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segunda-feira, 31 de julho de 2017

Rock and Roll

Quando Jurgen Klopp assinou contrato com o Liverpool, interrompendo o seu ano sabático, a cidade dos Beatles celebrou o feito como um regresso às origens - tácticas e emocionais - e a imprensa local, sempre desejosa de tecer comparações com a sua herança musical declarou que tinha voltado o "Rock and Roll" a Anfield Road. Klopp tinha-se celebrizado com o seu modelo vertical, ofensivo e de pressão alta no Dortmund, o "Gegenpressing", e nos últimos dezoito meses logrou repetir o modelo de jogo em Inglaterra. Salvas as (imensas) diferenças que (ainda) existem entre Klopp e Conceição e entre os plantéis de Dortmund e Liverpool com o FC Porto, não é no entanto descabido olhar para esta pré-temporada a que falta apenas um jogo, e assumir que o Rock and Roll também voltou à Invicta.

O termo de comparação ajuda.
Quem sobreviveu a Nuno Espirito Santo está preparado para desfrutar e ver o lado positivo de tudo. O jogo pastelento, sem ideias, defensivo e primário de NES é felizmente passado mas isso não impede de que ver que o salto qualitativo para Conceição seja real. Olhando para a equipa, nestes últimos encontros, há uma evidente aura a anos noventa que não podemos ignorar. O jogo com dois avançados que se complementam a lembrar a verticalidade da dupla Domingos-Kostadinov ou, numa comparação simpática e distante, entre Jardel (Aboubakar) e Artur (Soares). Com a bola, o posicionamento da equipa convida a um jogo ofensivo pelas alas - com a abertura dos laterais e o jogo combinativo interior dos extremos e médios com a dupla de ataque - não muito distante do clássico 442 utilizado até à chegada de António Oliveira, com a equipa a jogar, efectivamente, muitas vezes num 4-1-3-2. E depois está a evidente garra e o dinamismo físico que recorda os melhores anos de Robson, de uma equipa sempre disposta a jogar simples e fácil mas com uma ideia vertical de jogo. Poucos passes, futebol menos rendilhado mas extremamente mais eficaz, com o esférico a ser conduzido em direcções concretas para gerar constante superioridade na zona de finalização. Rock and roll com chuteiras.



A realidade do futebol português, demonstrada na última década, pede um modelo assim.
O futebol mais pensado e pausado, de controlo do esférico e do espaço mas com poucos homens a aparecer na zona de definição que marcou os anos de Vitor Pereira e Lopetegui pode funcionar até melhor na Europa - onde a qualidade dos rivais é muito superior e há mil variações tácticas a ter em conta - mas no campeonato português, como Jesus, Villas-Boas, Jardim, Marco Silva e Vitória entenderam perfeitamente - por oposição a Paulo Fonseca, Nuno Espirito Santo e companhia - o que conta em 90% dos jogos não é a posse nem o controlo do jogo desde o dominio do espaço mas sim o sufoco ofensivo de forçar o erro ao contrário ocupando os espaços de finalização e tentanto chegar até lá com o menor tempo de posse possivel para aproveitar a desorganização contrária. Dois avançados sempre móveis na área, extremos que se incorporam, laterais que esticam o campo e interiores com remate, foram marcas das equipas do Benfica e de Villas-Boas e mostraram funcionar perfeitamente para um enquadramento onde a imensa maioria dos rivais joga posicionando os seus homens atrás da linha do meio campo a esperar possíveis contra-ataques. Rendilhar o jogo pode ser desesperante e exige paciência e muito talento, sobretudo individual, para quebrar esses muros. Atacar sucessivamente, de diferentes formas e com muita gente é um modelo que sendo menos controlador, na posse, tem mais opções de levar ao erro do contrário e é um atalho mais rápido para o golo. Conceição, ao contrário de NES, sabe-o perfeitamente dos seus dias no Minho, onde as suas equipas sempre procuravam em momentos de ataque surpreender o rival pela acumulação de efectivos ofensivos mesmo que isso ás vezes também significasse que a equipa ficava partida nos momentos de perda. Com um plantel superior e uma força moral por detrás do escudo do Dragão, tem ficado claro que empurrar os rivais contra as cordas - a sua área - e dedicar-se a aplicar golpe atrás de golpe - remates de todos os enquadramentos, acumulação de jogadores em zonas de finalização - mais tarde ou mais cedo vai provocar um KO. Se Vitor Pereira ou Lopetegui jogavam para ganhar o combate aos pontos, se NES jogava para não perder o combate aos pontos, Conceição joga para o KO. Fazia falta esta lufada de ar fresco.

Há ainda muito trabalho táctico pela frente - um mês de trabalho colectivo não é nada - mas as ideias estão lá e nota-se, sobretudo, que os jogadores entenderam o plano A do treinador (falta por ver se existe e qual é o plano B e C) e que há uma clara sintonia do banco para o campo.
É normal que no início tudo seja amor. Os jogadores querem triunfar e estão, quase sempre, predispostos a abraçar novas ideias se isso significar vencer. Os laços são verdadeiramente testados ao primeiro tropeção, nos dias frios de Inverno ou quando mais tempo de banco signifique menos tempo de jogo para alguns. É aí que a liderança de Conceição será realmente testada mas até agora as impressões são claramente afirmativas. No discurso, na atitude no banco, no trabalho da equipa e na motivação dos jogadores.
A recuperação de Aboubakar - que complemente a Soares e Brahimi melhor do que André Silva, que sendo melhor jogador e avançado não tem a presença física do camaronês, que abre outras modalidades de jogo a ser exploradas - é um dos seus primeiros grandes méritos e não foi necessário afastar um Brahimi que é sempre determinante, durante uns meses, para mostrar quem manda. Conceição sabe que não há dinheiro para reforços (mas para as comissões de Vaná, seguramente sobra algo quando o que sobra realmente é o jogador, como Conceição tem deixado claro ao manter José Sá como número 2 de Casillas) e fez dos descartados Hernani, Marega, Aboubakar e Ricardo Pereira apostas seguras em distintos momentos. Não tem havido demasiado espaço para as afirmações da formação. Rafa sofre com o overbooking á esquerda de Alex e Layun (se há necessidade de vender, realmente, esta é a oportunidade de ouro para que um deles saía) e a Dalot passa-lhe o mesmo à direita onde Maxi deixou claro já que será importante para o balneário mas que em campo não oferece o mesmo que Ricardo. Conceição, melhor do que ninguém, uma vez que também foi lateral e extremo, sabe o que sacar do jogador e o futebolista tem demonstrado que é dificil encontrar um lateral ofensivo melhor que ele na ala direita em Portugal. A sua amplitude ofensiva tem-se revelado fundamental para o apoio a Corona e a possibilidade de o utilizar à frente do próprio Maxi revela bem a fartura de opções para as alas que Conceição vai procurar utilizar (Brahimi, Ricardo, Hernani, Corona e o próprio Layun, sem esquecer Otávio) ao largo da temporada.
No ataque a dupla Aboubakar-Soares é uma certeza já e ainda que seja dificil imaginar que Marega possa causar o mesmo impacto, estando em campo - e Rui Pedro continua a ter escassos minutos para provar o seu real valor - não seria de surpreender que não venha mesmo mais nenhum reforço, pelo menos até Janeiro. Se o ritmo goleador se mantiver - e com Conceição o positivo é que com tantos jogadores em zona de finalização vamos ver futebolistas pouco habituais na lista dos marcadores - pode até ser que não faça falta.

O que sim vai ser curioso ver é a conjugação dos nomes do miolo.
O modelo de pressão alta de Sérgio Conceição parte de um 4-1-3-2 em posse, onde os extremos fecham as laterais formando um losango na perda da bola, o que obriga um maior sacrificio de Corona e Brahimi. Em principio há poucas dúvidas que os vértices serão entregues a Danilo e Oliver. São os melhores jogadores para as respectivas posições. No caso do internacional luso nota-se que chega tarde e que precisa de recuperar o tom físico e beber das ideias do técnico mas tem valia suficiente para se fazer com um lugar que, curiosamente, teria assentado como uma luva no modelo de jogo de Ruben Neves, em que o pivot defensivo não é apenas um polvo mas tem a responsabilidade dupla de iniciar a criação da jogada - algo que Neves fazia melhor que Danilo - e também muitas vezes aparecer à entrada da área em posição de remate ou de último passe - algo que Neves também fazia melhor que Danilo. A ajuda constante dos laterais em posição de posse e a pressão uns metros mais acima do habitual com NES, com a linha de quatro da frente a exercer o primeiro bloco de pressão, liberta muito das funções do pivot defensivo o seu trabalho de estar em todas partes e isso tem-se feito notar. Talvez por isso SC tenha igualmente tentado colocar André André ou Herrera nessa posição mas a qualidade do passe de ambos faz-se notar demasiado tanto na saída da bola no início da jogada como no momento final da conclusão. Servem para correr e ocupar espaço, colaborar na pressão, mas Conceição pede mais ao "6" do que isso, ao contrário do modelo primário de NES. E no plantel, actualmente, ninguém pode oferecer essa função. No outro lado está Oliver, mais completo que Otávio em tudo, com essa pausa chave para permitir que as restantes peças do tabuleiro se mexam e com essa facilidade do primeiro toque que desbloqueia situações de um para um e gera superioridade. Será fundamental no modelo de Conceição, um autêntico Deco que muitas vezes seja liberto da pressão pela ajuda de um dos avançados para depois receber em recuperação a bola em melhor posição e aplicar a sua magia. Nenhum modelo de jogo favorece mais as suas características de uma forma pro-activa que este. Terá de o aproveitar.



Sem embandeirar em arco - afinal de contas, o FC Porto sabe que parte para mais um campeonato que não se joga só em campo e onde ser muito competente pode não ser suficiente - as melhorias são evidentes. Com menos Conceição tem feito mais do que os seus últimos predecessores e resta agora saber se esse mais será capaz de o fazer em jogos a doer e contra rivais de caracteristicas distintas. O processo de crescimento é acumulativo e a equipa, como um todo, terá de evoluir com as novas ideias do técnico mas no Dragão respira-se já outro ar. Esperam-se jogos mais verticais, mais espectaculares - talvez mais sofridos também em alguns momentos de organização defensiva onde Casillas e a frieza Marcano-Filipe serão chave, como tem sido hábito - e um FC Porto sobretudo mais pro-activo á procura de resolver cedo o marcador e de ampliar cedo o resultado a margens confortáveis de gestão de espaços para aplicar depois a sua velocidade com o decorrer do encontro. Salvas as distâncias - até porque não há Hulk, Falcao, Moutinho, James ou Belluschi - este é o modelo mais similar ao visto na época de AVB e todos sabemos como isso resultou. Na altura Pinto da Costa fez precisamente referência a que um treinador com esse talento tinha de ganhar sim ou sim de forma espectacular. Conceição tem a ideia de jogo e o modelo mas não tem o mesmo plantel. Será capaz de por o Dragão a dançar ao ritmo frenético das suas guitarras eléctricas?

sábado, 21 de janeiro de 2017

Com cabeça


Antes do mais, uma nota sobre Carlos Alberto Silva. Um treinador que não teve um grande número de fãs aquando da sua passagem pelo FCP, pese embora um registo vitorioso de dois campeonatos em outras tantas épocas. Mas o seu mérito esteve nisso mesmo: nunca levantou grandes paixões pró ou contra. Aproveitou bem o trabalho que vinha de trás e nunca foi um técnico de grandes revoluções ou invenções. Foi esse o seu segredo. Muitas vezes, evitar grandes mexidas no que já está bem, demonstra apenas inteligência.

Quanto ao jogo, mais um grande sofrimento até praticamente ao fim. Jogos tranquilos são cada vez mais uma raridade. Tal como o Chaves, também o Rio Ave terá feito uma das suas melhores exibições de sempre no nosso estádio. Tiveram, inclusive, uma posse de bola superior à nossa. Verdadeiramente inédito. Há clubes a crescer a olhos vistos na Liga Portuguesa. Nem tudo se resume à nossa pouca eficácia. Há algo de novo a acontecer no nosso futebol.

E por falar em crescimento: mas que exibição gigantesca de Danilo. Como aqui já foi escrito, é o nosso jogador que mais tem evoluído. Que saudades de ver um "trinco" a fazer mais do que apenas defender. E mesmo no aspecto defensivo tem, ultimamente, batido aos pontos os anteriores ocupantes do cargo.
Logo após o nosso campeão europeu, tivemos hoje também direito a um Alex Telles vintage. A sua melhor exibição desde que cá chegou. Que assim continue.
No sentido contrário, o grande jogador que é Layún teve um regresso completamente desastrado (e o penalty, desta vez, é mesmo penalty).
A sua longa ausência pode não explicar tudo. Precisamos com urgência que volte aos seus melhores dias, até porque a dupla Telles-Layún parece ser mesmo a melhor escolha para as laterais.

Esteve bem NES ao retirá-lo do jogo. Até poderia tê-lo feito mais cedo.
Aliás, nesta partida, o nosso técnico esteve bem nas três substituições. Todas elas fizeram sentido.
Poderia até ter voltado atrás na entrada de Rui Pedro já que o 2-2 surgiu imediatamente antes. Não o fez (talvez já não fosse a tempo) e isso deu um sinal positivo a todos: hoje era para atacar com tudo.
Igualmente inteligente a entrada de João Carlos Teixeira: é com jogadores destes, que seguram a bola, que se controlam resultados favoráveis e não com aqueles outros mais defensivos. O segredo é ter a posse de bola. O adversário, não a tendo, não pode causar perigo.

Por fim, houve também "estrelinha". Finalmente tivemos direito a ela depois de jogos e jogos em que a sorte nada quis connosco. O Rio Ave teve duas chances seguidas para o 3-3 e nós, na jogada seguinte, matámos o jogo.

Por falar em "estrelinha", esta nossa vitória teve algo de slb na forma como foi conseguida. Principalmente na forma como recuperámos rapidamente a vantagem no marcador. Do 1-2 ao 3-2 passaram-se apenas 14 minutos. Coisa habitual pelas bandas de Lisboa mas raríssima no nosso caso. A diferença é que nós o conseguimos sem apoios externos. O golo de Felipe vai ser tema de conversa mas este está apenas milimetricamente em posição de fora-de-jogo. Em caso de dúvida, deve-se beneficiar sempre quem ataca. Aconteça isso na Luz ou no Dragão.

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Euro para dois


São dois apenas os jogadores do FCP que irão estar presentes nesta décima quinta edição do certame europeu de nações, que amanhã se inicia. Menos do que o slb (3) e também menos que o scp (4). Sinais dos tempos.

E o que podemos esperar de Casillas e Danilo? Bem, antes do mais, ambos não têm a titularidade assegurada e, por isso, até poderão ser actores secundários nas respectivas selecções. A parte positiva é que, caso consigam um lugar no primeiro "11", ambos poderão manter o lugar por mais alguns jogos dado que Espanha e, principalmente, Portugal estão em grupos relativamente fáceis e, logo, não será de esperar grandes sobressaltos, pelo menos nesta fase inicial de grupos onde, verdade seja dita, é quase impossível, a uma qualquer selecção de relevo, não obter a classificação para a fase a eliminar.

Casillas, vindo de uma época irregular, poderá ter aqui o seu último grande torneio com a camisola do seu país. David de Gea, não tendo, também ele, tido uma grande temporada, esteve, no entanto, a um nível superior. Será mais um clássico dilema entre história versus momento presente.

Danilo, ainda muito novo nestas andanças, foi dos raros jogadores portistas elogiados na época que agora terminou. Demonstrou, porém, uma tendência para cometer faltas em zonas perigosas e na comparação, talvez injusta é um facto, com Casemiro, fica claramente a perder. No jogo de Wembley demonstrou ainda uma certa lentidão de reflexos que a este nível poderão pagar-se caro.

E quanto a Portugal? Bem, após (mais) uma época demasiado longa para os grandes jogadores, o nível de cansaço das grandes selecções, poderá originar uma surpresa do género da Dinamarca em 1992 ou da Grécia em 2004.
Ora, havendo lugar a essa surpresa, ou seja não ganhando uma das favoritas (França, Alemanha, Espanha e Itália), a selecção nacional, que se encontra numa segunda-linha, poderá ter uma palavra a dizer.
Aliás, quem tem Ronaldo, nem sequer poderá falar de uma grande surpresa mas, digamos, apenas meia...

Contudo não se espera que este seja um Euro para recordar em termos de qualidade.
Será, provavelmente, semelhante ao Brasil 2014: muita parra na fase de grupos (onde os "pequenos" aproveitarão uma maior frescura física para fazer umas "flores") e, depois, um arrastar penoso até ao jogo da final, quando os "grandes" ficarem sozinhos em palco.

Neste contexto, o factor-casa terá um peso ainda mais importante. A França não falhou quando organizou em 1984 e 1998...


domingo, 15 de novembro de 2015

Os sucessores de Danilo e Alex Sandro

Danilo e Alex Sandro foram duas contratações em que a FC Porto SAD investiu quase 30 milhões (uma "loucura", para os padrões do futebol português) mas, nos anos que passaram no Porto, cresceram como jogadores, tiveram um muito bom desempenho futebolístico, valorizaram-se e, ao serem transferidos para dois colossos europeus, renderam bom dinheiro (mais-valias) à SAD portista.

Apesar do significativo encaixe financeiro efectuado pela FC Porto SAD, as saídas dos dois laterais brasileiros (titulares indiscutíveis nos últimos três anos), ainda por cima simultâneas, causaram apreensão entre os adeptos, devido à grande influência que ambos tinham nas acções defensivas e ofensivas da equipa.

O peso de Danilo e Alex Sandro na UCL 2014/15 (fonte: GoalPoint)

Bem, após os primeiros três meses da época 2015/2016, penso que já se pode dizer que os piores receios eram infundados.
E porquê?
Porque a SAD conseguiu arranjar dois jogadores – Maxi Pereira e Miguel Layún – que, em termos de rendimento dentro do campo, superaram as expectativas (pelo menos as minhas).

Ora, se custa a crer como é que o SLB deixou sair Maxi Pereira para um rival (e a custo zero!), ainda é mais incrível como é que um jogador com o rendimento de Layún andava “escondido” no Watford.

Golos e assistências de Maxi e Layún (fonte: O JOGO, 12-11-2015)

Olhando para o desempenho que os dois novos laterais dos dragões tiveram na generalidade dos jogos já disputados, parece-me claro que não será por causa da “troca” de Danilo por Maxi e menos ainda de Alex Sandro por Miguel Layún, que o FC Porto 2015/2016 é (será) mais fraco que o FC Porto 2014/2015.

sábado, 22 de agosto de 2015

A colheita de 1991



«Mesmo tendo saído do FC Porto há duas temporadas, o argentino Nicolás Otamendi continua a render dinheiro aos dragões. Com a transferência confirmada esta quinta-feira, a equipa da Invicta encaixará 225 mil euros ao abrigo do mecanismo de solidariedade da FIFA, correspondentes a 0,5% do valor total da transação entre Valencia e Manchester City, feita por 45 milhões de euros. Estes 0,5 % referem-se à derradeira época de formação do defesa argentino, quando este cumpriu 23 anos.»
in record.pt, 20-08-2015


O que é isto do mecanismo de solidariedade?

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MECANISMO DE SOLIDARIEDADE

Artigo 1º - Contribuição de Solidariedade
Se um Profissional mudar de clube no decurso de um contrato, 5% do valor de qualquer compensação, à excepção da Compensação por Formação, paga ao Clube Anterior será deduzida ao valor total da compensação e distribuída pelo Novo Clube, como contribuição de solidariedade, aos clubes envolvidos na formação e educação do jogador ao longo dos anos. Esta contribuição de solidariedade será distribuída de acordo com o número de anos (calculado numa base percentual se for menos de um ano) que o jogador esteve inscrito em cada clube entre as Épocas do seu 12º e 23º aniversário, do seguinte modo:
- Época do 12º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 13º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 14º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 15º aniversário, 0,25% da compensação total
- Época do 16º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 17º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 18º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 19º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 20º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 21º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 22º aniversário, 0,5% da compensação total
- Época do 23º aniversário, 0,5% da compensação total

Artigo 2º - Procedimento de Pagamento
1. O Novo Clube deve pagar a contribuição de solidariedade ao(s) clube(s) formador(es), em conformidade com as disposições acima estabelecidas, o mais tardar no prazo de 30 dias após a inscrição do jogador ou, em caso de pagamentos parcelares, 30 dias após a data de tais pagamentos.

Fonte: FPF

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Há um ano atrás, a comunicação social referiu que o FC Porto também lucrou com a transferência milionária de James Rodrigues para Madrid.
E porquê?
James esteve três épocas no Porto, entre os 19 e os 21 anos, o que significa que o FC Porto teve direito a 1,5 por cento do valor pago pelo Real Madrid ao AS Monaco (cerca de 1,1 milhões de euros).

No futuro, para além de James, há mais três jogadores que, tendo passado pelo FC Porto e rendido aos cofres da SAD largas dezenas de milhões de euros, ainda poderão proporcionar mais uns “trocados”: são eles Mangala, Danilo e Alex Sandro.

Estes quatro jogadores têm em comum terem nascido em 1991, chegado ao Porto com 19/20 anos e saído após completarem o ciclo normal de 3 ou 4 anos. Ou seja, em termos do mecanismo de solidariedade, qualquer um destes quatro jogadores proporcionará à FC Porto SAD 1,5% de uma eventual transferência futura.

Ora, atendendo ao seu (indiscutível) valor e idade atual (24 anos), eu diria que a probabilidade de novas transferências, envolvendo estes quatro jogadores, é bastante elevada.

Onze inicial do FC Porto na deslocação a Braga (época 2012/2013)

Rica colheita, esta de 1991.

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

Rendimento desportivo e financeiro

Por razões que são de todos conhecidas, há muito que se sabia que Jackson, Danilo e Alex Sandro iriam sair do FC Porto ou, pelo menos, que a probabilidade de saírem, após o final da época 2014/2015, era muito elevada.

Jackson esteve mesmo para sair há um ano atrás e só um conjunto de medidas - a renegociação do contrato, o abaixamento da cláusula de rescisão de 40 para 35 milhões e a oferta de 5% do passe ao jogador/empresário - o conseguiram segurar mais um ano no Porto.

Neste contexto, a minha opinião sobre a forma como a FC Porto SAD conduziu as negociações para a transferência de Jackson é muito semelhante à que o Miguel Lourenço Pereira expressou num artigo que publicou em 28 de junho passado.

«O Atlético fez uma proposta à SAD do FC Porto que foi recusada inicialmente. Pinto da Costa fez saber que estava tudo tratado com o Milan. O Atlético não dava mais de 30 milhões a princípio (…). A SAD do FC Porto fez saber que não estava interessada e defendeu os interesses do clube. Como tinham de o ter feito e bem. (…) Não há nada, absolutamente nada a apontar à gestão da SAD neste caso, mas será curioso ver como a história se desenvolve nos próximos capítulos.»

E como é que a história se desenvolveu?
De acordo com o que veio a público (veremos o que irá constar do Relatório e Contas), Pinto da Costa não cedeu às pretensões iniciais do Atlético Madrid e os colchoneros terão mesmo pago os 35 milhões de euros.
Notável!
E mais ainda, se atendermos a que Jackson não é titular indiscutível da sua selecção e está a pouco mais de um mês de completar 29 anos.

Quanto a Danilo e Alex Sandro, tendo ambos recusado (naturalmente) as propostas de renovação que o FC Porto lhes fez, se a sua saída não fosse negociada pela SAD, seriam jogadores livres a partir de 1 de Janeiro de 2016 (daqui a pouco mais de 4 meses).

Neste contexto, considero a venda de Danilo por 31,5 milhões e a pré-anunciada venda de Alex Sandro por 25 milhões, (mais) duas extraordinárias vendas feitas pela FC Porto SAD.


Aliás, sobre o negócio de Danilo, reproduzo parte do texto que o Miguel Lourenço Pereira escreveu, num artigo que publicou em 1 de Abril, e no qual me revejo.

«O negócio é excelente a todos os níveis. São 31,5 milhões de euros (35 por objectivos), sem jogadores ao barulho e com o contrato do jogador a acabar. Um golpe de génio (o enésimo) de Pinto da Costa e da SAD nas mesas de negociação que superam bastante as expectativas daquele que foi um dos nossos maiores negócios de risco dos últimos tempos. (…) Pinto da Costa e a sua equipa fizeram o que tinham de fazer. Tentaram renovar com o jogador e depois deste recusar souberam manejar bem os tempos e expectativas para conseguir um negócio que é imelhorável. Ninguém a não ser PdC e a SAD sacariam tanto por um jogador que daqui a nove meses podia negociar sair a zero. Absolutamente ninguém.»

Quanto ao Alex Sandro, à hora a que escrevo este artigo, ainda não há comunicado enviado à CMVM, nem eu conheço os números finais, mas parece-me absolutamente normal que saia por um valor inferior ao de Danilo (que é “só” o atual lateral-direito da seleção brasileira).

Contudo, a confirmarem-se os 25 milhões de euros, é largamente batido o valor por que foram vendidos outros laterais-esquerdos no pós-Gelsenkirchen – Nuno Valente, Álvaro Pereira e Cissokho (cuja contratação/regresso, como é óbvio, não foi obra do acaso).

Danilo: 31,5 milhões de euros
Jackson: 35 milhões de euros
Alex Sandro: 25 (?) milhões de euros

Três jogadores, mais de 90 milhões de euros. É obra!


P.S. Acerca de cláusulas de rescisão, ou valores de hipotéticas propostas recusadas, não valorizo o que disse, ou diz, o Presidente da FC Porto SAD. Tudo isso, como é óbvio, faz parte dos processos de negociação, em que as várias Partes envolvidas enviam alguns “recados” e tentam reforçar a respectiva posição.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

(nem) Sempre Presentes

O Ballspiel-Verein Borussia 1909 e.V. Dortmund, mais conhecido por Borussia Dortmund, ou pelo acrónimo BVB, foi fundado em 1909 e é um dos grandes clubes da Alemanha.

Juntamente com o Bayern Munique, o Borussia Dortmund é o único clube alemão que já conquistou a UEFA Champions League (em 1996/97), tendo também sido finalista desta mesma competição em 2012/2013. E, para além da presença em várias finais de provas internacionais, o BVB conta ainda com uma Taça das Taças (em 1965/66) e uma Taça Intercontinental (em 1996/97).

A nível interno, o Borussia Dortmund tem no seu palmarés 8 campeonatos, 3 taças da Alemanha e 5 supertaças.

Sendo certo que, em termos financeiros, o Borussia Dortmund não está ao nível do colosso da Baviera (quantos clubes europeus estão ao nível do Bayern Munique?), também não se pode dizer que seja um clube remediado, bem pelo contrário.
Ocupa a 11ª posição da última edição da Deloitte Football Money League, correspondente à época 2013/2014, época em que o Borussia Dortmund teve receitas (sem contar com transferências) de 261,5 milhões de euros! (é o 2º clube alemão com mais receitas, a seguir ao Bayern)

Nas últimas quatro épocas, o BVB foi duas vezes campeão da Alemanha (2010/2011 e 2011/2012) e duas vezes vice-campeão (2012/2013 e 2013/2014), mas esta época foi uma quase calamidade. Depois de andar várias jornadas pelos últimos lugares do campeonato alemão, o Borussia ganhou o derradeiro jogo em casa e terminou a Bundesliga no… 7º lugar!!
Em consequência das 13 vitórias, 7 empates e 14 derrotas (!!!), o Borussia Dortmund ficou a 33 pontos do Bayern (e que facilmente teriam sido mais de 40, se a equipa de Munique não tivesse entrado em modo férias, após se ter sagrado campeã a cinco jornadas do fim).

E na Liga dos Campeões a coisa também não foi brilhante. Nos Oitavos-de-final, o Borussia foi a Turim perder por 1-2 e, na 2ª mão, quando lhe bastava ganhar por 1-0 para seguir em frente, foi goleado em casa pela Juventus por 0-3. Duas derrotas e 1-5 em golos!

Pois bem, apesar da época ter sido muito má, os adeptos nunca abandonaram a equipa e, nos jogos em casa, nunca deixaram as bancadas do imponente Westfalenstadion (mais de 80 mil lugares) vazias ou semi-vazias, bem pelo contrário.

No último jogo, foi assim que os ADEPTOS do Borussia Dortmund se despediram dos jogadores e, particularmente, se despediram do treinador Jürgen Klopp.

Adeptos do Borussia Dortmund no último jogo da Bundesliga 2014/2015

E foi assim (ver vídeo), que os ADEPTOS do emblemático “muro amarelo” do Westfalenstadion resolveram homenagear o treinador Jürgen Klopp, antes do início do encontro com o Werder Bremen.

Em contraponto, na última jornada do campeonato português, ao intervalo do FC Porto x Penafiel, foi anunciado que estavam 16009 espectadores no Estádio do Dragão. Uma assistência digna de um jogo da… Taça da Liga!

E, protestos à parte dos adeptos durante o jogo, cuja legitimidade eu não contesto (embora não concorde com o tom e conteúdo de algumas das mensagens), foram muito poucos aqueles que fizeram questão de ficar até ao final do derradeiro jogo em casa dos dragões para, pelo menos, se despedirem de jogadores como Danilo e (provavelmente) Jackson.

Despedida triste de Danilo e, provavelmente, também de Jackson

São dois jogadores de top internacional, dois campeões, dois atletas que honraram a camisola do FC Porto e, penso, mereciam uma despedida diferente por parte dos adeptos portistas, que não terão outra oportunidade para se despedirem deles.

É, também, nestes momentos e nestes “pormenores”, que se vê a grandeza de um clube e a força dos seus adeptos.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Suspensão FIFA, um novo jogo a que temos de estar atentos


Muitos não deram crédito quando saíram as primeiras noticias de que o Barcelona ia ser castigado com um ano e meio sem poder contratar jogadores por parte da FIFA. Era o Barça, afinal de tudo, essa equipa que, segundo Mourinho, tinha trato preferencial graças ás suas ligações com a Unicef e o Qatar nos corredores do poder. O todo poderoso Barcelona - que nesse Verão tinha contratado a vários futebolistas, incluindo o genial Luis Suarez, via-se agora vetado a ano e meio sem actividade no mercado por culpa da contratação ilegal de vários adolescentes dos quatro cantos do Mundo para a sua cantera. Ninguém podia acreditar, todos pensavam que era uma jogada mediática, dessas em que o clube é castigado e logo perdoado, mas ai temos os blaugrana vetados oficialmente até ao dia 1 de Janeiro de 2016. Parecia caso único mas não era.

A imprensa radiofónica espanhola começou ontem a notificar nos programas desportivos nocturnos que a mesma sanção iria ser aplicada tanto ao Real como ao Atlético de Madrid. Uma vez mais a forma como os clubes assinavam com menores, falseavam documentação, procuravam o acordo dos pais (a FIFA exige que a família viva com o jogador no seu novo local de treino, por exemplo) quando na realidade tudo não passava de uma ficção para "inglês ver" é o motivo oficial por detrás desta sanção. Os mais dados ás teorias da conspiração falam no interesse do Real Madrid em prejudicar o Barcelona e a pressão do Barcelona, à posteriori, para devolver a moeda. Há também quem diga que atrás desta medida estão os poderosos qataris, interessados em congelar o absorvente mercado espanhol, para evitar o fluxo de estrelas para "La Liga" e com isso manter campeonatos como o francês com algumas das estrelas. Tudo rumores, tudo suspeitas, tudo teorias. É certo que a FIFA e a UEFA vivem uma guerra surda pelo poder, mas isso sempre passou. Ferir de morte a dois grandes clubes da UEFA é ferir Platini e o seu projecto ambicioso de derrocar Blatter mas, ironicamente, o mais prejudicado neste jogo é o melhor aliado de Blatter na UEFA, o espanhol Angel Maria Villar (que alguns vêm como seu sucessor putativo num eventual duelo com "Platoche". Guerras de tronos que em principio diriam pouco a um clube como o FC Porto mas que podem dizer muito.

Em primeiro lugar, se a suspensão for confirmada, é certo que Oliver Torres não vai voltar ao clube na próxima época. 
Sem poder assinar com novos jogadores o plantel do Atlético de Madrid vai necessitar forçosamente de ter todos os seus activos de valor consigo e Oliver é um deles. Sofreria, jogaria menos do que merecia mas nenhum gestor com cabeça o deixaria sair se não houvesse alternativa. O problema não estaria apenas em Oliver. Caso o FCP insistisse em continuar a procurar novos empréstimos no futebol espanhol, uma sanção deste estilo levaria o clube a encontrar-se com um problema de disponibilidade já que nem Barcelona nem Real Madrid - e muito menos o Atlético - teriam jogadores livres para dispensar. O Real já mostrou intenção de recuperar Casemiro e pensava seriamente na opção de emprestar ao FC Porto Lucas Silva ou Odegaard para o próximo ano para repetir a operação de rentabilização (nem Keylor Navas nem Illarramendi estão neste pack) mas com esta sanção é altamente improvável que o faça. O mesmo sucede com o Barcelona, clube a quem o FC Porto cobiça o empréstimo de dois futebolistas, Gerard Deulofeu e Sergi Robert, em moldes parecidos ao negócio Tello. São casos que estão oficialmente em standby até porque o Barcelona continua oficialmente a recorrer da sua sanção para desbloquear a situação.

Outro ponto importante é o caso Danilo.
Danilo está oficialmente vendido ao Real Madrid. Mas se a suspensão do Real Madrid se oficializar antes do dia 1 de Julho - como é provável - e não houver recurso que lhes valha, Danilo não pode ser inscrito. A suspensão não proíbe os clubes de contratar o deter passes de novos jogadores o que impede é a sua utilização através da inscrição na liga. Portanto o Real teria pago mais de 35 milhões de euros por um jogador que não poderia, a todos os efeitos, utilizar durante um ano completo. 
Esse cenário é complexo. 
Como não conhecemos os detalhes do negócio não sabemos se o Real guardou alguma clausula em que podia cancelar o negócio caso este cenário se desse. Afinal todos sabiam já desde 2014 que o Real estava no ponto de mira da FIFA por queixas formais do Barcelona e isso apressou também a contratação de Asensi, extremo do Mallorca muito prometedor, e de Odegaard, inscritos oficialmente em Dezembro e portanto já parte do clube tal como Lucas Silva que chegou á pressa e tem sido escassamente utilizado o que diz muito do interesse real do Ancelotti em tê-lo já ás suas ordens. Também Javier Hernandez foi emprestado e esse empréstimo pode ser prolongado um ano mais já que, ao estar inscrito, está ao abrigo da suspensão. Mas Danilo não.
Danilo foi contratado - paga a primeira tranche - mas oficialmente é ainda um jogador inscrito pelo FC Porto e se o Real não o conseguir inscrever, é um activo seu mas na prateleira. 
Uma vez mais reforçamos, não sabemos se há alguma clausula no negócio de Danilo que permita ao Real cancelar tudo ou se, pelo contrário, se abriu uma hipótese de Danilo ficar um ano emprestado, até caducar a suspensão, e depois ser oficialmente inscrito pelo Real Madrid. O curioso é que o próprio Danilo descartou o Barcelona - onde joga um dos seus melhores amigos, Neymar - porque não queria esperar até Janeiro de 2016 (e porque o Barcelona exigia ao FCP não inscrever o jogador na Champions League para poder utiliza-lo na segunda fase). Seria irónico que, depois disso, lhe passe o mesmo.  

No final tudo pode ficar em águas de bacalhau.


Dia 29 de Maio há uma eleição para a presidência da FIFA. Sepp Blatter vai ganhar, todos o dão já por assumido por muito que Luís Figo sonhe com um cargo numa candidatura suportada pelos Fundos de Investimento e os poderes mediáticos atrás da máquina Mendes que querem um futebol com menos regulação e mais dinheiro para todos. Uma vitória de Blatter é, habitualmente, seguida de uma amnistia geral e esse perdão pode desbloquear a situação. De certo modo é um teste á fidelidade de Villar e dos grandes clubes europeus, uma prova da FIFA de que são eles quem manda de verdade e não a UEFA e que quando seja preciso apertar, eles não vão hesitar um só segundo. Pode ser. Ou pode também isto significar novas regras no jogo, um cuidado extremo numa realidade que nos afecta. Não só porque, cada vez mais, clubes como o FCP têm de procurar na sua formação (e na contratação de talentos para a formação) o seu sustento como a punição de clubes com grande poder de inversão pode bloquear o mercado e com esse movimento colocar em risco muitos orçamentos de contas para clubes que, como nós, vivem no limite. Até ao Verão ainda falta muito tempo para dar algo por garantido mas o FCP deve tomar nota de tudo o que se passe porque cada detalhe é fundamental para perceber para que mundo o futebol caminha. 

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Danilócio

O FC Porto e o Real Madrid confirmaram oficialmente que Danilo será jogador merengue nos próximos anos. O negócio é excelente a todos os niveis. São 31,5 milhões de euros (35 por objectivos), sem jogadores ao barulho e com o contrato do jogador a acabar. Um golpe de génio (o enésimo) de Pinto da Costa e da SAD nas mesas de negociação que superam bastante as expectativas daquele que foi um dos nossos maiores negocios de risco dos últimos tempos.

Danilo foi um negócio limite. Para não se repetir nunca mais.
Muito menos na situação limite em que se encontra o clube, muito menos na situação de controlo de gastos em que se encontra o mercado. Temos os melhores negociadores do Mundo mas nem Pinto da Costa é eterno nem sempre teremos a sorte de haver um Real Madrid (ou um Monaco) capaz de colocar sobre a mesa valores tão altos.
O FC Porto esteve numa situação de risco. Podia ter corrido mal, muito mal.
O jogador terminava contrato em Junho do próximo ano com uma cláusula de 50 milhões que era irreal. Não quería renovar. O clube insistiu. Uma, duas e três vezes .Uma boa oferta com o objectivo de garantir a melhor venda possível sempre deixando claro ao jogador que não lhe iam “cortar as pernas”. O que se conseguiu com Fernando não se conseguiu com Danilo. O jogador recusou sempre. Sabia do interesse do Real Madrid, do Barcelona e do Manchester United. O clube inglês foi rápidamente descartado. Danilo tem uma boa amizade com Anderson que não lhe falou especialmente bem do clube. Já o Barça era diferente. Aí estava um dos seus melhores amigos, excolega do Santos, Neymar, que intercedeu por ele. Mas a proibição de contratar até Janeiro de 2016 era um entrave. O Barcelona fez uma boa proposta ao FC Porto que rondava os 25 milhoes de euros mais um desconto no preço final por Tello mas que incluia uma cláusula que impedia o clube de usar o lateral na primeira fase da Champions para que em Janeiro – quando se desse a transferência – o pudessem inscrever para a segunda fase. O clube não quis entrar nesse jogo, o jogador também não parecía muito interesado. Apareceu então o Real Madrid e tudo mudou.
Os merengues abordaram o jogador antes, pressionaram-no a não renovar com o FC Porto em troca de um contrato substancialmente melhor do que oferecia o Barcelona. Com esse ás na manga apareceram para negociar. A principio queriam incluir jogadores no negócio, outros empréstimos como o de Casemiro (que nunca esteve na equação e regressa a Madrid este Verão). Mas aí apareceu o melhor lado de Pinto da Costa. Manteve-se firme na sua posição e saiu a ganhar. Concretamente a ganhar 31,5 milhões de euros que podem chegar aos 35 milhões dependendo dos objectivos. O lateral direito mais rentável da história do clube, por cima de Paulo Ferreira. Entrou directamente para o nosso top 5 de vendas atrás de Hulk, James, Falcão e Mangala e empatado com Anderson. Absolutamente tremendo.



Vender Danilo era uma inevitabilidade. A SAD não podía ter feito melhor.
O grande erro foi no preço que se pagou pela sua contratação (aplicável a Alex Sandro que está na mesma situação, contrato a terminar, recusa em renovar, com o Atlético de Madrid atrás a soprar-lhe ao ouvido os mesmos cantos de sereia) e que reduziu muito a margen de lucro, que é daquilo que vive a SAD. Entre os 18 milhões que custou naquele negócio “By BMG” (foram 13 milhões pelo passe e 5 por encargos a outros), os salarios pagos, Danilo foi um jogador demasiado caro para a nossa realidade. Desportivamente só rendeu verdadeiramente a um grande nivel nesta temporada. No ano pasado sofreu (como todos) o desnorte colectivo mas parecía estar mais estagnado do que o seu colega do lado esquerdo (agora parece o oposto). A chegada á selecção brasileira ajudou-o a manter no escaparate mas o óptimo ano na Champions e as boas relações entre Lopetegui e o Real Madrid, com quem seguramente partilharam informações, ajudaram os merengues a pagar esta exorbitancia para um jogador que vai competir com Dani Carvajal pela titularidade.
Neste cenário Pinto da Costa e a sua equipa fizeram o que tinham de fazer. Tentaram renovar com o jogador e depois deste recusar souberam manejar bem os tempos e expectativas para conseguir um negócio que é imelhorável. Ninguém a não ser PdC e a SAD sacariam tanto por um jogador que daqui a nove meses podía negociar sair a zero. Absolutamente ninguém.
Além do mais este negócio implica dinheiro. Não jogadores.
Face ás deficientes condições das contas azuis-e-brancas era precisamente isso que se exigia. Casemiro não vai ficar (o Real está determinado em que ocupe o lugar de Khedira) e não fazia sentido nenhum incluir outro jogador directamente no negócio. Mas isso não implica que estas negociações não tenham tratado também desse assunto. O Real Madrid gostou do que viu de Lopetegui e do trabalho com Casemiro e tem bastante interesse em repetir a fórmula. Tem jogadores para “rodar” e o Porto parece um destino apetecivel. Há varios nomes na mesa. O médio Lucas Silva (recém-chegado do Brasil), o norueguês Odegaard, ainda um adolescente para a primeira equipa que será seguramente emprestado caso o Castilla não suba de divisão (tal como está agora) ou o vasco Illarramendi são os melhores exemplos. E há ainda Keylor Navas. Investimento caro, impacto desportivo nulo, o clube prepara-se para livrar-se dele. O jogador que ser titular, o Real não está pelos ajustes e já arranjou, também por empréstimo, um segundo guarda-redes para o próximo ano, o argentino Batalla. Todos esses nomes estiveram asociados ao negócio Danilo. Os três primeiros com o mesmo modelo de Casemiro, Navas como venda directa para abater o preço. Pinto da Costa, como só ele sabe, não caiu no truque. Mas isso não fechas todas as portas. Voltaremos a este assunto.



Danilo foi um jogador difícil de digerir ao principio pelo que custou e pelo pouco que rendeu no seu primeiro ano e meio. A sua evolução com Lopetegui foi excelente e vai ser difícil substitui-lo. Será, seguramente, um dos melhores laterais da sua geração. No entanto era um negócio inevitável por varios motivos, sobretudo pelo fim de contrato que se aproximava e pela nossa perene necessidade de cash flow. Com a prometida saida de Jackson, o dinheiro encaixado pela performance na Champions e esta venda, o clube cobre praticamente tudo aquilo que esperava receber este ano, o que é bom sinal. Não significa que não saia mais ninguém, não significa que parte do dinheiro de Danilo vá directamente para comprar o passe de Tello, por exemplo. Mas ajuda a respirar melhor. Para o seu lugar o plantel não tem um sucesor directo. Ricardo é o herdeiro potencial mas precisa de mais minutos para confirmar sensações de que poderá fazer-se dono do lugar. Victor Garcia deberá rodar para o ano noutro clube. A não ser que o clube aposte numa dupla Ricardo-Opare (que os turcos do Bessiktas já querem comprar), tudo indica que há que ir ao mercado. Haverá varios nomes sobre a mesa já a serem discutidos. Falaremos disso mais tarde.  Neste momento o importante é o match point conquistado numa batata quente. Uma forma de fazer negocios á Porto onde somos os melhores do Mundo. Como com o vinho, as francesinhas e basicamente tudo o resto. Foi um Danilócio!

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

Sete longos meses sem fins-de-semana



Agora que, salvo algo de monstruoso que ninguém acredita que possa suceder, tudo ficou resolvido, vão ser sete longos meses (até ao início da próxima época) em que, jogos mesmo a sério, só iremos ter dois (ok, quatro se eliminarmos o Basileia e partindo do princípio que temos realmente equipa para discutir uns quartos-de-final de Liga dos Campeões).
Se quisermos ser bondosos, poderemos acrescentar uma eventual final da taça da Liga (a tal que ninguém gostava) a esta pequena lista de jogos minimamente interessantes até ao final de Agosto.
Muito argumentarão que, dada a nossa inacreditável vantagem de apenas um ponto em relação ao scp, os jogos continuarão todos a ser a sério até final. Bem, falar em lutas pelo segundo-lugar soa até ofensivo para um clube com o nosso palmarés nos últimos 30 anos. Por muito aborrecido que seja ter que jogar uma pré-eliminatória para aceder à "Champions", a grande verdade é que ficar em segundo ou terceiro não aquece nem arrefece ninguém.
Na verdade, podemos até evitar falar em "travessias do deserto" mas de uma seca monumental já ninguém nos livra. De repente, nos próximos fins-de-semana, as ligas estrangeiras tornar-se-ão ainda mais cativantes e até as outras modalidades terão um renovado interesse aos nossos olhos.
O mais penoso nisto tudo é que diferença futebolística está longe de estar reflectida nestes largos pontos que nos separam do nosso rival. Habitualmente, tamanho "buraco" traduz uma série de insuficiências de um dos lados, algo que está longe de ser verdade na presente época. Tirando os fanatismos habituais, este slb parece inferior às recentes versões passadas.
Por isso mesmo, não é tarefa fácil explicar estes últimos acontecimentos. Tendo a presente temporada como ponto inicial de análise, existirão obviamente vários erros próprios mas nenhum com tamanho suficiente para que alguém possa acreditar, com toda a convicção, que tudo poderia ter sido diferente.
Mas vamos lá a esses "pormenores" que, não tendo sido decisivos, foram erros que nos deverão servir de lição:
Ghilas é melhor que Adrián, ponto. O primeiro deveria ter ficado e o segundo não deveria ter sido adquirido em mais uma das nossas "confusas" contas com o Atlético Madrid.
Tozé, se é que a equipa B realmente serve para algo, teria também lugar neste plantel. Não existe esse abismo, como muitos acreditam, em relação a Óliver. No fundo, é tudo uma questão de apostas. O espanhol, mesmo vindo emprestado, é aposta assumida desde a primeira hora, já o português foi sempre olhado de lado. E é nesta falta de confiança que muitos se perdem.
Já a saída de Josué, embora num patamar mais debatível, deixou também dúvidas. E deixemos, por agora, a eterna questão-Kelvin para outras núpcias.
Mas, tendo assim o plantel sido escolhido, haveria melhor "11" que aquele habitualmente colocado em campo, excessivas rotações à parte?
Bem, se olharmos com cuidado para os quase 11 meses de titularidade de Fabiano, quantos pontos ou vitórias lhe devemos? Certo que, não havendo Hélton por largos meses, as alternativas eram praticamente nulas. Mas, e agora com o capitão de regresso e em grande forma? Que desculpa pode haver? Que motivação terá, daqui em diante, um jogador a quem for dada uma "oportunidade" na taça da Liga, sabendo ele que nem uma exibição de qualidade máxima lhe abrirá as portas da equipa principal?
Já quanto a Alex Sandro, há mais de ano e meio que joga metade daquilo que rendia quando alcançou a titularidade. Danilo, que até começou bem, parece de regresso ao seu habitual modo de "não te rales muito", que ele sempre acciona quando os resultados deixam de aparecer. 
Mas, lá está, com Ricardo e José Ángel teríamos agora mais pontos? Nenhumas garantias de tal, se quisermos ser absolutamente honestos. 
E quanto ao resto? Bem, Maicon continua a ser Maicon, como aquela oportunidade desperdiçada logo nos minutos iniciais no Funchal nos relembrou. O nosso adversário directo não falharia aquela oportunidade madrugadora para ficar logo em (decisiva) vantagem.
De resto, confirma-se que Casemiro e Tello são úteis mas nada do outro mundo, como a qualidade dos seus clubes de origem poderia fazer crer. Pelo menos, ainda estão num patamar inferior àquele onde se situam Jackson, Brahimi e até mesmo Quaresma. E é este patamar que se exige a quem quer ser titular de longa duração num clube como o nosso.
Por fim, e basta olhar para o seu rosto, Quintero passou de jovem alegre e cheio de potencial para alguém a quem as mordaças tácticas transformaram num jogador apavorado pelo receio de falhar. Bem escondido continua ele pelas extremidades do campo, e isto quando joga. Quem ficou a ganhar com esta sua "domesticação"? Pois, ninguém ao certo saberá responder.
Mas estaria o FCP a discutir, ombro-a-ombro, o primeiro lugar se o atrás descrito tivesse acontecido de outra forma? Provavelmente não, e é isto que mais assusta: do ponto em que se iniciou a presente temporada, não se vislumbra grandes alternativas para um futuro diferente. Isto porque, sem "fundos", os empréstimos vindos dos "grandes" europeus tenderão a aumentar ainda mais e, em termos de liderança, como se tem visto, é cada vez mais difícil arranjar melhor.
Poderemos, então, melhorar em quê, durante estes penosos meses que se avizinham? A nossa obsessão pela posse de bola, ao contrário do que se apregoa, soa a excessiva. Reparemos que o nosso rival abriu o marcador em dois lances de futebol directo nas suas duas últimas saídas (Penafiel e Marítimo). Já nós, nem no último segundo contra um Marítimo, com tudo praticamente perdido, o nosso guarda-redes foi autorizado a avançar para a área contrária, num lance de bola parada.
Na liga portuguesa, exagerar na posse e num futebol "rendilhado", especialmente fora de portas, pode ser contra-produtivo. É uma lição que levamos desta temporada. As nossas habituais e tão elogiadas estatísticas, ao invés de serem motivo para orgulho, podem muito bem ser a mais clara expressão do nosso falhanço. Isto porque as nossas oportunidades reais de golo são em número vergonhoso para tamanho "controlo" das partidas. E o inverso sucede com praticamente todos os adversários que encontramos pela frente: por menos oportunidades que tenham, conseguem sempre criar perigo.
Por último, o factor-sorte. Todos sabemos que esta se conquista e dará mesmo muito trabalho alcançá-la, mas temos que honestamente reconhecer que a sorte, em 2014/15, nada quer connosco. Não que, alguma vez, se a deva usar como principal desculpa.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Provavelmente, o melhor lateral-direito do Mundo

Em 1 de dezembro de 2011, após a divulgação do Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, 1º Trimestre 2011/2012, publiquei um artigo acerca dos valores envolvidos na contratação de Danilo, em que escrevi o seguinte:

«No dia 19 de Julho, pagar 13 milhões de euros por um jovem lateral-direito (que também pode jogar a médio) promissor, mas ainda sem um curriculum assinalável, parecia um balúrdio apenas justificável por, mais uma vez, ter envolvido uma disputa com o SLB. Contudo, os números reais não eram estes, faltavam os “encargos adicionais”...

No negócio Danilo (em que a SAD portista ganhou mais uma corrida à SAD do SLB!), os designados Encargos adicionais (incluem serviços de intermediação, serviços legais, prémios de assinatura de contratos, etc.) perfazem a escandalosa soma de 4.839.131 Euros, atirando o custo total desta aquisição para quase 18 milhões de Euros! (…)

Atendendo aos valores gastos na compra, aos encargos salariais e às comissões que a FC Porto SAD também costuma pagar aquando das vendas, o Danilo terá mesmo de ser um grande craque, de modo a que os “tubarões” europeus abram os cordões à bolsa e a SAD portista não perca dinheiro se e quando o vier a vender daqui a uns anos.»


É sabido que, quando chegou a Portugal, Danilo não tinha cultura da posição e, aliás, gostava pouco de jogar a lateral-direito (preferia jogar a médio interior, como se diz no Brasil). Quer Vítor Pereira, quer o próprio Danilo já falaram nisto várias vezes e o ex-treinador do FC Porto teve mesmo de “convencer” o jogador, ensinando-lhe as rotinas necessárias a um lateral direito do futebol europeu.

Embora Danilo tenha dado bons sinais em épocas anteriores (principalmente no 2º ano de Vítor Pereira como treinador principal), foi esta época, com Julen Lopetegui, que “explodiu” como jogador de top internacional, algo que não me tenho cansado de sublinhar:

«Danilo - De jogo para jogo, justifica, cada vez mais, a chamada de Dunga à seleção brasileira. Se continuar assim, a SAD ainda vai recuperar os quase 18 milhões de euros que investiu na sua contratação» (RP, 17 Setembro 2014)

«A jogar como o fez contra o Nacional e como tem feito na maior parte dos jogos desta época, Danilo, depois de já ter regressado à seleção canarinha, no final da época irá, seguramente, saltar para um dos “tubarões” europeus» (RP, 1 Novembro 2014)

«Danilo - Está numa forma extraordinária e, claramente, a fazer a sua melhor época desde que chegou ao FC Porto (é bem provável que a FC Porto SAD recupere os 18 milhões de euros que gastou na sua contratação)» (RP, 5 Novembro 2014)


Três anos depois de ter chegado, Danilo já ajudou o FC Porto a ganhar dois campeonatos nacionais e a superar duas vezes a fase de grupos da Champions e caminha, a passos largos, para o topo do ranking dos melhores defesas/laterais direitos da história do FC Porto.

O JOGO, 02-12-2014

No mesmo período, foi convocado para representar a selecção brasileira no Torneio Olímpico de futebol de 2012 e, com Dunga, regressou à Seleção principal do Brasil.
E, lendo declarações recentes do selecionador brasileiro (ao jornal A BOLA), tudo indica que será para continuar…

[Danilo] Tem uma enorme qualidade, é uma força da natureza pois deposita muita energia em campo e a forma como joga contagia os companheiros. Faz o corredor imensas vezes sempre com enorme competência. (…)
Danilo tem uma força física que impressiona, um pouco à imagem do Maicon. Corre quilómetros atrás de quilómetros e apresenta sempre um rosto com frescura física. (…)
Com ele [Danilo] não há deslizes. É um profissional exímio por aquilo que me apercebo nas concentrações da seleção. Tem imenso cuidado com a alimentação, procura seguir as regras elementares e também descansa imenso, o que é importante para um atleta.


Capa de O JOGO de 02-12-2014
Quer fisicamente, quer tecnicamente, Danilo Luiz da Silva é um futebolista muito acima da média.
Com apenas 23 anos (nasceu a 15 de Julho de 1991), já ganhou títulos no Brasil e em Portugal, está na sua 4ª época de futebol europeu (já disputou 20 jogos na Liga dos Campeões) e é titular da canarinha (11 internacionalizações na seleção principal).

Danilo tem contrato com o FC Porto até Junho de 2016 e uma cláusula de rescisão de um valor muito elevado (50 milhões de euros), mas quem pagou 42 milhões por Thiago Silva e 50 milhões por David Luiz é capaz de, para além de Brahimi, também estar interessado noutro titular do quarteto defensivo da seleção brasileira.

E, para além do PSG, o mercado inglês (Chelsea, Manchester City, Manchester United, ...) também deve estar muito atento àquele que, nesta altura, é, provavelmente, o melhor lateral-direito do Mundo.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Goleada de talento


Coletivamente, não foi das melhores exibições deste FC Porto de Lopetegui, longe disso.
Ainda assim, os primeiros 20-25 minutos da 1ª parte foram os melhores (do ponto de vista coletivo), mas sem que tal se traduzisse em golos.

Individualmente, com a excepção de Danilo (os 17 milhões de euros que a FC Porto SAD gastou na sua contratação já parecem menos exagerados), não houve grandes destaques.
O “extraterrestre” Brahimi fez o seu pior jogo com a camisola do FC Porto (devia estar a pensar nas declarações de Laurent Blanc) e Jackson, sempre muito lutador, esteve desastrado, mas marcou um golo de belo efeito (provavelmente haverá quem diga que deveria ter passado a bola a Tello…), que aniquilou o ânimo dos jogadores vilacondenses.

Seja como for, esta equipa tem carradas de talento - Jackson, Brahimi, Tello, Óliver, Quintero, Herrera, Danilo… - e, consequentemente, o(s) golo(s) na baliza adversária acabam por surgir com naturalidade.
O segredo está em não oferecer golos aos adversários e conseguir manter a baliza de Fabiano inviolada.

Em resumo, penso que estaremos todos de acordo que o resultado (5-0) é exagerado e bem melhor que o computo global da exibição, mas é de enaltecer a atitude e ambição goleadora que os jogadores revelaram até ao apito final (detesto quando, por vezes, a equipa desliga os motores após marcar o 2º golo). Neste aspecto, fez lembrar os tempos de Bobby Robson.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Missão cumprida com distinção

Brahimi, um "ilusionista" no batatal de San Mamés

Vi, hoje, muita coisa boa na exibição do FC Porto, mas há dois aspectos que me impressionaram:

i) A personalidade revelada por uma equipa ainda em formação, a qual, apesar de ter alinhado com vários jovens, não se deixou intimidar pelo ambiente e, em pleno inferno de San Mamés, impôs o seu jogo e a categoria extra de alguns dos seus jogadores;

ii) A atitude de um conjunto de jogadores que, mesmo num relvado em péssimo estado (em algumas zonas mais parecia um batatal), foram solidários, nunca viraram a cara à luta e evidenciaram um espírito à dragão!

De resto, se fosse atribuir notas, todos os jogadores do FC Porto tinham uma avaliação positiva (com a excepção de Tello), mas os meus destaques seriam:

Danilo - Está numa forma extraordinária e, claramente, a fazer a sua melhor época desde que chegou ao FC Porto (é bem provável que a FC Porto SAD recupere os 18 milhões de euros que gastou na sua contratação). Imagino o que seria o lado direito do FC Porto, se Danilo tivesse à sua frente um ala/extremo completamente integrado nas dinâmicas da equipa, que jogasse menos para si e mais para o coletivo e com quem o atual lateral-direito da canarinha estivesse perfeitamente rotinado.

Casemiro - Intenso, duro (mas menos faltoso que o habitual), nota-se que começa a adquirir princípios de jogo importantes para a posição 6. Fez, em Bilbao, o seu melhor jogo com a camisola do FC Porto.

Óliver - Pressiona, corta linhas de passe aos adversários, passa quase sempre com critério, movimenta-se por todo o lado, é uma linha de passe permanente para os seus companheiros de equipa, enfim, como diz um amigo portista, faz lembrar o Frasco (o que, para mim, é um grande elogio). Em cerca de 80 minutos, correu mais de 11 Km.

E Brahimi, não merece um destaque?
Não. Estes destaques foram para jogadores de futebol e o Brahimi é um extraterrestre...


P.S. Julen Lopetegui, além de estar a construir uma equipa, já alcançou dois objectivos importantíssimos para esta época: 1) em finais de Agosto, o FC Porto superou o Play-Off de acesso à Fase de Grupos da Champions; 2) no início de Novembro, o FC Porto já está apurado para os Oitavos-de-final da principal competição de clubes a nível mundial.
Merece PARABÉNS!

P.S.2 Ainda bem que Jackson falhou este penalty. Por um lado, porque a falta sobre Danilo foi mal assinalada (viu-se na 3ª repetição), mas também para que Lopetegui reflicta e pondere outra(s) alternativa(s) para a marcação de penalties (Brahimi? Quintero? Casemiro?).

P.S.3 Não sei quantos adeptos portistas estiveram em San Mamés (li que seriam cerca de 1500) mas, durante a transmissão televisiva, particularmente na 2ª parte, fizeram-se ouvir e de que maneira!

sábado, 1 de novembro de 2014

“Magia” a mais, Agressividade a menos


É possível o FC Porto jogar, de início, com Óliver, Quintero, Brahimi, Quaresma e mais dois laterais de vocação ofensiva (Danilo e Alex Sandro)?
É.

É possível o meio-campo portista ser formado por Casemiro (um “Nº 8” que está em fase de adaptação à posição 6) e dois “levezinhos” – Óliver e Quintero – de aproximadamente 1,70m de altura?
É.

Mas, conforme se viu na 1ª parte e também na 2ª parte, até Herrera ter substituído Quintero, correm-se riscos, riscos desnecessários, que poderiam ter culminado em dois ou três golos do Nacional.

O problema é (foi) o Quintero?
Não. Aliás, colocar as palavras “Quintero” e “problema” na mesma frase até soa mal.
O problema são os desequilíbrios e falta de agressividade (quantas bolas divididas foram ganhas?) que a equipa, como um todo, evidenciou, principalmente durante a 1ª parte.

Ao intervalo, em vez de 1-0, o resultado poderia ser 3-2 ou 4-3 e isso, já o disse aquando do FC Porto x SC Braga, é algo que não me agrada.

Podemos analisar vários aspectos da exibição do FC Porto mas, por exemplo, por que razão, hoje, Quintero esteve longe da influência e nível exibicional dos últimos jogos?
Na minha opinião, porque faltou no meio-campo portista um jogador como Herrera que, conforme já foi dito noutras alturas, quando é preciso pressionar ou recuperar, corre por ele e por Quintero.

Há quem pense e até há quem diga, que quando se ganha está tudo bem.
Pois… Eu sou capaz de apostar que, depois do que se viu neste jogo, Lopetegui não irá repetir, de início, este trio do meio-campo muitas vezes.
E, quando chegar o “general Inverno”, veremos se Lopetegui não irá recuperar o seu meio-campo de combate, formado por Casemiro, Rúben Neves e Herrera.



Termino com o melhor deste jogo, citando o jornalista Germano Almeida do Maisfutebol:

«Mesmo quando as partidas não correm particularmente bem, Brahimi não engana: joga muito. Muito, mesmo. Uma boa parte dos melhores lances criados pelo FC Porto nesta partida passaram pelos pés deste argelino virtuoso, que alia uma técnica de topo a uma capacidade física impressionante. Velocidade com bola, capacidade de passe e cruzamento, em constantes desequilíbrios que colocam os defesas contrários de cabeça a andar à roda. Quando estava prestes a sair (Lopetegui já dava indicações a Tello...), o argelino assina uma obra de arte, em lance em que finta, posiciona o remate e dispara tiro certeiro. Magia e eficácia. Tanto Brahimi


P.S. A jogar como o fez contra o Nacional e como tem feito na maior parte dos jogos desta época, Danilo, depois de já ter regressado à seleção canarinha, no final da época irá, seguramente, saltar para um dos “tubarões” europeus.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

FC Porto BATE no Borisov


O título é pouco original e, por isso, pensei noutras possibilidades:
"Muda aos 3 e acaba aos 6"
"Dragão esturrica bielorrussos"
"Show de bola na montra dos milhões"
"Sem o Baptista e o Rufo é mais fácil"

Acabou por ficar "FC Porto BATE no Borisov" mas, para começo de conversa, digo já que esta equipa bielorrussa é bem melhor do que aquilo que aparentou hoje e estou convencido que o vai provar nos restantes 5 jogos desta fase de grupos.

No arranque da 19ª presença do FC Porto na fase de grupos da Liga dos Campeões; no 200º jogo do FC Porto na Taça/Liga dos Campeões; os dragões brindaram as 35108 pessoas que se deslocaram ao Estádio do Dragão com 6 golos (mais duas bolas aos postes) e uma exibição de gala.

Seis golos num só jogo da Liga dos Campeões é recorde para o FC Porto e são mais do que o total de golos (4) que o FC Porto de Paulo Fonseca marcou nos seis jogos da Liga dos Campeões 2013/2014 (sim, eu sei, o BATE Borisov é fraquíssimo, bons eram o Austria Viena, o Artmedia Bratislava, entre outras equipas do pote 4 que defrontamos nos últimos anos).

Houve duas inovações no jogo de hoje, relativamente aquilo que temos visto nos jogos anteriores:

- um meio-campo com dois jogadores - Casemiro e Herrera - sem se saber qual deles jogava na posição 6 (foi frequente ver Herrera a vir atrás buscar a bola e estar posicionado numa linha mais recuada que Casemiro);

- Adrián López a jogar, não encostado à linha, mas com grande mobilidade, muitas vezes perto de Jackson, numa frente de ataque que também incluía Brahimi (a maior parte das vezes do lado esquerdo) e Quaresma (do lado direito).

Numa muito boa exibição global, destaco duas exibições individuais:

Maicon - Está na sua melhor forma de sempre e, nesta altura, é "só" o melhor defesa-central a jogar em Portugal (ao intervalo, um amigo, meio a brincar, meio a sério, disse-me que o íamos vender ao Real Madrid por 30 milhões, para substituir o Pepe...)

Danilo - De jogo para jogo, justifica, cada vez mais, a chamada de Dunga à seleção brasileira. Se continuar assim, a SAD ainda vai recuperar os quase 18 milhões de euros que investiu na sua contratação

E o Brahimi, não merece um destaque?
Não. Não tenho palavras para falar do Brahimi. Digo apenas que mal vi o seu número na placa de substituições, me levantei e só parei de bater palmas quando o "mago argelino" se sentou no banco de suplentes.