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segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Venham mais como este


Bom jogo este de ontem no Dragão. As duas equipas estiveram bem, na
globalidade, e a arbitragem também.
O Feirense a juntar-se a equipas como um Chaves, Rio Ave ou Tondela
que, hoje em dia, são um osso duro de roer sempre que jogam na nossa
casa. Os bons velhos tempos, de vitória garantida neste tipo de partidas, já
deixaram de existir.

O VAR foi novamente protagonista mas desta vez pelas melhores razões:
três decisões difíceis, três decisões acertadas.
Num primeiro olhar, o lance (magnífico) do primeiro golo parecia,
de facto, fora-de-jogo, contudo o pormenor do pé do último defensor
contrário foi muito bem observado pelo VAR. É milimétrico? É, sim
senhor, mas é exactamente para isso que serve o VAR. Para além
do mais, em caso de dúvida, favorece-se o ataque. Recomendação muitas
vezes esquecida.
É o nosso melhor golo da temporada, até ao momento. Muito trabalho de
laboratório por ali andou. Estão de parabéns os executantes e, claro,
Sérgio Conceição.

O “onze” inicial apresentou a surpresa de Herrera ter ficado de fora,
pela primeira vez desde há cerca de um ano.
Compreende-se. Apesar do bom golo em Moscovo, o mexicano não tem
justificado a titularidade. E Óliver voltou a estar bem. Porém, tal
como sucede com Otávio, o problema é sempre o mesmo: quantos jogos
aguentará a este nível? O historial de ambos, neste aspecto, não
autoriza que se deitem, para já, muitos foguetes.

E temos, ainda, três jogadores em grande forma: Casillas (três
boas defesas, todas elas naqueles tipos de lance que muitos golos
originaram num passado não muito longínquo), Militão (de regresso
ao que de muito bom nos tinha habituado, após algum engasganço contra
o Lokomotiv) e Brahimi que está bem fisicamente e, assim sendo, passa
pelos adversários ainda com mais facilidade do que antes.
Aproveitemos enquanto ele ainda cá está e deliciemo-nos a vê-lo controlar aquele
esférico como mais ninguém.

Por fim, os dois casos mais complexos da nossa equipa: Corona e
Marega, claro está.
O mexicano tem, ultimamente, estado nos golos e nas assistências.
Quando ele consegue chegar à linha, é do melhor que existe: senta o
adversário e cruza, normalmente, com qualidade. O único senão é a
(baixa) frequência com que o faz. Tem que ser mais interventivo.
Contudo, após uma época de 2017-18 em que ele esteve pouco menos do
que péssimo, não nos podemos queixar muito do seu rendimento na
actual.
E o homem do Mali? Pois bem, foi mais uma exibição à Marega: perdeu
quase todos os lances (mesmo aqueles corpo-a-corpo em que é
especialista) até surgir aquele momento-chave em que decidiu a partida
por completo. E quem, senão ele?
Alguém teria coragem de o tirar da equipa? Nunca. Para a coisa
funcionar em pleno, o FCP necessita de ter sempre Marega em campo.

sábado, 22 de agosto de 2015

A colheita de 1991



«Mesmo tendo saído do FC Porto há duas temporadas, o argentino Nicolás Otamendi continua a render dinheiro aos dragões. Com a transferência confirmada esta quinta-feira, a equipa da Invicta encaixará 225 mil euros ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA, correspondentes a 0,5% do valor total da transação entre Valencia e Manchester City, feita por 45 milhões de euros. Estes 0,5 % referem-se à derradeira época de formação do defesa argentino, quando este cumpriu 23 anos.»
in record.pt, 20-08-2015


O que é isto do mecanismo de solidariedade?

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MECANISMO DE SOLIDARIEDADE

Artigo 1º - Contribuição de Solidariedade
Se um Profissional mudar de clube no decurso de um contrato, 5% do valor de qualquer compensação, à excepção da Compensação por Formação, paga ao Clube Anterior será deduzida ao valor total da compensação e distribuída pelo Novo Clube, como contribuição de solidariedade, aos clubes envolvidos na formação e educação do jogador ao longo dos anos. Esta contribuição de solidariedade será distribuída de acordo com o número de anos (calculado numa base percentual se for menos de um ano) que o jogador esteve inscrito em cada clube entre as Épocas do seu 12º e 23º aniversário, do seguinte modo:
- Época do 12º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 13º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 14º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 15º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 16º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 17º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 18º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 19º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 20º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 21º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 22º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 23º aniversário, 0,5% da compensação total

Artigo 2º - Procedimento de Pagamento
1. O Novo Clube deve pagar a contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es), em conformidade com as disposições acima estabelecidas, o mais tardar no prazo de 30 dias após a inscrição do jogador ou, em caso de pagamentos parcelares, 30 dias após a data de tais pagamentos.

Fonte: FPF

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Há um ano atrás, a comunicação social referiu que o FC Porto também lucrou com a transferência milionária de James Rodrigues para Madrid.
E porquê?
James esteve três épocas no Porto, entre os 19 e os 21 anos, o que significa que o FC Porto teve direito a 1,5 por cento do valor pago pelo Real Madrid ao AS Monaco (cerca de 1,1 milhões de euros).

No futuro, para além de James, há mais três jogadores que, tendo passado pelo FC Porto e rendido aos cofres da SAD largas dezenas de milhões de euros, ainda poderão proporcionar mais uns “trocados”: são eles Mangala, Danilo e Alex Sandro.

Estes quatro jogadores têm em comum terem nascido em 1991, chegado ao Porto com 19/20 anos e saído após completarem o ciclo normal de 3 ou 4 anos. Ou seja, em termos do mecanismo de solidariedade, qualquer um destes quatro jogadores proporcionará à FC Porto SAD 1,5% de uma eventual transferência futura.

Ora, atendendo ao seu (indiscutível) valor e idade atual (24 anos), eu diria que a probabilidade de novas transferências, envolvendo estes quatro jogadores, é bastante elevada.

Onze inicial do FC Porto na deslocação a Braga (época 2012/2013)

Rica colheita, esta de 1991.

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

O negócio Otamendi

Nicolas Otamendi está a ponto de converter-se num dos centrais mais caros da história do futebol, trocando o Valencia pelo Manchester City por valores que rondam os 40 milhões de euros (mais, de forma paralela, o empréstimo de um ano de Mangala ao clube espanhol com metade do salário pago pelo City). À falta de alguns detalhes, o negócio parece estar fechado.

É um negócio e pêras...um negócio, diria, à Porto!

E no entanto, Otamendi, que foi um dos esteios defensivos mais relevantes do FC Porto do pós-Ricardo Carvalho - fundamental no célebre ano AVB - saiu do FCP para a equipa espanhola por valores muito inferiores, um total de 12 milhões de euros sendo que, já na altura, se levantou uma polémica relevante e até hoje por explicar de 10% do passe de que o FC Porto abdicou sem dizer nem a quem, nem por quanto, semanas antes da venda oficializada do futebolista.

Naturalmente, tendo em conta as cifras desta operação, muitos adeptos começaram a levantar as mãos à cabeça com frases do estilo "Se tivesse ficado, eramos nós a receber os 40 milhões" ou um "Otamendi foi mal vendido" ou algo do estilo "Perdemos uma grande oportunidade de fazer um grande negócio". Ora bem, não estou de acordo. E para entender essa realidade é preciso entender igualmente a natureza deste próprio negócio. Porque nem Otamendi vale - nem valeu nunca 40 milhões - nem este negócio é expontâneo ou surge do nada por puro mérito do jogador. Este é um negócio Mendes, com todas as caracteristicas de um negócio Mendes e onde o clube vendedor é apenas um peão. Neste caso tocou ao Valencia - detido pelo amigo de Mendes, Lim - da mesma forma que no passado nos tocou a nós. Basta ver o exemplo de Mangala.

Otamendi é um bom central, um jogador capaz de exibir-se a um nivel muito mais elevado do que, diriamos, um David Luiz (sim, comparar os dois roça o delito, eu sei) mas nenhum outro empresário sacaria nem metade pelo seu passe nem outro clube, sem a ajuda desse empresário, seria capaz de o fazer. E isso inclui a SAD do FC Porto.

Quando Otamendi saiu, para o Valencia, a nossa situação financeira distava muito de ser a melhor. E por isso mesmo foi preciso fazer ajustes. Otamendi estava insatisfeito, queria dar o salto a uma liga mais mediática e era uma potencial fonte de problemas (olá Rolando) pelo que vendê-lo parecia tanto algo lógico como necessário. Conseguir um negócio na ordem dos 12 milhões de euros foi um excelente negócio tendo em conta essa realidade. Cinco meses depois podia valer mais? Sim, podia. E também podia valer menos. Ninguém sabia como se ia adaptar ao futebol espanhol (tanto é que teve de passar os seis meses seguintes no Brasil por problemas com o numero de estrangeiros do Valencia) ou que seria um dos protagonistas da "Albiceleste" no Mundial do Brasil. Havia muitos factores ponderáveis e vender por esse valor era o melhor negócio possível na altura. Foi portanto uma decisão acertada.

Hoje Otamendi não é melhor jogador que era então mas vale quase o triplo. Porquê?
Porque o seu empresário assim o quis. Ao enviar Otamendi para Valencia (quando o clube ainda não era detido por Lim), Mendes fez o mesmo que depois conseguiu com outros jogadores, sobretudo do Benfica, colocando-os em equipas (como o Monaco ou o Atlético de Madrid) onde as entradas e saídas é ele que controla directa ou indirectamente. A partir de aí, com a faca e o queijo na mão, Otamendi foi esperando o próximo salto porque todos sabemos que, salvo casos excepcionais, os jogadores de Mendes duram muito pouco nos seus clubes. A comissão dos 10% tem de se actualizar a pouco e pouco. O Valencia teve ofertas do Man United e do AC Milan por Otamendi. Mas a primeira não chegava sequer a estes valores - nunca passou os 30 milhões - e a segunda esbarrou com a aposta em Romagnoli, jovem promessa italiana. O City, carta fora do baralho até à pouco tempo, pelo contrário, tem excelentes relações com Mendes e cashflow suficiente para não só por na mesa o valor pedido pelo agente como ajudar a potencializar outro dos seus activos num clube amigo, o nosso velho conhecido Mangala. Um negócio destes ronda o surreal mas é a base do mundo actual.

O FC Porto tem-se beneficiado e muito dessa relação. Há largos, larguissimos anos que o FC Porto não vende, por valores astronómicos, um só jogador que não seja de Mendes ou que este esteja envolvido no negócio (ás vezes, via comprador). Mais, a maior parte dos clubes que compram ao FCP (russos, turcos, ingleses, espanhois, franceses) trabalham directamente com ele. É graças a essa teia que conseguimos sacar muitos dos milhões de que nos gabamos em negócios improváveis como o de James, Mangala, Fernando e companhia. Otamendi podia ter saído por outro valor se não fosse um activo Mendes, mas o preço ajustado à realidade do mercado foi talvez a contrapartida para um negócio bombástico meses depois. Não há almoços grátis.

A Otamendi está claro que todos gostariamos de ter visto seguir para Manchester via Porto com um cheque daqueles no bolso e não por valores aceitáveis mas pouco entusiasmantes para Valencia onde serviu de ponte para o grande negócio mas nem sempre podemos ser os protagonistas deste mundo. Por cada Mangala tem de haver um Otamendi, por cada grande e inesquecivel venda haverá sempre alguém que escape e não é por isso que se actuou erradamente na altura. Otamendi desportivamente tinha lugar em todos os onzes do FC Porto desde que saiu mas ter um jogador a contra-gosto é o primeiro passo para ter problemas. Otamendi rendeu 12 milhões de euros (menos os tais 10% fantasmas) e um problema a menos no balneário. Abriu espaço para a afirmação de um Mangala que rendeu muito mais financeiramente (ainda que seja pior desportivamente). Podemos ficar satisfeitos com o deve e o haver desta operação e com a gestão do clube. Porque agora mesmo, para sufragar a sua politica - e estar de acordo ou não é tema para outra conversa - só com a bendição de Mendes e da sua teia de negócios é que o FC Porto sobrevive. E quando o empresário passar a cobrar os seus serviços, reduzindo preços de passes em vendas para os "seus" clubes, haverá sempre pouca margem de manobra para recusar. Foi esse o pacto do Diabo e os pactos cumprem-se até ao fim!

sábado, 29 de novembro de 2014

A transferência de Mangala para Totós

O JOGO, 12-08-2014
Para quem duvidou do montante recebido pelo FC Porto na transferência de Mangala para o Manchester City;

Para quem não percebe a diferença entre o montante de uma transferência e a mais-valia gerada por essa transferência;

O Relatório e Contas Consolidado - 1º Trimestre 2014/2015, da FC Porto SAD, não esclarece tudo, mas dá uma ajuda:

«Alienação dos direitos de inscrição desportiva do jogador Mangala ao Manchester City, pelo montante de 30.503.590 Euros, que gerou uma mais-valia de 22.806.942 Euros, após dedução do valor global de 11.073.331 Euros relativo a:

(i) efeito da actualização financeira das contas a receber a médio prazo originadas por estas transacções;
(ii) responsabilidades com o mecanismo de solidariedade;
(iii) custos com serviços de intermediação prestados pela Gestifute – Gestão de carreiras de Profissionais Desportivos, S.A;
(iv) valores a pagar ao jogador a título de indemnização;
(v) do valor líquido contabilístico do passe à data da alienação.

Adicionalmente, o clube comprador assumiu a obrigação de pagar directamente à Doyen a proporção que esta entidade detinha sobre os direitos económicos do jogador pelo que o passivo reconhecido na rubrica de “Outros Credores” em 30 de Junho de 2014 (Nota 11), no montante de 3.376.684 Euros, foi revertido e reconhecido no cálculo da mais-valia.»

Fonte: Futebol Clube do Porto – Futebol SAD, Relatório e Contas Consolidado - 1º Trimestre 2014/2015

sexta-feira, 25 de abril de 2014

2002 revisited?

Como já foi aqui discutido, depois de uma péssima época e com a perspectiva elevada de vermos «jóias da coroa» de saída no Verão (Jackson, Mangala, Fernando?), encontramo-nos num ponto de charneira (desculpem o cliché).

Felizmente é raríssimo passarmos por esta situação: a matéria passada para benchmarking é portanto escassa. Pessoalmente penso que a época de 01/02 é o ponto de comparação mais parecido nos últimos 20 anos, mais do que 04/05 ou até mesmo do que 09/10.

Também essa época foi muito má, tendo terminado o campeonato também em 3o lugar. E foi má acima de tudo por causa da escolha do treinador, tal como este ano - nesse caso Octávio Machado (que viria a ser substituído a meio da época por Mourinho, mas demasiado tarde para dar a volta - já agora, passou para a história o ideia de que tudo mudou drasticamente para melhor mal o Mourinho chegou, mas isso é um mito: numa quinzena de jogos para o campeonato Mourinho ainda «conseguiu» perder 3 jogos e empatar 2. Demorou portanto algum tempo a ver-se melhoras substanciais, só mesmo na recta final da época).

Também essa época terminou com a impressão de que o plantel era mais fraco do que realmente era. A ideia que ficou para a história foi de que o plantel era medíocre, mas repare-se em alguns nomes que lá estavam quando Mourinho chegou: 

Baía, Rubens Jr, R Carvalho, J Costa, Jorge Andrade, Costinha, Paulinho Santos, Paredes, Deco, Alenitchev, McCarthy, Postiga, Capucho, Clayton.

Era um plantel bem jeitoso, ainda que desequilibrado (ficou conhecido como o «plantel dos trincos», havendo pelo menos meia dúzia de médios defensivos).

Da mesma forma, penso que neste momento o plantel está subavaliado em função do (mau) trabalho do treinador. Este plantel não é excelente, mas é bem jeitoso.

Mas há outro factor comum nas duas épocas: em ambos os casos a situação financeira estava muito complicada (claramente mais do que em 09/10 e - ainda mais - 04/05).

Como demos a volta, todos sabemos: contratou-se um excelente treinador e (também em função dessa decisão, em boa parte) reforçamo-nos com alguns excelentes jogadores por uma pechincha: Maniche, Derlei, Paulo Ferreira, Nuno Valente e Pedro Emanuel (para além de outros reforços secundários, também eles muito baratos).

Mas há um outro factor que ajudou imenso e que não ficou para a história (pelo menos quase ninguém se lembra): acontece que conseguimos «segurar» as jóias da coroa (com a excepção de Paredes, mas esse já tinha muito boas alternativas dentro do plantel, em particular Costinha) apenas e só porque a SAD fez um aumento de capital que «injectou» 50M€, um enorme balão de oxigénio (e na altura 50M€ cobriam muitos mais custos do que agora).

Ora é aqui que a comparação deixa a situação actual numa luz desfavorável. Neste momento o cenário de nova injecção de capital parece-me impensável: o clube não tem possibilidades de acompanhar um aumento de capital, os Oliveiras não têm interesse e/ou capacidade, as imobiliárias muito menos (não há nenhum novo estádio para construir ou PPA...) e os adeptos comuns estão vacinados contra comprar acções da SAD (na altura a SAD ainda era uma coisa muito recente e havia quem tivesse a ilusão de que comprar acções não fosse equivalente a deitar dinheiro ao lixo, como de facto é). 

Aliás, mesmo que hipoteticamente houvesse quem quisesse tomar uma posição importante na SAD, podiam já hoje comprar os 19% que a Sacyl Vallehermoso herdou da Somague e que, estou certo, estaria bem disposta a vender por uma oferta minimamente decente (como o valor nominal das ações - o que iria traduzir os 19% em cerca de 15M€ - ou nem isso). O facto disso não acontecer diz muito.

Ou seja: quase certamente o novo treinador vai assistir à saída de 2 ou 3 jóias da coroa sem que haja grande dinheiro para novas contratações. Penso que a era de gastar anualmente uns 40M€ em passes  (como fizémos em média nos últimos 4-5 anos) acabou claramente.

A alternativa para remediar a coisa seria arranjar quem nos emprestasse mais umas dezenas de milhões, mas mesmo que isso seja possível (e não é nada líquido que o seja), já começa a tornar-se mais roleta russa do que jogada de risco - já que aumentaria ainda mais a dívida e iria aumentar o «fardo» dos juros (que já anda em 10M/ano) em vários milhões por ano. O SCP enveredou por essa via no virar do milénio, com as consequências que se viram e se fazem sentir ainda muito claramente mais de 10 anos depois...

Torna-se portanto ainda mais fundamental acertar em cheio no próximo treinador, e convenhamos que a probabilidade de que se «encontre» o próximo Mourinho é baixa. Se o próximo for «meramente» um «bom» treinador já era óptimo... pessoalmente prefiro de longe um treinador conceituado (que, entre outras coisas, saiba lidar com «vedetas» e pseudo-vedetas, e imponha muito respeitinho aos jogadores) do que mais outra tentativa em tirar coelhos da cartola com treinadores de CV modesto .

A segunda grande questão é se saberemos, tal como no fim de 01/02, contratar muito bem por uma pechincha. E também aí a probabilidade não é lá muito alta, constatando-se que isso tem sido cada vez mais raro nos últimos 10 anos (quase todas as grandes vendas da última meia dúzia de anos custaram muitos milhões à partida, não uma pechincha).

Resumindo e concluindo: o plantel actual é melhor do que parece, mas a tarefa que temos pela frente é hérculea, com muito pouca margem de erro. Para ser sincero, já não tenho a confiança nas capacidades de PdC que eu tinha em 01/02 (apesar do disparate que foi na altura escolher Octávio e o «estouro» de dinheiro em tiros-ao-lado como Kaviedes, Quintana e Esnaider), ainda que ele ainda tenha certamente algumas das boas capacidades que o distinguiram ao longo dos últimos 30 anos.

A minha confiança numa grande reviravolta não é, portanto, propriamente elevada. O que não invalida naturalmente que mantenho a esperança que o «bom» PdC mostre que ainda «está para as curvas»; que está à altura dessa tarefa hérculea. Mas estou, acima de tudo (e mais do que desanimado ou angustiado) expectante para ver o que ele vai fazer. Quem me dera que este Verão seja uma reedição do que assistimos em 2002 (na escolha de treinador e contratações)...

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Cu(r)tty S(t)ark

Um golo, duas bolas ao poste esquerdo da baliza defendida por Beto e mais cinco boas oportunidades do FC Porto – Mangala aos 36’, Quaresma aos 37’, Jackson aos 67’, Quintero aos 71’, Ghilas aos 81’ –, traduziram-se no final destes primeiros 90 minutos numa vantagem mínima (1-0). É um resultado demasiado curto para aquilo que foi o desempenho das duas equipas neste jogo.

O Sevilha foi uma equipa compacta, que jogou com linhas juntas e tentou, várias vezes, sair rápido em contra-ataques perigosos. Mas os dragões tinham a lição bem estudada, foram competentes e nunca permitiram que isso acontecesse (grande jogo do “Polvo”).

Ocasiões de golo do Sevilha houve apenas duas e ambas na sequência de bolas defendidas para a frente por Fabiano (o “gigante” brasileiro terá de estar mais seguro no jogo da próxima semana no Sánchez Pizjuán).

Golo de Mangala após cruzamento de trivela de Quaresma (fonte: LUSA)

É difícil escolher o MVP deste jogo.
Mangala “voador” impôs a sua capacidade atlética e voltou a marcar na Liga Europa.
Fernando encheu o campo e, para além das muitas bolas recuperadas, deu quase sempre sequência às jogadas com visão e inteligência (está muito melhor neste aspecto).
Quaresma voltou a demonstrar ser o extremo/ala português em melhor forma. Entre outras coisas, fez duas assistências de trivela (para Mangala e Jackson), teve um espectacular remate de primeira (que Beto defendeu) e enviou uma bola ao poste.
Mas a minha escolha é Diego Reyes. No seu 2º jogo para as competições europeias, dobrou várias vezes os seus companheiros da defesa e não me lembro de uma única falha deste campeão olímpico mexicano.

Se é difícil escolher o MVP, é muito fácil escolher o “artista” deste jogo: o árbitro alemão Wolfgang Stark, o qual, para além de alguns erros menores (por exemplo, em dois lances que seriam canto a favor do FC Porto, assinalou pontapé de baliza), teve um critério disciplinar vergonhoso.

Mostrou um cartão amarelo ridículo a Jackson e colocou-o fora do jogo da 2ª mão, num lance em que é o jogador do Sevilha (Iborra) que se encosta a Jackson e simula ter sido violentamente atingido na cara.
Mas, depois, o critério disciplinar do senhor Stark passou do 80 para o 8 e poupou vários cartões amarelos a jogadores da equipa andaluza, a saber:
- José Antonio Reyes (na falta sobre Alex Sandro, que antecedeu o golo do FC Porto);
- Daniel Carriço, duas vezes (na primeira situação o ex-sportinguista até pediu desculpa ao árbitro);
- Marko Marin, seu compatriota, que também escapou duas vezes à cartolina amarela;
- Coke (numa entrada de pés juntos sobre Quintero);
- Nico Pareja (falta sobre Jackson à entrada da área)

Apesar de estar a adoptar este critério largo (com os jogadores do Sevilha...), o senhor Stark não hesitou em mostrar dois cartões amarelos a Fernando na mesma jogada. Fantástico!

Num jogo que podia (e merecia!) ter ganho por 2 ou 3 golos de diferença, o FC Porto vai para Sevilha com apenas um golo de vantagem e sem poder contar com Jackson e Fernando (já nem falo nos lesionados Helton e Maicon). Não vai ser nada fácil. Esperemos não ter de jogar também contra uma arbitragem caseira.

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Mercado

Continuando a sua gestão (essencialmente) errante, as movimentações do Porto neste último mercado de transferências, saldaram-se em:

Entradas


- Quaresma
Uma aposta sem história dado que mesmo em final de carreira, o antigo cabeça-de-cartaz no período Jesualdo Ferreira, é muito superior a qualquer um dos extremos que já faziam parte do plantel.
Custo: zero.


- Abdoulaye
O marfinense regressa depois de ter cumprido a primeira volta ao serviço do Guimarães, para colmatar a saída do Otamendi.
Custo: zero.

Saídas


- Lucho González
Em nítido declínio (físico), o até aqui titularíssimo e capitão de equipa, trocou o Porto por um petroclube das arábias, em dia de jogo - uma estreia que cada vez supreende menos; uma equipa já de si sem norte, perde um líder e um jogador experiente.
Proveito: zero.


- Otamendi
O central argentino, titular na equipa que venceu há 3 anos a Liga Europa, foi "empurrado"(?) para fora do clube, num processo pouco condizente com a fama de que goza a "estrutura".
Proveito: 12 milhões (se forem efectivamente pagos)


- Sinan Bolat
A passagem do guarda-redes turco pelo Porto, é um sinal claro de que alguma coisa está muito errada.
Proveito: ?

Conclusões

O reduzido número de entradas e saídas, não permite retirar grandes ilacções, excepto que o número/qualidade dos extremos à disposição do treinador no início da época, óbvio para qualquer leigo, era claramente insuficiente - daí o regresso (tardio?) do Quaresma. Já a saída do Lucho González, foi completamente inesperada. Se, por um lado, não faria sentido negar ao jogador a hipótese de assinar um contrato milionário, é incompreensível que um jogador titular - cuja utilização, o treinador não soube gerir - saia sem qualquer compensação para o clube - e dinheiro não deve faltar para isso - e mais, que a saída se concretize num dia de jogo. De resto, o futebol apresentado até aqui é tão mau, tão mau, que é impossível apontar uma única área específica do plantel que necessite de ser reforçada; por outro lado, alguns jogadores são reconhecidamente capazes de se exibir num nível muitíssimo superior a aquele que têm vindo a demonstrar. Otamendi, é um caso flagrante - um jogador que já demonstrara ter qualidade, (aparentemente) perdeu no "duelo" com um treinador que não demonstrou nada, e que tem "queimado" jogadores - exemplos: Quintero passou de bestial a besta, Mangala irreconhecível, Jackson por conta própria - mais rapidamente que um incêndio de verão. Abdoulaye, regressa para o banco, quando ainda podia continuar a evoluir em Guimarães (e principalmente, continuar longe do Paulo Fonseca).

No que respeita a quase-saídas, Mangala esteve com um pé no Manchester City, mas para felicidade do clube inglês, a transferência gorou-se; ao ritmo que o jogador se vem desvalorizando, no final da época, o mais provável, é que consiga contratá-lo, caso ainda haja interesse, por um valor bem abaixo daquele que estaria envolvido se a transferência se tivesse ocorrido agora. O internacional francês tem sido invulgarmente resistente a transferir-se, mas duvido que na próxima época ainda esteja por cá, quanto mais não seja, pelo o risco bem real de o Porto se ver reduzido a disputar a Liga Europa.

Defour esteve à beira de se transferir para o Fulham, mas a saída do Lucho González gorou essa hipótese. O belga nunca foi visto como sucessor natural do Moutinho, a julgar pelo valor investido no Herrera - para um clube com a capacidade financeira do Porto, dispender €8.000.000* num um só jogador, só mesmo num titular - mas agora vai ter de servir, dê lá por onde der; o Porto decidiu arriscar forte no mexicano, inutilizou uma quantia considerável, para no final ter de recorrer a uma segunda-escolha, que não passa de um jogador útil para ter no plantel, mas não para ser titular.

Fernando, contra todas as expectativas, lá renovou.

* cerca de €1.000.000, foi para o empresário do jogador

sábado, 4 de janeiro de 2014

Mais um lateral?

O FC Porto tem dois defesas laterais que, em conjunto, custaram à FCP SAD cerca de 28 milhões de euros.

Relatório e Contas Consolidado do 1º Trimestre 2011/2012

Apesar de Danilo e Alex Sandro serem dois titulares indiscutíveis, não só pelo seu valor futebolístico, mas também por aquilo que representam em termos do enorme investimento feito pela SAD (que terá de ser rentabilizado), é necessário existirem alternativas para eventuais lesões, castigos ou abaixamentos significativos de forma destes dois internacionais brasileiros.

Quais são, então, as alternativas à disposição de Paulo Fonseca?

Defesa/Lateral direito

Víctor García – internacional Sub-20 da Venezuela, chegou a meio da época passada, tendo feito alguns jogos pelos juniores do FC Porto; esta época agarrou a titularidade da equipa B e já foi chamado por Paulo Fonseca para um jogo da Taça de Portugal.

Ricardo – extremo direito; desde a pré-temporada foi testado várias vezes por Paulo Fonseca também na posição de lateral direito.

Maicon – defesa central; na época 2011/2012 foi adaptado e utilizado durante vários meses, com relativo sucesso, como defesa direito.

Defesa/Lateral esquerdo

Mangala – defesa central; na época 2012/2013 foi adaptado e utilizado várias vezes por Vítor Pereira como defesa esquerdo; nesta época Paulo Fonseca já fez o mesmo.

Quiñones – titular da equipa B; internacional Sub-20 da Colômbia, foi cinco vezes convocado por Vítor Pereira para jogos do campeonato 2012/13 e uma vez utilizado durante os 90 minutos (no FC Porto x Rio Ave, disputado em 23 Fevereiro 2013).


O JOGO, 01-01-2014

Havendo este conjunto de alternativas para as laterais, todas elas já testadas, quer nesta época, quer em épocas anteriores, para quê gastar mais dinheiro na contratação de um novo defesa lateral, ainda por cima para ser suplente de Danilo ou Alex Sandro?

terça-feira, 5 de novembro de 2013

LMS do Dia

Um dos motivos invocados para a não-renovação do contrato com o Vítor Pereira - pois é, sempre ele ... - era o facto de não saber valorizar ou fazer evoluir jogadores, sendo o Maicon, muitas vezes apontado como exemplo. Assim como assim, não será melhor um treinador que não valoriza, a um treinador que só desvaloriza? Longe vão os tempos em que o Mangala - e nem vou citar outros casos - era cobiçado pelo Barcelona; actualmente, não o quererá nem de borla.

segunda-feira, 16 de setembro de 2013

A moralidade do FCP e a France2

Quando os jornais e as televisões portuguesas publicam artigos e reportagens sobre o FC Porto, o adepto azul-e-branco raramente espera algo positivo. É uma marca que vem de há muitos anos. A Bola, o Record e até O Jogo têm sido veículos predilectos para muitos interesses que estão por detrás de alguns dos capítulos mais desagradáveis do nosso futebol. A juntar a isso a tendência centralista e especulativa de alguma imprensa mainstream - e a falta de uma resposta à altura da imprensa regional e local, PortoCanal incluído - permitiu criar esse ambiente. Ou seja, para o adepto do FCP, uma má imagem do clube destas fontes vale pouco. Mas e se essa má imagem vem de fora, pensará o mesmo?

O canal francês France2 emitiu uma reportagem fabulosa sobre os podres do futebol mundial.
Uma dessas reportagens de investigação ao nível de programas como o Panorama da BBC - responsável por desmontar a corrupção da FIFA e do COI, por exemplo - e que analiss em detalhe a partir de uma perspectiva local para o espaço global como o futebol é hoje um negócio gerido por figuras perversas e que actuam nas sombras enquanto os adeptos se distraem com os jogos, os títulos, as desilusões. O trabalho jornalístico é de primeiro nível e a reportagem está a ser citada na imprensa de todo o Mundo como mais um exemplo de jornalismo de alto nível. Lamentavelmente para o FC Porto. Depois da emissão desta reportagem a nossa imagem pública internacional está bastante mais afectada.



Durante meia-hora o FC Porto é utilizado como exemplo para explicar como os fundos de investimento controlam hoje jogadores em todo o Mundo e, com eles, aumentam os seus interesses no desenrolar da temporada futebolística. O pretexto é o caso Mangala, internacional francês.
Podiam ter escolhido vários clubes na Europa. O FC Porto não é, de longe, o único que trabalha com fundos. Mas tem-no feito com regularidade e com sucesso nas vendas (aumentando as receitas de rentabilidade dos mesmos fundos e alguma inveja alheia, convenhamos) e o facto de contar com um internacional francês e ser presença regular na Champions League (e no vocabulário habitual do adepto do futebol) torna-o um alvo perfeito.
A reportagem analisa a forma como Mangala chegou ao FC Porto e o seu passe foi, meses depois, vendido a um fundo (33,3%, o mesmo valor de Defour que não entra nestas contas) o Doyen Group. Um fundo que ninguém sabe de quem é e que se dedica a tudo menos ao futebol. Os relvados servem, sobretudo, para a lavagem de dinheiro. Mais ainda, o programa destapa que o FC Porto deu - repito, DEU - 10% da receita de uma futura venda do francês a um grupo também desconhecido que, resulta, pertence a Luciano D´Onofrio, um empresário belga muito conhecido cá no burgo e tão exemplar que a própria FIFA - que não é propriamente flor que se cheire - o baniu de ser um agente oficial. Ora é fácil fazer as contas. Se Mangala sair por 30 milhões do FC Porto, 3 milhões são de Onofrio. Seja essa percentagem uma comissão que não podia ser paga legalmente (o que nos leva à pergunta, porque negoceia o FCP com agentes ilegais e sabendo-o não pode ser isso um eventual delito?), um favor antigo retribuído ou, pura e simplesmente, porque Luciano é um velho amigo de alguns membros da cúpula directiva do clube, o facto é que há 10% de um dos nossos melhores jogadores que não é nosso não porque tenha sido vendido mas sim dado. A um homem que, curiosamente, era o director-desportivo do Liege quando o mesmo jogador foi vendido. A palavra "suborno" poderia ser utilizada? Algum advogado seguramente não teria problemas em demonstra-lo!  Parece-me um dado suficientemente preocupante para alguém, de forma oficial, o venha a esclarecer.

Claro que a reportagem não fica só aqui.
Com imagens do Porto, do Dragão, do Olival, o FC Porto transmite também uma imagem de inflexibilidade que soa claramente a receio de que se descubram coisas que alguém não quer que sejam públicas. A meio de uma entrevista com o próprio jogador - que confessa que nem sequer sabia que 10% seus pertenciam a D´Onofrio e 33% à Doyen - a responsável de comunicação do clube proíbe-o de falar do seu próprio passe e contrato com o jornalista. Ante a sua estupefacção - a do jornalista, claro, porque o Mangala mostra-se obediente como não se esperaria outra coisa - a desculpa é que no FC Porto só os dirigentes falam de negócios. Algo entendível se o jornalista estivesse a pedir ao seu compatriota que comentasse a política de contratações do clube, o salário de um colega ou o valor de um negócio realizado no defeso. Mas a conversa com Mangala era sobre Mangala. E o jogador do FC Porto descobre que está proibido pelo clube para falar de si mesmo. Jogadores como gado podia dizer-se, jogadores como mercadoria como o próprio Mangala confessa. Nada mais.



No decorrer do trabalho fica claro que o FC Porto não comete nenhuma ilegalidade.
O próprio secretário-geral da FIFA, Jerome Valcke, confessa-o. Há demasiados buracos na legislação para poder castigar o clube ou o jogador. É a Doyen e, em maior medida, o próprio D´Onofrio, quem se movem em águas turvas neste negócio (como em tantos outros). Mas basta um pequeno ajuste legal e, de repente, negócios como este (e como tantos outros que fazemos) podem cair num buraco legal perigoso que homens como Platini (que também aparece em cena) poderiam aproveitar para aplicar uma jeitosa suspensão como a que já está a ser colocada em prática com clubes turcos ou em casos que envolvem o Financial Fair Play. Sem cometer nenhum crime legal parece-me evidente que, ao longo de trinta minutos, qualquer espectador deste documentário ficará com uma imagem do FC Porto como um clube que ultrapassa todos os códigos morais e éticos.

Comercializar com fundos, em vez de clubes. Oferecer percentagens de jogadores grátis a empresários que estão banidos pela própria FIFA. Proibir os jogadores de falarem do seu próprio contrato e da sua situação contratual com a imprensa do seu país. Comprar jogadores por inteiro para vendê-los às fatias. Tudo atitudes da SAD que tenho criticado habitualmente aqui e que agora são reflectidas na imprensa internacional com a isenção que sabemos que nunca vamos encontrar em Portugal. O clube que por um lado impressiona pela qualidade das suas vendas - protagonista de duas séries especiais com a Marca - é agora também o clube que desilude pelos seus métodos de compra, venda e as suas amizades perigosas.

Entendo que o FC Porto SAD deva realizar uma operação de charme na imprensa europeia porque reportagens como esta valem tanto para o público europeu como uma vitória contra o Paris Saint-Germain. Vender esta imagem, lá fora, onde se tomam as decisões importantes, é algo que devemos evitar. Que em Lisboa digam o que quiserem, isso já nem nos afecta (nem devia afectar). Que o digam em Paris ou, eventualmente, em Londres, Berlim ou Roma é outra história. Não somos o único clube do Mundo que se move em areias movediças, longe disso. Não somos nem os mais podres, nem os piores, nem os mais "mafiosos", nem os que manobramos amizades mais perigosas e muito menos os que temos o hábito de anunciar que vendemos jogadores que afinal continuam a ser nossos. Nem de longe nem de perto. Temos comunicados relativamente transparentes, temos o hábito de revelar que percentagens temos e a quem (e por quanto) vendemos o que não temos e isso é de louvar. Mas talvez não seja a transparência ou não o problema.

Tal como defende a reportagem - e eu subscrevo - o problema não é legal. É moral. A partir de aí entra a percepção de cada adepto. Pode haver os que entendam que é normal que o FCP tenha esta atitude. Pode haver até os que achem que não só é normal como desejável. Entendo também que exista gente que não gosta mas se resigna. O clube é de todos e a imagem manchada de um clube mancha a todos os seus adeptos. E tudo pela nossa forma de fazer (muitos) negócios. Para mim, a moralidade da gestão do FC Porto em muitos negócios deixa muito que desejar. E não é essa a imagem que eu quero que o Mundo tenha do meu clube quando há tantas coisas boas que podemos reivindicar como a nossa verdadeira imagem de marca.


PS: Para os que sabem francês, aqui podem ver o documentário completo. A parte afecta ao FC Porto arranca ao minuto 33 e prolonga-se até à hora e dois minutos de exibição.

quinta-feira, 9 de maio de 2013

Jogadores que cresceram na era VP

(jornal O JOGO, 06-05-2013)
Desde o primeiro dia em que assumiu o comando técnico dos dragões, Vítor Pereira nunca foi levado a sério, nem beneficiou da simpatia de jornalistas, comentadores ou da maior parte dos adeptos portistas.
De facto, e apesar de apenas ter registado uma derrota em 58 jogos para o campeonato, as críticas a Vítor Pereira têm sido muito mais do que os elogios.

Uma das acusações que se ouve recorrentemente (principalmente entre adeptos portistas) é a de nenhum jogador da equipa do FC Porto ter evoluído e crescido futebolisticamente nos últimos dois anos.
Será isto verdade?
É óbvio que não. Aliás, já aqui falei nos casos de Maicon (considerado por muitos o melhor defesa-central do último campeonato), Alex Sandro (alguém se lembra de Alvaro Pereira?), Mangala (o defesa goleador, jogando quer no centro, quer à esquerda), Fernando (deixou de ser um pivot fixo que só defendia) e Jackson Martinez (cujo desempenho e veia goleadora com a camisola azul-e-branca até surpreendeu os seus compatriotas).

A todos estes exemplos, podemos juntar o caso de Moutinho que, como o jornal O JOGO destacou na passada segunda-feira (ver recorte/imagem neste artigo), está a fazer a sua melhor época de sempre, alargando a sua influência a outras zonas do terreno e batendo os seus recordes de golos e assistências.

Pode discutir-se qual o mérito de Vítor Pereira na evolução registada por estes e outros jogadores.
Pode alegar-se que estes jogadores são tão bons, que teriam evoluído independentemente do treinador, dos métodos de treino e do modelo de jogo adoptado pela equipa.
O que não me parece correto é negar as evidências e dizer que nenhum jogador evoluiu desde que Vítor Pereira é o treinador principal do FC Porto. Isso é que não.

domingo, 31 de março de 2013

Mangala, a Torre

Mangala marcou o 1º golo, enviou uma bola à trave e, indiscutivelmente, foi um dos melhores no Académica x FC Porto. Não por acaso, quer A BOLA, quer O JOGO, escolherem-no como o melhor em campo.

Há cerca de dois meses atrás, publiquei um artigo intitulado 'Mangala, o monstro voador', em que, para além de recordar a notável evolução deste defesa-central francês, antevi a sua saída do FC Porto a curto prazo (muito possivelmente já no final desta época).

E cada vez estou mais convencido que o destino deste parisiense será o seu clube do coração (o atual Qatar Saint Germain...), ou um dos "tubarões" da Premier League (Manchester United, Manchester City, Chelsea ou Arsenal). Aliás, observando as extraordinárias características físicas de Mangala, não tenho dúvidas que encaixaria como uma luva no futebol inglês (com o seu potencial, imagino o que seria no centro da defesa do Man United, trabalhado por Sir Alex Ferguson).

Apesar da eliminação prematura nos oitavos de final da Liga dos Campeões, numa época onde o melhor clube português dos últimos 30 anos podería ter ido mais longe (custou-me mais a eliminação em Málaga do que a previsível não conquista do tri-campeonato), estou cada vez mais convencido que o passe de Mangala não ficou desvalorizado e irá ser avaliado num valor superior ao do Bruno Alves (22 MEuros) e próximo do recorde estabelecido por Ricardo Carvalho e Pepe (30 MEuros), outros dois defesas centrais que saíram do FC Porto para colossos europeus (Chelsea e Real Madrid).

(Mangala, melhor em campo do Académica x FC Porto, O JOGO)

Infelizmente, a FC Porto SAD só é detentora de 56,67% dos direitos económicos, mas é um privilégio vermos o Mangala vestido de azul-e-branco e, daqui a uns anos, vamos poder dizer que um dos melhores defesas centrais do Mundo jogou no FC Porto e foi aqui que evoluiu e deu o salto para a elite do futebol europeu.

sábado, 2 de março de 2013

Maicon, Mangala, Maicon

A exibição de Maicon no último FC Porto x Rio Ave não foi famosa. Para além das fortes responsabilidades que teve no golo dos vilacondenses, revelou-se preso de movimentos e com uma lentidão preocupante. A comparação com Mangala (impedido de jogar contra o Rio Ave devido a castigo) foi inevitável e nada favorável ao defesa-central brasileiro.

Contudo, a história destes dois jogadores não começa e acaba nos 90 minutos do último desafio disputado no estádio do Dragão. Vale a pena recordar o seguinte:

Em Dezembro de 2011, quando a FC Porto SAD vendeu parte do passe de Mangala, o ex-Standard Liège era o 4º defesa central do plantel, a dupla titular era formada por Rolando e Otamendi e Vítor Pereira era fortemente criticado por preferir jogar com o Maicon adaptado a defesa-direito, em vez de uma das escolhas naturais Fucile ou Sapunaru (na altura, ainda não era do domínio público que Fucile era uma das "maças podres" do balneário).

No final da época 2011/12, Mangala continuava a ser o 4º defesa central do plantel, mas a dupla titular passou a ser formada por Maicon e Otamendi. Depois de uma brilhante 2ª volta, muitos portistas e não só, comparavam a evolução do Maicon à de Pepe (já não se lembram?) e Maicon era considerado por muitos o melhor defesa central do campeonato português.

No início da época 2012/13, Maicon continuou em grande e, inclusivamente, durante a pré-temporada especializou-se a marcar golos de livre. A dupla titular continuou a ser formada por Maicon e Otamendi. Com o afastamento de Rolando, Mangala passou de 4º para 3º defesa-central do plantel mas, tal como Maicon um ano antes, aproveitou uma "invenção" do treinador Vítor Pereira para crescer futebolisticamente, quando foi adaptado a defesa-esquerdo para suprir a ausência do lesionado Alex Sandro.

Quando Maicon se lesionou com alguma gravidade, para além dos lamentos e críticas ao miserável relvado do Dragão, cheguei a ler/ouvir portistas sugerirem que Rolando deveria ser reintegrado, porque Mangala não dava garantias (era a fase em que o Mangala era apontado a dedo por alguns - ex. Luís Freitas Lobo - como um jogador bruto/excessivamente viril).

Perante a evolução registada e comprovada nos últimos 4-5 meses, hoje em dia já são poucos os portistas que duvidam da categoria/capacidade do Mangala. Inclusivamente, a comunicação social tem feito eco do "apetite" de alguns dos "tubarões" europeus por este super-atleta francês e até já se fala em valores (20 milhões de euros).

Sim, Mangala é um jogador extraordinário e, obviamente, eu preferia que ele não se tivesse lesionado e hoje à noite pudesse jogar o lado de Otamendi, formando aquela que é, atualmente, a melhor dupla de defesas-centrais do futebol português.
Provavelmente, iremos sentir a falta da sua velocidade, intensidade de jogo e presença física nas duas áreas. Mas Maicon, o seu substituto no jogo de hoje, não é um mau defesa central e já deu provas do que é capaz. Obviamente, não está ao mesmo nível de há um ano atrás, mas eu acredito que vai estar bem melhor do que contra o Rio Ave. E veremos se, depois do jogo de hoje, não reconquista um lugar que já foi seu.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Arrumar a casa antes do regresso à velha Europa



O campeonato português está impregnado de jogos como assistimos esta noite em Aveiro. Bola que corre em sentido único. Uma equipa que defende e outra que ataca. Em metade do campo se joga, apenas intervalado por uns pífios tiros de pólvora seca, sempre no ensejo de quem dispara ver lume a soltar da camara. Não têm nome, pois muitos são os que lhes usam as vestes, que trocam entre si a cada semana que passa. Olhanense, Beira-Mar, tanto faz, ao filme já todos nós lhe conhecemos a sinopse, podendo contudo variar o final da história.

Ainda a refazer-se de uma dessas películas que não lhe coube ao melhor engodo, o FC Porto fez-se de novo à acção desta trama maior do futebol português, o assalto à muralha. Bem se pode dizer que a azia do passado Domingo deu lugar a um relaxado início de fim-de-semana. A vitória azul e branca foi tranquila e Vítor Pereira conseguiu ter margem de manobra para gerir o grupo com decorrer favorável da partida, pensando, invariavelmente, na importante contenda com o Málaga para a Liga dos Campeões.

Não obstante do belo trajecto que a nossa equipa tem feito ao longo desta época, derrubar conjuntos ultra-defensivos como este Beira-Mar tem-nos causado alguns problemas. O jogo enrodilhado não permite fazer uso do estilo de bola corrida que os jogadores portistas apreciam e dominam. O ritmo tende a baixar e muitas vezes, estranhamente, tendemos a acompanhar o balanço.

Felizmente, hoje, o movimento disruptivo de Cristian Atsu veio relativamente cedo. Pelo menos a tempo de evitar desconforto geral às hostes azuis e brancas. O remate pleno de intensão do jovem ganês explorou bem um dos pontos fracos da equipa aveirense, o seu guarda-redes, permitindo que a nossa equipa encara-se o que restava do jogo com alguma serenidade.

Os homens de Ulisses Morais não criaram uma única ocasião de golo. Apenas alguns lançamentos em profundidade prometedores. Carlos Xistra apitava a tudo o que se mexia e puxou de cartões com demasiada facilidade. Magala bem pode lamentar-se do rigor do árbitro. Mas nestas coisas os jogadores devem antever aquilo que vai na cabeça dos homens do apito e não o que está na lei. Pôs-se a jeito e queimou-se. Para próxima alguém que o avise antes de cair na mesma esparrela.

Agruras de arbitragem à parte, a sentença do jogo foi arquitectada por Jackson Martinez – pois claro – num movimento fabuloso onde o colombiano põe em prática toda a sua técnica e excelente colocação de remate. Aí vão vinte golos em dezanove jogos de Cha Cha Cha, que tenuemente vai ameaçando recordes de heróis de dragão ao peito doutros tempos.

Entre o empate com o Olhanense e o triunfo desta noite diante do Beira-Mar a diferença não esteve no futebol jogado mas sim na eficácia nos momentos chave. Converter quando as oportunidades sugerem vale ouro e o FC Porto soube catapultar a sua sorte quando esta lhe sorriu. Eficácia, essa que também poderá ser crucial na próxima Terça-Feira. Mas aí o adversário é outro. Não faz uso das manhas destas equipinhas lusitanas e, sobretudo, tem um naipe de jogadores de enorme qualidade.

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Os elogios a Vítor Pereira

«A frase de Vítor Pereira, na conferência de imprensa em Guimarães, é muito interessante. Disse o treinador do F.C. Porto que a equipa está como ele quer. E acrescentou algo do género demorou, mas agora está. A frase é dita depois de um mês de janeiro muito forte, com o campeão a empatar na Luz e a massacrar os últimos adversários que tiveram a infelicidade de passar perto.

As palavras de Vítor Pereira recordam-nos também duas evidências que por vezes esquecemos: as equipas têm sempre aspetos a melhorar e melhorar só se consegue com tempo, trabalho e serenidade. Além de competência, claro.

De facto este F.C. Porto está na melhor fase da época, muito seguro, maduro e mais alegre do que em muitos jogos da temporada transacta. Jackson Martinez e Moutinho são dois jogadores de evidente destaque. Mas em nenhum momento se pode dizer que a equipa depende deles. Pelo contrário, é por a equipa estar tão bem que eles sobressaem tanto, sobretudo o colombiano, melhor marcador da Liga. Aliás, creio que o que está a elevar a equipa é antes de mais o crescimento de futebolistas como Mangala, Alex Sandro ou Danilo. E o equilíbrio de Varela, imprescindível num período em que a equipa foi perdendo opções nas alas.

Os laterais acrescentam muito jogo sem que as subidas de ambos desalinhem a equipa (ao contrário do que sucede com Maxi Pereira no Benfica, por exemplo). O central francês tem sido importante no ataque, está mais adulto a defender e impressiona pelo poder físico. Vive uma daquelas fases em que parece crescer a cada jogo.

Como se não bastasse, Vítor Pereira começa a ganhar a aposta em Izmailov, estreou Liedson e está a trabalhar Seba, um jogador que tem deixado indicações muito interessantes.

Se mantiver este apuro de forma em fevereiro e conseguir acrescentar James à equação é legítimo esperar algo relevante na Liga dos Campeões.»
Luís Sobral
in Maisfutebol, 02-02-2013


«Uma jornada aparentemente sem história deixou que contar, sobretudo porque mostrou um FC Porto mais forte que nunca, com capacidade colectiva para esconder ausências individuais e uma qualidade táctica que ofensivamente castiga os adversários (com mobilidade, qualidade na troca de bola e... Jackson Martinez) e defensivamente passa jogos inteiros sem sobressalto (Guimarães foi mais um). Vítor Pereira terá, em definitivo, calado os críticos mais ferozes que várias vezes lhe sugeriram incompetência. Estavam enganados, embora muitos se esqueçam agora do que então disseram ou escreveram. Destaco quatro pontos de força do FC Porto actual:

1. Um modelo que garante eficácia em todos os momentos do jogo e que tem na qualidade do processo defensivo uma imagem de marca. Destaca-se a reacção à perda de bola, a capacidade de "abafar" o adversário, ou seja, uma transição defensiva muito forte, que permite recuperações rápidas e impedem o adversário de ser perigoso, mantendo-o distante da área portista. É uma equipa a quem é muito difícil marcar golos (em casa ainda só sofreu um);

2. Uma evolução significativa do processo ofensivo, com multiplicação de soluções e mais jogadores envolvidos (até Fernando) - seja perante equipas com blocos mais baixos ou mais subidos (como foi o Vitória) -, e trocas posicionais sucessivas que a tornam menos previsível do que era no passado. E com um avançado como Jackson, que tanto é eficaz na área como demolidor se tem espaço para acelerar (como teve em Guimarães), o adversário terá sempre dúvidas sobre o melhor modo de defender;

3. Força invulgar do jogo interior (zona central), com a técnica de recepção e passe a garantir troca de bola de qualidade mesmo em espaços reduzidos, potenciando uma posse objectiva, também pela capacidade de libertar os corredores para a vocação ofensiva de dois excelentes laterais (Alex Sandro mais talentoso, a caminho de ser dos melhores do mundo). É neste ponto que a comparação com o Barcelona faz mais sentido;

4. Muita eficácia na bola parada ofensiva, bem treinada, e com um Mangala invulgarmente poderoso a juntar-se a Jackson e Otamendi (ou Maicon) para dar a melhor sequência à qualidade dos cantos e sobretudo dos livres laterais de Moutinho (ou James).

Nada garante, no entanto, que o FC Porto vá ser campeão, já que o Benfica tem feito igualmente uma época de grande nível e promete luta até ao fim. E, já agora, o sucesso da carreira doméstica de qualquer dos candidatos até pode passar pelo maior ou menor investimento nas provas europeias e pela gestão do desgaste, físico e anímico, delas resultante. No entanto, e ao contrário do que parecia há um par de meses, é agora o FC Porto que parece em vantagem. E não apenas no goal average
Carlos Daniel
in Diário de Notícias, 06-02-2013



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É sempre agradável ouvir (ler) elogios destes, mais ainda se estivermos de acordo (como é o meu caso) e, fundamental, quando os elogios são justos e traduzem a realidade dos factos.

Para quem, como eu, se deliciou (e delicia) a ver jogar o Barcelona "inventado" por Guardiola, ver o meu FC Porto a jogar à Barça e, no final dos jogos, ouvir adversários conformados a comparar o FC Porto ao Barcelona ("o Porto está para liga portuguesa como o Barcelona para a espanhola", Alex, capitão do Vitória Guimarães), é algo de inolvidável.

Contudo... fico sempre um pouco apreensivo quando vejo tanta unanimidade nacional (abrangendo jornalistas e comentadores de outras cores clubísticas) em torno do FC Porto. Sinceramente, enquanto as coisas não estão decididas, prefiro ler parangonas do estilo "[o slb é uma] máquina trituradora" ou "[Jorge Jesus é um] exterminador implacável".

Espero bem que todas estas loas não contribuam para um adormecimento competitivo que, num campeonato como este, seria fatal.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Mangala, o monstro voador

COMUNICADO
«A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD vem, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliário e na sequência do comunicado efectuado no dia 15 de Agosto sobre o princípio de acordo para a aquisição dos direitos de inscrição desportiva do atleta Mangala ao Standard Liège, informar o mercado que adquiriu 100% dos direitos económicos do atleta pelo montante de 6.500.000 € (seis milhões e quinhentos mil euros). Mais informa que esta sociedade celebrou com o jogador um contrato válido por 5 épocas desportivas, ou seja, até 30 de Junho de 2016, tendo acordado uma cláusula de rescisão no montante de 50.000.000 € (cinquenta milhões de euros).»


Quando, em 16 de Agosto de 2011, o Conselho de Administração da FC Porto SAD enviou o anterior comunicado à CMVM, muito portistas torceram o nariz pelo facto da SAD ter investido 6,5 milhões de euros num defesa central de 20 anos quando, ainda por cima, o FC Porto tinha Rolando, Otamendi e Maicon.

E ainda se ouviram mais criticas após a divulgação do 'Relatório e Contas Consolidado do 1º Trimestre 2011/2012', quando foi do domínio público que, afinal, a FC Porto SAD só tinha 90% dos direitos económicos e que ao valor de aquisição do passe (6,5 milhões de euros) era preciso somar 1,02 milhões de encargos adicionais, fazendo com que o valor total de aquisição do passe de Mangala perfizesse 7,52 milhões de euros.

Por esses dias, Mangala era um habitual suplente não utilizado (na hierarquia dos defesas-centrais era o 4º do plantel), estatuto que manteve em quase todos os jogos entre Novembro de 2011 e Janeiro de 2012, com a excepção da Taça da Liga, cujos jogos, como habitualmente no FC Porto, foram aproveitados para dar minutos e algum ritmo competitivo aos jogadores menos utilizados.

Nesse contexto, a que acresce o facto de nos meses anteriores o Standard Liège se ter queixado, publicamente, de atrasos nos pagamentos por parte do FC Porto, foi com alguma naturalidade, para não dizer alivio, que grande parte dos portistas tomaram conhecimento, em 27 de Dezembro de 2011, que a FC Porto SAD tinha alienado 33,33% dos direitos económicos do jogador Mangala por 2.647.059 €. (*)

Ou seja, ao alienar 33,33% em Dezembro de 2011, a FC Porto SAD recuperou cerca de um terço do montante global investido quatro meses antes, partilhou o risco de uma contratação que, na altura, parecia comprometida/falhada, e terá injectado algum dinheiro numa tesouraria que ficou mais apertada após o não apuramento para os oitavos-de-final da Liga dos Campeões 2011/12.

Cerca de um ano depois desta alienação de parte do passe de Mangala tudo é muito diferente. O jovem defesa-central francês cresceu futebolisticamente em todos os aspetos. No posicionamento, na cultura tática, nos timings de entrada à bola, nas bolas paradas (defensivas e ofensivas), na capacidade de antecipação para marcar golos decisivos. E, se for preciso, até joga a defesa-esquerdo, mantendo um nível muito elevado.

Críticos como Luís Freitas Lobo, que ainda há não muito tempo o caracterizava como um jogador extremamente faltoso a roçar a violência, rendeu-se às evidências e, no jogo de Guimarães, chamou-lhe "o monstro", ficando de boca aberta e olhos arregalados perante a sua capacidade de impulsão até "ao 2º andar".

Penso que, atualmente, ninguém discute que se tratou de mais uma extraordinária contratação do FC Porto. O que se irá lamentar, quando Mangala sair do FC Porto em mais uma venda milionária, é que afinal a SAD só seja detentora de 56,67% dos direitos económicos. Pois é...

(*) Tendo a FC Porto SAD investido 7,52 milhões de euros em 90% do passe, 33,3% corresponderiam a 2,7 milhões de euros.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

É disto que o meu povo gosta


Uma exibição a roçar a perfeição e um Mangala e Jackson imperiais, na nossa melhor partida desde os tempos de Villas-Boas.

Agora sim, conjugando o "pressing" alto e as boas trocas de bola a meio-campo com uma finalização à altura.
Para obter tudo isto, para além do trabalho de bastidores da nossa equipa técnica, ajuda (e muito) ter jogadores do calibre do actual Mangala e desse portento de seu nome Jackson Martinez.
Este último, alia a uma capacidade letal na área, digna dos melhores pontas-de-lança do mundo, uma rara capacidade técnica para um jogador das suas características.
Quando não se encontra no seu habitat natural (a grande área), é mestre a segurar a bola e a distribui-la na melhor altura.
E depois temos ainda um grande Alex Sandro, um lateral praticamente ao nível do melhor Álvaro Pereira.
Para além disso, e por muito que Defour tenha, naturalmente, subido de produção nos últimos tempos, ter um Izmaylov (e em razoável forma física) é efectivamente outra música.
Como brinde, tivemos também direito a um Varela digno dos seus melhores dias.


Porém, não nos iludamos: este nosso actual alto ritmo, confiança e excelente índice de finalização, terão que ser mantidos praticamente até ao final da época.
No quadro actual, é praticamente proibido perdermos quaisquer pontos.

Uma exibição, como a de ontem, de nada nos valerá se não tiver permanente continuidade.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

E chegámos à frente!


O FCP chegou-se à frente, depois da justa vitória conseguida, ontem. Entrámos bem, marcámos através de uma gp, que sendo indiscutível os do costume tanto discutiram, mas abrandámos e demos (demasiado) azo a algumas transições do VS que levaram perigo para as nossas redes. Particularmente, o flanco esquerdo não funcionou bem no processo defensivo: Alex, para cobrir “dentro”, destapava o flanco e foi por aí que, no final do primeiro período, ocorreram alguns avanços do adversário que poderiam ter-nos causado mais dissabores. Faltou Fernando: a cobertura daquela zona não estava a ser eficaz, ora porque Defour se desposicionava, ora porque Lucho ou Moutinho não cobriam o espaço que lhes competia, ora porque o ala não acompanhava o movimento do lateral do VS.

Suspirei de alívio com o fim do primeiro tempo. No reatamento, a entrada de Maicon trouxe a consistência que faltava. Kelvin não confirmou ter sido uma boa opção: não era jogo adequado ao seu perfil e foi severamente castigado em todas os lances em que disputou a bola com o lateral esquerdo do VS, que se fartou de distribuir lenha durante todo o jogo. Tem razão o José Mota: como dar dois amarelos ao Galo se o Proença deixou o Turco bater em tudo que mexia da forma mais rude que podia, sem ser amarelado?

Voltando ao jogo, na segunda parte controlámos bem, atacámos mal e aproveitámos bem a inferioridade numérica para aumentar a vantagem e sair com um bom pecúlio, num jogo difícil, com demasiado vento, muita luta e pouco futebol.

Em termos individuais destaco Mangala com mais uma soberba exibição. Maicon pareceu bem melhor. O resto ficou-se a um nível médio. Nota artística baixa, nota alta para o espírito de luta e pundonor da equipa.

Arbitragem corajosa, apesar de tudo.

domingo, 28 de outubro de 2012

Este Martinez tem "salero"



Mais sofrido do que aquilo que em campo se viu, a vitória inatacável do FC Porto viu-se órfã de alguns golos que vincassem a diferença das equipas na contenda. Entre a ansiedade do revés ocorrido cedo e perda de algumas oportunidades prometedoras, o conjunto de Vítor Pereira foi protelando a decisão do encontro para meados do 2º tempo, quando o Estoril não foi capaz de acompanhar o ritmo do bicampeão nacional. Três pontos com caliente salero “Cha Cha Cha”, Martinez de seu nome, que vai acrescentando pontos ao seu curriculum já de si meritório.

Como um autentico paradoxo, no jogo em que a equipa azul e branca até entrou bem, a impor ritmo à partida e a ser pressionante, leva um coice ao segundo canto do conjunto da casa. Numa passividade ao primeiro poste como já havia acontecido na passada Quarta-Feira, Licá ganha de cabeça para fazer o desvio quase fatal. O ressalto em Steven Vitória confirmou o inevitável e o galo que se lamuriavam os adeptos portistas bem o podiam retribuir à sua passiva defesa.

Se para aqueles que fazem voto de fé nas coincidências já ladainhavam algo de estranho, mais o fizeram quando na baliza contrária Jackson, num desvio a papel químico do lance vitorioso canarinho, viu a bola ir ao poste numa atrapalhada canelada de Otamendi. Triste sina para quem tanto dominava. Nem sempre na mais perfeita das formas, mas merecedora de melhor sorte.

A bola circulava entre o azul e o branco, mas o conjunto vai coxo. Aquele lado esquerdo, Senhor me perdoe, que até pode ser cisma minha, não ata, nem desata. Se um treinador decide fazer uma adaptação numa equipa tem de ver e fazer uma de duas coisas; 1) Avaliar se o jogador tem capacidade para se adaptar naquele espaço; 2) Fazer um trabalho específico de integração à posição com o respectivo atleta. Vítor Pereira não fez nenhuma das duas coisas com Mangala. E assim fica todo um flanco sei rei, nem roque, até ao dia que venha pior sorte, e depois não digam que não o avisei.

E neste flashback mais alongado nem me dei conta e já se joga a 2ª parte. Agora sim, a bola é redonda e rola em boa velocidade. O ritmo imposto foi duro para o Estoril que fez criar brechas no seio da sua defesa. James testou a atenção de Vagner de meia distância, mas foi Jackson quem abriu a lata e ofereceu o sumo ao seu companheiro de ataque Varela. Empate, enfim, chegou ele.

Sem perder o embalo, porque os três pontos é o objectivo único em vista, Moutinho bate finalmente um livre tenso, como se quer, e em conta para o baile “Cha Cha Cha” Martinez fazer a remontada. Os filhos da Colômbia parecem querer eternizar-se na ligação umbilical ao FC Porto. Não é que o nosso actual avançado necessite de comparações, mas vai bem no encalce de quem o precedeu no seu lugar. Vítor Pereira agradece, a bem da luta acesa e renhida deste campeonato.

sábado, 22 de setembro de 2012

Com um "Bandido" à solta



Foram quatro golos por outros tantos homens mas bastou apenas um deles para desbaratar a teia aveirense que Ulisses Morais teceu em volta da baliza de Rui Rego. O extremo, que na realidade é um playmaker de luxo, James Rodriguez, multiplicou aos seus companheiros o caminho para golo. Serviu, marcou e reinou num jogo onde o FC Porto goleou de forma fácil mais uma medíocre equipa do nosso campeonato. Às vezes torna-se difícil "arranhar" motivação para enfrentar adversários destes.

E cedo se percebeu o que esta partida tinha para oferecer. Um visitante acanhado para um dragão mandão. De bola parada saíram os primeiros frissons do estádio com o guarda-redes oponente a corresponder positivamente. Domínio evidente apenas mergulhando em lume brando nos vinte minutos subsequentes. Nada de grande alarve, pois aqui e ali, surtiam uns pequenos ensaios tentadores. Faltava o génio dos grandes talentos para timbrar estas iniciativas sem rótulo.

Mais encostado ao seu companheiro de área, James foi tentando até finalmente combinar em pleno com os demais parceiros de ataque. Assim, nessa sua visionária missão, serviu Jackson Martinez para um grande golo e, nem muito tempo depois, triangulou de modo perfeito com Varela que dobrou a contagem. Em meia dúzia de minutos o colombiano partiu a loiça, viu os seus companheiros a darem sequencia a tudo de bom o que seus pés desenharam e o Porto foi a descanso, tranquilo e feliz.

Ao regresso, e logo de entrada, veio a retribuição ao miúdo. Varela cruzou com James a rematar enroscado fazendo a bola rodopiar até ao fundo das redes de Rui Rego. E aí vão três, que fácil é ganhar neste campeonato português. Culpa a nós não vem, se aos outros pouco ou nada tem.

Quarenta minutos faltavam até que o Sôr árbitro nos mandasse ir ver a Casa dos segredos com este jogo que já não come nem dá de comer, venha de lá, pois, esse Iturbe que tanta tinta escorreu nestes jornais lusitanos de lana-caprina. Calma, primeiro o que é da nossa horta. E só depois o “Messi”, ou qualquer coisa parecida com isso. O povo gosta destes bolos, mas eu cá me diverti mais com paulada de criar bicho que Mangala arreou todo o santo jogo.

Vá de retro mau feitio, que hoje mais uma goleada se deu, Maicon pôs as contas na ordem e quem agora se vem lembrar de Hulk com este futebol positivamente mais colectivo? A missão foi cumprida com total e inteiro sucesso. Aí vão dez pontos no saco e muitas – boas – interrogações para Vítor Pereira deslindar. Quem vais tu tirar para lá no meio James colocar?