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terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mourinho de regresso a Inglaterra?


Na sua edição de domingo passado, The Sunday Times anuncia que José Mourinho decidiu deixar o Real Madrid no final da época e que pretende regressar a Inglaterra.

Referindo o desagrado de Mourinho com o ambiente madridista, especialmente a excessiva proximidade entre os media e alguns jogadores espanhóis do plantel, o jornal levanta uma série de hipóteses quanto a um possível retorno daquele nosso antigo treinador à Velha Albion.

Por mim, acho que, a regressar, o destino mais provável de Mourinho é o Tottenham. Em primeiro lugar, o actual treinador do clube, Harry Reknapp, está a ser julgado por evasão fiscal quando treinava o Portsmouth, e seja qual for o desfecho do processo, estas coisas não caem bem em Inglaterra; em segundo lugar, Redknapp nunca escondeu o seu grande interesse em suceder a Fabio Capello à frente da selecção inglesa, que o italiano deixará após o Europeu, embora o referido processo possa fazer com que a Federação Inglesa veja com reservas a contratação de Redknapp.

Em Itália e Espanha José Mourinho viu o que é uma imprensa "raivosa". Quando estava em Inglaterra também se queixava da imprensa inglesa, especialmente dos famosos "tablóides". Mas o jornalista inglês pode ser uma "lapa", mas não é clubista. Há muitos clubes grandes em Inglaterra, as pessoas tendem a apoiar o clube da sua terra, não havendo pateguismo em relação aos principais clubes. E, além disso, os ingleses levam Mourinho a sério como treinador, mas normalmente sorriem perante as suas declarações mais extraordinárias. Numa palavra, não levam a sério os seus mind games, além de que em Inglaterra há uma certa afeição pelas personalidades extrovertidas.

A seguir ao Tottenham, considero o Arsenal como a hipótese mais forte para Mourinho. Fala-se até que o Real Madrid tem tentado convencer Arsène Wenger a rumar à capital espanhola, pelo que...

Enfim, um romance a seguir nos próximos meses, decerto envolto em inúmeros desmentidos e declarações descabeladas.

sexta-feira, 12 de março de 2010

Está encontrado o culpado!

Saiu hoje a convocatória para o jogo de Domingo em Coimbra:

- Guarda-redes: Beto e Nuno.
- Defesas: Miguel Lopes, Alvaro Pereira, David Addy, Rolando, Bruno Alves e Nuno André Coelho.
- Médios: Ruben Micael, Valeri, Tomás Costa, Guarín, Raul Meireles e Belluschi.
- Avançados: Cristian Rodriguez, Falcao, Mariano Gonzalez e Varela.

Fucile e Helton não estão convocados sendo que o guarda-redes apresenta problemas físicos (dor no cotovelo direito) e o uruguaio... está fora por opção.
in OJOGO, notícias na hora

Está finalmente encontrado o culpado pela derrota copiosa em Londres. O lado direito da defesa foi um autêntico buraco mas, em minha opinião, Bruno Alves, Rolando e Pereira não lhe ficaram atrás. A equipa esteve mal no geral não sendo necessário estar a individualizar. Os líderes fracos tendem a procurar um culpado para o fraco desempenho colectivo de forma a se aliviarem das responsabilidades.

Dá vontade de perguntar se o Professor não pode também ficar fora da convocatória...

terça-feira, 9 de março de 2010

Humilhados!


O FC Porto foi esta noite humilhado em Londres. É difícil admiti-lo até porque estamos pouco habituados a estas andanças e derrotas, mas vimos jogar o Arsenal praticamente todo o encontro. E quando esboçamos uma pequena tentativa de recuperação, bastou a Arsene Wenger colocar Eboué e o Porto nunca mais se levantou.

Nuno André Coelho a titular e a trinco não é aposta nem para ganhar nem para perder. Não é nada! Nem sei se Tomás Costa era opção ou não, mas ainda haveria outros que podiam ser opção antes de Nuno A. Coelho. Nem as suas características defensivas compensam a opção de colocar um jogador na 2ª mão dos oitavos de final da Champions, em casa do adversário que era só o Arsenal, que ainda não foi titular no campeonato ou na Europa e numa posição para a qual não está minimamente rotinado.

A partir daqui pouco interessa falar sobre o jogo. Num jogo de risco, em que o adversário ia entrar forte e o FC Porto poderia muito provavelmente ficar na situação de ter de recuperar o resultado caseiro, colocar o Nuno André Coelho só podia dar numa coisa: sofrer um golo e ter de o substituir, pois se o FC Porto com três avançados e três médios já ia ter dificuldades, o que dizer das nossas hipóteses com um meio campo composto por dois médios e um defesa central.

Pelo meio deixa-se a ideia aos jogadores e adversários que se vai defender até onde der, que temos medo e que vamos tentar num golpe de sorte chegar à baliza do Arsenal. Restou Falcão a vencer o duelo contra os centrais do Arsenal e Helton que adiou a goleada por mais uns minutos.


No final do jogo, Raul Meireles disse que era preciso levantarem a cabeça e concentrarem-se nos três troféus que havia para ganhar. Primeiro, Raul Meireles equivocou-se assim como Helton o tinha feito após a derrota em Alvalade. E segundo, não é a cabeça que se tem de levantar, mas sim o pé que tem que se meter sempre à bola, concentrando-se no presente e esquecendo a competição de Junho. E é preciso encostar quem tem de ser encostado, seja ele quem for. Antes era assim, agora vai-se permitindo excepções, birras e vedetismos.

A culpa não é exclusiva do treinador. O Futebol Clube do Porto é um clube e uma equipa e é em equipa que todos falham, uns mais que os outros. Há muito mais para além das más opções tácticas numa época em que falhámos praticamente a toda a linha. Mas hoje, como ao longo de toda a época, Jesualdo voltou a errar redondamente, estendeu a passadeira de “equipa pequena” e os jogadores seguiram-lhe os passos. Resultado: 5-0 para o Arsenal e uma saída humilhante.

A lebre e a tartaruga

Por Filipe Sousa


De todas as diferenças que separam as equipas do Porto e do Arsenal, para lá dos orçamentos, e da qualidade dos jogadores, é diferença de “andamento” que mais dificilmente se esbate dentro de campo. O ritmo, a intensidade com que os jogadores de equipas de topo, nestas fases mais avançadas da Liga dos Campeões, imprimem ao jogo, são tais que dão ideia de que os nossos jogadores ficam cansados de ver os outros jogar. É, em suma, em jogos como estes que se percebe o quão miserável é o campeonato português. É a 10ª liga mundial ou coisa do género, mas a diferença para qualquer outro campeonato, mesmo o francês – e na retina ficou, por exemplo o Marselha x Porto de 2003/04 - ou o holandês, é brutal. Por cá temos jogos com esta intensidade (ou assim parece…), não 4 ou 5x por época - os jogos contra os outros grandes - mas 4 ou 5x por década - o último foi o Porto x SCP para a Taça - porque a maioria dos jogos contra os outros grandes são uma pasmaceira, jogos “muito tácticos” – um eufemismo dos comentadores para descrever jogos completamente desinteressantes - e com 30 e muitas faltas pelo meio e outros tantos "casos" de arbitragem. Uma curiosidade: o último Clube do Regime x Porto é, até ao momento, o jogo com menos tempo útil da corrente edição da Liga. Sintomático. (E mais uma prova do génio de Jorge Jesus; tivesse o Porto vencido esse jogo, e todo o país futebolístico criticaria o anti-jogo, a “manhosice” da equipa azul-e-branca.)

De facto, mais dos que orçamentos chorudos, é preciso uma extraordinária conjugação de factores, seja um conjunto de jogadores fora-de-série ou simples sorte, para que o Porto consiga ultrapassar estes “tubarões”, de tão habituado está a jogar contra equipas que de futebol têm muito pouco, e que vivem felizes com empates. Nem que para tal seja preciso fingir lesões de 5 em 5 minutos – esbatendo a diferença entre um jogador de futebol e um actor. Assim, quando aparece um Arsenal ou um Liverpool, é sempre uma aflição. Não é de estranhar portanto que a SportTv transmita jogos, à partida de interesse duvidoso, como o Getafe x Rayo Vallecano ou coisa que o valha – vê-se decerto mais futebol do que na maioria do jogos por cá.

Posto isto, mesmo em vantagem na eliminatória, poderá não chegar ao Porto jogar muito bem para ultrapassar definitivamente o Arsenal. Uma excelente exibição para os padrões locais, pode não chegar para evitar uma derrota. Se vencermos o desafio, o nosso futebol agradece, mas não vai abdicar de nos empatar na primeira oportunidade.

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao Filipe Sousa a elaboração deste artigo.

domingo, 7 de março de 2010

Eu quero acreditar

Eu quero acreditar isto é algo mais do que marketing:


Eu quero acreditar que este ainda é o Porto que come a relva, que luta até à última gota de suor e que dá o litro em campo.

Outros tempos, outras dificuldades, mas o espírito tem de ser o mesmo:

A Taça do Arsenal - I
A Taça do Arsenal - II
A Taça do Arsenal - III

Acreditem, lutem, joguem com garra e raça, joguem à Porto e não há impossíveis. 

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Wenger and the French Hypocrisy

Mr Wenger,
So "in 20 years of football coaching" you never saw anything like last night's quick free kick?
Take a look at this video and shut up you stupid French!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Aproveitar ofertas dos Anjinhos


Noite feliz do FC Porto na 1ª mão dos oitavos de final da Liga dos Campeões diante do Arsenal. Felicidade pela vitória alcançada. Felicidade na forma como os golos foram conseguidos. Felicidade para a equipa azul e branca em não ter sido atropelada pelo perfumado futebol do conjunto Londrino. Ainda assim, o triunfo assenta bem ao Dragão pelo modo como soube racionalizar melhor o jogo após aquele estranho golo de Falcão no inicio do 2º tempo.

Os homens de Jesualdo entraram em campo com duas novidades. Meireles e Hulk. O Português reocupou o seu espaço no miolo, fazendo parelha com Micael. O Brasileiro, repescado das masmorras da CD da Liga, foi igual a si próprio, ou seja, vivendo muito da iniciativa individual, o que nem sempre favoreceu a equipa e a si próprio. O Incrível é isto, e não há nada a fazer.

A entrada no jogo do Dragão foi forte e pressionante. Uma pequena demonstração de personalidade que terá assustado Fabianski. O guarda-redes Polaco ao serviço da equipa Inglesa abriu a churrasqueira e pôs Varela a sorrir. A vantagem era um bom prenúncio para um jogo positivo do Porto. Mas o carrossel Fabregas, Denilson, Nasri e Rosicky, notificou os adeptos portistas de que a noite não iria ser um passeio pelo parque. O Arsenal assumiu as operações, demonstrou uma segura e rápida circulação de bola, deixando os jogadores portistas com a cabeça à roda. O empate veio a partir de um lance de bola parada, mas poderia ter surgido noutra situação qualquer. O 1-1 ao intervalo era-nos lisonjeiro.



No reatamento do encontro as bases pareciam manter-se. Arsenal a mais para um Porto a menos. Porem, aos 51 minutos, o jogo tomaria outro rumo. Fabianski agarrou o esférico após um atraso de Sol Campbell. Livre indirecto o qual Rúben Micael não perdeu tempo para executar, oferecendo o golo a Falcão. Os jogadores portistas fizeram aquilo que lhes competia, aproveitar o momento de distracção geral e resolver as coisas a seu favor. A este nível não há espaço para relaxamentos, pelo que o Arsenal deve acima de tudo reflectir na forma infantil como consentiu este golo.

A vantagem no marcador fez bem ao FC Porto. Os comandados de Jesualdo começaram finalmente a garantir mais bolas divididas e foram mais agressivos sobre o adversário. A maior rigidez portista colocou problemas ao jogo do Arsenal, tendo maiores dificuldades de circulação de bola e penetração na nossa área. A ajudar esteve também as boas opções tomadas pelo Professor, fazendo render um Meireles desgastado, por um combativo Tomás Costa, assim como as entradas de Mariano e Belluschi, que encaixaram bem na forma como o jogo escorria.



A caminho de Londres com uma vantagem tangencial. Mas uma vantagem. Torna-se imperioso, no encontro da 2ª mão, que o FC Porto procure um golo que possa abrir as portas dos quartos de final desta competição. O Arsenal é forte, com um ataque muito concretizador, em especial no seu terreno. Mas, em noite inspirada, o Dragão pode voltar a escrever mais página de Ouro na sua magnífica história.

Fotos: uefa.com, A Bola

Shame on you!


Nas últimas semanas, Jesualdo Ferreira deixou de contar com Sapunaru e não tem podido utilizar Hulk, Farias, Rodriguez e Meireles (no último jogo, com o Leixões, também não pôde contar com Alvaro Pereira). E isto sem falar nos castigos de Bruno Alves e de Fernando.
A comunicação social lisboeta... perdão, a comunicação social portuguesa deu um relevo quase nulo a este facto.

No entanto, a mesma comunicação social lisboeta... perdão, a comunicação social portuguesa não se tem cansado de gritar aos quatro ventos que o Arsenal vem “desfalcado” de vários jogadores (será que vai jogar com onze?) e que uma série de lesões complica as opções de Arsène Wenger. É o que se chama preparar o terreno (mediático), para a eventualidade do FC Porto vencer o Arsenal.

Contudo, eu olho para os convocados dos gunners e vejo lá nomes como:
Defesas: Clichy, Silvestre, Sol Campbell, Traoré e Sagna
Médios: Denilson, Rosicky, Diaby, Fabregas e Emmanuel Eboué
Avançados: Nasri, Bendtner, Carlos Vela e Theo Walcott

Como é bom de ver, tudo gajos fraquinhos e inexperientes... Aliás, eu nunca ouvi falar em nenhum destes 14 (!) jogadores. Será que algum deles é internacional pelas respectivas selecções?

E o que disse Arsène Wenger acerca deste “cenário negro” traçado pela comunicação social lisboeta... perdão, comunicação social portuguesa?
"Não é uma preocupação séria. A minha preocupação vai para os que estão cá. Nem sempre temos todos os jogadores disponíveis para escolher a equipa, mas não estou preocupado".

Perante esta resposta do treinador da equipa inglesa, desvalorizando completamente as enormes preocupações dos jornalistas "portugueses" estes, coitadinhos, ficaram sem saber o que dizer.
Mas eu tenho um recado para eles: Shame on you!

sábado, 20 de dezembro de 2008

A Taça do Arsenal (III)

A Taça do Arsenal (I)
A Taça do Arsenal (II)

III. As comemorações da vitória e a maior taça do Mundo

No jogo contra o Arsenal o FC Porto alinhou com:
Barrigana (foto ao lado); Alfredo e Francisco; Joaquim, Romão, Virgílio; Lourenço, Araújo, Correia Dias (cap.), Gastão e Catolino (Sanfins na 2ª parte).

O árbitro foi o escocês Webb, auxiliado pelos bandeirinhas portugueses Vieira da Costa e Avelino Ribeiro.

Os golos do FC Porto foram marcados por Araújo (9’) e Correia Dias (20’ e 28’).

A vitória teve uma repercussão espantosa, tendo chegado centenas de telegramas de felicitações de todo o lado (Brasil, Angola, Moçambique, etc.).
A própria Direcção-Geral dos Desportos (DGD) também decidiu louvar o clube. Assim, na presença de toda a Direcção azul e branca, o Delegado do Porto da DGD, Mário de Carvalho, leu o seguinte louvor,: “Depois do êxito desportivo alcançado pelo FC Porto, cuja vitória sobre o Arsenal, primeiro classificado da Liga Inglesa, fortaleceu o prestigio do nosso futebol no plano internacional e deu relevo ao desenvolvimento da campanha desportiva portuguesa, entendo dever louvar: os jogadores do FC Porto pelo aprumo e lealdade com que se comportaram, aos quais também felicito pelo êxito que reflecte o bom desempenho das funções que exercem”.
a) Pelo Director Geral, o interino António Cardoso


Após o desafio, à noite, realizou-se um banquete dedicado aos dirigentes e jogadores londrinos. Presidiu Júlio Ribeiro de Campos, presidente do FC Porto, que tinha à sua direita o comandante Bones, presidente do Arsenal, e à sua esquerda o Cônsul da Inglaterra, o representante do comandante da 1ª Região Militar e o Delegado da DGD.

Durante os discursos, o manager do Arsenal Football Club, Tom Whittaker, afirmou:
Viemos aqui mais para representar a Inglaterra do que o nosso próprio clube. Contudo, nunca contamos com adversário tão difícil e que se revelou de uma classe muito superior à do Benfica.
Ganharam e ganharam bem. O Arsenal quando vai para o campo procura sempre fazer o melhor e esse melhor está pendente do que o adversário consente. O FC Porto não nos deixou fazer mais, surpreendendo-nos os 3-0 que nos obrigaram a tentar uma recuperação, mas o adversário não consentiu.
Não há desculpas. O FC Porto venceu e venceu bem. Defrontamos uma grande equipa
.”


Ganhar aquela que era considerada a melhor equipa do Mundo e, ainda por cima, no timing e contexto em que tal vitória tinha ocorrido, era um feito que, no entender de muitos portistas, tinha de ser imortalizado.

Deste modo, um grupo de seis sócios do FC Porto - Eduardo Soares, José Moreira, Ivo Araújo, Manuel Ferreira, Elói da Silva e Torcato Plácido - decidiram abrir uma subscrição pública para compra de um troféu condigno que perpetuasse aquela tarde de glória portista.

A subscrição foi um enorme sucesso. Centenas de simpatizantes aderiram, tendo sido angariado 200 contos, dinheiro suficiente para mandar fazer um troféu majestoso - a Taça do Arsenal -, que seria oferecido ao clube um ano depois.

A Taça do Arsenal é composta por duas peças monumentais: uma peça totalmente concebida em prata e um relicário.

A peça de prata é constituída por três figuras esculturais de mulher, erguendo-se nas pontas dos pés, segurando a taça, circundada por três dragões dominados por três atletas que procuram alcançá-la para beberem dela o vinho da vitória. Na sua construção gastaram-se 130 quilos de prata!

O relicário, que tem 2,80 metros de altura e pesa 120 quilos (!), é uma espécie de caixa assente em quatro dragões de prata, com quatro portas de cristal. O relicário é rematado com um grupo escultório constituído por uma figura de atleta, de joelho em terra, dominando um leão, que tem uma bola junto dele. Na mão direita o atleta ergue um facho, enquanto que na mão esquerda segura a bandeira do FC Porto. Por detrás dele, dominando toda a peça, a figura da vitória.

Todo o conjunto, pesando mais de 250 quilos, custou 200 contos, exactamente a importância que se arrecadara ao longo de todo um ano de colectas. Os portistas ofereciam, assim, a si próprios o maior troféu do Mundo.



Fontes:
‘A Vida do grande clube nortenho (2)’, Selecções Desportivas, Dezembro de 1978
‘História de 50 anos do Desporto Português’, A BOLA
‘Glória e vida de três gigantes, A BOLA
MaisFutebol, 2006/09/24

Fotos:
Paixão pelo Porto
Óculos azuis e brancos

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

No lugar que queremos e merecemos, primeiro.


Se no final da primeira ronda da Champions, após a derrota caseira diante do Dínamo de Kiev, dissessem que aquele Porto viria a terminar na frente do seu grupo de classificação, poucos acreditariam em tal cenário. Mas, mesmo com uma segunda volta teoricamente mais complicada (com duas deslocações fora), o improvável aconteceu, o FC Porto ganhou o Grupo G da Champions League, batendo todos os seus adversários na ronda final.

Do encontro da noite passada só a vitória servia as pretensões azuis e brancas. Para além da obvia possibilidade de ascender ao 1º lugar do grupo, havia desejo de corrigir a má imagem deixada em Londres aquando do jogo da primeira volta. Não foi por isso de estranhar que o FC Porto tenha alinhado na máxima força, ao invés do Arsenal, onde o seu treinador permitiu-se ao “relaxamento” de abdicar 8 dos seus habituais titulares.

Apesar das muitas alterações na sua estrutura, os londrinos começaram melhor o encontro, com muita posse e troca de bola, não permitindo que o FC Porto sequer pudesse colocar no terreno as suas famosas transições rápidas. Diga-se, porém, que apesar do controlo aparente e maior posse de bola, o Arsenal nunca foi muito perigoso, com excepção de um remate de Ramsey, onde Helton desviou com classe.


Já nessa altura os portistas tinham equilibrado a contenda, tendo dado o primeiro sinal que alterações mais drásticas no rumo dos acontecimentos estariam para vir, quando Lisandro obrigou Almunia a uma defesa apertada, após um forte pontapé. A confirmação chegaria aos 39 minutos, bem perto do intervalo, após um canto marcado por Meireles, Bruno Alves subiu, como habitualmente, mais alto que todos os outros, e abriu a contagem do marcador.

O segundo tempo foi uma história de um só sentido, daquelas em que o Porto de Jesualdo Ferreira se dá melhor, com vantagem no marcador, o adversário a subir e a aplicar-lhe duros e venosos ataques rápidos. Foi precisamente no seguimento de um desses lançes que o FC Porto ampliou a vantagem, num excelente remate de Lisandro ao ângulo superior direito.


Até final do encontro foi um compêndio prático da cartilha do Professor. Hulk, Lisandro e Rodriguez gizaram diversos esquemas de ataques e transições rápidas, com o uruguaio a desperdiçar por 2 vezes o golo na cara do guarda redes Almunia. A esses momentos junte-se a ocasião soberana de Lucho aos 74 minutos, também desperdiçada. Os 4-0 de Londres não seriam remetidos à procedência, mas a vitória e o consequente primeiro lugar no grupo já não escapavam.

Positivo: A sétima vitória consecutiva e o crescendo de confiança da equipa.
Negativo: Não poder ver ao vivo os melhores jogadores que o Arsenal tem.

Fotos: uefa.com

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

A Taca do Arsenal (II)

A Taça do Arsenal (I)

II. O jogo contra os campeões ingleses

Na década de 30, o Arsenal emergiu como o clube de maior sucesso do futebol inglês. Entre 1929/30 e 1937/38 venceu cinco vezes o campeonato – Football League First Division (1930/31, 1932/33, 1933/34, 1934/35 e 1937/38) – e ergueu por duas vezes a Taça de Inglaterra – Football Association Challenge Cup, também conhecida por FA Cup (1929/30, 1935/36).
Devido à II Guerra Mundial, não houve competições entre 1939/40 e 1945/46, tendo as mesmas recomeçado em 1946/47, com o Arsenal a voltar a sagrar-se campeão na época de 1947/48.

Equipa do Arsenal de 1947/48
Atrás, da esquerda para a direita: A. Forbes, A. Macaulay, L. Scott, G. Swindin, W. Milne (treinador), W. Barnes, J. Mercer (capitão), I. McPherson
À frente, da esquerda para a direita: D. Roper, R. Lewis, R. Rooke, B. Jones, D. Compton, L. Compton


Em 1948, ainda com os 0-10 do ano anterior bem presentes na memória de todos, o Arsenal de Londres, considerada a melhor equipa do Mundo, foi convidado para fazer dois jogos particulares em Portugal.

O primeiro jogo foi a 3 de Maio de 1948, contra o Benfica, disputado no Estádio Nacional. Os ingleses não deram hipóteses e venceram os encarnados por 4-0, levando a imprensa da capital a afirmar que os «gunners» eram a melhor equipa que jogara até então em Portugal.
Consta que no final desse jogo, e perante a goleada sofrida, houve portugueses que disseram a elementos do Arsenal: se aqui venceram por 4-0, no Porto vencerão por mais. O FC Porto só tem um jogador importante, o Araújo.
Cândido de Oliveira, na altura treinador do Sporting, desabafou: “Os nossos jogadores treinam-se como amadores e recebem como profissionais”.

Quatro dias depois, a 7 de Maio, era a vez do FC Porto enfrentar o fabuloso team inglês.

Arsenal 1948/49
Atrás, da esquerda para a direita: Forbes, Wade, L. Smith, G. Male, D. Compton, Mercer
Segunda fila, da esquerda para a direita: Jack Crayson (staff), Lewis, Fields, Swindin,L. Compton, Macpherson, Milnes (trainer)
Terceira fila, da esquerda para a direita: Scott, McCauley, Whittaker (manager), Rooke, Barnes
À frente, da esquerda para a direita: Bryn Jones, Roper, Logie


O FC Porto da época 1947/48, treinado pelo argentino Eládio Vaschetto, era capaz do melhor e do pior.

A 20 de Outubro de 1947 tinha ido a Valência jogar com o campeão de Espanha e venceu espectacularmente por 1-0, com golo de Catolino. Nesse jogo, e para além do autor do golo, destacaram-se Barrigana, Gastão, Araújo e Ângelo Carvalho, um jovem médio que começava a impor-se na equipa azul-e-branca.

A 2 de Fevereiro de 1948, na penúltima jornada da 1ª volta, o FC Porto recebeu e venceu por 4-1 o super-Sporting dos “violinos” (os “leões” haveriam de revalidar o título de campeão a que juntariam a vitória na Taça de Portugal).

Contudo, no computo geral, a época não estava a correr bem a nível interno (o FC Porto terminaria o campeonato em 5º lugar). No entanto, o futebol praticado deslumbrou, dada a sua forte vocação ofensiva, que conduziu Araújo ao título de melhor marcador do campeonato com 36 golos.

Estádio do Lima

Os bilhetes para o jogo contra o Arsenal custavam 80 escudos e para irem ao Estádio do Lima os portuenses vestiram os seus melhores fatos e muitas senhoras sentaram-se nas bancadas como se estivessem na ópera.

Quando se esperava que o FC Porto tivesse o mesmo destino do SLB, os azuis-e-brancos presentearam os seus adeptos com uma exibição memorável.

Aos nove minutos, instantes antes de Araújo marcar o 1º golo, Quádrio Raposo, locutor da Emissora Nacional, anunciava: «Araújo tem nada menos de três ingleses à sua volta!».

Aos 30 minutos, e para espanto de todos, o FC Porto vencia por 3-0, com mais dois golos de Correia Dias, um avançado-centro que pesava quase... 100 quilos.

Até ao final do jogo, os restantes minutos foram de uma resistência heróica perante a avalanche britânica, mas recompensados por uma sensacional vitória final por 3-2.

Em A BOLA escreveu-se: «Meia hora de futebol diabólico destroçou a equipa londrina».

Um dos heróis do jogo foi o guarda-redes do FC Porto, Frederico Barrigana.

Frederico Barrigana

Antes de ingressar no FC Porto, em 1943, Barrigana era reserva de Azevedo no Sporting, mas as fantásticas prestações ao serviço do FC Porto levaram-no à titularidade na Selecção Nacional, pela qual se tinha estreado uns meses antes, em 21 de Março de 1948, num jogo contra a Espanha.

Mas quem encheu os olhos aos ingleses foi Araújo, ao ponto de afirmarem ser avançado para jogar em qualquer equipa do Mundo. Houve propostas para o levar para o outro lado do canal da Mancha, mas ele não aceitou. Nem sequer uma fortuna bastaria para o retirar da pacatez de Paredes.

(continua)

Fontes:
‘História de 50 anos do Desporto Português’, A BOLA
‘100 figuras do futebol português’, A BOLA

A Taça do Arsenal (I)

I. O enquadramento político e desportivo

Há 60 anos atrás a Europa estava ainda a tentar curar as feridas resultantes da II Guerra Mundial.

Em Portugal, a década de 40 do século XX foi um período de grandes obras públicas e da exaltação da nacionalidade, com Lisboa a ser promovida como a capital do Império português.

Neste contexto, a Exposição do Mundo Português, destinada a comemorar as datas da fundação de Portugal e da restauração da independência, foi inaugurada em 23 de Junho de 1940, em Lisboa, pelo Chefe de Estado Marechal Carmona, acompanhado pelo Presidente do Conselho Oliveira Salazar e pelo Ministro das Obras Públicas Duarte Pacheco.

Quatro anos mais tarde, a 10 de Junho de 1944, foi inaugurado nos arredores de Lisboa (em Oeiras) o Estádio Nacional, com uma arquitectura inspirada na Escola Paisagista Alemã, e que, para além de servir para a prática do desporto, visava também a criação de um espaço para manifestações públicas inspiradas nos princípios políticos do Estado Novo.

O futebol português não fugia a esta “ditadura do centralismo” e a década de 40 ficou marcada por um domínio esmagador dos clubes da capital. Foi o período de ouro do BSB – Benfica, Sporting e Belenenses – que, inclusivamente, chegavam a formar uma selecção de Lisboa para jogar contra equipas estrangeiras.

Equipa de Lisboa num jogo contra o Vasco da Gama em 1947, com a inscrição no galhardete de "Selecção Benfica, Sporting e Belenenses" e "BSB" no emblema (fonte: Blog 'Futebol inesquecivel')


Após ter ganho os campeonatos de 1938/39 e de 1939/40, este último de forma brilhante (17 vitórias, 0 empates, 1 derrota), o FC Porto entrou num longo período de jejum de títulos.
No início de Maio de 1948 (a quatro jornadas do fim do campeonato) os “andrades” iam a caminho da 8ª época consecutiva na sombra dos clubes de Lisboa.

1940/41: 2º classificado
1941/42: 4º
1942/43: 7º
1943/44: 4º
1944/45: 4º
1945/46: 6º
1946/47: 3º

De facto, o Sporting, treinado por Cândido de Oliveira, iria ganhar o campeonato de 1947/48 (“o campeonato do pirulito” por ter sido decidido por um golo) e o FC Porto ficaria em 5º lugar, atrás dos habituais BSB e também do Estoril.



Em oito épocas, entre 1946/47 e 1953/54, o Sporting dos “cinco violinos” – Jesus Correia, Vasques, Peyroteo, Travaços e Albano – sagrou-se sete vezes campeão nacional, impondo recordes (um tri e um tetra) que só viriam a ser ultrapassados pelo FC Porto do Penta na década de 90.

Os “cinco violinos”


Quanto à Selecção dita nacional não diferia muito da equipa do BSB. Reflectindo a visão, poder e domínio avassalador dos clubes da capital, normalmente só incluía um portista – Araújo – sendo, por isso, designada ironicamente por Sport Lisboa e... Araújo.

António de Araújo nasceu em Paredes, a 28/09/1923, tendo chegado ao FC Porto na época 1942/43, onde ainda jogou ao lado do seu ídolo, Artur de Sousa (Pinga), até 1946.
Araújo era um exímio marcador de golos, quer no campeonato (foi o melhor marcador na época 1946/47, com 36 golos em 25 jogos), quer na Selecção Nacional. Aliás, logo na sua estreia, contra a França, foi o autor de um dos golos da vitória por 2-1 sobre os gauleses. No entanto, o jogo onde mais brilhou foi contra a Espanha, a 26 de Janeiro de 1947, no qual marcou dois golos que contribuíram para a primeira vitória (4-2) oficialmente reconhecida de Portugal sobre nuestros hermanos. A sua exibição neste jogo teve um tal impacto, que foi recebido na sua terra natal com bandas de música, foguetes e sessão oficial de boas vindas.
Entre Abril de 1946 e Novembro de 1947, Araújo fez nove jogos pela Selecção Nacional em que marcou seis golos. Numa altura em que os jogadores da “província” tinham o acesso à Selecção praticamente vedado Araújo, com a sua indiscutível qualidade, relegava para a reserva o sportinguista Vasques, impedindo que na Selecção se repetissem os «cinco violinos».

Apesar das vitórias sobre a França e a Espanha, foi também neste período que Portugal sofreu a derrota mais humilhante da sua história futebolística. A 25 de Maio de 1947, a Selecção inglesa veio ao Jamor derrotar a sua congénere portuguesa por 10-0, num desafio que ficou conhecido como «dez a fio».

A forma como a Inglaterra (a pátria do futebol) esmagou a Selecção Nacional, reforçou o seu enorme prestigio e a áurea de invencibilidade que tinham as equipas inglesas.

(continua logo à tarde)

Fontes: Wikipedia; 'História de 50 anos do Desporto Português', A BOLA

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Um portista nos Emirates


Resolvi ir a Londres para assistir a um jogo de futebol num ambiente mais “fervoroso” que hiper-valorizamos na base do que vimos na TV e, perder por perder, mais vale quando é contra uma equipa que joga a correr e a atacar, com alegria, com velocidade, muito passe, muita posse de bola, muito movimento, criando sucessivas ocasiões de golo, feita de miúdos e alguns graúdos. Fomos os bombos da festa e saímos pior que estragados, por muito que reconheçamos que o adversário é de outra galáxia.


E, contra uma equipa de outra galáxia, só uma equipa que sabe fazer das fraquezas forças, que entra e é capaz de dar tudo. Deixar a pele no campo. Convenhamos que aos jogadores custa muito deixar a pele no campo, pois lá se vão as tatuagens. Que chatice!

Só que é aqui que começa o problema: o FCP não é uma equipa. É um conjunto de jogadores, sem atitude, pouco solidários e sem comando. Pior: o colectivo é mais fraquinho do que pensava. O Arsenal trouxe à tona todas as nossas debilidades. Como é possível que o Cebola jogasse muito melhor no SLB que no FCP?

Entrosamento? Falta de rotinas? Que se passa? O futebol qualquer dia é uma ciência das mais esotéricas e só ao alcance de uns quantos iluminados. Haja pachorra, já que trabalho parece não haver.


Do jogo há crónica justa e certeira do Nuno, permito-me porém relevar um facto: para nós que estivemos no campo ficamos perplexos pela saída de Meireles. Creio, mesmo, que o melhor momento do FCP – os primeiros 20 minutos – tiveram claramente a sua assinatura. No meio daquela confusão pareceu-me sempre o mais lúcido. Na 2ª. parte só uma vez – na melhor jogada do 2º tempo – fomos capazes de fazer mais de quatro passos seguidos.

Outro factor preocupante é a condição física. O Arsenal andava como se fora um comboio de alta velocidade, o FCP mais parecia uma daqueles automotoras do Tua que anda muito devagarinho e que apesar disso descarrila frequentemente.


Quanto à nossa viagem tudo correcto. Vão os artistas e os técnicos, os dirigentes e assessores, os sponsors, os vips, a Comunicação Social e os sócios acompanhantes (pagantes). Fomos bem tratados e a Cosmos organizou as coisas satisfatoriamente, se bem que pudesse ter programado um ou outro esquema de visitas, pois ainda tivemos bastante tempo livre.

Os jogadores vieram “isolados” (no avião) do resto da comitiva, e apenas dois ou três pormenores que anotei, e que poderão ter sido meramente ocasionais e que devem ser acolhidos com toda a parcimónia.
O rosto super fechado de Reinaldo Teles no regresso e o facto do Presidente me parecer um pouco “afastado” dos restantes membros da SAD. Mas, não havia sinais visíveis de "descrença".

Uma noite que não esqueceremos.


Uma palavra para os sócios que acompanharam a equipa. Apoiaram-na enquanto tiveram alma. Eram bem mais numerosos do que esperava. Frio, vento e chuva: uma noite de Inverno, aquecida pela esperança que sempre anima os indefectíveis do FCP.

A equipa, como sempre, é pouco avessa a mostrar-se e situar-se próxima dos adeptos e não sabe criar empatia juntos dos que os elegeram como as suas vedetas maiores. Entram zangados e saem furiosos. Com os adversários, com os colegas, com os dirigentes, com os sócios que os sufocam de mimos e os assobiam por jogar pouco, com os baixos salários, com a crise petrolífera e financeira, com o mundo. São uns incompreendidos.

Depois desta derrota, bandeiras ao alto, mas nada de paninhos quentes. A equipa precisa de um tratamento de choque. Há umas semanas, o nosso Presidente escrevia o seguinte "... Do outro lado da verdade, um pedaço mais acima, mais a Norte, a formiga trabalha incessantemente, consciente de que só com tarefa árdua aguentará o Inverno e conhecedora de que viver à custa do sucesso sai sempre muito caro. Mantendo inexorável a sua política de que é no terreno que se ganha o pão, a formiga é diferente, é unida, é simultaneamente sensata e lutadora, é forte como o Dragão..."


Esta formiga, infelizmente, ultimamente parece mais uma lesma: trabalha mas não produz, está unida mas anda desencontrada, é sensata apenas no reconhecimento que parece mesmo uma lesma, e de lutadora tem mostrado demasiado pouco, tão pouco que a chama do Dragão há umas semanas não funciona, apesar dos esforços do veterinário do costume.

Depois da tempestade vem a bonança. Vamos acreditar que sim.

Fotos: uefa.com (clique nas imagens do jogo para as ampliar)

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Face à primeira exibição nesta edição da CL, qual o resultado que o FC Porto vai conseguir em Londres?


A resposta mais votada (por sinal a mais acertada, como se pode ver pela crónica do jogo), por uma curta margem, foi "Derrota por 2 ou mais golos de diferença" (27 votos, 29%).

Muito próximas da mais votada, estão as opções "Empate" e "A primeira vitória em solo inglês dos últimos anos" com os mesmos 25 votos (27%).
"Derrota por 1 golo de diferença" foi a opção menos votada com apenas 16% (15 votos).

Atitude competitiva miserável


Mais uma vez, num jogo em que se exigia confiança aos atletas para enfrentar uma das melhores equipas inglesas, Jesualdo Ferreira resolveu “inovar” e lançar um meio campo com quatro elementos: Fernando, Meireles, Guarín e Tomás Costa. É isso mesmo, Lucho Gonzalez, o cérebro da equipa, ficou sentado no banco. Sobre esta decisão tenho a dizer que se o Lucho não estava nas melhores condições físicas nem sequer devia ter seguido viagem para Londres. Se viajou então devia fazer parte da equipa titular, seria preferível ter de o substituir na segunda parte do que lançá-lo quando o jogo está perdido e a equipa do Arsenal tem todo o ascendente. Primeiro erro táctico do Prof.-Mestre.

Depois deste jogo, alguns portistas que ainda tinham ilusões quanto à qualidade dos reforços para as laterais deverão ter ficado mais elucidados. É muito difícil para um adepto entender que se gastem todos os anos milhões atrás de milhões em “reforços” para o lado esquerdo da defesa a empresários semi-desconhecidos, e quando cá chegam só demonstram que nem em equipas de fundo da tabela têm lugar a titulares. Hoje, o avançado Walcott fez gato-sapato do nosso defesa esquerdo, Benítez. O argentino não sabia mais e o médio que caía para o seu lado, Guarín, esteve péssimo e mostrou-se totalmente inexperiente para jogos deste calibre. Nesta altura pergunto-me porque não terá ficado Paulo Machado no nosso plantel, mas depois entendo que cometeu o pecado de não permitir mais uma oportunidade de negócio para a SAD, além de não se chamar Machadin ou Majado e não ter um empresário sul-americano. Segundo erro táctico do Prof.-Mestre: o lado esquerdo da defesa com Benítez e Guarín para travarem as investidas de Sagna e Walcott com diagonais de Fabregas e van Persie foi simplesmente anedótico. Claro que Wenger não é inocente e mandou a cavalaria avançar por aquele lado.

Ao intervalo e a perder por 2-0 o Prof.-Mestre decidiu fazer entrar Lucho (para virar o resultado, suponho) para o lugar de… Fernando. Guarín, que andava completamente perdido a arrastar-se em campo, continuou na equipa. Os primeiros 15 minutos arrasadores do Arsenal não são uma coincidência. Foi o terceiro erro táctico.


No artigo de opinião de ontem no jornal Abola, Miguel Sousa Tavares escreveu o seguinte: “(…) Logo à noite, no Emirates, frente a um Arsenal ferido pelo Hull City, espero o milagre, mas temo o inevitável. É quase certo que Jesualdo não vai fugir à regra dos treinadores portugueses quando se vêem perante jogos de dificuldade máxima: vai «inovar», reforçando o meio-campo ou a capacidade defensiva e desguarnecendo o ataque — dá quase sempre mau resultado, mas eles não resistem a tentar de novo. (…) Queira Deus que me engane, mas temo um FC Porto «de contenção», de «esperar para ver» e depois de «correr atrás do prejuízo»”. Não é que MST seja um visionário, todos nós já desconfiávamos que o treinador do FC Porto optasse pelo “reforço do meio campo”, o que não esperávamos era que o fizesse excluindo Lucho do onze inicial e incluindo o apagado Guarín.

O único lance digno de se poder apelidar de “transição rápida” foi aquela jogada que terminou com a cabeçada de Rodriguez à barra da baliza de Almunia. De resto, zero. Quando não há qualidade em campo para se fazer esse tipo de jogo seria preferível pô-lo de lado. É uma tristeza ver os jogadores do FC Porto recuperarem a bola na defesa e não saberem o que fazer com ela, para a perderem logo a seguir com passes longos para lugares desertos onde a defesa do Arsenal a vai tranquilamente interceptar. Será que o Prof.-Mestre não sabe o que é POSSE de bola?

No ataque tivemos um Lisandro e um Rodriguez abandonados à sua sorte a terem de vir buscar jogo ao meio campo ou a terem de receber os “charutos” para a frente pontapeados pelos defesas.


Quando é que o Prof.-Mestre se lembrará de dar uma titularidade ao Hulk? Pelo menos esse entra cheio de vontade de jogar futebol e não tem medo de enfrentar o adversário nem de chutar à baliza.


Foi mais uma derrota em solo inglês que começou a tornar-se perceptível a partir da meia hora de jogo, quando os ataques do Arsenal começaram a levar maior perigo à baliza de Helton e a nossa defesa começou a evidenciar graves falhas de concentração. O que certamente não estávamos à espera seria de uma falta de atitude competitiva tão gritante de alguns jogadores do FC Porto, que nem se mostraram dignos de envergarem aquela camisola. Os piores em campo foram, em minha opinião, Guarín e Raul Meireles que se mostraram apáticos e até amedrontados face ao ambiente e ao adversário que estavam a defrontar. O nosso meio campo foi macio demais, nunca conseguindo travar as investidas dos ingleses, nem sequer recorrendo à falta.

Houve demasiada reverência perante o Arsenal e ficou patente, mais uma vez, a incapacidade de Jesualdo em incutir motivação, querer e raça aos seus jogadores. É um low-profile doentio que parece deixar os jogadores deprimidos e inferiorizados.


Alguma coisa terá de mudar e muito para podermos pensar na qualificação na Liga dos Campeões e na revalidação do título. A começar por uma atitude agressiva de ataque ao jogo e por lutar pela vitória do primeiro ao nonagésimo minuto e não apenas nos primeiros vinte. E depois queixem-se que ouvem assobios no Dragão. Com essa atitude miserável não podem esperar muito mais.

Destaques negativos: Jesualdo Ferreira, Raul Meireles, Guarín, Benítez, Bruno Alves, Rolando e a atitude apática da equipa.

Destaques positivos: Tomás Costa, Lisandro e Hulk.

fotos: Record, uefa.com

terça-feira, 30 de setembro de 2008

Emirates Stadium

De acordo com o Relatório e Contas relativo ao exercício financeiro de 2007/08, a Arsenal Holdings PLC - a empresa-mãe do clube londrino - atingiu uma receita global recorde de 281 milhões de euros e um lucro ilíquido de 46 milhões de euros.
Uma parte muito significativa destas receitas são resultantes das assistências no Estádio Emirates, inaugurado em Julho de 2006 e com capacidade para receber 60.432 espectadores (é o segundo maior estádio da Premier League, atrás apenas do Old Trafford).


Os 31 jogos que a equipa disputou em casa ao longo da temporada de 2007/08 renderam 122 milhões de euros, ou seja, quase quatro milhões por jogo. A assistência média foi de 60.070 espectadores, o que significa lotação esgotada (99,5% da capacidade do estádio) em todos os jogos.

No total, as receitas cresceram quase 6,5% relativamente à temporada anterior e os custos salariais somaram cerca de 127 milhões de euros. O passivo do clube - constituído em grande parte pelos encargos assumidos com a construção do novo Estádio - situa-se actualmente em cerca de 400 milhões de euros.


Na "Deloitte Football Money League" referente à época 2006/07 - ranking dos clubes de futebol organizado com base na facturação ordinária - o Arsenal subiu da 9ª para a 5ª posição.
Em outro ranking dos clubes mais ricos - organizado pela revista norte-americana "Forbes", em Abril passado - o Arsenal surgiu na terceira posição, apenas atrás de Manchester United e Real Madrid.

Fontes: O JOGO de 28/09/2008, Wikipedia
(clique nas imagens para as ampliar)

Será desta?...

O FCP nunca ganhou em Inglaterra (da mesma forma, aliás, que nunca perdeu em solo português contra uma equipa inglesa). Será desta?

Confesso que estou razoavelmente pessimista, e penso que de longe o mais provável é que ainda não seja desta. No entanto, deixem-me começar pelos pontos que jogam a nosso favor neste jogo:

1) o empate dá-nos bastante mais jeito do que ao Arsenal (mesmo que a vitória não seja obrigatória para o Arsenal)
2) o Arsenal tem uma equipa muito "verdinha", isto é, muito jovem
3) o FCP tem certamente equipa para ganhar em casa do Arsenal num dia bom e/ou com uma ponta de sorte. Caramba, não somos menos do que o Hull...

Isso são as boas notícias... as más são que:

1) o FCP também tem uma equipa muito verdinha (tanto individual- como colectivamente)
2) o Arsenal tem melhores jogadores do que nós
3) o Arsenal tem melhor treinador do que nós
4) o Arsenal joga em casa, e o FCP de JF nestes jogos costuma dar-se sistematicamente mal

Sinceramente, se conseguirmos um empate que seja já seria fantástico, a meu ver; teoricamente penso que o resultado mais provável é para aí um 2-0 para o Arsenal.

Prevejo que joguemos bastante recuados; mas com jogadores verdinhos e que para mais não dão confiança por aí além na zona mais recuada do terreno, a coisa pode sair muito mal. Por isso mesmo pessoalmente apostava no esquema em que a equipa mais está rotinada, num 4-3-3 clássico com muita atenção a certas compensações e movimentos de transição defensiva, em particular no apoio de Meireles e Rodriguez a Benitez (já que a ala direita do Arsenal é muito forte), e em certa medida Mariano a Lucho e este a Sapunaru. Digamos que um 4-5-1 que se desdobra em 4-3-3 a partir do momento que a equipa recupera a bola; como penso que é quase certo que soframos golos penso que a melhor defesa é o ataque, ou no mínimo manter o Arsenal "em sentido", não os deixando cair muito em cima de nós.

Que 11 inicial? Não conheço ao certo a condição de certos jogadores, por isso não posso falar com certezas ou sequer enorme convicções. Mas penso q poderia não estar muito longe disto: Hélton; Sapunaru, Rolando, B Alves e Benitez (?); Fernando, Meireles e Lucho; Rodriguez, Lisandro e Mariano.

De qualquer forma isso é o que defendo (sem grandes convicções, já que Benitez não me dá confiança e Tarik, se em forma, me daria mais confiança que Mariano), mas o mais provável é que o Jesualdo Ferreira faça alterações significativas e q a equipa jogue apenas em contra-ataque, com a linha da frente muito (demasiada) recuada. Isto a fazer fé no passado.
Não me admiraria muito que Jesualdo escolhesse P Emanuel para defesa esquerdo, apesar de estar sem ritmo (ainda mais a defesa esquerdo, posição que já não conhece há 3 anos), ou até mesmo que apostasse em Lino ou Tommy para o meio-campo; mas sem rotinas em 4-4-2, tenho dúvidas que o resultado fosse satisfatório.

Les jeux sont faits. Role a bola, na consciência de que este Arsenal não é nenhum papão e, como disse inicialmente, que a pressão está muito mais do lado deles do que do nosso. Desejo do fundo do coração poder chegar ao fim do jogo com uma muito agradável surpresa, mesmo que o cérebro me diga que temos um jogo muito complicado pela frente...