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segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Mudos & Mansos

Vistos e revistos os lances mais polémicos do Sporting x FC Porto de ontem, não sobram grandes dúvidas que os dragões têm fortes razões de queixa da arbitragem, senão vejamos:

a) A complacência do árbitro Tiago Martins com o excesso de agressividade, em alguns casos a roçar a violência, de vários jogadores sportinguistas – Bruno César, Adrien, Coates, Slimani e William Carvalho. Ou seja, com um árbitro a sério (como o árbitro polaco que arbitrou o AS Roma x FC Porto do Play-off da Liga dos Campeões), o Sporting teria terminado o jogo com 8 ou 9 jogadores e, seguramente, o resultado teria sido bem diferente.

Cotovelo de Slimani na cara de Layun

b) O 1º golo do Sporting é precedido por dois erros graves de arbitragem: cotovelada de Coates em André Silva, que não foi assinalada e punida disciplinarmente; simulação clara de Slimani, que o árbitro transformou num perigoso livre direto frontal (de onde resultou o golo). As imagens estão aí e não mentem.


Simulação de Slimani que o árbitro transformou em livre direto frontal

c) Aos 47’, é assinalado um fora-de-jogo a André Silva. Mais uma vez as imagens são claras. No ‘Tribunal OJOGO’, o ex-árbitro José Leirós escreve o seguinte: “No momento em que a bola é jogada, André Silva está mais de um metro em jogo. Erro monumental, ficava isolado”.

Tribunal O JOGO

d) Quanto aos lances de “Andebol”, quer no primeiro, quer no segundo golo do Sporting, dou de barato as interpretações benévolas da “intencionalidade”, feitas a favor dos jogadores leoninos. Mas imaginem que tinha sido ao contrário…


Perante tantos lances polémicos e todos estes casos de arbitragem, como reagiu a Nação Portista?

Os jogadores, revoltados, protestaram dentro de campo e o Casillas até viu um cartão amarelo.

Casillas viu um cartão amarelo por protestar com o árbitro (fonte: O JOGO)

O treinador, embora de uma forma demasiado soft (para o meu gosto), afirmou o seguinte: “Preferia não comentar o trabalho dos árbitros mas hoje é evidente, nem preciso de ver as imagens. Condicionou o resultado. As ações dos jogadores do Sporting foram claras. Preferia não comentar e fazer a análise de como jogámos, o que nos faltou, o que quisemos potenciar. Isso compete-me analisar. Mas hoje é evidente que o árbitro teve influência direta

Nuno Espírito Santo e a influência do árbitro no resultado (fonte: O JOGO)

Os comentadores do Porto Canal falaram num jogo de Kickboxing e Andebol.

Nas redes sociais, li inúmeras reações de adeptos portistas indignados.

O FC Porto (instituição) reagiu no Twitter e hoje de manhã na newsletter 'Dragões Diário'.

E a Administração da FC Porto SAD?

Tomada de posse da Direção do Futebol Clube do Porto em 23-04-2016 (foto: LUSA)

Entre os responsáveis do FC Porto, ninguém dá a cara e a voz à indignação?
Alguém sabe onde andam o presidente (Pinto da Costa) e o administrador com o pelouro do Futebol (Antero Henrique)?
Algum deles (Pinto da Costa ou Antero Henrique) falou na sala de imprensa?
Algum deles (Pinto da Costa ou Antero Henrique) falou na zona mista do estádio de Alvalade?

Continuem assim, com esta postura de meninos bem comportados perante os árbitros.
Continuem assim, com este silêncio subserviente em relação a nomeações cirúrgicas (como foi a deste Tiago Martins).
Continuem assim, sem nada fazer, em relação a quem avalia, promove e despromove os árbitros.
Continuem assim, como fizeram nos últimos anos, deixando os jogadores e o treinador entregues à sua sorte.
Depois, lá para abril ou maio, quando for tarde demais, escusam de vir chorar para a praça pública.



P.S.2 12 fotos, 12 casos, 12 "roubos" do jogo de ontem (no facebook do FC Porto)

P.S.3 O clássico de Alvalade em 12 fotos (fotogaleria no Record) (fotogaleria no O JOGO)

P.S.4 "O pior cego é aquele que não quer ver" (José Guilherme Aguiar)

P.S.5 Mais do Mesmo, Mesmo Resultado (blogue Porto Universal)


P.S.7 Vamos à luta, caralho! (facebook Guerreiros da Invicta)

P.S.8 Lutar... ou desaparecer (blogue Bibó Porto, carago!)

P.S.9 O barril de pólvora (blogue Porto Universal)

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Euro para dois


São dois apenas os jogadores do FCP que irão estar presentes nesta décima quinta edição do certame europeu de nações, que amanhã se inicia. Menos do que o slb (3) e também menos que o scp (4). Sinais dos tempos.

E o que podemos esperar de Casillas e Danilo? Bem, antes do mais, ambos não têm a titularidade assegurada e, por isso, até poderão ser actores secundários nas respectivas selecções. A parte positiva é que, caso consigam um lugar no primeiro "11", ambos poderão manter o lugar por mais alguns jogos dado que Espanha e, principalmente, Portugal estão em grupos relativamente fáceis e, logo, não será de esperar grandes sobressaltos, pelo menos nesta fase inicial de grupos onde, verdade seja dita, é quase impossível, a uma qualquer selecção de relevo, não obter a classificação para a fase a eliminar.

Casillas, vindo de uma época irregular, poderá ter aqui o seu último grande torneio com a camisola do seu país. David de Gea, não tendo, também ele, tido uma grande temporada, esteve, no entanto, a um nível superior. Será mais um clássico dilema entre história versus momento presente.

Danilo, ainda muito novo nestas andanças, foi dos raros jogadores portistas elogiados na época que agora terminou. Demonstrou, porém, uma tendência para cometer faltas em zonas perigosas e na comparação, talvez injusta é um facto, com Casemiro, fica claramente a perder. No jogo de Wembley demonstrou ainda uma certa lentidão de reflexos que a este nível poderão pagar-se caro.

E quanto a Portugal? Bem, após (mais) uma época demasiado longa para os grandes jogadores, o nível de cansaço das grandes selecções, poderá originar uma surpresa do género da Dinamarca em 1992 ou da Grécia em 2004.
Ora, havendo lugar a essa surpresa, ou seja não ganhando uma das favoritas (França, Alemanha, Espanha e Itália), a selecção nacional, que se encontra numa segunda-linha, poderá ter uma palavra a dizer.
Aliás, quem tem Ronaldo, nem sequer poderá falar de uma grande surpresa mas, digamos, apenas meia...

Contudo não se espera que este seja um Euro para recordar em termos de qualidade.
Será, provavelmente, semelhante ao Brasil 2014: muita parra na fase de grupos (onde os "pequenos" aproveitarão uma maior frescura física para fazer umas "flores") e, depois, um arrastar penoso até ao jogo da final, quando os "grandes" ficarem sozinhos em palco.

Neste contexto, o factor-casa terá um peso ainda mais importante. A França não falhou quando organizou em 1984 e 1998...


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Atacar bem? Comecem por defender bem!

Nos últimos 30 anos do futebol houve dois treinadores que mudaram radicalmente os conceitos de jogo, duas referências máximas do futebol ofensivo de alto quilate. Ambos vão passar à história porque as suas equipas jogam de forma atractiva, ofensiva, sem piedade do rival quando aumentam o ritmo para uma velocidade que mais ninguém aguenta. E no entanto, para ambos, o êxito do ataque parte sempre de um excelente trabalho na defesa. Querem atacar bem? Então preocupem-se sempre por garantir que a equipa sabe, antes que tudo, defender melhor. Sacchi e Guardiola sabem perfeitamente do que falam. As suas equipas partiram sempre de um principio básico. São equipas de treinador até ao último terço, equipas de jogadores no último. Este FC Porto dista muito desses princípios.

José Peseiro não é nem Arrigo Sacchi nem Pep Guardiola, está claro. Mas é, e sempre foi, um treinador que pensa de outra forma. As suas equipas são de tracção dianteira. As suas linhas defensivas sofrem muito e com regularidade pelo posicionamento em campo do seu 4-2-3-1. Peseiro começa a pensar o jogo com a bola no circulo central. Trabalha bem - tem-se apreciado evidentemente a diferença - o jogo ofensivo, sobretudo as sobreposições entre os interiores e os extremos no complemento ao ataque. Mas o jogo dos médios defensivos, laterais e centrais peca de ingénuo. A sua filosofia de "se o rival marca dois, eu marco três", lembra muito o futebol sul-americano ou a realidade europeia pre-anos 70 mas está bastante desfasada da realidade. Até uma equipa de estrelas absolutas e inquestionáveis como o Real Madrid da primeira geração dos "Galácticos" percebeu isso quando o génio da sua linha avançado pagou ano após ano os erros tácticos a que a sua linha defensiva estava exposta. Não, o modelo Peseiro - e de alguns treinadores da sua escola - hoje em dia pode ser atractivo em momentos concretos do jogo mas é pouco fiável. Tudo porque o seu enfoque de jogo parte da premissa que a defesa é um elemento secundário na coordenação colectiva. O jogo começa mais rápido, desde atrás, menos pensado e a cada perda de bola os jogadores da linha mais recuada encontram-se, quase sempre, mal posicionados. Tal é a vocação ofensiva que muitas vezes não existe um fio de conexão entre os centrais e os laterais, por um lado, e os laterais e os médios interiores, por outro. Nesse cenário não é difícil, sobretudo a equipas que jogam no espaço e aproveitam a velocidade para contra-atacar - como são quase todos os clubes da liga portuguesa - encontrar oportunidades para marcar. Depois é um jogo de roleta russa. A eficácia do rival, a eficácia própria, a capacidade emocional de resposta, o fluxo ofensivo criado, tudo entra numa equação perigosa. O triunfo sobre o Moreirense - por 3-2 com uma reviravolta de dois golos desfavoráveis - é o perfeito exemplo desse puzzle. Peseiro pode sentir-se triunfal porque a sua ideia prevaleceu (o rival marca dois, eu marco três), mas o seu esquema parte de um principio perigoso. É altamente provável que te marquem sempre mas não podes garantir que tu vais marcar sempre mais um. A derrota antes da à visita à Luz com o Arouca - que pode ter sido decisiva em contas para o título - é o perfeito exemplo disso mesmo.



O maior defeito que os adeptos apontavam - e muitos com razão - a Vitor Pereira e a Julen Lopetegui (mais no seu caso que tinha melhor matéria-prima) era a tremenda dificuldade de passar de uma boa organização defensiva a um jogo ofensivo eficaz e vertical. Eram o modelo oposto de Peseiro. Para ambos os treinadores - claramente da escola Sacchi/Guardiola - as suas equipas começavam a pensar-se desde o momento em que o guarda-redes colocava a bola em jogo. Era importante, não, fundamental, uma boa coesão defensiva e articulação entre sectores, um avanço progressivo das tropas antes de explodir o rastilho final no último terço.
Quando bem executado o modelo propiciou grandes jogos colectivos mas se Vitor Pereira quase nunca teve arsenal ofensivo com essa inteligência de jogo e talento (no seu primeiro ano teve de abdicar do poder de explosão de Hulk para colocá-lo como referência ofensiva e no segundo faltou-lhe o brasileiro para conectar com Jackson), já Lopetegui pecou de erros próprios na concepção de jogo colectivo. No entanto, ambos perfilavam a ideia de que a equipa tinha de funcionar como um todo nos primeiros três quartos de campo para depois permitir a explosão do talento individual no último terço. A defesa, nos dias de Vitor Pereira, era absolutamente tremenda na ocupação do espaço e no controlo da zona e com Lopetegui - apesar de Fabiano, Marcano, Maicon ou Indi, jogadores de perfil muito inferior - foi uma das melhores de todas as ligas europeias enquanto que na Champions, não fosse pelo massacre de Munique - um erro de gestão técnica tremendo - teria igualmente terminado o torneio nas menos batidas. Não esperem ver o mesmo com Peseiro.

Tem culpa o treinador do Porto dos golos sofridos recentemente? Sim e não.
A Peseiro não lhe podemos apontar o dedo na concepção do plantel - responsabilidade da SAD e de Lopetegui - nem nos reajustes de Janeiro - responsabilidade da SAD. Ao técnico foram-lhe dados ovos para trabalhar - poucos e podres - e a situação de Maicon (ainda por explicar) apenas piorou o cenário forçando-o a recrutar para as convocatórias dois jogadores com idade de júnior, Chidozie e Verdasca. Nesse cenário - múltiplas lesões, suspensões e reajustes - era absolutamente lógico e natural que houvesse maior permeabilidade defensiva. No entanto o grave nesse cenário é que Peseiro - que quer ser fiel aos seus princípios - uniu às baixas e ao plantel de pobre qualidade uma radical mudança táctica que rasga os princípios assimilados durante ano e meio. Peseiro quer tirar o Lopetegui de dentro da cabeça dos jogadores (olhando para Herrera, como melhor exemplo, está a conseguir) e a sacar o máximo potencial de jogadores que em 4-3-3 posicional renderiam muito pouco (a prova está em Suk, tem tudo para ser um novo Pena, esforçado mas excessivamente dependente do espaço e dos lances divididos para se evidenciar) no sector ofensivo. A consequência é abdicar da segurança defensiva, da estabilidade do jogo desde a retaguarda e dos naturais desajustes no miolo que provocam perdas de bola e contra-ataques do rival. A pré-época não serve apenas para preparar os jogadores fisicamente. É o único momento do ano em que o treinador tem três ou quatro semanas para aplicar as bases da sua ideia que são melhoradas com treinos pontuais. A partir do inicio da temporada o ciclo não permite a implementação de uma nova ideia táctica com êxito assegurado. As sessões de treino medem-se entre recuperação esforço, preparação tendo em conta o rival, garantir estabilidade dos níveis físicos e algum que outro dia dedicado a lances estudados. Não há tempo (nem força, física e mental) para uma pre-epoca em Fevereiro. O clube sabe isso, o treinador sabe isso e os jogadores sabem isso de modo que tudo o que estamos a viver no presente vai contra toda a lógica da gestão de um grupo. E só é possível devido ao desnorte da direcção - que forçou a mudança sem ter um plano B coerente - e o desespero total da falta de rumo que permite acreditar que mudando tudo o que estava feito os resultados, forçosamente, serão diferentes.



O 4-2-3-1 e as ideias de Peseiro, com uma boa pre-epoca, podem triunfar ainda que o mais provável é que sofram nos momentos chave a consequência do poder do controlo de jogo do futebol moderno. De certo modo Peseiro quer parecer-se mais a Paulo Fonseca do que a Vitor Pereira ou AVB. Agora tem todo o crédito do mundo porque nenhum adepto vai reclamar nada a um treinador-bombeiro sem perfil e que chegou num momento de desespero. Mas é preciso ter-se cuidado quando se brinca com o fogo. Velha é a história contada por Sacchi do dia em que van Basten, irritado por tanto trabalho táctico, lhe atirou à cara que ele era a estrela da companhia e que o êxito do Milan dependia dos seus golos. Sacchi sorriu e pactou um desafio. Se van Basten, Gullit, Ancelloti e Donadoni fossem capazes de superar o seu quarteto defensivo numa sequência de ataque a partir do meio campo, dar-lhe-ia razão. Mas se a defesa recuperasse a bola, teriam de voltar a começar o ataque do zero. Durante duas horas a defesa de Sacchi levou a melhor linha de ataque ao desespero. Não marcaram nenhum golo. Van Basten aprendeu a lição. Algo similar fez Guardiola em Barcelona, reforçando sempre às suas estrelas ofensivas que tudo começava a partir da conexão Valdés-Pique-Puyol-Busquets. Ninguém espera um golpe de génio táctico de um treinador com dez anos de fracassos acumulados às costas mas jogos como o do último fim-de-semana também não podem surpreender ninguém. Com um plantel de remendos querer jogar no fio da navalha pode provocar doses de adrenalina que o jogo dormido e pausado do 4-3-3 de Vitor Pereira (sem jogadores de ataque válidos) ou de Lopetegui (sem ideias) eram incapazes de transmitir. Mas a navalha acabará sempre por deixar as suas marcas.



sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

"Santo" Casillas

Enorme Iker Casillas!

E (quase) tudo Casillas defendeu.
Até uma tentativa (involuntária) de Indi que, não fosse Casillas, teria marcado um golo espectacular... na baliza errada.
Ainda não revi o jogo, nem sequer um resumo mas, se bem me lembro, foram uns 4 ou 5 "golos certos" que Iker Casillas evitou.
Fantástica exibição do guarda-redes internacional espanhol que, hoje, foi absolutamente decisivo para o FC Porto conquistar 3 pontos no estádio da Luz e regressar ao Porto com mais uma vitória em... Lisboa.

Muito bem, também, estiveram os dois "toscos" do meio-campo portista: Danilo e, principalmente, Herrera. Grande golo e grande jogo do internacional mexicano!

O SLB "goleou"... em oportunidades.
O FCP marcou 2 golos e... ganhou o jogo.


P.S. Após 45 minutos de integração e adaptação à equipa principal, na 2ª parte Chidozie mostrou que talvez (talvez!) já seja o melhor defesa-central do plantel do FC Porto. O que quer dizer alguma coisa acerca deste jovem nigeriano de 19 anos... e dos restantes defesas-centrais do plantel.

P.S.2 O SLB de Rui Vitória não é grande coisa. Esta época já disputou 5 clássicos, três contra os vizinhos da 2ª circular e dois contra o FC Porto e perdeu-os todos (não pode ser só "azar" ou culpa dos árbitros). Mas, atenção, no campeonato continua à frente do FC Porto (com mais 3 pontos).

sábado, 28 de novembro de 2015

A bola está nas mãos do Presidente

Lopetegui no Tondela x FC Porto (fonte: LUSA)

Em complemento ao SMS do Miguel...

Acerca do jogo de hoje contra o último classificado (disputado em campo neutro), direi apenas o seguinte:

Remate e golo espantoso de Brahimi.

Defesa crucial de Casillas, num penalty corretamente assinalado contra o FC Porto, a poucos minutos do fim do jogo. Valeu 2 pontos.

De resto, sobre a exibição de hoje do FC Porto no estádio municipal de Aveiro, é melhor não dizer o que me vai na alma e poupar nos adjectivos.
Digo, apenas, que vi um conjunto de jogadores à deriva, sem saber o que fazer com a bola nos pés, sem saber para onde ir, sem rumo e sem timoneiro.
E isso, falta de um treinador, é o problema nº 1, nº 2 e nº 3 desta pseudo equipa.

Lopetegui parece completamente perdido e está de cabeça perdida.

Compete à Administração da FC Porto SAD e, particularmente, ao presidente Pinto da Costa, reflectir sobre a situação actual e avaliar se Julen Lopetegui ainda será capaz de levar a nau portista a bom porto.

sábado, 26 de setembro de 2015

Tal como em Kiev...

Empatar com o Moreirense é mau.

Empatar com o Moreirense, após estar duas vezes em vantagem no marcador, é péssimo.

Sofrer dois golos de uma equipa do nível deste Moreirense é inacreditável.

E, não haja dúvidas, o responsável Nº1 por aquilo que a equipa joga, ou deixa de jogar, durante os 90 minutos é sempre o treinador.

Dito isto, e independentemente do discutível onze inicial escolhido por Lopetegui para este Moreirense x FC Porto, a realidade é que os dragões chegaram à vantagem no marcador (0-1). E se é verdade que, nos primeiros 45 minutos, o FC Porto teve apenas três oportunidades de golo, o Moreirense não teve nenhuma! (e quase não conseguiu entrar na área do FC Porto)

Maicon, de livre, marca o 1º golo do FC Porto em Moreira de Cónegos

Mais. Na 2ª parte, após o Moreirense ter chegado ao 1-1 (no primeiro remate enquadrado com a baliza de Casillas) Lopetegui reagiu, mexeu bem na equipa e fez tudo o que podia/devia para ganhar em Moreira de Cónegos.
Assim, após ter sido obrigado a queimar uma substituição ainda na 1ª parte, devido à lesão de Brahimi, Lopetegui "meteu a carne toda no assador". Substituiu um médio (Herrera) por um extremo (Tello), passando Corona para o meio e a ter uma frente de ataque com quatro jogadores e, no último quarto de hora, arriscou tudo, substituindo um defesa central (Marcano) por um ponta-de-lança (Aboubakar).

E estas mudanças resultaram. A pressão do FC Porto sobre o Moreirense passou a ser asfixiante e a equipa chegou mesmo ao 2º golo, precisamente por Corona (que me parece render muito mais no meio, nas costas do ponta-de-lança, do que como extremo).

2º golo do FC Porto em Moreira de Cónegos

Contudo, depois de ter feito o mais difícil e obtido o 2-1 aos 79' (apenas dois minutos após Lopetegui ter esgotado as substituições), a equipa do FC Porto foi incapaz de segurar a vantagem.
Porquê?
Por várias razões, claro, entre as quais destaco:

1º) Nos últimos minutos, pareceu-me que vários jogadores do FC Porto (Danilo, Corona, Maxi, …) estavam exaustos, no limite da capacidade física e houve mesmo dois – Osvaldo e Maicon (o único defesa-central em campo após a saída de Marcano) – que terminaram o jogo ao pé coxinho.

2º) Tendo esgotado as substituições aos 77', para tentar chegar ao 2º golo, Julen Lopetegui já não pôde refrescar e reequilibrar a equipa defensivamente.

3º) Tal como em Kiev, a equipa sofreu o golo do empate nos últimos 5 minutos (período de descontos incluído) e, tal como em Kiev, esse golo foi marcado de cabeça na pequena área portista, também conhecida por área do guarda-redes…
Por falar em guarda-redes, o que fez Casillas nesse lance?
Tal como em Kiev, ficou em cima da linha de golo, à espera não se sabe bem de quê.


Em resumo, foram mais dois pontos perdidos de forma inglória, para não dizer idiota.

P.S. Excelente a execução de Maicon no 1º golo do FC Porto. Em apenas seis jornadas é o 2º golo que marca de livre direto.

P.S.2 Na 1ª parte, ficaram, pelo menos, dois cartões amarelos por mostrar a jogadores do Moreirense, o primeiro dos quais logo ao 6º minuto, numa entrada por trás de Cardozo a Danilo Pereira. Não por acaso (em vésperas de jogo para a Liga dos Campeões), o árbitro Vasco Santos permitiu aos jogadores do Moreirense uma agressividade defensiva sempre muito elevada ao longo de todo o jogo.

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

No fim, as coisas nunca funcionam

Quer o FCP seja ou não campeão, e salvo uma grande reviravolta (daquelas que a nossa equipa nunca obtém), dificilmente Lopetegui estará por cá daqui a um ano.

Quando, no "11" hoje apresentado, sobram apenas 4 jogadores da época transacta e, ainda assim, parece que estamos a assistir ao Nacional X FCP ou ao Belenenses X FCP de 2014/15, fácil é descobrir o factor comum a mais um jogo sem qualquer atitude ou garra. Principalmente, e uma vez mais, nos primeiros 45 minutos, onde por qualquer razão obscura, o FCP teima em ter bola e mais bola e com ela fazer o mínimo dos mínimos ou mesmo abaixo disso.


Estes 75% de "posse" deveriam ser motivo de vergonha e não vangloriados.

E quando, por obrigação, finalmente acordamos para o jogo, o que é que invariavelmente sucede? Exactamente: os habituais erros defensivos.
Qualquer equipa lança o pânico na nossa retaguarda. Seja ela uma equipa com 2 golos e um empate em 5 jogos, como este fraco Moreirense, seja ela o Bayern Munique.
Tem pouco a ver com eles. O problema é mesmo nosso.

E quem realmente jogou alguma coisa esta noite?
Casillas parece querer dar razão à sentença de Mourinho: excelente debaixo dos postes, menos bom fora deles.
Danilo, Herrera e Tello são todos jogadores que se deveria ter grande reserva em utilizar.
O mexicano, então, é mesmo caso para chorarmos. Lopetegui, escudado na desculpa da "rotatividade", lá voltou a dar-lhe a enésima oportunidade. Descobrirá, demasiado tarde, que, tal como com Fabiano, andou enganado estes meses todos.

E, por falar nisso, que todos se conformem com a triste realidade: Quaresma era mesmo (ainda) o melhor de entre todos estes extremos. Novos e velhos.


quinta-feira, 13 de agosto de 2015

O potencial mediático de Casillas

O JOGO, 23-07-2015

«A chegada de Casillas ao FC Porto promete dilatar de vez as fronteiras da liga portuguesa, alargando o mercado espanhol ao Dragão. A primeira prova disso são as notícias de ontem [22-07-2015], que davam conta que a TVE tinha adquirido os direitos de transmissão dos jogos da pré-temporada do FC Porto. Os desafios com o Borussia Monchengladbach e Schalke 04, que fazem parte do estágio portista em Marienfeld, e os seguintes com Stoke City e Valência, previstos para a Colonia Cup, são os encontros que vão fazer parte da grelha da TVE, que com isso vai testar as audiências que pode ganhar com um FC Porto mais hispânico do que nunca. Se juntarmos a isso o facto de várias equipas de jornalistas espanhóis continuarem em Portugal, atentos a todos os movimentos de Casillas e Sara Carbonero que possam resultar em notícias, teremos uma perceção mais completa do mediatismo que o guarda-redes espanhol trouxe com ele ao deixar Madrid para vir jogar no FC Porto.»
in O JOGO, 23-07-2015


O JOGO, 13-08-2015
«Consequência natural da “espanholização” do campeonato luso, em particular da presença do guarda-redes ex-Real Madrid e número 1 da seleção do país vizinho, esta novidade [o ramo espanhol da beIN Sports anunciou ter adquirido os direitos de transmissão da I Liga] dificilmente poderia ter um arranque mais significativo: o FC Porto - V. Guimarães é o primeiro encontro que poderá ser visto pelos telespectadores espanhóis, que assim poderão assistir à estreia de Casillas na Liga onde evoluem mais oito compatriotas (cinco dos quais no FC Porto), além do técnico azul e branco Julen Lopetegui.»
in O JOGO, 13-08-2015


As últimas 4-5 semanas demonstraram, se é que alguém tinha dúvidas, que o potencial mediático de Casillas é verdadeiramente brutal e algo nunca visto no futebol português.

Ora, se os ganhos de notoriedade (para o FC Porto, para a liga portuguesa, para a cidade do Porto) são já absolutamente indiscutíveis, falta ainda perceber de que modo este facto se irá traduzir em euros e para quem.

sexta-feira, 24 de julho de 2015

Torre de Babel - o bom exemplo de Casillas

Pelo que tem transparecido em público Casillas tem tido até agora um comportamento exemplar, merecendo plenos elogios e não podendo estar mais longe de uma imagem arrogante ou de prima dona. Temos todas as razões para estar plenamente satisfeitos com a sua atitude (e da sua esposa), os sinais iniciais são encorajantes.

Gostei em particular da seguinte notícia (mesmo sendo um detalhe), ainda mais tendo em conta que o treinador e metade do plantel falam espanhol:

«O "El País" que o conta, num longo texto em que dá conta de outra preocupação das partes: começar com as aulas de português. Não que seja difícil para os colegas perceberam o que Casillas diz, mas porque o guarda-redes quer integrar-se da melhor forma possível no clube, na cidade e no país»

Para além da vantagem prática ao aprender a língua do país onde se vive, isto demonstra sem dúvida uma boa vontade que só pode granjear simpatia entre os colegas portugueses e brasileiros, dirigentes e adeptos em geral. Veio-me à cabeça o saudoso Bobby Robson, que se via grego com a nossa língua mas que, honra lhe seja feita, ao menos tentava.

Infelizmente muitos outros não fazem o mesmo esforço. É até mesmo a maioria... a mero título de exemplo temos um Jackson, que viveu aqui vários anos, e Lopetegui. E sobre este último (e de forma mais geral sobre os espanhóis) diz o El Pais:

«Julen Lopetegui se pelea con el idioma desde hace un año, aunque, para evitar malentendidos, prefiere hablar en portuñol en sus conferencias de prensa, idioma al que ya se han acostumbrado los portugueses, una vez visto que lo de lo españoles con el portugués no es de mala educación, sino, únicamente, incapacidad para aprender cualquier idioma»

Bem, antes de mais nada não sei o que o El Pais entende por «portunhol», mas para mim uma mistura 98% de espanhol e 2% de português (que é o que eu vejo, uma palavra solta em cada 50) certamente não chega para se poder falar nisso.

Em segundo lugar não deixa de ser irónico que digam isso a propósito de alguém que viveu até aos 19 anos numa região onde metade da população fala uma língua completamente distinta (basco).

De resto é grande «tanga» que os espanhois "tenham incapacidade para aprender qualquer língua" (já agora, será que incluem o espanhol na lista quando dizem isso?). Nota-se que se trata de um jornal de Madrid: duvido que um jornal de Barcelona, Bilbau, Corunha ou Valência afirmasse a mesma coisa... uma parte considerável dos espanhóis (nomeadamente dessas regiões) são no mínimo bilingues.

Mas mesmo excluindo esses bilingues catalães/bascos/galegos, por acaso conheço imensos espanhóis que falam bem outras línguas (ainda que muitos com um sotaque carregado, mas não é isso que está em causa); aliás, hoje em dia há imensos turistas espanhóis que viajam pela Europa fora e vêem-se obrigados a falar outras línguas (principalmente o inglês). Para nao falar dos emigrantes espanhóis (que houve muitos nos ultimos anos).

E certamente não me parece que tenham menos (ou mais) inteligência do que quaisquer outros povos.

O que se passa sim é que têm mais dificuldades iniciais do que outros países (como Portugal, Holanda, etc), principalmente na pronúncia, porque dentro de Espanha praticamente só ouvem espanhol (filmes/programas dobrados na TV, ...). Mas nisso não são nada diferentes dos franceses, italianos, alemães ou ingleses.

E se há língua fácil para eles aprender, é o português. Resumindo e concluindo: um espanhol (ou um argentino, mexicano, colombiano, ...) que viva em Portugal e não o faça é por pura preguiça (ou complexo de superioridade), o El País que não venha com histórias da carochinha. Ainda para mais quando vocabulário para um jogador ou treinador de futebol não é muito extenso, e quando este tipo de imigrantes se pode dar ao luxo de pagar a um professor para se deslocar a sua casa dar lições privadas conforme lhes der mais jeito.

Ninguém espera que comecem a recitar os Lusíadas, ou que falem sem um forte sotaque.

O que lhes vale é que os portugueses são mais simpáticos do que outros povos nestas coisas. Por exemplo, um jogador ou treinador alemão q vá para a Holanda (para pegar noutro exemplo de um tipo de um país grande a ir para um país pequeno em que as línguas são bastante parecidas) e ao fim de um ano fale apenas em alemão está «feito ao bife». Seria crucificado. Já agora, ainda não vi um jogador (ou treinador) português em Espanha a não aprender espanhol.

Como nota final e voltando a Casillas: para já trata-se apenas de declarações de intenções, mas se levar isso por diante espero que o bom exemplo faça escola entre os colegas. Claro que não exigimos isto aos jogadores (o que mais importa de longe é o rendimento, obviamente), mas seria um sinal bem-vindo de boa vontade.

PS - por razões pragmáticas usei o termo «espanhol» para a língua, mas o termo correcto é «castelhano».

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Mourinho e os guarda-redes simbólicos

José Mourinho está a fazer de tudo para ser despedido do Real Madrid.
Cada vez se parece mais aquele tipo de trabalhadores que querem ser despedidos para receber uma indemnização e decidem desafiar o patrão por tudo e por nada para forçar a situação. Ele sabe que naquele balneário ninguém o suporta, que lhe será impossível voltar a vencer a liga e a Champions League parece uma utopia cada vez mais evidente. Para preparar o futuro, com 12 milhões de euros no bolso, o melhor é sair quanto antes. Por isso decidiu pisar o último símbolo do clube espanhol que faltava: Iker Casillas.

As discussões de Mourinho com Casillas não são nada novas.
Remontam ao dia em que o capitão do Real Madrid ligou ao seu melhor amigo, Xavi Hernandez, em plena sequência de Clásicos, em 2011, e da troca de insultos e acusações entre ambos os clubes. Mourinho não lhe perdoou ao madrileno que pensara pela sua própria cabeça e como faz sempre, desenhou uma cruz no seu nome e manteve-a até hoje. Mas Casillas não é um jogador qualquer.
Capitão, herdeiro único da última equipa a vencer a Champions League com o clube, símbolo máximo do futebol espanhol e da sua geração mais brilhante, casado e amigo de jornalistas influentes, era a peça com quem não se podia meter livremente sem saber que acabaria por perder. Até agora.
Ao relegá-lo ao banco de suplentes num jogo decisivo em Málaga, Mourinho condenou-se e voltou a demonstrar a sua particular veia por discutir com guarda-redes que também são símbolos e lideres de balneário. Viajemos até 2003.



Mourinho tinha acabado de chegar e reencontrou-se com Vitor Baía, com quem tinha vivido épocas douradas no FC Porto e em Barcelona como adjunto de Bobby Robson.
Os dois eram amigos e rapidamente o treinador tentou afastar-se do jogador para não dar a imagem errada ao balneário. Mas Baía era o líder indiscutível, particularmente depois do afastamento de Jorge Costa, e o capitão dessa equipa. E não queria abdicar facilmente do poder que tinha para um homem que tinha começado a carreira há meio ano. Houve discussões, houve fricção e houve problemas quando Mourinho devolveu a braçadeira ao regressado "Bicho", passando por cima do historial de Baía e da sua maior longevidade com o clube.
O choque aconteceu depois de Mourinho não ter convocado Baía para uma viagem a Guimarães, entregando a titularidade a Nuno Espírito Santo. Baía pediu explicações a Mourinho, lembrou-o do seu passado como "traductor" e Mourinho queixou-se à directiva que ficou do seu lado e suspendeu Baía de todas as actividades. Nesse dia o guarda-redes deu igualmente uma polémica entrevista ao Record em que deixava antever que havia movimentos no clube para o substituírem  Uma linha de raciocínio que vem de encontro com as declarações, à posteriori, de Scolari e com o pensamento de Mourinho, que gosta de eleger um guarda-redes sempre com o mesmo tipo de características  algo que Baía não tem. O 99 vinha também de um período complicado, depois de várias lesões e do Mundial 2002, e essa discussão podia ter colocado um ponto final na sua carreira.

Só um posterior pedido de desculpas do 99 - quase um mês depois dos incidentes - o permitiu voltar a ocupar o seu lugar natural, nas redes, a caminho do biénio mais bem sucedido da história do clube. A partir de aí não voltou a haver um conflito aberto, apesar de já Mourinho ter recomendado ao clube a contratação de Helton, que anos mais tarde seria o substituto definitivo do capitão azul e branco.

Nesse mano a mano, Mourinho saiu vencedor e a sua posição no balneário reforçada, apoiada directamente por uma SAD que não sabia bem como lidar com os pesos pesados do balneário (veja-se caso Jorge Costa). Neste duelo concreto é fácil perceber que o português já perdeu. Perdeu a credibilidade que lhe restava, o apoio da directiva, da pouca imprensa que ainda o aguentava e do adepto comum, habituado a ver em Casillas um símbolo do madridismo. Dois guarda-redes históricos, duas histórias paralelos e um mesmo protagonista. O homem que não lidava bem com os guarda-redes!


terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O problema do Ballon D´Or

Avizinha-se a entrega de mais uma edição do prémio individual mais célebre do universo futebolístico: o Ballon D´Or.

É um prémio que, como todos os prémios, vive do seu glamour e peca por ser injusto, na medida em que a opinião individual de cada um nunca se alterará por uma tendência colectiva. Quem acha que o seu é melhor nunca mudará de ideias se vencer outro e portanto, num desporto colectivo, eleger a melhor individualidade é algo ainda mais complexo.

O que se premeia?

As regras do Ballon D´Or original eram claras: premiar o melhor jogador dentro de um ano natural tendo em conta as suas performances, as da sua equipa, a sua influência na equipa e as suas conquistas. Ou seja, o papel de um individuo como espelho de uma performance colectiva.



Dessa forma, historicamente, em anos de Europeus e Mundiais, o vencedor acabava por ser alguém ligado de forma simbólica a esses triunfos. Em 2006, Cannavaro representou o triunfo italiano, em 2002 o renascimento de Ronaldo o do Penta brasileiro. Em 1998 e 2000, Zidane foi o rosto de França e da sua geração de ouro, em 1990 Mathaus venceu porque a RF Alemanha ganhou o Mundial e em 1982 os golos de Rossi em Itália deram-lhe o troféu. E assim, ad aeternum.

Por outro lado sempre se convencionou que este era um prémio de futebol de ataque. Só um guarda-redes, o mítico Yashin, e dois defesas - o italiano Cannavaro e o alemão Sammer - venceram o troféu, os últimos dois quais como espelho da vitória das suas selecções. Os restantes, avançados, extremos e criativos. E sobretudo, jogadores de grandes potencias.

Ainda hoje custa-me entender porque Futre perdeu o Ballon D´Or em 1987 para Gullit e Deco o de 2004 para Shevchenko. Curiosamente os dois vencedores jogavam no AC Milan, um dos clubes mais premiados da história e com mais peso junto dos votantes. Votantes que estão na base da profunda mutação do Ballon D´Or do passado com o do presente.



Em 2010 a empresa France Football, que criou o prémio, encontrou-se com graves problemas financeiros e aceitou a proposta da FIFA de fundir o seu prémio com o FIFA Award, uma ideia de Blatter, quando era vice-presidente, em 1990, de criar um prémio alternativo ao atribuído pelos gauleses. Até então votavam no Ballon D´Or os 53 jornalistas europeus que representavam as federações continentais. Até 1994 só podiam votar em jogadores europeus (por isso Maradona e Pelé nunca ganharam) e a partir de 2006 passaram a poder votar em jogadores a actuar fora da Europa.

Com o novo FIFA Ballon D´Or passaram a votar os seleccionadores, capitães e jornalistas de todos os países membros da FIFA. E o prémio passou a ser um concurso de popularidade.

Sinceramente a mim tanto me faz qual o critério a aplicar, dou pouca importância ao certame. Mas no modelo antigo, o que tornou o troféu popular, Lionel Messi teria vencido dois prémios até agora. Com este modelo prepara-se - salvo imensa surpresa - para conseguir o quarto consecutivo.
O prémio passou a ser uma luta entre os jogadores mais populares, liderada por Messi com Ronaldo e agora Iniesta como perseguidores naturais. Façam o que fizerem no terreno de jogo outros jogadores, o impacto mediático destes três supera o dos restantes e muitos jornalistas, seleccionadores e capitães de países que vivem o futebol de uma forma muito diferente da nossa, preferem votar neles. Basta ver os boletins de voto das últimas edições e descobrir que estes nomes são omnipresentes.

Em 2010 os jornalistas europeus colocaram Messi no quinto lugar e deram o prémio a Sneijder. A nível mundial o holandês nem entrou no pódio. Sob os registos históricos do prémio, o holandês teria sido o ganhador salvo se Iniesta ou Casillas vencessem. Até hoje, depois de ganhar tudo o que havia para ganhar, nenhum espanhol venceu.

Dizem que Messi ganha sempre porque é o melhor. Não creio que isso esteja em discussão realmente.
Mas o prémio antes não era entregue ao melhor do mundo mas sim ao melhor num ano natural, tendo em conta o que conquistou. Ronaldinho Gaúcho foi o melhor jogador do Mundo durante três anos mas só tem um troféu. Zidane foi o melhor em igual período mas perdeu um ano para Figo e outro para Rivaldo. Platini perdeu o prémio em 1982 quando não era pior jogador do que Rossi e nos primeiros anos, ninguém duvidava que Alfredo di Stefano fosse único. Mas La Saeta tem apenas dois troféus em casa.



Pessoalmente, se eu pudesse votar, a minha eleição estaria entre Casillas, Iniesta e Falcao.
Salvo o manchego, os outros dificilmente poderão vencer o troféu porque perdem em popularidade para Messi e Ronaldo. O português, que não tem feito épocas ao nível de 2008, quando venceu, tem sido presença habitual no pódio porque é, indiscutivelmente, um dos dois jogadores mais populares do Mundo. Se Messi vencer, sine die o troféu, apenas na base de que é o melhor, ele acabará por perder o seu real valor. Basta olhar para os Óscar e pensar que Brando venceu dois - espaçados por vinte anos - e ninguém se atreve a discutir que nesse período houve poucos interpretes como ele.

No futebol, um desporto colectivo onde ser estrela individual é complicado, vive-se uma ditadura de popularidade que acabará por transformar estes pequenos guilty pleasures em algo profundamente aborrecido.