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segunda-feira, 17 de março de 2014

Si vis pacem, para bellum


Em declarações feitas hoje à Antena 1, Dias Ferreira, conhecido sportinguista e ex-dirigente do SCP, quando questionado se admitia que a contestação promovida pelo “Movimento Basta”, nas horas que antecederam o Sporting x FC Porto, tenha surtido efeito nas incidências do jogo, respondeu:

Não posso deixar de admitir que sim. Quando as pessoas dizem que basta, os outros têm de ficar alertados. Admito todas as hipóteses. Admito, sobretudo, que não podemos deixar de protestar.

E, para que não ficassem dúvidas, rematou a conversa com a seguinte frase:

Jogámos à Sporting, ganhámos à Porto”.


Portistas, chegou a altura de dizermos BASTA!

Basta deste silêncio ensurdecedor da FC Porto SAD, perante tantos desaforos, insinuações, mentiras, provocações e até insultos.

Basta de inoperância da FC Porto SAD perante tantas manobras de bastidores, cozinhadas nos corredores do poder, e que têm como consequência autênticas ROUBALHEIRAS como as que ocorreram esta época em deslocações do FC Porto à capital - Estoril, Luz e Alvalade.

Sinceramente, não me revejo na postura atual dos dirigentes do Futebol Clube do Porto.

O Futebol Clube do Porto é, por definição, um clube anti-sistema, um clube anti poder central e, por isso, os seus dirigentes não podem ser mansos.

Esta gente da capital quer guerra?
Pois vamos para a guerra (futebolisticamente falando), com todas as armas (desportivas, politico-desportivas e mediáticas) à nossa disposição, dentro e fora dos relvados.

A época 2013/2014 está perdida, mas a próxima só estará se os dirigentes da FC Porto SAD quiserem e nada fizerem.


(*) Si vis pacem, para bellum é um provérbio latino, que pode ser traduzido como: “se queres a paz, prepara-te para a guerra”

terça-feira, 21 de maio de 2013

A festa do “clube regional”

Um “FC Porto em fim de ciclo”, com uma “estrutura dirigente caduca” e um “treinador incompetente”, selou a conquista do sétimo campeonato dos últimos oito anos. Nada mau…

Mas, o que me deixou mais surpreendido, foi ver e ler as notícias da festa portista de norte a sul do país, passando pelas ilhas e pelos países da diáspora portuguesa.

Então não é verdade que só há meia-dúzia de portistas, concentrados no Porto e arredores?

«Em Cabo Verde, a vitória foi festejada um pouco por todo o arquipélago, mas a festa rija decorreu na Terra Branca, “feudo” dos “dragões” da capital do país. Ao som da “Pronúncia do Norte”, “We Are The Champions”, dos Queen, e do hino oficial dos portistas, saídos de potentes altifalantes, a rotunda da Terra Branca, que liga a estrada para a Cidade Velha e a Achada de Santo António, entupiu com dezenas de automóveis, que buzinavam, e de adeptos, que apitavam, cantavam e dançavam.»

(Festa em Lisboa, 19-05-2013)

«A Casa do Futebol Clube do Porto, em Luanda, foi domingo pequena para receber as dezenas de sócios e adeptos dos “dragões” (…) Criada oficialmente em 1999, a Casa dos Dragões em Angola começou a encher-se muito antes da hora do jogo com o Paços de Ferreira e ninguém escondia a confiança na revalidação do título. (…)
Vamos ser campeões, de certeza”, disse o presidente da direção da Casa, Agostinho Rocha, sócio desde 1976, empresário luso-angolano nascido em Luanda, popularmente conhecido por Rochinha. Entre os assistentes, o provedor de Justiça de Angola, Paulo Tjipilica, vice-presidente da Assembleia Geral da Casa do FC Porto, sócio dos dragões desde o tempo em que viveu em Lisboa. (…)
Dos três “grandes” do futebol português, o FC Porto é o único com representação em Angola, com a Casa do FC Porto, e os títulos ganhos nos últimos anos começam a ter correspondência nas preferências clubísticas, ameaçando numericamente o Benfica, ainda o mais popular no país, enquanto o Sporting é também em Angola o terceiro na lista das preferências.»

(Festa em Viseu, 19-05-2013)

«Centenas de adeptos do FC Porto festejaram no domingo, brevemente, a conquista do campeonato português de futebol, nas ruas de Maputo, onde, antes, a maior circulação de símbolos vermelhos do Benfica parecia justificar a sua toponímia revolucionária.»

(Festa em Braga, 19-05-2013)

«No Canadá, os festejos do 27.º título de campeão nacional do F. C. Porto foram sentidos em Toronto, a cidade canadiana onde existe maior número de portugueses e de luso-descendentes, principalmente em zonas comerciais. Antes do início dos encontros do Porto com o Paços de Ferreira e do Benfica com o Moreirense, era possível encontrar-se adeptos de ambos os clubes, equipados a rigor, nas ruas da cidade, como a Dundas, a College e a Rogerse St. Clair, onde os bares começavam a ficar lotados. (…) Num estabelecimento, que se encontrava praticamente cheio de adeptos tanto do FC Porto como do Benfica (…). Os portistas, que estavam em maior número, cantaram efusivamente “O Porto é campeão”, assim que terminou o jogo.»

(Festa no Funchal, 19-05-2013)

«Em Londres, a conquista da Liga pelo Porto foi celebrada com gritos e aplausos no café Estrela, em Stockwell, um dos locais mais populares para o acompanhamento de jogos de futebol, e com buzinadelas na South Lambeth Road.
Este foi um dos melhores campeonatos de sempre”, exclamou, num português irrepreensível, Jaz Izzouguene, um argelino portista, com uma camisola do clube azul e branco vestida, adepto do Futebol Clube do Porto “desde os anos 80, do tempo do Madjer”»

(Festa em Coimbra, 19-05-2013)

«Em Bruxelas, os adeptos do F. C. Porto fizeram-se ouvir, durante alguns minutos, no bairro de Flagey, onde residem muitos emigrantes portugueses, celebrando a conquista do campeonato com buzinadelas, junto a cafés de origem nacional.»

(Festa em Bruxelas, 19-05-2013)

Fonte: Agência Lusa

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

A history of violence

Sendo um confesso adepto da 7a arte, o mais recente episódio grave de violência de que o FCP foi alvo fez-me lembrar o filme de David Cronenberg que emprestou o título a este artigo.

Eu explico: a propaganda anti-FCP e acima de tudo lisboeta (e não é só no futebol…) alimenta e alimentou ao longo dos últimos anos o mito de que a cidade do Porto está cheia de “grunhos” e mafiosos, com o chefe de orquestra a dar pelo nome de Pinto de Costa.

No entanto sem puxar muito pela memória constato que em Lisboa e arredores já vi...

- um adepto do slb a assassinar um adepto adversário em pleno estádio;

- ultras do slb a meter um jogador de hóquei do FCP em coma à saída do estádio da luz com um taco de beisebol;

- adeptos do SCP a cair e morrer das bancadas por se atropelarem uns aos outros a ver quem mandava mais pedras à comitiva do FCP (que continuarem a fazer, mesmo quando o médico do FCP prestava cuidados às vítimas);

- uma autêntica chuva de pedras sobre os jogadores do FCP quando recebiam uma Taça no Jamor depois de vitória sobre SCP, e isto na bancada principal (onde os adeptos são supostos ser mais "refinados") sob o olhar do Presidente da República;

- um autocarro de adeptos do FCP incendiado sem qualquer provocação (aliás, felizmente não estava lá ninguém);

- um capanga de LFV a atacar fisicamente um team manager do FCP no túnel da luz (ver notícias de sábado), depois de já ter também feito o mesmo a empresários de q o LFV não gosta em esperas na Portela;

- adeptos do FCP a serem impedidos de entrar na cidade de Lisboa (agora que a China está na moda, alguns dos seus métodos parecem começar a ser copiados…);

- um forte conluio entre LFV e uma claque ilegal de adeptos (?), No Name Boys, apanhado com um autêntico arsenal de armas em pleno estádio da Luz (LFV que chegou ao ponto de despedir o chefe de segurança do clube por assistir a PSP nesse processo);

- LFV e motorista a dar um arraial de porrada numa dependência da CGD a alguém que tinha cometido o crime de estacionar mal o carro;

- um sobrinho do jogador Nuno Valente a ser esfaqueado em St Apolónia por adeptos dos No Name Boys, após perseguição e devido ao “pecado” de envergar um cachecol do SCP;

- um adepto do slb a invadir o relvado para agredir um fiscal-de-linha, perante a impassividade dos seguranças;

- ainda há umas semanas, tentativa de agressão a Pinto da Costa à saída do hotel,

- ... e inúmeros outros incidentes (começando pelos estádios da 2a circular, onde os adeptos do FCP costumam ter muito mais problemas do que o inverso),

... e agora isto: paralelepípedos atirados à comitiva do FCP de um viaduto sobre a auto-estrada! Imaginem a catástrofe que podia ter acontecido.

Mas pronto, o Porto é que é terra de capangas e mafiosos. Porto, onde por exemplo um anti-portista (do mais primário que existe) como um Ricardo Costa trabalha e passeia sem nunca ter sido alvo de qualquer ataque físico.

Já estou mesmo a ver o "filme": um dia destes a "tampa" salta a algum adepto do FCP e vai acontecer uma pequena desgraça no Porto, e aí lá virá o mito propagandístico em toda a sua força, ignorando totalmente os acontecimentos que acabo de referir (acontecimentos que, já agora, passaram com total impunidade na esmagadora maioria, começando pelo assassino do Jamor que anda por aí a monte).

Que fique claro: não quero com isto dizer que não hajam também incidentes no Porto, que os há (como os há, infelizmente, em muitos dos estádios deste país, com o de Guimarães a ser um caso notório), e lamento isso. Aliás, já aqui por diversas vezes deixei bem claro que não nutro qualquer simpatia pelo núcleo duro dos Super Dragões em particular.

Mas a haver uma história sustentada e sistemática de incidentes graves, não há qualquer dúvida que a Grande Lisboa (com os adeptos do slb, quando não são os próprios dirigentes, a serem os principais "protagonistas") ganha por cabazada - ou por “15-0”, como diz outro anti-portista primário bem conhecido…

PS – não deixei de reparar a forma (low profile) com que os jornais do regime (mais uma vez) mencionaram (?) este ultimo grave incidente. Só me admira que ainda não tenham chegado ao ponto de insinuar que os agressores eram adeptos do… próprio FCP. Será porventura uma questão de tempo, já que Goebbels é uma forte fonte de inspiração para aqueles lados.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Os Patrões do centralismo

«Tentei ontem conhecer o nome do vencedor do Campeonato do Mundo dos Jovens Pasteleiros, mas não o consegui. O site da Associação de Hotelaria e Similares de Portugal (AHRESP) disse-me que eu não tinha permissão para aceder a essa extraordinária informação sobre a prova que decorreu de 31 de Março a 2 de Abril do ano passado em Lisboa.
Apesar de esse magnífico certame ter tido o apoio do Turismo de Portugal no valor de 50 mil euros - tanto como o Fantasporto, e mais do que todo o distrito de Aveiro durante todo o ano de 2008 - não consigo assim dizer aos meus eventuais leitores quem foi esse magnífico vencedor, como não sei se se distinguiu a cozinhar o “Melhor do Mundo” ou rabandas.

Os números que a Câmara do Porto divulgou sobre os apoios dados pela Turismo de Portugal em 2008 são, de facto fantásticos: 61% (43 milhões de euros) foi para o concelho de Lisboa. Concelho, repito, nem sequer é o distrito.
Dizem-me que é por causa das contrapartidas pagas pelo Casino de Lisboa e que isso explica tudo.
Para mim isso não explica nada. Ou então deixem-me fazer um casino no Porto. Melhor ainda: apliquem a essas contrapartidas, o princípio do “spill over” que permite gastar dinheiros europeus em regiões já com nível acima da média europeia, tal como tem acontecido com inúmeros benefícios para Lisboa, e assim as coisas já ficam mais justas.

Agora, quererem convencer-me de que o projecto “Ao domingo o Terreiro do Paço é das pessoas”, que teve direito a nada menos de 600 mil euros, ou esse piramidal projecto de animação dos coretos de Lisboa que mereceu 300 mil euros, são boas aplicações dos dinheiros do Turismo de Portugal, isso não conseguem. Se é a lei que está mal, ela já se devia ter mudado.
Curiosamente Luís Patrão, patrão da Turismo de Portugal, em declarações ao GP, justificou há dias o corte no apoio ao Concurso de Saltos Internacional de Matosinhos com o facto de o dinheiro não estar a servir para a internacionalização da prova, como era suposto. As “Redes pedonais e percursos cicláveis de Lisboa” tiveram direito a 1.1 milhões de euros e já agora, gostava de saber em que é que internacionalizam a nossa querida capital.

Mas por aqui percebe-se bem porque não há Regionalização. Como é que isto iria ser possível num quadro regionalizado? As Regiões teriam muito maior capacidade na barganha por estas verbas e não iria ser fácil ao Estado colocar o dinheiro todo no mesmo cesto. Esta gente, como a que manda no Turismo dito de Portugal, é precisamente a que tem poder e que não é escrutinada. Com a Regionalização seria, fatalmente.

Mas também, no meio disto tudo, gostaria de ter visto uma reunião da Junta Metropolitana do Porto que congregasse os seus municípios numa crítica clara ao que tem sido este regabofe do Turismo de Portugal, ao que foi a história da Red Bull e da sua viagem para Lisboa porque “havia limitações no Porto em Gaia”, como disse o responsável da Red Bull em frente aos autarcas António Costa e Isaltino Morais, sentados lado a lado.»
Manuel Queiroz
in 'Grande Porto', 24/12/2009


Ainda no Semanário Grande Porto, e a propósito das declarações que Bernd Loidl, CEO da Red Bull, fez em Lisboa sobre as "limitações naturais" do rio Douro, Luís Filipe Menezes afirmou: "São uns aldrabões e uns mentirosos. Sempre elogiaram, sempre disseram que no Douro tinham as melhores imagens dos aviões, os pilotos sempre disseram que gostavam imenso de voar aqui".
E sobre as explicações piedosas do presidente da CM Lisboa, Menezes reagiu da seguinte maneira: "Já o que diz o dr. António Costa é conversa fiada. Ainda tinha que lhe agradecer e fazer uma festa de homenagem".

"Limitações naturais"? Não tinha reparado que do dia 4 de Dezembro para agora as margens do Douro tinham ficado mais estreitas. De outro modo, como é que a corja que se juntou para levar a Red Bull Air Race do Porto para Lisboa, justifica que nesse dia (4 de Dezembro), numa reunião realizada com os presidentes das câmaras do Porto e de Lisboa, os responsáveis austríacos e portugueses da organização da prova tenham proposto aos autarcas do Norte a realização do evento alternadamente entre Lisboa e Porto?

Nota: A gravura que ilustra este artigo é da autoria de Diogo Oliveira.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

A corda está esticada


«Quando colocados na balança as perdas e os ganhos, a realização da Red Bull Air Race era um ponto a favor na capacidade de iniciativa e de realização nortenha. E um mecanismo de captação de turistas nacionais e de todo o Mundo. Agora, mesmo isso perdeu-se. Nada perdura e tudo se deslocaliza, quando não fecha as portas, tal como acontece na indústria têxtil e com algumas importantes sedes de associações ou de institutos.
A própria Associação Empresarial de Portugal (AEP), com centenas de membros, que sempre teve a sua sede no Porto, fez as suas malas. Em Outubro, concretizou-se a fusão da AEP com a Associação Industrial Portuguesa.
A nova associação passou a chamar-se Confederação Empresarial de Portugal e a ter sede em Lisboa. Outro exemplo de fusão deu-se no mercado bolsista. Em 2000, a Bolsa de Valores de Lisboa e a Bolsa de Derivados do Porto fundiram-se e deram lugar a uma nova sociedade anónima.
No caso da Banca, após sucessivas aquisições e fusões, ficaram dois grandes grupos na região, o Millenium BCP e o BPI. Mas, se as sedes continuam no Porto, os centros de poder e de decisão deslocam-se para a capital.»
in JN, 17/12/2009


Depois do Ministro da Economia ter dito no Parlamento que nada sabia sobre este assunto; depois do presidente do Turismo de Portugal ter afirmado que também nada sabia, confirmou-se aquilo que toda a gente já sabia: a Red Bull Air Race levantou voo do Porto e aterrou em Lisboa.
A negociata e as manobras de bastidores eram notórias e, conforme se comprova, a reunião do passado dia 4 de Dezembro com os presidentes das câmaras do Porto e Gaia não passou de uma fantochada.

Percorrendo os jornais online (PUBLICO, Jornal Notícias, etc.) e dando uma vista de olhos aos comentários que a confirmação deste "roubo" provocou, verifico que não estava a exagerar quando publiquei o artigo “Nós só queremos Lisboa a arder”. É, por isso, lamentável que pessoas responsáveis continuem a assobiar para o lado e não percebam, ou não queiram perceber, que esta golpada é mais uma acha numa enorme fogueira e que serviu para agravar o clima de ódio e divisão que o centralismo sufocante vem provocando em Portugal.

A corda está cada vez mais esticada e um dia vai rebentar. Quando isso acontecer, escusam de vir com discursos moralistas.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Os yes-men


É óbvio que esta não é uma situação boa para a Área Metropolitana do Porto, mas isto só demonstra a incapacidade de Rui Rio e Luís Filipe Menezes de negociarem com a Red Bull. O doutor Rui Rio tem deixado sair tudo do Porto, à excepção da corrida de calhambeques.
Renato Sampaio, presidente da federação distrital do PS-Porto
in ‘Grande Porto’, 11/12/2009


Quer seja nos partidos políticos, quer seja nos clubes de futebol não faltam yes-men. Contudo, mesmo entre os yes-men, há os que fazem questão de se destacarem pelo seu lambe botismo e por serem mais papistas que o papa. É o caso deste Renato Sampaio, transmontano nascido em Alijó, e que a partir da distrital do PS-Porto tem trilhado uma carreira política fulgurante.

Ao contrário do também socialista Guilherme Pinto, presidente da câmara de Matosinhos, que lamentou o provável desvio da Red Bull Air Race para Lisboa e, inclusivamente, disponibilizou-se para articular esforços com as câmaras de Porto e Gaia, Renato Sampaio sentiu necessidade de vir a público atacar o poder político local para, dessa maneira, encontrar argumentos que suportem a lógica centralista subjacente a este “roubo”.

Mas apesar da areia, misturada com calhambeques, que nos quer atirar para os olhos, todos sabemos que esta questão tem pouco a ver com os partidos que têm alternado no governo. Quer o PS, quer o PSD, quando chegam ao poder alinham pela mesma cartilha: metem a regionalização na gaveta e aprofundam o centralismo. Aliás, sabendo isso mesmo, Rui Rio nunca partidarizou. Pediu “bom senso ao poder central” e teve o cuidado de dizer “não estou a falar deste Governo, isto é transversal aos partidos”.

Ora, se em vez de querer mostrar serviço ao “chefe”, Renato Sampaio tivesse mobilizado os deputados do PS eleitos pelo distrito do Porto para uma luta activa em prol da manutenção da prova no rio Douro, tinha prestado um melhor serviço à região por onde foi eleito deputado. Mas, conforme afirmou Pedro Baptista (lembram-se das crónicas acutilantes que ele escrevia em O JOGO?) na conferência de imprensa de apresentação da sua candidatura à Federação Distrital do Porto, “o PS-Porto está completamente passivo. O líder distrital não tem passado de uma caixa de ressonância do poder central”.

De facto, se estes “provincianos” que se passeiam pelos corredores do poder não se esquecessem das suas origens e de quem os elegeu, talvez a realidade do Porto, do Norte e do País fosse diferente, mas é esta a triste realidade.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“Nós só queremos Lisboa a arder”


"Portugal é cada vez mais um país estrangulado e centralista. Os momentos que se vivem no nosso país são extremamente delicados e difíceis para todos aqueles que querem fazer alguma coisa fora da capital do império.
Por mais pasquins que Lisboa tenha ao serviço e à promoção dos seus clubes e entidades, vamos continuar a lutar com a dignidade das gentes do Norte, com as gentes deste país, de Norte a Sul, que não se confundem com o poder centralista da capital.
O FC Porto está a mais no país que temos, mas é necessário para o país que nós queremos que Portugal seja."
Pinto da Costa, 27/11/2009

Coincidência ou não, estas declarações de Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Amarante, foram feitas no mesmo dia em que Manuel Brito, vereador do Desporto da autarquia lisboeta, confirmou ao jornal PÚBLICO a existência de negociações com a Red Bull Portugal tendo em vista desviar a Red Bull Air Race do Porto para Lisboa. Segundo o PÚBLICO, para além da Câmara de Lisboa, os contactos da Red Bull com as entidades portuguesas têm também envolvido o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado de Turismo.

Perante isto, e como seria de esperar, os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia já reagiram: Rui Rio de forma contida e politicamente correcta (a ambição de chegar a líder do PSD e depois a primeiro-ministro a isso obriga) e Menezes sem tibiezas, pondo os pontos nos iis.

"A empresa [Red Bull] tem todo o direito de ir para onde quer. Depois há o financiamento público e para-público de empresas públicas (...) Não estou a falar deste Governo, isto é transversal aos partidos. (...) A seguir às eleições, fomos contactados para saber se estávamos interessados em ter a prova no Porto e dissemos que sim"
Rui Rio, 27/11/2009

"É uma situação escandalosa, o Estado estar a suportar um país a duas velocidades. Não tem nada contra as pessoas de Lisboa, não tem nada contra a Câmara de Lisboa. Tem contra um atitude, mais uma, discriminatória do Estado, que directa ou indirectamente, está a esquecer-se que o Porto é fundamental para o desenvolvimento económico e social do país"
Luís Filipe Menezes, 27/11/2009


Menos soft que os políticos, foi a reacção inflamada de dois conhecidos comentadores e respeitados elementos da sociedade civil portuense:

O Porto não perdeu, o Porto foi roubado, como de costume. Como já se sabia, porque já no Verão isso foi falado, o Governo resolve subsidiar o Red Bull Air Race desde que seja realizado em Lisboa, no Tejo. O governo de hoje em dia é um governo perfeitamente colonial, que vive concentrado em Lisboa, que concentra todo o investimento em Lisboa e acha que nós somos seus colonos e seus súbditos e portanto não está interessado em investir aqui, principalmente no turismo. Tem-se visto o comportamento do governo relativamente ao fomento do turismo nesta região
Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto

"O Porto é permanentemente roubado, na medida em que há uma transferência sistemática de impostos dos cidadãos da região, para a capital do Império. Isso é uma lógica que vem de sempre. Já não temos colónias, já não temos Macau, já não temos Timor, já não temos nada desse Império, só que Lisboa continua a funcionar como uma capital imperial. Quer dizer que cada vez que algum projecto com alguma notoriedade, com algum valor para o país, como é claramente o caso do Red Bull Air Race, tinha de haver esta vontade por parte da capital do Império, de nos roubar, penso que é a palavra correcta, esta iniciativa aqui ao Norte. Acho que é uma vergonha"
Paulo Morais, ex-vereador da Câmara do Porto


Desta vez, até o Senhor Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, reagiu: "esta era uma maneira da região e as duas cidades do rio ficarem mais conhecidas não só em termos portugueses, mas sobretudo, em termos internacionais: falar-se do Porto, de Gaia, do Douro e do Norte".

Era, de facto, uma maneira de promover a nível internacional a marca Porto, Douro e Norte de Portugal, dinamizando o turismo na região, mas está visto que isso não interessa aos governantes deste país. O que é "estratégico" é promover mais e mais eventos em Lisboa, nem que sejam no mesmo dia (veja-se o caso da XIX Cimeira Ibero-Americana e da comemoração do Tratado de Lisboa). Aliás, habituados a que tudo o que se passa em Portugal tenha de ser em Lisboa, há mesmo quem olhe para estas reacções com a altivez e o desdém próprios de quem lida com "provincianos", a quem, de vez em quando, os magnânimos senhores da capital distribuem umas migalhas que sobram dos banquetes na corte. Na sua cegueira, de quem não vê para além do eixo Lisboa-Cascais, ainda não perceberam que a reacção a esta negociata não é uma tempestade num copo de água, mas sim a consequência da gota de água que faz transbordar um copo demasiado cheio.

Depois de uma década de centralismo cavaquista, que meteu a regionalização na gaveta e avançou em força com um modelo de concentração e desenvolvimento unipolar, ostentando a riqueza da nação no Centro Cultural de Belém e na EXPO'98, estamos novamente a assistir a um período em que os recursos do país são sugados para a "capital do Império" e para as mega obras para aí projectadas - aeroporto e terceira ponte. Paralelamente, verbas do QREN são roubadas ao Norte e canalizadas para Lisboa (graças a um tal efeito difusor ou "spill over") e, como o dinheiro não chega para tudo, a 2ª fase do Metro do Porto foi adiada para as calendas e o TGV irá avançar a duas velocidades (a ligação de Lisboa a Badajoz avança já, enquanto que a do Porto a Vigo ver-se-á quando avançará).

Sócrates e a sua entourage andam a brincar com o fogo. Não devem ter lido, ou se leram não perceberam, o que o jornalista Jorge Fiel escreveu no Expresso, em 13 de Agosto de 2005:
"O grito de raiva «Nós só queremos Lisboa a arder» é a expressão (grosseira) da revolta de quem se sente discriminado. A única vacina eficaz contra esta raiva é corrigir as assimetrias que desequilibram o país."

O problema é que por via da acção de sucessivos governantes pirómanos instalados no Terreiro do Paço, as assimetrias são cada vez maiores. A região rica (Lisboa) está cada vez mais rica e as pobres (Norte e Interior) estão cada vez mais pobres.

«Entalada entre o Suriname e o Brasil, na América do Sul, fica uma das duas únicas regiões dos Quinze países da União Europeia cujo índice de riqueza é mais baixo do que o do Norte de Portugal. Trata-se da Guiana francesa que, a par da zona de Dytiki Ellada, na Grécia (...) são as únicas regiões de países que entraram ao mesmo tempo (antes, no caso francês) que Portugal na União Europeia e que têm um índice de pobreza superior ao nortenho. (...) no início da década, o poder de compra das famílias nortenhas correspondia a 86% da média nacional (a região de Lisboa estava nos 137%); cinco anos depois, quase todas as zonas do Norte tinham maior poder de compra, mas esse ganho foi anulado pelo mergulho de uma só: o Grande Porto.»
in JN, Dossier ‘Norte em crise’


Nada tenho contra os "alfacinhas" e escusado será dizer que não quero ver Lisboa a arder, mas com o desemprego a alastrar no país e, particularmente, no Grande Porto e com as oportunidades a serem concentradas numa única região, não me admiraria se um dia destes já não forem apenas os Super Dragões a entoar este cântico.

domingo, 31 de maio de 2009

Festa de dragões em Lisboa

Afinal, quem é o special one?


Homenagem ao presidente da AG do FC Porto


670 adeptos em festa, que grande almoçarada em Lisboa!


Luis Boa-Morte e uma familia de portistas


Quem são aqueles dois senhores ao lado da Claudia Vieira?


Fotos: Record, www.fcporto.pt

domingo, 24 de maio de 2009

Lisboa pintada de azul-e-branco




Hoje a festa vai ser nas ruas do Porto, mas no próximo fim-de-semana, com o almoço comemorativo no sábado e a final da Taça de Portugal no domingo, será a vez da festa azul-e-branca invadir Lisboa.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Ser portista em Lisboa...

Entre Abril de 1992 e Dezembro de 1995, ocorreu na Bósnia-Herzegovina um conflito armado que envolveu os três principais grupos étnicos e religiosos da região: os sérvios (cristãos ortodoxos), os croatas (católicos romanos) e os bósnios (muçulmanos).
Nessa altura, fazendo uma analogia com o conflito que decorria na Bósnia-Herzegovina, o mais conhecido portista da Capital - Miguel Sousa Tavares - proferiu uma das suas frases mais bombásticas:
"É mais difícil ser portista em Lisboa que muçulmano na Bósnia-Herzegovina"

Penso que hoje em dia ser portista em Lisboa já não será tão "perigoso" como foi nos anos setenta e oitenta, altura em que as sucessivas vitórias do Fê-Cê-Pê começaram a incomodar fortemente o status quo que vigorava anteriormente. Aliás, começa a ser normal encontrar portistas em Lisboa e que não têm medo, nem vergonha, de se assumir como tal.

A demonstração desse facto irá ocorrer no dia 30 de Maio, num almoço comemorativo do Tetra e do 39º aniversário da Delegação do FC Porto de Lisboa, em que, contando com a presença de Pinto da Costa, os portistas da Grande Lisboa irão, tenho a certeza, demonstrar mais uma vez que a chama do dragão está bem viva e cada vez mais forte no “território do inimigo” (*).

(*)"Não estamos em risco de perder o Norte, estamos sim a ganhar o Sul. O País não está dividido"
Pinto da Costa, em 15/05/2009, na reinauguração da Casa do FC Porto da Afurada

P.S. Apesar de ser tripeiro de gema e viver no Porto, tenho pena de não poder ir e participar nesta festa azul e branca organizada pelos Dragões de Lisboa.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O caso Calabote (III)

I. A trajectória da bola e as decisões da FPF

II. A pouco inocente nomeação de Calabote

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III. Os estágios das selecções em... Lisboa

Nas décadas de 50 e 60, havia três selecções de futebol sénior: a selecção principal, a selecção B e a selecção militar.

Selecção B, década de 50 (foto: ‘Glórias do Passado’)


Ora, conforme referido atrás, já em 1956/57 o treinador do FC Porto – Flávio Costa – tinha ficado indignado por, em momentos cruciais da época, jogadores do FC Porto serem convocados para trabalhos das selecções em... Lisboa.

Pois desta vez não podia ter havido melhor altura para agendar um estágio em Lisboa da Selecção Militar: precisamente na semana que antecedeu a última e decisiva jornada do campeonato 1958/59!

Este facto verdadeiramente inacreditável, levou Monteiro da Costa, capitão do FC Porto, ao seguinte desabafo:
Calcule que nesta semana não pudemos realizar um treino de conjunto com todos os nossos jogadores. Faltaram-nos o Hernâni, o Arcanjo e o Barbosa, os três em Lisboa por causa da selecção militar. Eu compreendo os interesses da selecção, mas numa altura destas de campeonato, com um jogo decisivo para a atribuição do título, é, evidentemente, uma dificuldade que nos foi criada”.

Miguel Arcanjo, Mendes (SLB) e Hernâni entrevistados na RTP, 1958 (foto: ‘Glórias do Passado’)


De facto, a utilização do serviço militar e dos trabalhos das selecções era outro dos aspectos onde o Sistema mostrava toda a sua eficácia.

Hernâni Ferreira da Silva, o “furacão de Águeda” , é um caso exemplar de como algumas destas coisas funcionavam.
Vindo do Recreio de Águeda, ingressou no FC Porto em 1951 onde jogou até 1964. Contudo, em 1952 teve de representar outro clube – o Estoril – por se encontrar a cumprir o serviço militar em... Lisboa.
Hernâni foi 28 vezes internacional A e pela Selecção Militar jogou sete vezes, tendo sido o capitão na fase final do Torneio Internacional inter-selecções Militares de Países Europeus, realizada em Portugal, em 1958, e em cuja final disputada no Estádio de Alvalade Portugal venceu a França por 2-1.

Repare-se no seguinte pormenor: o Hernâni, que era só o melhor jogador do FC Porto (e considerado por muitos um dos melhores jogadores portugueses de sempre), cumpriu o serviço militar em 1952 e sete anos depois, aos 28 anos, ainda era convocado para os trabalhos da Selecção Militar realizados, claro está, em Lisboa.

Selecção Militar, 1958 (foto: ‘Glórias do Passado’)


Tentei encontrar um caso semelhante no Benfica ou no Sporting, isto é, um caso em que um dos melhores jogadores desses clubes, sete anos após concluir o respectivo serviço militar, continuasse a ser convocado para trabalhos da Selecção Militar a... 320 km de distância.
Não descobri, deve ter sido lapso da minha pesquisa...

(continua: ‘Treinador-adjunto do SLB no banco do Torreense’)

Fontes:
[1] ‘Glórias do Passado’, Outubro de 2008
[2] ‘CSI – Calabote Scene Investigation’, Pobo do Norte, Maio de 2008


Fotos: ‘Glórias do Passado’

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

O Porto, o FC Porto e Pinto da Costa (I)

Um benfiquista do Porto, Bruno Carvalho (director-geral do Porto Canal), publicou um artigo num dos principais blogues benfiquistas onde, entre outros aspectos, dissertou sobre a Região Norte, o Porto, o centralismo, o regionalismo, o FC Porto, o SLB e Pinto da Costa.
Naturalmente, discordo de algumas das coisas que Bruno Carvalho escreveu e, também, temos perspectivas diferentes sobre diversos aspectos. Contudo, considero que é um artigo interessante, que traduz uma visão pouco habitual nos benfiquistas (os do Norte, então, costumam estar entre os mais fanáticos) e que merece ser lido e ser objecto de alguma reflexão.

Nota: Devido à extensão do artigo, optei por o partir e publicar em várias partes.

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Apesar de estarmos num blog do Benfica, não me parece nada estranho que falemos do nosso principal adversário dos últimos anos.

Aliás, estou em crer que é a dificuldade em perceber qual a relação que o Benfica deve ter com o FC Porto que nos tem levado a tantos equívocos e dissabores.

Acho, igualmente, positivo clarificar, desde já, que tenho um grande respeito pelo FC Porto e que muitos dos meus melhores amigos são portistas, o que até é natural atendendo a que eu vivo na cidade do Porto.

Não me parece que seja possível compreender o que é actualmente o FC Porto sem fazer um retrato da realidade social vivida na cidade do Porto e na Região Norte de Portugal.

Se olharmos para o Índice de Poder de Compra (IPC) verificamos que, sendo a média de Portugal 100, o Índice de Poder de Compra na Região de Lisboa e Vale do Tejo é de 149 e o do Norte é de 83.

Lisboa é, de facto, o local de Portugal onde o poder de compra é mais elevado, situando-se, claramente, acima da média do País, enquanto no Norte o poder de compra é apenas 55% do de Lisboa (praticamente metade) e situa-se muito abaixo da média nacional.

Se, por outro lado, olharmos para os dados de desemprego do final de 2007, verificamos que a Taxa de Desemprego em Portugal se situava nos 7.9%, enquanto no Norte atingia 9.5%, sendo a zona do País mais afectada por este flagelo.

Apesar de alguma recuperação em 2008, é previsível que o Norte seja atingido com violência pela actual crise devido às características exportadoras de muitas das suas empresas, numa altura em que os principais mercados (Estados Unidos, Espanha, Alemanha, etc.) estão em clara recessão.

Pode-se, ainda, constatar que as oportunidades de emprego nas multinacionais, na Administração Pública e na área dos serviços estão quase todas em Lisboa. Assim, o Porto vê constantemente os seus jovens irem viver para a capital ou para o estrangeiro.

Mas não é preciso olhar muito para os números para se perceber a difícil situação que o Porto e o Norte do País atravessam.


A cidade do Porto assistiu, nos últimos anos, a uma confrangedora perda de importância no contexto nacional.

Tomemos, por exemplo, o caso dos bancos. Várias instituições financeiras que tinham sede no Porto, transferiram o seu centro de decisão para Lisboa, de uma forma formal ou informal. O BPA, BCP e até o BPI são casos disso.

Ao nível da Comunicação Social o panorama também tem sido deprimente, tendo fechado um título emblemático como “O Comércio do Porto” e com “O Primeiro de Janeiro” reduzido a quase nada. Mesmo o grande jornal da região, o “JN”, está longe de ser o jornal do Porto como era no passado.

O Porto é humilhado e mal tratado quase diariamente. Por exemplo, o aeroporto do Porto é controlado por Lisboa e agora até a gestão do Metro do Porto foi assumida pelo governo e retirada às instituições locais, apesar do Metro ser considerado um caso de enorme sucesso.


Em largas franjas da população do Porto há o sentimento que a capital portuguesa é centralista, egoísta e pouco solidária com o resto do País.

Pode-se dizer, sem exageros, que o Norte de Portugal e a cidade do Porto em particular, vivem uma das situações mais difíceis da sua história, onde a pobreza, a falta de perspectivas de futuro e a sensação de abandono predominam.

Provavelmente muitos dos que estão a ler o que escrevo, e muitos são de Lisboa, não acreditam em mim ou acham que estou a exagerar.

Infelizmente não estou. A situação é ainda pior do que aquela que eu consigo transmitir.

É importante que se diga que eu não tenho nada contra Lisboa. É uma cidade de que eu muito gosto, da qual me orgulho (em especial do Estádio da Luz) e onde tenho diversos amigos.

Isso não me impede de constatar que já há vários anos os nossos políticos optaram deliberadamente por concentrar toda a riqueza e quase todo o investimento em Lisboa na tentativa de criar uma cidade que fosse capaz de competir com as principais metrópoles europeias e designadamente com Madrid e Barcelona.

No entanto, esse modelo adoptado, que existe na prática, mas não é comunicado formalmente às pessoas, tem graves consequências, quer para o resto do País quer para a própria cidade de Lisboa, que também sofre com essa opção, uma vez que esta acarreta enormes inconvenientes, desde problemas sociais, de exclusão, de violência, de criminalidade, de mobilidade e muitos outros.

É neste contexto de grave crise no Norte do País e de profundo desânimo, que temos que olhar para o FC Porto e para as suas vitórias.


É que o FC Porto tornou-se a alegria e a esperança de muita gente.

Bruno Carvalho, 26/11/2008


Nota: As fotos e negritos são da minha responsabilidade.

(continua)