permitido.

Lamento que o FC Porto utilize formas de comunicação que extravasam para a restante comunicação social informação que deveria ser do estrito âmbito e privacidade dos associados do FC Porto. É uma vergonha.

Esta Direcção está sempre pronta a atacar os da sua cor que se atrevam a discordar publicamente das suas atitudes e dos seus actos de gestão mas é sempre muito benevolente para com os seus verdadeiros inimigos. Assim de repente, lembro-me das críticas veementes de um director do departamento de futebol ao então presidente Dr. Américo de Sá.
   

quarta-feira, 2 de abril de 2014

4 jogos, 9 a 11 pontos “roubados”

MST, A BOLA
Ontem, na sua habitual crónica semanal publicada no jornal A BOLA, Miguel Sousa Tavares (para além do lamentável assunto que o Filipe Sousa já abordou no post anterior), referiu-se a um conjunto de graves erros de arbitragem, que prejudicaram o FC Porto nos jogos que disputou “no terreno dos seus quatro adversários mais próximos na classificação, para cima e para baixo”.
E, sobre os erros de arbitragem que enunciou, MST afirma: “Isto são factos. E pontos. Pontos “roubados”, como diria Bruno de Carvalho: entre 9 a 11 e, consequentemente, menos 3 para o Sporting e menos 2 a 3 para o Benfica”.

(bravo Miguel, imagino o que deve custar, a sportinguistas e benfiquistas, lerem estas coisas num jornal como A BOLA...)

Para suportar as suas afirmações, Miguel Sousa Tavares (MST) recordou, e bem, os principais erros de arbitragem (classificados como “roubos”, quando os prejudicados são os clubes da 2ª circular) nos seguintes jogos:
Estoril x FC Porto (22-09-2013) – menos 2 pontos para o FC Porto
Benfica x FC Porto (12-01-2014) – menos 1 a 3 pontos para o FC Porto
Sporting x FC Porto (16-03-2014) – menos 3 pontos para o FC Porto
Nacional x FC Porto (30-03-2014) – menos 3 pontos para o FC Porto

No meio de todos estes erros de arbitragem (com clara influência nos resultados destes quatro jogos), há coisas que custam a aceitar e são muito difíceis de compreender.

Por exemplo, no Estoril x FC Porto, a ganhar por 1-0, o FC Porto sofreu o golo do empate através de um dos penalties mais escandalosos dos últimos anos. É que, conforme a imagem seguinte mostra, o árbitro assistente está bem colocado e não havia um único jogador equipado de branco dentro da área!

Estoril x FC Porto

Outro exemplo. Aos 44’ do Sporting x FC Porto, Cedric carregou Jackson Martinez pelas costas (sem qualquer intenção de disputar a bola!), quando o colombiano estava no ar e se preparava para cabecear a bola para o fundo da baliza, desviando desse modo o ponta-de-lança do FC Porto e conseguindo evitar aquele que seria o 0-1. Em vez de expulsar o defesa sportinguista e assinalar o penalty que se impunha, o “melhor árbitro do Mundo” (colega de faculdade de Bruno Carvalho...) não viu qualquer infracção e mandou seguir.

Sporting x FC Porto

Ora, o mesmo Jackson Martinez que, no dia 16 de Março, foi ilegalmente impedido de colocar o FC Porto em vantagem, num desafio em que estava em jogo 8,6 milhões de euros (é quanto vale o apuramento direto para a fase de grupos da Liga dos Campeões), em dois jogos das semanas seguintes – FC Porto x Belenenses (23-03-2014) e Nacional x FC Porto (30-03-2014) – viu dois golos seus serem anulados por, supostamente, ter cometido falta sobre defesas contrários (dois lances de disputa de bola de cabeça, em que Jackson saltou antes e mais alto!).

Analisando friamente todos estes erros (e critérios!) de arbitragem, os quais prejudicaram fortemente o FC Porto, é inevitável concluir-se que alguns não são erros normais.

E também me parece demasiada coincidência, que os jogos em que o FC Porto foi mais prejudicado, tenham sido, precisamente, nas quatro deslocações contra as 4 equipas mais bem classificadas.

É ainda de notar que dos 9 pontos que o MST refere terem sido “subtraídos” ao FC Porto, 3 pontos foram nas primeiras 21 jornadas (em que o comando técnico da equipa esteve entregue a Paulo Fonseca) e 6 pontos foram-no nas duas últimas deslocações (Alvalade e Nacional), numa altura em que o FC Porto ainda poderia lutar pelo 2º lugar. Aliás, nas últimas três jornadas (23ª, 24ª e 25ª), realizadas após o “Movimento Basta”, o FC Porto foi prejudicado em todos os jogos por erros graves de arbitragem. Coincidências...

No dia 17 de Março, num comentário publicado neste blogue, escrevi o seguinte:
«Esta época faltou competência na escolha do treinador.
Faltou competência na gestão das entradas e saídas do plantel.
Mas também faltou competência na forma como são geridos os bastidores do futebol português.
O FC Porto foi “comido” e de que maneira quer pelo slb, quer agora pelos calimeros».

E se os dirigentes do FC Porto nada fizerem e continuarem a assistir, impávidos e serenos, ao controlo total do "Sistema" por parte do slb, dos "viscondes" e da AF Lisboa, na próxima época vai ser igual.

A emissão será retomada dentro de momentos...

...enquanto aguardamos confirmação que os elementos da SAD do Porto, foram todos raptados por alienígenas, e substituídos por uns clones desmiolados mas de aparência semelhante.

(in tsf.pt)

P.S.: "Em breve, me ocuparei...", diz Miguel Sousa Tavares - as piadas de 1º de Abril, têm piada no dia 1 Abril, não "em breve".

domingo, 2 de março de 2014

VSC x FC Porto, há um ano atrás…

Há cerca de um ano atrás, a equipa do FC Porto, sem poder contar com James (lesionado), Atsu (estava na CAN) e Defour (lesionado), deslocou-se a Guimarães, para um desafio da 17ª jornada do campeonato 2012/2013.

Ficha do Vitória Guimarães x FC Porto, época 2012/2013 (fonte: zerozero.pt)

«Uma exibição a roçar a perfeição e um Mangala e Jackson imperiais, na nossa melhor partida desde os tempos de Villas-Boas
Luís Carvalho, no RP, em ‘É disto que o meu povo gosta’ (03-02-2013)
(vale a pena reler os comentários a este artigo)


«Em Guimarães, o FC Porto, mesmo sem James e sem Atsu, fez o jogo perfeito, do primeiro ao último minuto. Não foi apenas o melhor jogo do FC Porto neste campeonato – foi, apesar do seu sentido único, o melhor jogo deste campeonato. Mais do que aquilo não é possível ver por aqui. Como equipa, como futebol encadeado e pensado, jogado com imaginação e velocidade, foi topo de gama, aqui e em qualquer lugar.»
Miguel Sousa Tavares, A BOLA (05-02-2013)

Crónica de MST em A BOLA, 05-02-2013


«um FC Porto mais forte que nunca, com capacidade colectiva para esconder ausências individuais e uma qualidade táctica que ofensivamente castiga os adversários (com mobilidade, qualidade na troca de bola e... Jackson Martinez) e defensivamente passa jogos inteiros sem sobressalto (Guimarães foi mais um).»
Carlos Daniel, Diário de Notícias (06-02-2013)


O JOGO, 03-02-2013
«Para quem, como eu, se deliciou (e delicia) a ver jogar o Barcelona “inventado” por Guardiola, ver o meu FC Porto a jogar à Barça e, no final dos jogos, ouvir adversários conformados a comparar o FC Porto ao Barcelona (“o Porto está para liga portuguesa como o Barcelona para a espanhola”, Alex, capitão do Vitória Guimarães), é algo de inolvidável.»
José Correia, no RP, em ‘Os elogios a Vítor Pereira’ (06-02-2013)
(vale a pena reler os comentários a este artigo)


Um ano depois, no regresso a Guimarães e apenas três dias após os festejos e euforia (de jogadores, treinadores e dirigentes) pela eliminação do Eintracht Frankfurt, veremos o que o FC Porto de Paulo Fonseca será capaz de fazer, esta noite, frente à equipa de Rui Vitória.

Não peço uma goleada, mas já ficaria satisfeito com uma exibição segura (sem permitir oportunidades flagrantes à equipa adversária), que culminasse numa vitória convincente.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

A sucessão de D. Moutinho

I. Moutinho, o peso morto

«[o FC Porto] não só bancou 11 milhões, mais 25% numa futura transferência, como perdoou 2,5 milhões que o Sporting ainda devia de Postiga e, mais que tudo, acrescentou-lhe o passe de Nuno André Coelho. Quanto valerá o passe de Nuno André Coelho? Eu não sei, mas sei isto: o João Moutinho está em regressão há dois ou três anos: é um jogador regular, acertadinho, mas sem rasgo e, até ver, de progressão falhada; quanto a Nuno André Coelho, para mim, é a grande promessa para vir a ser o melhor central português do futuro. Eu não trocaria um pelo outro: o FC Porto trocou e ainda lhe acrescentou 13,5 milhões. Ou seja, por mais que se desvalorize o passe actual de Nuno André Coelho, a verdade é que, contas feitas, Pinto da Costa bateu a cláusula de rescisão de João Moutinho: 22,5 milhões. (...) Às vezes, há negócios (e só falo dos recentes) feitos pelo FC Porto que eu não consigo entender, que não como súbitos ataques de generosidade. João Moutinho é um deles»
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 06-07-2010 (aquando da contratação)


«Continuo a achar que, excepção feita a este jogo da Luz, Moutinho aparece regularmente como um jogador muito pouco decisivo no futebol da equipa: não marca golos, não assiste para golos, não é jogador de virar jogos ou comandar vitórias
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 26-04-2011 (época 2010/11)


«e Moutinho, o tão louvado Moutinho, é um jogador que não vai além de um futebol lateral e curto, de apoio e organização, que pode ser muito útil para quem joga recuado, mas é um peso morto como médio criativo e ofensivo, a quem se deve exigir o contrario disso: um futebol vertical e comprido, capaz de assumir o risco e romper com a organização»
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 08-11-2011 (época 2011/12)


«A propósito de João Moutinho, já aqui falei dos jogadores cuja verdadeira importância no jogo só se avalia bem ao vivo e não na televisão, por maior que seja o ecrã. Moutinho é um desses jogadores, sobre o qual mudei radicalmente de opinião, e para muito melhor, quando o vi jogar no estádio.»
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 27-11-2012 (época 2012/13)


O portista Miguel Sousa Tavares (MST), cronista de A BOLA, pelos vistos demorou alguns anos até ver Moutinho jogar ao vivo… Após isso acontecer, MST mudou radicalmente de opinião sobre o “peso morto”. Assim, depois de em Maio passado Moutinho ter feito parte de um negócio de 70 milhões, MST pôde voltar à carga com o seu discurso habitual (e que tem seguidores), de que todos os anos o FC Porto vende os seus craques e a SAD só compra “lixo” para os substituir…


II. Moutinho, o insubstituível

«o FC Porto perdeu João Moutinho, ventrículo direito e esquerdo da equipa»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 07-10-2013

José Manuel Ribeiro, O JOGO, 07-10-2013

O portista José Manuel Ribeiro, diretor de O JOGO, entende que Moutinho é praticamente insubstituível (imagino que não seja fácil substituir o ventrículo direito e esquerdo simultaneamente…). Mas, tal como MST, também deve ter mudado de opinião, porque não me lembro de ter lido idêntica opinião da sua parte (como atenuante para o treinador), aquando do Málaga x FC Porto ou Sporting x FC Porto da época passada…


III. O meio campo portista no pós-Moutinho

Ao contrário das teses miguelistas do “peso morto”, eu sempre fui grande admirador do Moutinho, cuja influência no bom desempenho do FC Porto nas últimas três épocas considero indiscutível. Contudo, também não alinho na tese do quase insubstituível e, por isso, logo após a sua transferência para o AS Monaco, escrevi o seguinte:
«A saída de um jogador do calibre de João Moutinho (a “maçã podre” de Alvalade, lembram-se?) é, obviamente, uma perda significativa em termos desportivos mas, como portista, estou mais preocupado em saber como vão ser colmatadas as carências óbvias que existem no ataque (extremos, avançados e pontas-de-lança) porque, em termos de médios, penso que há matéria-prima suficiente para, na próxima época, o FC Porto voltar a ter um meio-campo forte.»

De facto, o treinador do FC Porto tem à sua disposição um extenso lote de médios – Fernando, Defour, Herrera, Lucho, Carlos Eduardo, Josué, Quintero –, cuja qualidade, em termos globais, é bem acima da existente nos últimos anos, ao ponto de Paulo Fonseca ter dispensado Castro e Tiago Rodrigues.

Ah, mas não há um “Moutinho 2”. Pois não, como não houve um “Deco 2”, um “Maniche 2” ou um “Lucho 2”, após as respetivas saídas do FC Porto, entre as de muitos outros médios (Diego, Anderson, Raul Meireles, Guarín, etc.) que saíram nos últimos anos.

Ora, não havendo no plantel um “Moutinho 2”, compete ao treinador reestruturar o meio-campo, tirando o melhor possível dos bons jogadores que tem à sua disposição. Foi isso que aconteceu na 2ª parte do último FC Porto x SC Braga, em que o meio campo portista foi formado por Defour, Herrera e Carlos Eduardo e o que se viu foi o melhor FC Porto desta época. Dinâmica, intensidade, pressão alta, dois golos e mais quatro oportunidades flagrantes, tudo isto em 45 minutos sem Fernando, Lucho e… Quintero.

Carlos Eduardo, FC Porto x SC Braga

Depois destes 45 minutos à Porto (que se seguiram aos piores 135 minutos dos últimos dois anos), o que esperar daqui para a frente?
Na próxima jornada, em Vila do Conde, Paulo Fonseca terá coragem para deixar as “vacas sagradas” no banco e voltar a apostar nos “patinhos feios”?

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Em defesa de Miguel Sousa Tavares

A antipatia de Miguel Sousa Tavares (MST) por Vítor Pereira é notória, e eu em grande parte partilho dela. Por outro lado, o meu colega de blogue José Correia, homem que procura ser justo, sente-se na necessidade de defender o Pereira dos ataques de MST, alguns deles, concordo, perfeitamente descabelados.

Mas eu acho que MST é um elemento portista fulcral na comunicação social. E, por isso aqui deixo de novo um artigo que sobre ele publiquei a 28 de Fevereiro de 2009:

http://www.reflexaoportista.pt/2009/02/o-indomito-cruzado.html

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O Indómito Cruzado

"É mais difícil ser portista em Lisboa que muçulmano na Bósnia-Herzegovina"



É uma espécie de homem dos sete ofícios: advogado de formação, jornalista, comentador político, escritor, agora até actor – segundo creio, no papel do seu bisavô o 4º Conde de Mafra, D. Tomás de Mello Breyner, na serialização televisiva do seu romance “Equador” – e comentador portista do fenómeno futebolístico, coisa distinta de comentador de futebol, área reservada para iniciados, especialmente daqueles que conseguem ver coisas num jogo de futebol das quais nem os próprios treinadores das equipas em liça suspeitam.

Mas se os seus comentários políticos, embora de grande independência, se não distinguem pela subtileza, e se os seus romances ficam aquém dos dotes literários de sua mãe – como actor ignoro as suas qualidades - já como “comentador portista” Miguel Andresen Sousa Tavares, que viu a luz do dia na Invicta a 25 de Junho de 1950, tem-se distinguido pela acutilância e pela combatividade dignos de um filho do destemido político, jornalista e polemista Francisco Sousa Tavares.

Instalado por trás das “linhas inimigas” e sempre com a mira bem assestada à ignomínia e à desvergonha adversárias, este autêntico guerrilheiro azul-branco é na actualidade o maior defensor do F.C.Porto junto da opinião pública. Quer se trate do Apito Dourado ou sua versão sucedânea o Apito Final, das lágrimas de crocodilo de adeptos ou dirigentes da dupla da capital, ou simplesmente da vulgar discussão semanal acerca de off-sides e penalties – labirinto em que se perde grande parte da discussão futebolística em Portugal – Miguel Sousa Tavares lá está, à 3ª feira, de dentro de um dos principais redutos inimigos, pronto a pôr os pontos nos “ii” e a desmascarar a vilania e a hipocrisia.

Como herdou do pai um extraordinário espírito de independência, Miguel Sousa Tavares junta à impiedosa crítica do adversário uns remoques àquilo de que discorda na condução dos destinos do F.C. Porto, o que já lhe tem valido incompreensão e censura. Infelizmente, para alguns portistas o adepto “perfeito” do FCP, além de se atirar devidamente a “mouros” e quejandos, deve enaltecer tudo o que provém do clube e nunca nada criticar, especialmente se essas críticas podem ser lidas ou ouvidas por ouvidos inimigos.

Só que Miguel Sousa Tavares vem por atacado e não a retalho: se queremos ouvir a sua voz, tanto mais respeitada quanto a sua independência é reconhecida, se queremos ver a nossa dignidade ferida ser defendida pela sua destemida pena, temos também de aceitar que critique aquilo que ele descreve como os “contentores” de jogadores sul-americanos ou que hoje ache que o Alan, que ontem considerava um nabo, é quase um Cristiano Ronaldo. Outros há que descontraidamente se prestam ou prestariam ao papel de cronistas oficiosos, mas Miguel Sousa Tavares é completamente desprovido de temor reverencial e tiques de bajulador perante o poder, seja ele qual for.

Por minha parte espero que a pena nunca se lhe esmoreça e a voz firme nunca lhe fraqueje.

quarta-feira, 21 de agosto de 2013

MST, o cruzado anti-VP

Após três anos de sucessos (no primeiro ano como treinador-adjunto de André Villas-Boas), a Administração da FC Porto SAD decidiu não renovar o contrato do treinador Vítor Pereira (VP).
Por sua vez, o treinador espinhense (mas portista de coração), decidiu continuar a sua carreira longe de Portugal, na Arábia Saudita.
A época 2013/14 arrancou no início de Julho e no comando técnico da equipa do FC Porto está Paulo Fonseca, ex-treinador do sensacional Paços Ferreira 2012/13.
Durante a pré-temporada, a equipa disputou uma série de jogos em diferentes países (Holanda, Bélgica, Venezuela, Colômbia, Inglaterra e Portugal) e o novo treinador pôde observar um plantel de cerca de 30 jogadores, que a SAD colocou à sua disposição.
O 1º jogo oficial foi a Supertaça Cândido de Oliveira, disputado no dia 10 de Agosto.
O campeonato nacional arrancou no passado fim-de-semana e começam a ser notórias as escolhas de Paulo Fonseca, quer em termos de modelo de jogo, quer em relação aos jogadores com que conta para o pôr em prática.

Perante tudo isto, faz algum sentido que alguns portistas analisem os jogos do FC Porto desta época, continuando a ter como alvo o ex-treinador Vítor Pereira?
Entre estes portistas está o Miguel Sousa Tavares (MST), cujo comportamento em relação a Vítor Pereira é já um caso patológico.

(Miguel Sousa Tavares, A Bola, 15-01-2013)

De facto, apesar de Vítor Pereira ter deixado de ser treinador do FC Porto há mais de três meses, MST parece que ainda tem contas a ajustar com o homem que contrariou as suas “sábias” profecias, tendo ganho dois campeonatos em duas épocas (o último dos quais invicto!) e, semanalmente, nas suas crónicas em A Bola, continua com uma inexplicável cruzada anti-VP.

«Espero que Paulo Fonseca medite no exemplo de Vítor Pereira, na época passada: também ele encostou o Atsu, descartou o Iturbe e renunciou a apostar no Kelvin. Imaginou poder ganhar o campeonato com o Varela e foi só quando se viu a perder em Braga a dez minutos do fim que lançou o Kelvin – e ele respondeu com dois golos, que viraram o jogo e mantiveram o Porto na luta. É claro que, como represália, na semana seguinte Vítor Pereira sentou o Kelvin no banco e o mesmo fez no jogo do título, contra o Benfica. Mas de novo, vendo-se empatado e a patinar no jogo, lá soltou o Kelvin outra vez a dez minutos do fim... e aconteceu o que se sabe. Foi o Kelvin quem ganhou o campeonato para o Vítor Pereira. Ganhou-o apesar do Vítor Pereira.»
Miguel Sousa Tavares
in A Bola, 20-08-2013


Pouco há a dizer deste texto do MST, tamanha é a idiotice e até uma certa desonestidade intelectual que o mesmo revela. Mas vale a pena comentar algumas afirmações e corrigir evidentes falsidades.

Pelas razões que são conhecidas, Atsu foi encostado esta época; com Vítor Pereira jogou em 32 (trinta e dois!) dos jogos oficiais disputados pelo FC Porto na época passada.

Em relação a Iturbe, antes de atirarem pedras, convinha que os portistas se recordassem da sua atitude em campo quando teve oportunidades, das declarações que o amuado “novo Messi” fez para forçar a saída do FC Porto e das diversas declarações públicas que proferiu enquanto esteve emprestado ao River Plate.

(O JOGO, 21-06-2013)

Por que razão, esta época, Iturbe ainda não foi sequer convocado para jogos oficiais da equipa principal ou da equipa B? Será por ter sido "descartado" por Vítor Pereira? Ou é por ser um jogador problemático, que tem o rei na barriga?

Quanto à "renuncia" em apostar no Kelvin, felizmente que, ao contrário do MST, tivemos um treinador que percebe (e muito) de futebol e que soube gerir a utilização de um jovem talentoso de apenas 19 anos (nasceu a 1 de Junho de 1993) – 8 jogos na I Liga, 1 Taça Portugal, 3 Taça Liga e 13 na II Liga – contribuindo para o seu crescimento futebolístico.
Mais. Ter no banco um avançado com as características do Kelvin, que em alguns jogos pode funcionar como uma especie de “arma secreta”, é algo que nem sequer é inovador. Será que o MST se lembra do Juary?
E, já agora, eu bem sei que o MST é pouco dado a "pormenores", mas na sua cruzada anti-VP convém que tenha um mínimo de rígor. Foi no Estádio do Dragão e não no Estádio Axa, que o Kelvin, após ter substituído o capitão Lucho (com VP não havia "vacas sagradas") a 15 minutos do fim, marcou dois golos ao SC Braga.

Claro que dentro da lógica do MST, se fosse ele o treinador (Deus nos livre!), Atsu, Iturbe e Kelvin teriam todos feito parte das suas escolhas para o onze titular do FC Porto 2012/13. Atendendo à natural imaturidade e falta de cultura táctica destes três jovens jogadores, teria sido bonito...

E quem sairia para entrarem estes três jogadores, tão "desprezados" por VP?
Varela, um dos ódios de estimação de MST (lamentável a afirmação "... (felizmente, felizmente!) Varela lesionado..." que, a propósito do Vitória Setúbal x FC Porto, faz parte da sua última crónica publicada em A Bola), seria um deles.
E quem mais? James? Lucho? Pois, pormenores...

domingo, 21 de julho de 2013

Atsu, um caso chocante

(O JOGO, 19-07-2013)

«Vítor Pereira, conservador até à medula, é um notável desperdiçador de jovens talentos. Só para que ninguém beliscasse o estatuto do seu inamovível Varela, ele desperdiçou o talento de James em metade da época passada, até ao momento em que precisou dele para ganhar o campeonato; e desaproveitou, sem lhes dar qualquer hipótese séria, Djalma, Candeias, Iturbe e Kelvin - a quem apenas confiou a missão impossível, e milagrosamente cumprida, de lhe ganhar o campeonato, jogando 15 minutos contra o Braga e outros tantos contra o Benfica. O caso mais chocante, porém, foi o de Atsu, um verdadeiro diamante em estado bruto, para cuja lapidação não teve nem visão, nem talento, nem paciência. (julgo, contudo, que o FC Porto, mesmo a um ano do fim do contrato, não o deve deixar sair por menos que os 10 milhões da cláusula de rescisão. E pode ser que com um novo treinador, que perceba o que tem entre mãos, Atsu reveja a decisão de não renovar).»


O texto anterior foi retirado de uma crónica do Miguel Sousa Tavares, publicada em A Bola após o final do último campeonato e, mais do que discordar do seu conteúdo, o mínimo que me ocorre dizer é que está cheio de disparates (usar o Djalma e o Candeias para atacar o Vítor Pereira é algo do outro Mundo!). Contudo, vou focar-me no “caso mais chocante”, o caso do Atsu.

Conforme é do conhecimento dos adeptos portistas, que seguem com um mínimo de atenção a vida do clube e que não se limitam a títulos de jornais, ou a resumos televisivos de três minutos, entre Agosto e Dezembro de 2012 Atsu foi uma aposta regular de Vítor Pereira, período em que participou em 22 jogos (incluindo os seis jogos que, neste período, a equipa disputou para a Liga dos Campeões).

Chegados a finais de Dezembro, a comunicação social fazia eco de uma pré-ruptura entre o FC Porto e Atsu (ou o seu empresário).

«As negociações entre o FC Porto e Christian Atsu para a renovação do contrato do ganês terminaram sem acordo.»
in O JOGO, 29-12-2012

Após uma ausência de cerca de um mês e meio, devido à participação do Gana na Taça de África das Nações, Atsu regressou às opções de Vítor Pereira na 19ª jornada do campeonato. Daí até ao final do campeonato ainda iria ter uma lesão (entorse, no jogo do Funchal com o Marítimo) e participou em 10 jogos.

Ou seja, apesar da idade, de ser a sua primeira época na equipa principal do FC Porto (no ano anterior tinha estado emprestado ao Rio Ave), de uma ausência prolongada na CAN e de uma lesão de média gravidade, Atsu foi chamado por Vítor Pereira a participar em 32 jogos. E tudo isto num contexto de conflito latente crescente entre o jogador/empresário e o clube.

«A 14 de maio deste ano, o empresário Tony Appiah já tinha referido a Record que o Benfica estava atento à situação do extremo ganês, podendo tirar partido no futuro.»
in Record, 19-07-2013

Atsu é um caso chocante?
Chocante é haver adeptos portistas que, de posse de toda esta informação, ainda assim usam o caso do Atsu para atacar Vítor Pereira e, subliminarmente, responsabilizam o ex-treinador dos dragões pelo ganês não ter aceite renovar o contrato com o FC Porto.

«(…) pode ser que com um novo treinador, que perceba o que tem entre mãos, Atsu reveja a decisão de não renovar…»
Miguel Sousa Tavares, A Bola

“Quero pedir desculpa a toda a estrutura e a todos os adeptos. Percebi que não devia ter dito o que disse e que fui injusto com o clube que me permitiu ser o Atsu que sou hoje.”
Atsu, 18/07/2013

sexta-feira, 19 de abril de 2013

O “topo de gama” avariou

(Crónica de MST, A BOLA, 05-02-2013)


«Em Guimarães, o FC Porto, mesmo sem James e sem Atsu, fez o jogo perfeito, do primeiro ao último minuto. Não foi apenas o melhor jogo do FC Porto neste campeonato – foi, apesar do seu sentido único, o melhor jogo deste campeonato. Mais do que aquilo não é possível ver por aqui. Como equipa, como futebol encadeado e pensado, jogado com imaginação e velocidade, foi topo de gama, aqui e em qualquer lugar.»
Miguel Sousa Tavares, A BOLA, 05-02-2013


Entre a deslocação à Luz (em 13/01/2013) e a deslocação a Guimarães (02/02/2013), duas das deslocações tradicionalmente mais difíceis do campeonato, o FC Porto disputou cinco jogos, com um saldo de 4 vitórias, 1 empate, 16 golos marcados e 2 golos sofridos. Nada mau…

(fonte: zerozero)

Mas, mais que os resultados, as exibições, algumas de encher as medidas, convenceram até os adeptos portistas mais críticos e cépticos, quer em relação ao treinador Vítor Pereira, quer a alguns jogadores. O Miguel Sousa Tavares é um bom exemplo dessa franja de adeptos e por isso o escolhi (*).

Dois meses e meio depois de Guimarães, a nação portista parece ter entrado em depressão coletiva e, ouvindo/lendo o que comentadores e adeptos dizem, a ideia com que se fica é que tudo é mau – dirigentes, treinador, plantel, médico, preparador físico, roupeiro, porteiro, …

Ora, em vez de entrarmos num discurso catastrofista, penso que seria mais útil analisar o que fez “avariar o topo de gama” de há dois meses atrás e transformá-lo no actual “utilitário”. É que quer o treinador (o principal alvo), quer os jogadores, são os mesmos.

A caixa de comentários está aberta a explicações.

(*) O futebol é um desporto de emoções e, muito facilmente, os heróis de uma semana são transformados em bestas na semana seguinte e vice-versa. Isto para dizer que o desporto “Tiro ao Miguel” traz pouco de positivo. Por isso, não vale a pena centrar os comentários nas incoerências deste ou de outros adeptos (“ele diz isso hoje mas disse o contrário há um mês atrás”), mas sim nos motivos que fizeram com que a equipa do FC Porto baixasse tanto de rendimento em tão pouco tempo.

sexta-feira, 15 de março de 2013

Vítor Pereira, Jorge Jesus e MST

Numa altura em que Vítor Pereira volta a estar debaixo de fogo e em que, aparentemente, uma franja de adeptos portistas deseja vê-lo substituído por Jorge Jesus, vale a pena reler o que há dois meses atrás foi escrito por Miguel Sousa Tavares (um dos mais críticos), a seguir ao slb x FC Porto.


(Miguel Sousa Tavares, A Bola, 15-01-2013)

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Falar com os olhos e sonhar de olhos abertos

«A todos os benfiquistas e sportinguistas, uns atordoados pela dimensão caótica das coisas, outros entretidos na disputa eleitoral, recomendo vivamente a leitura do artigo de Paulo Futre, aqui [jornal A BOLA] publicado no domingo passado. (...) Se benfiquistas e sportinguistas alguma vez estiverem interessados em perceber as razões dos sucessivos êxitos do FC Porto, leiam o texto que Futre dedicou a Pinto da Costa e onde explica bem porque razão ele é um vencedor. Mas se porventura preferirem ficar na posição intelectual de um Rui Gomes da Silva, que apenas serve para espalhar a calúnia e a ofensa e destilar inveja e ódio, não vale a pena lerem. Fiquem com as suas verdades e a sua arrogância.»
Miguel Sousa Tavares
in A BOLA, 23-10-2012



Fonte: abola.pt

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

O João?... Pode ser o João... e o "Ferrari"

«Depois de ficarem por marcar 3 penalties em apenas 2 jogos no campeonato e recordando os 2 ou 3 que ficaram por marcar no jogo em Olhão na época passada, esta nomeação é um muito mau prenuncio... O Porto vai ter que jogar ainda mais do que contra o Guimarães!»
comentário de miguel87, às 14:22


Após as nomeações dos lisboetas Duarte Gomes e Hugo Miguel para os dois primeiros jogos deste campeonato (e que belas atuações eles tiveram!), Vítor Pereira, o chefe dos árbitros, enviou o setubalense João Ferreira para o Olhanense x FC Porto de amanhã. Ora, a propósito de mais esta nomeação cirúrgica no início do campeonato, vale a pena recordar as incidências de um SCP x FC Porto disputado em Março de 2005, recorrendo a extractos de uma crónica do Miguel Sousa Tavares.

«Ontem, ao minuto 35 do jogo de Alvalade, o Sr. João Ferreira decidiu abrir o caminho do título ao Benfica, juntando-se a uma vasta campanha nacional em curso que tem como objectivo levar o Benfica ao título, nem que seja por decreto-lei.

Quando digo que decidiu, quero dizer exactamente que a anedótica expulsão de McCarthy — a mais inacreditável expulsão que eu vi em quarenta anos a ver futebol — não foi um deslize de momento, uma precipitação do árbitro. Não: ele teve vários dias para meditar na importância do jogo que estava a dirigir. Ele sabia que jogavam dois candidatos ao título e que a derrota de um deles — o Sporting — significaria que esse estava fora da corrida, e a derrota do outro — o FC Porto — significaria que ambos ficavam, com toda a probabilidade, afastados do título. E sabia, como qualquer árbitro sabe, que, num derby, reduzir uma equipa a 10 jogadores, ainda para mais a visitante, e quando ainda falta mais de uma hora para jogar, equivale praticamente a sentenciar o vencedor. Por isso, uma decisão tão determinante no desfecho quanto essa, tem de assentar num facto absolutamente incontestável por todas as partes. Ora, por mais jogos que arbitre, nunca mais o sr. João Ferreira terá oportunidade e necessidade de expulsar um jogador por ele acertar com o braço na anca de um adversário, quando este está sentado em cima dele e deliberadamente o impede de se levantar. Sobretudo quando, minutos antes, o mesmo sr. João Ferreira fez que não viu uma entrada para aleijar do Beto sobre o Quaresma, que não tinha sido, aliás, a primeira.

E, como se dez contra onze não fosse já suficiente, o mesmo sr. João Ferreira, culminando uma arbitragem escandalosamente caseira em tudo, desde o critério disciplinar à avaliação das faltas, ainda tratou de expulsar também o Seitaridis, «esquecendo-se» que, não tendo ele cortado com a mão uma bola que fosse a caminho da baliza, a sanção correspondente era o cartão amarelo e não o vermelho.

Podia ser até, que o Sporting viesse a ganhar o jogo com toda a naturalidade e justiça. Mas ele não deixou que as coisas acontecessem com naturalidade e justiça.
De uma assentada, o sr. João Ferreira conseguiu atingir duplamente o FC Porto: tomando decisões que se revelaram determinantes na derrota e privando a equipa de contar com McCarthy para os jogos seguintes.»
Miguel Sousa Tavares
in A Bola, 22/03/2005


O historial das arbitragens em que João Ferreira prejudicou o FC Porto e/ou beneficiou o slb é algo indesmentível e que é perfeitamente conhecido por todos os agentes do futebol. Vou recordar alguns dos casos mais escandalosos.

Época 2002/03, um célebre Moreirense x Benfica, que levou no final Manuel Machado a dizer "coisas como as que aconteceram nesta partida, só se resolvem com pau de marmeleiro".

Épocas 2003/04 e 2004/05, quatro jogos (todos disputados pelo FC Porto fora de casa), com particular destaque para um Vitória Guimarães x FC Porto, em que houve uma "entrada assassina" de Flávio Meireles que deixou o Costinha inconsciente e que ficou totalmente impune.

Época 2008/09, uma arbitragem habilidosa qb num FC Porto x SCP.

Época 2009/10, as "orelhas sensíveis" no Funchal, que abriram caminho à vitória do slb num jogo que estava a ser difícil.

Época 2010/11, logo no 1º jogo oficial (slb x FC Porto, Supertaça), Cardozo (15'), César Peixoto (39'), Carlos Martins (n vezes) e David Luiz (57') só não foram expulsos porque o senhor João Ferreira não quis.

Época 2010/11, João Ferreira assinalou três penalties a favor do slb num só jogo.

Época 2011/12, no decisivo slb x SC Braga, penalty claríssimo cometido por Javi Garcia sobre Lima, que João Ferreira não assinalou.


P.S.1 Como se não bastasse o João "pode ser o João" Ferreira, um dos árbitros assistentes vai ser o senhor Pais António.
«O árbitro assistente que apoiou Lucílio Baptista na controversa decisão de assinalar grande penalidade contra o Sporting na final da Carlsberg Cup, disputada com o Benfica no Estádio Algarve, ganha a vida como 1.º Sargento de Infantaria do Exército e reside no concelho de Setúbal, onde, segundo O JOGO apurou, é conhecido pelo seu… benfiquismo, que não reprime nem mesmo no curso de árbitros. A afeição pela cor forte do emblema da Luz - o encarnado - levou inclusivamente a que Pais António recebesse a alcunha de “Ferrari”»
in O JOGO


P.S.2 Extractos de uma conversa entre Luís Filipe Vieira (LFV) e Valentim Loureiro (VL), em Março de 2004, que faz parte das célebres escutas, mas que não ficou para a História:
LFV - Ó major, eu não quero nem me tenho chateado com isto, porque eu estou a fazer isto por outro lado. (...)
VL - Talvez o Lucílio, pá!
LFV - Não, não quero Lucílio nenhum! (...)
VL - E o Proença?
LFV - O Proença também não quero! Ouça, é tudo para nos f...!
VL - E o João Ferreira?
LFV - O João... Pode vir o João. Agora o que eu queria... (...) Disseram que era o Paulo Paraty o árbitro... O Paulo Paraty!

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

A culpa é apenas e só do “desertor”

(clicar na imagem anterior para a ampliar)


«Enfim, não adianta dizer mais nada. Repito que a culpa não é sequer de Vítor Pereira: ele faz o que pode e o que sabe. O problema é que isso, obviamente, não chega, nem chegará nunca. A culpa também não é de Pinto da Costa, que também fez o que pôde nas circunstâncias que teve de enfrentar. A culpa é apenas e só do Dragão de Ouro André Villas Boas e da sua deserção»
Miguel Sousa Tavares
in A Bola, 22/11/2011


O futebol, vivido intensamente, provoca muitas irracionalidades e, quando se escreve mais com o coração do que com a cabeça, de vez em quando saem coisas como este parágrafo da Nortada de ontem do MST. Gosto, particularmente, do “apenas e só”…

Mas, pondo de lado o exagero irracional do MST, o texto anterior é uma espécie de corolário de diversas opiniões que se podem ler na bluegosfera, as quais são baseadas em dois pressupostos:
i) Pinto da Costa, Antero Henrique e a “Estrutura” foram todos apanhados de surpresa com a saída de André Villas-Boas;
ii) a SAD não teve tempo para procurar uma alternativa que não fosse o Nº 2 de AVB.


I. A tese da surpresa

As exibições e resultados alcançados pelo FC Porto ao longo da época, fizeram a Europa do futebol (e não só) olhar atentamente para o jovem treinador dos dragões, ex-adjunto do special one, com a comunicação social a fazer eco do interesse de vários clubes.
Um exemplo elucidativo é um artigo da autoria do jornalista Hugo Daniel Sousa, publicado no dia 22 de Maio de 2011, na Revista Pública (suplemento do jornal Público), do qual transcrevo o seguinte extracto:

«Ao tornar-se no mais jovem treinador a vencer uma competição europeia de futebol (33 anos e 213 dias), André Villas-Boas accionou os radares da curiosidade em toda a Europa. O Chelsea de Roman Abramovich já o tem debaixo de olho, faltando saber se o russo consegue convencer o treinador a deixar o clube do coração e se está disposto a pagar os 15 milhões de euros previstos na cláusula de rescisão de contrato. O interesse deve-se não só aos títulos conquistados (Supertaça, campeonato português e Liga Europa), mas também à ligação a José Mourinho e ao facto de estar a repetir o início de carreira vitorioso do seu antigo patrão — se conquistar a Taça de Portugal ao Vitória de Guimarães, até ultrapassará aquilo que Mourinho fez na primeira temporada ao serviço do FC Porto.
O Wall Street Journal já lhe chamou o “rapaz genial” e o Guardian fala de um “treinador em ascensão” que “transforma tudo o que toca em troféus”.»

Reparem que o jornalista do Público não fez o que na altura era habitual, isto é, falar no interesse em abstracto de outros clubes, ou apresentar uma lista de pretendentes para “a noiva”. Não, o texto refere unicamente o Chelsea, sendo dito que faltava apenas duas coisas: convencer o ex-colaborador de José Mourinho e saber se Abramovich estava disposto a pagar 15 milhões de euros.

Este artigo foi publicado um mês antes da SAD portista enviar o comunicado à CMVM, precisamente a confirmar a saída de André Villas-Boas para o… Chelsea!
É verdade, o AVB não saiu para o Liverpool, nem para o Inter, nem para o AC Milan. Foi mesmo para o clube de Roman Abramovich. Que coincidência…

Perante isto, ainda há quem acredite que a estrutura da SAD (a célebre estrutura do futebol portista!) foi apanhada desprevenida com a saída de André Villas-Boas?
E o mais engraçado é que alguns dos que defendem esta tese, são os mesmos que se fartam de elogiar o Antero Henrique e de dizer (com razão) que o Pinto da Costa sabe mais a dormir que os outros dirigentes todos acordados. Em que é que ficamos?

Mais. No dia 21 de Junho de 2011, durante a apresentação do sucessor de AVB, Pinto da Costa afirmou:

Queria publicamente desejar ao Vítor Pereira as maiores felicidades. É uma sucessão natural, inclusive já prevista há algum tempo. Aquilo que aconteceu faz parte da vida e do futebol. Nós admitíamos isso. Já tínhamos a garantia do professor Vítor Pereira que, se isso acontecesse, ele estaria disponível”.

Quando o nosso treinador [André Villas-Boas] foi passar um fim-de-semana a Londres, há um mês e tal, falei com o professor [Vítor Pereira] a questionar a sua disponibilidade. Ele disse-me que sim e fiquei descansado. Na sexta-feira [17 de Junho], alertei o professor que isso seria uma realidade”.

E para que não ficassem dúvidas, na mesma ocasião Vítor Pereira afirmou:

A decisão foi-me sendo colocada ao longo da época. Colocaram-me a hipótese de assumir a equipa se um dia acontecesse este tipo de situação. É uma opção pensada pela direcção e por mim. Há um mês a esta parte fui confrontado com a possibilidade de isto acontecer”.

No dia 13 de Julho de 2011, num evento realizado no Casino da Figueira, Pinto da Costa afirmou:

No dia em que se consumou a saída [de André Villas-Boas] dormi bem porque já tinha tudo previsto. A rescisão do Villas-Boas caiu às 16 horas no fax e às 17h já estava a apresentar o substituto. Eu já tinha o Vítor Pereira de prevenção. Antes do próprio Villas-Boas saber que ia sair, eu já desconfiava da sua saída”.

Surpresa? Mas qual surpresa? Só se o Pinto da Costa (que já era chefe do departamento de futebol do FC Porto antes do AVB nascer) estivesse a dormir e mesmo assim…
Para mim, surpreendente é ver portistas, com acesso a todos estes dados e que presumo de boa fé, a continuarem a defender e insistir na tese da surpresa.


II. A tese da inexistência de tempo para contratar outro treinador

17 Junho 2011 – Pinto da Costa informou Vítor Pereira que seria o novo treinador principal do FC Porto.

21 Junho 2011 – Formalização da saída de AVB e promoção de Vítor Pereira a treinador principal.

30 Junho 2011 – Arranque dos trabalhos da época 2011/12.

6 Julho 2011 – FC Porto x Tourizense (7-0), jogo treino disputado no Olival.

10 Julho 2011 - FC Porto x FC Gutersloh (10-1), primeiro jogo particular no estágio da pré-temporada, contra uma equipa de amadores. Rolando foi o único titular do ano transacto que jogou de início.

24 Julho 2011 – FC Porto x Peñarol, jogo de apresentação no Estádio do Dragão.

7 Agosto 2011 – FC Porto x Vitória Guimarães, Supertaça Cândido Oliveira.


Mesmo entre os adeptos portistas que partem da inverosímil tese da surpresa, basta fazer as contas para verificar que, desde o dia 17 de Junho, havia duas semanas até ao arranque da temporada e 51 dias (!) até ao primeiro jogo oficial. Como é óbvio, era tempo mais do que suficiente para pessoas com a experiência e conhecimentos de Pinto da Costa e de Antero Henrique, se quisessem, terem contratado um treinador que não fosse Vítor Pereira.

Aliás, basta recordar o que esta mesma administração da FC Porto SAD fez aquando da saída intempestiva (e essa sim de surpresa) de Co Adriaanse.

9 Agosto 2006 – A FC Porto SAD informou que "Jacobus Adriaanse apresentou a sua demissão de treinador da equipa principal do F.C. Porto" e nomeou Rui Barros treinador interino.

15 Agosto 2006 – O Boavista anunciou a rescisão do contrato com Jesualdo Ferreira, informando que a mesma irá implicar o "pagamento de uma forte indemnização" à SAD axadrezada.

19 Agosto 2006 – Supertaça Cândido Oliveira, 1º jogo oficial da época 2006/07. O treinador principal do FC Porto neste jogo foi Rui Barros, com Jesualdo Ferreira a assistir na bancada.


Perante estes factos, datas e declarações dos principais protagonistas, penso que não existe espaço para sustentar as duas teses anteriores mas, claro, vivemos num país onde a opinião é livre.

sábado, 20 de novembro de 2010

“Cruzadas” mediático-justiceiras anti-Porto (VIII)

«A “Operação Apito Dourado” da PJ e do Ministério Público vai saldar-se por mais um momento de ridículo e descrédito da justiça portuguesa. A menos que as buscas completas aos arquivos da Federação e da Liga de Clubes permitam obter elementos para chegar onde verdadeiramente interessa, esta "mega-operação", como gosta de dizer a PJ, que terá envolvido 150 agentes e um ano de investigações (!), está condenada a tornar-se mais um inútil e arrastado folhetim mediático-justiceiro para encher noticiários e enganar papalvos.

Não é que não haja, muito provavelmente, corrupção e tráfico de influências no futebol português: se existe em todos os sectores da vida pública portuguesa, por que não existiria no futebol? Aliás e como é bem sabido, todo o futebol português gira à roda de laços que indiciam tráfico de influências instalado, como modo de vida permanente: deputados, governantes e autarcas que são ou foram dirigentes desportivos, autarquias que subsidiam clubes para além do que é legal e decente, o Governo Regional da Madeira e as suas relações de íntimo conúbio com os clubes da região, construtores civis que financiam clubes e campanhas autárquicas de dirigentes desses clubes, simultaneamente autarcas. Quanto à tão falada corrupção ao mais alto nível das arbitragens, seguramente que agora, com todos os dados na mão, a PJ e o MP vão poder esclarecer-nos se ela existe ou é apenas ficção sabiamente alimentada por crónicos maus perdedores. Tudo isto, mais o futebol como território de lavagem de dinheiro sujo, como acusa Maria José Morgado, é aquilo que verdadeiramente interessa saber. Não é, com certeza, apurar a verdade desportiva da palpitante carreira do Gondomar Sport Clube no nacional da terceira divisão. Por importante e simbólico que isso possa ser, não é isso que o país, os telejornais e os jornais esperam.

Consciente disso, ao terceiro dia de "Apito Dourado", a imprensa atirou-se, sôfrega, a uma nova pista lateral: Pinto da Costa. Já anteontem, auscultando o que se passava em algumas redacções de Lisboa, eu percebi a pergunta/desejo que andava no ar e em todas as cabeças: “Será desta que chegam ao Pinto da Costa? É que, se não chegam, nada disto tem verdadeiramente interesse.”»
Miguel Sousa Tavares, Público, 23/04/2004


Em Abril de 2004, na antecâmara do FC Porto vencer a Liga dos Campeões, ainda não havia a testemunha-chave, mas não era preciso ser bruxo para adivinhar o que se pretendia, bem como, o modo como tudo isto ia acabar.

sábado, 25 de setembro de 2010

“Cruzadas” mediático-justiceiras anti-Porto (I)

«Esta semana telefonaram-me da SIC. Queriam que eu respondesse à pergunta do Referendo: “O Pinto da Costa é o responsável pela crise do futebol português?” (...) acabei por recusar responder, a não ser em estúdio e em directo, para não colaborar na paranóia persecutória da SIC contra o Porto. (...) Não fosse o retorno seguro de audiência que tem dizer mal do Porto, e a SIC poder-nos-ia contemplar com outros “referendos”. (…)
Como dizia o Jorge Schnitzer, da SIC, é preciso não esquecer que, por menos do que isto o Olympique de Marselha e o Milan desceram de divisão. Por menos do que o quê, nem vale a pena perguntar. O que interessa é reter da frase o objectivo final deste “jornalismo de investigação”: já que não se consegue vencer o Porto, vamos caluniá-lo, aquém e além fronteiras. Se não se pode evitar que ganhe os campeonatos, vamos despromovê-lo administrativamente à II Divisão. Eis o sonho do Schnitzer: já imaginaram que bom que era um campeonato sem o Porto? Que bom que era não terem de sofrer as vitórias do Porto na Liga dos Campeões? Isso é que era um verdadeiro pontapé na crise! É que, como dizia o Artur Jorge, quando o Porto vai à frente, há sempre crise no futebol português. (…)
Tiro o chapéu aos que congeminaram toda esta operação, logo no início de Agosto, mal o futebol regressou. À força de insistirem, segundo a velha técnica de repetir a calúnia e as insinuações até à exaustão, eles conseguiram impor duas verdades: o futebol português está em crise – uma; o Pinto da Costa é o culpado – duas.»
Miguel Sousa Tavares, PÚBLICO, 15/11/1996


14 anos depois, já não há Schnitzer (nem Rangel), mas no resto continua quase tudo na mesma.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

A natureza do "escorpião"

Perante o festival de (in)competência demonstrado com a arbitragem da Supertaça, nos últimos dias foram recordadas situações da época passada envolvendo João Ferreira, como foi o célebre caso do túnel da Luz ou as "orelhas sensíveis" no Funchal, que abriram caminho à vitória do slb num jogo que estava a ser difícil.

Mas há muitos mais jogos que poderiam engrossar a lista de João Ferreira. Por exemplo, o FC Porto x Sporting da época 2008/09, com uma arbitragem habilidosa qb e com alguns aspectos muito semelhantes aos do último sábado, ou um célebre Moreirense x Benfica, da época 2002/03, e que levou no final Manuel Machado a dizer "coisas como as que aconteceram nesta partida, só se resolvem com pau de marmeleiro".

Para que o texto não se torne demasiado extenso, vou apenas recordar as incidências de um Sporting x FC Porto disputado em Março de 2005, recorrendo a extractos de uma crónica do Miguel Sousa Tavares.

«Ontem, ao minuto 35 do jogo de Alvalade, o Sr. João Ferreira decidiu abrir o caminho do título ao Benfica, juntando-se a uma vasta campanha nacional em curso que tem como objectivo levar o Benfica ao título, nem que seja por decreto-lei.

Quando digo que decidiu, quero dizer exactamente que a anedótica expulsão de McCarthy — a mais inacreditável expulsão que eu vi em quarenta anos a ver futebol — não foi um deslize de momento, uma precipitação do árbitro. Não: ele teve vários dias para meditar na importância do jogo que estava a dirigir. Ele sabia que jogavam dois candidatos ao título e que a derrota de um deles — o Sporting — significaria que esse estava fora da corrida, e a derrota do outro — o FC Porto — significaria que ambos ficavam, com toda a probabilidade, afastados do título. E sabia, como qualquer árbitro sabe, que, num derby, reduzir uma equipa a 10 jogadores, ainda para mais a visitante, e quando ainda falta mais de uma hora para jogar, equivale praticamente a sentenciar o vencedor. Por isso, uma decisão tão determinante no desfecho quanto essa, tem de assentar num facto absolutamente incontestável por todas as partes. Ora, por mais jogos que arbitre, nunca mais o sr. João Ferreira terá oportunidade e necessidade de expulsar um jogador por ele acertar com o braço na anca de um adversário, quando este está sentado em cima dele e deliberadamente o impede de se levantar. Sobretudo quando, minutos antes, o mesmo sr. João Ferreira fez que não viu uma entrada para aleijar do Beto sobre o Quaresma, que não tinha sido, aliás, a primeira.

E, como se dez contra onze não fosse já suficiente, o mesmo sr. João Ferreira, culminando uma arbitragem escandalosamente caseira em tudo, desde o critério disciplinar à avaliação das faltas, ainda tratou de expulsar também o Seitaridis, «esquecendo-se» que, não tendo ele cortado com a mão uma bola que fosse a caminho da baliza, a sanção correspondente era o cartão amarelo e não o vermelho.

Podia ser até, que o Sporting viesse a ganhar o jogo com toda a naturalidade e justiça. Mas ele não deixou que as coisas acontecessem com naturalidade e justiça.
De uma assentada, o sr. João Ferreira conseguiu atingir duplamente o FC Porto: tomando decisões que se revelaram determinantes na derrota e privando a equipa de contar com McCarthy para os jogos seguintes.»
Miguel Sousa Tavares
in A Bola, 22/03/2005


Tal como na parábola em que o escorpião cravou o seu ferrão no sapo, morrendo ambos afogados, o major Ferreira é o que é e, quando tem um apito na boca, está na sua natureza beneficiar o slb e/ou prejudicar o FC Porto. Os jogadores sabem disso. Os dirigentes dos clubes sabem disso. E quem o nomeia para os jogos também sabe isso perfeitamente.
É por isso que a arbitragem miserável do último sábado não surpreende ninguém e, se o deixarem (tem a palavra o senhor Vítor Pereira), este árbitro da AF Setúbal irá continuar impunemente a fazer das suas.

terça-feira, 10 de março de 2009

Pinto da Costa, Carolina, Vieira, Pinto Monteiro e o Apito

«Aquilo que passará à história sob o nome de Apito Dourado foi uma operação sabiamente planeada e montada, visando um objectivo principal: quebrar os rins ao FC Porto, pôr um ponto final na sua hegemonia futebolística longamente exercida. Não o conseguindo no terreno de jogo, tentou-se então consegui-lo fora de campo, no terreno da justiça. O Apito Dourado, à revelia de tudo o que o senso comum e a simples boa-fé sabiam, pretendeu e pretende ainda demonstrar que, como dizia há dias o presidente do Benfica, esta longa sequência de sucessos desportivos do FC Porto se deve a «batota» e nada mais. Incluindo os dois títulos de campeão europeu e os dois títulos de campeão mundial de clubes.

Por isso mesmo, desde o início, o Apito Dourado teve apenas dois alvos declarados: o presidente do FC Porto e o presidente da Liga, Valentim Loureiro. O objectivo único era provar que, com o apoio do segundo, o primeiro construíra um sistema de corrupção e tráfico de influências, que era a única justificação para o domínio desportivo exercido — apenas isso, nem sequer a gritante incompetência da gestão desportiva dos rivais. À época, curiosamente, Valentim estava de costas voltadas com Pinto da Costa, tendo-se associado com o presidente do Benfica para dominar a Liga — que Luís Filipe Vieira afirmou ser mais importante do que ter uma boa equipe de futebol. Mas pouco importou: para atingir Pinto da Costa e demonstrar o seu poder «mafioso» era essencial demonstrar que ele dominava a Liga, mesmo que tal não fosse verdade. E uma das coisas eticamente mais eloquentes neste processo foi a forma como Filipe Viera deixou cair e abandonou o seu aliado Valentim Loureiro, assim que percebeu que ele era mais útil no papel ficcionado de cúmplice de Pinto da Costa.

A primeira consequência do Apito Dourado foi, assim, a execução de Valentim Loureiro: ele foi condenado por tráfico de influências em benefício do Gondomar, num processo que aos seus mentores deixou a amarga sensação de estarem apenas a perseguir a arraia miúda como forma de tentar chegar ao «peixe graúdo». E o Boavista viria a comer por tabela, sendo relegado pela Comissão Disciplinar da Liga para a segunda divisão — num caminho inelutável rumo ao desaparecimento, sem que ninguém consiga dizer ao certo porque foi um dos históricos do futebol português condenado à morte.

Quanto a Pinto da Costa e ao FC Porto — o verdadeiro e único alvo do Apito Dourado — a situação não se afigura brilhante para os seus mentores, mas ainda restam algumas esperanças. Recordemos: houve três processos, correspondentes a outros tantos jogos da época 2004/05, em que se ancoraram as acusações: o primeiro, relativo a um Nacional-Benfica, acabou com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Funchal, em que o juiz chegou a escrever que não se entendia como é que o nome de Pinto da Costa tinha sido metido ali a martelo; o segundo, relativo a um FC Porto-Estrela da Amadora, acabou igualmente com um despacho de não-pronúncia do Tribunal do Porto, confirmado por sentença unânime da Relação, e com uma participação por crime de falsas declarações contra a peça-chave de todo o Apito Dourado — a suposta «escritora» Carolina Salgado; resta o terceiro, relativo a um Beira-Mar-FC Porto, que já havia sido também arquivado, mas que a insistência da Dr.ª Morgado conseguiu levar a julgamento. E é esse que agora decorre no Tribunal de Gaia.

Este simples enunciado factual dos resultados judiciais produzidos até agora no âmbito do Apito Dourado (e após milhares ou milhões de euros investidos em «investigação» por parte do Ministério Público) seriam suficientes para que o Procurador-Geral da República tivesse alguma contenção a falar do assunto — pelo menos, até ver o que sucede no tribunal de Gaia e após o depoimento da sua tão acarinhada e protegida testemunha. Mas não: Pinto Monteiro entendeu antecipar-se e debitar a sua sentença, antes que a Justiça reduza a pó o seu voluntarismo justiceiro. Disse o Dr. Pinto Monteiro que, após o Apito Dourado, «mesmo que os arguidos venham a ser absolvidos, nada será como dantes, no futebol português». E isto, porque «a partir deste processo, os agentes do futebol português passaram a saber que podem ser investigados». Falso, Sr. Procurador: o que o Apito Dourado mostrou é que o presidente do FC Porto estará sempre sob suspeita e, eventualmente, sob investigação; quanto aos outros «agentes», não vimos nada… Na tese dos mentores do Apito Dourado, os árbitros vendem-se, sim, mas só ao FC Porto; o tráfico de influências existe, sim, mas só a favor do FC Porto; as batotas fazem-se, sim, mas apenas em benefício do FC Porto. O Sr. Procurador pode-nos indicar alguma diligência de investigação que, nem que fosse por mera rotina ou cautela, tenha incidido sobre os presidentes do Benfica, do Sporting, do Braga, do Guimarães? É sem dúvida uma coincidência infeliz que todos aqueles que intervieram a vários níveis no Apito Dourado para acusar o FC Porto sejam simpatizantes do Benfica. Uma coincidência infeliz mas que, por isso mesmo, deveria ter acautelado a forma como o fizeram.

Mas o Dr. Pinto Monteiro vai ainda mais longe quando, sem um estremecimento de pudor, afirma que «pode não se provar que sejam culpados, mas já se provou que houve indícios para terem de responder perante a justiça». Depois de ver que, em dois dos três casos em que o seu Ministério Público quis acusar, a justiça reduziu os seus «indícios» a meras intenções sem fundamento algum e a sua querida testemunha a alguém desprovido de qualquer credibilidade, sentindo que o único processo que conseguiu levar a julgamento nada mais tem a sustentá-lo do que a credibilidade dessa mesma testemunha, o Procurador-Geral dá-se por muito satisfeito por achar que conseguiu recolher «indícios» que não servem para condenar ninguém, mas apenas para o acusar sem fundamento. Ou seja: não conseguindo convencer a Justiça, resta a sentença popular. Se alguém ainda não tinha percebido o estado a que chegou o Ministério Público, leia o retrato da situação nestas extraordinárias declarações de quem manda nele. Entre o raciocínio «jurídico» do Procurador e o do presidente do Benfica, não vejo a mais pequena diferença de substância…E, caramba, se devia havê-la!

Isto posto, mantenho-me coerente com o que sempre disse desde o início desta história. Lamento muito que o presidente do meu clube esteja sentado no banco dos réus (e, com ele, o próprio clube) a responder pela acusação de corrupção desportiva. Não ignoro a forma como se chegou a tal e, obviamente, basta-me saber que tudo depende de querer acreditar no que diz Carolina Salgado, para concluir que só pode haver um desfecho, que é a absolvição. Claro que não acredito que fosse preciso comprar o árbitro de um jogo já sem importância alguma e em que, segundo os relatos da época, o FC Porto até acabou prejudicado pela arbitragem. E claro que, como toda a gente que percebe alguma coisa de futebol e não está de má-fé, sei muito bem que não foi graças a «batota» que o FC Porto ganhou o que ganhou cá dentro e foi duas vezes campeão da Europa e do mundo. Foi, entre outras coisas, porque Pinto da Costa é, de longe, o presidente que mais percebe de futebol e um dos raros que não chegou ao futebol por acaso e para se promover socialmente. Porque enquanto ele era presidente do FC Porto e tratava de reunir os melhores, Vale e Azevedo era presidente do Benfica e os benfiquistas adoravam-no mesmo percebendo que ele roubava e era um absoluto incompetente, mas atacava Pinto da Costa — e, hoje ainda, há quem ache que tal é suficiente para ser campeão. E, por isso, enquanto o Benfica desprezava jogadores como Jardel, Zahovic, Deco, Maniche, ou treinadores como Mourinho e Jesualdo Ferreira, Pinto da Costa aproveitava-os e era com eles que ganhava.

Não é por isso, pois, que Pinto da Costa está sentado no banco dos réus. Ele está sentado no banco dos réus devido à sua fatal tendência para as más companhias. O que eu, como portista, não consigo aceitar é que o presidente do meu clube receba um árbitro em casa para tomar café. Que o receba acompanhado do «empresário» António Araújo e com a Dª Carolina Salgado a fazer de dona-da-casa, Primeira Dama e tudo o resto cujas consequências estão à vista. É inacreditável que, mesmo acossado pela justiça, Pinto da Costa não tenha ninguém minimamente prestigiado para apresentar como testemunha abonatória no tribunal, para além do tristíssimo juiz Conselheiro Mortágua. É lamentável que o homem que conseguiu transformar um clube de província num campeão do mundo e num motivo de orgulho para Portugal, ainda não tenha conseguido, ao fim de tantos anos, despir a capa do provincianismo e transformar-se num homem do mundo. E que tenha preferido, como qualquer cacique de província, viver rodeado de gente pequenina, que lhe satisfaz o culto pessoal e desprestigia o clube.»

Miguel Sousa Tavares
in A BOLA, 10/03/2009


A qualidade e acutilância das crónicas que Miguel Sousa Tavares assina semanalmente no jornal 'A Bola' justifica uma leitura atenta das mesmas. Embora eu não seja leitor e muito menos comprador do jornal "semi-oficial" do SLB, não perco as suas crónicas até porque há vários sites, blogues e fóruns que as reproduzem.
No 'Reflexão Portista' é a primeira vez que o fazemos, não porque esta crónica seja excepcionalmente melhor que as outras, mas porque põe o dedo em várias "feridas", inclusive no último parágrafo, ao tocar numa "ferida" que continua a dividir os portistas.

Nota: O título, a selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

Fotos: cartoonices.wordpress.com