Passou-se exactamente o contrario. Ruben Neves foi uma
excelente surpresa – para todos – mas uma andorinha não fez a Primavera e
depois dele…o vazio. Gonçalo teve alguns minutos, quase sempre irrelevantes. Á
defesa (Lichnovsky, Rafa e Victor Garcia) e ao meio-campo (Francisco Ramos,
Podstwaski, Mikel, entretanto recuperado, ou Ivo Rodrigues) o tratamento foi de ignorância absoluta e André Silva passou por um largo purgatorio que mais teve a ver com
questões de contratos do que com temas desportivos. Lopetegui não deu na primeira
época o passo esperado e isso foi uma desilusão mas também se pensou, talvez
com propriedade, que no seu primeiro ano a treinar um clube a sério, o
treinador preferira apostar em jogadores mais curtidos. Deixamos as expectativas
para o segundo ano mas uma vez mais, já com meia época decorrida, o cenário é
similar. Até agora salvo por André Silva, ninguém da equipa B tinha sido
chamado a jogar com os A. Nem sequer a brilhante carreira dos B na II Liga,
lideres indiscutiveis e de longe a melhor das formações em prova, parece ser
suficiente.
Chega então a Taça da Liga, a oportunidade ideal para
começar a introduzir os melhores da B junto com os jogadores da A. Lopetegui
realmente premiou dois desses jogadores mas fê-lo num contexto
completamente despropositado. Alex Ferguson, que de lançar putos entende alguma
coisa, seguramente mais do que Lopetegui, sempre disse que era importante,
quando se sobe um jogador dos juniores aos A, garantir que este se integre numa
equipa estável e com rotinas. Ele já tem trabalho suficiente para ocupar-se do
seu lugar como para ter de se preocupar que os colegas ao lado ou á frente
nunca tenham jogado juntos. Ferguson defendia - e colocou isso em prática á medida que lançava os Giggs, Beckhams, Scholes, Nevilles e afins - que os jovens deviam ser lançados
um por um junto com o onze mais forte em jogos que a equipa pudesse impor o seu
estilo para habituá-lo ao cenário que ia encontrar. Nem lançá-los contra rivais
claramente inferiores (que poderia sobrevalorizar essa experiência e dar sensações erradas sobre o seu real valor), nem excessivamente
complicados (com a pressão inerente a esse tipo de duelos). E sobretudo nunca num onze sem rotinas
onde será impossível avaliar até que ponto trabalhou bem no contexto ideal.
Que fez então Lopetegui?
Que fez então Lopetegui?
No primeiro jogo a titular de Victor Garcia e de André Silva
este ano, o treinador mudou dez jogadores do onze habitual. Mudou absolutamente
tudo. Victor Garcia jogou ao lado de uma dupla de centrais que não é a habitual (ainda que tenha experiência) e com um meio-campo com quem associar-se nas subidas que nunca tinha jogado ao
mesmo tempo (o que se notou claramente nos apoios). André Silva não sabia com quem conectar-se porque quem jogava
atrás dele e pelos flancos estava a conhecer-se ao mesmo tempo que o onze do
Maritimo, na máxima força, trazia a lição bem estudada. O resultado é conhecido
de todos mas o mais grave é que não se pode sacar nenhuma conclusão da sua
introdução ao futebol sénior do clube. Na evidente ausência de rotinas colectivas, como avaliar a
prestação de dois jogadores que foram enfiados num onze inédito e pouco ou nada
preparado? Como se pode entender isso como integração na primeira equipa quando
o ambiente dentro do relvado era totalmente alheio aos jogadores que já
pertencem ao plantel principal, quanto mais a dois miudos que queriam dar o
tudo por tudo para impressionar?
Está claro que a gestão de uma selecção - com os seus timings, a necessidade de contar sempre com jogadores diferentes por questões de suspensões e lesões - e a de clubes é muito
diferente e que Lopetegui, do segundo, entende muito pouco. A necessidade de
um onze estável com três ou quatro variáveis é algo que o treinador do FC Porto
ainda não assimilou totalmente desde que chegou ao Dragão. O problema está
quando as suas próprias dúvidas lhe obrigam a tomar decisões técnicas que
prejudicam o futuro de jogadores que podem dar muito ao clube.
Não teria Victor realizado um jogo melhor (ele quem nem foi dos piores) se tivesse ao lado a serenidade de contar com a defesa e o interior direito que são titulares?
André não saberia melhor entender os movimentos dos extremos e interiores habitualmente rotinados nas transições?
E quando chegue a altura de Rafa, de Ramos e companhia, vai-se repetir a experiência?
Porque se for para replicar o universo Porto B com algumas reservas, de nada vale acumular jogos na primeira equipa a esses jogadores. Serão experiências vazias de sentido. Lançar jovens na primeira equipa devia ser uma missão de qualquer treinador do FC Porto especialmente quando há evidentes sinais de que a qualidade e o carácter estão lá para serem aproveitados. Se para Lopetegui isso significa misturar meia duzia de suplentes habituais, um par de titulares e um par de miudos, então temos um problema porque o que estes vão aprender da experiencia será praticamente nulo. E ficamos todos a perder.
Não teria Victor realizado um jogo melhor (ele quem nem foi dos piores) se tivesse ao lado a serenidade de contar com a defesa e o interior direito que são titulares?
André não saberia melhor entender os movimentos dos extremos e interiores habitualmente rotinados nas transições?
E quando chegue a altura de Rafa, de Ramos e companhia, vai-se repetir a experiência?
Porque se for para replicar o universo Porto B com algumas reservas, de nada vale acumular jogos na primeira equipa a esses jogadores. Serão experiências vazias de sentido. Lançar jovens na primeira equipa devia ser uma missão de qualquer treinador do FC Porto especialmente quando há evidentes sinais de que a qualidade e o carácter estão lá para serem aproveitados. Se para Lopetegui isso significa misturar meia duzia de suplentes habituais, um par de titulares e um par de miudos, então temos um problema porque o que estes vão aprender da experiencia será praticamente nulo. E ficamos todos a perder.




