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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Empate justo num estádio maldito


O FC Porto até começou bem o jogo em St. Jakob-Park, com domínio de bola e jogando em toda a largura do terreno nos primeiros minutos. Porém, aos 11 minutos, no único remate que fez à baliza de Fabiano, o Basileia marcou por Dérlis. Frei desmarca o extremo que aguentou a carga de Alex Sandro e bateu o guarda-redes portista que em minha opinião poderia ter-se feito melhor ao lance (quando voltará Helton a ter uma oportunidade?).

A partir daí só deu Porto. No entanto, até ao fim da primeira parte a equipa voltou a demonstrar enormes dificuldades para chegar à baliza adversária. Há muita posse mas em terrenos recuados e sem progressão. Todo o ataque que parece prometedor é interrompido voluntariamente pelos nossos jogadores que optam por diagonais para trás e volta tudo à estaca zero. Passe para a esquerda, devolução para o meio e passe para a direita para nova devolução aos centrais. A equipa não possui jogo interior nem futebol vertical, é demasiado lenta nas transições, ninguém arrisca e ficamos reféns de jogadas de inspiração de Óliver ou Brahimi (sendo que este último esteve muitos furos abaixo do que é capaz de fazer).

Até ao intervalo nota para uma grande penalidade por assinalar contra o Basileia por falta de Samuel sobre Jackson. O colombiano é agarrado e impedido de rematar à baliza de tal forma que até fica sem a braçadeira de capitão. Um lance escandaloso que trouxe à memória a arbitragem do jogo da final da Taça das Taças em 1984 contra a Juventus, neste mesmo estádio.

Na segunda parte a equipa entrou determinada a mudar o rumo dos acontecimentos e logo aos 47’ Casemiro marca numa recarga a um cabeceamento de Maicon. Era o golo merecido. O árbitro validou, deixou a equipa festejar e passados 2 minutos (!) anulou o golo por fora-de-jogo. Marcano e Jackson estão em fora-de-jogo posicional mas não tocam na bola nem interferem no lance. O guarda-redes viu a bola partir e aninhar-se nas redes. Voltava o fantasma de 1984 a pairar no relvado daquele estádio.


A equipa não baixou os braços e continuou a lutar pelo golo. Tello e Jackson não conseguiram finalizar 2 excelentes passes de Óliver e, mais tarde, Quaresma atirou à figura. Mas aos 78’ Danilo fugiu pela direita, foi à linha, e centrou tendo Samuel cortado o lance com a mão. Desta vez o árbitro não vacilou e apontou para a marca de penalty que Danilo finalizou com mestria para o 1-1. Impunha-se um cartão amarelo para o sarrafeiro do Basileia, que seria o segundo e daria expulsão, mas o árbitro voltou a ser benevolente para com a equipa suíça. Clattenburg fez uma má arbitragem e esteve péssimo no critério disciplinar, favorecendo os suíços.

O FC Porto devia ter vencido este jogo porque tem muito melhor equipa mas isso não aconteceu por vários motivos: a equipa foi perdulária nos momentos decisivos, demorou sempre demasiado tempo a chegar à baliza contrária e sofreu um golo porque a defesa foi lenta a reagir. Houve jogadores que não estiveram bem, lembro-me por exemplo de Herrera, de Brahimi e de Tello. Os dois primeiros porque estiveram desinspirados e o último, como já vem sendo habitual, porque não dá o máximo em cada lance que disputa.

Espera-se que no Dragão o FC Porto confirme a sua superioridade e passe à próxima eliminatória.

Uma nota final para destacar os milhares de portugueses, além dos Super Dragões, que estiveram no St. Jakob-Park a apoiar o FC Porto. Foi bem audível na transmissão televisiva o apoio prestado à equipa, principalmente nos minutos finais.

fotos: maisfutebol

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

Prokop, o Special Stasi Officer

Quase 31 anos depois da Final da Taça das Taças, da época 1983/84, no dia em que os dragões regressam a Basileia…

Adolf Prokop
Temos bastas razões de queixa da arbitragem, que perdoou dois penalties aos italianos. O primeiro por um empurrão ao Vermelhinho, o segundo por uma mão [braço] do Scirea, que toda a gente viu…
António Morais (adjunto de Pedroto, o qual, muito doente, ficou no Porto), em declarações no final do jogo


Fomos espoliados por um árbitro da RDA, país onde se procuram divisas desesperadamente. Por isso, melhor era impossível…
Fernando Gomes (capitão da equipa do FC Porto), em declarações no final do jogo


É duplamente injusto [a UEFA suspendeu Zé Beto por um ano]. Depois do que aconteceu em Basileia, o FC Porto espoliado de forma vergonhosa, mais isto… É mentira que tenha dado pontapés ao fiscal de linha, que lhe tenha tentado dar com a bandeirola na cabeça, a ele e ao árbitro, foi disso que me acusaram. Se quisesse agredir um ou outro, ninguém me conseguiria deter, agredia mesmo.
Zé Beto (guarda-redes do FC Porto), declarações feitas em 1984


Fomos melhores. Esse lance [falta de Boniek que precedeu o 2-1] fez toda a diferença. O João [João Pinto] é carregado e fica fora da jogada. Fomos para o intervalo revoltados, a pensar no senhor Pedroto e nesse erro do árbitro
Mike Walsh (avançado irlandês que, aos 64’, substituiu Jaime Magalhães), declarações feitas em 2015


«East-German Secret Police (Stasi) leader Erich Mielke made the Berlin team BFC Dynamo his personal toy and took care it won 10 Championships. He managed it by for instance securing a Stasi affiliated referee to take charge of its matches. It is documented that as a referee, Prokop helped BFC win a match in at least four instances. Prokop went on to become an OibE (Special Stasi Officer)
Fonte: http://worldreferee.com/referee/prokop/bio


16 de Maio de 1984, Final da Taça das Taças (foto: 'Filhos do Dragão')
De pé (da esquerda para a direita): Eurico, Lima Pereira, Eduardo Luís, Jaime Magalhães, João Pinto, Zé Beto
Em baixo (da esquerda para a direita): Vermelhinho, Jaime Pacheco, Sousa, Gomes, Frasco




P.S. Arbitragem à parte, o FC Porto fez um grande jogo. A perder por 1-2, na segunda parte adiantou as linhas (como se diz agora), foi para cima da Juventus (expondo-se a alguns contra-ataques perigosos) e, durante largos períodos, os jogadores da equipa italiana nem passaram do meio-campo. O próprio treinador da Juventus, Giovanni Trapattoni, em declarações feitas no final do jogo, reconheceu isso mesmo: “Para nós [Juventus] foi muito difícil, nunca imaginamos que pudesse sê-lo tanto. O pressing do FC Porto, durante a segunda parte, exigiu-nos muito esforço e não menor atenção. Caíam em cima de nós e, quando tinham a bola, era muito difícil tirar-lha. Cheguei a sentir medo, muito medo…

Selecção italiana no Mundial de 1982
De pé (da esquerda para a direita): Zoff, Antognoni, Scirea, Graziani, Collovati, Gentile
Em baixo (da esquerda para a direita): Rossi, Conti, Cabrini, Oriali, Tardelli

P.S.2 A equipa da Juventus era a base da selecção italiana que, dois anos antes, se tinha sagrado campeã do Mundo. Claudio Gentile, Gaetano Scirea, Antonio Cabrini, Marco Tardelli e Paolo Rossi foram titulares indiscutíveis dessa fantástica squadra azzurra a qual, no percurso para o título mundial de 1982, deixou pelo caminho a Argentina de Maradona, o Brasil de Zico, a Polónia de Boniek e a Alemanha de Rummenigge. A juntar a este lote de campeões do Mundo, o colosso de Turim tinha dois estrangeiros de top mundial: Zbigniew Boniek (o melhor jogador polaco de sempre) e Michel Platini (triplo vencedor do Ballon d'Or entre 1983 e 1985). Foi esta constelação de estrelas que, a 16 de Maio de 1984, o desconhecido FC Porto defrontou em Basileia e, como se não bastasse, os dragões ainda tiveram de enfrentar mais dois obstáculos de monta: a Juventus praticamente jogou em casa (pelo menos 4/5 dos espectadores eram adeptos italianos) e a UEFA nomeou um árbitro da antiga Alemanha de Leste que, pelos vistos, era um apaixonado por automobilismo…