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segunda-feira, 4 de junho de 2018

A “coerência” e interesses da coligação anti Bruno

Para os mais ofendidos para as declarações do meu homólogo do Sporting, deixem-me dizer-vos: no Sporting os sócios entraram de cara tapada, aqui também. No Sporting acenderam tochas, aqui também. No Sporting agrediram jogadores, aqui também. Querem discutir quem são os melhores? Está tudo mal.


Adeptos do Vitória Guimarães a invadirem o treino (foto: Guimarães Digital)

O que o presidente do Vitória de Guimarães afirmou, vem na linha do que já tinha sido dito pelo ex-treinador do Vitória (Pedro Martins) e confirma que aquilo que se passou em Alcochete foi em tudo idêntico ao que já tinha sucedido em Guimarães, no início deste ano.

Ah, mas o Bruno de Carvalho criticou os jogadores, disse que alguns queriam forçar a sua saída do Sporting e chegou ao ponto de dizer que eram uns meninos mimados.
Pois, não parece bem um presidente do clube dizer isto.
Aliás, nunca se tinha visto um presidente do Sporting dizer coisas destas, pois não?

Moutinho era uma maçã podre que iria contaminar o grupo


Eu, por acaso, acho que é bastante mais ofensivo chamar “maçã podre” a um jogador do que “menino mimado” mas, claro, pode haver quem pense o contrário…

Vieira, 2003
Finalmente, Bruno de Carvalho é também criticado por ser um “presidente-adepto” e que é ridículo vê-lo saltar para dentro do campo, ou dos pavilhões, para festejar aos saltos as vitórias com os jogadores.

Ora, conforme todos sabemos, nunca se tinha visto em Portugal um presidente de um Clube/SAD festejar com os jogadores de uma forma exuberante, pois não?



Em resumo, a comunicação social mostra toda a sua coerência ao atacar ferozmente o Bruno de Carvalho porque, de facto, nunca se tinha visto o presidente de um dos grandes clubes com comportamentos ou declarações semelhantes, certo?


P.S. A coligação anti Bruno, liderada por rostos conhecidos da elite/oposição sportinguista, é engrossada pelos “cartilheiros” do slb, os quais dominam o panorama dos media portugueses. A estes, que não são poucos, juntam-se também jornalistas e comentadores que têm boas relações com conhecidos players (Joaquim Oliveira) ou agentes do futebol (Jorge Mendes e outros). Por isso, se o Bruno de Carvalho conseguir sobreviver à “guerra” que está a travar com este “exército”, prevejo que, depois de um “Verão quente”, a próxima época vai ser escaldante…

Luís Filipe Vieira e o amigo Dias da Cunha

Vieira e os almoços com presidentes do Sporting

P.S.2 Sou adepto e sócio do FC Porto. Não gosto do estilo do Bruno de Carvalho, não simpatizo com a figura e não gostaria de ver alguém parecido na presidência do meu clube. Contudo, em termos de posicionamento nesta “guerra civil” do clube de Alvalade, onde parece valer tudo, não posso deixar de levar em conta a forma encarniçada como jornalistas e “cartilheiros” encarnados se mobilizaram para ajudar a derrubar o atual presidente do Sporting. Ora, se nesta “guerra” leonina os interesses do slb estão de um lado, os do FC Porto seguramente que estarão do outro…

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

Carlos Xavier recorda o Estorilgate

Numa entrevista recente, publicada na revista Sábado, Carlos Xavier recordou um dos episódios do Estorilgate.

Carlos Xavier e o Estorilgate (revista Sábado de 04-12-2015)

Contudo, como muitas pessoas têm memória curta e já se esqueceram da forma como o SLB ganhou o campeonato 2004/2005, vou recordar outras denúncias públicas feitas na altura dos factos.


«O técnico-adjunto do Estoril, Carlos Xavier, disse esta segunda-feira que o director-geral da SAD do SL Benfica, José Veiga, ameaçou o técnico do Estoril, Litos, com despedimento no final do jogo que os encarnados venceram por 2-1. “Ouvi-o dizer ao Litos que ia para o desemprego no final do jogo”, afirmou Carlos Xavier, em declarações à Rádio Renascença.

Capa de O JOGO
O treinador-adjunto do Estoril adiantou ainda que não compreendeu atitudes da equipa de arbitragem:
Parecia que estávamos a jogar numa partida de apresentação do Benfica. O árbitro até ficou com umas botas do Benfica. Só faltou tirar a camisola por baixo. O fiscal de linha esteve sempre a olhar para o nosso lado a ver se reagíamos. Chegou a uma altura em que fui-me embora. Estava enojado.

Carlos Xavier revelou ainda que um indivíduo do Benfica (um segurança que normalmente acompanha a equipa e que esteve envolvido nos incidentes registados nos balneários na partida da primeira volta) tentou convidar jogadores do Estoril para almoçar, uma semana antes do jogo.
Existiu o envolvimento de «um sujeito que trabalhou no Estoril e que está agora no Benfica, que já na primeira volta bateu na porta, durante a confusão registada no intervalo. Teve agora o descaramento de aparecer no Estoril a falar com os jogadores e a convidá-los para almoçar.”»


Em Junho de 2008, numa longa entrevista ao DN, o presidente do Sporting, Filipe Soares Franco, disse o que pensava sobre o Estorilgate:

Soares Franco e o Estorilgate (fonte: DN, Junho de 2008)

Como seria de esperar, atendendo às pessoas e clube envolvido (o sempre protegido clube do regime) estes e outros episódios, apesar de denunciados publicamente, nunca foram devidamente investigados, nunca motivaram escutas e muito menos conduziram à constituição de super equipas especiais de investigação.


Outros artigos relacionados:

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Soares Franco e o Estorilgate


Ontem, na "Grande entrevista" da RTP 1, conduzida por Judite de Sousa, o presidente do Sporting afirmou o seguinte:
"No passado não existiu só Apito Dourado, mas também tráfico de influências douradas. Um exemplo é o jogo que o Benfica jogou com o Estoril no Algarve. Embora pudesse ter cumprido toda a legalidade só foi possível no Algarve porque o presidente do Estoril era do Benfica e o director desportivo da SAD tinha interesses no clube".


De facto, é sabido que o Estorilgate foi um dos maiores escândalos de sempre do futebol português, envolvendo como actores principais da farsa: José Veiga, a Direcção do Estoril, a Direcção do Benfica e Cunha Leal (na altura Director-executivo da Liga).
Aliás, a propósito dos relevantes serviços prestados por este último, Rui Santos chegou ao ponto de o acusar/apelidar de ser um "cunha desleal" e uma "criada de servir" do SLB:
"Ele [Cunha Leal] foi mandado para a Liga pelo presidente do Benfica para contrariar o poder do major. Convenhamos que é um grande azar, sobretudo quando quem o mandou para a Liga confessou, perante a estupefacção geral, que seria porventura mais importante ter alguém naquele organismo do que contratar bons jogadores.


O estigma não fui eu quem lho pus. Aceitou-o, porque sabe muito bem ao que foi e não se pode confessar enganado. Se não soubesse ao que ia e se cumprisse o seu dever de isenção, não teria autorizado a farsa que constituiu a marcação do Estoril-Benfica para o Algarve, na jornada 30 do campeonato de 2004-05, cujo desfecho foi decisivo para a atribuição do título nessa temporada.
A sua credibilidade morreu nesse momento. Quem consente um escândalo dessa natureza (embrulhado noutros escândalos da época), quem se cala perante uma situação potencialmente subversiva, inquinando a verdade desportiva, não tem um pingo de moral para vir falar agora, como especialista de coisa nenhuma".


Por outro lado (onde é que eu já ouvi esta expressão?), as ligações de José Veiga ao Estoril, na altura em que simultaneamente era director-desportivo do SLB, não oferecem quaisquer dúvidas:
«O antigo empresário de futebol e director-desportivo do Benfica, José Veiga, foi multado pela Comissão do Mercados e Valores Mobiliários em 30 mil euros, devido ao facto de não ter comunicado ao mercado a posição que detinha da SAD do Estoril
in Jornal de Negócios, 19/03/2008


O Estorilgate ainda teve outros contornos pouco claros, envolvendo pressões sobre jogadores do Estoril (que foram denunciadas pelos treinadores dos canarinhos) e a nomeação de um "árbitro amigo" (Hélio Santos) em final de carreira.

Por tudo isto, não surpreende que Filipe Soares Franco tenha referido o Estoril-Benfica da época 2004/05 como exemplo paradigmático do tráfico de influências no futebol português.

O que eu achei interessante foi a forma inteligente e eficaz como a comunicação social de hoje (com a honrosa excepção do JN) ignorou estas declarações do presidente do Sporting.
Pois, não convém mexer no "lixo encarnado", não vá a procuradora-especial sentir-se pressionada e ser obrigada a investigar o caso...

Fotos: Record, JOGO
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Soares Franco, Pinto da Costa e Vieira



«Se sobre a relva, no clássico de domingo, nada foi muito satisfatório para os sportinguistas, na tribuna de honra, a presença do castigado Pinto da Costa ao lado de um cordial Soares Franco como deve ser lida pelos adeptos do emblema que teve o mérito de denunciar as caras do sistema e que deu o sopro inicial no Apito Dourado? Até a “realpolitik” tem como condição a eficácia
Octávio Ribeiro
in Record, 07/10/2008

O desconsolo do Director do Correio da Manhã (CM) em ver Pinto da Costa sentado na tribuna de honra de Alvalade, ao lado do “cordial” presidente do Sporting é compreensível. Afinal, de que serviram dezenas de capas do Correio da Morgado... perdão, Correio da Manhã, com manchetes em que Pinto da Costa foi apresentado como o maior corrupto e bandido de Portugal?

Aliás, a azia não é exclusiva do CM. No mesmo dia à noite, no programa 'Trio de Ataque', outro benfiquista - António Pedro Vasconcelos - colocou Soares Franco no fundo pelo mesmo motivo. Coincidência?

Como é óbvio, o problema não é formal (ninguém se preocupou com o facto do também castigado Luis Filipe Vieira se sentar nas tribunas de honra dos estádios deste país). O problema é substancial e de fundo. O que está em causa é a politica de alianças e o poder dos clubes nos órgãos do futebol português.

Os benfiquistas continuam a viver do passado glorioso e, particularmente, da equipa dos anos 60 (já lá vão mais de 40 anos!) quando, com o apoio da FPF e do regime, conseguiram “roubar” Eusébio ao Sporting e, uns anos mais tarde, evitar que o mesmo fosse transferido para o Inter de Milão.

Claro que para os octávios, cartaxanas, farinhas, delgados, manhas e pinhões deste mundo, seria óptimo se o tempo andasse para trás e voltássemos às décadas de 60 e 70, em que os campeonatos eram disputados a dois e distribuídos na justa medida: 3 para o SLB e 1 para o Sporting.


Nesse tempo tudo andava bem, não havia "Sistema", nem tráfico de influências, nem corrupção, nada, até surgir um intruso "lá de cima da provincia" chamado FC Porto, uma força que emergiu no futebol português nos últimos 30 anos e que é preciso derrubar, custe o que custar. Mas como?
Dentro das quatro linhas não parece ser fácil, aliás, tem sido mesmo impossível e, portanto, há que fazer a coisa por outro lado, recorrendo às "tropas" em devido tempo colocadas em lugares-chave da Liga/FPF, à UEFA e até aos tribunais.

É dentro desta lógica de poder fora das 4 linhas, que benfiquistas de diversos quadrantes não se cansam de, directa e indirectamente, apelar aos actuais dirigentes do Sporting para se juntarem a eles nesta cruzada contra os infiéis do Norte... perdão, nesta justa luta pela verdade e transparência. Ai que saudades do Dias da Cunha!...

O problema é que os actuais dirigentes leoninos podem não perceber muito de futebol, mas já deram mostras que não são parvos (veja-se como, sem darem nas vistas, colocaram sportinguistas da sua confiança na presidência da Liga e da arbitragem).
Por isso, e também por se recordarem das manobras que existiram durante o consulado de Cunha Leal na Liga, até agora têm resistido às muitas pressões (algumas internas) para embarcarem no canto da sereia vindo do outro lado da 2ª circular.


Aliás, em Junho passado, numa longa entrevista conduzida por João Marcelino (DN) e Paulo Baldaia (TSF), Soares Franco (SF) foi muito claro quando comentou a sua relação com Luís Filipe Vieira e falou sobre o jogo Estoril-SLB da época 2004/05. Entre outras coisas, Soares Franco afirmou o seguinte:

[P]: Porque é que isso [o jogo Estoril-SLB] nunca foi investigado?
[SF]: Não me pergunte, eu não sei.

[P]: Acha que ainda pode vir a sê-lo, agora que se abriu a caixa de Pandora?
[SF]: Não, porque há várias maneiras de fazer pressão, não é? Mas ali combinou-se uma série de coisas. Ora, esse era um assunto típico, que tinha de ser tratado com a maior das transparências. Sabe porquê? Porque havia o presidente do Benfica, que era do Benfica; mas o presidente do Estoril, ou da SAD do Estoril, era do Benfica. E o director executivo da Liga era do Benfica.



(clique na imagem para a ampliar e ler o texto completo)

Importa salientar que esta parte da entrevista de Soares Franco nunca esteve disponível on-line no site do DN e, que eu tivesse visto, também não foi objecto de destaque, ou sequer comentários, em outros órgãos de comunicação social, particularmente nas televisões.
Sobre isto, cada um tire as suas conclusões.

Já agora, sobre o papel de Cunha Leal nesta farsa, vale também a pena recordar o que Rui Santos escreveu no Record de 21/05/2008 sobre a criada de servir do SLB.

P.S. Eu sei que lembrar estas coisas incomoda muita gente, mas desculpem lá qualquer coisinha...