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terça-feira, 9 de maio de 2017

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Não se enganem. Ninguém na SAD acreditava em Agosto no título. Ninguém na SAD acreditava em Janeiro no título. Ninguém na SAD acreditava em Abril no título. E por isso, toda a gente na SAD está contente em Maio. O FC Porto já assegurou quase matematicamente o segundo lugar - o que garante entrada directa na Champions, 12 milhões e uns trocos fixos em receitas - e viu o Benfica ser campeão de novo com um novo hashtag (passamos do #Colinho para o #LigaSalazar) que permite continuar a atirar areia aos olhos dos adeptos. Todo em paz, tudo satisfeito.

Faltam semanas para acabar uma época que já não vai dar nada de si. O Porto tem o segundo lugar a noventa minutos e um tropeção do Sporting de distância e o primeiro a uma quimera e vinte mil hashtags de diferença. Não se joga nada, não se joga a nada - algo que é o que tem sucedido desde há meses - e o soporifero debate sobre se há mudança de treinador, quem vai sair para tapar o buraco das contas só será superado pela moda da Liga Salazar. Tudo discussões que tapam o grave e realmente importante, tudo uma agenda que serve os mesmos interesses de sempre, os que nunca são julgados pelos fracassos e que sempre aparecem na fotografia dos êxitos.

O FC Porto vai para o quarto ano sem troféus. Quatro.
Um
Dois
Três
QUATRO.

Nesse período de tempo ainda ninguém com poder para isso explicou porque se passou do modelo Paulo Fonseca e vamos investir nos jogadores do mercado local ao modelo NES e vamos investir na formação sem vender as pérolas passando pelo modelo Lopetegui e vamos ter gajos emprestados espanhóis que isso é que está a dar...todos os modelos sem êxitos, todos os modelos diametralmente opostos do que seria ter UMA ideia de gestão desportiva.
Um treinador pode ser mais ou menos competente a nível táctico e de gestão de recursos. Um jogador pode ser mais ou menos talentoso, trabalhador ou profissional. Mas de um director, de um presidente, espera-se que tenham uma visão alargada - sobretudo quando são já 35 anos no cargo - e uma ideia de gestão clara. Desde a saída de um treinador bicampeão que colocou o ponto final a um tricampeonato histórico e do desenvestimento do clube - basta ver a qualidade do plantel de 2011 e o de qualquer ano pos 2014 - para entender que o grande problema nunca foram os nomes, dentro e fora de campo, nem sequer a existência do Polvo - real, inequivoca e cada vez maior - e sim a absoluta ausência de uma ideia de gestão desportiva que mantenha o Porto na luta. Depois de uma década em piloto automático, durante a qual não houve sequer concorrência significativa, e de um ano que provocou um importante abanão que teve uma óptima reacção - o marasmo apoderou-se dos escritórios do Dragão e ainda lá continua...um, dois, três...quatro anos depois.



Nenhum clube pode ganhar sempre. Nenhum clube pode ambicionar ganhar sempre e sentir que falha se não ganha de vez em quando. Mas nenhum clube que tenha um orçamento como o nosso se pode permitir não querer ganhar sempre e ter um plano para isso. NES é como Peseiro, Lopetegui e Fonseca o espelho da falta de ideias da direcção da mesma forma que muitos dos jogadores que têm passado reflectem a falta de critério desportivo que existe no clube. O Benfica foi campeão neste ciclo sempre com inequivocas ajudas externas que são cada vez maiores e transparentes - e são transparentes porque já nem sequer há medo de que alguém as denuncie a sério porque o silêncio impera no Dragão salvo alguns hashtags de moda - mas isso não justifica que em cada um desses anos o Porto tenha cometido erros impróprios da máquina que foi e pode voltar a ser. E no entanto a sensação colectiva é que esta seca, este mini deserto, incomoda menos do que deveria. Não gera acção nem sequer reacção. Os destinos do mercado estão entregues a amigos tal como a colocação de treinadores. O jogo da cadeira do poder alimenta facções e o poder crescente de uma determinada facção dos SD dentro da própria estrutura ajuda a explicar a ausência de contestação vivida noutras etapas muito menos graves do que esta. O trabalho mediático também deixa muito a desejar e embora o Universo Porto seja um oásis no deserto e o trabalho de Francisco J. Marques altamente elogiável, o certo é que justificar campeonatos perdidos APENAS com hashtags não ajuda em nada o clube.
Sim, o Benfica tem sido escandalosamente beneficiado. Sim, o Polvo existe e não vai desaparecer tão cedo. Sim, nos últimos vinte anos em democracia o Polvo fez-se maior do que foi durante o regime salazarista. Sim, os jogadores do Benfica - e treinadores - vivem na impunidade. Tudo isso é certo mas o Porto já ganhou ao Polvo quando soube entender que tinha de trabalhar o dobro, falhar a metade das vezes e procurar ser uma voz que ninguém calava nos momentos mais dificeis. Isso, os hashtags de Colinho e Liga Salazar, não são a forma de reagir se não forem acompanhados de outro tipo de acções - desportivas, de gestão, de presença nas intituições de forma activa - e tudo isso não existe e só poderá existir quando algumas cadeiras se derem conta de que estão a actuar como os caducos dirigentes soviéticos dos anos oitenta, a ver o tempo passar e a pensar em glórias passadas.

De nada vale o esforço dos Francisco J. Marques e afins, de nada vale que bloguers - esses demónios segundo alguns dirigentes do clube - ou adeptos de rua a apontar o dedo ao que está mal se os únicos com o poder de emendar a mão não o façam e decidam, por oposição, a mostrar contentamento com segundos lugares, apuramentos europeus e pouco mais.  A Pinto da Costa honra-lhe apoiar os homens que escolhe para dirigir o clube em momentos dificeis mas mais lhe honraria apoiar os adeptos e sócios que há trinta e cinco anos o apoiam e decidir se tem capacidade de desenhar do zero - porque será do zero face ao panorama actual - um novo plano estratégico de êxito em multiplas dimensões ou se está apenas preocupado em não cair de uma cadeira à vista de todos enquanto aqueles que o rodeiam lhe continuam a dizer que tudo está bem e a culpa da derrota é apenas e só dos polvos e nada mais...



PS: Já agora, a modo de remate, estaremos seguramente todos curiosos para saber se há prémios de participação a distribuir pela SAD pelo segundo lugar como já sucedeu pelo objectivo cumprido de disputar a Champions. Quatro anos sem títulos e com um investimento brutal e as contas nas lonas seria mais uma cuspidela na cara dos sócios e adeptos do FC Porto. Mas nada que nos estranhe vindo de quem vem realmente.

sábado, 9 de janeiro de 2016

As escolhas da SAD no pós-Vítor Pereira

No dia 20 de Junho de 2011, a poucos dias do início da época 2011/2012, André Villas Boas, aliciado pelos milhões do Chelsea e com medo do fantasma Mourinho (Pinto da Costa dixit), abandonou a sua “cadeira de sonho”.

Vítor Pereira e André Villas-Boas (época 2010/11)

Apesar de convidado a acompanhá-lo na aventura inglesa, o seu Nº2, Vítor Pereira, optou por ficar. Ficou no Porto, mas herdou um plantel que, por ter ganho tudo na época anterior, estava repleto de jogadores cheios de expectativas e com a cabeça noutro lado (Fucile, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, Falcao, etc.).
Para complicar a coisa, Radamel Falcao foi vendido no final de Agosto de 2011 (e a SAD só contratou Jackson um ano depois), tendo Vítor Pereira de se desenrascar com pontas-de-lança do calibre de Kléber e Walter!

Aos poucos, e após ter sido feita uma “limpeza de balneário” a meio da época (em Janeiro de 2012), Vítor Pereira foi “colando os cacos” e construído uma equipa à sua imagem.
Com essa equipa e o seu modelo de jogo, Vítor Pereira superou Jorge Jesus, quer nos duelos diretos que travaram, quer na “maratona” que são os campeonatos.

No 1º ano ganhou o campeonato 2011/2012.
No 2º ano ganhou o campeonato 2012/2013.
E nesses dois anos, num total de 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas uma vez (em Barcelos, num jogo tristemente célebre, arbitrado por Bruno Paixão).

Pelo meio, Vítor Pereira foi sendo contestado (principalmente nos primeiros meses da época 2011/12 e após a derrota em Málaga, na época seguinte), mas também recebeu fortes elogios, inclusive de adeptos de clubes rivais.

Com ele, foram vários os jogadores – Maicon, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Fernando, Moutinho, James, Jackson – que evoluíram e, em alguns casos, cresceram para patamares de excelência.

E quando a SAD não quis renovar com Vítor Pereira, ele saiu do seu FC Porto como um Senhor, de cabeça erguida e com a satisfação da missão cumprida.

Estamos no 3º ano do pós-Vítor Pereira e, neste período, a equipa principal do FC Porto já teve três treinadores (brevemente terá um 4º).

Paulo Fonseca: 01-07-2013 a 05-03-2014

Luís Castro: 05-03-2014 a 30-05-2014

Julen Lopetegui: 01-06-2014 a 07-01-2016

Por motivos diferentes, estas três escolhas da SAD – Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui – acabaram por não alcançar os objetivos pretendidos, tendo-se revelado apostas falhadas.

Será que à 4ª tentativa, Pinto da Costa e Antero Henrique irão acertar na escolha para um dos cargos mais importantes da estrutura de qualquer clube/SAD de futebol?

A fasquia está alta, mas convém lembrar que ainda há muito para ganhar esta época – Campeonato (faltam 18 jornadas, estão 54 pontos em disputa e o Sporting tem de vir ao Dragão), Taça de Portugal (o FC Porto é o único dos três “grandes” ainda em prova) e Liga Europa.

Mais. A FC Porto SAD investiu dezenas de milhões de euros neste plantel (na aquisição de "passes" de jogadores, em empréstimos e em salários), tem o maior orçamento do campeonato português (mais de 100 milhões de euros) e, por isso, tem obrigação de lutar até ao fim por todos estes objetivos.

Pinto da Costa é o presidente mais titulado do futebol mundial e terá um lugar, para sempre, na gloriosa história do Futebol Clube do Porto. Contudo, depois de não ter renovado com um treinador bi-campeão e após três falhanços consecutivos, a responsabilidade desta Administração da SAD (particularmente de Pinto da Costa e Antero Henrique) é enorme.

Para bem do FC Porto, não pode(m) voltar a falhar.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Sai uma trivela para a mesa 5

                                          Foto: Maisfutebol

O FC Porto quis redimir-se da derrota da jornada anterior na Madeira frente ao Marítimo e fez uma exibição convincente aplicando a chapa 5 ao Paços de Paulo Fonseca.

A equipa jogou com muito mais intensidade, pressionando mais alto o adversário e em consequência ganhando a bola mais próximo da baliza adversária. As oportunidades de golo foram surgindo até que aos 28’ Jackson empurra para a baliza a bola vinda de um cruzamento tenso da esquerda de Alex Sandro, beneficiando ainda do erro do guarda-redes Defendi que falhou a saída ao cruzamento.

Vi no Paços de Paulo Fonseca uma equipa semelhante ao FC Porto da época passada. É uma equipa organizada que, sem a bola, se move em bloco ora para o lado esquerdo ora para o lado direito, dependendo das movimentações do adversário mas que, não raras vezes, deixa os adversários na cara do golo porque falha uma ou outra marcação quando a bola é lançada para as costas da defesa. Era assim a nossa defesa na época passada. E foi assim que Jackson se isolou com um passe longo livrando-se de Hélder Lopes que depois acaba por agarrá-lo dando origem à marcação do penalty que Quaresma executou na perfeição.

O árbitro Marco Ferreira conseguiu inovar e mostrar-nos uma nova interpretação das leis do jogo no que respeita à sanção disciplinar a aplicar ao jogador que impede o adversário de jogar tendo este pela frente apenas o guarda-redes. Assim, estes lances são, segundo Marco Ferreira, puníveis com livre directo e o jogador infractor:
a) É punido com a amostragem de um cartão amarelo se a equipa adversária for o FC Porto ou;
b) É punido com um cartão vermelho e consequente ordem de expulsão se a equipa adversária for outra que não a mencionada em a).

Foi assim aos 37’ quando Hélder Lopes agarrou Jackson dentro da área e foi assim aos 81’ quando Romeu agarra Jackson à entrada da área (i.e, viram apenas um cartão amarelo sendo que no caso de Romeu levou a expulsão por se tratar do segundo amarelo).

Depois, aos 43’, vem o momento de magia no jogo. Deixo aqui a descrição do lance por Pedro Cunha no Maisfutebol que tem mais veia poética que eu:

Era uma vez… Quaresma. 

Todas as histórias de encantar, pedaços da nossa infância, começam assim. E o Mustang merece a deferência. É raro, muito raro, ver o que vimos no Dragão este domingo. O terceiro golo da noite é um prodígio de potência, colocação e efeitos especiais. Sim, efeitos especiais. 

O pontapé de trivela, três dedos na bola e o arco perfeito, é sobre-humano. É um truque saído da manga de um mágico, retocado na mesa de edição de imagem e servido ao público com um halo de perfeição. Que grande golo, caro leitor! 

O movimento de Quaresma é o habitual. A finta a procurar a zona central e a parte de fora do pé direito a fazer das suas. A bola explodiu no ângulo superior direito da baliza do Paços e dissipou, com a firmeza de uma alta patente, as poucas dúvidas que ainda assombravam o score.

Logo no início da segunda parte Herrera fez o 4-0 depois de excelente trabalho individual de Jackson – que grande jogo fez o colombiano, está em toda a parte, defende, ataca, desmarca-se, enfim, é um trabalhador incansável – e a equipa adormeceu um pouco, o que se compreende. Até ao fim há a destacar a desmarcação de Óliver que, na cara do guarda-redes, atirou à figura e o 5-0 por Cristian Tello na marcação de um livre directo por falta cometida sobre Jackson. Um golo de belo efeito.

Não gostei da exibição de Cristian Tello, apesar do livre bem marcado, e creio que a sua substituição seria mesmo a mais acertada em vez da de Quaresma. O espanhol, mais uma vez, teve uma actuação de altos e baixos e nunca mostrou disponibilidade total para disputar a bola. Há uma jogada na primeira parte sobre o lado esquerdo do ataque do FC Porto em que a bola lhe é passada bastante para a frente e Tello pura e simplesmente se desinteressa do lance. Isto não é um jogador "à Porto" e o problema é que ninguém lhe explica isso sendo, aparentemente, um jogador intocável para Lopetegui. O Quaresma é sempre o extremo sacrificado quando toca a substituições e, sinceramente, começo a entender a sua incompreensão apesar de não concordar com gestos públicos de desagrado como tirar as fitas das caneleiras e atirá-las ostensivamente para o chão. 

Em suma, valeu ao FC Porto uma entrada em jogo com determinação e entrega por parte de todos os jogadores que desta vez conseguiram colocar mais intensidade em todas as bolas. A equipa deveria jogar assim em todos os jogos da Liga até à 34ª e última jornada.
   

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

SMS do dia

Paulo Fonseca expulso por Bruno Paixão enquanto é segurado por Manuel Mota (fonte: LUSA)

O maldito Paulo Fonseca já fez mais pelo FC Porto este ano do que o amigo Julen Lopetegui. Ganhar ao Benfica! As ironias da vida são tramadas.

terça-feira, 24 de junho de 2014

Herrera, descubra as diferenças

Herrera, Brasil x México

Herrera, O JOGO 23-06-2014 (antes do México x Croácia)

«Rafa Marquez, Andrés Guardado e Chicharito Hernandez, jogadores emblemáticos neste México, fizeram os golos da qualificação azteca e fizeram desabar o peso do mundo sobre a Croácia. É a melhor versão de um Mundial fantástico, cheio de grandes equipas e espetáculos.
Por trás de tudo isto, o homem do plano, o cérebro do voo azteca: Héctor Herrera. Enorme jogo, mais um, do médio do FC Porto.
Qualquer semelhança entre este médio extraordinário - afinadíssimo no passe, mortal no remate e exemplar na concentração – e o que sofreu de grandes distúrbios competitivos nos dragões é mesmo pura coincidência.
A bomba ao ferro croata, ainda no primeiro tempo, um pormenor sublime sobre Pranjic, sobre a direita, e o canto marcado para a cabeça de Rafa Marquez no 0-1 são alguns dos exemplares mais nobres e admiráveis deste médio cujo valor de mercado está a disparar.»
Crónica do jogo México x Croácia (3-1), no site Maisfutebol

Herrera, México x Croácia


Se fosse um treinador neste momento e precisasse de um médio que não custasse balúrdios, Herrera, do México, estaria no topo da minha lista. Impressionante
Rio Ferdinand (ex-jogador do Manchester United), no Twitter, 23-06-2014


Imaginem, por breves instantes, que para o comando técnico da equipa do FC Porto na época 2013/2014, a Administração da SAD (leia-se, Pinto da Costa e Antero Henrique) tinha escolhido um treinador capaz de tirar partido do lote de jogadores herdados da equipa que foi tricampeã com Vítor Pereira – Helton, Danilo, Otamendi, Mangala, Maicon, Alex Sandro, Fernando, Defour, Lucho, Varela, Jackson – bem como, sabido integrar e definir um modelo de jogo para potenciar jogadores como Fabiano, Ricardo, Quintero, Ghilas e… Herrera.


Com um treinador competente e com perfil para lidar com "egos e super egos", até onde teria chegado a equipa do FC Porto na época 2013/2014?

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 12 de junho de 2014

Regresso ao passado

Apesar de existir mais um ano de contrato, há possibilidades de sair do Paços de Ferreira
Paulo Fonseca, 18-05-2013

Confio completamente na pessoa que gere a minha carreira desportiva [Jorge Mendes]
Paulo Fonseca, 18-05-2013

Reconheço que será difícil manter o Paulo Fonseca. É um treinador jovem, com ambição, trabalha bem e tem provas dadas. O Paços é muito pequeno para ele.
Carlos Barbosa (presidente do Paços de Ferreira), 20-05-2013

O ano em que estive no FC Porto foi muito enriquecedor. Aprendi muito e tirei ensinamentos que me vão ajudar no futuro.
Paulo Fonseca, 08-05-2014

Lidar com egos e super egos foi muito difícil. Foi a área onde tive mais dúvidas mas também aquela em que aprendi mais
Paulo Fonseca, 08-05-2014

Tenho uma pessoa a tratar do meu futuro, o meu empresário Jorge Mendes
Paulo Fonseca, 08-05-2014

É verdade que tive algumas possibilidades, mas optei por regressar ao Paços, porque senti enorme vontade das pessoas em que eu voltasse e fico contente por sentir que os sócios também queriam isso
Paulo Fonseca, 11-06-2014

Esta manifestação, a forma como as pessoas me receberam é um sinal de que estou a tomar uma boa decisão. Estou muito feliz com este regresso.
Paulo Fonseca, 11-06-2014

Não é um passo atrás na minha carreira
Paulo Fonseca, 11-06-2014


Sem comentários (esta sequência de afirmações fala por si).

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A figura da época - I

Em cada dez épocas, Pinto da Costa será a figura-chave, em oito ou nove. Porém, desta vez, ao contrário do que é habitual, é a figura da época pelos piores motivos.

Como nunca desde meados da década de 90, a concorrência está mais forte, organizada e consistente - em particular, o SLB - mas isso não chega para justificar a pior época em décadas. A par da qualidade decrescente dos plantéis nos anos mais recentes - há 3 anos atrás, o Porto tinha nas suas fileiras, só para citar alguns: Falcao, Hulk e Moutinho; hoje não tem nenhum (ou se quisermos colocar a questão de outra forma: quantos titulares do SLB teriam lugar no Porto, há 3 anos atrás? E hoje?) - que tem vindo a ser disfarçada com uma maior variedade de opções, o Porto decidiu "convidar" um treinador campeão a sair, isto ainda antes do final da sua segunda temporada ao comando equipa. É a segunda vez que tal acontece nos tempos mais recentes, sempre(?) que o SLB se "agiganta": o Porto falha a conquista do campeonato, o responsável (único) é o treinador, logo deve ser substituído. É curioso que há uns anos atrás, Fernando Santos, contando com Jardel no plantel, e uma concorrência muito mais macia, também falhou ... mas manteve o lugar.


Ainda que o Porto tivesse falhado a conquista do (tri ou) bicampeonato, teria lutado até à última jornada; a opção mais simples seria reforçar a equipa, e não começar tudo de novo, o que só beneficiaria (e beneficiou) a concorrência. Este foi o primeiro erro.

Para substituir Vítor Pereira, foi escolhido Paulo Fonseca (PF), naquilo que na aparência tinha tudo para ser uma reedição dos fenómenos André Villas-Boas e José Mourinho. Só na aparência. Embora PF tivesse um currículo ligeiramente melhor que os outros dois à chegada, tinha muitíssimo menos experiência, e acima de tudo havia quase ou nenhum conhecimento mútuo entre o Porto e PF. Terá o selo de qualidade "Jorge Mendes" sido quanto bastou?

Apesar do início promissor, PF, vitimado pela sua inexperiência, e talvez até pelo deslumbramento natural de quem, em cerca de 4 anos chega do Pinhalnovense ao campeão nacional, sem nunca ter tido um dissabor, insistiu num modelo de jogo estranho à equipa, que não tardou a originar uma série de maus resultados, que permitiram ao SLB, não só recuperar uma desvantagem de 5 pontos, como chegar ao primeiro lugar e distanciar-se na pontuação. Pese embora a contestação dos adeptos, PF manteve-se no cargo até Março, tendo dirigido a equipa pela última vez, frente ao Vitória SC, em Guimarães (2-2), e numa fase da época em que a sua substituição no cargo, já de pouco ou nada serviria na luta pela revalidação do título de campeão nacional. Este foi o segundo erro.

Para tentar salvar alguma coisa da época, numa altura em que o Porto ainda tinha aspirações (legítimas) em provas como a Taça de Portugal e a Taça da Liga, e algumas esperanças na Liga Europa, Luís Castro (LC), foi promovido da equipa B a treinador principal. No papel, esta opção tinha boas possibilidades de sucesso: ao contrário do seu antecessor, LC já conhecia o clube, os jogadores, o nível de exigência, e sendo-lhe oferecida a oportunidade única na sua carreira, de orientar uma equipa de alto nível, seria expectável que tudo fizesse para se mostrar como uma opção de continuidade, para agarrar definitivamente o lugar. Na realidade, saiu tudo ao contrário. De novo, após um início promissor, uma série de más opções e um incompreensível temor perante o SLB, ditaram o afastamento de todas as provas que o Porto poderia pensar em conquistar. É injusto apontar a nomeação de LC como um erro, mas a verdade é que se revelou uma aposta completamente gorada.

(continua)

terça-feira, 6 de maio de 2014

Uma explicação aos sócios

Pinto da Costa é o presidente mais titulado de sempre do futebol mundial e é, também, o principal responsável pela transformação dos “andrades” em “dragões” (com tudo o que isso significa em termos de mentalidades e mudança estrutural do Futebol Clube do Porto).


Mas se Pinto da Costa é um presidente top, com um passado recheado de sucessos e mereceu todos os elogios que nós, adeptos portistas, lhe fizemos ao longo das últimas quatro décadas é também ele o principal responsável pelo descalabro desta época.

Foi ele, Pinto da Costa, que, em tempo oportuno, não renovou com um treinador que era campeão nacional, o qual, nos últimos meses da época 2012/2013, com um plantel limitado, continuava a lutar, taco-a-taco, com uma das equipas encarnadas mais fortes dos últimos 30 anos.

Foi ele, Pinto da Costa, que quis esperar pelo final da época 2012/2013 e, tendo em casa um treinador acabado de se sagrar bicampeão, não fez tudo o que estava ao seu alcance para o convencer a ficar (tivesse Pinto da Costa oferecido a Vítor Pereira 30 a 35% do que Jorge Jesus ganha no SLB…).

Foi ele, Pinto da Costa, que escolheu e contratou Paulo Fonseca, um homem sem qualquer experiência anterior de clube grande (ao contrário de José Mourinho, André Villas-Boas ou Vítor Pereira) e um treinador sem qualquer experiência de competições europeias e de gestão de balneários cheios de vedetas.


Foi ele, Pinto da Costa, que, em 16 de Janeiro de 2014, quando os sinais da crise que afetava o futebol portista já eram mais do que evidentes, afirmou o seguinte (numa entrevista ao Porto Canal): “Se a época e o contrato dele [Paulo Fonseca] acabassem hoje, ontem tinha renovado com ele. Não é necessário dizer mais nada. Tenho absoluta confiança no Paulo Fonseca. Se eu entendesse que ele não era o treinador que o FC Porto neste momento precisa, era o primeiro a dizer-lhe”.

Perante tudo o que se passou nos últimos 12 meses, penso que Pinto da Costa deve uma explicação aos sócios e adeptos do FC Porto (talvez numa outra entrevista ao Porto Canal).

E, já agora, depois de uma época horribilis, a nação portista precisa de uma mensagem forte acerca do futuro imediato do Futebol Clube do Porto. Porque, como Pinto da Costa disse várias vezes, do passado vivem os museus.

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O perfil do próximo treinador

Com o campeonato há muito perdido e após duas eliminações dolorosas, quer na Liga Europa, quer na Taça de Portugal, parece ser claro que, independentemente do que acontecer nos três ou quatro jogos que o FC Porto ainda terá de disputar até ao final desta época, o treinador interino Luís Castro não irá continuar depois do dia 11 de Maio. Consequentemente, é natural que já se especule com o nome ou, pelo menos, com o perfil que deverá ter o novo treinador dos dragões.

O JOGO, 21-10-2013
Uma das hipóteses mais faladas é a do regresso de Fernando Santos, o “engenheiro do Penta”, mas nomes como Marco Silva, Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, encaixam como uma luva no perfil que foi definido por Antero Henrique, numa grande entrevista publicada por O JOGO, em 21-10-2013.

O FC Porto gosta de ter treinadores com muito espaço pela frente. (…) O Paulo Fonseca é mais um exemplo, a juntar a Mourinho, Villas-Boas, Vítor Pereira, a todos os treinadores que praticamente começaram a sua carreira no FC Porto e que, a partir daí, foram por aí fora.

Entre estes três “treinadores com muito espaço pela frente”, Marco Silva parece ser o que está melhor colocado para tentar seguir as pisadas de José Mourinho MAS…, ao contrário de Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, não conhece o FC Porto por dentro e nunca andou pelo balneário de um clube grande.

Em qualquer dos casos, será sempre uma aposta de alto risco e, em 2014/2015, a dupla Pinto da Costa / Antero Henrique não se pode dar ao luxo de voltar a falhar estrondosamente na escolha do treinador.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

O pulso do Dragão

As más temporadas são aquelas de que nos temos de lembrar sempre. Para que não se repitam. A complacência é a maior inimiga daqueles que querem reinar muito tempo. No Dragão sabem isso melhor do que ninguém. Contava Bill Paisley, mítico treinador do Liverpool, que ele também tinha estado nos anos difíceis do Liverpool. "Um ano acabamos em segundo", dizia entre gargalhadas. Mas tinha razão. Nos seus tempos de jogadores e fisioterapeuta viveu anos de segunda divisão com o histórico clube de Merseyside. A glória e o inferno caminham sempre demasiado perto.

O FC Porto tem vivido 30 anos únicos. Dificilmente se vão repetir. Pelo menos trinta mais.
Cabe a quem gere o clube, aos sócios e adeptos que vão guiar o futuro, ter isso em consciência. Somos uma geração mal habituada porque vencemos mais do que perdemos e fazê-mo-lo com uma regularidade espantosa. Muitos dos que estão na direcção do clube estiveram nesses momentos. Outros tantos partiram ou perderam voz. Nenhuma equipa dura para sempre no topo. É impossível. O melhor que se pode fazer é continuar a lutar e evitar que estas épocas se tornem em algo regular. Vão ser cada vez mais frequentes. Mas não serão necessariamente o caminho para um longo deserto. Só se a caravela, que se desviou de curso, se afaste demasiado e acabe perdida no meio do Oceano. Este ano podemos e devemos medi-lo sobre diversos pontos de vista porque solucionar só um dos muitos problemas que tivemos será manifestamente insuficiente se querem continuar a ser competitivos nos próximos cinco ou dez anos.

PLANTEL

Entre os adeptos há a teoria de que este plantel é pior que o dos últimos anos e a oposta, de que é um bom plantel. Não creio que seja nem uma coisa não outra. É um plantel caro. Isso sem dúvida. Mas não necessariamente melhor. Que se pague mais dinheiro por jogadores que antes seriam contratados por metade do valor não faz das opções à disposição necessariamente melhores. O plantel que a SAD quis ter e que o anterior treinador aceitou é desequilibrado. É inexperiente. Falta-lhe liderança. Falta-lhe coerência. E faltam-lhe opções para posições determinantes a um nível que condiga com as aspirações do clube. O erro na concepção do plantel de 2013/14 partiu do mitico minuto Kelvin. Um título caído do céu depois de um sprint final de loucos fez a SAD acreditar que tudo era possível. E permitiu a desvalorização da equipa, deixando sair o jogador que equilibrava todo o cosmos em campo. Sem Moutinho - e mais grave, sem um jogador substituto para Moutinho - o FC Porto perdeu muito. A saída de James também não foi compensada à Porto. Desde há muito tempo que Pinto da Costa - e muito bem - tinha por hábito contratar o sucessor de um jogador com saída anunciada na época anterior para permitir a transição. Com James e Quintero não o fez e o colombiano não teve o tempo que teve James para adaptar-se e encontrar o seu ritmo.
A época arrancou com um overbooking de centrais e médios interiores e uma escassez atroz de alternativas nas alas, tanto na defesa como no meio campo. Os laterais e os extremos foram esgotados até à exaustão e só quando chegou Quaresma é que se percebeu o que podia ter sido esta equipa com um jogador top na ala durante todo o ano. Jogador que, por certo, Quaresma não é. Para o micro-cosmos "liga portuguesa" serve mas se o FC Porto quer ser uma potência como já foi não há muito tempo, não o vai conseguir com um futebolista que nunca triunfou em clubes exigentes e que faz do futebol um exercício estéril de egocentrismo. Esse erro inicial (a saída de Iturbe, a falta de um extremo, de laterais que rendessem Danilo e Alex Sandro) foi pago ao longo dos meses. Mas apesar de haver muitas opções na medular, a qualidade era pior. Fernando não tinha alternativa. Defour, Carlos Eduardo e Herrera nunca foram jogadores ao nível de Moutinho e Lucho jogou meio ano fora do lugar até que se fartou de ser visto como o bode expiatório da incompetência alheia. Izmailov desapareceu do radar sem dar noticias e Josué e Licá demonstraram que nem todos os jogadores que fazem uma razoável temporada merecem jogar no Dragão. Olhando, cruamente, para o plantel do FC Porto deste ano em comparação com os últimos anos há mais nomes, mas a média da qualidade decaiu claramente. Sobretudo o que há é demasiados projectos de jogadores. Inexperiencia (como a de Reyes e Herrera, com consequências nos jogos europeus), jovens demasiado ambiciosos e com a cabeça noutras paragens e muitos futebolistas que precisam de aprender a enganar-se e que não têm tempo se ao lado não há lideres. Porque não há. A saída de Lucho e a lesão de Helton deixa evidente uma situação de desnorte. Nem Quaresma, nem Varela nem muito menos Mangala são lideres para um clube como o FC Porto. E Fernando, num caso mal gerido desde o primeiro dia, está mais preocupado consigo mesmo do que com a possibilidade de exercer esse papel. Em suma, uma equipa com muitas opções mas mal distribuídas e preparadas estava fadado a gerar problemas de difícil solução.


EQUIPA TÉCNICA

Vitor Pereira tinha as horas contadas em Março. O titulo no último suspiro deu-lhe um colchão emocional e colocou a SAD contra a parede mas as cartas estavam já há muito na mesa. O seu mandato nunca foi consensual (talvez porque lhe foram tirando armas que AVB teve direito sem o reforçar condignamente em posições chave) e seria difícil aguentar a exigência de um terceiro ano. Até aí estou de acordo com a posição tomada pela SAD. Mas para trocar um técnico bicampeão português por Paulo Fonseca, mais valia ter esperado. Por um milagre.
Pinto da Costa acredita que encontra génios debaixo das calçadas da Sé. Pensou que Paulo Fonseca era um novo Mourinho. Saiu-lhe um Quinito II. E saiu-lhe cedo. Desde Agosto que era evidente que o erro de casting era sério. Mas foi-se perpetuando no tempo custando muito ao clube. Paulo Fonseca tentou jogar em 4-2-3-1 numa equipa feita e pensada para um 4-3-3. Fez com que jogadores que estavam tacticamente brilhantemente preparados parecessem futebolistas de distritais. Não acertou com um  onze, inventou tudo o que lhe era possível e nunca soube dar a mão à palmatória. Insistiu no erro até ao fim e acho que saiu do clube sem perceber o que fez mal. Luis Castro, por muito competente que seja, também não tem o status necessário, nem o know-how, para dirigir um candidato perene ao título e ao que caía no colo. O FC Porto tem um modelo de jogo consensual, inteligente e uma política de evolução de jogadores que casa bem com um esquema disciplinado e que permite uma ligeira margem de erro quando os jogadores certos estão nas suas posições. Este ano isso não sucedeu, as debilidades individuais foram expostas em excesso e a moral do colectivo voou cedo para não voltar. A derrota em Sevilla, mais do que por questões arbitrais, deixou claro que o mal feito em Agosto só poderia ser corregido com tempo. Até Mourinho perdeu no seu primeiro meio ano nas Antas jogos que jamais voltaria a perder. O problema com a escolha de Paulo Fonseca está tanto no homem como no perfil. Em lugar de optar por técnicos de perfil alto, consagrados, excelentes gestores de homens e desenhos tácticos, procura-se exportar treinadores com pedigree como se faz com jogadores. Os milagres não acontecem todos os anos. Em trinta anos, Pinto da Costa conseguiu isso três vezes. Um por década. Está claro que há que esperar pelo próximo algum tempo. Mas se o perfil de futuro continuar a ser o mesmo é provável que os problemas se repitam. Se a aposta for conservadora, uma "jesualidização" sob a forma de Fernando Santos (a minha aposta pessoal, a contra-gosto), o fosso com os adeptos aumentará. Dificil decisão.

INSTITUIÇÃO

O FC Porto perdeu esta época muito em campo. E também perdeu fora dele.
O Clube cresceu e afirmou-se em dois jogos diferentes mas complementares. Desde há algum tempo para cá, a instituição está calada. Não defende o Clube como o fazia e muito bem, quando era preciso. Uma que outra entrevista insossa, um processo a um portista reconhecido por um fait-diver, e alguns comunicados não são suficientes para defender os interesses do clube face a uma mais do que evidente aliança de Benfica e Sporting, muito parecida como aquela que precipitou o Verão Quente de 1980. Parece evidente que o crescimento leonino vem de mãos dadas com uma politica calculada de queixas para colocar o FC Porto isolado dos centros do poder, com a anuência do Benfica que está disposto a deixar o Sporting a voltar a ter algum protagonismo mediático e institucional, sempre que seja á custa do FC Porto. É o que tem sucedido. Do Dragão só se ouve silêncio.
O Clube não consegue colocar homens influentes em posições como a presidência da Liga. Tem um presidente da Federação claramente hostil e um conselho de arbitragem que segue pelo mesmo caminho. E ao contrário da política guerreira e de ataque dos melhores anos do melhor presidente que o clube já teve (e terá), temos que suportar esse afastamento progressivo que só serve para danificar a imagem do Clube. O FC Porto precisa reforços em campo, no banco mas também nas posições de poder. Lamentavelmente a situação não vai mudar tão cedo. Pinto da Costa é finito nem que seja porque é humano. Tarde ou cedo acabará por retirar-se. Poderá fazê-lo, como merece, pelo seu pé, salvo que aconteça alguma fatalidade. E quando sair o clube vai ser uma velha viúva milionária com muitos pretendentes interessados, alguns até que aparecem em cena amando a outras cores, sejam vermelhas ou verdes. O pior que pode passar é uma guerra civil interna mas sem um sucessor ungido (como acredito que Pinto da Costa não vai fazer) e com facções já a batalhar, neste momento, por protagonismo, é a defesa colectiva exterior do Clube quem perde.

ARBITRAGENS E RESULTADOS

O FC Porto sofreu um péssimo ano arbitral na pele. Foi prejudicado claramente no campo do Estoril, Belenenses, Sporting e Nacional. O facto de ter jogado bastante mal nos quatro encontros permite-nos uma análise mais fria. Mas os factos são esses. Na Europa também pagou o preço de uma arbitragem habilidosa nas duas mãos contra o Sevilla. Mas ninguém cai por 4-1 por causa, exclusivamente dos árbitros. Houve erros que custaram pontos importantes - muito por culpa dessa falta de peso institucional tanto dentro como fora, onde desde o Apito Dourado a influência do Porto é mínima - mas a maioria dos resultados da época foram merecidos. A péssima fase de grupos da Champions League e as prestações cinzentas contra o Frankfurt, na primeira parte em San Paolo e em Nérvion, são consequência de tudo o que disse antes. Na liga o FC Porto perdeu pontos por culpa própria, na maioria das ocasiões, e com alguma ajuda alheia noutras. Ainda que pese - especialmente porque o plantel do Sporting é o que é - a posição no campeonato adequa-se perfeitamente ao que foi feito, a eliminatória europeia é uma consequência natural na falta de competitividade e ordem da equipa e o duplo duelo contra um Benfica que está, claramente melhor, servirá apenas de consolo moral. Pela primeira vez em muito tempo, os encarnados estão, claramente, á frente em todos os sentidos de jogo do que o FC Porto. E essa é a pior noticia do ano.



VISÃO A CURTO PRAZO vs VISÃO A MÉDIO PRAZO

Num Verão que se adivinha quente, a SAD do FC Porto tem duas opções. Buscar uma solução imediata a um ano grave ou pensar a médio prazo. Foram feitas coisas boas este ano. Contratar jovens com potencial e do mercado nacional (o próximo a caminho parece ser o Ricardo Horta) é uma linha interessante. Aproveitar as sinergias com a equipa B também o será. Mas esses jovens não vão ser capazes de dar um passo em frente sem estarem devidamente acompanhados. O Clube pode emular o que fez em 2010, contratando o experiente Moutinho, não vendendo as estrelas da companhia (apenas dois jogadores em fim-de-ciclo) e apostando tudo em recuperar o ceptro. Mas há dinheiro para isso depois de tantos negócios excessivamente caros, de tantas comissões e do risco de falhar a Champions League, outra vez?
Se Fernando, Mangala e Jackson eventualmente saírem, a resposta terá de ser outra, a pensar numa recuperação a médio prazo em que os jovens jogadores tenham um par de épocas para se afirmarem, sendo reforçados, progressivamente, pelo mesmo modelo de jogadores que nos fez chegar onde estamos. Jogadores como Zahovic, como Derlei, como Drulovic, como Kostadinov, Deco, Jardel, Lisandro, Lucho ou McCarhty que sem terem sido excessivamente caros deram um plus de qualidade ao colectivo. Para isso urge procurar novos mercados, fugir da tentação de pagar cada vez mais caro e sobretudo, aceitar um modelo de gestão onde o treinador tenha uma palavra a dizer.

HOW THE MIGHTY FALL

Comecei este texto com o Liverpool. Não foi casualidade. Quando Shankly chegou ao clube, a final dos anos cinquenta, o "Pool" estava na II Divisão. Quando Pinto da Costa e Pedroto chegaram ao Porto, o clube estava a viver o seu maior deserto, acabando alguns anos fora do top quatro. Durante vinte e trinta anos, respectivamente, os dois clubes dominaram a sua liga nacional e brilharam na Europa. Depois, no caso dos Reds, veio um longo e penoso deserto. Cabe ao FC Porto estar atento a esse (E tantos outros exemplos que a história nos dá) caso para ter atenção ao futuro que nos espera. É preciso pensar no amanhã e no depois. É preciso que quem gere o Clube pense nele primeiro. Que os jogadores que fiquem e os que cheguem sejam escolhidos a dedo e para algo mais do que serem vendidos com margem de lucro. E que o próximo homem a sentar-se na "cadeira de sonho" seja mais do que uma flamante promessa ou um veterano amigo do Presidente sem nada nas mangas. É preciso tomar decisões dificeis. É nestes momentos que se vê a alma do Dragão. Os adeptos estão, seguramente, todos com o Clube e esperam. A um sinal de que isto é uma curva apertada e não um abismo!

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Juntar os cacos…

«O trajeto de Paulo Fonseca no FC Porto tem sido marcado por muitos desvios. (…) Quintero chegou a ser um salvador, mas em 2014 ainda nem esteve em campo o tempo equivalente a um jogo completo. Licá começou a época em grande plano, mas no início de outubro já tinha perdido o lugar. Kelvin foi recuperado a dada altura, mas rapidamente «desapareceu». Maicon chegou a relegar Otamendi para o banco, para agora ser suplente de Abdoulaye, recuperado do empréstimo ao V. Guimarães no último dia do mercado.»
Nuno Travassos, 25-02-2014


Luís Castro no 1º treino (fonte: www.fcporto.pt)

«Nesta quarta-feira, véspera da importante visita a Sevilha, Luís Castro cumpre um mês como treinador do FC Porto. (…) para além da fria análise aos resultados há que ter em conta a forma como Luís Castro conseguiu juntar os cacos. Desde logo invertendo o meio-campo para a disposição habitual nos últimos anos, algo a que Paulo Fonseca sempre resistiu.

Castro teve também a coragem de apostar consistentemente em Diego Reyes, que continuará a cometer erros pontuais, mas integrados no processo natural de evolução de um jovem que vai dar muito dinheiro à SAD. O técnico tem também mérito na recuperação de Quintero, mesmo que o talentoso colombiano não tenha ainda lugar no «onze», e teve sobretudo a audácia de olhar para Ghilas como algo mais do que o suplente de Jackson Martínez. Entender o argelino como alguém compatível com o «Cha Cha Cha», e não apenas quando o resultado é desfavorável.»
Nuno Travassos, 08-04-2014


Extractos de dois artigos de opinião do jornalista Nuno Travassos, autor de um espaço de análise técnico-tática no site Maisfutebol.

Os dois artigos completos podem ser lidos em:

terça-feira, 25 de março de 2014

Mais de 3000 minutos

«Numa altura em que, como disse Jorge Jesus, o trabalho quase se divide entre jogar, recuperar e voltar a jogar, o Benfica, como o provou com a Académica, tem a vantagem de lidar com sistemas de jogos consolidados, enquanto o FC Porto reaprende a jogar no modelo do sucesso de outras épocas na altura mais crítica da temporada. (...)
A fartura tem permitido a Jorge Jesus gerir o esforço das peças nucleares. (...) Enquanto o Benfica gere, o FC Porto está em contrarrelógio. Nesta altura de sobrecarga, Luís Castro não pode permitir-se cuidar apenas do processo jogo-recuperação-jogo, pedem-lhe que altere o rumo dos acontecimentos, começando pela forma de jogar. E tem jogadores em claro sub-rendimento devido a excesso de jogos, como acontece com Danilo e Alex Sandro, jogadores de qualidade que só saem da equipa por castigo ou lesão e vão pagando a fatura com intermitência exibicional.»
Carlos Machado, O JOGO, 25-03-2014


Luís Castro herdou de Paulo Fonseca uma equipa que vinha de 4 jogos sem ganhar (E-D-E-E), com o campeonato virtualmente perdido (estava a 9 pontos da liderança) e cheia de problemas por resolver – modelo de jogo, equipa desorganizada dentro de campo, falta de confiança, etc.

Entre os muitos problemas, um dos pouco falados era (é) o desgaste de uma parte significativa dos habituais titulares, os quais, por terem sido exaustivamente utilizados em todas as competições (Campeonato, Liga Campeões, Liga Europa, Taça Portugal, Taça Liga), acumulavam demasiados minutos nas pernas.

Nesta altura, cinco dos jogadores que Luís Castro tem à sua disposição já têm mais de 3000 minutos nas pernas (sem contar com os jogos pelas respetivas seleções):
Jackson: 3459’
Alex Sandro: 3421’
Danilo: 3355’
Fernando: 3234’
Mangala: 3155’

E Varela anda lá perto (2879’).

Penso que este é um dos aspectos que ajuda a explicar o menor fulgor de jogadores como Alex Sandro, Danilo ou Jackson.

Comparando com o adversário de amanhã, que está nas mesmas competições do FC Porto, verifica-se que apenas dois jogadores do slb têm mais de 3000 minutos:
Luisão: 3360’
Garay: 3174’

E jogadores fundamentais como Enzo Pérez, Lima ou Gaitan têm menos minutos nas pernas que Varela.

Quando ainda terá de disputar, pelo menos, 11 jogos (990 minutos) até ao final da época, muitos dos quais decisivos e onde o treinador não poderá fazer grandes poupanças, este é mais um dos factores que complica a vida de Luís Castro.

Nota: A fonte para o número de minutos referidos neste artigo foi o jornal O JOGO de 25-03-2014.

sexta-feira, 7 de março de 2014

O ciclo de Paulo Fonseca

É um ciclo que se fecha. As coisas não correram da melhor forma, mas saio com a consciência de que dei sempre o meu melhor, de forma séria, dedicada e honesta. O futebol é mesmo isto e nem sempre as coisas correm como queremos ou idealizamos. O mais importante é o futuro do FC Porto e as partes chegaram à conclusão, de forma natural, que o melhor seria a minha saída.
Paulo Fonseca, em declarações ao www.fcporto.pt e Porto Canal


Não tenho qualquer dúvida que Paulo Fonseca deu o seu melhor e fez tudo o que estava o seu alcance para ter sucesso no FC Porto. Contudo, é inegável que as coisas correram mal, particularmente nas competições que são (eram) prioritárias: o campeonato nacional e a liga dos campeões.

Há várias formas de analisar os 248 dias de Paulo Fonseca no comando técnico do FC Porto. Uma delas, quiçá a mais relevante, é olhar para os resultados obtidos pela equipa por si orientada. Naturalmente, em todas as épocas há sempre alguns resultados negativos mas, infelizmente para Paulo Fonseca e para os adeptos portistas, a época 2013/2014 já está marcada por diversos números negros, alguns dos quais recordes negativos do historial do FC Porto.

O JOGO, 04-03-2014

00 vitórias em 4 jogos disputados no Estádio do Dragão para as competições europeias (3 jogos da fase de grupos da Liga dos Campeões e 1 jogo para os 1/16 avos da Liga Europa).

4 – 4 derrotas em apenas 21 jogos disputados para o campeonato nacional.

5 – 5 pontos conquistados em 18 possíveis na fase de grupos da Liga dos Campeões.

7 – 7 jogos consecutivos para as competições europeias (os sete mais recentes) sem uma única vitória (D-D-E-E-D-E-E) e sempre a sofrer golos (2, 1, 1, 1, 2, 2, 3).

7 – 7 situações de vantagens no marcador desperdiçadas pela equipa do FC Porto.

9 – 9 pontos de atraso para a liderança do campeonato à 21ª jornada.

22 – Ao 22º jogo, do histórico de confrontos para o campeonato entre o FC Porto e o Estoril (jogos disputados no Porto), os dragões perderam pela primeira vez na recepção aos canarinhos.

31 – 31 golos sofridos em 37 jogos oficiais disputados (16 em 21 jogos do Campeonato; 1 em 4 jogos da Taça Portugal; 2 em 3 jogos da Taça da Liga; 0 na Supertaça; 7 em 6 jogos da Liga dos Campeões; 5 em 2 jogos da Liga Europa).


54 – 54 jogos após um célebre Gil Vicente x FC Porto (17ª jornada da época 2011/2012), em que os dragões foram derrotados com a “preciosa ajuda” de uma arbitragem escandalosa de Bruno Paixão, o FC Porto voltou a ser derrotado para o campeonato, no dia 30 de Novembro de 2013.

68 – 68% de pontos conquistados em 21 jogos disputados para o campeonato nacional (43 pontos em 63 possíveis).

82 – 82 jogos depois (correspondentes a um período de 5 anos e quatro meses), no dia 23 de Fevereiro de 2014, o FC Porto voltou a perder um desafio para o campeonato no Estádio do Dragão.

O JOGO, 02-03-2014

Se é certo que o ciclo de Paulo Fonseca se fechou, importa agora olhar para o futuro, porque a época 2013/2014 ainda não terminou. De facto, até ao final desta época o FC Porto ainda terá de disputar, pelo menos, 14 jogos (9 para o campeonato, 2 para a Liga Europa, 2 para a Taça de Portugal e 1 para a Taça da Liga). São jogos para ganhar e, se não for possível ganhar, pelo menos que os jogadores honrem a camisola azul-e-branca e sejam uma equipa, uma equipa à Porto!

Ao longo de quase 40 anos a ver futebol, habituei-me a valorizar a qualidade, a competência e o trabalho (sim, no FC Porto a “sorte” deu sempre muito trabalho). Por isso, e embora não espere “milagres” por parte do novo treinador – Luís Castro –, importa salientar que o balanço final da época portista far-se-á em meados de Maio.

terça-feira, 4 de março de 2014

Impasse no comando técnico

O JOGO, 04-03-2014
Após um dia de folga, o FC Porto regressou esta terça-feira aos treinos (embora com muitos jogadores ausentes nas respectivas seleções) e, ao contrário do que alguma comunicação social previa, ainda sob o comando técnico de Paulo Fonseca.

O JOGO (um jornal normalmente bem informado em assuntos relacionados com o FC Porto) anunciou que o futuro de Paulo Fonseca está por horas/dias mas, aparentemente, a decisão ainda não está tomada.

Tem-se dito muita coisa (nos jornais, televisões e… redes sociais), mas eu não alinho nas teses de que a saída de Paulo Fonseca ainda não se concretizou devido à teimosia de Pinto da Costa, ou por causa de uma eventual indemnização que a FCP SAD terá (teria) de pagar ao atual treinador do FC Porto (o que está em causa é muito mais do que isso e só o apuramento direto para a fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015 vale 10 milhões de euros).

Por mais teimoso que seja, ou por querer mostrar que o clube não é gerido de fora para dentro, Pinto da Costa já demonstrou que, tendo uma boa alternativa na manga, não olha a amizades ou compromissos com os treinadores em funções (que sempre foram escolhidos por ele), quando constata que a mensagem do treinador não passa (as conferências de imprensa de Paulo Fonseca são elucidativas) e que a situação se tornou insustentável (a equipa continua em sub-rendimento, apesar de já estarmos no 9º mês de trabalho deste treinador).

Por que razão, então, Pinto da Costa ainda não resolveu este problema (que ele próprio criou, quando preferiu contratar Paulo Fonseca em vez de renovar com Vítor Pereira)?

Porque, ao contrário de situações anteriores (Artur Jorge em 1988/89, Bobby Robson em 1993/94, José Mourinho em 2001/2002), nesta altura não me parece que seja fácil arranjar um treinador consagrado (ou que tenha experiência de trabalhar com consagrados), que seja uma solução de médio prazo, mas que esteja disponível e/ou disposto a pegar na equipa já.

Um treinador que chegasse agora ao FC Porto teria, logo de entrada, 7 jogos em 21 dias (entre 9 e 30 de Março), entre os quais uma eliminatória da Liga Europa enfrentando o Napoles (13 e 20 de Março), com uma deslocação a Alvalade pelo meio (onde um mau resultado poderá afastar a equipa da luta pelo 2º lugar) e a 1ª mão das meias-finais da Taça de Portugal contra o slb (a 26 de Março).

Ou seja, atendendo ao momento da equipa (agravado por um balneário em frangalhos, com alguns jogadores a saberem que irão sair no final da época) e olhando para o calendário (com viagens e jogos a serem disputados de 3 em 3 dias, praticamente só é possível fazer treinos de recuperação), qualquer treinador que pegue na equipa nesta altura, corre um risco elevadíssimo de chegar a Maio “esturricado” (vejam o que se passou com José Couceiro na parte final da época 2004/2005 e a consequência que isso teve para a sua carreira subsequente de treinador).

Além disso, mesmo que Pinto da Costa assumisse o compromisso (pessoal, escrito, contratual) que, independentemente dos resultados até Maio, o novo treinador continuaria para a próxima época, quais seriam as condições de sucesso de um treinador que iniciasse a época 2014/2015 fragilizado pelos resultados da parte final desta época e, ainda por cima, sabendo que, muito provavelmente, não irá poder contar com parte da coluna vertebral da equipa – Mangala, Fernando e Jackson?

Mais ainda. Se o FC Porto terminar o campeonato na 3ª posição, terá de disputar a pré-eliminatória de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões 2014/2015. Ora, isso significa ter de começar a época 2014/2015 mais cedo do que o habitual. O problema é que, muito provavelmente, o FC Porto vai ter uma parte significativa dos jogadores do plantel 2014/2015 (Mangala?, Reyes, Fernando?, Herrera, Defour, Josué, Varela, Quaresma, Jackson?, Ghilas), envolvidos na fase final do Mundial do Brasil, o que significa que esses jogadores só irão iniciar a pré-temporada 2014/2015 em finais de Julho!

Noutros tempos, o FC Porto seria um desafio irrecusável e o risco de falhar estrondosamente era pequeno.
No cenário atual não é assim e, por isso, percebo perfeitamente que treinadores emergentes (Marco Silva?, Sérgio Conceição?) pensem duas vezes e que treinadores com passado no clube (André Villas-Boas?, Fernando Santos?) prefiram regressar apenas em Julho.
Quanto a treinadores estrangeiros consagrados (Marcelo Bielsa?, Michael Laudrup?), não acredito que haja algum que aceite pegar na equipa nesta altura.

O JOGO, 04-03-2014

P.S. Seria mais cómodo (e sem risco de falhar nos cenários traçados) se tivesse esperado pela decisão de Pinto da Costa, mas optei por publicar este artigo já, na sequência do artigo publicado pelo Filipe Sousa hoje de manhã, porque não sou grande adepto de fazer “prognósticos no final dos jogos”…

sábado, 1 de março de 2014

Erros, golos sofridos e os doutorados dos jornais

O JOGO, 01-03-2014

«Uma equipa com vontade é sempre melhor do que uma equipa sem vontade, mas o destino é igual se não for capaz de seguir regras de organização com o máximo rigor. (...) Os golos sofridos com demasiada facilidade não são um efeito passageiro de umas quantas semanas de debilidade psicológica: o FC Porto sofreu golos em todos os jogos importantes que fez (e só venceu um, com o Sporting).»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 28-02-2014

José Manuel Ribeiro, O JOGO, 28-02-2014

Na conferência de imprensa de antevisão da deslocação a Guimarães (domingo, 19h15, 21ª jornada do campeonato), o treinador principal do FC Porto, em resposta a uma questão sobre a razão dos erros defensivos que se têm sucedido, afirmou:

Não tenho explicação para isso [a razão de tantos erros defensivos], mas certamente haverá quem tenha. Se abrir os jornais todos os dias, os doutorados com certeza lhe explicarão o porquê de isso acontecer

Os erros defensivos sucedem-se. O FC Porto sofreu golos em todos os jogos importantes que fez (e só venceu um). No campeonato, o FC Porto já encaixou 14 golos em 20 partidas, tantos como os que sofreu nos 30 jogos do campeonato da época passada. No total, o FC Porto já sofreu 29 golos nos 36 jogos disputados esta época.

Perante isto, qual a explicação de Paulo Fonseca? Não tem e, melhor ainda, sugere que se pergunte aos “doutorados dos jornais”.
Pronto, ficamos esclarecidos...

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Tiros e tiros

Ao contrário do que possa parecer, a aposta no Paulo Fonseca, pouco ou nada tem a ver, com aquelas que foram feitas nos então desconhecidos/inexperientes José Mourinho (JM), André Villas-Boas (JM), ou até mesmo, Vítor Pereira (VP). Ao contrário destes, o Paulo Fonseca (PF) teve, antes de chegar ao Porto, experiência zero num clube de dimensão semelhante - mesmo como jogador, e embora tenha pertencido aos quadros do FCP (sem nunca ter vestido a camisola), nunca chegou mais longe do que o Vitória SC.

Antes de chegar ao FCP como treinador principal, Mourinho fora adjunto de Bobby Robson e Van Gaal, no SCP, FCP e Barcelona, para além de ter cumprido um curto período como treinador do SLB. AVB foi "adjunto" de Mourinho, no FCP, Chelsea e Internazionale (e chegou "trabalhar" com o Bobby Robson, também no FCP). O VP, foi adjunto do AVB, (apenas) no FCP, e foi visível que enquanto treinador principal, teve "aprender no cargo". O PF, desconheço de quem tenha sido adjunto, mas certamente não foi no FCP, no Barcelona, no Chelsea ou sequer no Braga ou Boavista; aliás, há quatro anos, era treinador do Pinhalnovense.

Pode parecer um pormenor sem importância, mas uma época que seja como adjunto, num clube como estes, não permitirá um crescimento e evolução de que o PF nunca pôde usufruir? Tivesse tido tal oportunidade de aprender, e talvez tivesse pensado melhor antes de, por exemplo, decidir mudar aquilo que estava bem e que estivera na base da vitória dos 3 últimos campeonatos. Poder-se-á dizer que o PF, nunca teve oportunidade de aprender com os erros dos outros - nem parece interessado em aprender com os seus.

Só se pode especular sobre quem tomou a decisão de contratar o PF, mas certo é que a ânsia de descobrir o novo "Mourinho" ou "Villas-Boas", pesou mais que as reais necessidades do clube. E pelo visto até aqui, essas apostas, as bem sucedidas, não são os "tiros no escuro" (ou as epifanias só ao alcance do Pinto da Costa) que parecem ser à primeira vista - o JM, o AVB e o VP, já tinham experiência prévia no FCP, e eram já conhecidos na casa, antes de chegarem a treinadores principais. Posto isto, a hipotética contratação do Marco Silva, tal como a do PF, mais que um "tiro no escuro", corre o sério risco de ser mais um "tiro no pé".

segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

«Colocar o lugar à disposição»

Esta é uma expressão que anda muito na moda (alegadamente o P. Fonseca já o fez por mais do que uma vez perante Pinto da Costa), e confesso que isso já começa a irritar-me. Mas o que é que isto quer dizer ao certo?

Naturalmente, os treinadores já têm à partida e constantemente o lugar à disposição da Direção, ora essa. Sempre foi assim e sempre há-de ser, ou não tivéssemos carradas de exemplos de «chicotadas psicológicas» no passado do FCP e por esse mundo fora quando uma Direção acha que deve mudar de treinador - tivesse este último «colocado o lugar à disposição» ou não...

Sendo assim penso que o que está apenas em causa é um treinador sair a bem ou a mal, o que na prática se traduz na existência (ou não) de uma indemnização, e até que ponto.

Falando do caso concreto actual e como aqui disse na altura,  desde Novembro que concluí que P. Fonseca era mesmo mais parte do problema do que da solução, e que por consequência deveria ser substituído tão cedo quanto possível. Sendo assim e independentemente dele ter colocado ou não «o lugar à disposição», a partir do momento que a Direção decidiu continuar a apostar nele para além do Natal pareceu-me claro que será sempre ela a responsável por um eventual insucesso desportivo devido a incompetência do treinador, treinador que não tem culpa de ser um exemplo prático do príncipio de Peter. Ainda mais quando há ainda muito pouco tempo Pinto da Costa falava em renovações de contrato, um autêntico exagero totalmente escusado – não era preciso chegar a esse ponto para transmitir que (para já....) o treinador tinha a sua confiança.

Ou seja: ter o treinador disposto a sair a bem (ou não) é para mim irrelevante na atribuição de responsabilidades caso se verifique ser incompetente. Compreende-se que tenha um período de «graça» inicial com benefício da dúvida, mas esse período de graça já há muito que se esgotou (para mim em Novembro, para outros ainda mais cedo).

Se porventura o treinador não estivesse disposto a sair a bem, até se podia dar um «desconto» à Direção se o seu salário fosse de tal ordem que a indemnização fosse um autêntico balúrdio - mas não é de todo o caso com P. Fonseca, logo a «boa vontade» dele é totalmente secundária. Quando se gasta umas poucas dezenas de milhões em contratações todos os anos (para não falar em dezenas de milhões em salários), certamente não vai ser umas eventuais centenas de milhar numa indemnização - e certamente nunca seria muito mais do que isso com PF - que vai fazer a diferença entre despedir ou não um treinador.

Quer isto dizer que P. Fonseca é apenas «vítima» de ter sido colocado numa posição para a qual não está habilitado? Não necessariamente. Se ele achar mesmo que não tem condições para fazer o seu trabalho de forma satisfatória e levar o barco a bom porto, então deveria ter a hombridade de pura e simplesmente bater com a porta, ponto final parágrafo – tal como um Co Adriaanse fez, aliás.

Se por outro lado PF e Pinto da Costa acharem mesmo que ele ainda é parte da solução, cabe-lhes então demonstrá-lo nos jogos que temos pela frente. Mas (e espero estar muito enganado) o cenário de fracasso  - ou até mesmo ainda pior do que isso, entrando numa espiral destrutiva - parece-me ser muitíssimo mais provável neste momento, e se isso se concretizar já sei a quem pedir responsabilidades por não ter agido quando devia.

Mas em qualquer dos casos... por favor, não me voltem a falar em «lugares à disposição». Se um quiser bater com a porta que o faça; se outros o quiserem despedir que o façam; mas se nem uma nem outra coisa acontecer, então... calem-se.