Em Maio de 2010, em programas da Benfica TV, António Pragal Colaço incitou à violência (“vamos ter de puxar das armas”), pré-anunciou a retaliação (“ela já está programada”) e previamente legitimou-a, quando se dirigiu a um outro benfiquista presente no programa com argumentos do tipo “se queres continuar a ser cabeçudo o problema é teu”.
Evidentemente, ninguém pode provar que houve uma relação directa entre as declarações incendiárias de Pragal Colaço e o apedrejamento de vários carros de portistas, que ocorreu em Lisboa poucos dias depois (após a final da Taça de Portugal 2009/10), mas o facto indesmentível é que a Benfica TV apadrinhou a criação de um clima de ódio anti-Porto.
Perante o escândalo público motivado pelo “vamos ter de puxar das armas” e “a retaliação já está programada” pensei, ingenuamente, que os responsáveis benfiquistas iam ter um bocadinho de pudor e dar instruções para que António Pragal Colaço entrasse em quarentena, deixando de ter acesso privilegiado aos órgãos de comunicação do slb. Mas ele continuou a andar por lá e até foi convidado para assinar artigos de opinião no jornal 'O Benfica'!
Hoje, à hora de almoço, apercebi-me que não são apenas os responsáveis do slb que têm Pragal Colaço em alta conta. Ao fazer um zapping por vários canais, fui parar ao programa da TVI 'Você na TV' e lá estava ele, como "Consultor jurídico" da TVI, a conversar com o Manuel Luís Goucha e a comentar alguns casos que lhe eram apresentados.
Já se sabia que quem ataca o FC Porto e/ou o Pinto da Costa era promovido a herói nacional. Mas, no país mais centralista da Europa, onde impera a mediocridade, a "cunha" e o amiguismo, o caso de Pragal Colaço é demonstrativo que promover o ódio anti-Porto pode ser ainda mais rentável, quer em termos de projeção mediática, quer em convites para uns "tachos" jeitosos.
Facto 1: Em 24 de Janeiro de 2004, numa altura em que o FC Porto de Mourinho já liderava confortavelmente o campeonato, os dragões receberam no estádio das Antas o Estrela Amadora (último classificado), num jogo arbitrado por Jacinto Paixão, tendo vencido por 2-0. Foi um desafio sem casos de arbitragem, conforme pode ser comprovado em qualquer altura através do visionamento da gravação integral do jogo e como, mais tarde, atestaram nos seus pareceres os peritos de arbitragem que colaboraram com a PJ – os ex-árbitros de Lisboa Adelino Antunes, Vítor Pereira e Jorge Coroado.
Facto 2: Numa primeira fase, o Ministério Público arquivou o processo, considerando o óbvio, isto é, ser diminuto e inverosímil o interesse do FC Porto em comprar um jogo em casa contra o Estrela Amadora, isto face ao posicionamento classificativo das equipas e ao respectivo valor (vale a pena recordar que nessa época o Estrela Amadora desceu de divisão e o FC Porto foi “apenas” Campeão Europeu…).
Facto 3: Em 24 de Abril de 2006, em declarações efectuadas à Agência Lusa, António Pragal Colaço, advogado de Jacinto Paixão, afirmou: “O Ministério Público do Porto proferiu um despacho no qual entende que não há nexo de causalidade dos factos que indiciem qualquer crime de corrupção desportiva. Por inerência, os outros arguidos no processo viram também o seu processo arquivado”.
Facto 4: Pinto da Costa separa-se de Carolina Salgado e, em Dezembro de 2006, a sua ex-namorada lança o livro “Eu, Carolina” (para cuja escrita contou com a preciosa ajuda da conhecida jornalista benfiquista Leonor Pinhão, nomeadamente nos capítulos sobre o futebol).
Facto 5: Para além dos vários processos judiciais por difamação de que Carolina foi alvo, Pinto da Costa moveu-lhe um processo por furto e extorsão.
Facto 6: Em Janeiro de 2007, Maria José Morgado mandou reabrir o processo com base no testemunho de Carolina Salgado, o qual considerou credível, apesar da situação de conflito extremo que esta mantinha com Pinto da Costa.
Facto 7: Tendo sido requerida a fase de instrução, quer a defesa de Pinto da Costa, quer o próprio Jacinto Paixão, negaram em Tribunal as acusações de Carolina Salgado e ambos puseram em causa a credibilidade da testemunha-chave protegida pela equipa especial de Maria José Morgado. O juiz de instrução também questionou a credibilidade de Carolina, bem como, a motivação para as suas declarações contra Pinto da Costa e, inclusivamente, acusou-a de falso testemunho. Adicionalmente, sublinhou que nas escutas (que considerou válidas!) não havia qualquer declaração como contrapartida de acto ou omissão destinado a falsear ou alterar o resultado do jogo. O processo judicial foi novamente arquivado, desta vez pelo Tribunal de Instrução Criminal, em Julho de 2008.
Facto 8: No final da época passada (Maio de 2010), em programas da Benfica TV, o mediático advogado António Pragal Colaço incitou à violência (“vamos ter de puxar das armas”), pré-anunciou a retaliação (“ela já está programada”) e previamente legitimou-a, com argumentos do tipo “se queres continuar a ser cabeçudo o problema é teu” (dirigindo-se a outro participante num desses programas).
Facto 9: Em 13 de Dezembro de 2010, Jacinto Paixão foi convidado do programa “Máximas do Máximo” da Benfica TV, tendo mantido um animado diálogo com o conhecido taxista benfiquista Jorge Máximo.
Facto 10: Em 12 de Maio de 2011, o Correio da Manhã (versão em papel) e o site de A BOLA dão conta de um vídeo colocado no Youtube, com ataques de Jacinto Paixão ao FC Porto, em que o ex-árbitro alentejano parece estar a ler um texto.
Esta sequência de factos é, por si só, elucidativa, mas comparemos o que Jacinto Paixão (JP) disse no programa da Benfica TV há cinco meses atrás, com as declarações que surgem no vídeo agora divulgado no Youtube:
JP na Benfica TV: “Não tenho medo de ninguém, nunca tive”
JP na Benfica TV: “Ouvi falar em viagens pagas. Se é verdade ou não, não sei”
JP na Benfica TV: “As únicas coisas que os clubes me ofereciam eram umas camisolas, uma salvas, nada mais”
Mas há mais. Tal como o FC Porto referiu no comunicado intitulado ‘O Desespero’, na gravação colocada no Youtube, supostamente efectuada em 2004, Jacinto Paixão apresenta-se como ex-árbitro. Contudo, só deixou a arbitragem em Março de 2006…
Para além de tudo isto, que já de si deixa poucas dúvidas acerca de quem está por trás desta curta-metragem manhosa, há ainda a situação para a qual chamou a atenção o blogue ‘100% Dragão’, acerca do misterioso cabelo de Jacinto Paixão.
Este era o corte de cabelo que Jacinto Paixão usava enquanto árbitro:
E este o corte de cabelo que Jacinto Paixão ostentou na Benfica TV, em Dezembro de 2010:
Acham que o cabelo de Jacinto Paixão no “confessionário”, durante a gravação supostamente efectuada em 2004, é semelhante ao corte que ele usava enquanto árbitro (2003, 2004, …), ou em Dezembro de 2010?
Sendo o slb um clube com tantos especialistas em guiões (Leonor Pinhão) e filmes (João Botelho, António Pedro Vasconcelos, etc.) é incrível como quem congeminou esta trama fez uma coisa tão mal amanhada, com tantas contradições e buracos óbvios. Mas enfim, nós temos o Hulk e o Falcao e eles contentam-se com os filmes da Carolina e do Paixão.
P.S. Em entrevista ao jornal i, do passado dia 14 de Maio, Jacinto Paixão garante ser o autor da gravação e promete novos episódios para breve, porque “há muitos mais vídeos para serem publicados”. Quem bom, mal posso esperar pelas sequelas deste “filme”…
O Correio da Manhã de hoje dá destaque de primeira página a uma alegada declaração do ex-árbitro Jacinto Paixão: “É verdade que o FC Porto nos ofereceu raparigas”. Para mais pormenores, o jornal dirigido por Octávio Ribeiro remete para a sua edição em papel.
O Destak foi ver o vídeo publicado no Youtube (com um formato muito semelhante aos vídeos do “tripulha do Uganda”) e diz algo mais:
«“O meu nome é Jacinto Paixão, conhecido ex-árbitro. O que eu vou dizer a seguir destina-se a ficar gravado para posteridade, caso me aconteça alguma coisa a mim ou à minha família.” É desta forma que começa o vídeo gravado por Jacinto Paixão, ilibado do processo ‘Apito Dourado’, publicado no YouTube. O vídeo em causa refere-se a três jogos em particular. O Benfica-Moreirense (2003/04), o FC Porto-Estrela Amadora (2003/04) e o FC Porto-Académica (2002/03). No vídeo, o antigo árbitro diz que o FC Porto tentou corrompê-lo com mulheres (“é verdade que o FC Porto nos ofereceu raparigas como era habitual fazer”) e com uma viagem. “Através da agência Cosmos, em 1998, para eu ir a Marrocos com os meus dois assistentes e o árbitro João Rosa Penicho”, revela.» in www.destak.pt
Engraçado, os jogos referidos no vídeo são das épocas 2002/03 e 2003/04, mas a viagem a Marrocos foi em 1998…
Duvidando da consistência e veracidade das informações, A BOLA contactou Jacinto Paixão para o confrontar com o vídeo em causa. O antigo árbitro ouviu a gravação durante a chamada telefónica, não desmentiu ser sua a voz que se ouve e, no final, limitou-se a dizer, três vezes: “Sobre isso não faço comentários”. Quando até A BOLA duvida…
Não tive pachorra, nem interesse, para ouvir as escutas que elementos ligados ao slb (vamos admitir que são apenas adeptos fundamentalistas) colocaram no Youtube mas, a propósito desses vídeos sonoros, lembrei-me do que o Filipe Sousa escreveu no artigo Allo, Allo, publicado em 23 de Janeiro de 2010:
«Poupei-me ao trabalho de fazer qualquer pesquisa no Google ou no próprio Youtube – bastou-me ir ao minaret... perdão, blog "antitripa", e sem surpresa já lá estava o link para os ditos vídeos; aposto que o tal "tripulha do uganda", é um dos membros desse blog, que aqui há uns anos mantinham outro, o "golden whistle", em que procuravam difamar o Porto além fronteiras. Ouvidas as escutas em que intervém o PC, reti alguns factos: no caso da "fruta", é o próprio Jacinto Paixão – se é que o "JP" é mesmo o Jacinto Paixão, e não o Joaquim Pinheiro, irmão do Reinaldo Teles; mas vamos aceitar que é o primeiro – que pede a dita "fruta", o que convenhamos, é um pouco estranho quando quem foi acusado de corrupção activa foi o Pinto da Costa – que raio de corruptor é que não oferece nada, ou está à espera que os corrompidos venham ter com ele?»
De facto, se alguma coisa as escutas demonstram (obrigado a quem as colocou no Youtube), é que a iniciativa do contacto parte do próprio Jacinto Paixão e não de qualquer dirigente do FC Porto. Como é óbvio, pelo menos para quem tem mais do que dois neurónios, não parece que o jogo mais indicado para aliciar árbitros fosse um desafio disputado no estádio das Antas e, ainda por cima, entre o líder destacado (o FC Porto de Mourinho) e o último classificado (o Estrela da Amadora)…
Vale também a pena recordar, que Jacinto Paixão teve como advogado o mediático benfiquista e comentador da Benfica TV António Pragal Colaço. E que, em 13 de Dezembro de 2010, o ex-árbitro alentejano foi mesmo convidado para uma entrevista na Benfica TV onde, entre outras coisas, afirmou o seguinte:
“O Jacinto Paixão nunca alinhou nisso (corrupção)”
“Tenho muito respeito pelo Benfica e as pessoas ainda me acusam de ser portista. É mentira, como se diz no Alentejo.”
“Ouvi falar em viagens pagas”
“As únicas coisas que me ofereciam eram umas camisolas, uma salvas, nada mais...”
“Não beneficiei o FC Porto no jogo com o Estrela”
Agora o discurso é outro? Pois, mas estas “evoluções” no comportamento e declarações de Jacinto Paixão só surpreendem quem tem andado muito distraído. Aliás, são algo déjà vu com outra personagem do Apito Dourado – Carolina Salgado –, a qual passou de odiada a uma espécie de Santa Joana d'Arc da causa encarnada (enquanto foi útil aos interesses do slb).
Como toda a gente percebe, as discrepâncias e a memória selectiva, quer de Jacinto Paixão, quer de Carolina Salgado, nada têm a ver com a proximidade a Pragal Colaço e a Leonor Pinhão, respectivamente. Isso é mera coincidência…
P.S. Espectacular, é o mínimo que posso dizer, acerca do comunicado do FC Porto em resposta a mais esta manobra dos mesmos ressabiados de sempre.
No final da época passada, em programas da Benfica TV, António Pragal Colaço incitou à violência (“vamos ter de puxar das armas”), pré-anunciou a retaliação (“ela já está programada”) e previamente legitimou-a, com argumentos do tipo “se queres continuar a ser cabeçudo o problema é teu”.
E, de facto, houve uma violência brutal após a final da Taça de Portugal, com vários carros particulares e um autocarro de adeptos portistas e flavienses a serem apedrejados no IC17.
Evidentemente, ninguém pode provar que houve uma relação directa entre as declarações incendiárias de Pragal Colaço e o apedrejamento de portistas que ocorreu em Lisboa poucos dias depois, mas é óbvio que a Benfica TV e os responsáveis da mesma ficaram muito mal na fotografia, ao terem apadrinhado a criação de um clima de ódio anti-Porto.
Perante o escândalo público motivado pelo “vamos ter de puxar das armas” e “a retaliação já está programada”, pensei que os responsáveis benfiquistas, para manterem as aparências, iam dar instruções para que António Pragal Colaço entrasse em quarentena e deixasse de ter acesso privilegiado aos órgãos de comunicação do slb. Mas, pelos vistos, ele continua a andar por lá. Desta vez, assinando artigos de opinião no jornal 'O Benfica'.
Perante isto, eu pergunto: Qual é a moral desta gente (dirigentes e comentadores benfiquistas) para atacarem a postura dos dirigentes do FC Porto e, vestindo a pele de cordeiros, virem apelar à não-violência?
Alguma comunicação social noticiou o facto da Casa do FC Porto de Bragança ter sido apedrejada por adeptos benfiquistas, no passado dia 9 de Maio, durante os festejos da vitória no campeonato dos túneis.
Sensivelmente na mesma altura, e perante o silêncio generalizado da comunicação social (e também do site oficial do FC Porto), aqui e noutros blogues portistas foram denunciados diversos ataques e actos de vandalismo contra as casas do FC Porto de Coimbra (no dia 3 de Abril), de Viana do Castelo, das Caldas da Rainha e de Quarteira.
Faltava falar da Casa do FC Porto de Lisboa que, segundo afirmou António Pragal Colaço, "nunca foi vilipendiada por ninguém aqui em Lisboa". De facto, no meio das diversas declarações incendiárias que Pragal Colaço proferiu em programas da Benfica TV – “vamos ter de puxar das armas”, “ela [retaliação] já está programada”, etc. –, há um diálogo em que este convidado habitual do canal oficial do SLB se refere à Casa do FC Porto de Lisboa:
António Pragal Colaço (APC): Vai dar molho e eu sei o que estou a dizer. A casa do Benfica, a casa do Porto de Lisboa nunca foi vilipendiada por ninguém aqui em Lisboa Espectador: Nunca APC: Nunca e todas as casas do Benfica… Pedro Ferreira (PF): Eu espero que não seja APC: Mas vai ser PF: Eu espero que não seja APC: Mas vai ser
Infelizmente não é vai ser, como anunciou Pragal Colaço, mas sim já foi e várias vezes. Bastou-me falar com um portista amigo dos Dragões de Lisboa, para ficar a par de diversos incidentes que se verificaram nos últimos anos, entre os quais destaco:
Maio de 2005: Após o SLB ter conquistado o título 2004/05 no estádio do Bessa, dezenas de benfiquistas foram manifestar-se para a frente da delegação e os directores dos Dragões de Lisboa tiveram que sair, um a um, escoltados pelo Corpo de Intervenção da PSP.
Dezembro de 2007: O FC Porto foi ao estádio da Luz ganhar por 1-0, golo de Quaresma. Depois do encerramento da delegação, quando os directores desciam as escadas, um grupo de indivíduos estava a subir e perguntou se a delegação já estava encerrada. Responderam-lhes que sim e eles perguntaram se não havia possibilidade de tornarem a abrir, pois queriam beber um copo para comemorar a vitória do FC Porto. Os directores da delegação perceberam que eles não eram portistas e vinham, isso sim, para armar sarilho. Lá foram conversando com eles até conseguirem que fossem descendo as escadas e saíssem para a rua. Quando os indivíduos estavam já na rua, puxaram um dos directores e começaram a agredi-lo até que outro director interveio e o puxou para dentro do edifício.
Abril de 2010 (duas semanas antes do último FC Porto x SLB): Apedrejamento da delegação durante a noite, tendo partido o placar existente (conforme as fotos ilustram). Para quem não conhece, as instalações dos Dragões de Lisboa são num 2.º andar e já houve noutras ocasiões incidentes semelhantes. Inclusive já houve vidros e estores partidos de outros andares (1.º e 3.º), por falta de pontaria dos vândalos.
Aqui fica mais este testemunho, para memória futura e para elucidar os pragais colaços deste Mundo.
«A poucos dias de se jogar a final da Taça de Portugal, o Sport Lisboa e Benfica deseja fazer um apelo para que o jogo – bem como a chegada e partida das equipas ao estádio – decorra num clima de absoluta normalidade. Sabemos de acontecimentos negativos que recentemente marcaram a Liga portuguesa, mas nada pode justificar uma escalada de violência assente em represálias de qualquer tipo que apenas serviriam para prejudicar o futebol. (…) Pela nossa parte não queremos lamentar quaisquer tipo de incidentes, queremos - isso sim - que eles não se registem e que a final da Taça de Portugal se resuma a aquilo que deve ser: um jogo de futebol. (…) Esperamos que a final da Taça de Portugal seja disputada sem qualquer tipo de condicionamentos.» Comunicado do SLB, publicado em 13/05/2010
Mas o que é que o SLB tem a ver com a final da Taça de Portugal? Por acaso, a final vai ser disputada no estádio da Luz? O SLB é um dos finalistas? Não. Então o que levou o SLB a emitir um comunicado deste teor? Talvez prevejam (saibam?) que vão ocorrer incidentes na Final da Taça de Portugal e, antecipadamente, estejam a tentar sacudir a água do capote. Mas se esses incidentes acontecerem, não é este comunicado que vai limpar o facto de um órgão oficial do clube - a Benfica TV - ter apadrinhado a criação de um clima de ódio anti-Porto. Sim, porque a Benfica TV emitiu, repetidamente, programas onde um dos convidados habituais - António Pragal Colaço - incitou à violência (“vamos ter de puxar das armas”), pré-anunciou a retaliação (“ela já está programada”) e previamente legitimou-a, com argumentos do tipo “se queres continuar a ser cabeçudo o problema é teu”.
No último ‘Trio de Ataque’, Rui Moreira colocou a Benfica TV no fundo. Fez muitíssimo bem, não só porque a gravidade do assunto justificava-o plenamente, mas também como forma de chamar à atenção do país e alertar as forças de segurança para esta situação. Aliás, estou na expectativa para ver que medidas de prevenção irão ser tomadas pela PSP e GNR na final da Taça. Espero medidas de protecção, quer à comitiva, quer aos adeptos portistas, idênticas às que tomaram aquando do último FC Porto x SLB, nem mais, nem menos (dispensamos os tiros de shotgun).
P.S. O Pragal Colaço foi ao “perdoa-me”, mas fê-lo de uma forma tão desajeitada e pouco sentida, que a coisa saiu muito fracota. Mas nem tudo foi mau, o homem anda a ler o ‘Reflexão Portista’ e pode ser que melhore a sua cultura desportiva.
(…) APC: Agora deixa-me dizer uma coisa. Isto vai dar molho, isto vai dar molho. PF: Eu espero que não APC: Vai dar molho e eu sei o que estou a dizer. A casa do Benfica, a casa do Porto de Lisboa nunca foi vilipendiada por ninguém aqui em Lisboa Espectador: Nunca APC: Nunca e todas as casas do Benfica… PF: Eu espero que não seja APC: Mas vai ser PF: Eu espero que não seja APC: Mas vai ser PF: E até te digo, é responsabilidade… APC: Não tem hipótese e é responsabilidade da malta do Porto PF: Sim António, mas é responsabilidade também nossa, é responsabilidade também nossa APC: Oh Pedro ouve isso desculpa não é argumento, porque é assim, tu vais-me desculpar, mas é assim, as casas do Benfica no norte são constantemente, eh pá, vandalizadas, assaltadas, os benfiquistas no norte são postos ao contrário, pá fazem trinta por uma linha e o Porto faz o que quer. PF: sim, sim APC: Há um ponto, isto tem que acabar um dia PF: sim APC: E isto foi a gota de água e tem de se pôr um ponto final nisto, oh Pedro sob pena de tu seres parvo, dares a outra face e mais a outra e já não teres mais faces para dar… PF: Não é uma questão de dar a face, António, aquilo que eu te digo RP: Por alguma razão somos diferentes APC: Ouve desculpa lá, não podes ser diferente eternamente, oh Ricardo não podes, desculpa RP: Mas há outras formas PF: Tu tens o poder de, de comunicar APC: Eu só te digo, isto vai dar bota e da grossa PF: Tenho eu, sinto eu, António um bocadinho, eu sinto-me perante o poder que me deram de poder comunicar com os benfiquistas, sinto-me na obrigação de fazer eco daquelas palavras que a direcção fez e que no meu caso em concreto acho que fez muito bem, que é apelar à calma, apelar ao bom senso e lamentar se isso vier a acontecer, lamentar APC: Mas tens… PF: Porquê, é exactamente a mesma medida que eu exijo para os dirigentes dos clubes adversários APC: Mas tens consciência que os benfiquistas neste momento… PF: É por essa medida que eu me vou pautando APC: Tens consciência, tens consciência que os benfiquistas neste momento sentem-se cabeçudos, tens, não tens? PF: Sinto que os benfiquistas neste momento… APC: Ouve isto, isto é … PF: Sinto que os benfiquistas neste momento se sentem revoltados APC: Repara, isto é… PF: Sentem-se injustiçados APC: Isto passou os limites PF: Sentem-se revoltados APC: Isto passou os limites Pedro PF: Sentem-se indignados APC: Passou o limite do razoável PF:. Mas se… APC: Ultrapassou agora o limite do razoável, percebes? PF: Mas sinto também que no meio desta revolta, desta indignação, mais do que legítima, não, esta indignação que é legítima, na minha perspectiva não legitima que vamos, que entremos numa escalada de violência APC: Ok Pedro, vais para uma guerra, vais para uma guerra de canhões PF: Não é uma guerra APC: Vais para uma guerra de canhões com isqueiros PF: Só farão uma guerra se nós quisermos que seja uma guerra APC: Eu acho que sim, oh Pedro eu acho que sim PF: E eu não quero que seja APC: Queres continuar a ser cabeçudo, o problema é teu. (…) Espectadora: Por muito que possa vir a acontecer e já alguns benfiquistas falaram nisso, até através do “Em Linha”, numa possibilidade de retaliação, por assim dizer, mas eu continuo a dizer, o Benfica é diferente APC: Ela [retaliação] vai haver, mais tarde ou mais cedo, percebe oh Cláudia? Espectadora: o Benfica é diferente APC: Ela [retaliação] está programada já Espectadora: ri APC: Está a ver o problema? Está a ver porque é que eu estou a falar, não é? Ela [retaliação] já está programada Espectadora: Tudo bem e eu acredito que esteja programada, acredito que aconteça, agora eu não vou concordar… APC: Claro, obviamente Espectadora: Eu como benfiquista, não concordo com esse tipo de atitudes APC: Por isso é que você tem voz aqui, mas se fosse no Porto não podia estar a dizer o que está a dizer, compreende? (…)
De que é que o Ministro da Administração Interna e o Bastonário da Ordem dos Advogados estão à espera para agirem ou, pelo menos, se pronunciarem? Pelos vistos, ninguém se preocupa que um canal de televisão transmita programas onde a violência é pré-anunciada e previamente legitimada.
No último 'Trio de Ataque', em resposta a declarações patéticas de António-Pedro Vasconcelos, Rui Moreira contrapôs e chamou à atenção para o facto de em alguns programas da Benfica TV serem feitos apelos à violência.
Eu nunca vi a Benfica TV, mas no YouTube existe um vídeo de onde retirei as seguintes declarações de António Pragal Colaço, feitas na Benfica TV, num programa conduzido por Afonso de Melo:
"há uma diferença de conduta que tem de ser, de alguma forma, respondida"
"se as autoridades deste país não têm capacidade para domar a fera, não é, tem de se arranjar outros meios"
"tem que se utilizar outros métodos"
"vamos ter de puxar das armas"
"quando puxarmos das armas, não esperamos, nem queremos esperar que venham, determinado tipo de senhores, evitar aquilo que nós já devíamos ter feito há muito tempo, percebes?"
"este é o momento certo para nós nos unirmos e para nós [benfiquistas], como povo, pegarmos nas armas"
Estas declarações são de tal modo elucidativas que nem precisam de comentários. Quem tem de as ouvir com atenção e proceder em conformidade, são: os responsáveis da PSP, o Ministro da Administração Interna Rui Pereira, o Secretário de Estado do Desporto Laurentino Dias e o Bastonário da Ordem dos Advogados.
António Pragal Colaço é sócio fundador da sociedade António Pragal Colaço e Associados.
Afonso de Melo, entre muitas outras coisas, trabalhou para a FPF durante o período Scolari, fazendo parte do Gabinete de Imprensa do Euro 2004, como Media Relations Manager, e foi também Assessor de Imprensa para a Selecção A de futebol durante o Euro 2004 e o Mundial 2006.