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sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

Uma forma desastrada de queimar promessas

Lopetegui sabe perfeitamente como funciona o futebol de formação. Sabe, provavelmente, mais do que a maioria. Não só treinou o Castilla - a equipa B do Real Madrid - como teve excelentes resultados nos Europeus sub21 com Espanha (pior no caso dos Mundiais sub20). Quando foi anunciado como treinador do FC Porto uma das grandes expectativas que gerou foi a forma como podia dar impulso à estancada formação do clube que parecia gerar bons jogadores à etapa junior que, por um motivo ou outro, falhavam em dar o salto para a elite.

Passou-se exactamente o contrario. Ruben Neves foi uma excelente surpresa – para todos – mas uma andorinha não fez a Primavera e depois dele…o vazio. Gonçalo teve alguns minutos, quase sempre irrelevantes. Á defesa (Lichnovsky, Rafa e Victor Garcia) e ao meio-campo (Francisco Ramos, Podstwaski, Mikel, entretanto recuperado, ou Ivo Rodrigues) o tratamento foi de ignorância absoluta e André Silva passou por um largo purgatorio que mais teve a ver com questões de contratos do que com temas desportivos. Lopetegui não deu na primeira época o passo esperado e isso foi uma desilusão mas também se pensou, talvez com propriedade, que no seu primeiro ano a treinar um clube a sério, o treinador preferira apostar em jogadores mais curtidos. Deixamos as expectativas para o segundo ano mas uma vez mais, já com meia época decorrida, o cenário é similar. Até agora salvo por André Silva, ninguém da equipa B tinha sido chamado a jogar com os A. Nem sequer a brilhante carreira dos B na II Liga, lideres indiscutiveis e de longe a melhor das formações em prova, parece ser suficiente.

Chega então a Taça da Liga, a oportunidade ideal para começar a introduzir os melhores da B junto com os jogadores da A. Lopetegui realmente premiou dois desses jogadores mas fê-lo num contexto completamente despropositado. Alex Ferguson, que de lançar putos entende alguma coisa, seguramente mais do que Lopetegui, sempre disse que era importante, quando se sobe um jogador dos juniores aos A, garantir que este se integre numa equipa estável e com rotinas. Ele já tem trabalho suficiente para ocupar-se do seu lugar como para ter de se preocupar que os colegas ao lado ou á frente nunca tenham jogado juntos. Ferguson defendia - e colocou isso em prática á medida que lançava os Giggs, Beckhams, Scholes, Nevilles e afins - que os jovens deviam ser lançados um por um junto com o onze mais forte em jogos que a equipa pudesse impor o seu estilo para habituá-lo ao cenário que ia encontrar. Nem lançá-los contra rivais claramente inferiores (que poderia sobrevalorizar essa experiência e dar sensações erradas sobre o seu real valor), nem excessivamente complicados (com a pressão inerente a esse tipo de duelos). E sobretudo nunca num onze sem rotinas onde será impossível avaliar até que ponto trabalhou bem no contexto ideal.
Que fez então Lopetegui?

No primeiro jogo a titular de Victor Garcia e de André Silva este ano, o treinador mudou dez jogadores do onze habitual. Mudou absolutamente tudo. Victor Garcia jogou ao lado de uma dupla de centrais que não é a habitual (ainda que tenha experiência) e com um meio-campo com quem associar-se nas subidas que nunca tinha jogado ao mesmo tempo (o que se notou claramente nos apoios). André Silva não sabia com quem conectar-se porque quem jogava atrás dele e pelos flancos estava a conhecer-se ao mesmo tempo que o onze do Maritimo, na máxima força, trazia a lição bem estudada. O resultado é conhecido de todos mas o mais grave é que não se pode sacar nenhuma conclusão da sua introdução ao futebol sénior do clube. Na evidente ausência de rotinas colectivas, como avaliar a prestação de dois jogadores que foram enfiados num onze inédito e pouco ou nada preparado? Como se pode entender isso como integração na primeira equipa quando o ambiente dentro do relvado era totalmente alheio aos jogadores que já pertencem ao plantel principal, quanto mais a dois miudos que queriam dar o tudo por tudo para impressionar?

Está claro que a gestão de uma selecção - com os seus timings, a necessidade de contar sempre com jogadores diferentes por questões de suspensões e lesões - e a de clubes é muito diferente e que Lopetegui, do segundo, entende muito pouco. A necessidade de um onze estável com três ou quatro variáveis é algo que o treinador do FC Porto ainda não assimilou totalmente desde que chegou ao Dragão. O problema está quando as suas próprias dúvidas lhe obrigam a tomar decisões técnicas que prejudicam o futuro de jogadores que podem dar muito ao clube.
Não teria Victor realizado um jogo melhor (ele quem nem foi dos piores) se tivesse ao lado a serenidade de contar com a defesa e o interior direito que são titulares?
André não saberia melhor entender os movimentos dos extremos e interiores habitualmente rotinados nas transições?
E quando chegue a altura de Rafa, de Ramos e companhia, vai-se repetir a experiência?

Porque se for para replicar o universo Porto B com algumas reservas, de nada vale acumular jogos na primeira equipa a esses jogadores. Serão experiências vazias de sentido. Lançar jovens na primeira equipa devia ser uma missão de qualquer treinador do FC Porto especialmente quando há evidentes sinais de que a qualidade e o carácter estão lá para serem aproveitados. Se para Lopetegui isso significa misturar meia duzia de suplentes habituais, um par de titulares e um par de miudos, então temos um problema porque o que estes vão aprender da experiencia será praticamente nulo. E ficamos todos a perder.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Mais um lateral?

O FC Porto tem dois defesas laterais que, em conjunto, custaram à FCP SAD cerca de 28 milhões de euros.

Relatório e Contas Consolidado do 1º Trimestre 2011/2012

Apesar de Danilo e Alex Sandro serem dois titulares indiscutíveis, não só pelo seu valor futebolístico, mas também por aquilo que representam em termos do enorme investimento feito pela SAD (que terá de ser rentabilizado), é necessário existirem alternativas para eventuais lesões, castigos ou abaixamentos significativos de forma destes dois internacionais brasileiros.

Quais são, então, as alternativas à disposição de Paulo Fonseca?

Defesa/Lateral direito

Víctor García – internacional Sub-20 da Venezuela, chegou a meio da época passada, tendo feito alguns jogos pelos juniores do FC Porto; esta época agarrou a titularidade da equipa B e já foi chamado por Paulo Fonseca para um jogo da Taça de Portugal.

Ricardo – extremo direito; desde a pré-temporada foi testado várias vezes por Paulo Fonseca também na posição de lateral direito.

Maicon – defesa central; na época 2011/2012 foi adaptado e utilizado durante vários meses, com relativo sucesso, como defesa direito.

Defesa/Lateral esquerdo

Mangala – defesa central; na época 2012/2013 foi adaptado e utilizado várias vezes por Vítor Pereira como defesa esquerdo; nesta época Paulo Fonseca já fez o mesmo.

Quiñones – titular da equipa B; internacional Sub-20 da Colômbia, foi cinco vezes convocado por Vítor Pereira para jogos do campeonato 2012/13 e uma vez utilizado durante os 90 minutos (no FC Porto x Rio Ave, disputado em 23 Fevereiro 2013).


O JOGO, 01-01-2014

Havendo este conjunto de alternativas para as laterais, todas elas já testadas, quer nesta época, quer em épocas anteriores, para quê gastar mais dinheiro na contratação de um novo defesa lateral, ainda por cima para ser suplente de Danilo ou Alex Sandro?

sábado, 28 de dezembro de 2013

A tacinha da Liga

Miguel Lopes (fonte: O JOGO, 27-12-2013)

«a Taça da Liga é desde a sua criação (época 2007/08) um “nado morto”, sendo uma competição híbrida, sem lógica e sem interesse competitivo, ao ponto de vários jogos, incluindo de “clubes grandes”, não terem transmissão televisiva (foi o caso do Nacional x FC Porto da época passada). Como se isto não bastasse, a prova tem regulamentos pouco claros, que já foram alterados N vezes e, ainda por cima, ficou marcada por escândalos de arbitragem (os sportinguistas, e não só, chamam-lhe Taça Lucílio Baptista). Por tudo isto, não surpreendeu que na época passada a Liga não tenha conseguido arranjar um patrocinador oficial para a prova e os direitos das transmissões televisivas, após a Olivedesportos ter rompido o contrato que existia com a Liga, tenham sido vendidos ao desbarato a outro operador. Ao fim de apenas seis edições a coisa é de tal modo feia que, numa entrevista ao jornal Record, o próprio presidente da Liga, Mário Figueiredo, referiu que não fazia sentido manter a competição
Supertaça firme, Taça da Liga a definhar (in Reflexão Portista, 14-08-2013)


"[a Taça da Liga] É uma competição como antigamente existia o campeonato de reservas. É uma prova com pouco interesse. É claro que as duas equipas querem ganhar, mas se neste momento estivesse no FC Porto ou no Sporting jogava com os menos habituais. É uma competição para rodar e utilizar os jogadores que atuam menos minutos e uma oportunidade de poderem ganhar ritmo para ter uma oportunidade."
Paulo Futre (in SAPO Desporto, 27-12-2013)


Apesar de tudo, para os rapazes de Alvalade este clássico será muito importante, não só porque terão pela frente os tricampeões nacionais, mas porque os dirigentes definiram que um dos objectivos do Sporting para esta época é ganhar a Taça da Liga. Além disso, Bruno Carvalho parece querer fazer deste jogo a desforra da derrota (1-3) averbada pelos leões para o campeonato, em Outubro passado, no Estádio do Dragão.

E para o FC Porto, qual a importância deste jogo?
Bem, parece que o frenesim sportinguista não impressiona os responsáveis portistas e os sinais são os do costume.

O JOGO, 27-12-2013
Assim, no dia 20 de Dezembro, logo após o final do FC Porto x Olhanense, os jogadores portistas iniciaram um período de férias de 7 dias, que terminou com um treino agendado para o dia 27 de Dezembro, às 16:00 (a apenas dois dias do Sporting x FC Porto).
Terminou para alguns, porque os colombianos Quintero e Jackson tiveram autorização para se apresentarem ao serviço no dia 28 (hoje), véspera do “importante” jogo...

Entretanto, Izmailov continua ausente (supostamente devido a motivos pessoais) e o jornal O JOGO especulou com a forte possibilidade de Paulo Fonseca convocar alguns jogadores da equipa B.

E por falar em Paulo Fonseca, a habitual conferência de imprensa do treinador, de antevisão ao jogo, nem sequer se realizou, o que diz bem da relevância que os responsáveis do FC Porto atribuem a esta competição.

Neste enquadramento, que onze deverá apresentar Paulo Fonseca em Alvalade?

Na minha opinião, este jogo deve ser aproveitado para três coisas:
1) Utilizar jogadores do plantel com menos minutos nas pernas, aproveitando para experimentar opções diferentes das habituais;
2) Testar soluções sectoriais que poderão ser úteis em jogos fora de casa, principalmente contra adversários mais fortes;
3) Dar oportunidade a alguns jogadores da equipa B, principalmente em posições onde haja menos alternativas na equipa principal.

Dentro desta lógica, o meu onze (em 4-3-3), para tentar ganhar em Alvalade, seria o seguinte:
Fabiano
Victor García, Diego Reyes, Mangala, Alex Sandro
Fernando, Defour, Carlos Eduardo
Ricardo, Ghilas, Varela

Alternativas no banco de suplentes: Kadú, Maicon, Quinones, Herrera, Josué, Kelvin e Licá

De fora dos meus convocados, ficariam: Helton, Danilo, Otamendi, Lucho, Quintero e Jackson, entre outros.

A opção por Victor García e por Diego Reyes tem a ver com o facto de já terem feito vários jogos juntos na equipa B, por ser necessário rotinar uma alternativa para Danilo (poderá ser Victor García) e para efectuar um teste a sério ao jovem defesa-central mexicano (ainda mais importante se se confirmar a saída de Otamendi).

A opção por Ricardo, que só faz sentido se ele não for emprestado em Janeiro, tem a ver com o facto de ser português (há exigências, a este nível, no regulamento da prova), com as características do jogador (é um extremo com alguma cultura táctica, que também defende) e com o entrosamento que já existe na dupla Victor García (lateral direito) - Ricardo (extremo direito).

A opção pela dupla Alex Sandro - Varela tem a ver com a consolidação daquela que eu imagino irá ser a ala esquerda do FC Porto na 2ª parte da época (prevejo que a ala direita será formada por Danilo - Quaresma) e, também, para manter algumas rotinas e maturidade na equipa.

A opção por um meio-campo formado por Fernando - Defour/Herrera - Carlos Eduardo - visa testar uma solução sectorial que, penso, poderá ser muito útil em jogos contra adversários fortes, que exijam um meio-campo mais intenso, agressivo e de elevada rotação.

Finalmente, a opção por Ghilas é óbvia (se não for titular neste jogo nunca mais será num jogo a sério) e, para além dos minutos que precisa de jogar, penso que será um jogo em que existirão espaços para o avançado argelino explorar a sua mobilidade e capacidade física.

domingo, 1 de setembro de 2013

O futuro lateral-direito do FC Porto


«O FC Porto assegurou o empréstimo de Victor Garcia, lateral-direito que representou a Venezuela no Campeonato Sul-Americano de Sub-20 que ainda decorre na Argentina. O jogador tem 18 anos mas já alinha pelos seniores do Real Esppor, tendo feito a estreia ainda com 16 anos, destacando-se por uma versatilidade que lhe permite preencher qualquer posição do corredor direito.
Numa primeira fase, Victor Garcia vai integrar os Sub-19 portistas, às ordens de Nuno Capucho, podendo mais tarde evoluir para a equipa B.»
O ponto alto da sua carreira foi o encontro que disputou pela seleção principal da Venezuela, contra as Honduras, em agosto de 2011.»
in record.pt, 23 Janeiro de 2013 | 06:28


O Desportivo Aves x FC Porto B de ontem, que os dragões venceram por 1-0, foi a 3ª vez que vi jogar este lateral-direito venezuelano e voltei a ficar agradavelmente impressionado com a sua exibição. Foi dele a jogada e cruzamento que esteve na origem do único golo do desafio e, na minha opinião, foi ele o melhor em campo.

Sem ser muito alto (mede 1,75m), é um jogador forte, possante, rápido, bom a apoiar o ataque e que já revela um bom posicionamento a defender.

Posso estar enganado, mas este Victor Garcia tem tudo para vir a ser um grande lateral-direito e, possivelmente, o sucessor de Danilo na equipa principal.