Camilo Lourenço é jornalista económico e docente universitário. Foi um dos fundadores do Diário Económico, director da Exame e assina artigos de opinião no Jornal de Negócios. É frequentemente convidado para comentar questões económicas em várias estações televisivas.
Ultimamente tem enveredado por comentar as finanças e os negócios dos clubes de futebol, no programa Pontapé de Saída às quintas à noite na RTPN. Ah, é verdade, entretanto escreveu um livro sobre José Veiga - esse homem muito sério que esteve na origem do célebre Estorilgate (http://reflexaoportista.blogspot.com/2008/02/dicionrio-do-sistema-estoril-sad.html) - intitulado “Como tornar o Benfica campeão”. Será que Camilo Lourenço explica no livro que o ex-dirigente benfiquista fez do benfica campeão à custa destes expedientes e de outros como os jantares no Sapo com o ex-árbitro Devesa Neto ou a contratação, empréstimo e aliciamento de jogadores aos adversários na véspera de os defrontar?Anteontem, no dia em que a UEFA tornou público o castigo aplicado ao FC Porto, a RTPN fez um programa para discussão e análise das consequências deste processo para o clube. Convidados estavam o especialista em Direito desportivo José Manuel Meirim, o jornalista Bruno Prata, Miguel Guedes como adepto portista, Camilo Lourenço e um ‘fatboy’ jornalista (benfiquista).
Acresce dizer que Camilo Lourenço, quando chamado a pronunciar-se sobre os eventuais efeitos económicos negativos para o FC Porto de estar uma época ausente da Liga dos Campeões, não resistiu, e apresentou um cenário apocalíptico para o futuro do clube. Desde desvalorização de activos a perda de receitas, Lourenço não fez por menos e anteviu já a desagregação da equipa e do clube.
Será aceitável aquilo que disse o jornalista económico? Não, a verdade é que não é de todo aceitável e Camilo Lourenço sabe-o e por isso foi intelectualmente desonesto. Não se preocupou minimamente em ser rigoroso e imparcial, e pior do que isso, exagerou nas consequências nefastas dando a sensação que o caos tomará conta do clube. Isso não é verdade.

Vejamos os números: na última época o FC Porto alcançou a receita de 12,5 Milhões de Euros na Liga dos Campeões, numa época em que foi aos oitavos de final, sendo eliminado pelo Chelsea de José Mourinho. Ou seja, a prova europeia representou 15% do total de Proveitos Operacionais (81,5 M€). A questão da desvalorização dos Activos é algo muito subjectivo, não mensurável e até o mais provável é que tal não venha a ocorrer. É que o FC Porto não cede a pressões exógenas e vende os jogadores em bons negócios finais. Se, a partir de 1 de Julho, data do novo exercício 2008/2009 vendermos 1 (um) passe de um jogador como Quaresma, conseguiremos mitigar os riscos financeiros de uma eventual não participação na Liga dos Campeões, sem precisar de vender a equipa toda, como sugeriu Lourenço, porque lhe dava jeito.
Com a queda para o drama demonstrada por este jornalista económico, sugiro que o próximo livro que escreva se intitule “Como imaginar o FC Porto um clube falido”.