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sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Está explicado!


Em 26 de Novembro de 2015 escrevi um artigo questionando a consecutiva titularidade de Cristian Tello, independentemente da qualidade das suas prestações em campo. Era uma situação, no mínimo, estranha:

Mas eis que, há alguns dias, surgiu a resposta a esta questão numa notícia na imprensa desportiva: “Por cada vez que Cristian Tello não entra em campo, a fatura a pagar pelo FC Porto ao Barcelona pela cedência do jogador aumenta”.

Espera aí! Como é que é? Um determinado clube empresta-nos um jogador, ao qual nós pagamos o salário (ou parte dele), e se ele não jogar na nossa equipa nós ainda temos de indemnizar o clube ao qual ele pertence?! Que negócio espectacular! Às tantas a responsabilidade por estes termos do Contrato de Empréstimo do Tello ainda é imputável ao Lopetegui…
   

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Filosofia Guardiola para Tótós


Há muitos aprendizes da Filosofia Guardiola (ou da filosofia de jogo do FC Barcelona, para ser mais correcto) por essa Europa do futebol. Os problemas surgem porque as cópias são de má qualidade. Em minha opinião, actualmente os piores intérpretes deste modelo são Julen Lopetegui, treinador do FC Porto e Louis Van Gaal, treinador do Manchester United. Neste último caso não admira que esteja prestes a levar guia de marcha dada a escassa paciência dos ingleses para um futebol pastoso e improdutivo.

O video abaixo contém uma apresentação recente de Thierry Henry, ex-avançado do Arsenal e do Barcelona, sobre a filosofia de jogo de Pep Guardiola. Em traços gerais o modelo resume-se aos 3 P's: Play (joga), Possession (posse de bola), Position (posicionamento). É pedido aos jogadores que joguem e troquem a bola entre si, mantendo a posse, respeitando a sua posição original (nunca cedendo à tentação de ir procurar bola) e confiando que os companheiros de equipa conseguem pôr a bola na posição desejada ("trust your teammate"). Depois, a partir do último terço do terreno de jogo, quando se acercam com perigo da baliza contrária, é dada liberdade ("freedom") aos jogadores para aparecerem na zona de finalização. O resultado final é por demais conhecido: uma equipa inteligente e letal.



Os aprendizes de Guardiola não entendem que este modelo (ou um modelo com princípios de jogo semelhantes) exige que um plantel possua jogadores exímios no jogo interior. O FC Porto de Villas-Boas e Vítor Pereira teve jogadores como um João Moutinho, um Guarín ou um Belluschi que se davam bem jogando "por dentro". O mérito também foi desses treinadores, que conseguiram moldar e adaptar as características dos atletas.

No actual plantel do FC Porto, André André e Danilo têm capacidade para o jogo interior mas aquele que aparentemente seria a melhor opção  Imbula  custou 20 milhões e nem sequer faz parte das convocatórias. E o dado mais importante: Lopetegui implementa um modelo de jogo de forma cega sem se preocupar com a habilidade dos jogadores para o interpretarem e o porem em prática.
   

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Suspensão FIFA, um novo jogo a que temos de estar atentos


Muitos não deram crédito quando saíram as primeiras noticias de que o Barcelona ia ser castigado com um ano e meio sem poder contratar jogadores por parte da FIFA. Era o Barça, afinal de tudo, essa equipa que, segundo Mourinho, tinha trato preferencial graças ás suas ligações com a Unicef e o Qatar nos corredores do poder. O todo poderoso Barcelona - que nesse Verão tinha contratado a vários futebolistas, incluindo o genial Luis Suarez, via-se agora vetado a ano e meio sem actividade no mercado por culpa da contratação ilegal de vários adolescentes dos quatro cantos do Mundo para a sua cantera. Ninguém podia acreditar, todos pensavam que era uma jogada mediática, dessas em que o clube é castigado e logo perdoado, mas ai temos os blaugrana vetados oficialmente até ao dia 1 de Janeiro de 2016. Parecia caso único mas não era.

A imprensa radiofónica espanhola começou ontem a notificar nos programas desportivos nocturnos que a mesma sanção iria ser aplicada tanto ao Real como ao Atlético de Madrid. Uma vez mais a forma como os clubes assinavam com menores, falseavam documentação, procuravam o acordo dos pais (a FIFA exige que a família viva com o jogador no seu novo local de treino, por exemplo) quando na realidade tudo não passava de uma ficção para "inglês ver" é o motivo oficial por detrás desta sanção. Os mais dados ás teorias da conspiração falam no interesse do Real Madrid em prejudicar o Barcelona e a pressão do Barcelona, à posteriori, para devolver a moeda. Há também quem diga que atrás desta medida estão os poderosos qataris, interessados em congelar o absorvente mercado espanhol, para evitar o fluxo de estrelas para "La Liga" e com isso manter campeonatos como o francês com algumas das estrelas. Tudo rumores, tudo suspeitas, tudo teorias. É certo que a FIFA e a UEFA vivem uma guerra surda pelo poder, mas isso sempre passou. Ferir de morte a dois grandes clubes da UEFA é ferir Platini e o seu projecto ambicioso de derrocar Blatter mas, ironicamente, o mais prejudicado neste jogo é o melhor aliado de Blatter na UEFA, o espanhol Angel Maria Villar (que alguns vêm como seu sucessor putativo num eventual duelo com "Platoche". Guerras de tronos que em principio diriam pouco a um clube como o FC Porto mas que podem dizer muito.

Em primeiro lugar, se a suspensão for confirmada, é certo que Oliver Torres não vai voltar ao clube na próxima época. 
Sem poder assinar com novos jogadores o plantel do Atlético de Madrid vai necessitar forçosamente de ter todos os seus activos de valor consigo e Oliver é um deles. Sofreria, jogaria menos do que merecia mas nenhum gestor com cabeça o deixaria sair se não houvesse alternativa. O problema não estaria apenas em Oliver. Caso o FCP insistisse em continuar a procurar novos empréstimos no futebol espanhol, uma sanção deste estilo levaria o clube a encontrar-se com um problema de disponibilidade já que nem Barcelona nem Real Madrid - e muito menos o Atlético - teriam jogadores livres para dispensar. O Real já mostrou intenção de recuperar Casemiro e pensava seriamente na opção de emprestar ao FC Porto Lucas Silva ou Odegaard para o próximo ano para repetir a operação de rentabilização (nem Keylor Navas nem Illarramendi estão neste pack) mas com esta sanção é altamente improvável que o faça. O mesmo sucede com o Barcelona, clube a quem o FC Porto cobiça o empréstimo de dois futebolistas, Gerard Deulofeu e Sergi Robert, em moldes parecidos ao negócio Tello. São casos que estão oficialmente em standby até porque o Barcelona continua oficialmente a recorrer da sua sanção para desbloquear a situação.

Outro ponto importante é o caso Danilo.
Danilo está oficialmente vendido ao Real Madrid. Mas se a suspensão do Real Madrid se oficializar antes do dia 1 de Julho - como é provável - e não houver recurso que lhes valha, Danilo não pode ser inscrito. A suspensão não proíbe os clubes de contratar o deter passes de novos jogadores o que impede é a sua utilização através da inscrição na liga. Portanto o Real teria pago mais de 35 milhões de euros por um jogador que não poderia, a todos os efeitos, utilizar durante um ano completo. 
Esse cenário é complexo. 
Como não conhecemos os detalhes do negócio não sabemos se o Real guardou alguma clausula em que podia cancelar o negócio caso este cenário se desse. Afinal todos sabiam já desde 2014 que o Real estava no ponto de mira da FIFA por queixas formais do Barcelona e isso apressou também a contratação de Asensi, extremo do Mallorca muito prometedor, e de Odegaard, inscritos oficialmente em Dezembro e portanto já parte do clube tal como Lucas Silva que chegou á pressa e tem sido escassamente utilizado o que diz muito do interesse real do Ancelotti em tê-lo já ás suas ordens. Também Javier Hernandez foi emprestado e esse empréstimo pode ser prolongado um ano mais já que, ao estar inscrito, está ao abrigo da suspensão. Mas Danilo não.
Danilo foi contratado - paga a primeira tranche - mas oficialmente é ainda um jogador inscrito pelo FC Porto e se o Real não o conseguir inscrever, é um activo seu mas na prateleira. 
Uma vez mais reforçamos, não sabemos se há alguma clausula no negócio de Danilo que permita ao Real cancelar tudo ou se, pelo contrário, se abriu uma hipótese de Danilo ficar um ano emprestado, até caducar a suspensão, e depois ser oficialmente inscrito pelo Real Madrid. O curioso é que o próprio Danilo descartou o Barcelona - onde joga um dos seus melhores amigos, Neymar - porque não queria esperar até Janeiro de 2016 (e porque o Barcelona exigia ao FCP não inscrever o jogador na Champions League para poder utiliza-lo na segunda fase). Seria irónico que, depois disso, lhe passe o mesmo.  

No final tudo pode ficar em águas de bacalhau.


Dia 29 de Maio há uma eleição para a presidência da FIFA. Sepp Blatter vai ganhar, todos o dão já por assumido por muito que Luís Figo sonhe com um cargo numa candidatura suportada pelos Fundos de Investimento e os poderes mediáticos atrás da máquina Mendes que querem um futebol com menos regulação e mais dinheiro para todos. Uma vitória de Blatter é, habitualmente, seguida de uma amnistia geral e esse perdão pode desbloquear a situação. De certo modo é um teste á fidelidade de Villar e dos grandes clubes europeus, uma prova da FIFA de que são eles quem manda de verdade e não a UEFA e que quando seja preciso apertar, eles não vão hesitar um só segundo. Pode ser. Ou pode também isto significar novas regras no jogo, um cuidado extremo numa realidade que nos afecta. Não só porque, cada vez mais, clubes como o FCP têm de procurar na sua formação (e na contratação de talentos para a formação) o seu sustento como a punição de clubes com grande poder de inversão pode bloquear o mercado e com esse movimento colocar em risco muitos orçamentos de contas para clubes que, como nós, vivem no limite. Até ao Verão ainda falta muito tempo para dar algo por garantido mas o FCP deve tomar nota de tudo o que se passe porque cada detalhe é fundamental para perceber para que mundo o futebol caminha. 

quinta-feira, 19 de março de 2015

Os potenciais rivais para o sorteio da Champions



Amanhã vai realizar-se o sorteio dos Quartos-de-Final da Champions League. 
Pela primeira vez desde 2008/09 o FC Porto marca presença, reflexo de uma brilhante campanha europeia. Na última ocasião que chegamos tão longe na competição, fomos eliminados pelo vigente campeão (e finalista vencido desse ano), o Manchester United. Na anterior, fomos campeões europeus. O certo é que tendo o clube superado as expectativas possíveis, a partir de agora tudo é positivo para o clube. O encaixe financeiro, a exposição mediática, a possibilidade de medir-se com algumas das melhores equipas do planeta. Salvo uma goleada (difícil), não há nada que possa passar que suponha um problema, pelo que o importante será desfrutar da eliminatória, crescer com ela como equipa e clube e, sobretudo, sonhar. É grátis.

Entre os sete possíveis rivais – recordamos que o sorteio é puro e por isso pode haver duelos nacionais – do FC Porto aqui segue uma lista ordenada de forma descendente desde aquele que os portistas parecem considerar o rival mais favorável – apalpando um pouco o ambiente – e aqueles que não queremos ver nem pintados de ouro. Pessoalmente, já o disse aqui depois do jogo com o Basel, a minha escolha seria o Real Madrid. Uma equipa em fase descendente física e animicamente, com um pedigree que justificaria qualquer derrota e imortalizaria qualquer vitória e ainda o facto de ser o campeão em titulo (e todos sabemos que nenhum campeão renovou o titulo na era Champions League).

AS MONACO

Toda a gente quer o Monaco. Pudera. Os franceses são quartos na liga – e é muito provável que para o ano estejam na Europa League – e têm passado os últimos meses a viver de uma boa organização defensiva. Foram piores que o Arsenal colectivamente, mas cometeram menos erros e aproveitaram melhor o hara-kiri ofensivo dos gunners em Londres para marcar em contra-golpes rápidos e incisivos. É a sua arma. Vão defender os 180 minutos e atacar pontualmente. Já sofremos isso em Basileia. É uma equipa que nos vai dar a bola e deixar jogar o nosso jogo até ao último terço, que vai ser dura nas marcações e jogar no nosso erro. Não têm, como nós, nada a perder. O precedente é positivo. Todos temos Gelsenkirchen tatuado na alma.

A Favor: A equipa mais fraca do sorteio
Contra: A velocidade a explorar os espaços na defesa (cuidado Fabiano, Maicon e Alex)

PARIS SAINT-GERMAIN

Quando o PSG jogou contra o FC Porto – há duas temporadas atrás – já era um dos novos-ricos do futebol europeu com jogadores de nivel mundial. Essa mesma equipa melhorou com o tempo. Está mais compacta em defesa, organizada na criação e demonstrou em Londres ter a garra que parecia faltar – e que na Ligue 1 às vezes ainda falta – para triunfar na Europa. Sem Ibrahimovic para a primeira-mão, o PSG conta com um grupo de jogadores talentosos o suficiente para não sentir a falta do sueco. São uma equipa que aposta forte na Europa, é a sua máxima prioridade e desde os anos 90 que não chegam a uma meia-final. Vão disputar a bola a qualquer equipa e só o eventual desgaste de estarem numa luta a três pelo titulo pode supor um problema num conjunto que tem opções válidas em todos os sectores.

A Favor: Já os conhecemos e é uma equipa que joga o jogo pelo jogo, deixando espaços que podemos aproveitar graças à nossa notável capacidade de recuperação de bola.
Contra: Vão apostar tudo este ano na Champions e chegam hiper-motivados. Têm jogadores de sobra para fazer a diferença.

JUVENTUS

A Juve já ganhou praticamente o Scudetto e vai concentrar os próximos dois meses a sonhar com um regresso à ribalta europeia. Não disputam uma final desde 2003 a última vez que chegaram também ás meias. É mais de uma década. Muito tempo. Graças ao génio imortal de Pirlo e ao trabalho incansável de Pogba, possuem um dos melhores meio-campos do mundo. Tevez e Morata parecem ter encaixado e o jogo colectivo da equipa, agora sobre o comando de Allegri, é uns furos superiores ao do ano passado. Ainda assim não é um “papão”, nem de longe nem de perto. Sofrem contra equipas bem organizadas e que sabem medir os tempos de jogo e podem ser encurralados no seu campo com relativa facilidade com uma boa circulação de bola. Apostam forte na Champions mas ao mesmo tempo são claros outsiders.

A Favor: Equipa acessível como colectivo, Pogba estará lesionado provavelmente por alturas da primeira mão e anulando Pirlo a equipa sofre imenso.
Contra: Não tem de se preocupar com o campeonato e sabem que são outsiders.

REAL MADRID

São o campeão em título. São o Real Madrid. Parece ser suficiente cada uma das frases por si mesma e juntas mais ainda. Mas este Real nem é o do ano passado – tacticamente muito mais desorganizado, fisicamente muito mais condicionado – nem a equipa tem estado á altura do pedigree desde que começou 2015. Cristiano Ronaldo está uma sombra de si mesmo, a dupla Kroos-Isco está sem fôlego e tanto Bale como Benzema continuam a ser questionados. Tacticamente não necessitam da bola mas exploram os espaços como nenhuma outra equipa, quando estão em forma. No entanto, até nisso têm estado decepcionantes. Foram fracos contra o Schalke, têm um guarda-redes que é um ponto fraco assumido e jogam com toda a pressão nos ombros. Se perderem este domingo em Barcelona, renovar o titulo europeu pode ser o único troféu a que aspiram. E como sabemos, nunca ninguém conseguiu isso.

A Favor: Estão na pior fase física-anima desde que Ancelotti chegou ao banco e o cenário não parece ter-se alterado. Jogam com toda a pressão de favoritos.
Contra: Está em baixo de forma mas, quando está bem, Cristiano Ronaldo é o maior killer do futebol mundial. E tê-lo frente a Maicon naquelas diagonais dá pesadelos.

ATLETICO DE MADRID

Este Atletico é claramente uma equipa mais débil que a do ano passado. Diego Costa, Filipe Luis e Courtois fazem muita falta, nenhum dos seus suplentes parece ter estado ao mesmo nivel. No entanto a chegada de Torres, a consagração definitiva de Koke e a ascensão de Gimenez têm sido boas noticias. Griezzman é um jogador fenomenal e eléctrico e Tiago e Arda continuam a dominar a bola e os tempos de jogo como poucos. São, sobretudo, um rival temível a 180 minutos. Jogam com as falhas do rival como nenhum outro, exploram muito bem as poucas ocasiões que criam e são uma rocha defensiva. Contra o Leverkusen concederam meia dúzia de oportunidades em 210 minutos de futebol. Sofrem mais no capitulo ofensivo mas têm também a consciência de que em casa são intransponíveis. Com a revalidação do titulo quase impossível (o esperado) apostam tudo na Champions. É o único titulo que falta a Simeone.

A Favor: Uma equipa que nos deixará a bola, que conhecemos bem e que tem sofrido para marcar.
Contra: Peritos em bola parada, difíceis de vencer fora e ainda mais em casa, jogam sempre no erro do adversário e aproveitam-no como poucos.

BARCELONA

Não é o Pep Team mas tem o melhor trio de ataque do mundo. Não tem Guardiola mas recuperou o Messi mais estelar. Neste Barcelona não há tanto aquela magia quase inocente dos dias de Pep, mas a forma como Luis Enrique entendeu que o meio-campo se tornou prescindível, quando há três demónios no ataque, tornou o Barcelona uma equipa ainda mais perigosa. Apanhou as virtudes do melhor Real Madrid (jogar em velocidade, transições, bola da defesa directamente ao ataque) mas sem abdicar, quando quer, da cultura de posse e de domínio de jogo no meio-campo, onde ainda conta com Xavi, Iniesta, Mascherano, Busquets e Rakitic. Tem o melhor Messi dos últimos três anos e isso, só por si, pode valer meio titulo.

A Favor: Que o Dragão possa voltar a ver um génio chamado Messi
Contra: Os defesas laterais sofrem muito – Dani Alves sobretudo ainda que Alba esteja a uns furos do que foi – e o meio-campo já não é tão protagonista. Se conseguimos pressionar a saída de bola e recuperá-la, são frágeis na recuperação posicional.

BAYERN MUNCHEN

Favoritos absolutos a tudo. São a melhor equipa da Europa. Possuem o melhor jogo colectivo, algumas das melhores individualidades posicionais, de longe o melhor treinador e a melhor estrutura. Atípica foi a sua eliminação em 2014, o normal seria que este Bayern fosse campeão europeu perene enquanto os astros continuem a manter viva a conexão do clube com Guardiola. O técnico tem tudo para conquistar o seu terceiro titulo europeu (outro que pode ultrapassar pela direita o Special One depois de Ancelloti) e salvo um surto de lesões (que tem sido habitual) é muito difícil defrontar o Bayern e sair vivo para contar a história. A melhor opção até agora que algumas equipas conseguiram foi defender bem uma das mãos para acabar trucidada na segunda.

A Favor: Que o Dragão veja pela primeira vez o baile de Guardiola desde o banco. Ou que se reencarne o espírito de 1987.
Contra: Tudo. São o máximo favorito e quase não possuem pontos fracos. Exigem a posse – o que faz sofrer equipas habituadas a ela como a nossa – e quando perdem a bola são ainda melhores que nós na recuperação, muitas vezes com Neuer a jogar na linha do meio-campo. 


sábado, 19 de julho de 2014

Uma “pérola” de La Masia no Porto

No dia 23 Fevereiro de 2012, o jornal catalão El Mundo Deportivo noticiou o interesse do Benfica em Cristian Tello, adiantando que Valência, Málaga e Liverpool eram outros emblemas que tinham o futebolista debaixo de olho.

Perante esta notícia, Nuno Farinha, jornalista (Subdiretor do Record) e um assumido adepto “doente” do FC Barcelona, escreveu o seguinte no seu blogue dedicado ao Barça: “Cristian Tello? E não querem mais nada?” (vejam os comentários)

Cerca de um ano depois, em 18 de Abril de 2013, num post intitulado “Cláusula de alto risco”, o mesmo Nuno Farinha escreveu o seguinte:

«Tello continua a sua assombrosa evolução que está a surpreender, até, o próprio Barcelona. Só assim se compreende que a cláusula de rescisão do extremo seja de apenas 10 milhões euros - perfeitamente acessível a qualquer clube grande. É preciso rever com urgência o contrato de Tello e atualizar, igualmente, esta perigosíssima cláusula: 10 milhões é a cláusula de vários "garotos" das equipas B em Portugal. Tello reclama um lugar na melhor equipa do Mundo. Atenção, pois.»

E quando se começou a falar, de forma mais insistente, na hipótese de Tello vir para o FC Porto, num novo post, intitulado Tello é a "bomba" do FC Porto, o sócio 129800 do FC Barcelona, escreveu o seguinte:

«O negócio não está ainda garantido, mas há mesmo fortes possibilidade de Tello ser cedido ao FC Porto por empréstimo. A titularidade no Barça é um objetivo impossível: as três vagas do ataque para a nova época estão reservadas para Messi, Neymar e, em princípio, Luis Suárez. Ainda "sobram" Alexis Sánchez, Pedro e Deulofeu. Mesmo que Alexis venha a sair (ou mesmo Pedro), é fácil perceber que a vida não está fácil para Tello. Não é por isso que deixa de ser um jogador de top. É mesmo: velocidade de ponta impressionante, praticamente impossível de parar no 1x1 (quando embala para a linha de fundo) e com muito golo (sobretudo para um extremo). Se Lopetegui o convencer a mudar-se para o Porto... é de tirar o chapéu!»


E Tello veio mesmo, num empréstimo de dois anos.

«O FC Porto assegurou a cedência, por empréstimo, do extremo espanhol Cristian Tello, do FC Barcelona, para as próximas duas épocas desportivas, com opção de compra, findo esse período.»

«FC Barcelona and FC Porto have reached an agreement for the loan of striker Cristian Tello for the next two seasons, with the latter having an option to buy. The loan will operate on a payment basis, and FC Barcelona withhold the right to cancel the option to buy as well as the loan agreement itself at the end of the first season.»


No seu site, o FC Barcelona referiu que pode anular a opção de compra, bem como, o acordo de empréstimo no final da primeira temporada mas, segundo o jornal O JOGO, nesse caso o FC Porto será compensado (financeiramente).

De facto, o FC Porto “corre o risco” da 1ª época de Tello no Porto ser tão boa que, no final da temporada 2014/2015, o colosso catalão irá/poderá anular a opção de compra e compensar financeiramente a FCP SAD.

Ou seja, investindo muito pouco, o FC Porto irá usufruir de um produto de La Masia durante dois anos, isso é (quase) certo.

Qual é o risco desta operação?

O “risco” é o Tello fazer duas excelentes épocas de dragão ao peito, ajudar o FC Porto a alcançar sucessos desportivos e de, ao fim desses dois anos, o FC Barcelona o querer de volta.

Como adepto e sócio do FC Porto é um cenário que, a concretizar-se, não me parece nada mal, bem pelo contrário.

domingo, 15 de dezembro de 2013

JJ e PF, descubra as diferenças...

No dia 5 de Dezembro de 2012, disputou-se o FC Barcelona x SL Benfica, 6º e último jogo da fase de grupos (Grupo G) da Liga dos Campeões 2012/2013.
Dois meses antes, no 2º jogo da fase de grupos, o Barça tinha ganho na Luz por 2-0.
Chegados ao derradeiro jogo da fase de grupos, o Barça já estava apurado, com o 1º lugar do grupo assegurado e, por isso, alinhou com um onze que incluía apenas um dos habituais titulares. Lionel Messi e Gerard Piqué ficaram, de início, no banco de suplentes.

tivemos duas oportunidades na cara do Pinto, uma no poste e outra do Rodrigo. (...) O Benfica fez o que nenhuma equipa fez no Camp Nou. (...) Os adeptos do Benfica devem estar orgulhosos por verem a sua equipa jogar como jogou no maior estádio do mundo, contra a melhor equipa do mundo. (...) Só faltou a vitória para ser tudo perfeito
Jorge Jesus, 05-12-2012

Lembram-se do que nós, portistas, dissemos acerca destas declarações de Jorge Jesus?
E porquê? Porque, obviamente, não é a mesma coisa ir ao Camp Nou jogar contra o Barça na sua máxima força, ou jogar contra uma espécie de Barcelona B ou C (houve mesmo quem, a gozar, dissesse que o slb jogou contra o Barcelona Z...)


No dia 11 de Dezembro de 2013, disputou-se o Atletico Madrid x FC Porto, 6º e último jogo da fase de grupos (Grupo G) da Liga dos Campeões 2013/2014.
Dois meses antes, no 2º jogo da fase de grupos, o Atletico Madrid tinha ganho no Dragão por 2-1.
Chegados ao derradeiro jogo da fase de grupos, o Atletico Madrid já estava apurado, com o 1º lugar do grupo assegurado e, por isso, alinhou com um onze que incluía várias segundas escolhas. Diego Costa jogou apenas os primeiros 45 minutos, enquanto que Arda Turan e David Villa ficaram, de início, no banco de suplentes.

Não é fácil chegar a Madrid e criar oportunidades como as que criámos mas que, infelizmente, não conseguimos concretizar. O FC Porto, se conseguir concretizar as oportunidades que cria, é uma equipa quase perfeita – e, quando falo em perfeição, falo no processo da construção ofensiva
Paulo Fonseca, 13-12-2013


Jorge Jesus e Paulo Fonseca, depois de jogarem em Espanha contra o "Barcelona B" e "Atletico Madrid B" respectivamente, descubra as diferenças no discurso de ambos, após o fracasso e eliminação da Liga dos Campeões.

P.S. Este artigo era para ter sido publicado logo a seguir às declarações de Paulo Fonseca mas, por “azar”, só pôde ser publicado hoje.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

FC Porto, o novo Real Madrid?

Em 2009 todos descobrimos a lua. Não viajamos até lá. Ela veio até nós sob a forma do Barcelona treinado por Guardiola. Era uma equipa que enchia qualquer medida futebolística possível. Uma equipa agressiva mas elegante. Uma equipa com uma qualidade individual impressionante mas que funcionava como colectivo. Uma equipa onde os baixinhos (Xavi, Iniesta, Messi) jogavam com os raçudos (Etoo, Pedro, Touré, Puyol), com os inteligentes (Pique, Busquets, Henry) sem que qualquer um de nós fosse capaz de os excluir das outras características principais. Provavelmente tivemos a sorte de ver uma das grandes equipas da história do futebol moderno. Mais, tivemos a sorte de que o nosso FC Porto fosse comparado, lá fora, com essa máquina de futebol.

Historicamente o FCP sempre se associou ao FC Barcelona.
Clubes de segundas cidades, burguesas, mercantis, marítimas, rebeldes contra o poder do centralismo e, também é preciso dizê-lo, clubes que viveram as suas maiores secas desportivas de forma similar (durante os anos 60 e quase todos os 70) e que renasceram nos anos 80 para tornarem-se na maior força desportiva do seu país. O FCP com um presidente, o FC Barcelona com um ideólogo chamado Johan Cruyff. Ambos ganhamos provas europeias desde então (mais que o respectivo rival), ambos ganhamos ligas (mais que o respectivo rival) e ambos ganhamos a admiração do Mundo. Nós por sermos o eterno underdog sobrevivente na elite europeia, capaz de encontrar pérolas no meio do Amazonas e transformá-los em diamantes, e eles por serem os herdeiros dessa escola danubiana mítica. Para qualquer portista era um motivo de orgulho a comparação. A associação de futebol de posse, de qualidade técnica e táctica, de gestão desportiva com o Barça seguia os mesmos padrões que a comparação Real Madrid-Benfica dos anos 50 e 60, ambas equipas alimentadas pela máquina estatal, habituadas a ser o símbolo da propaganda de regime ditatoriais e com duas grandes gerações que coincidiram no tempo e espaço.

Nos anos AVB e VP a comparação permaneceu.
O Barcelona de 2013 já não é o mesmo de 2009. A própria evolução de Guardiola introduziu matizes importantes. Messi passou a ser o falso-nove, a equipa passou a jogar mais em função do génio argentino e a procura de alternativas estancou com o modelo original. Com o passar dos anos a agressividade e o pressing na hora da recuperação que tinham sido marca de identidade do primeiro Pep Team tornou o Barcelona uma equipa mais previsível, salva recorrentemente pelo génio superlativo de alguns dos melhores futebolistas da história. O FCP, que com AVB teve um ano similar ao do primeiro Pep Team, seguiu um trajecto similar. No nosso caso o problema foi a falta de opções condicionada pelo mercado e pelo desejo de jogadores importantes em sair. Sem Belluschi e Guarin o ritmo do meio-campo seria sempre diferente. Sem Hulk e Falcao a eficácia ofensiva baixaria sempre com o tempo. Com Varela a cair de forma, James a nunca explodir verdadeiramente e com Fucile, Rolando e Alvaro Pereira em quarentena (primeiro) e fora de contas (depois) o processo obrigou a uma reconstrução durante dois anos que interrompeu a ascensão da qualidade de jogo. Mas a matriz permaneceu, mesmo nesses momentos, a mesma.
O 4-3-3 era inegociável, a segurança defensiva o primeiro passo para o sucesso (como foi com Pep) e o controlo de jogo a obrigatoriedade máxima para quem subia em campo. É certo que o ritmo de jogo era vitima das opções e tinha baixado muitas rotações. As transições eram mais lentas, a agressividade esfumou-se e a qualidade individual também. Mas quem tinha visto jogar os homens de AVB reconhecia o mesmo padrão com VP da mesma forma que entre as diferenças que existem entre Guardiola, Vilanova e Martino não impedem que o Barcelona continua a ser o Barcelona.



Agora podem dizer o mesmo?
Não!

Desde Agosto que a matriz dos últimos três anos foi abandonada por completo.
É o direito legitimo de qualquer treinador escolhido pela direcção de impor o seu estilo e modelo de jogo. Se o faz, imagino que seja de acordo com quem o contrata que é quem responde aos sócios e accionistas. Eles são conscientes do que custou criar essa matriz, do que significa manter um modelo ao largo dos anos a nível de estabilidade futebolista e de gestão de balneário. Se aprovam a mudança - não só do desenho táctico mas dos princípios básicos do jogo - saberão porque o fazem. Mas agora na Europa ninguém se lembraria de associar este FC Porto ao Barcelona. Como muito poderiam fazer uma comparação que é, para muitos portistas, odiosa: com o Real Madrid.
A equipa da capital espanhola é reconhecida mundialmente por não ter modelo de jogo. Vive para onde o vento sopra. A cada presidente e treinador que chega tudo muda. O importante são os jogadores, quanto mais mediáticos e caros, melhor. Bale custa 100 milhões, logo vale mais que Ozil que só custou 15, pensam muitos adeptos e dirigentes do clube espanhol. Com o esquema de jogo é o mesmo. Não há um modelo desde o fim da Quinta del Buitre, nos anos 80. A táctica muda, os princípios mudam, os jogadores mudam, os treinadores mudam. As vitórias só aparecem porque o valor individual e o dinheiro metido no plantel assim o ditam. De futebol, muito pouco.
Actualmente em Portugal passamos pelo mesmo cenário. O FC Porto ganha muitos jogos porque é o FC Porto. Não porque jogue bem, não porque tenha um padrão de jogo, não porque saiba o que faz. Ganha-o simplesmente porque Jackson é o melhor avançado da liga, porque Lucho coxo é melhor que a maioria dos médios do campeonato. Porque Mangala-Otamendi ainda é uma dupla que supera qualquer outra. Porque os frangos ocasionais de Helton não empalidecem comparados com os de Artur, Eduardo e Patricio. Porque ganhar no Dragão é impossível e defender com dez homens dentro da área nos jogos fora nem sempre resulta. Ganhamos por inércia da mesma forma que o Real Madrid ganha muitos dos seus jogos. Não pela qualidade do projecto que PF tenha a apresentar. E isso é, sobretudo, o mais preocupante.

Eu quero que o FC Porto tenha um modelo que seja válido hoje, com PF, e amanhã com o treinador X.
Para isso é preciso duas coisas.
Ter a direcção decidida a apostar fielmente nesse modelo de jogo (em vez de se preocupar tanto com modelos de negócio, que não é o mesmo) e contratar sempre treinadores e jogadores para cumprir esse preceito colectivo como tem feito o Barcelona (noutra escala, obviamente) ou então apostar como há muito defendo num nome sério para o banco. Num nome consagrado, com uma cultura futebolística suficientemente alta para manejar distintas situações e saber o que está a fazer, sem parecer um puto de olhar perdido. Falou-se muito em Pellegrini, um treinador que cumpre esse preceito, mas entendo que entre o Dragão e o City of Manchester, o dinheiro tenha falado mais alto. Mas o chileno não é o único dentro desse grupo de treinadores que sabem muito de futebol e colocam sempre as suas equipas a jogar muito bem e de forma coerente. A SAD prefere-os inexperientes, jovens e ambiciosos e está no seu direito. Acertou duas vezes. Mas se o faz, pelo menos que tenha o cuidado de escolher nomes que se enquadrem numa ideia colectiva que faça parte do nosso próprio ADN. De alguém que saiba onde vai entrar, que rotinas há que saber manter, que processos há que assimilar e que estruturas são fundamentais para manter o equilíbrio.



Em quatro meses a estabilidade defensiva de três anos desapareceu.
A organização na construção de jogo também. A equipa é mais vertical mas menos coerente. Os jogadores estão perdidos porque os que já cá estavam tinham rotinas bem treinadas que agora não podem por em prática e os novos ainda não entenderam o que se lhes pede.
Provavelmente todos eles gostariam de jogar como no ano de AVB, e os adeptos também não se importariam de rever esses jogos no presente. Mas para chegar aí não basta apenas ter opções individuais (e este plantel tem mais opções que o dos últimos dois anos). É fundamental ter alguém que siga um modelo, que seja fiel ao nosso ADN.

Em Madrid, Carlo Ancelotti - um treinador de títulos, onde é que já ouvi isso - não sabe a que joga. Nem ele nem ninguém. E a sua equipa é penosa. Em Barcelona, chegado do outro lado do Atlântico e sem experiência europeia, Tata Martino herdou uma ideia que apenas tem de gerir e controlar. Ás vezes é mais dificil não mexer do que inventar. PF tem, como Ancelotti, procurado inventar. Sem sucesso. Tem sido salvo pelos jogadores e pela inércia mas isso não durará para sempre quando for a doer. Talvez devesse ter sido mais humilde, como Martino, e procurar ver o bom naquilo que o precede antes de procurar melhorar a máquina já montada e oleada. Tem tempo para isso? Tem. Mas precisa de saber dar um passo atrás. Devolver aos jogadores a confiança nos processos de jogo perdidos (e isto vai muito mais longe do que só recuar Fernando e voltar ao 4-3-3) e a partir de aí procurar introduzir novas variantes que nos façam mais imprevisíveis e, portanto, mais fortes. Caso contrário até podemos ser Tetracampeões, vencer a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Muitos adeptos irão para as ruas celebrar. Mas teríamos ganho por motivos que, mais tarde ou mais cedo, vão-se revelar mais um problema do que uma solução!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

SMS do dia

"Expulsados del Camp Nou tres seguidores del Benfica por encender bengalas"
in Mundo Deportivo

Parece que em países desenvolvidos - no estádio que acabou com uma das claques mais violentas do futebol espanhol - não há tolerância para criminosos. Ainda bem!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A utopia ibérica

«A Liga espanhola está centrada no Barcelona e no Real Madrid, por isso seria inteligente encontrar uma fórmula para a criação de uma Liga de estados ibéricos», afirmou Laporta, em declarações prestadas à Antena 1.
Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona

El Barcelona podría jugar la Liga que le gustara más. Pero yo creo que en este punto no habría duda de que jugaríamos la liga de la Península Ibérica, o la LFP, y jugaríamos contra los rivales habituales”.
Josep Bartomeu, vice-presidente Barcelona

Os eleitores catalães foram às urnas no passado domingo como nunca na sua história.
Viveu-se o maior registo de participação desde a queda do regime franquista e a maioria clara dos votos foram entregues a partidos que defendem a realização de um referundum que proponha a separação da Catalunha do resto de Espanha.

Apesar da derrota do partido que estava no governo - e que liderou a campanha independentista - o conservador CIU, os partidos de esquerda que apoiam a separação do estado catalão triplicaram a sua votação e garantem essa maioria necessária. Sem saber o que esperar nos próximos meses, os adeptos do Barcelona continuam a debater sobre onde deveria jogar o clube blaugrana em caso da improvável independência se tornar numa realidade.

Actualmente manejam-se três cenários (um quarto, que o Barça jogue na Ligue 1 é meramente retórico), para essa situação que incluiria igualmente o Espanyol e em menor medida o Nastic de Tarragona e o Girona, os outros dois clubes catalães que disputam a liga profissional mas no segundo escalão.



1) Que tudo fique na mesma e os clubes catalães joguem na liga espanhola, como sucede com o AS Monaco em França ou com o Swansea e Cardiff City em Inglaterra.

2) Que se crie uma liga própria, exclusiva para clubes catalães, emulando uma competição que já existe, a Copa Catalunya, dada a rejeição de muitos espanhóis em receber os dissidentes.

3) A criação de uma Liga Ibérica.

Enquanto o segundo ponto é o mais improvável, algo que a directiva do clube já se manifestou abertamente contra, consciente da insignificante realidade do futebol catalão para formar uma liga própria que seria muito inferior, por exemplo, à da Escócia, a grande polémica está entre os pontos 1 e 3. Ambos têm defensores e detractores com influência institucional e espelham bem o mosaico complexo que vive a sociedade espanhola.

Os mais radicais independentistas querem cortar todos os laços institucionais com Espanha e por isso, na impossibilidade lógica de ter uma liga própria, apenas aceitariam jogar com os clubes do país a que pertencem actualmente se essa prova incluísse também outros povos ibéricos, ou seja, nós.

Essa é a filosofia de Laporta e do laportismo, uma facção fortíssima entre os adeptos blaugranas e uma ideia que foi muito aplaudida nos sectores mais radicais durante a campanha eleitoral. Laporta prepara-se para voltar a disputar a presidência do clube e foi deputado independentista desde que abandonou o clube, e foi o primeiro, em 2009, a defender a ideia de uma Liga que reunisse os clubes catalães, vascos, galegos, espanhóis e portugueses, numa prova a 18 clubes. Convidaria o FC Porto, SL Benfica, Sporting de Braga e Sporting CP para juntar-se a Barcelona e Espanyol e 12 clubes mais espanhóis, entre bascos, galegos, andaluzes, valencianos ou castelhanos.



Essa liga tem sido um projecto utópico discutido - como o iberismo em si - desde há vários anos por vários intelectuais e pensadores do jogo na Península Ibérica. Muitos defendem a ideia como tábua de salvação financeira para os clubes portugueses, presos numa liga sem receitas e sem rivalidade para lá do top 4. Seria um torneio que agradaria a todos, já que a imprensa espanhola acredita que os clubes portugueses não aguentariam muito tempo na elite e acabariam por diluir-se na 2º divisão, a Liga Adelante, mantendo o status quo.

No entanto, essa pseudo-liga ibérica não deixa de ser uma tremenda utopia perfeitamente irrealizável.

Nunca teria o selo da UEFA - que de o permitir abriria a porta para o fim da sua base de apoio legal, o federalismo nacional - e o exemplo das propostas do Celtic e Rangers de juntar-se à Premier - rejeitadas - já o deixa antever.

Mais realista seria o ponto 1, emulando o que já acontece com clubes do Pais de Gales (o Swansea é o caso mais evidente) ou com o próprio AS Monaco, que actuam nas ligas profissionais inglesas e francesas, respectivamente, precisamente porque não há condições para subsistirem numa liga autonómica independente. Além do mais, ninguém, nem em Madrid nem em Barcelona, está disposto a viver sem os inevitáveis Clásicos anuais, o verdadeiro termómetro emocional do futebol espanhol. As directivas de ambos os clubes conhecem o impacto financeiro que esse duelo tem nas contas dos clubes e na sua imagem a nível mundial e seriam incapazes de abdicar dessa mais valia apenas por questões políticas.

No caso dos clubes portugueses, restará a possibilidade de melhorar as condições existentes na Liga ZON Sagres, seja pela renegociação dos contratos televisivos, a aposta na formação local e o ajuste dos preços dos bilhetes para manter longe o espectro dos estádios vazios. Porque sonhar com disputar o título ibérico com Real Madrid, Barcelona, Valencia ou Atlético de Madrid é apenas um sonho de impossível realização.

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Sr. Guardiola, o Porto precisa de um treinador...

«Acho que o clube acertou. É uma pessoa com capacidade, os jogadores conhecem-no, conhecem o perfil dele. Eu dava voz às ideias conjuntas dele e minhas.»

Estas palavras foram proferidas a 27 de abril, mas podiam ter sido proferidas a 21 de Junho último - em ambas as ocasiões, um "número 2" é promovido a treinador principal e não havendo surpresas, o resultado será desastroso.


Presidente, embora me conte entre os "defensores" do Vítor Pereira - leia-se "adepto que sabe que o treinador, mesmo que seja o Vítor Pereira, não é o principal responsável pelos desaires desta época" - acho que o senhor anda há um ano a dever-nos um treinador a sério. Esta é a sua oportunidade!



«Carta a Sandro Rosell»

Caro Senhor,

Antes de mais, devo dizer-lhe que estou muito feliz com a louca decisão que tomou: é a prova provada de que só as vitórias do FCP têm eco no país vizinho (e provavelmente no resto da Europa e no Mundo); sorte nossa, os erros crassos têm perna curta, e nem da fronteira passam. Caso contrário, o senhor não subiria a parada relativamente à decisão precipitada do sr. Pinto da Costa, ao oferecer ao seu até aqui treinador-adjunto, a liderança da equipa técnica.

Porque é louca a sua decisão? É simples: se promover a treinador principal o adjunto de uma equipa recheada de vencedores da Liga Europa, craques colombianos já consagrados em França, e titularíssimos da selecção do Uruguai, já é só por si uma má decisão, fazê-lo numa equipa recheada de campeões da Europa, do Mundo e ao quais se junta o Messi, é completamente insano. Por alguma razão, em alguns exércitos (ou até em todos), quando um soldado é promovido a oficial, é também transferido de pelotão (ou coisa do género) para evitar que os companheiros não respeitem a nova patente. Por muito boas que sejam as capacidades do Tito Vilanova na gestão de Recursos Humanos - e não se engane, este é ponto fulcral - os jogadores nunca o verão como mais do que o "adjunto do Guardiola". E em menos de nada, poderá ter um motim entre mãos.

Naturalmente há também que ter em conta a real capacidade do indivíduo para ser treinador principal - um grande adjunto não faz necessariamente um grande treinador, e o facto de ter estado até aqui numa "segunda linha" não só pode ter mantido na obscuridade as suas qualidades (ou a falta delas) mas também os seus defeitos. É óbvio que a questão não é "uma vez treinador-adjunto, para sempre treinador-adjunto" mas esta não é a forma mais segura para chegar a treinador principal.

A juntar a isto, há também que considerar outros efeitos secundários da sua decisão: ao não optar por um treinador com currículo, ou pelo menos com alguma notoriedade, que impacto causará isso nos jogadores? Quantos não optarão também por sair, mudar de ares? A época ainda não começou e já se entrou em poupanças? Está preparado para se contentar apenas com a vitória no campeonato? Quem acha que ficará mal na fotografia se, por exemplo, o Barcelona não passar da fase de grupos da Liga dos Campeões? Acha isso impossível? Pense melhor.

É quase certo que também o senhor se precipitou - embora, como em tudo na vida (mas especialmente no Futebol) «só os tolos têm certezas» - e que os resultados dessa precipitação serão penosos, e bem piores que os resultantes da escolha do Vítor Pereira para treinador do FCP. Eu sei que o campeonato espanhol não tem ponta de competitividade, e que o título só é disputado pelo seu Barcelona e pelo Real Madrid, mas ainda assim isso não torna a sua decisão menos arriscada, se bem que uma coisa é ter o melhor treinador do Mundo no banco do nosso maior rival, e outra é ter o José Mourinho. De qualquer forma, desejo-lhe felicidades mas não muitas. Se daqui a um ano ainda estiver satisfeito com a decisão que tomou, isso poderá significar que afinal Pinto da Costa não errou; o adjunto que promoveu é que não esteve à altura do desafio - seguir-se-á o Rui Quinta?

Com os melhores cumprimentos,
Filipe Sousa.

terça-feira, 24 de abril de 2012

De autocarro para Munique


Após o jogo da 1ª mão, escrevi: «Este aparente contra-senso dos números faz parte da magia do futebol e faz com que, contra todas as previsões, os blues de Londres estejam a um passo da final de Munique.»

Hoje os números voltaram a ser esmagadores e o Barça enviou mais duas bolas aos postes (quatro no total dos dois jogos) e até falhou um penalty, mas o que é certo é que quem vai estar na tribuna VIP do Allianz Arena, ao lado de Michel Platini, será Roman Arkadyevich Abramovich.

Estamos em Abril, mas já é certo que 2012 não será o ano de Pep, nem de Messi. Em contraponto, se amanhã o Real confirmar o seu favoritismo perante o Bayern, o dia 19 de Maio poderá ser o da consagração de dois portugueses - CR7 e Mou - como os melhores do ano, até porque, se em condições normais o Chelsea já sofre para ganhar, sem Ramires, Ivanovic, Raul Meireles e o capitão John Terry (todos ausentes da final da Liga dos Campeões devido a castigo), as hipóteses de sucesso do "autocarro londrino" reduzem-se a quase nada.

quinta-feira, 19 de abril de 2012

O contra-senso dos números


Perante estes números, quem diria que o Chelsea iria ganhar por 1-0 (marcou no único remate enquadrado com a baliza) aquela que muitos consideram a melhor equipa do Mundo?

Este aparente contra-senso dos números faz parte da magia do futebol e faz com que, contra todas as previsões, os blues de Londres estejam a um passo da final de Munique.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Eu vi jogar o Barça de Guardiola


Hoje, aqui, aprendemos a jogar futebol. Levámos uma lição. O Barcelona ensinou como se joga futebol
Neymar, o craque do Santos, após a derrota (0-4) na final do Mundial de clubes


Muitas equipas atingiram o sucesso a nível internacional, mas foram poucas as que entraram na galeria das equipas imortais: o Honved de Puskas, o Santos de Pelé, o Real Madrid de Di Stéfano e o Ajax de Cruyff estão nesse lote restrito.

Quem as viu jogar, diz que estas equipas aliavam a eficácia à beleza, quase magia, com que os seus jogadores trocavam a bola e deliciavam os amantes do futebol, mesmo que fossem adeptos de outros clubes.

Daqui a uns anos/décadas, aqueles de entre nós que ainda forem vivos, irão fazer parte dos privilegiados que poderão dizer: Eu vi jogar o Barça de Guardiola (e dos “baixinhos” Messi, Xavi e Iniesta).

domingo, 11 de dezembro de 2011

Provavelmente...


... o melhor treinador do Mundo.


Nota: Com a devida vénia à Carlsberg.

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Uma boa estratégia e um mau intérprete


É a melhor equipa da actualidade – na minha opinião a melhor de sempre pela sua regularidade – e esta noite, no Mónaco, o FC Barcelona voltou a impor a sua supremacia perante o nosso clube. Não à custa de uma tremenda exibição, mas sobretudo pelo maior domínio e controlo que teve do jogo. O FC Porto foi organizado e mostrou trabalho de casa sobre o adversário. Apenas não se precaveu para o erro de Guarín e como saber inverter o rumo dos acontecimentos em desvantagem.

O conjunto de Vítor Pereira entrou destemido e personalizado no jogo. Com uma boa ocupação dos espaços e pressão elevada sobre o jogador em posse dos baulgrana, conseguiu arrumar o jogo mais perto da baliza de Valdés. João Moutinho primeiro, e Hulk depois, criaram frisson no estádio Louis II, confirmando o bom inicio de encontro da equipa azul e branca.

O Barça foi tentando alargar o seu jogo com incursões de Dani Alves pela esquerda e através da deambulação do esférico de um lado ao outro do terreno. Facilmente anulado pela linha portista, que esteve irrepreensível. A equipa mostrava confiança com sua organização e os catalães não conseguiam deslindar a teia em que estavam enredados. Infelizmente, Guarín, num atraso despropositado, ofereceu o 1º golo da noite a Messi.

O erro inesperado do colombiano lançou o jogo em bases diferentes. Os Dragões viam-se na obrigação hercúlea de pegar na partida diante o pior dos adversários para o fazer. O adiantamento dos médios foi a face mais visível dessa necessidade, mas faltou acutilância, controlo e capacidade de suster a bola na frente, mormente onde Kléber ainda revela toda a sua “verdura”.

O jogo arrastou-se nisto, com o FC Porto a tentar e o Barça a deixar rolar. O homem do apito, o tal Holandês que jantou com Pinto da Costa, ofereceu uma “sobremesa” a Guarín, numa penalidade escamoteada. Para piorar as coisas, Rolando foi expulso e a rapaziada de Guardiola fez o 2-0 final.

O colombiano Guarín – outra vez ele – volta a meter verdete e recebe guia de marcha, numa exibição para esquecer. O intérprete que derreteu a estratégia de Vítor Pereira padece, provavelmente, do mal que o nosso treinador apontou ao mercado de transferências. E assim sendo, vê-se por aí, muitas cabeças no ar…

David e Golias

Sob a batuta de Pinto da Costa, o FC Porto cresceu imenso nas últimas décadas, passando de um clube regional para um clube de sucesso internacional e tornando-se no clube Nº 1 de Portugal (em termos de títulos e resultados). Contudo, o JN de hoje publicou uma infografia que ilustra o fosso que ainda existe para um dos principais clubes europeus - o FC Barcelona.

(clicar na imagem para ampliar)


Mais do que as diferenças de orçamentos (o do FC Barcelona é "apenas" 450% superior ao da FC Porto SAD...), há três números que impressionam: i) as diferenças nas receitas de publicidade e televisão; ii) a diferença na verba dos salários (35,5 M vs 235 M); o número de casas do clube que o Barça possui.

P.S.1 O título deste pequeno post é propositadamente exagerado, embora seja um facto que há enormes diferenças na dimensão e, principalmente, nas receitas dos dois clubes hoje em confronto.

P.S.2 Se acontecer hoje, não seria a primeira vez que o "David" derrotava o "Golias" numa final europeia.

Era um dia de sonho

Este artista estragou um dia de sonho ao Juary, e sempre que há um Porto - Barça não há forma de me esquecer dele. 


Hoje quando ganharmos a Supertaça europeia vou-me, finalmente, sentir vingado.

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Os falsos moralistas

«"Não percebo como é que existe no site do Record um blog do Barcelona." "Que estupidez! Como é possível torcerem pelo Barcelona num jogo contra o Real Madrid, que tem vários portugueses?!" São duas das ideias que recorrentemente surgem em comentários aqui neste "Campo Novo". Alguns não chegam a ser publicados porque, para além disto, ainda existem palavrões impublicáveis e ofensas gratuitas. E para que serve esta introdução? Só para lhes dizer que os que se indignam por existirem portugueses que preferem o Barcelona ao "Real Madrid-que-tem-portugueses", são os mesmos que andam agora - por várias redes sociais e até aqui pelos blogs do Record - a desejar que o Barcelona "arrase" o FC Porto. E o FC Porto é, só para lembrar, um clube com jogadores portugueses, um treinador português e um presidente português. E ainda é, só por acaso, um clube que tem sede em Portugal. Então e agora?»
Nuno Farinha
in Record


Nuno Farinha é o actual director-adjunto do Record e é assumidamente doente pelo FC Barcelona de que, inclusivamente, é sócio.

Para além de artigos de opinião "normais", é o autor de um dos blogues associados ao jornal Record (de onde extraí o artigo anterior) e onde vai remando contra a maré do politicamente correcto nos duelos entre os bleu granas e o Real Madrid de Mou.

Eu, que nunca alinhei nessa treta do patriotismo futeboleiro e que sempre torci pelo Barça nos jogos contra os da capital espanhola, tenho agora razões acrescidas para o fazer: i) o futebol espectáculo proporcionado por Messi e companhia; ii) CR7 e o seu séquito insuportável; iii) as atitudes de Mou.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

A propósito do "Monstro" Barcelona


E pronto. Lá vamos ter de defrontar o Barcelona na Supertaça Europeia. Mas não temos de olhar para isso com fatalismo. Dispomos de um treinador com imaginação e versatilidade mental - atributos que tradicionalmente sempre faltaram aos técnicos britânicos, e que serão a principal causa dos falhanços ingleses no Campeonato do Mundo (e escoceses - sim, porque a Escócia chegou a ter excelentes equipas, qualificou-se para sucessivos Mundiais nos anos 70 e 80, mas na hora H falhou sempre).

O Barcelona é o que todos sabemos, e não vale a pena gastar mais adjectivos com a sua fabulosa equipa e modo como joga. Mas o "quadradismo" futebolístico britânico esteve em evidência na inflexibilidade táctica e na demora em mexer na equipa reveladas por Sir Alex Ferguson. Por alguma razão, das equipas que ocuparam esta época os dez primeiros lugares da Premier League, apenas seis - ou seja 60% - eram treinadas por britânicos, e somente duas delas (Tottenham e Sunderland) por ingleses propriamente ditos. Ou seja, o próprio "quadradismo", que tinha e tem pontos fortes, tem vindo a perder atracção na sua própria terra.

Temos equipa inferior ao Manchester United, mas temos à frente dela um homem com as meninges suficientemente elásticas para, pelo menos, darmos boa conta de nós. E também sem recorrer a autocarros de dois andares ou colocar pontas-de-lança a defesa lateral (o equivalente nacional ao "quadradismo" britânico).

Devo confessar que encaro esse jogo com grande expectativa.

sábado, 28 de maio de 2011

FC Porto & FC Barcelona




E no dia 26 de Agosto, no Mónaco, lá estaremos, para defrontar a melhor equipa do Mundo e uma das melhores da História do futebol.