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segunda-feira, 6 de novembro de 2017

BTV, Sport TV e a concorrência desleal

Miguel Almeida (NOS) e Luís Filipe Vieira (SLB)

«É histórico, o FC Porto tem sempre de vencer não só o adversário no campo, mas também mais alguns que, do lado de fora, tentam atrapalhar o seu caminho. Desta vez foi a Sport TV que não quis que o período de recuperação da equipa tivesse mais umas horas, recusando a proposta para que o jogo se disputasse às 16h00 de ontem. O que terá levado o canal a ter um comportamento tão antiFC Porto não sabemos, até porque já foi há quase dois anos que foi assinado o contrato com a Altice, que apresentou a proposta mais alta. Tempo mais do que suficiente para Joaquim Oliveira digerir o tema. Azar deles, com mais ou menos descanso, Sérgio Conceição e a equipa continuam sem vacilar.»
in ‘Dragões Diário’, 06-11-2017


Em A BOLA, o jornalista Rogério Azevedo fez um levantamento e publicou um artigo que intitulou "FCP e os três dias de descanso":

"FCP e os três dias de descanso", Rogério Azevedo, A BOLA


Há dois dias atrás, o diretor adjunto do Record, escreveu o seguinte:

Bernardo Ribeiro, Record de 04-11-2017

Claro que há concorrência desleal, mas este problema não é de hoje, nem tão pouco desta época.

A concorrência desleal, nomeadamente a que decorre do facto do SLB transmitir os seus jogos em casa num canal próprio, é algo que existe há vários anos e de que eu venho falando desde 2012.







E esta época a coisa ficou ainda mais grave, devido à possibilidade (real) do SLB, através das transmissões da BTV, influenciar o VAR dos seus jogos em casa.

Mas há um outro aspeto, relacionado com as transmissões dos jogos do SLB na BTV, que merecia análise e interesse jornalístico (se não se tratasse do SLB, claro…).

A NOS adquiriu os direitos de transmissão dos jogos em casa do SLB.
A NOS adquiriu os direitos de transmissão dos jogos em casa do Sporting.
A NOS é acionista da Sport TV.
Os jogos do Sporting em casa são, naturalmente, transmitidos pela Sport TV.
Contudo, os jogos do SLB em casa continuam a ser transmitidos pela BTV (detida a 100% pelo SLB), em vez de serem transmitidos por um canal em que a NOS tenha interesses, ou de que seja coproprietária.

Haverá alguma boa explicação para isto?

O interesse público imporia que alguém questionasse o CEO da NOS (que anda tão preocupado com as implicações da compra da TVI pela Altice) acerca deste assunto, mas…

Porque, sem uma explicação cabal, é legitimo pensar que há “cláusulas secretas” neste estranho acordo entre o SLB e a NOS.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um negócio fabulástico

Capa do Record de 03-12-2015

400 milhões! Benfica fecha contrato histórico com a venda dos direitos de televisão à NOS até 2026
Capa do jornal Record de 03-12-2015

O maior negócio do futebol português: Benfica na NOS por €400 milhões

Encarnados recebem recorde de 400 milhões pelos jogos em casa

400 milhões de TV: Benfica celebra contrato milionário
Capa do jornal A Bola de 03-12-2015

“O maior negócio do futebol português”
“Histórico”
“Recorde”
“Contrato milionário”
“Um negócio sem precedentes em Portugal”
“águias passam a receber mais do que FC Porto e Sporting juntos”
“A marca Benfica é maior do que o país!”

O país ficou de boca aberta e isto foram algumas das coisas ditas e escritas acerca do excelente negócio (há que o reconhecer) feito entre o SL Benfica e a NOS.
Mas houve mais. Por exemplo, o jornalista António Tadeia (também comentador da RTP), escreveu o seguinte:

«O negócio do Benfica com a Nos, para a venda dos direitos televisivos dos jogos do campeão nacional àquela operadora, por valores que podem chegar aos 400 milhões de euros, veio abalar os panoramas audiovisual e futebolístico portugueses. (…) os 400 milhões que o Benfica pode vir a receber pelos dez anos de direitos televisivos dos seus jogos da Liga em casa representam uma grande vitória da estratégia montada pela direção de Luís Filipe Vieira na questão dos direitos de TV. O Benfica viu de facto mais longe que toda a gente, pois conseguiu valorizar os conteúdos relativamente àquilo que a Sport TV pagava. (…) É evidente que os direitos televisivos do Benfica valem muito mais do que os dos outros clubes (…)»
António Tadeia, 02-12-2015


Conforme se viu, leu e ouviu, apesar dos jogos dos encarnados (no Estádio da Luz) voltarem, já a partir da próxima época, a ser transmitidos pela Sport TV do “arqui-inimigo” Joaquim Oliveira, nem isso foi motivo para arrefecer o entusiasmo dos benfiquistas, jornalistas e comentadores acerca deste extraordinário contrato entre o SL Benfica e a NOS.

Miguel Almeida (NOS) e Luís Filipe Vieira a comemorar o acordo entre as duas Partes

E nem o facto de ser um "casamento" de 10 anos (épocas 2016/17 a 2025/26) foi visto como um problema, bem pelo contrário, como se percebe pela posição de Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, o qual, embora assumindo haver risco em fazer um contrato a dez anos, afirmou o seguinte:
Se pensarmos um pouco como é que o mercado vai evoluir em termos da concorrência à volta de conteúdos, que é claramente uma das peças chave para conseguirmos ter alcançado o nosso valor, não tenho certezas, olhando bem o que é o mercado das operadoras de telecomunicações, tenho até algumas dúvidas que esta grande concorrência que existe hoje se possa manter em termos futuros. Portanto, havia que aproveitar o momento e foi isso que fizemos.

Ora, se o contrato entre o SL Benfica e a NOS foi excelente, algo verdadeiramente extraordinário, só possível pela dimensão do clube e potencial da marca Benfica, que dizer do acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, pelo valor global de EUR 457.500.000?

Capa de O JOGO de 27-12-2015

Eu acho que nem há adjetivos. Fabulástico foi aquilo que me ocorreu, quando soube da notícia.

E se houve quem ficasse de boca aberta com os 400 milhões de euros do contrato SLB – NOS, parece que há quem tenha ficado sem fala e a engolir em seco, com os 457,5 milhões do acordo FCP – PT.

Ainda não conhecemos, em detalhe, os pormenores deste acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, mas do que fui lendo (recomendo este artigo no ‘Tribunal do Dragão’) e ouvindo, só vejo aspetos positivos:

Resolução, imediata, da ausência de um patrocinador para a parte frontal das camisolas da Equipa Principal para as próximas sete épocas e meia (receita garantida até ao final da época 2022/2023). E mais, os valores referidos para esta componente do acordo – 5 milhões/época – representam um aumento de 35% em relação ao valor do contrato anterior (3.7 milhões/época).

Resolução da sustentabilidade do Porto Canal, pelo menos durante 12 épocas e meia (até 30 junho de 2028).
Os valores referidos para esta componente do acordo são, também, de 5 milhões/época, mas convém lembrar que os custos de operação do Porto Canal são muito inferiores aos da BTV.

Somando as verbas correspondentes ao…
… Direito de Transmissão do Porto Canal, pelo período de 12 épocas e meia (62,5 milhões de euros)…
… e ao Estatuto de Patrocinador Principal do FC Porto, com o direito de colocar publicidade na parte frontal das camisolas da Equipa Principal de Futebol do FC Porto, pelo período de sete épocas e meia (37,5 milhões de euros)…
… sobram 357,5 milhões de euros para os Direitos de Transmissão Televisiva + Direito de Exploração Comercial de Espaços Publicitários do Estádio do Dragão, por um período de 10 anos, com inicio em 1 de Julho de 2018.

Ou seja, com este acordo, a partir de 1 de Julho de 2018 e durante 10 épocas (2018/19 até 2027/28), as administrações da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, sejam elas quais forem, terão garantidos cerca de 35,7 milhões de euros por época (em média), o que é quase o dobro do contrato atual com a PPTV;
Mais 5 milhões/época correspondentes ao patrocínio da parte frontal das camisolas.

E, já agora, mais o desafogo resultante do project finance do Estádio do Dragão terminar em 2018.

Perante este cenário, não diria cor-de-rosa, mas azul e branco, se os próximos três exercícios (2015/16, 2016/17 e 2017/18) fecharem com contas equilibradas quem, a partir de 1 de Julho de 2018, tiver de gerir (financeiramente) a FC Porto SAD, terá menos dores de cabeça.

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O potencial mediático de Casillas

O JOGO, 23-07-2015

«A chegada de Casillas ao FC Porto promete dilatar de vez as fronteiras da liga portuguesa, alargando o mercado espanhol ao Dragão. A primeira prova disso são as notícias de ontem [22-07-2015], que davam conta que a TVE tinha adquirido os direitos de transmissão dos jogos da pré-temporada do FC Porto. Os desafios com o Borussia Monchengladbach e Schalke 04, que fazem parte do estágio portista em Marienfeld, e os seguintes com Stoke City e Valência, previstos para a Colonia Cup, são os encontros que vão fazer parte da grelha da TVE, que com isso vai testar as audiências que pode ganhar com um FC Porto mais hispânico do que nunca. Se juntarmos a isso o facto de várias equipas de jornalistas espanhóis continuarem em Portugal, atentos a todos os movimentos de Casillas e Sara Carbonero que possam resultar em notícias, teremos uma perceção mais completa do mediatismo que o guarda-redes espanhol trouxe com ele ao deixar Madrid para vir jogar no FC Porto.»
in O JOGO, 23-07-2015


O JOGO, 13-08-2015
«Consequência natural da “espanholização” do campeonato luso, em particular da presença do guarda-redes ex-Real Madrid e número 1 da seleção do país vizinho, esta novidade [o ramo espanhol da beIN Sports anunciou ter adquirido os direitos de transmissão da I Liga] dificilmente poderia ter um arranque mais significativo: o FC Porto - V. Guimarães é o primeiro encontro que poderá ser visto pelos telespectadores espanhóis, que assim poderão assistir à estreia de Casillas na Liga onde evoluem mais oito compatriotas (cinco dos quais no FC Porto), além do técnico azul e branco Julen Lopetegui.»
in O JOGO, 13-08-2015


As últimas 4-5 semanas demonstraram, se é que alguém tinha dúvidas, que o potencial mediático de Casillas é verdadeiramente brutal e algo nunca visto no futebol português.

Ora, se os ganhos de notoriedade (para o FC Porto, para a liga portuguesa, para a cidade do Porto) são já absolutamente indiscutíveis, falta ainda perceber de que modo este facto se irá traduzir em euros e para quem.

sábado, 9 de maio de 2015

Sport TV com prejuízo de 6,2 milhões

A Sport TV Live foi uma experiência falhada

Os prejuízos da Sport TV voltaram a aumentar em 2014. A empresa detida em partes iguais pela Controlinveste de Joaquim Oliveira e pela NOS fechou o último ano com um resultado líquido negativo de 6,2 milhões de euros, quase meio milhão acima do registado em 2013.
São já cinco anos consecutivos em queda para a empresa que registou lucros pela última vez em 2011 (6,5 milhões de euros). Os canais ‘premium' de desporto têm sido penalizados sobretudo pela perda de subscrições, a sua principal fonte de receita. Em 2014, os proveitos da Sport TV caíram 12,5 milhões de euros, para 111,4 milhões de euros, o que prejudicou o resultado dos canais apesar do corte de 12 milhões nos custos operacionais.
Na base desta quebra está a diminuição do consumo privado e o aumento da pirataria - potenciada pela propagação da banda larga nas casas portuguesas -, mas também a entrada no mercado, em Julho de 2013, da Benfica TV ‘premium’. O impacto da concorrência será sempre o saldo entre o investimento que o canal deixou de fazer nos direitos de transmissão dos jogos realizados no Estádio da Luz – uma vez que o clube decidiu mantê-los em casa – e os assinantes que terá perdido.»
Diário Económico, 06-04-2015


Desta notícia do Diário Económico tiram-se algumas conclusões:

1) Os resultados financeiros da Sport TV iniciaram a sua trajetória descendente há cinco anos atrás, muito antes dos jogos em casa do SLB começarem a ser emitidos pela Benfica TV. (ou seja, não há uma correlação directa entre as duas coisas, pelo contrário, como irei demonstrar na última conclusão)

2) Os custos da Sport TV em 2014 foram de 117,6 milhões de euros (111.4M de proveitos + 6.2M de prejuízo).

3) De 2013 para 2014 os proveitos da Sport TV caíram de 123.9M para 111.4M. ("Em 2014, os proveitos da Sport TV caíram 12,5 milhões de euros, para 111,4 milhões de euros")

4) Em 2013 o prejuízo da Sport TV foi de 5.7M. ("um resultado líquido negativo de 6,2 milhões de euros, quase meio milhão acima do registado em 2013")

5) Os custos da Sport TV em 2013 foram de 129,6 milhões de euros (123.9M de proveitos + 5.7M de prejuízo).

6) A diminuição de proveitos da Sport TV de 2013 para 2014 (12.5M) é muito inferior ao valor anual que a Sport TV ofereceu ao SLB pelos jogos em casa (22.1M).


Em resumo, os números não mentem e demonstram que a Sport TV já estava mal (financeiramente) antes do SLB ter decidido passar a transmitir os seus jogos (disputados em casa) na Benfica TV.
E estaria ainda pior, se o SLB tivesse aceite a proposta da Olivedesportos, de 111 milhões de euros para o período de 1 de Julho de 2013 a 30 de Junho de 2018 (5 épocas).

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Money, money, money

Money, money, money
Must be funny
In the rich man's world
Money, money, money
Always sunny
In the rich man's world
Aha-ahaaa
All the things I could do
If I had a little money
It's a rich man's world

Penso que toda a gente conhecerá esta parte da letra da canção “Money Money Money”.

Depois do ‘I have a dream’, que muitos (como eu) tiveram antes do pesadelo de Munique, ontem à noite, quando ficou fechado o lote dos quatro semifinalistas da Liga dos Campeões 2014/2015, lembrei-me deste refrão de uma das músicas (mais actual) dos ABBA e que assenta, como uma luva, nas fases avançadas da UEFA Champions League (UCL).

De facto, nas 11 épocas que se seguiram ao FC Porto do "cometa" Mourinho ter brilhado nos céus de Gelsenkirchen, a lista dos semifinalistas da UEFA Champions League foi a seguinte:

2004/2005 – Liverpool, Chelsea, AC Milan, PSV
2005/2006 – Barcelona, Arsenal, Villarreal, AC Milan
2006/2007 – AC Milan, Liverpool, Manchester United, Chelsea
2007/2008 – Chelsea, Liverpool, Manchester United, Barcelona
2008/2009 – Barcelona, Manchester United, Chelsea, Arsenal
2009/2010 – Inter, Bayern, Lyon, Barcelona
2010/2011 – Manchester United, Barcelona, Real Madrid, Schalke 04
2011/2012 – Chelsea, Bayern, Barcelona, Real Madrid
2012/2013 – Bayern, Real Madrid, Barcelona, Borussia Dortmund
2013/2014 – Real Madrid, Atletico Madrid, Bayern, Chelsea
2014/2015 – Barcelona, Bayern, Juventus, Real Madrid

Agora comparem a lista anterior com o quadro seguinte, extraído da 18ª edição da Deloitte Football Money League, e que corresponde aos clubes que tiveram maiores receitas (sem contar com transferências) na época 2013/2014.

Receitas dos clubes na época 2013/2014 (fonte: Deloitte Football Money League, Jan 2015)

Notam alguma correlação?
Para começar, é muito difícil encontrar nas meias-finais da UCL, clubes que não estejam no top 20 da Money League.

A última vez que houve um semifinalista que não faz parte deste top 20, foi há cinco anos atrás, em 2009/2010 – o Olympique Lyon. Antes disso, tinha havido o Villarreal (em 2005/2006) e o PSV (em 2004/2005).
Três casos no meio dos 44 semifinalistas dos últimos 11 anos!
Ou seja, os factos demonstram que cada vez é mais difícil (e raro), um clube da “classe média” europeia entrar no lote restrito dos semifinalistas da UEFA Champions League.

Na realidade, para um clube da “classe média” europeia chegar a uma meia-final da UEFA Champions League, é preciso juntar dois factores:

– a equipa tem de ser boa e muito competente nos jogos efectuados;
– é preciso ter sorte nos sorteios dos Oitavos e dos Quartos-de-final.

Esta época, a equipa do FC Porto foi muito competente nos jogos que efectuou no Play-off, na Fase de Grupos e nos Oitavos-de-final.
Mas também, há que o reconhecer, tivemos muita sorte no sorteio dos Oitavos-de-final.

Quando um dos factores falhou – tivemos muito azar no sorteio dos Quartos-de-final – dissemos adeus ao clube dos ricos.

Clube dos ricos que, cada vez mais, inclui clubes dos Big 5 (principalmente ingleses).

Top 20 da Deloitte (fonte: Deloitte Football Money League, Jan 2015)

E, se juntarmos ao cenário actual, o fim (limitação) dos Fundos e o aumento (em alguns casos exponencial) das receitas televisivas e comerciais (principalmente em mercados como o inglês e alemão), estou convencido que, nos próximos anos, esta tendência vai acentuar-se e alargar-se aos Quartos-de-final da UCL, onde também será cada vez mais difícil ver clubes da “classe média”.

Por tudo isto, e mesmo correndo o risco de levar uma coça (goleada) de um dos clubes ricos, suspeito que ainda vamos ter saudades de disputar uns Quartos-de-final da UEFA Champions League…


P.S. Os quatro semifinalistas desta época - Real Madrid (549.5M), Bayern Munique (487.5M), FC Barcelona (484.6M), Juventus (279.4M) - tiveram, na época passada, receitas (proveitos operacionais, sem incluir proveitos com transferências) que, no total, perfazem 1800 milhões de euros!

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Benfica TV: sucesso ou fracasso?

Desde 2008, pelo menos, que os atuais dirigentes do SL Benfica vinham pressionando a Olivedesportos, em relação ao valor que a empresa de Joaquim Oliveira pagava pelos direitos televisivos.

Um exemplo dessa pressão foi uma entrevista que Domingos Soares Oliveira deu ao jornal PÚBLICO, publicada em 17 de outubro de 2008, na qual o Administrador da Benfica SAD afirmou que o valor justo pelos direitos televisivos do SLB seria 40 milhões de euros.

Um ano e meio depois, no dia 30 de março de 2010, numa entrevista à SIC conduzida por Miguel Sousa Tavares, Luís Filipe Vieira, em resposta a uma pergunta acerca da (re)negociação dos direitos televisivos, afirmou que “o dobro [16 milhões de euros] de hoje [8 milhões de euros] é muito pouco”.

De acordo com uma estratégia negocial e comunicacional muito clara, Domingos Soares Oliveira desdobrou-se em entrevistas, onde repetiu, vezes sem conta, que o SL Benfica pretendia encaixar 40 milhões de euros por época com os direitos televisivos. Era este o valor base de negociação.
E mais, em jeito de aviso, informou que havia vários operadores interessados e que a Olivedesportos (na realidade, a PPTV – Publicidade de Portugal e Televisão, SA), se quisesse manter os direitos televisivos dos encarnados (a empresa de Joaquim Oliveira detinha o direito de preferência até à época 2015/2016), a renovação contratual teria de passar por um valor não inferior a 40 milhões de euros/ano.

No dia 3 de Maio de 2011, para aumentar a pressão sobre Joaquim Oliveira, a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD informou o mercado que “o empresário Miguel Pais do Amaral e esta Sociedade têm mantido conversas preliminares sobre os direitos televisivos dos jogos de futebol da equipa sénior do Benfica relativos às épocas 2013/2014 e seguintes”.

No dia 17 de agosto de 2011, a comunicação social anunciou, com pompa e circunstância, que o SL Benfica tinha alcançado o seu objetivo e que iria vender (o acordo estava iminente), por 40 milhões de euros por ano, os direitos televisivos à Balloonsphere, uma empresa detida maioritariamente por Miguel Pais do Amaral.
O EXPRESSO contou, detalhadamente, todos os passos deste (quase) acordo.

Contudo, os 40 milhões/ano de Miguel Pais do Amaral eram milhões da treta e, sete meses depois, em 6 de Março de 2012, a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD emitiu um novo comunicado, a informar o mercado que tinha rejeitado uma proposta da Olivedesportos, SA, para “aquisição dos direitos de comunicação audiovisual” para “o período de 1 de Julho de 2013 a 30 de Junho de 2018 (5 épocas)” por um “valor global de 111 milhões de euros”. Ou seja, feitas as continhas, a Olivedesportos ofereceu um valor médio 22,2 milhões por época (valor líquido e garantido).

Como, afinal, entre os “inúmeros” interessados em adquirir os “valiosíssimos” direitos televisivos do SLB, ninguém ofereceu mais do que a Olivedesportos, em 25 de Outubro de 2012, a Sport Lisboa e Benfica – Futebol, SAD emitiu mais um comunicado, informando o mercado que iria “assegurar a transmissão dos referidos direitos pelos seus próprios meios, ou seja, através da Benfica TV”.


Após o entusiasmo inicial, com a curva de crescimento dos subscritores a ter uma progressão logarítmica (até estabilizar um pouco acima dos 300 mil), e tendo sido conhecido há alguns dias os valores das receitas e custos, já se pode fazer uma primeira avaliação desta “experiência inovadora”.
Ora, de acordo com os insuspeitos Maisfutebol, Record, Correio da Manhã e PÚBLICO (nenhum deles pertence a Joaquim Oliveira), a receita líquida da Benfica TV, entre 1 de Julho de 2013 e 30 de Junho de 2014, foi de… 17,1 milhões de euros!
Sim, porque aos 28,1 milhões de euros da receita bruta da Benfica TV é preciso subtrair os custos (cerca de 11 milhões de euros).

Mais. Em principio, a receita bruta da Benfica TV não advém, apenas, das mensalidades dos atuais subscritores deste canal premium. Embora não tenha visto isso referido nos artigos dos jornais, os 28,1 milhões de receita bruta da Benfica TV (no exercício 2013/2014) deverão, também, contabilizar o valor angariado em publicidade e os valores recebidos da PT, NOS, ZAP, Cabovisão e Vodafone para o canal ser emitido nestas plataformas.

Em resumo: No seu primeiro ano completo (traduzido no Relatório e Contas do Exercício 2013/2014), a receita líquida da Benfica TV é 5 milhões de euros inferior à proposta que a Olivedesportos fez em 2012 e corresponde a menos de metade dos 40 milhões de euros que os dirigentes do SL Benfica diziam ser o valor justo de mercado e definiram como fasquia mínima.

Vendo as coisas por este prisma - financeiro - a opção do SL Benfica em transmitir, na Benfica TV, os seus jogos, não é (ainda) uma “aposta ganha” e muito menos o apregoado enorme “sucesso”!


Quanto ao “facto” (há quem chame factos à propaganda…) da SportTv não se aguentar sem os jogos do SL Benfica é algo que está por comprovar.
Na realidade, já passaram 16 meses (desde Julho de 2013) e a pré-anunciada “morte” da SportTv que, segundo alguns, iria acontecer após deixar de ter os direitos de transmissão dos jogos do SL Benfica em casa (para o campeonato), parece ter sido uma noticia manifestamente exagerada…


P.S. Para quem não sabe, em 8 de Abril de 2011, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD comunicou ao mercado ter fechado um novo contrato de cedência de direitos televisivos com a PPTV, até ao termo da época desportiva 2017/2018, no valor global de 82,8 milhões de euros. Ou seja, um valor médio de 20,5 milhões de euros/ano, pelos direitos televisivos de cada uma das quatro épocas (de 2014/15 a 2017/18) abrangidas pelo prolongamento do contrato embora, na realidade, o valor irá ser menor, porque parte foi pago antecipadamente nos últimos dois anos (em 2012/2013 e 2013/2014).

sexta-feira, 1 de março de 2013

O golpe do baú da BTV ao futebol televisado

O golpe no baú!
O SL Benfica conseguiu os direitos de transmissão exclusiva da Premier League para as próxima temporadas e vai ter o direito de exibir no seu canal de televisão todos os jogos que se possam ver em território português da competição nacional mais vista do planeta.

Como é possível que um clube de futebol consiga um contrato deste nível pelo qual empresas em todo o Mundo pagam fortunas, a começar pela própria Sky no Reino Unido (seguido do Canal Plus em França e Espanha)? Simples, com a ajuda dos amigos da Portugal Telecom, essa empresa que apesar de já não ser detida pelo governo, ou seja, por todos os portugueses, continua a comportar-se no mercado como se tal fosse certo (porque tem as costas muito bem cobertas)!

O negócio é simples de entender. Um esquema muito bem montado que permite à empresa de telecomunicações e ao clube eliminarem de um só golpe dois rivais dos últimos anos: ZON e Joaquim Oliveira.

A PT nunca esteve de boas relações com Joaquim Oliveira o seu império Controlinveste e durante os últimos anos ambas as empresas travaram uma luta surda nos corredores do poder. O império mediático montado por Oliveira foi-se desfazendo à medida que começavam a aparecer novos jogadores, nomeadamente o dinheiro que vinha de Angola, e que ajudou a safar a PT de muitos problemas quando a crise apertou. Esse dinheiro, coordenado pela família do actual presidente angolano e coordenado pela filha, serviu para adquirir títulos de imprensa e entrar no accionariado da PT.

Por outro lado, a plataforma detida pela Portugal Telecom leva vários anos de luta contra a ZON, depois de que ambas as empresas se tivessem separado, pouco amigavelmente, e seguido o seu caminho de forma distante. A BenficaTV optou por aparecer apenas na Meo, ligando-se intimamente à PT na sua influência de poder, no que foi um primeiro golpe para a Zon. Mas não o último.
A primeira ameaça ao poder da SportTv e da Zon chegou com a ideia de Pais do Amaral em criar um canal alternativo de desporto em Portugal na plataforma Meo. Pais do Amaral tinha adquirido os direitos para os próximos três anos da liga espanhola e sondou o Benfica para vender-lhe os seus 15 jogos em casa mas no final não conseguiu juntar dinheiro e meios para avançar e a SportTv apareceu à última da hora com dinheiro exigido pela Mediapro (empresa que gere os direitos do futebol em Espanha) e manteve esse trunfo na manga. Tinham abortado o plano inicial da PT mas não poderiam fazê-lo com o alternativo.



A PT entrou em força na própria SporTv, adquirindo 25% da empresa (os outros 25% são da ZON e 50% pertencem à empresa detida por Joaquim Oliveira). Foi uma forma de ganhar sem perder. Não só garantia para si parte importante dos lucros da empresa como apaziguava Oliveira em relação à jogada que preparavam. Membros influentes ligados à PT serviram de intermediários na negociação entre a direcção da Premier League e a BenficaTV, garantindo aos ingleses que não só serviam de fiadores como davam a cara pela gestão dos direitos da competição face às dúvidas iniciais dos ingleses em ter a sua competição num canal de um só clube.

O que conseguem com isto?
Em primeiro lugar tiram uma das máximas jóias da SportTV.
Para LF Vieira (que agora conta com a ajuda e os contactos importantes de José Eduardo Moniz no meio audiovisual) é um golpe que sabe particularmente bem depois da guerra aberta com Oliveira nos últimos anos, com choradinhos à mistura, que estavam por detrás da criação da BTV, do seu posicionamento na Meo e na compra dos direitos da liga brasileira, por exemplo.
Em segundo lugar dão um golpe muito sério à ZON, obrigando a todos os que queiram seguir a competição a mudar-se para a Meo, independentemente do clube que apoiem. É o primeiro passo para acabar progressivamente com o rival directo nas plataformas audiovisuais. Para isso contam com o apoio do Estado - que até à bem pouco tempo ainda detinha uma golden-share na companhia e que mantém uma influência tremenda - e do dinheiro angolano que lhes permite este golpe tão ousado sem temer perdas financeiros nos primeiros dois anos.

Por fim abrem a porta a transformar a BenficaTV no canal que Pais do Amaral quis criar, um concorrente desportivo real à SportTV. A Premier League é apenas o 1º passo. Seguem-se os jogos em casa do Benfica, a eventual compra dos direitos da Taça da Liga/Taça de Portugal, alguma que outra competição nacional europeia e talvez um ataque mais directo às provas da UEFA, nomeadamente nos jogos que actualmente dão em sinal aberto por um dos 4 canais generalistas que começam a perceber que não têm pernas nem fundos para suportar os preços exigidos pela UEFA. Se a isso juntarem outros desportos, o plano da PT e dos dirigentes do Benfica é ter um canal multi-desportivo de projecção para os próximos dois anos. Precisamente quando acaba o contrato da liga espanhola e da Champions League, à qual planeiam optar com uma oferta muito mais alta que a que possa fazer a SportTV. Nada é deixado ao acaso.

Essa realidade permite ao Benfica não só aumentar o número de subscritores ao seu canal como também o aumento das receitas em publicidade. E é também o primeiro e inevitável passo antes de passar o canal ao serviço fechado, garantindo então um lucro muito superior em subscrições exclusivas da plataforma Meo.



Com essa jogada não só esperam ir esvaziando de conteúdo e assinantes a SportTV - com quem têm mantido uma forte rivalidade e que actualmente não tem potencial financeiro para competir, e que depende cada vez mais do dinheiro angolano que também está na PT - como criar uma receita paralela e sem precedentes num clube de futebol.

A operação terá custado cerca de 15 milhões de euros e para isso o clube pediu um novo empréstimo obrigacionista no valor de 80 milhões, metade para pagar um empréstimo que vence agora e o resto para investir em força no novo canal. A PT funcionará como fiador, garantindo que o projecto tem pernas para andar porque é do seu especial interesse que a Meo crie uma plataforma desportiva alternativa sólida à da Zon. Porque se muitos portistas e sportinguistas podem passar para a Meo para verem os jogos da Premier, com o passar do tempo o objectivo é esvaziar a SportTv de assinantes à medida que a sua oferta vá diminuindo. O aumento da transmissão de jogos via streaming online pode permitir aos adeptos de muitos clubes simplesmente cancelar o contrato com a SportTv se a oferta baixar significativamente e só com isso a PT e o Benfica conseguem uma vitória importante. Aumentar os assinantes do canal é só a segunda parte do plano. Um plano com um alvo bem definido e que roça o limite do legal e do ético. Uma competição nacional exclusiva de um clube obriga sempre os adeptos de outros clubes a dar audiência ao mesmo. Se esse canal se tornar (como é óbvio) canal fechado por subscrição, obriga-os a dar dinheiro a esse clube para ver os jogos de uma liga independente.

E o Estado português, que até há bem pouco tempo manteve uma golden share na PT - mas cuja a influência permanece e permanecerá na companhia - pactua de forma silenciosa com este claro assalto aos direitos dos consumidores, da mesma forma que a RTP também adiantou dinheiro para que Paulo Futre vestisse a camisola vermelha durante uma temporada. É assim Portugal e é assim que se gere o futuro e a salvação financeira de um clube eternamente protegido contra um empresário que se tornou personan non grata na capital quando começou a dizer que não às exigências que vinham de governantes, empresários e dirigentes desportivos sediados no sitio do costume.



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Veja os jogos do slb na... SPORT TV


«Para além da Liga Portuguesa de Futebol, Taça de Portugal e da Taça da Liga, a SPORT TV transmite, em exclusivo, as principais ligas europeias e, mais recentemente, o campeonato Argentino.
A SPORT TV também detém os direitos de transmissão de todos os jogos da maior prova de clubes a nível europeu – a Liga dos Campeões. Liga Europa, Taça dos Libertadores, Copa América, Campeonato da Europa, Campeonato do Mundo e Mundial de clubes são também grandes competições que a SPORT TV transmite, em direto»


Há muita propaganda e lavagens ao cérebro diárias tendo como alvo o "povão benfiquista" mas, na realidade, tirando os 15 jogos que o slb disputa em casa para o campeonato, todos os outros jogos oficiais - Campeonato fora de casa, Taça de Portugal (excepto a final), Taça da Liga e Liga dos Campeões, estão na mão da SPORT TV.
Ou seja, a partir da época 2013/14, a revolução anunciada nas transmissões televisivas, resume-se ao seguinte: dos 45-50 jogos oficiais que o slb disputa por ano, apenas cerca de 1/3 serão transmitidos na benfica TV isto, claro está, se Vieira cumprir com esta promessa eleitoral (penso que, a médio prazo, a da final europeia será mais fácil de cumprir...). Para verem os restantes 30-35 jogos na televisão, os benfiquistas terão de ir para o café, ou continuarem a ser clientes da... SPORT TV.

Veja os jogos do slb na... SPORT TV. A partir de Junho de 2013, não me admirava que este fosse um dos slogans da SPORT TV. Rima e é verdade (pelo menos para a maior parte dos jogos).

P.S. Olhando para as fotos que ilustram este artigo, fico com uma dúvida: Vieira e Joaquim Oliveira são mesmo inimigos, ou disfarçam bem?

Direitos televisivos: slb, Liga e regulamentos

Extrato de um artigo de opinião de Luís Sobral (publicado no Maisfutebol, em 29-10-2012), com observações muito pertinentes acerca dos direitos e transmissões televisivas.

«(...) Fazer algo que soe a ataque à Olivedesportos gera aplausos na Luz e, viu-se, dá votos. Será também racional?
O presidente dos «encarnados» diz há muito tempo a mesma coisa: o clube merece receber mais pelos direitos. Oliveira já ofereceu mais, mas o líder benfiquista não acha suficiente. Pode ser estratégia negocial, legítima, ou início de revolução. (...)
Os próximos tempos serão, pois, fascinantes. Os clubes e a Liga estão a mexer no coração das receitas, no ponto fundamental do negócio. Com os riscos que isso acarreta, numa altura em que o mercado publicitário decresce a um ritmo assustador, as televisões compram muito menos e as tecnologias trazem novas oportunidades e desafios.
Para muitos emblemas, a dependência da tv ronda os 70 por cento. Pode ser que tudo acabe por ficar na mesma, apenas mais caro para a Olivedesportos. Mas também pode mudar, com consequências que ninguém consegue verdadeiramente antecipar. A hipótese de passar jogos na Benfica TV, a concretizar-se, obrigará também a rever a utilização que é feita das imagens televisivas em diferentes instâncias do futebol, da disciplina à arbitragem. Digo eu.
O Maisfutebol levantou o tema na última sexta-feira. Do meu ponto de vista, a Liga e a Federação estão obrigadas a olhar com lupa para os regulamentos de competições e disciplinar. Deixará de ser legítimo utilizar as imagens de jogos para tomar decisões, pelo simples facto de que o olhar deixará de ser neutro, distante, frio, igual para todos.
Eu sei que a minha opinião não será partilhada por muitos leitores. Mas também sei que já fiz mais transmissões de futebol do que a esmagadora maioria de quem me lê. E sei como se faz e conheço quem faz. Também sei que nada na prática atual dos clubes portugueses me leva a acreditar que algum dia poderão ser fontes justas e isentas. É contra a sua natureza, viciados em colocar o emblema antes do futebol.
Valia a pena começar a pensar sobre isto. É impensável que uma televisão de clube transmita jogos de uma liga profissional e os regulamentos e práticas não se alterem.»

sábado, 6 de outubro de 2012

Um fanático do slb na presidência da SIC

Ontem (sexta-feira), a revista Notícias TV (suplemento dos jornais JN e DN) publicou uma entrevista com Pedro Norton, o novo presidente da SIC e do grupo Impresa. Desta longa entrevista, seleccionei algumas das perguntas e respostas que, no contexto de um blogue como o 'Reflexão Portista', me pareceram mais relevantes.


[Notícias TV]: Nas contas da Impresa, no segundo trimestre do ano, as receitas publicitárias caíram 11,2%. A quebra do mercado é o grande desafio que se coloca neste momento a qualquer gestor de media?

[Pedro Norton]: Sem dúvida. O mercado deve estar a cair 20% este ano e isso é um grande desafio. Nos últimos quatro anos o mercado publicitário terá caído 40%.

[Notícias TV]: 300 milhões de euros...

[Pedro Norton]: À volta disso, sim. É brutal. O esforço de adaptação que todas as estações têm feito é brutal. Com consequências tão visíveis como o facto de este ano nenhum dos operadores principais ter entrado na disputa dos jogos da I Liga de futebol.

[Notícias TV]: Já agora, o que vê em televisão? Sei que gosta muito de informação...

[Pedro Norton]: É verdade, gosto. Aqui, estou sempre com as televisões ligadas e vou vendo aleatoriamente, até por dever profissional. Como espectador caseiro, diria que 80% do meu consumo é informação e os restantes 20% é Benfica [risos].

[Notícias TV]: Sei que adora futebol e, pela primeira vez desde o início das transmissões televisivas, o principal campeonato português não passa em sinal aberto. É mau?

[Pedro Norton]: Não sei se é mau, mas é seguramente um sinal do mercado e do estado a que o mercado televisivo chegou em Portugal.

[Notícias TV]: A seleção de futebol está na RTP, a TVI comprou a Liga dos Campeões e a SIC mantém a Liga Europa. Foi o possível? A SIC não teve dinheiro para chegar à Liga dos Campeões?

[Pedro Norton]: Não se trata disso. A nossa experiência tem-nos dito que, numa análise custo-benefício, a Liga Europa é rentável e um bom investimento.

[Notícias TV]: Sobretudo porque as equipas portuguesas têm chegado longe na prova...

[Pedro Norton]: Sim, mas esse é um dos dados do problema e é isso que tem rentabilizado o negócio. A Liga Europa é um produto com uma relação custo-benefício muito boa.

[Notícias TV]: O Benfica-Barcelona de terça-feira passada na TVI registou mais de dois milhões de espectadores...

[Pedro Norton]: Se me está a perguntar se gostava de ter tido o Benfica-Barcelona na SIC, é evidente que sim, gostava. Mas, ponderada a longevidade da carreira das equipas portuguesas e o custo da Liga Europa, esta competição é a mais eficaz para a SIC.

[Notícias TV]: Não me parece muito crente na capacidade europeia do seu Benfica...

[Pedro Norton]: [gargalhada] Nada disso, nada disso. Não estou descrente no Benfica, nada. Mas a probabilidade de termos uma Liga Europa forte com mais equipas portuguesas até ao fim, reconheçamos, é mais elevada do que na Liga Europa.

[Notícias TV]: Vai ao estádio [da Luz]?

[Pedro Norton]: Vou, vou. Tento não falhar.

[Notícias TV]: E é daqueles adeptos bem-comportados ou nem por isso?

[Pedro Norton]: Nada, nada. Nem queira saber. Nem me quero lembrar disso. Até tenho vergonha [risos].

[Notícias TV]: E sofre com as derrotas?

[Pedro Norton]: Muito, muito. Por exemplo, custou-me muito engolir aquela derrota com o FC Porto para a Taça, em que ganhámos no Dragão e perdemos na Luz. Há coisas que custam muito. Como perder com o FC Porto com aquele golo em fora-de-jogo de Maicon. O meu filho chora mesmo, coitado. Eu não.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Quanto valem, afinal, os direitos televisivos?

"Estudo encomendado pela Liga coloca centralização de direitos e concorrência na TV paga como forma de potenciar receitas.

Os clubes da I Liga de futebol negoceiam cada um por si os direitos televisivos e ao todo recebem actualmente cerca de 60 milhões de euros. Se a negociação fosse feita em conjunto (de forma centralizada), as receitas podiam duplicar, passando para 120 milhões anuais num cenário intermédio. Esta é uma das conclusões de um estudo encomendado pela Liga Portuguesa de Futebol Profissional à Oliver & Ohlbaum Associates e que foi divulgado nesta segunda-feira.

O estudo apresenta três hipóteses para 2013. Num cenário de baixa, os direitos de TV valeriam 83 milhões de euros; num cenário-base, o valor sobe para 120 M; e num cenário de alta chegariam mesmo aos 142 milhões, sendo que em qualquer um deles a maior parte da receita seria proporcionada pela venda dos jogos para transmissão em canal fechado – em 2017, o valor poderia atingir os 165 milhões."

Público, 11/09/2012

Este estudo encomendado pela Liga conclui que “se a venda centralizada de direitos de TV fosse implementada em Portugal (tal como acontece em boa parte dos países europeus, à excepção de Espanha), os maiores beneficiados seriam os pequenos e médios clubes”.

Embora não conhecendo a totalidade do estudo, nem parte dele, tenho sérias reservas sobre a principal conclusão dele retirada de que os direitos televisivos poderiam valer 120 milhões de euros se negociados em conjunto pelos clubes profissionais em Portugal. A economia portuguesa apresenta na actualidade um cenário macroeconómico fortemente recessivo e as expectativas dos agentes estão a piorar em face das dificuldades de recuperação e ajustamento sentidas em 2012.

Por outro lado, sabemos, pelos casos vindos a público na última década, que os “estudos de procura” encomendados pelos promotores de determinado projecto em Portugal devem ser encarados de forma muito conservadora dado que, em grande parte deles, quando os projectos chegam à sua fase madura, é o worst case scenario que se atinge.


A infografia acima foi retirada do jornal Record e mostra as receitas obtidas por cada clube profissional da comercialização dos seus direitos televisivos. O rácio top to bottom (a maior receita individual dividida pela menor receita individual) foi, em Portugal, de 7,75. Parece demonstrar algum desequilíbrio na repartição das receitas, no entanto ainda é bastante menor do que o da La Liga, em Espanha, de 12,5 e o da Serie A, de Itália, de 10,0 (Nota: estes rácios de Espanha e Itália são válidos para a época anterior, de 2010/2011, Fonte: The Guardian).

O sistema mais equilibrado – e o mais rico! – em termos de repartição de receitas provenientes dos direitos televisivos é o da Premier League. O rácio top to bottom é de apenas 1,54 (!) na época de 2010/2011. As receitas dos clubes ingleses provenientes das transmissões televisivas são divididas em 3 partes: 50% distribuídos de igual forma entre os 20 clubes, 25% são pagos mediante o custo das instalações e os restantes 25% são pagamentos baseados na classificação obtida por cada clube na temporada anterior. No entanto, os maiores clubes acreditam que sozinhos conseguiriam ganhar mais dinheiro do que vendendo os seus direitos em conjunto, principalmente no que respeita às receitas obtidas no exterior. Houve um movimento iniciado pelo Liverpool no ano passado com o objectivo de terminar com a negociação em conjunto no final do actual contrato, em 2013.


Voltando ao caso português. Duvido que os grandes estejam dispostos a ceder, à cabeça, parte das suas receitas aos clubes mais pequenos para, de seguida e com maior força negocial, puxarem para cima o valor de um pacote global dos direitos televisivos. Pode até existir a possibilidade de um Equilíbrio de Nash, mas será necessário ter em conta a força e a defesa dos seus interesses que fará o monopolista da aquisição de direitos televisivos – a Olivedesportos (Sporttv). A esta cabe-lhe preservar a sua posição de domínio, dividindo os clubes e criando obstáculos ao aparecimento de concorrência, nomeadamente através de contratos individuais, longos e em diferentes momentos no tempo.

Em suma, e voltando ao estudo da Oliver & Ohlbaum Associates: apesar da posição monopolista exercida pela Olivedesportos, tendo em conta a instabilidade do mercado português e o ambiente de crise generalizada, creio que o valor global dos direitos televisivos estará muito mais próximo dos 83 do que dos 142 milhões de euros (os cenários de baixa e alta, respectivamente, do recente estudo defendido pela Liga).

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Quem quer casar com a carochinha?

«Os canais generalistas continuam a sofrer um corte profundo nas suas receitas publicitárias. Nos primeiros seis meses deste ano, a SIC e a TVI receberam menos 18,5 milhões de euros do que em igual período do ano passado.
Analisando o relatório e contas semestral da Media Capital, é possível verificar que a TVI facturou 49,6 milhões de euros em publicidade, uma diminuição de 13,3 milhões face aos mesmos meses de 2011 (descida de 21%). Ou seja, o corte é superior a dois milhões de euros mensais.
No caso da SIC, e de acordo com as contas do grupo Impresa, a diminuição foi de 5,2 milhões de euros (menos 10%), para um total de 46,3 milhões de euros. Ou seja, a perda é de quase um milhão de euros por mês.
De referir que nos dois casos, os valores apresentados já reflectem as receitas de publicidade dos canais temáticos como a SIC Notícias e a TVI 24. Se a tendência se mantiver até ao final de 2012, a TVI e a SIC vão voltar a fechar o ano com receitas publicitárias em quebra, o que sucede desde o arranque da crise económica. Em 2008, por exemplo, a empresa de Queluz facturou nesta área 151,4 milhões de euros, um valor que caiu para os 120,5 milhões em 2011 (descida de 30,9 milhões). Já a SIC passou, no mesmo período, de 109,2 milhões de euros para os 96,9 milhões, uma quebra de 12,3 milhões.»
in Correio da Manhã


Estando as receitas publicitárias a cair a pique, SIC e TVI têm vindo a cortar cada vez mais nos custos, numa luta pela sobrevivência que inclui deixar de investir no futebol e... pressionar o governo a não privatizar a RTP!

Com Paes do Amaral fora da corrida (de boas intenções está o inferno cheio...), quem tem dinheiro para comprar os direitos televisivos do slb pelos anunciados 30 milhões de euros (inicialmente a fasquia estava nos 40 milhões!) e, depois, uma plataforma tecnológica para os transmitir?
Há uns zuns-zuns de que a "salvação" benfiquista virá de Zeinal Abedin Mohamed Bava, via MEO, ou através de um dos novos canais a criar até ao início de 2013.
Vamos ver... Até ao final do ano deve haver novidades.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Paes do Amaral e os direitos televisivos

«Ontem soube-se que há um português administrador de 73 empresas. Hoje, lendo-se o “Negócios”, sabe-se quem é ele: Miguel Paes do Amaral. Lembra-se dele? É o empresário que dizia querer comprar os direitos de transmissão televisiva dos jogos do Benfica. Falava-se em 40 milhões. Mas isso foi no bom tempo. Este ano, a SIC, RTP e TVI nem foram a jogo. Não há pão para malucos.»
Pedro Santos Guerreiro (director do Jornal de Negócios)
in record.pt, 02/08/2012


«A duas semanas do início do campeonato de Espanha, ainda não se sabe de que forma vão os telespectadores portugueses poder assistir ao desenrolar da mais mediática Liga do Mundo. Os direitos da Sport TV terminaram em 2011/12 e embora tenha aparecido comprador para as três épocas seguintes (Miguel Paes do Amaral), a realidade é que, até ao momento, nenhuma estação de TV assegurou a transmissão de La Liga para o nosso país.»
Nuno Farinha (director-adjunto do Record)
in record.pt, 02/08/2012


Depois de tanta garganta e foguetório, cheira-me que, quer os direitos televisivos do slb, quer os de transmissão de La Liga, vão parar à... SportTV.

terça-feira, 19 de julho de 2011

30 milhões? Estão loucos


Uma das grandes apostas da actual direcção do slb é "forçar" Joaquim Oliveira a subir a parada pelos direitos televisivos tendo, em Março passado, fixado o "valor justo" em 40 milhões de euros por ano.

Para conseguirem os seus intentos, "fontes bem informadas" não se têm cansado de lançar para a praça pública nomes de outros putativos interessados, desde a Ongoing e TVI, até ao dragão de ouro Rui Pedro Soares, passando pelo cenário de que o slb se prepara para lançar um concurso internacional para vender os direitos televisivos!

É nesta linha, de pressão sobre Joaquim Oliveira, que surgem os comunicados para a CMVM, a aquisição dos direitos de transmissão de 180 jogos... particulares e o anúncio, feito por "fonte próxima do dossier", de um principio de acordo entre o slb e Miguel Pais do Amaral por um valor próximo dos 30 milhões de euros por temporada.

Sobre este pretenso acordo, vale a pena ler o que o benfiquista Pedro Santos Guerreiro, director do Jornal de Negócios, escreveu numa das suas crónicas no Record:

«Miguel Pais do Amaral não é de emoções. Gere com frieza os negócios e só gosta de uma coisa: de dinheiro. Por isso pasma-se: 30 milhões por ano para transmitir jogos do Benfica? Por 15 jogos?! A troika ainda não tirou de Portugal a irracionalidade económica.

Se Pais do Amaral pagar 30 milhões, isso é com ele. Mesmo que choque que, nesta altura em que as PME não têm crédito, um banco lhe financie a empreitada, por mais bungee-jumping que ela pareça. Nesse caso, o Benfica, que está a fazer um leilão para forçar a Olivedesportos a subir a parada, pode fazer a festa do ano. Mas que é loucura, é. 30 milhões de euros por quinze jogos… é só fazer as contas. Não há publicidade que pague. Nem novos subscritores de um novo canal de desporto, que teriam de passar a ter dois canais, para poderem continuar a ver os jogos do Benfica fora da Luz na Sport TV. Para mais, num ano em que a publicidade está a cair. E em que a Sport TV está a perder clientes.

Joaquim Oliveira tem acordo com todos os clubes para a transmissão de jogos até 2018 (com preferência por mais três anos), exceto com o Benfica, cujo contrato termina em 2013. Por ano, Oliveira paga hoje nove milhões ao Benfica, o que é quase extorsão ao clube que gera mais audiências televisivas. E que só explica por Oliveira ter sido “banco” do Benfica nos anos em que o clube era gerido com uma mão na massa associativa e a outra na massa falida. O Sporting e o Porto já duplicaram os seus contratos. E Oliveira terá de pagar pelo menos 20 milhões para segurar o Benfica. Exceto se um louco com dinheiro aparecer e oferecer mais.

Chegou o louco: Pais do Amaral. É um negócio incompreensível. Mas se o patrão da TVI pagar, o Benfica pode pôr a estátua de Vieira ao lado da de Eusébio. É de goleador.»


Aguardemos pelas cenas dos próximos capítulos.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Pressão sobre Joaquim Oliveira

No dia 3 de Maio, os dirigentes do slb enviaram um comunicado para a CMVM, para anunciar que estavam a “manter conversas preliminares” com Pais do Amaral, accionista e presidente não executivo do conselho de administração da Media Capital, acerca dos direitos televisivos dos jogos de 2013/14 e épocas seguintes.

Quando tive conhecimento deste comunicado fiquei atónito. Faz algum sentido enviar para a CMVM um comunicado com este teor quando, ainda por cima, no mesmo comunicado é dito que “o valor dos referidos direitos por cada época desportiva não foi ainda objecto de qualquer negociação”?

Entretanto, em resposta a outras especulações, no dia 25 de Maio, Francisco de la Fuente, o homem forte dos interesses da Mediapro em Portugal, garantiu que o grupo espanhol nunca esteve interessado em investir dinheiro nos pretensos projectos televisivos de Rui Pedro Soares e Emídio Rangel.

Para culminar esta pressão mediática em torno dos direitos televisivos do slb, o Correio da Manhã, na edição da passada segunda-feira, noticiava que as negociações entre Miguel Pais do Amaral e a administração do slb estão próximas da conclusão e que, segundo “fonte próxima do ‘dossier’ adiantou ao CM, já existe uma base de entendimento entre o empresário e os encarnados, que passa pela compra dos direitos televisivos dos jogos em casa do Benfica para a Liga por cinco épocas, por um valor próximo dos 30 milhões de euros por temporada”.

Então faz-se um comunicado quando apenas existem conversas preliminares, mas já não há comunicado quando, supostamente, o negócio está quase concluído?

Na mesma notícia do CM, é dito que o “objectivo de Pais do Amaral é criar um canal desportivo que possa concorrer com a Sport TV” e que, por isso, tinha comprado a Worldcom, empresa de Rui Pedro Soares (ex-administrador da PT), a qual já tinha negociado os direitos da liga espanhola para Portugal.

Eu custa-me a crer nesta notícia, porque só para pagar 30 milhões de direitos televisivos o futuro canal desportivo de Pais do Amaral precisaria de 100 mil assinantes (100000 assinantes x 25 euros/mês x 12 meses = 30 milhões euros), a que acresce o custo de outros conteúdos (como os direitos da liga espanhola) e as despesas de funcionamento do canal (instalações, estúdios, meios técnicos, jornalistas, operadores de câmaras, etc.).

E, já agora, num hipotético cenário destes, o que fariam os benfiquistas dispostos a pagar para ver os jogos da sua equipa na televisão?
Mantinham a assinatura na SportTv, onde poderiam ver os 15 jogos do campeonato disputados fora de casa, ou mudavam para o canal de Pais do Amaral, para verem os 15 jogos disputados no estádio da Luz?

A pressão encarnada sobre Joaquim Oliveira, recorrendo a diversos esquemas, intervenientes e meios de comunicação social, está a intensificar-se. Veremos se a raposa velha, que praticamente detém o monopólio da publicidade e direitos televisivos dos clubes portugueses, irá ceder.

P.S. Recordo que em Abril, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informou o mercado de um novo contrato de cedência de direitos televisivos com a PPTV (2014/15 a 2017/18, valor global de 82,8 milhões de euros).

domingo, 5 de junho de 2011

Direitos TV na Premier League


«A Premier League vai repartir um "bolo" recorde de quase 1100 milhões de euros de receitas televisivas pelos 20 clubes que em 2010/11 se integraram na divisão principal do futebol inglês. O campeão Manchester United vai receber a fatia maior (M€ 69,48), enquanto o estreante Blackpool (19º classificado) terá direito à parcela mais pequena - mesmo assim, quase 45 milhões de euros provenientes da TV.

A Liga reparte cerca de metade das receitas televisivas nacionais (Sky, ESPN) de forma equitativa por todos os clubes. Em 2010/11, esse montante fixo atingiu M€ 15,88 por clube. A outra metade do bolo é dividida consoante a classificação final e o número de transmissões televisivas em directo. Cada degrau na tabela classificativa valeu 870 mil euros (o West Ham, último classificado, recebeu apenas 870 mil euros, enquanto o campeão recebeu 20 vezes mais: 17,4 milhões). O Manchester United foi igualmente o clube com maior número de jogos (casa e fora) transmitidos pela televisão - 26 -, assegurando dessa forma M€ 15,577 adicionais neste segmento da repartição monetária.

As receitas provenientes da venda dos direitos televisivos no estrangeiro são divididas de forma igual por todos os clubes. A negociação colectiva desses direitos é feita em blocos de três anos com os diversos operadores espalhados pelo mundo. Esta área do negócio está a revelar-se cada vez mais lucrativa, e a entrada em vigor de novos contratos trienais (2010/11 a 2012/13) proporcionou um aumento considerável das verbas atribuídas na presente temporada. Em 2009/10, as vendas no estrangeiro tinham rendido 11,6 milhões de euros a cada clube da Premier League. Em 2010/11, esse montante disparou para os 20,6 milhões/clube.

Apesar da diferença existente entre as receitas televisivas de Manchester United (M€ 69,48) e Blackpool (M€ 44,93), a Premier League continua a ser a liga menos desequilibrada entre as grandes da Europa. O campeão recebeu 1,55 vezes mais do que o Blackpool. Nas outras ligas principais, como a Bundesliga (quociente: 2), Ligue 1 (3,5), Serie A (10) ou na liga espanhola (12,5), esse diferencial (quociente clube com maiores receitas de TV/clube com menores receitas de TV) é muito superior. Em Espanha - onde a disparidade é mais acentuada -, gigantes como Barcelona ou Real Madrid chegam a receber 19 vezes mais do que os clubes mais pequenos da liga.»
Paulo Anunciação
in ojogo.pt, 05/06/2011

O artigo completo, com detalhes dos números, pode ser lido aqui.

Em Portugal, existe um longo caminho a percorrer (incluindo culturalmente) para tornar o campeonato uma prova mais competitiva, mas o exemplo da Premier League não interessa aos três grandes, da mesma maneira que também não interessa aos grandes clubes de Espanha ou Itália.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Contratos com a PT e a PPTV


Nas últimas semanas, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informou o mercado da renovação do contrato de patrocínio com a Portugal Telecom (2011/12 a 2014/15, proveitos globais mínimos de 14,6 milhões de euros) e de um novo contrato de cedência de direitos televisivos com a PPTV (2014/15 a 2017/18, valor global de 82,8 milhões de euros).

Recordo que o contrato de patrocínio anterior com a Portugal Telecom, efectuado em Setembro de 2005, previa 21,2 milhões de euros de proveitos globais fixos para um período de seis épocas (2005/06 a 2010/11), ou seja, 3,53 milhões de euros por época.
O novo contrato abrange quatro épocas, com inicio já na próxima, a uma média de 3,65 milhões de euros por época.

Quanto aos contratos anteriores com a Olivedesportos, o penúltimo previa proveitos globais de 32,25 milhões de euros para quatro épocas (2005/06 a 2008/09), o que significava cerca de 8 milhões de euros por época.
No último contrato, em vigor até 2013/14, houve um incremento de 2,3 milhões de euros por época, ou seja, o contrato actual prevê um valor global de 51,75 milhões de euros para as épocas 2009/10 a 2013/14.

No contrato agora assinado e que irá entrar em vigor na época 2014/15, a PPTV – Publicidade de Portugal e Televisão S.A. (sociedade integrada no Grupo Controlinveste), assume a posição contratual da Olivedesportos – Publicidade, Televisão e Media, S.A. e, por aquilo que percebi, irá pagar cerca de 20,5 milhões de euros pelos jogos do campeonato em cada uma das quatro épocas (de 2014/15 a 2017/18) abrangidas pelo prolongamento do contrato.

82,8 milhões de euros pelos 60 jogos do campeonato que o FC Porto irá disputar na qualidade de equipa visitada (15 jogos vezes 4 épocas) é muito ou pouco?

Depende de como for feita a análise.

i) comparando com o contrato anterior – é praticamente a duplicação do valor.

ii) valor por jogo – duvido que no mercado português haja algum outro player que oferecesse mais do que 1,38 milhões de euros por jogo (82,8 / 60).

iii) comparando com o que irão receber Sporting e slb – Esta é a grande questão, mas para a qual ainda não temos resposta. O slb diz que não vende por menos de 40 milhões de euros por época, mas vamos ver se alguém paga esse valor.

O contrato com a PPTV abrange a cedência, em regime de exclusividade, dos direitos de transmissão televisiva para território nacional e internacional. Contudo, no comunicado para a CMVM, é expressamente referido que a SAD poderá, sujeita a determinados termos e condições já acordadas, utilizar os direitos televisivos no âmbito do canal televisivo que venha a ser criado pelo Futebol Clube do Porto e/ou pela Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD. Ora, este aspecto parece-me muito importante, sendo revelador da forte aposta que o FC Porto pretende fazer no Porto Canal.

Com o país a atravessar uma crise profunda, que não se sabe muito bem quanto tempo irá durar, nem quais as consequências a médio prazo (desemprego? carga fiscal sobre as pessoas e empresas? poder de compra? endividamento das famílias?), parece-me boa política a renovação em alta destes contratos, ambos por valores significativos para a realidade portuguesa, os quais garantem receitas seguras para anos que se antevêem muito difíceis e, inclusivamente, permitem que a SAD os possa usar como garantias no acesso ao crédito bancário.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Sombrero vueltiao


No final do jogo, a propósito dos dois golos que marcou e da comemoração do segundo com um sombrero vueltiao, Freddy Guarín afirmou o seguinte:
"Foi muito importante para mim. Foi um amigo, Arturo, da aldeia onde nasci, que mo deu. É um chapéu típico do meu país."


Recentemente falei aqui no assunto. É um desperdício ter no plantel três internacionais colombianos e não tirar partido disso, nomeadamente em termos de promoção da marca FC Porto no mercado sul-americano (principalmente na Colômbia e Venezuela). Evidentemente, não seria um negócio para dar lucro imediato, mas sim algo inserido numa estratégia global de expansão da marca FC Porto, cujo primeiro passo é a divulgação (semear), para mais tarde então apostar no merchandising e no negócio dos produtos televisivos (colher).

Mas para além dos aspectos desportivos, há também o potencial turístico que poderia ser explorado. Não haveria hipótese de serem desenhados protocolos com as entidades que promovem o turismo da Colômbia na Europa, bem como, o turismo português (e mais particularmente do Porto e Norte) no mercado sul-americano?

(www.elmundo.com)


(www.rcnradio.com)