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sexta-feira, 17 de abril de 2015

O jogo mais importante do ano?

É humanamente impossível pensar que, depois de uma noite europeia histórica, há pernas e cabeça para que uma equipa se consiga concentrar como se exige para um jogo do campeonato em casa.


José Mourinho, que não é suspeito, disse em 2004 que para que o seu FC Porto pudesse ambicionar ir à final da Champions League era necessário um colchão pontual importante para evitar essa tensão e as suas consequências. Onze anos depois estamos em boas condições de voltar a umas meias-finais mas, ao mesmo tempo, temos três pontos de atraso (e alguns golos) do rival do jogo de domingo a oito dias. Antes da Luz há uma super-desgastante viagem a Munique (ninguém duvida que o Bayern vai vender cara qualquer derrota) e um jogo fundamental contra a Académica. O jogo seguinte.

“Partido a partido” foi a máxima do Atlético de Madrid para ganhar a maratona ligueira contra o Real e o Barcelona e ainda assim chegar à final da Champions. Não tinham como adversário um rival com dez pontos de borla como se um cupão de descontos do Lidl fosse mas sim duas hiper-equipas (uma delas também tiveram de eliminar na Champions). Essa mentalidade não era só uma questão semântica. O sucesso passa pela capacidade de concentração e crença. Uma equipa não pode ou deve ligar e desligar porque algum dia pode confundir-se nos botões. Uma cultura de vitória é precisamente aquela que olha para cada jogo como se fosse o mais importante. E é isso que o FC Porto tem de fazer neste ciclo infernal e no que venha depois se tudo correr bem.

Não deixa de ser verdade que para o jogo no Dragão contra a Académica há importantes condicionantes. Fisicamente o plantel sofreu com alguns desajustes e lesões que forçaram jogadores a acumular minutos (as ausências de um Adrian ou Tello, a ida de Brahimi à CAN). Um descanso – se queremos repetir o mesmo desgaste na Alemanha e na Luz – é inevitável para pernas cansadas como as de Herrera, Oliver e um recuperado Jackson. Também há o temor dos amarelos – e Duarte Gomes inspira genuinamente temor – sobretudo no caso de Danilo que jogará seguramente (não vai a Munique), mas que tem o fantasma pendente de não ir também a Lisboa.

Temos de dar por garantido que a forma como o Belenenses já se despiu e deitou na cama em posição adequada com a série de ausências que recorda a vergonha da primeira volta dará não só três pontos como vários golos (e os golos vão ser importantes, acreditem) ao rival. Nós só podemos fazer o nosso trabalho, a saber, somar seis pontos e um goal-average superior nos próximos 180 minutos de campeonato. Nada mais. Quem jogou como jogou na quarta-feira é seguramente capaz de o lograr. Outra coisa é que o consiga fazer.

É nessa dinâmica que o trabalho de Lopetegui – que saiu hiper-reforçado do jogo da passada quarta-feira – é fundamental. Tem de convencer os que vão jogar, de entre os titulares habituais, no sábado, que é um jogo tão importante como qualquer outro. É verdade mas digam lá isso a miúdos que só querem brilhar na Champions e voltar aos seus clubes de origem ou assinar os contratos da sua vida. Não será fácil mas é nesses momentos que os “pastores de homens”, como dizia Homero, se mostram realmente. Lopetegui tem também de saber motivar os menos habituais, os que seguramente não vão jogar mais neste ciclo de três jogos de que a sua participação contra a Académica é tão importante para o clube como a de ontem. Muitos terão uma decisiva oportunidade, outros terão de responder à confiança do mister.

Lopetegui na conferência de imprensa antes do FC Porto x Académica

Vencer a Académica em casa devia ser quase uma garantia mas com muitas cabeças na noite de ontem e na de terça-feira (ou até no domingo a oito) claro que todos se lembram de tropeções históricos do passado. Chegar á Luz com possibilidade de passar à frente é tudo aquilo que se pode exigir a uma equipa roubada desde o primeiro minuto do campeonato do seu legitimo direito de aspirar a um título que merece muito mais que o seu rival.

Tendo em conta as ausências em Munique – Danilo, Alex Sandro – e a importância do jogo com o Bayern (não se enganem, a eliminatória vai a meio, um 2-0 não é um resultado tão improvável mas a 90 minutos de fazer história e sabendo a roubalheira que nos espera na Luz, o normal é mudar o chip) Lopetegui deverá apostar num onze que misture o melhor de dois mundos. Marcano, Danilo e Alex devem jogar com Reyes a fechar no centro. Ruben deveria ser titular como trinco – jogamos em casa e é a Académica – e Evandro e Quintero devem terminar por fechar o meio-campo. Para o colombiano pode (deve) ser a ultima oportunidade. Hernâni e Aboubakar são fixos no ataque e eu, pessoalmente, jogaria com Gonçalo. Dois avançados, intenção clara: marcar golos e dominar em casa.

Essa poupança de pernas permitia aos jogadores que sim vão ser titularíssimos em Munique descansar e não tirar a cabeça dos alemães e aos restantes membros do plantel demonstrarem que esta é uma equipa unida e que todos remam em conjunto, ainda que com tarefas divididas. No final as medalhas ao peito têm de valer por algo e há ali nomes que precisam de dar o seu contributo de forma definitiva. Não há melhor momento que agora.

Vencer a Académica garante um Jorge Jesus cagado na Luz. Um Jorge Jesus que vai passar a vergonha histórica de defender em casa um empate miserável que depois o resto dos seus amigos de negro confirmem que a diferença pontual se mantém vigente até ao fim da liga. Um Jorge Jesus que está eufórico com o desgaste físico desta eliminatória esquecendo-se de que o prestigio acumulado em noites europeias como estas valem mais que todas as suas pseudo-finais de UEFA e títulos de liga encomendados. Mentalidades pequenas pensam sempre da mesma forma.

O FC Porto tem no seu ADN o futebol europeu a cores e 3D e a vitória histórica de quarta-feira abre as portas a uma meia-final inesperada. Em casa temos de ser fiéis a nós próprios e competentes. Vencer a Académica garante um “showdown” na Luz, já com a questão alemã resolvida (para bem ou para mal). É por isso um jogo fundamental.

Uma vitória encherá a equipa de confiança, de vontade de vencer não só o Bayern mas também o Benfica. Uma sensação de dever cumprido que ajuda sempre ao ego. Uma sensação de – nem todos derrotados nos conseguem fazer perder o rumo – tão à Porto. Uma derrota ou empate, pelo contrário, condiciona a corrida ao título de forma definitiva e pode ser um golpe psicológico e um acrescento de pressão para Munique que a equipa não precisa nem merece. Resolver a equação matando o jogo de sábado cedo é fundamental. Se o Dragão ajudar como na quarta-feira, muito melhor.

No entanto, cuidado. Num campeonato viciado, ninguém poderá apontar o dedo se no meio deste ciclo de jogos de alto nível haja no plantel quem pense mais nas estrelas e nos hinos de glória que outros nunca ouvem do que em dar tudo contra uma equipa que na Luz foi amiga, amiga, para depois encontrar-se com os dados viciados na esquina seguinte. Este FC Porto pode não vencer nenhum titulo em Maio, mas já fez mais em meia dúzia de jogos que outras equipas em cinco anos. Essa memória não deixaremos que se apague.

domingo, 18 de maio de 2014

FC Porto, o verdadeiro primeiro vencedor da Taça de Portugal

"Num país onde o futebol era já um fenómeno de popularidade mas onde não havia infra-estruturas, profissionalismo e capacidade de organização, era complicado dar forma a um torneio destas caracteristicas que emulasse a FA Cup ou a Copa del Rey. Talvez por isso a primeira edição tivesse sido apenas disputada pelos clubes campeões dos distritos de Lisboa e Porto, Sporting e FC Porto. Era a grande rivalidade desportiva da década de vinte, a das duas equipas que dominavam com maior autoridade a sua competição distrital. Disputado a duas mãos, o torneio terminou com uma vitória para cada lado que levou à realização de um terceiro jogo, em campo neutral, no estádio do Bessa. Os leões protestaram que o jogo decisivo fosse disputado na cidade do Porto e os azuis-e-brancos acabaram por sair vencedores por 3-1 já no prolongamento. O clube da Cidade Invicta tornava-se então, ao contrário da fórmula que credita a Académica, no primeiro vencedor do Campeonato/Taça de Portugal."
Futebol Magazine

Os adeptos do Futebol Clube do Porto estão habituados a ganhar.
Vamos a finais, ganhamo-las. Nos últimos 30 anos somos a potência hegemónica - HEGEMÓNICA - do futebol português. De cinco em cinco anos perdemos um título, uma média irrepetível e que nem o Benfica foi capaz de reproduzir nos seus mais famosos anos. O que Pinto da Costa conseguiu é algo que nenhuma história falseada será capaz de obviar. O FC Porto idealizado por José Maria Pedroto, organizado por Pinto da Costa e executado por gente do nível de Artur Jorge, Bobby Robson, José Mourinho e André Villas-Boas deu aos adeptos um novo ADN. Estamos nas derrotas, estamos nas vitórias. E estamos mais habituados ás segundas do que ás primeiras. E talvez por isso deixemos passar detalhes a que outros clubes dão mais importância. Quem tem tempo livre pode fazê-lo. Mas nem sempre foi assim. O FC Porto já foi o maior clube português antes desta interminável saga de glória. Era um espinho cravado no costado do centralismo absoluto do futebol orquestrado desde Lisboa. Antes do primeiro grande deserto de títulos - entre 1940 e 1956 - o clube azul-e-branco era uma formação formídavel e dificilima de bater. Era também uma equipa de registos históricos. Entre os anos 20 e 40 o FC Porto ganhou a primeira edição de todos os torneios criados em Portugal. Mais tarde vencia a primeira Supertaça. Mas um truque idealizado desde o centralismo lisboeta e perpetuado pela imprensa e pela falta de acção das autoridades nortenhas ajudaram a perpetuar uma das maiores mentiras do nosso futebol. A de que o FC Porto é o primeiro vencedor do que hoje é a Taça de Portugal.


A questão é simples e fácil de entender.
Entre 1922 e 1938 realizou-se o Campeonato de Portugal. Era um torneio inspirado na Copa del Rey espanhola, uma primeira ronda preliminar nos distritais - a organização básica do futebol português á época - e depois uma série de rondas a eliminar que culminavam numa final em território neutro. Era a "Taça". Só anos mais tarde, depois do sucesso da campanha da selecção portuguesa nos Jogos Olímpicos de Amesterdão se deu a vontade de criar uma liga regular que seria restrita a equipas de quatro distritos (Braga, Lisboa, Coimbra e Porto e mais tarde aberta a Setúbal, Évora, Algarve e Aveiro) no que se baptizou como Campeonato da Liga. Essa competição durou quatro épocas, entre 1934 e 1938. O FC Porto, inevitavelmente, venceu a primeira edição. Em 1938 o governo salazarista decidiu mudar o organigrama desportivo do país e decidiu dar uma lavagem de imagem com dois novos nomes para as respectivas provas. O Campeonato de Liga passou a Campeonato Nacional de 1º Divisão e o Campeonato de Portugal a Taça de Portugal. O formato permanecia o mesmo.
No caso do Campeonato Nacional, ampliaram-se os clubes mas manteve-se a politica de quotas que se manteve mais uma década até que se aboliu o apuramento via Distritais e se abriu caminho a que os clubes subissem e descessem de divisão. Na Taça de Portugal os Distritais deixaram de servir como ronda preliminar e as eliminatórias entre equipas começaram desde o principio, mas sem a participação na primeira ronda dos clubes da 1º Divisão. Com o passar dos anos, parte da imprensa desportiva começou a tratar o Campeonato da Liga como parte própria do historial da 1º Divisão. Era uma decisão que alegrava, sobretudo, os benfiquistas que assim juntavam mais 3 títulos ao seu historial. O jornal A Bola era o principal apologista desta inclusão que favorecia o "seu" clube. O Record, por outro lado, não o reconhecia. A finais dos anos oitenta e principio dos noventa a pressão nas instituição da Federação Portuguesa de Futebol e o circo mediático montado à volta do clube vermelho de Lisboa levou a FPF a dar como válidos esses três títulos (o do FC Porto também) no palmarés oficial. Por isso os benfiquistas celebram hoje o 33º titulo que podia, perfeitamente, ser o 30º.
Ora, se essa vara de medir foi aplicada ao Campeonato da Liga-Primeira Divisão, porque não o foi aplicada com o Campeonato-Taça?



Talvez o principal motiva seja o facto de que neste Campeonato de Portugal o Benfica foi superado em títulos pelo Sporting e pelo FC Porto. Os Dragões, como mandava a tradição não escrita, tinham ganho a primeira edição do Campeonato de Portugal contra os leões. Ganharam mais três edições contra quatro dos leões. Quando a Taça de Portugal começou, a Académica foi proclamada campeã depois de um jogo épico contra o próprio Benfica, clube que nem sequer fazia parte da equação nas primeiras edições do Campeonato de Portugal. A imprensa da época, ciente do facto, calou-se e não exigiu o mesmo trato aos vencedores do Campeonato de Portugal. O Sporting, que por então em títulos nacionais seguia com uma vantagem considerável sobre o FC Porto, também preferiu não fazer ruido. E o provincianismo a que o FC Porto tinha sido empurrado pelo país impedia o clube de exigir um tratamento condigno a esses anos míticos da sua história. Quando Pinto da Costa chegou ao poder, fê-lo com novos titulos, novas celebrações e uma nova cultura de vitória e também ficou esquecido esse "roubo" histórico. O FC Porto, no fundo, não é só o primeiro clube a vencer o Campeonato 1º Divisão e a Supertaça. É também o primeiro clube a vencer a Taça de Portugal, via Campeonato de Portugal. Ou seja, o primeiro clube em todas as competições do país. Uma espinha demasiado gorda para engolir, seguramente.

O resto do futebol português pode preferir esquecer. Muitos adeptos portistas, focados no presente e preparados para o futuro também. Compreendo-os. Mas para mim, para a grandeza de um clube que já foi a maior força nacional noutros tempos distantes, o FC Porto será sempre o primeiro campeão da Taça, contem o que quiserem contar. E nunca está demais relembrar antes que alguém se esqueça que essas tardes de glória aconteceram e foram pintadas de azul e branco!

quarta-feira, 4 de setembro de 2013

As (reais) expectativas do FCP nas noites europeias

Acabou o fantasma do mercado. O plantel está finalmente definido. Salvo um acidente de última hora (este ano altamente improvável) os que estão são os que vão ficar até Janeiro. Ao mesmo tempo já sabemos com quem vamos ter de competir para alcançar os Oitavos de Final da Champions, o objectivo habitual da SAD ano atrás ano. E não vão ser pêras doces. A tudo isto sai a primeira lista oficial do clube para participar na prova e como continuamos com o eterno problema da ausência de prata da casa, a lista só conta com 21 jogadores. Não há espaço para o homem do golo do título (Kelvin), para o médio em melhor forma dos B (Carlos Eduardo) nem para o guarda-redes que ninguém entende porque foi contratado (Bolat).

Estamos a quinze dias de arrancar as novas noites europeias do ano. E os problemas continuam a ser os mesmos. E as dúvidas dos adeptos também. Afinal, a que pode/deve aspirar o FC Porto quando joga na Europa?

Há três formas possíveis de avaliar o que esperar de uma equipa na Europa.
São variáveis que nada definem, por si só, mas que deixam as suas pistas. Nenhuma delas é preto no branco. O dinheiro não compra tudo (que o diga o Manchester City, por exemplo) mas ajuda. Como o Zé Rodrigues aqui adiantou bem, nenhuma equipa fora do top 20 das maiores fortunas da Europa alcançou as meias-finais da competição dos últimos cinco anos. E nós não pertencemos a esse grupo. Também é certo que, por outro lado, muitas outras equipas mais modestas (do SL Benfica ao APOEL) estiveram nesse periodo de tempo nos Quartos, essa fasquia que não alcançamos desde 2009.

Por outro lado está a experiência. Não é por acaso que na Champions, quando é a doer, estão quase sempre os mesmos. O acumular de jogos internacionais é muito importante para realizar uma boa prova. Algumas presenças de equipas funcionam como cometas (o Málaga é o melhor exemplo) mas a consistência ajuda a perceber os truques à prova e a conhecer as realidades com que nos deparamos. Aí somos imbativeis, um dos clubes com mais participações. Aliás, esse tem sido o parte da base do sucesso do clube. Um ciclo vicioso entre os títulos nacionais e as presenças regulares na fase de grupos. Primeiro porque era preciso ganhar a liga para aí chegar (alguém ainda se lembra da eliminação com o Anderlecht?) e para ser campeão dava jeito os milhões que se conseguiam nos jogos. Esse ciclo alimentou também clubes como o Lyon, o Ajax ou o Rosenborg.



Por fim está o mais básico: a qualidade do plantel.
Uma equipa com dinheiro nem sempre tem o plantel mais equilibrado. Uma equipa sem dinheiro raramente tem um plantel capaz de lutar por algo. Uma equipa com experiência pode ter um plantel fraco no presente e uma equipa com um bom plantel actualmente pode não ter jogos nas costas há largos anos (por isso tínhamos a Nápoles e Dortmund no pote 3). O FC Porto tem um plantel que não se coaduna com o de um cabeça-de-serie. Há jogadores de topo, jovens com boa margem de progressão e futebolistas medianos. Temos uma equipa capaz de lutar pelo apuramento mas que não dá nenhuma garantia absoluta de o conseguir à partida (dentro do que é o futebol). Essa é a realidade.

Olhamos para os planteis dos rivais e vemos que são parecidos aos nossos. Entre FC Porto, Zenit e Atlético a diferença não é muito grande. O Zenit tem mais dinheiro mas tem talvez o grupo mais descompensado, o pior ambiente, um treinador questionado e uma massa de adeptos frustrada pela incapacidade de rever títulos recentes com tanto dinheiro gasto. Witsel, Hulk, Luis Neto e Danny vieram da liga portuguesa, pagos a peso de ouro, e podiam ter lugar no nosso plantel mas nenhum deles é uma estrela mundial. Já o Atlético vive, sobretudo, da sua organização. É uma equipa solidária, difícil de bater. Não jogam especialmente bem mas competem como poucos. Também não contam com estrelas, mas Diego Costa não está demasiado longe do que é Jackson, Arda Turan do que pode fazer Lucho e o trabalho de Koke, Mario Suarez e Villa está por cima do que podem fazer Josué, Defour e Varela. E depois está Courtois, um dos melhores guarda-redes do Mundo, um seguro de vida. E Simeone que, longe de ser um génio táctico, é um líder capaz de levar os seus jogadores à batalha e sair vencedor sem baixar os braços. É o melhor treinador, com diferença, dos três. E no entanto o Atlético é o clube que tem menos dinheiro (está penhorado e só se move no mercado graças à influência e o apoio de Jorge Mendes) e experiência na Champions tem dos três (apesar de ser bicampeão da Europa League, sabem que o abismo entre as duas provas é imenso).

Ao contrário da temporada passada, onde a diferença abismal com o PSG (em orçamento, plantel e treinador) foi esbatida brilhantemente no Dragão, e a superioridade com os dois Dinamo (de Kiev e Zagreb) não deixava muitas margem para dúvidas, este ano a competição vai ser muito mais exigente e os seis pontos com o FK Austria Viena serão absolutamente fundamentais para decidir quem segue em frente. O grande problema que tem Paulo Fonseca é, no entanto, a dificuldade de competir na mais exigente competição do mundo quando se disputa, semanalmente, jogos a brincar no campeonato.


O primeiro passo para ter uma equipa competitiva na Europa é disputar uma liga exigente.
Uma realidade que obriga a ter um plantel largo, com opções, a pensar nas duas provas. Uma realidade que mentaliza os jogadores que têm de jogar a sério semana sim e semana também e não só de quinze em quinze dias. E isso, há muitos anos, que o FC Porto não é forçado a fazer. A Liga Sagres é cada vez mais uma anedota competitiva. Por muito boa que seja uma equipa, acabar três temporadas com uma só derrota em noventa jogos competitivos não é sinal de brilhantes. É também um sinal evidente de falta de rivais à altura. O FC Porto disputa dois jogos sérios ao ano, quatro ou cinco eventualmente mais complicados. E o resto é para cumprir calendário. São jogos que podem tornar-se chatos (como em Felgueiras) mas cuja obrigação de ganhar é evidente tal como a desmotivação dos jogadores. É muito difícil criar uma dinâmica ascendente - com uma condição física óptima, uma rotina de jogo orientada para as exigências da alta competição, um grupo altamente motivado - quando se alternam noites europeias com jogos contra dois mil adeptos em Barcelos. É a nossa realidade. Ocasionalmente, e só ocasionalmente, haverá honrosas excepções. Mesmo na etapa Mourinho, é preciso não esquecer que o Sporting era um rival mais do que digno, o Benfica uma equipa perigosa e o Boavista estava no seu melhor ciclo histórico, uns furos bem acima do que pode fazer agora o Braga. Agora a liga é cada vez mais a dois, decidida em pequenos detalhes e no confronto directo. E essa realidade é difícil de compaginar com uma mentalidade ganhadora lá fora, especialmente contra equipas de maior orçamento (Zenit) e uma mentalidade mais agressiva, também consequência da realidade da sua liga (como foi o Málaga e será o Atlético).

Pode o FC Porto ganhar o grupo contra estes rivais e fazer jus ao estatuto de cabeça-de-serie?
Claro que pode. Tem 360 minutos de máxima exigência contra dois rivais sérios. Mas o plantel tem lacunas, particularmente um extremo capaz de resolver jogos. E sobretudo, falta-lhe experiência europeia para desligar a cabeça de rivais como o Setúbal e pensar num duelo intenso em Madrid, contra 50 mil fanáticos ou uma longa e complicada viagem à Rússia. A realidade é essa, e consequência da situação económica do clube - a ausência de um plantel de maior qualidade - e do estado do país, que destruiu a competitividade da liga. Será difícil cumprir aquele que para mim devia ser o objectivo do clube - os Quartos. Para lá chegar é preciso mudar o "chip" e a mentalidade de quem dirige. Com o que temos na mão, com um novo sistema, um treinador inexperiente, muitos jogadores novos e uma liga que é um handicaap até Dezembro, tanto podemos ganhar o grupo como terminar em terceiros. Nenhum desses cenários seria surpreendente.

Pessoalmente confio na passagem aos Oitavos, em segundo lugar, atrás dos espanhóis. Mas mais pela irregularidade defensiva do Zenit do que pelo aquilo que o plano de Paulo Fonseca e o plantel inscrito me inspira. Para os dirigentes, cumprir esse objectivo será motivo de felicitação. Para mim será mais um ano perdido. E o preço a pagar por mais um Tri, Tetra ou Penta num campeonato cada vez mais fácil de ganhar e mais difícil de apreciar!

PS: Já sei que a final é na Luz, já sei que há uma tendência proclive para o "fanatismo" que acredita que os astros se vão conjugar para que o FC Porto seja campeão europeu nas fronhas do rival, que o Pinto da Costa vai ser santificado no acto e tudo o mais. Esqueçam isso. A sério. Se acontecer (e que bom que era) que seja uma surpresa e não uma obsessão!

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A utopia ibérica

«A Liga espanhola está centrada no Barcelona e no Real Madrid, por isso seria inteligente encontrar uma fórmula para a criação de uma Liga de estados ibéricos», afirmou Laporta, em declarações prestadas à Antena 1.
Joan Laporta, ex-presidente do Barcelona

El Barcelona podría jugar la Liga que le gustara más. Pero yo creo que en este punto no habría duda de que jugaríamos la liga de la Península Ibérica, o la LFP, y jugaríamos contra los rivales habituales”.
Josep Bartomeu, vice-presidente Barcelona

Os eleitores catalães foram às urnas no passado domingo como nunca na sua história.
Viveu-se o maior registo de participação desde a queda do regime franquista e a maioria clara dos votos foram entregues a partidos que defendem a realização de um referundum que proponha a separação da Catalunha do resto de Espanha.

Apesar da derrota do partido que estava no governo - e que liderou a campanha independentista - o conservador CIU, os partidos de esquerda que apoiam a separação do estado catalão triplicaram a sua votação e garantem essa maioria necessária. Sem saber o que esperar nos próximos meses, os adeptos do Barcelona continuam a debater sobre onde deveria jogar o clube blaugrana em caso da improvável independência se tornar numa realidade.

Actualmente manejam-se três cenários (um quarto, que o Barça jogue na Ligue 1 é meramente retórico), para essa situação que incluiria igualmente o Espanyol e em menor medida o Nastic de Tarragona e o Girona, os outros dois clubes catalães que disputam a liga profissional mas no segundo escalão.



1) Que tudo fique na mesma e os clubes catalães joguem na liga espanhola, como sucede com o AS Monaco em França ou com o Swansea e Cardiff City em Inglaterra.

2) Que se crie uma liga própria, exclusiva para clubes catalães, emulando uma competição que já existe, a Copa Catalunya, dada a rejeição de muitos espanhóis em receber os dissidentes.

3) A criação de uma Liga Ibérica.

Enquanto o segundo ponto é o mais improvável, algo que a directiva do clube já se manifestou abertamente contra, consciente da insignificante realidade do futebol catalão para formar uma liga própria que seria muito inferior, por exemplo, à da Escócia, a grande polémica está entre os pontos 1 e 3. Ambos têm defensores e detractores com influência institucional e espelham bem o mosaico complexo que vive a sociedade espanhola.

Os mais radicais independentistas querem cortar todos os laços institucionais com Espanha e por isso, na impossibilidade lógica de ter uma liga própria, apenas aceitariam jogar com os clubes do país a que pertencem actualmente se essa prova incluísse também outros povos ibéricos, ou seja, nós.

Essa é a filosofia de Laporta e do laportismo, uma facção fortíssima entre os adeptos blaugranas e uma ideia que foi muito aplaudida nos sectores mais radicais durante a campanha eleitoral. Laporta prepara-se para voltar a disputar a presidência do clube e foi deputado independentista desde que abandonou o clube, e foi o primeiro, em 2009, a defender a ideia de uma Liga que reunisse os clubes catalães, vascos, galegos, espanhóis e portugueses, numa prova a 18 clubes. Convidaria o FC Porto, SL Benfica, Sporting de Braga e Sporting CP para juntar-se a Barcelona e Espanyol e 12 clubes mais espanhóis, entre bascos, galegos, andaluzes, valencianos ou castelhanos.



Essa liga tem sido um projecto utópico discutido - como o iberismo em si - desde há vários anos por vários intelectuais e pensadores do jogo na Península Ibérica. Muitos defendem a ideia como tábua de salvação financeira para os clubes portugueses, presos numa liga sem receitas e sem rivalidade para lá do top 4. Seria um torneio que agradaria a todos, já que a imprensa espanhola acredita que os clubes portugueses não aguentariam muito tempo na elite e acabariam por diluir-se na 2º divisão, a Liga Adelante, mantendo o status quo.

No entanto, essa pseudo-liga ibérica não deixa de ser uma tremenda utopia perfeitamente irrealizável.

Nunca teria o selo da UEFA - que de o permitir abriria a porta para o fim da sua base de apoio legal, o federalismo nacional - e o exemplo das propostas do Celtic e Rangers de juntar-se à Premier - rejeitadas - já o deixa antever.

Mais realista seria o ponto 1, emulando o que já acontece com clubes do Pais de Gales (o Swansea é o caso mais evidente) ou com o próprio AS Monaco, que actuam nas ligas profissionais inglesas e francesas, respectivamente, precisamente porque não há condições para subsistirem numa liga autonómica independente. Além do mais, ninguém, nem em Madrid nem em Barcelona, está disposto a viver sem os inevitáveis Clásicos anuais, o verdadeiro termómetro emocional do futebol espanhol. As directivas de ambos os clubes conhecem o impacto financeiro que esse duelo tem nas contas dos clubes e na sua imagem a nível mundial e seriam incapazes de abdicar dessa mais valia apenas por questões políticas.

No caso dos clubes portugueses, restará a possibilidade de melhorar as condições existentes na Liga ZON Sagres, seja pela renegociação dos contratos televisivos, a aposta na formação local e o ajuste dos preços dos bilhetes para manter longe o espectro dos estádios vazios. Porque sonhar com disputar o título ibérico com Real Madrid, Barcelona, Valencia ou Atlético de Madrid é apenas um sonho de impossível realização.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Esta é a liga que vencemos

Ontem vi em Leiria algo que nunca pensei ver num jogo de uma competição profissional que, segundo consta, a UEFA considera como a quinta melhor do ano. Uma equipa sobe ao terreno de jogo com oito (8!!) jogadores, a maior parte deles forçados, segundo o Sindicato de Jogadores, tanto pelos clubes de origem (nomeadamente o SL Benfica) como pela própria direcção da Liga. 

Com esta imagem impensável o jogo realiza-se, o circo continua e a União de Leiria evite a despromoção automática, porque a pontual é coisa de mais jogo menos jogo. Este é o futebol português, o mesmo dos que quer ter três equipas na Champions League, o mesmo daqueles que dizem que é complicado sagrar-se campeão nacional quando vai haver uma equipa a lutar pelo titulo que talvez jogue contra sete ou oito jogadores rivais na próxima jornada. Este é o futebol português que temos e que mostramos ao mundo que já fez eco em várias páginas web da situação de ridículo absoluto em que nos encontramos.

Pinto da Costa falou sobre esta situação e acertou em cheio quando se referiu a esta directiva da Liga - a mesma que quis inventar o ano sem despromoções e que alterou o acordo estabelecido com o protocolo de equipas B que tanta ilusão me fazia pessoalmente - como a prova viva de que o futebol português não se toma a sério. Vale a pena ler:


«É uma tristeza e um motivo de chacota do futebol português, como pude comprovar hoje [ontem] quando falei com pessoas que ligaram do estrangeiro a perguntar o que se passa. Talvez seja bom que alguns artistas que andam por aí reflitam se há capacidade de termos mais equipas na Liga», afirmou, sem rodeios, o líder portista, que deixou ainda vincada a sua rejeição sobre o alargamento da Liga.

«Se há um clube que desiste a três jornadas do fim, podendo alterar os resultados, se há clubes que com muito sacrifício não conseguem não ter três ou quatro meses de salários em atraso, pergunto como é que com liguilha ou sem liguilha podemos ter mais clubes na primeira divisão?»

Na Escócia, uma liga que não é tão diferente da nossa, o mais histórico dos clubes, o Glasgow Rangers, está em falência técnica e perto da desaparição. Numa liga de 12 clubes é difícil garantir a sustentabilidade do torneio e falamos de um país que ensinou os continentais a jogar sem apelar ao kick-and-rush inglês. Já nem vou falar dos casos suiços, austriacos, dinamarqueses, suecos e belgas, tudo países financeiramente muito mais sólidos que Portugal e onde há um pequeno mercado de patrocínios e financiadores que permitem que as provas se realizem sem situações limite como a que se viveu na Marinha Grande. 

Portugal é um país pequeno que tem a mania que é grande. Não o é, nem em população, nem em espaço geográfico e muito menos em recursos financeiros para sonhar emular as verdadeiras potências do continente. Se nas ligas espanhola, italiana e inglesa com 20 equipas há muitos clubes com a corda ao pescoço, como se pode sonhar em Portugal com uma liga de 18 clubes quando num torneio a 16 a maioria dos clubes não paga salários a tempo e horas - veja-se Guimarães, Setúbal, Beira-Mar - os clubes sustentados por Alberto João Jardim na Madeira - e vivem-se ridículos como este.

Ser campeão português é o mínimo que se pode exigir ao FC Porto mas uma prova destas é cada vez menos prestigiosa lá fora. A SAD deve entendê-lo e assumir de uma vez que o projecto de futuro deste clube passa forçosamente por reforçar o seu papel na elite europeia (falamos de Quartos de Final de Champions League e de vencer as Europe League quando lá cair-mos) sob pena de nos deixarmos apanhar por esta espiral auto-destructiva. A planificação desta época deixou a nu que um titulo nacional, ganho contra equipas como estas onde os jogadores não têm para comer, pesa muito pouco comparado com competir ao mais alto nível com a nata europeia. A liga lusa deveria ser imediatamente reduzida a 10 ou 12 equipas e o clube devia cada vez mais pensar em montar os seus planteis para brilhar de forma constante na Europa. Por muito que a UEFA diga o contrário, pessoalmente acho que vencer um titulo de campeão português nunca valeu tão pouco!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Contas de cabeça

Quatro jogos para acabar esta liga tão deprimente e parece que só um cataclismo universal impedirá um bicampeonato que em Agosto parecia evidente que era nosso e que ao longo de todo o ano provavelmente nem a direcção da SAD acreditou ser possível.

A matemática é clara e mesmo perdendo um jogo ou empatando dois destes quatro por jogar, este FC Porto é campeão nacional. Isto se o clube que agora se queixa dos árbitros da Europa para defender os do burgo, vencer todos os jogos, o que sinceramente me provoca muitas dúvidas.

Depois de viver o ano com o coração nas mãos, da péssima época nas provas europeias, da pior gestão desportiva da história da SAD, entra mais um troféu para museu por construir e o treinador mais contestado da história do clube - talvez mais que Quinito, Fernando Santos e Octávio juntos - cometerá a proeza de igualar em títulos de campeão nacional ao "catedrático" de Lisboa.

Agora só falta cumprir decentemente o calendário - e o jogo no Funchal decidirá tudo - e deixar as fichas na mesa da SAD. Manter a Vitor Pereira, um treinador campeão, ou começar do zero e corrigir os muitos erros de gestão que nos levaram a sofrer como nunca nos últimos anos?

O que não se pode fazer é esquecer com um titulo tudo o que se passou aqui nesta época. E já agora, pode ser que este eventual titulo com a equipa e o treinador que temos coloque em perspectiva o logrado no ano passado que muitos tentaram vender como a sétima maravilha da história do futebol e que numa liga como a nossa e com um clube como o FC Porto é algo perfeitamente factível de voltar a repetir-se!

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

A ética da Liga


"A Liga Zon parte com um problema ético grave. (...) Eticamente esta liga parte errada, porque o patrocinador da Liga é o mesmo de um dos concorrentes. Não acho correcto, mas a Liga acha. As empresas patrocinam o clube para que ganhem, para aparecerem. Acha correcto que o patrocinador da Liga seja o patrocinador de um dos concorrentes? Quando eu fui presidente da Liga a Revigrés ia patrocinar a Liga e não aceitámos porque já era patrocinador do Porto."
Pinto da Costa, revista Única, Expresso de 14/08/2010


Em Setembro do ano passado, o facto do principal patrocinador da Liga (Sagres) estar associado a um clube, já tinha sido questionado por Henrique Pais (director da Porto Comercial) e por Pedro Afra (director-geral do Sporting).

E antes disso nós já tínhamos chamado à atenção para este assunto. Primeiro, há mais de dois anos atrás, num texto intitulado 'À mulher de César'.
Depois, em 4 de Janeiro de 2009 voltamos ao tema, quando a Central de Cervejas se tornou num dos principais parceiros comerciais do slb, questionando se estávamos perante a Liga Sagres ou Liga SLB?

Mas, que tipo de benefícios desportivos (dentro do campo) é que o slb pode ter?
Bem, num mundo perfeito não haveria qualquer problema, mas se a Central de Cervejas pudesse escolher, que clube seria campeão?

Para que não fiquem dúvidas, nem haja qualquer tipo de suspeições, não deveria ser permitido que uma marca associada a um clube fosse a mesma que patrocina uma das competições que esse clube disputa, principalmente se estivermos a falar na mais importante - o campeonato nacional.

P.S. Esta época e nas próximas três parece que o campeonato se vai chamar Liga ZON Sagres...

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

O patrocinador da I Liga


"É preocupante quando o principal patrocinador da liga (Sagres) está associado a um clube que está também em competição (Benfica). A Liga de Clubes deve intervir nesta questão e estar no mercado à procura de uma marca que seja confortável para todos, ou impor que o patrocinador da Liga não fosse também o de outro clube"
Henrique Pais, director da Porto Comercial


"Em nenhuma liga no Mundo acontece tal situação [o patrocinador principal do campeonato estar associado a um dos clubes que o disputa]. É uma situação que não é boa para os patrocinadores e para os clubes que estão a disputar a mesma competição."
Pedro Afra, director-geral do Sporting


Estas declarações foram feitas ontem, durante o Seminário de Marketing Desportivo 'Activação de Patrocínios Desportivos', realizado no ISCTE, em Lisboa.

Há oito meses atrás já tinha chamado à atenção para a delicadeza deste assunto (para não dizer outra coisa), num artigo com o titulo Liga Sagres ou Liga SLB?.

Entretanto, em Julho passado soube-se que a ligação entre o SLB e a Central de Cervejas tinha sido reforçada e ampliada (até 2020!), com o jornal SOL a noticiar que os 43 milhões de euros (!!!) do contrato de publicidade já se encontravam cativos para liquidação de dívidas.
Esta situação foi referida pelo Nuno Nunes aqui.


Evidentemente, este assunto não está na agenda do actual presidente da Liga Clubes, e muito menos preocupa determinados jornalistas (encarnados), que costumam ser muito expeditos a falarem de transparência e credibilidade. Mas claro, neste domínio o único problema são os jogadores emprestados... pelo FC Porto.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

SMS do dia: LXXI

Afinal, o "poço de petróleo" existente na Luz era de cerveja Sagres...

Tal como já fiz em Janeiro passado, volto a perguntar: faz sentido que o patrocinador do campeonato nacional e que dá nome ao mesmo seja, simultaneamente, o principal parceiro comercial de um dos clubes que disputa essa competição?

domingo, 4 de janeiro de 2009

Liga Sagres ou Liga SLB?


«O Benfica e a Sagres assinaram no último dia de 2008 um acordo de patrocínio para todas as modalidades do clube encarnado que terá a duração de, pelo menos, três temporadas a troco de 1,5 milhões de euros/ano.
Este valor é apenas uma referência, pois o montante que a cervejeira vai pagar ao Benfica pode ser ajustado de acordo com o êxito desportivo. No contrato ficou assente que as duas partes podem, em 2011, prolongar o acordo desde que ambas o pretendam.
No que diz respeito ao futebol profissional, a Sagres substitui o Banco Espírito Santo (BES) nas costas das camisolas. A entidade bancária que patrocina os três grandes, já revelou que vai deixar o futebol no final da época.
Segunda-feira Benfica e Sagres divulgarão pormenores do acordo.»
in DN, 03/01/2009


1,5 Milhões de euros/ano (no mínimo) para as modalidades é, sem dúvida, um excelente patrocínio e que vem reforçar a ligação que já existia entre a Sagres e o SLB.

Em 07/07/2008, relativamente ao naming das Bancadas do Estádio da Luz, o site oficial do SLB anunciava:
«TMN e Meo substituem respectivamente as bancadas PT e Sapo. As restantes bancadas - Coca-Cola e Sagres - mantêm a designação».


Juntando o naming de uma das Bancadas do Estádio, o patrocínio de todas as modalidades do clube e a publicidade das costas das camisolas da equipa principal, é fácil concluir que as verbas anuais envolvidas andarão na ordem dos 4 a 5 milhões de euros, tornando a Sagres no principal parceiro comercial do SLB.

Ora, faz sentido que o patrocinador do campeonato nacional e que dá nome ao mesmo seja, simultaneamente, o principal parceiro comercial de um dos clubes que disputa essa competição?

Imagine-se o que diria a comunicação social lisboeta se o clube envolvido fosse o FC Porto. Expressões como “Promiscuidade”, “Conflito de interesses”, “Suspeição” e “Mulher de César” iriam ser repetidas até à exaustão e, provavelmente, a pressão dos media obrigaria a Liga de Clubes a mudar o seu patrocinador. Mas como é o SLB não merece, sequer, um comentariozinho…

Por falar em “mulher de César”, o João Saraiva já tinha aflorado este assunto, a propósito da apresentação dos equipamentos do Sporting tendo, na altura, sido referido que a Sagres iria patrocinar as equipas de Futsal e de Andebol do Sporting.


Evidentemente, no caso do SLB estamos a falar de uma parceria de outra amplitude, que também envolve o futebol e cujos montantes são muitíssimo superiores.

Deixo uma pergunta final: se a Sagres pudesse escolher um clube para ganhar a competição que patrocina, qual seria esse clube?
Não é difícil adivinhar…