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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Golpes de autoridade

Rival directo por um dos títulos mais importantes do ano superado? Check.
Triunfo fora sobre uma das equipas que melhor joga em Portugal e que ainda não tinha caído em casa desde Agosto? Check.
Utilização de vários jogadores habitualmente suplentes descansando titulares? Check.
Demonstração constante de superioridade colectiva e individual? Check.

Em pouco mais de uma semana, depois de um ciclo normal de maior desgaste, dúvidas e alguns tropeções absolutamente naturais, o FC Porto de Sérgio Conceição decidiu dar um par de golpes na mesa nas duas competições que realmente interessam este ano e contra rivais e contextos que exigiram sempre a melhor versão deste projecto. 
É certo que Janeiro tinha sido um mês problemático - especialmente tendo em conta o feito nos meses anteriores - tanto no desgaste colectivo da ideia de jogo, no cansaço individual que inevitavelmente produziu uma quebra de produção de jogo e de golos, o que gerou alguns sustos e tropeções. Chegar ao intervalo a perder em Estoril (uma equipa que vai de menos a mais), empatar em Moreira de Cónegos, cair nas meias-finais da Taça da Liga e sofrer na primeira parte contra o Vitória de Guimarães foram sintomas claros de uma realidade absoluta. Ninguém joga bem ou ao mesmo nível dez meses de temporada e tarde ou cedo qualquer equipa sofre uma sequência de maus resultados. Que essa sequência não tenha resultado sequer em nenhuma derrota - o FC Porto continua, 30 jogos depois, invicto em competições nacionais, algo que não se via desde 2003/04 - e que no final da mesma a equipa continue na liderança isolada do campeonato (com menos 45 minutos por disputar, ou 3 pontos a menos do devido, segundo se olhe) e esteja na frente na luta por um lugar da final da Taça de Portugal é elucidativo. Todas as crises fossem assim.

 O certo é que as sensações estavam a dar asas aos rivais a anunciar uma crise que, lamentavelmente para eles, não chega. Entre um título caído do céu para um e uma recuperação nada milagrosa tendo em conta as ajudas habituais recebidas de outro, parecia que 2018 estava a ser um inicio de ano para esquecer para o Dragão e era necessário mudar percepções, sobretudo entre os adeptos mais duvidosos porque o grupo de trabalho e o treinador parecem estar bastante convencidos do seu potencial, prova da solidez de discurso e mentalidade oferecida. Tentaram fazer da discussão de Soares com Conceição uma crise, inventando noticias sobre uma venda apressada para a China e um problema de balneário e como respondeu o grupo e os protagonistas? Três golos em dois jogos. 
Festejaram a lesão de Danilo Pereira, timoneiro fundamental desta equipa e deste modelo de jogo, anunciando uma hecatombe competitiva e o que respondeu o grupo, o treinador e o seu sucessor em campo, Sérgio Oliveira? Com uma versão igual de omnipresencia e garra que ajudou a solucionar dois jogos problemáticos com solvência.
Brahimi estava cansado, Aboubakar estava a meias com uma lesão, Marcano estava lesionado (e uma vez mais, de fora, tentaram transformar um problema físico numa vendetta pela mais do que provável não renovação do espanhol) e, ainda assim, cada qual que ocupou o seu lugar mostrou estar à altura e a equipa nunca deu sinais de ressentir-se. Num grupo manifestamente pequeno - ainda que ampliado com mais três opções que, como era previsivel, vão ter muito trabalho para entrar na dinâmica que já existe - todos deram um passo em frente sem excepção. Maxi Pereira rendeu bem o melhor lateral direito português num campo dificil como o de Chaves. Soares voltou a mostrar porque a sua contratação há um ano manteve durante tanto tempo o incompetente NES na corrida pelo título. Sérgio Oliveira mostrou pela primeira vez na sua carreira uma solvência física, liderança e qualidade que muitos suspeitavam que nunca tinha existido. E ainda que em menor nível, Corona e Otavinho deram oxigénio a um ataque necessitado de outras opções mais além do génio de Brahimi.



Conceição soube fazer uma gestão humana exemplar num periodo complicado - de entradas, saídas e dúvidas - e essa gestão em minutos de jogo ofereceu também variações a um modelo que os rivais já conhecem de memória mas que, em muitos casos, continuam sem saber contrariar. Soares é um jogador diferente de Aboubakar, ataca as jogadas de um modo distinto e isso engana defesas habituadas a procurar o contacto físico com o camaronês e a negar-lhe o espaço para impor o seu jogo. Oliveira é menos físico do que Danilo mas a forma como conectou com Herrera, que está a fazer, depois de tantas dúvidas geradas, um ano excepcional, permitiu ao meio campo recuperar frescura, ideias e alternativas no momento de posse. Mesmo no eixo da defesa, que por falta de opções e lesões tem sofrido mais alterações do que seria de esperar, a coesão mantém-se e o Porto está sem sofrer golos há vários jogos a que ajuda também ao facto de que José Sá estar a ganhar confiança a cada jogo que faz e sai da sombra de Iker Casillas. Tudo apostas arriscadas em cada momento, tudo apostas ganhas por Conceição que até tem visto recompensada a sua insistência em fazer jogar sempre Marega que, por todos os seus mil e um defeitos, sempre acaba por gerar perigo e ocasiões de golo. 

O certo é que bater - e superar, outra vez - o Sporting na primeira mão da meia-final da Taça (depois de dois jogos de manifesta superioridade em jogo mas sem golo) foi uma mensagem importante a todos os niveis. Demonstrou que, por muito investimento e discurso, o Sporting de Jesus continua a jogar com medo do Porto de Conceição, e que os azuis-e-brancos são superiores, jogadores por jogadores, linha por linha, aos leões. Depois de cair com manifesto azar na Taça da Liga era importante dar um golpe emocional antes do duplo confronto que ainda falta e, sobretudo, face ao presente barulhento do clube lisboeta destabilizar com mais uma prova de superioridade real. Em Chaves, onde um grande treinador como Luis Castro montou uma excelente equipa que ainda não tinha perdido em casa e aspirava (e aspira) a lugares europeus, com várias mudanças mas uma fome de bola há muito não vista, a equipa soube ser sólida, concisa e fazer aquilo que tinha sido incapaz em Janeiro, atacar e decidir cedo o jogo com golos e superioridade. Duas formas diferentes de mostrar que este Porto não se deixa amedrontar ou assustar por nada e que continua inequivocamente a ser a melhor equipa a jogar futebol em Portugal. Antes de um duelo que apetece, muito, mas que não deve distrair dos objectivos reais e factíveis que são os dois títulos nacionais em disputa, é bom saber que o Porto que muitos davam por cansado e em crise está bem vivo e com a mesma fome e autoridade de sempre.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Reforços sim, contratações não

É preciso recuar muito no tempo para descubrir um FC Porto activo em todas as quatro frentes chegado esta altura do mês de Janeiro, precisamente 2008-09, em que se chegou ao inicio do novo ano nos Oitavos de Final da Champions League (cairiamos em Quartos frente ao Manchester United), a camino das finais da Taça de Portugal (que ganhariamos) e da Taça da Liga (caindo nas meias-finais) e liderando o campeonato que encerraría o ano do Tetra de Jesualdo Ferreira. 
Nem sequer no mágico ano de 2011 a equipa de André Vilas-Boas aguentou o ritmo e soçobrou frente ao Nacional na fase de grupos da Taça da Liga precisamente no inicio do mês de Janeiro. Isso sem ter de jogar a exigente Champions League. Algo que permite colocar – ainda mais – em perspectiva, o feito dos homens de Sérgio Conceição. E sabendo que aí vêm cinco meses de máxima exigência, a expectativa não podía ser maior. Olhando para a forma desastrada como o plantel foi construido – victima do descontrolo dos últimos anos – desde cedo a maioria dos adeptos e analistas foi rápida a indicar que o plantel era curto e tarde ou cedo iria necessitar de ajustes. Não deixa de ser correcto o raciocínio mas o certo é que, com metade da época cumprida, esse inevitavel desgaste não se tem notado – nem nos resultados nem em campo – graças à excelente gestão de grupo de Conceição o que permite reabrir a discussão sobre a necessidade real de interferir activamente na reabertura do mercado.

O mercado de Inverno é um mundo complexo. 
Poucas vezes serviu, realmente, de algo para equipas com objectivos importantes. Os poucos casos são simbólicos e parecem reforçar a sua importância (e ninguém esquecerá Carlos Alberto em 2004 ou a série de avançados que foi chegando nos anos posteriores que, com golos importantes, ajudou a alcançar metas e títulos) mas na prática vale muito mais ter um plantel bem estruturado desde o início do que aventurar-se no desconhecido do defeso invernal. Num ano sem competição africana de selecções – fundamental quando os MVP´s da época têm sido Brahimi, Aboubakar ou Marega – e sem lesões largas e graves, salvo os problemas físicos repetidos de um Soares que ainda não apanhou a dinâmica e de um irregular Otávio, os problemas têm sido contornados com tranquilidade. Sobretudo o que estes meses nos têm ensinado é que o éxito do FC Porto começa e acaba no espirito de grupo que o treinador forjou nos meses de pre-temporada e que todos têm abraçado, jogando mais ou menos. 
Num modelo de jogo muito exigente físicamente – por vertical e ofensivo – mas onde a posse de bola ajuda, em momentos de descanso, gerir esforços, Conceição tem sabido trocar peça por peça em momentos pontuais sem perder o ritmo colectivo. Tem acontecido na metamorfose de Oliver a Herrera (onze mais físico, com menos posse, e com maior entrega e presença em troca de maior controlo), nas inclusões pontuais de Sergio Oliveira, Layun ou Maxi Pereira num onze quase sempre recitado de memoria. Até mesmo a recuperação de Diego Reyes e o regresso de Soares abriram outras opções em posições chave. Conceição tem claro na sua cabeça que há um onze titular base mas sujeito a alterações pontuais face a rivais ou forma física e uma poule de seis/sete jogadores (Maxi, Reyes, Sergio, Oliver, Otávio, Soares e André André) que permite cobrir essas necesidades. É certo que, de base, o plantel apresenta descompensações tais como o excesso de laterais (o que tem feito Ricardo actuar de extremo algumas vezes) e a falta de jogadores abertos nas alas quando, sobretudo, Corona, não está ao seu nível ou peca por ausente, sendo que a adaptação de Ricardo, por um lado, e o uso de Hernani, por outro, abrem outras questões paralelas na gestão de grupo. A forma como Conceição abdicou de jogar com um 10 tem retirado importancia e influencia a Oliver, e também a Otávio, e tendo em conta que Danilo é indiscutivel, aberto a Herrera, André André e Oliveira a possibilidade de rodar por um lugar. No fundo o técnico conta já com seis médios para duas posições (oferecendo às vezes uma modificação do 4-2-4 para 4-3-3 para acomodar Herrera-Danilo-André André/Oliveira em momentos de maior posse) e não tem necessidade de mais tendo em conta que todos cumprem os distintos perfis utilizados. Layun, vitima de um claro over-booking e de um grande ano de Telles, e Maxi e Casillas – por questões salariais – são os claros candidatos a sair das contas sem que, em principio, a equipa mostre sinais de ressentir-se das suas baixas mas e quanto a incorporações, que decisão tomar?


O importante, uma vez mais, é referir o espirito de grupo como base de tudo. 
A ideia de jogo do técnico não é complexa – digamos que é uma versão à Porto, com esse extra de garra, do que lograva o Benfica de Jesus com êxito a nível doméstico no inicio da década – mas a idiossincrasia da equipa é muito especial. Qualquer novo reforço entra num grupo já formado, trabalhado e emocionalmente muito unido e tem de ser capaz de adaptar-se a essa realidade em tempo recorde. Não há, no mercado e face à nossa realidade, um talento absoluto disponível capaz de ser titular de caras apenas pelo genial que possa ser, pelo que quem vir tem de ser parte da engrenagem colectiva ou o próprio técnico será o primeiro a excluí-lo das opções. Oliver, sem dúvida um jogador com um talento incomparável, não joga precisamente porque apesar das suas virtudes, não é o homem certo para o modelo de jogo. 
Ou seja, salvo que seja uma posição cirúrgica (estou a pensar em extremo esquerdo/direito) ou um avançado de natureza muito diferencial do jogo que oferece Aboubakar (e para isso já existe Soares, inclusive), as necesidades reais deste plantel são escassas. E mais ainda quando o grupo parece de tal forma unido que a capacidade de multiplicação de posições reduz ainda mais essa ideia de necessidade extrema individual. Chegar e sentir o que o técnico fazem os jogadores sentirem, dentro dessa dinámica de “irmãos de armas”, é algo extremamente complexo de lograr e difícil de exigir a uma cara nova. Para quatro meses de competição, mais ainda. 

Seguramente haverá jogadores melhores que Marega no mercado mas será que algum dará a Sérgio o que ele quer dessa posição? Ou será tão capaz como Marega é de representar a unidade do grupo e o espirito deste projecto? O mesmo pode ser dito, realmente, de todos. Ninguém pode saber o que nos espera o amanhã e talvez uma lesão grave de um central, um problema sério de Danilo ou de Brahimi – os únicos jogadores sem réplicas reais daquilo que são e dão à equipa – podem sempre oferecer novos problemas e novas equações. No entanto, no momento presente, cada incorporação corre o risco de ser mais vista como uma contratação do que, propriamente, um reforço. E sabendo como está a SAD e como estão as finanças do clube  - com jogadores por renovar e buracos abertos para a próxima época, sobretudo na posição de defesa central – o mais lógico seria confiar em Conceição e nos seus homens e ir preparando o futuro com consciencia, sabendo que a força, a união e o talento do grupo e do seu líder que trouxe o FC Porto à sua melhor posição numa década a inicio de ano é uma arvore com raizes mais profundas na terra do que podemos imaginar para abanar ao primeiro sinal de tempestade.

terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Marega e o mercado

JN de 19-12-2017

«Às costas de Marega».
Foi este o título escolhido pelo JN, para a notícia de capa referente à vitória (3-1) do FC Porto sobre o Marítimo.

É um título feliz, ilustrado por uma foto de Brahimi (duas assistências) às costas de Marega (dois golos e MVP deste FC Porto x Marítimo).

Com os dois golos que marcou no jogo de ontem à noite, Marega já leva 12 golos em 1150 minutos no campeonato português (1 golo a cada 96 minutos). E nenhum destes golos foi de penálti.

Marega é o melhor exemplo de como o Sérgio Conceição foi capaz de “esticar” um plantel curto (de cuja qualidade muitos desconfiavam), tirando o máximo partido dos jogadores à sua disposição.

Mas há mais. Do onze inicial de ontem, fizeram parte quatro jogadores – Diego Reyes, Ricardo Pereira, Aboubakar e Marega – que não serviram para outros treinadores do FC Porto e, por isso, foram dispensados (emprestados).

Pois bem, foi com estes que o FC Porto ganhou e é com estes que a EQUIPA liderada por Sérgio Conceição chegou à “paragem” do Natal 2017 na frente do campeonato, com o melhor ataque e a melhor defesa.

E depois, a gente olha para os jogadores que ontem estavam no banco de suplentes – Casillas, Felipe, André André, Óliver Torres, Hernâni, Corona, Soares – a que se juntaram, num treino após o jogo, mais alguns que ficaram de fora (Layun, Sérgio Oliveira, etc.) e começa a ser difícil acreditar que o plantel 2017/18 é curto.

Treino noturno com os jogadores menos utilizados

Reforços em Janeiro?
Não me parece que, nesta altura, haja muitos jogadores disponíveis melhores do que aqueles que ontem ficaram fora do onze titular (e, já agora, que estejam ao alcance da bolsa da FCP SAD).

Veremos o que o mercado de janeiro irá trazer. Da minha parte, os reforços que considero prioritários, são as renovações com a atual dupla de defesas centrais - Iván Marcano e Diego Reyes.

sábado, 2 de setembro de 2017

Zero reforços

Sérgio Conceição é um tipo com coragem. Tem feito um trabalho admirável de coesão, colocou a equipa a jogar bastante mais (sem ser brilhante tem logrado momentos de brilhantês, o que não é o mesmo), assumiu uma abordagem vertical, ofensiva e de riscos e, sobretudo, um projecto que hoje lhe dá menos a ele do que ele pode dar ao projecto. E para isso é preciso ser um tipo de coragem.

O "negócio" de Vaná - a posição que o FC Porto seguramente mais precisava de reforçar - impede que podamos afirmar que o FC Porto não contratou ninguém neste defeso. Também há quem defenda que além dessa "contratação", o FC Porto também recebeu na forma dos emprestados do ano passado "reforços", casos de Ricardo Pereira, Moussa Marega (um jogador que a esmagadora maioria dos adeptos há um ano ofereceria grátis a quem quisesse pegar nele) e Vincent Aboubakar. Recuso-me a chamar "reforços" a jogadores que já pertenciam ao clube e que, pelo menos no caso de Ricardo e Aboubakar, jamais deviam sequer ter saído do plantel principal. Portanto, sendo intelectualmente honestos, o FC Porto não contratou ninguém útil e não se reforçou no mercado. Sérgio Conceição sabia que chegava a um clube com problemas financeiros - motivo por qual a maioria dos treinadores sondados por Pinto da Costa lhe deu as costas - e debaixo do olho atento da UEFA. O que provavelmente não sabia é que não ia sequer ter um pequeno brinde até ao fim do mercado na forma de um ou dois jogadores da sua escolha. Conceição é o primeiro treinador que começa uma época com o FC Porto sem um reforço pedido. Nem um. Se nos lembramos que Co Adriaanse abandonou o barco por algo parecido há pouco mais de uma década, fica claro como as coisas mudaram no Dragão. O Porto vai para a guerra com os mesmos do ano passado, entre os que estavam e os emprestados. Nem mais nem menos.

Tudo o que suceda a partir de agora é, portanto, um milagre.
Para ser segundos o clube já tinha os Lopetegui e NES da vida. Depois de quatro anos o clube tinha de fazer um esforço para ser campeão e quebrar um ciclo nefasto. Não o fez. E o treinador será o menos culpado. Conceição pode cometer erros (vale a pena pensar na formação e no seu tratamento da mesma num futuro) de cariz táctico em determinados jogos (o esquema original já deu para perceber qual é e ninguém vem enganado) ou ter problemas de gestão de balneário. Mas sem ovos nem o melhor cozinheiro faz omeletes. O Benfica e, sobretudo, o Sporting, reforçaram-se bastante melhor e têm planteis com mais soluções para a maioria das posições. Se o Porto já não partia em superioridade face ao que havia em cada onze no ano passado, este ano o abismo aumenta. Uma lesão de Soares/Aboubakar, de Oliver, de Danilo ou de Brahimi abre um problema muito sério. São 41 jogos, o mínimo, por temporada, números que, provavelmente, se aproximem dos 50 com as Taças. E na prática há posições onde há uma solução e meia. Há três avançados centro para dois lugares segundo o esquema actual. Oliver e Otávio nunca demonstraram ter o pulmão para aguentar uma época a somar noventa minutos constantemente e nem André André nem Herrera cumprem o mesmo papel que Danilo, que deixou de ter concorrência directa. Na ala os únicos extremos puros são Brahimi, Hernâni e Corona, admitindo-se que tanto Ricardo como Layun podem dar uma mão, mas sempre obrigando a recorrer a planos B e C´s noutras posições. A manta é curta. Ponto.



Felizmente a ausência de dinheiro real - e não aquele que outros clubes movem alegremente no mercado - e o olho atento da UEFA (ficaram 37 milhões de euros por contabilizar nas vendas, um problema mais para resolver que Luis Gonçalves não soube driblar) obrigaram o clube a actuar com prudência. No caso desta SAD actuar com prudência é um bom sinal, pelo menos, salvo o caso Vaná, não houve comissionistas a beber da teta da vaca e quase metade dos excedentários encontraram colocação. O lado negativo, responsabilidade de Gonçalves - o director de futebol continua sem existir no mercado - e também de uma política que depende excessivamente da gestão de Mendes, D´Onofrio e Teixeira para que os jogadores saiam do clube, foi o facto de vários excedentes não terem sido colocados e os que foram terem aportado muito pouco ao clube, que se livra em alguns casos dos salários mas não recupera nem parte do investimento. Muito triste. Se a isso juntamos que jogadores que não vão ser titulares e podiam ter rendido bom dinheiro como Maxi, Reyes/Indi e Herrera ficaram no plantel e o buraco de 37 milhões continua aí (quando, há um ano, só Herrera, segundo o Presidente, valia mais dos 30 milhões que recusou), não se pode dizer que tenha sido um verão positivo. Só saíram dos jogadores da casa, com um futuro superior às cifras que foram pagas por eles como vão seguramente demonstrar. Muito pouco.

Na prática foi também Conceição - e tendo em conta a sua coragem e a forma como tem trabalhado acho que merece sem dúvida o beneficio da dúvida nestes casos, se teve intervenção directa na decisão - quem decidiu virar as costas à equipa B e à formação. Todos os que podiam reforçar o plantel e abrir passo a algumas saídas úteis foram "despachados". Fonseca (lateral direito), Rafa (lateral esquerdo), Mikel (médio defensivo) e, sobretudo, Rui Pedro (avançado) podiam ter sido opções úteis para complementar o plantel, mais tendo em conta as restrições da lista da UEFA. Um caso para abordar mais à frente, com paciência e perspectiva.

Conceição tem um desenho táctico que funciona claramente em Portugal - na Europa, como Jorge Jesus, o seu primeiro grande defensor, e mais tarde Rui Vitória, têm demonstrado, nem tanto - e esse é e tem de ser o grande objectivo. Até agora, por jogo e por atitude, o seu trabalho tem sido muito superior às expectativas mas o ano é largo e haverá algum momento em que olhar para o banco e ver que não há um só avançado para entrar (como tem sucedido na ausência de Soares) pode ser a morte do artista. Conceição aceitou o desafio e nós aceitamos o desafio com ele. A responsabilidade, um ano mais, mais do que nunca, tem nomes próprios e apelidos. Em Maio, se o FC Porto for campeão, nunca será tanto por culpa de um treinador e tão pouco por mérito de um Presidente. Oxalá assim seja. O espírito do Dragão que Sérgio e os jogadores têm reactivado, muito mais real e sentido que o "Somos Porto", bem o merece!

Sérgio, estamos contigo!

domingo, 31 de julho de 2016

Novo ano, mesmos vicios

O FC Porto está a poucos dias de começar a época de forma oficial. Os fantasmas do ano passado continuam todos bem presentes. Os vislumbres de um novo ciclo bem distantes. As responsabilidades pertencem aos mesmos. Os rivais mais directos na luta pelo título mexeram-se mais e melhor no mercado e sobretudo antes da buzina final, dando aos seus respectivos treinadores - que já têm o trabalho feito - uma importante vantagem. Nada impede o FC Porto de concretizar negócios antes do 31 de Agosto para colmatar as ainda muitas lacunas do plantel mas Nuno terá sempre a desvantagem de ter passado uma pré-época mais preocupado em descartar do que a construir.


Não se pode começar um projecto ganhador desta forma. Pode-se ganhar, sim, mas um projecto com pés e cabeça é muito mais difícil. Nuno Espirito Santo já devia saber o que o esperava mas passar três semanas a trabalhar numa espécie de Operação Triunfo Dragão em que todos os dias há candidatos á expulsão deixa muito pouco tempo para definir uma estrutura sólida, um onze base, um conjunto de ideias e mecanismos de jogo, enfim, tudo aquilo para que uma pré-época realmente serve. A finais de Julho Nuno entendeu que Quintero, Josué e Hernani não faziam parte dos seus planos. Decisões que não carecem de lógica mas que, conhecendo o passado dos jogadores, também não surpreendem. Porque estiveram então vinte dias em trabalhos? Porque Nuno sabe que vêm alternativas ou porque preferiu o que já lá tinha. Porque não os estudou a fundo antes de começar a pré-época ou porque o desiludiram nessas semanas de trabalho? Nunca o saberemos. O certo é que do FC Porto 2016/17 temos ouvido sobretudo noticias de empréstimos e empréstimos. Vendas? Escassas, muito escassas. Contratações? A conta gotas e sem impacto real no plantel.
Felipe já demonstrou que não é "o" defesa central que o FC Porto precisa. Pode ser um bom complemento para a "dupla" de centrais de Nuno mas precisa de uma referência ao lado. Que não é Marcano. Que nunca será Indi. Mas ambos ainda cá estão e Nuno tem de trabalhar com o refugo de erros passados sem poder ter tempo para preparar o futuro. Assim é complicado.



João Carlos Teixeira foi o exemplo de uma boa iniciativa de mercado, um jogador de grande potencial, castigado pelas lesões, mas com muito futebol nos pés. Um negócio com tudo para dar certo mas é ele a solução para assumir já a titularidade do posto criativo do meio-campo? É esse o plano de Nuno ou apenas uma alternativa momentânea, á espera do que passe (a 30 de Julho) no mercado nas próximas semanas. Otávio, André André, Ruben, Danilo são outros quatro jogadores para seis lugares e ainda há os casos Evandro, Herrera, todos sem solução aparente, com vendas prometidas que não se cumprem e overbooking de estilos que não permitem resolver problemas mais sérios. Rafa Silva está prometido há um ano na cabeça de muitos mas o Braga, que sempre se lucrou dos negócios do Porto muito ao contrário do que passa connosco, continua longe e não é propriamente o "messias" que vai resolver o desastre que é o jogo dos extremos do Porto onde Brahimi continua com a cabeça noutro lado mas o contrato depositado no Porto e Corona vai crescendo mas sem uma alternativa que lhe pressione a dar tudo sempre como jogadores do seu perfil exigem. Com Varela adaptado a lateral - Maxi, Telles, Layun e Varela são jogadores de um perfil similar competitivo mas há uma clara aposta em laterais ofensivos o que é um risco quando sabemos que a tal "dupla de centrais" não existe ainda a não ser no papel - e as jovens promessas da formação despachadas uma por uma para mais um ano de exílio desportivo, a quem compete fazer sombra ao jogo ofensivo pelas bandas quando a bola está quase a rolar? E claro, o busílis da questão continua na frente. André Silva terá de crescer a passos forçados, está visto, mas quer o Porto atacar o título com o jovem avançado e Aboubakar em solitário, confirmadas que estão as saídas esperadas e lógicas dos reforços de inverno que nada acrescentaram? Duas semanas para a bola rolar e os cromos, esses, são os mesmos. E porquê?

Em ano de torneio de selecções é normal que os principais negócios, os que fazem mover o dinheiro, se atrasem porque os próprios jogadores voltam mais tarde de férias e os clubes pensam a mais longo prazo. Mas a verdade é que salvo o negócio Pogba, praticamente fechado, quase todos os clubes já se mexeram no mercado e bem. Menos o Porto. Não saiu quem era previsto sair. Não entrou quem era necessário entrar. O clube está a ter problemas sérios em vender. Não surpreende. Há três factores chave.
O primeiro e mais evidente é a fraca qualidade do material. Vender um Aboubakar, um Herrera ou um Brahimi não é o mesmo que vender um Falcao, James ou Moutinho. Por outro lado o passado recente convida muitos clubes á reflexão. O Porto era uma referência mundial porque vendia caro mas quem vendia triunfava. Ultimamente isso não tem acontecido. O ano de Danilo foi para esquecer, o de Alex Sandro cinzento e o de Jackson sem classificação possível. Os clubes agora pensam duas vezes, não vão comprar "gato por lebre" e há quem comece mesmo, lá fora, a falar no Benfica como referência porque o Porto vende jogadores que "só funcionam no Porto". Isso é o pior que pode passar a um clube eminentemente vendedor. E claro, o terceiro ponto é o da necessidade. Todos os clubes europeus que vêm pescar ao Dragão sabem da nossa situação financeira e sabem que não estamos em condições de exigir muito. Vender é urgente e necessário e de aí nunca sai bom negócio. Corremos inclusive o risco de que não saía sequer negócio nenhum e que afinal os Herreras por quem pedimos X acabem por ficar porque como ele há vários no mercado e os potenciais compradores podem preferir mudar simplesmente de alvo. Não seria a primeira vez.
E claro, sem vender, como comprar?
Continuamos sem ouvir o mea culpa da péssima gestão financeira da SAD que levou a este precipício, seguramente á espera que um negócio marca Doyen ou o dinheiro que vá entrando nos próximos anos dos acordos televisivos salvem o dia mas se não existe cashflow e se não há saídas, como investimos em jogadores a sério? E que perfil tem o FC Porto no mercado quando é absolutamente incapaz de resgatar de Braga - de Braga - um jogador que ainda para mais é representado por aquele que é agora um parceiro preferencial de negociação. Respeito, o que se diz respeito, não somos capazes de impor.



Durante meses falou-se na necessidade de uma limpeza de balneário, na aposta de jovens da casa ou da liga portuguesa, de uma nova mentalidade e do inicio de um novo ciclo. Palavras que o vento levou depressa. A duas semanas e uns trocos de começar oficialmente a época - e com o acesso á Champions League em interrogação - este Porto não difere quase nada do anterior, nem em rostos, nem em dinâmicas. A culpa não é do novo treinador que trabalha com o mesmo material que já havia e que não pode fazer milagres como outros, no passado, também não podiam. Não basta só mudar de treinador quando os problemas são outros para inverter uma tendência. O Benfica vendeu (e venderá) quem tinha de vender mas soube manter jogadores chave e reforçar-se de forma tranquila e consciente. O Sporting, na sua desesperada aposta pelo título, tem seguido a mesma dinâmica. No Dragão mantém-se exactamente o mesmo silêncio, as mesmas dúvidas, as mesmas interrogações. Não se aprendeu absolutamente nada com o passado. Talvez esse seja o maior de todos os problemas.




sábado, 9 de abril de 2016

Jogadores à Porto: procura-se

..e pronto, ficou o diagnóstico feito pelo presidente: afinal a razão pela qual os resultados foram maus nos últimos 3 anos é porque os jogadores «não são à Porto». Está explicado.

Mas será que está mesmo? Coloco a seguinte pergunta: mas por acaso temos hoje menos «jogadores à Porto» do que nos anos anteriores, em que conquistámos 7 campeonatos num período de 8 anos?

Mas afinal Maxi Pereira, Casillas, Ruben Neves, André André não foram elogiados por Pinto da Costa como «jogadores à Porto»?

Ah, «e os outros do plantel?» Bem, mas afinal isso era muito diferente na era «tri»? Era tudo «jogadores à Porto»? Danilo, Otamendi, Alex Sandro, Belluschi, Mangala, Rolando, James etc eram «jogadores à Porto» que deixavam tudo em campo e não estavam cá a pensar no «salto» para outro clube, ao contrário de Herrera, Aboubakar, Marcano e Cia? Poupem-me.

Desde 2003/2004 que não temos um núcleo considerável de «jogadores à Porto». Pinto da Costa demorou mais de uma década para reparar nisso, se era um problema assim tão grave? Digo isto e por acaso até acho q é um problema para tentar melhorar, mas nunca com a dimensão que Pinto da Costa lhe quis dar e um problema que certamente não explica os resultados dos últimos 3 anos em contraponto aos dos anos anteriores.

Se calhar o maior problema passa por outros lados, digo eu. Se calhar é um problema muito maior que - independentemente de serem jogadores à Porto ou não - o plantel actual seja desportivamente mais fraco e desequilibrado mas custe o DOBRO (salários e passes) do plantel de há 5 ou 6 anos atrás. Como se chegou a esse ponto? Isso é que eu gostava de ver discutido.

Se calhar é também um problema maior que os gastos totais da SAD tenham aumentado a um ritmo muito mais elevado do que as receitas nos últimos anos.

E se calhar é também um problema maior a forma como Pinto da Costa escolhe treinadores. Independentemente dos jogadores, acho que quase todos vão concordar que, na época em que passou pelo FCP, Paulo Fonseca foi mais parte do problema do que parte da solução: e cada vez mais há mais gente que também se convence que o mesmo se aplica a José Peseiro. De Lopetegui nem preciso falar (e é irónico que Pinto da Costa diga que lhe deu demasiada confiança - mais do que aos outros, presume-se - tratando-se de um treinador sem qualquer currículo a nível de clubes e já com uma longa carreira de treinador).

Pois bem, cá eu acho que Pinto da Costa fez essa afirmação não por convição mas sim com dois objectivos em mente: o primeiro e mais imediato, desviar a ira dos adeptos da Direção para com os jogadores (e nem é a primeira vez ou segunda vez que faz isso); o segundo, preparar os adeptos para tempos de vacas magras em contratações (não há dinheiro), «vendendo» aos papalvos a recuperação de emprestados, jogadores da equipa B e contratações de tostões como uma estratégia deliberada de ir buscar «jogadores à Porto»... quando a falta de pilim é a principal razão para o apertar do cinto, senão a única.

Mas pronto, quem quiser acreditar que basta mudar metade do plantel para «jogadores à Porto» e assim passamos a ganhar tudo, está no seu pleno direito, claro. Afinal de contas, também há quem  acredite no Pai Natal.

quarta-feira, 6 de abril de 2016

A Crise!


O Dragões Diário veio confirmar, oficialmente, que o FCP entrou (ou estacionou) numa situação que o editor enquadrou como sendo de crise.

Sendo assim, torna-se, então, muito importante seguir a atitude e o comportamento da estrutura, face a este momento de ruptura e perda, provocado pela assumpção de políticas e processos, reconhecidamente, inadequados na sua concepção ou aplicação, com especial incidência nos últimos três anos.

Faz parte do glossário tradicional que trata desta coisa das crises, considerar que, desde que uma crise seja bem gerida, pode ser revertida e tornada equilibrada, primeiro, e não  inimiga do crescimento, depois, se bem montados os motores de gestão e de governança. Porém, a crise conduz necessariamente a um aumento da vulnerabilidade e, por isso, representa, necessariamente, um momento de alto risco. Pode, frequentemente, evoluir muito negativamente, quando os recursos estruturais e financeiros estão delapidados e o prestígio dos responsáveis estão diminuídos e em perda acelerada.

O FCP vive há mais de 30 anos sob o comando do seu Presidente que no seu primeiro mandato deixou claro o programa que nortearia toda a sua acção e que, em versão reduzida, definiria assim: total autonomia na gestão do futebol, tendência para auto sustentação das actividades de alta competição, arrumar as finanças, lutar contra o centralismo, crescer e ousar vencer. Os êxitos consolidaram o modelo e os processos. E têm servido ad aeternum. A figura do Presidente passou a servir como  aval de competência. A maioria dos portistas reconhece a sua superior sagacidade  quando superou algumas crises bem complicadas. E, ultrapassou-as  sem muitos danos.

A situação mudou a crer nas manifestações ocorridas ultimamente que, apesar de tudo, não considero tão significativas quanto isso. Mas, ouve-se muita gente profundamente desagradada. Muito mais do que o costume. O Dragão anda quase vazio, não ruge e assobia sem contemplações os da casas. A coesão tem sido abalada, significativamente. A figura do Presidente já não é suficiente como aval. A situação desportiva e financeira é preocupante. O povo portista reclama uma viragem, mas ainda não mexeu a sério no Presidente. E na sua autoridade. Pede-se muito mais uma “varredela” aos maus da fita que a sua destituição.

É este o quadro actual. A equipa está esfrangalhada, a situação financeira é muito complicada, os custos de contexto são enormes e as receitas da Liga dos Campeões estão em risco. E o 'fair play financeiro' é uma ameaça real. Os portistas têm boas razões para andar desalentados, mas acho que uma boa parte ainda não viu o filme todo. Os maus resultados talvez sejam a ponta do iceberg. E se o Presidente é mais contestado do que nunca, como temo que uma mudança caia num conjunto de personalidades que na ânsia de reverter o pecado, mais não faça de que nos encher de uma bondade inócua ou incompetente, vendendo o compromisso de chegar, ver e vencer. Como se bastasse a promessa de fazer diferente e sem os familiares próximos. E fintar os oportunistas e os intermediários. E recuperar a tal identidade que foi perdida. Não creio que haja qualquer piedade se a equipa não ganhar. Seja a quem for que governe. O afunilamento democrático no nosso clube é um facto. E uma dificuldade acrescida no próximo futuro.

O povo portista não deve ser muito diferente dos que habitam outras cores. Face ao actual declínio, fala-se com muito temor do regresso aos anos sessenta. Os nossos principais adversários passaram por períodos semelhantes e não sucumbiram. O pessoal dos anos sessenta mostrou sempre uma grande resiliência. Nunca desistiu e o FCP, com base nesse suporte, soube encontrar o seu caminho.

É isso que temos de porfiar no momento. Encontrar o caminho. Só que o caminho vai correr, nos próximos quatro anos, com os mesmos timoneiros. Não creio que hajam alterações substantivas nas políticas e procedimentos. Nem cortes, relativamente a alguns maus hábitos. A pergunta que fica é se a revolução na continuidade (em curso) vai ser seguida e o suficiente para mudar o estado das coisas. Tudo vai depender do futebol. Não havendo luta eleitoral, vão ser os resultados a definir os comportamentos. Temos a Taça de Portugal e o playoff de acesso à Liga dos Campeões. Em menos de seis meses muito pode acontecer na casa da Dragão. Desportiva e financeiramente. E como estão ligados umbilicalmente. O Presidente tem o maior desafio da sua vida. E tomou-o por espírito de missão. Espero que ganhe para bem do nosso clube. Confesso que penso que o seu contrário estará mais próximo. Espero que os portistas não desertem e vão a jogo. O FCP merece.
   

sábado, 27 de fevereiro de 2016

Plantel de sonho? Vamos lá falar de realidades

No inicio do ano não foram poucos os que falaram em plantel de sonho. Um plantel para ser campeão com facilidades - beneficiando da debilidade do Benfica pos-JJ e das fraquezas do Sporting - e até brilhar na Champions. Um plantel com o jogador dos 20M - Imbula - com o vencedor de tudo o que há para ganhar - Iker Casillas - com o lateral direito que vinha da Luz e mais mil e um malabarismos sem sentido. Ficou evidente desde Agosto que o plantel podia ser o mais caro de sempre - em investimento, em massa salarial paga - mas distava muito de ser o mais equilibrado e o melhor do Porto recente. Que o herói dos primeiros meses tenha sido um dos jogadores mais subvalorizados no mercado - André André - explica muito. Sem jogadores de primeira fila (não há um só), sem goleadores natos, sem criativos, sem extremos de qualidade, sem centrais de nível (qualquer nível) e sem referências histórica, este é, realmente o plantel que melhor exemplifica a péssima gestão de um clube sem Director Desportivo e uma ideia de futuro para lá do negócio comissionista. 

Se dúvidas houvesse - e há ainda quem ache que o plantel era bom, o treinador é que o estragou, como alguém quis vender numa entrevista televisiva - os últimos jogos e o mercado de Inverno deixaram claro a realidade. Portanto vamos fazer um desafio. Peguemos no onze titular (um onze aproximado porque houve anos em que vários jogadores acumularam o mesmo número de jogos) de cada um dos anos pos-Mourinho, respeitando assim o espirito do futebol moderno, dos negócios da SAD e dos ciclos curtos para não desvirtuar, e vamos fazer um exercicio. Quem, do onze tipo actual, que vamos definir, é melhor do que o titular desse ano. E ao contrário, quem desse ano, é melhor do que existe agora? 

Haverá debate, naturalmente, porque os gostos são assim. Haverá casos em que o jogador no papel podia ser melhor ou pior do que foi na prática, em que os diferentes sistemas de jogo (em quase todos os anos prevaleceu o 4-3-3) podem potenciar um ou outro jogador, mas no final creio que chegaremos todos à mesma conclusão. Não há, no plantel actual, nenhum jogador que seja melhor que qualquer outro futebolista que ocupou o seu lugar desde 2004. Nenhum. Nem um, nem cinco, nem dez. E não havendo individualmente nenhum jogador melhor - e sendo quase todos os indivíduos de anos prévios superiores - lá se vai a teoria que a SAD ajudou a vender de que este é um grande plantel quando, na prática, não é mais do que a continuação da politica de desvalorização pós 2011, compensada no ano passado pelo empréstimo de jogadores dos grandes clubes espanhóis.



Partimos então da premissa de que o 11 tipo de 2015/16 é o seguinte:
Casillas: Maxi, Marcano, Indi, Layun; Danilo, Ruben, André André; Corona, Brahimi, Aboubakar.

E vamos ver agora (com negritos nos jogadores que considero melhores que os actuais) como estivemos nos últimos doze anos.

2004/05
Baia; Seitaridis, Jorge Costa, Pedro Emanuel, Nuno Valente; Costinha, Maniche/Meireles, DiegoQuaresma, Derlei; Luis Fabiano/McCarthy

Neste ano de transição pos-Gelsenkirchen( e com um mercado de inverno mexido), é evidente que o nivel dos laterais não foi o melhor e que Derlei/Postiga/Carlos Alberto não estiveram à altura mas o rendimento do eixo da defesa (com a chegada de Pepe) e de Quaresma e Diego (ainda que algo irregulares) esteve por cima dos restantes.

2005/06
Baía/Helton; BosingwaR. Costa/P. Emanuel, Pepe, Cech/Peixoto; Assunção, Lucho, Meireles/JorginhoLisandro, Quaresma, Almeida/McCarthy;

Foi o ano em que Helton se assumiu como referência, que Pepe, Meireles e Bosingwa se fizeram com a titularidade e que chegaram Lucho e Lisandro ao melhor nível. Voltamos a fracassar no ataque e na ala esquerda mas a qualidade geral era positiva. A maior parte do ano jogou-se em 3-4-3, uma das raras variações. 

2006/07
Helton; Bosingwa, Pepe, B. Alves, Fucile/Ezequias; Assunçao, Lucho, Meireles/Anderson; Alan/Postiga, Quaresma, Lisandro;

É difícil olhar para o onze do primeiro ano de Jesualdo e encontrar elementos piores que o actual, num ano onde o Porto não foi sequer excepcional. A qualidade média era claramente superior à actual e Quaresma e Lucho estavam na sua melhor versão. 

2007/08
Helton, Bosingwa, Stepanov/P. Emanuel, B. Alves, Fucile/Lino; Assunçao, Lucho, MeirelesQuaresma, Lisandro, Tarik/Postiga

Mais um título, excelente fase grupos Champions e uma equipa extremamente bem trabalhado com mais valias individuais em quase todos os sectores. O lateral esquerdo e o ponta-de-lança continuavam a ser os únicos problemas evidentes. A sucessão de Pepe também parecia complicada.




2008/09
Helton, Fucile/Sapunaru, Rolando/P. Emanuel, B. Alves, Cissokoh; Fernando, Meireles, LuchoLisandro, Hulk, C. Rodriguez/Farias

Excelente negócio com Cissokoh, afirmação de Rolando, Fernando e de Fucile (no lado direito) e chegada de Hulk para o lugar de Quaresma. No melhor ano europeu pos-Gelsenkirchen o grande problema era o banco.

2009/10
Helton, Fucile, Rolando/Maicon, B. Alves, A. Pereira/Sapunaru; Fernando, Meireles, Guarin/C. Rodriguez; Hulk, Varela/Mariano,Falcao

Com Falcao chegou o substituto ideal de Lisandro mas a ausência de Lucho (Guarin não funcionou) foi determinante juntamente com o escândalo dos túneis para evitar o Penta. Hulk deu um passo em frente. O sub-rendimento de Meireles não ajudou e o jogo lateral foi igualmente tibio. 

2010/11
Helton, Fucile/Sapunaru, Otamendi, Rolando/Maicon, A. Pereira; Fernando, Guarin, Moutinho, Hulk, James/VarelaFalcao

Pinto da Costa disse que qualquer um podia ser campeão com esta equipa e talvez tivesse razão. Foi o pico do investimento em jogadores de qualidade com a chegada de Moutinho (chave) e James (decisivo) e o culminar do trabalho de desenvolvimento iniciado por Jesualdo. A ala direita e o inconstante Guarin os únicos "senões". A partir de aqui gastou-se mais do que nunca, comprou-se pior do que nunca.

2011/12
Helton; Danilo, Otamendi, Mangala,Alvaro; Fernando, Moutinho, Guarin/LuchoHulk, Varela, James/C. Rodriguez; 

O primeiro ano VP sofreu da hemorragia pos-Dublin que se prolongou em Janeiro. O regresso de Lucho foi determinante bem como o ano de Hulk na frente de ataque onde os problemas se multiplicavam quando James não estava. Os dois primeiros sectores de jogo eram o verdadeiro motor da equipa.

2012/13
Helton; Danilo, Otamendi, Mangala, AlexFernando, Lucho, Moutinho; JamesJackson, Atsu/Defour; 

No último ano de VP a qualidade do plantel era irregular mas o onze titular era fortissimo até ao último terço. Todos os jogadores superavam com solvência os actuais mas sem opções nas alas (Defour, Varela e Atsu nunca deram o nível, idem para Kelvin e Sebá), Jackson vivia demasiado só à frente.

2013/14
Helton; Danilo, Mangala, Maicon/Otamendi, AlexFernando, Herrera, Lucho; Lica, Varela, Jackson;

Um ano desastroso mas onde a qualidade individual superava claramente os problemas de jogo de Fonseca e Castro e houve muitos jogadores em subrendimento (Otamendi mais do que nenhum outro). A equipa começou o ano em 4-2-31 com Lucho como pivot ofensivo. Nas alas faltavam ideias, Herrera era um desnorte mas a defesa - no papel - era muito superior à actual. E claro, havia golo!

2014/15
Fabiano; Danilo, Marcano, Maicon, Alex; Casemiro, Ruben/Herrera, Oliver, Tello, Quaresma, Jackson

Fabiano era um karma, Marcano nunca foi seguro e Ruben/Herrera são os únicos que mantêm o mesmo nivel oscilante para este ano. O subinvestimento foi paliado pelos empréstimos de Casemiro, Oliver e Tello e pela não venda de Jackson no verão anterior.  


Grosso modo:
- Não houve um só ano em que não houvesse, pelo menos, seis jogadores no onze tipo melhores que os actuais.
- Só um ano (2009/10) há cinco jogadores no plantel piores que os actuais nas suas respectivas posições a titulo individual
- Com dois jogadores piores que o plantel actual temos 5 temporadas num total de 11 analisadas (06/07; 08/09; 10/11; 11/12, 12/13): Quase um 50%!
- Desde os anos de AVB/VP a qualidade tem decaído evidentemente no 11 titular tipo.
- Este - o de 2015/16 - é claramente o pior plantel do FC Porto pós 2004. O que significa que, na prática, é o pior plantel do FC Porto desde, como mínimo, 2001/02. Já lá vão quinze anos!
- Ironicamente, é também um dos planteis mais caros (no investimento) e na massa salarial (que sofreu um ajuste mais do que necessário com o mercado de Inverno)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2016

Jogar à Porto sem jogadores à Porto


Depois do empréstimo de Maicon ao São Paulo - prévia renovação de contrato para comprar o silêncio de quem não explicou sequer, como devia como capitão, aos sócios e adeptos o motivo do seu comportamento e as suspeitas levantadas pelos familiares nas redes sociais - o plantel do maior clube português conta apenas com 3 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa. Sim, leram bem. Em 25 jogadores, o FC Porto tem 3 jogadores com mais de dois anos de azul e branco e dragão ao peito. Soa a ridículo. E se soa, é porque o é. Sobretudo quando este clube, talvez mais do que nenhum outro, se fez grande precisamente imprimindo um estilo próprio - "o jogar à Porto" - com jogadores que sentiam a mística do clube e a interpretavam como ninguém depois de incorporar todos os conceitos mais básicos do portismo servindo de porta-estandartes para os que vinham depois.

O FC Porto sempre foi um clube de ciclos curtos até mesmo na realidade pré-Bosman. Sempre tivemos jogadores estrangeiros - e até aos anos 70 em proporção superior ao dos rivais de Lisboa que usavam a "batota" das colónias para manterem-se competitivos - e sabíamos que os jogadores da casa que se destacavam tarde ou cedo teriam tubarões atrás. Para contra-balançar essa realidade criou-se, sobretudo com a chegada de José Maria Pedroto e Pinto da Costa, uma genuína cultura de balneário assente em jogadores que - formados em casa ou contratados cedo na sua carreira - formavam um núcleo duro que raramente se rompia. Sabiam que não eram provavelmente nem os segundos melhores na sua posição mas que, em conjunto, eram invencíveis. Esse espírito cimentou a história do FC Porto até há bem poucos anos. Das gerações dos operários de Pedroto e Artur Jorge passou-se aos homens lançados nos anos noventa nos mandatos de Carlos Alberto Silva, Bobby Robson e António Oliveira e projectados para o novo milénio por Fernando Santos. Ano sim, ano também o FC Porto continuava a ser o que sempre foi, um clube vendedor. Não havia dúvidas, já com a lei Bosman em acção, que futebolistas como Jardel, Zahovic, Deco, Sérgio Conceição, Vítor Baía, Fernando Couto e afins tinham mercado e iam sair. Mas havia sempre os que ficavam - os Paulinho, os Aloísio, os Folha, os Jorge Costa - - ou os que saiam já muito tarde na carreira depois de ter dado tudo o que tinham. Entre uns e outros o clube garantiam ter sempre uma dezena de futebolistas imbuídos no espírito da casa. Os treinadores mudavam, as estrelas iam e vinham, mas eles seguravam o edifício. Mesmo no pós-Gelsenkirchen, quando a razia fez-se mais evidente, soube-se encontrar veículos de transmissão e jogadores que, vindos de fora, aprenderam depressa a lição como demonstrou sempre Lucho Gonzalez, João Moutinho ou Hulk que, sem ser da casa ou dos arredores, souberam ser "jogadores à Porto".

Ora, face à politica comissionista, a politica de "contentores", de relações com fundos e agências, perseguida de forma implacável e sem olhar para trás da coluna dirigente - uma politica que se aplica cada vez mais à própria formação, contratando-se jogadores por cinco vezes mais o seu valor em negócios difíceis de explicar (Juca, da próxima vez tenta lá fazer jornalismo a sério e perguntar a Pinto da Costa os porquês detrás dos negócios Kayembe, Victor Garcia ou a renovação de Ruben Neves e os 5% para o irmão de um dos administradores) - o espírito à Porto tem vindo a desaparecer. Os próprios homens - ou homem, se quiserem - que alimentaram com êxito e visão essa política de jogadores da casa ou imbuídos no espírito da casa, são os mesmos - ou, o mesmo, se preferirem - que se encarregaram de dinamitar essa realidade. Hoje, em Fevereiro de 2016, o FC Porto tem 25 jogadores inscritos no primeiro plantel e desse lote há três futebolistas que têm mais de dois anos de primeira equipa. A saída de Maicon - veteraníssimo e capitão por antiguidade, que não por mérito próprio de liderança - outro sinal evidente de que algo está podre - deixou Helton, Varela e, pasmem-se, Herrera, como os nomes mais antigos no balneário.
Helton é o rei dos veteranos e um farol de portismo absoluto que suportou estoicamente tudo - de criticas a lesões quase impossíveis de recuperar a lugares de suplente difíceis de explicar - e Varela um jogador que quis forçar a sua saída mas que escolheu o destino errado e foi forçado a voltar com o rabo entre as pernas. O terceiro em discórdia, Herrera, não podia ser maior patinho feio (herda o posto na hierarquia de Maicon) e seguramente é jogador com guia de marcha em Junho. A estes podem juntar-se ainda Ruben, Chiodzie, André André ou André Silva, com passado mais ou menos largo na formação mas com muito poucos kms de equipa  principal.
Em comparação o Benfica tem 9 jogadores com mais de dois anos de primeira equipa - a que podem juntar outros seis da formação num total de 15 futebolistas - e o Sporting tem 11 jogadores no primeiro plantel com mais de dois anos de casa a que podem juntar ainda outros dois jogadores da formação para um total de 13.
Esta é a nossa triste realidade. Algo de quem não tem culpa Paulo Fonseca, Julen Lopetegui e, naturalmente, muito menos, José Peseiro. Os treinadores no FC Porto são excelentes bodes expiatórios mas os ciclos têm sido tão curtos e o seu poder tão exíguo que na hora da verdade só existe um local para onde se olhar para apontar culpados a esta realidade.

Ninguém pode criticar uma política que tem décadas - a de comprar barato e desconhecido, vender caro e preparando estrelas de primeiro quilate para outros - a funcionar perfeitamente. Esse não é nem nunca foi o problema do FC Porto entre outras coisas porque é algo absolutamente inevitável. China e Premier serão amanhã o que a liga espanhola, francesa e russa foram no passado. Não, esse não é o problema. O problema está no orçamento descontrolado - ano após ano - nas exíguas mais valias entre comissões, vendas de percentagens e investimentos em activos cada vez mais caros e, sobretudo, na ausência de uma visão desportiva - o FC Porto é um dos poucos clubes de elite que não conta com um Director Desportivo digno de usar esse titulo - que garanta que paralelamente a esses negócios necessários exista uma guarda pretoriana que garanta que os que venham a seguir saibam o que é "jogar à Porto". Ninguém está a pedir que existam dez jogadores que fiquem uma década no clube, um cenário que é cada vez mais irreal em qualquer liga. Mas ter apenas três jogadores - dois suplentes e um mal amado - é cair no fundo. Para o próximo ano ninguém sabe que será dos três. Podem estar cá todos ou até mesmo nenhum o que faria de Ruben Neves (se fica, que esperemos que sim), o mais veterano do plantel. Um miúdo da casa não pode levar esse peso nos ombros com 20 anos de idade. É o caminho mais curto para atropelar uma futura referência. Todos antes dele que prometiam muito, de Gomes a Postiga, tiveram em quem se apoiar. Ruben pode acabar só como o último sobrevivente do espírito de jogador à Porto num plantel sem jogadores - formados ou comprados, nacionais ou estrangeiros - que saibam realmente o que isso significa. Não é por casualidade que até Sapunaru - um desses estrangeiros que souberam entender isso de ser um "jogador à Porto" - afirmou publicamente o choque que lhe provocou visitar o Olival. E ele, mais do que nós, sabia por dentro o que o Porto foi e o que o Porto é hoje.

Ás vezes, entre resultado positivo e resultado negativo, entre bola na trave e bola dentro, estas questões ficam esquecidas mas depois, quando as coisas correm mal, todos levantam a cabeça à procura de referências mas hoje em dia só as encontram nos jogos de veteranos. O gesto de Maicon só é possível no contexto deste FC Porto do pós-pintocostismo com Pinto da Costa, um clube sem lideres a nenhum nível e onde os jogadores vêm trabalhar todos os dias como se estivessem noutro sítio qualquer.
   

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

16 saídas e 15 entradas

Os adeptos portistas (e não só) podem olhar para as saídas e entradas de jogadores no plantel principal do FC Porto sob várias perspectivas.

- Pelo número elevado de saídas de entradas;
- Pela concordância ou discordância em relação a algumas saídas e entradas;
- Pelos valores recebidos/pagos de algumas saídas e entradas;
- Pela nacionalidade dos jogadores que saíram e/ou entraram no plantel;
- etc.

Mas, concordando ou discordando, nestes ou noutros aspectos, eu olho para o quadro seguinte e vejo alguma lógica nas saídas e entradas de jogadores.


Curiosidades (que contrariam alguns mitos)…

1 – Número de jogadores provenientes da formação / equipa B que saíram do plantel (Gonçalo Paciência).

4 – Número de jogadores provenientes da formação / equipa B que entraram no plantel (Raul Gudino, Lichnovsky, Sérgio Oliveira, André Silva).

5 – Número de jogadores portugueses que saíram e entraram no plantel do FC Porto.

2 – Número de jogadores espanhóis (ou provenientes do campeonato espanhol) que entraram no plantel do FC Porto (Casillas e Alberto Bueno).

4 – Número de jogadores espanhóis que saíram do plantel (Andrés Fernández, José Campaña, Óliver, Adrián López).

8 – Número de jogadores que fizeram parte do plantel 2014/2015 do FC Porto e saíram para equipas do campeonato espanhol.

10 – Número de jogadores que saíram do plantel do FC Porto por empréstimo.

2 – Número de jogadores que saíram do plantel por empréstimo, tendo por destino clubes portugueses.

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Regular excedentes, necessidade absoluta

A politica ambiciosa de contratações - as incorporações de Iker Casillas, Maxi Pereira, Imbula, já confirmadas e as "possiveis" de João Moutinho e Aleksander Mitrovic - dicta claramente o ritmo a que segue a planificação de temporada. Depois de um ano de investimento imediato mas sem um desembolso financeiro considerável (jogadores a custo zero e emprestados da liga espanhola) agora o objectivo é dotar de experiência e jogadores caros (seja no passe, seja no salário) para recuperar o titulo de liga e voltar a dar cartas na Europa. 

Considerações à parte sobre essa politica há algo imperioso para procurar equilibrar, de algum modo, a balança. As saidas de Danilo, Jackson, Quaresma e Casemiro desafogaram o topo da lista entre os mais bem pagos (ficou Tello), mas esta já foi imediatamente ocupada (e com juros). O caminho que o clube pode, deve e já está a seguir é um já reclamado há muito tempo, desde que se implementou uma politica de "contentores", como se chamou, onde havia um claro excedente de jogadores nos quadros do clube que não traziam nada de novo ao plantel. Esse excedente continua a existir e é preciso ser cortado pela raiz. Para um clube das nossas caracteristicas ter um Casillas ou um Moutinho (de regresso) é preciso deixar de ter, e já, muitos Carlos Eduardos, Josués, Andrés Fernandez, Opares e afins. Jogadores cuja aportação desportiva foi/é minima e que cobram o seu salário regularmente sem trazerem nada de novo. Envia-los para novos destinos (preferencialmente com vendas ou com o clube de destino responsável do seu salário) é forçoso para encontrar uma especie de equilibrio cada vez mais complicado. O FCP tem mais de duas dezenas de jogadores nos seus quadros que não pertencem ao primeiro plantel ou não estão nas contas de Lopetegui e nesta lista excluo já, à partida, os futebolistas de formação. Uma segunda equipa paralela que não faz sentido que continue nos quadros do clube. Não serve desportivamente, é um lastre económico e se é verdade que alguns vêm como algo util ter jogadores emprestados noutros clubes portugueses para manter sobre eles uma certa influência (politica popular, tanto no Porto como no Benfica desde os anos noventa), o facto de alguns desses jogadores andarem perdidos pelo estrangeiro sem qualquer seguimento anula, de certo modo, essa filosofia.

Felizmente a SAD está atenta a essa necessidade e tem trabalhado nesse sentido. 
Foi um problema que criaram - há contratações que, desde o primeiro dia, todos sabiamos que faziam pouco sentido - e que devem resolver quanto antes. O poder na gestão do plantel de Lopetegui, superior ao dos seus antecessores, também engrossou essa lista. Talvez um Vitor Pereira estivesse disposto a ficar com este ou aquele jogador, dar-lhe alguns minutos, mas Lopetegui não está pelos ajustes (ele que, também, foi responsável por algumas dessas incorporações) e sabe com quem quer trabalhar e quem não se enquadra na sua filosofia. É nessa lista que o clube tem de trabalhar para que não exista uma especie de Porto C por esse mundo fora. As saídas anunciadas de Carlos Eduardo e Kleber são um óptimo sinal nesse sentido. Ambos jogadores tiveram a sua oportunidade e, noutro cenário, podiam perfeitamente ser parte do plantel como fundo de armário. Mas no contexto actual- de elevado investimento - nota-se me excesso a diferença de qualidade que apresentam em comparação com outras opções. A venda desses dois activos representa de forma perfeita o que é necessário fazer com vários outros jogadores. Vão para mercados periféricos onde há dinheiro. O clube ingressa o que pode por apostas que não resultaram e livra-se de lhe pagar os salários. Um Win-Win em toda a regra.



A partir desse pressuposto há vários dossiers que há que trabalhar até ao final de Agosto. 
Jogadores que podem sair por empréstimo ou em venda definitiva (ainda em, alguns casos, com opção de recompra) para regular o peso do navio. Tal como as saidas da dupla de brasileiros é absolutamente lógica, também o é o empréstimo de Diego Reyes (sem opção de compra) à Real Sociedad e o eventual empréstimo de Juan Quintero ao Bologna (sem opção de compra). São jogadores que vão para os seus dois potenciais mercados (Quintero veio de Itália, Reyes assinou pelo Porto recusando equipas espanholas), exibir-se como potenciais titulares, contra rivais de nivel superior ao da liga portuguesa e que, se funcionarem, permitem ao clube negociar a partir de uma posição favorável. E - no improvável caso - de darem um importante salto de qualidade, poderão voltar ao plantel.
Distinto é o caso de Andrés Fernandez. Foi um erro de casting por assumir e agora em Granada - um clube amigo via Doyen - vai rodar para ser vendido a posteriori, a sua recuperação nem sequer se discute. A mesma situação aplica-se a Ghilas, cuja culpa de não estar no plantel é exclusivamente sua e da sua atitude (reproduzida em Espanha, aliás). Mas, cuidado com esses empréstimos. Os últimos Relatórios de Contas foram evidentes, os empréstimos dão prejuizo no modelo actual. Ou o clube que fica com o jogador para o seu salário ou o melhor é forçar a venda, ainda perdendo dinheiro à primeira vista. A SAD sabe perfeitamente dessa situação.

A partir destes nomes há uma lista variadas que podemos englobar em duas visões paralelas.
As que seguem a estela Reyes e, eventualmente, Quintero, jogadores que convém emprestar por um ano (com salário a ser pago pelo clube destinatário) para uma derradeira prova de fogo, e os jogadores que haveria de vender a todo custo de forma a aligeirar essa carga salarial. E vamos excluir a formação - Rafa, Gonçalo, David Bruno, Ivo Rodrigues, André Silva, Francisco Ramos - desta equação. Jogadores a quem um ano na equipa B já não traz nada e que podem potencialmente servir, num futuro próximo, ao plantel principal.

No primeiro grupo - a imitar o exemplo de Otávio que volta a Guimarães - estão Kayembe e Victor Garcia, contratados para a equipa B (e portanto não são formação) mas que precisam de minutos como titulares o mais depressa possível. Urge tê-los por perto, clubes portugueses, partilhando o salário mas com seguimento exaustivo. A prova dos nove.

No segundo falariamos de Josué (outro erro de casting), Kelvin, Caballero (emprestado a um clube suiço sediado no Lieschtein pela alma de quem?), Ricardo Nunes, Tiago Rodrigues (idem), Quiño, Ba, Djalma, Sami, Licá, Bolat, Opare, Rolando, Pedro Moreira, Izmailov e o inanarrável Adrian Lopez. Futebolistas que - por um motivo ou outro - não deveriam ter pertencido aos quadros em primeiro lugar (excepção feita a Kelvin e Rolando) e que são um peso morto para as finanças do clube. Se queremos contar com Casillas e Moutinhos é aqui onde temos de começar a cortar.

São, mais homem menos homem, quinze futebolistas a que podemos juntar ainda outros dos quais detemos percentagens nos passes que convinha que nos livrassemos num futuro não muito distante e que todos os anos lá vão aparecendo no Relatorio de Contas (Walter, olá). Uma autêntica equipa C que só nos prejudica. Se algum desses jogadores for realmente bom para o futuro (e há muito poucos que encaixam nesse perfil) então que se vendam com opção de recompra. Tal foi feito, por exemplo, com o Tozé que encaixa no perfil do Sergio Oliveira. Veremos daqui a um par de anos como se safa em Guimarães. Um FC Porto com um plantel principal de 24 jogadores e uma equipa B que faça a ponte com outros tantos jogadores - incluindo meia dúzia que saltem, nos treinos e convocatórias - entre um e outro, é o cenário ideal. A esse juntem meia dúzia de jogadores que não encaixam na B mas ainda não servem para A e temos o plantel ideal para o FC Porto do futuro. 

Tudo o resto são, inevitavelmente, sobras. Sobras caras e que em nada ajudam as contas no fim do trimestre. A SAD está a fazer o trabalho de casa como os sinais do mercado têm evidendiciado. Têm um mês e meio para dar vazão aos restantes jogadores. Estaremos atentos!

domingo, 7 de junho de 2015

Saídas e Entradas (I)

SAÍDAS (3):

Danilo (Real Madrid) – dos 31,5 M€ pagos pelo Real, entraram nos cofres da FCP SAD cerca de 26,7 M€ (correspondentes a 3,56 M€ do valor contabilístico do atleta + 23,1 M€ da mais-valia comunicada).

Casemiro (Real Madrid) – 7,5 M€ pagos pelo clube espanhol (presumivelmente limpos de encargos).

Óliver (Atlético Madrid) – fim do empréstimo (que não tinha opção de compra) e regresso do jogador a Madrid.


ENTRADAS (4):

André André, Bueno, Sérgio Oliveira, Carlos Eduardo

Sérgio Oliveira (Paços Ferreira) – a FCP SAD terá investido cerca de 0,5 M€

Carlos Eduardo (Nice, França) – fim do empréstimo (o Nice não tinha opção de compra) e regresso ao Porto.

Alberto Bueno (Rayo Vallecano, Espanha) – jogador livre (estava em fim de contrato).

André André (Vitória Guimarães) – 1,5 M€ (valor da cláusula de rescisão).


BALANÇO

É demasiado cedo para fazer balanços. Falta um mês para o arranque da nova época e mais de dois meses para o primeiro jogo oficial. Daqui até lá, irão existir imensos rumores, muitas entradas e saídas e, inclusivamente, não é certo que Óliver saia mesmo, bem como, que as quatro "entradas" fiquem todos no plantel 2015/2016.

Para já, parece claro que o FC Porto terá de ir ao mercado para arranjar um médio defensivo, porque nenhum dos quatro jogadores regressados/contratados tem essas características e Rúben Neves ainda não está preparado para ser o Nº 6 titular dos dragões.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O jogo mais importante do ano?

É humanamente impossível pensar que, depois de uma noite europeia histórica, há pernas e cabeça para que uma equipa se consiga concentrar como se exige para um jogo do campeonato em casa.


José Mourinho, que não é suspeito, disse em 2004 que para que o seu FC Porto pudesse ambicionar ir à final da Champions League era necessário um colchão pontual importante para evitar essa tensão e as suas consequências. Onze anos depois estamos em boas condições de voltar a umas meias-finais mas, ao mesmo tempo, temos três pontos de atraso (e alguns golos) do rival do jogo de domingo a oito dias. Antes da Luz há uma super-desgastante viagem a Munique (ninguém duvida que o Bayern vai vender cara qualquer derrota) e um jogo fundamental contra a Académica. O jogo seguinte.

“Partido a partido” foi a máxima do Atlético de Madrid para ganhar a maratona ligueira contra o Real e o Barcelona e ainda assim chegar à final da Champions. Não tinham como adversário um rival com dez pontos de borla como se um cupão de descontos do Lidl fosse mas sim duas hiper-equipas (uma delas também tiveram de eliminar na Champions). Essa mentalidade não era só uma questão semântica. O sucesso passa pela capacidade de concentração e crença. Uma equipa não pode ou deve ligar e desligar porque algum dia pode confundir-se nos botões. Uma cultura de vitória é precisamente aquela que olha para cada jogo como se fosse o mais importante. E é isso que o FC Porto tem de fazer neste ciclo infernal e no que venha depois se tudo correr bem.

Não deixa de ser verdade que para o jogo no Dragão contra a Académica há importantes condicionantes. Fisicamente o plantel sofreu com alguns desajustes e lesões que forçaram jogadores a acumular minutos (as ausências de um Adrian ou Tello, a ida de Brahimi à CAN). Um descanso – se queremos repetir o mesmo desgaste na Alemanha e na Luz – é inevitável para pernas cansadas como as de Herrera, Oliver e um recuperado Jackson. Também há o temor dos amarelos – e Duarte Gomes inspira genuinamente temor – sobretudo no caso de Danilo que jogará seguramente (não vai a Munique), mas que tem o fantasma pendente de não ir também a Lisboa.

Temos de dar por garantido que a forma como o Belenenses já se despiu e deitou na cama em posição adequada com a série de ausências que recorda a vergonha da primeira volta dará não só três pontos como vários golos (e os golos vão ser importantes, acreditem) ao rival. Nós só podemos fazer o nosso trabalho, a saber, somar seis pontos e um goal-average superior nos próximos 180 minutos de campeonato. Nada mais. Quem jogou como jogou na quarta-feira é seguramente capaz de o lograr. Outra coisa é que o consiga fazer.

É nessa dinâmica que o trabalho de Lopetegui – que saiu hiper-reforçado do jogo da passada quarta-feira – é fundamental. Tem de convencer os que vão jogar, de entre os titulares habituais, no sábado, que é um jogo tão importante como qualquer outro. É verdade mas digam lá isso a miúdos que só querem brilhar na Champions e voltar aos seus clubes de origem ou assinar os contratos da sua vida. Não será fácil mas é nesses momentos que os “pastores de homens”, como dizia Homero, se mostram realmente. Lopetegui tem também de saber motivar os menos habituais, os que seguramente não vão jogar mais neste ciclo de três jogos de que a sua participação contra a Académica é tão importante para o clube como a de ontem. Muitos terão uma decisiva oportunidade, outros terão de responder à confiança do mister.

Lopetegui na conferência de imprensa antes do FC Porto x Académica

Vencer a Académica em casa devia ser quase uma garantia mas com muitas cabeças na noite de ontem e na de terça-feira (ou até no domingo a oito) claro que todos se lembram de tropeções históricos do passado. Chegar á Luz com possibilidade de passar à frente é tudo aquilo que se pode exigir a uma equipa roubada desde o primeiro minuto do campeonato do seu legitimo direito de aspirar a um título que merece muito mais que o seu rival.

Tendo em conta as ausências em Munique – Danilo, Alex Sandro – e a importância do jogo com o Bayern (não se enganem, a eliminatória vai a meio, um 2-0 não é um resultado tão improvável mas a 90 minutos de fazer história e sabendo a roubalheira que nos espera na Luz, o normal é mudar o chip) Lopetegui deverá apostar num onze que misture o melhor de dois mundos. Marcano, Danilo e Alex devem jogar com Reyes a fechar no centro. Ruben deveria ser titular como trinco – jogamos em casa e é a Académica – e Evandro e Quintero devem terminar por fechar o meio-campo. Para o colombiano pode (deve) ser a ultima oportunidade. Hernâni e Aboubakar são fixos no ataque e eu, pessoalmente, jogaria com Gonçalo. Dois avançados, intenção clara: marcar golos e dominar em casa.

Essa poupança de pernas permitia aos jogadores que sim vão ser titularíssimos em Munique descansar e não tirar a cabeça dos alemães e aos restantes membros do plantel demonstrarem que esta é uma equipa unida e que todos remam em conjunto, ainda que com tarefas divididas. No final as medalhas ao peito têm de valer por algo e há ali nomes que precisam de dar o seu contributo de forma definitiva. Não há melhor momento que agora.

Vencer a Académica garante um Jorge Jesus cagado na Luz. Um Jorge Jesus que vai passar a vergonha histórica de defender em casa um empate miserável que depois o resto dos seus amigos de negro confirmem que a diferença pontual se mantém vigente até ao fim da liga. Um Jorge Jesus que está eufórico com o desgaste físico desta eliminatória esquecendo-se de que o prestigio acumulado em noites europeias como estas valem mais que todas as suas pseudo-finais de UEFA e títulos de liga encomendados. Mentalidades pequenas pensam sempre da mesma forma.

O FC Porto tem no seu ADN o futebol europeu a cores e 3D e a vitória histórica de quarta-feira abre as portas a uma meia-final inesperada. Em casa temos de ser fiéis a nós próprios e competentes. Vencer a Académica garante um “showdown” na Luz, já com a questão alemã resolvida (para bem ou para mal). É por isso um jogo fundamental.

Uma vitória encherá a equipa de confiança, de vontade de vencer não só o Bayern mas também o Benfica. Uma sensação de dever cumprido que ajuda sempre ao ego. Uma sensação de – nem todos derrotados nos conseguem fazer perder o rumo – tão à Porto. Uma derrota ou empate, pelo contrário, condiciona a corrida ao título de forma definitiva e pode ser um golpe psicológico e um acrescento de pressão para Munique que a equipa não precisa nem merece. Resolver a equação matando o jogo de sábado cedo é fundamental. Se o Dragão ajudar como na quarta-feira, muito melhor.

No entanto, cuidado. Num campeonato viciado, ninguém poderá apontar o dedo se no meio deste ciclo de jogos de alto nível haja no plantel quem pense mais nas estrelas e nos hinos de glória que outros nunca ouvem do que em dar tudo contra uma equipa que na Luz foi amiga, amiga, para depois encontrar-se com os dados viciados na esquina seguinte. Este FC Porto pode não vencer nenhum titulo em Maio, mas já fez mais em meia dúzia de jogos que outras equipas em cinco anos. Essa memória não deixaremos que se apague.