Estes são os 3 C’s dos clubes da segunda circular que a Polícia e o Ministério Público andaram a ignorar durante uma década.
Desde que o procurador gondomarense Carlos Teixeira decidiu ignorar a gravidade de um telefonema entre Luís Filipe Vieira e Valentim Loureiro e não colocou o presidente benfiquista sob escuta, que o outrora apelidado de “Kadhafi dos Pneus” tem salvo-conduto para viver fora da lei. A estreita ligação a Saldanha Sanches e à sua mulher, a procuradora Maria José Morgado, terão ajudado a que Vieira ficasse sempre a salvo de uma investigação que teve como objectivo principal destruir o FC Porto e apenas como objectivo secundário o de apurar e eliminar os aliciamentos a árbitros de 2ª categoria e que deu pelo nome de Apito Dourado.
Até agora, pelos vistos.
Em 2008 a Polícia já tinha prendido 30 elementos da claque “no name boys” por tráfico de droga e armas. Essa claque tinha um armazém no Estádio da Luz onde guardava um arsenal de armas que incluía peças de guerra. Vieira terá mesmo solicitado à PSP para “aliviar” as vistorias na entrada do Estádio em dias de jogo para a malta da claque (afinal eles até eram bons rapazes…). A droga era utilizada para financiar os membros da claque. A investigação, essa ficou por aqui… Nessa altura o então Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, era visto com frequência à direita de Vieira no camarote presidencial da Luz.
Mas o tráfico de droga por pessoas ligadas ao Benfica não acaba aqui. Em final de Agosto último, o Jornal de Notícias divulgou uma operação da Polícia Judiciária denominada por “Porta 18”. Foi detido José Carriço, pessoa de confiança de Vieira e funcionário do Benfica. O comunicado da PJ, emitido em finais de Julho, era vago e lacónico. Informava que a operação se destinava a “desmantelar um grupo organizado dedicado ao tráfico de cocaína” e que “a organização criminosa em causa, composta por indivíduos portugueses, dedicava-se à importação do produto estupefaciente para território nacional desde a América do Sul, por via aérea”. Não fosse o JN e ainda hoje ninguém sabia o que se passa nas instalações do Benfica.
A operação de buscas fazia parte de uma investigação maior da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) que já durava há 8 meses e que culminou nesta detenção, tendo passado publicamente despercebida. Durante este período foram realizadas ações de vigilância, tendo sido registadas em mais de uma dezena de ocasiões as entradas e saídas da Luz por parte de cidadãos colombianos, com o pretexto de se irem reunir com José Carriço. Estas movimentações faziam-se pela porta n.º 18 do estádio, que deu nome à operação.
José Carriço foi detido na A1 (autoestrada n.º1), estando acompanhado de um outro indivíduo num automóvel do clube da Luz. Foi então que os 9,5 quilogramas de cocaína foram apreendidos. Ao mesmo tempo em que decorria a detenção, estavam a ser realizadas buscas no gabinete do administrativo no Estádio da Luz por parte de investigadores da PJ.
O vizinho do lado na 2.ª Circular também tem tido os seus “esquemas” impunes. Não nos esqueçamos do “Processo Cardinal” em que Pereira Cristóvão, na altura Vice-Presidente do Sporting, depositou dois mil euros na conta do árbitro assistente José Cardinal na véspera deste se deslocar à Madeira para um jogo entre o Marítimo e o Sporting, em Abril de 2012. O Conselho de Disciplina da FPF suspendeu Pereira Cristóvão de toda a actividade desportiva por 15 meses, a partir de Outubro de 2014. E assim transformou um caso de corrupção e coacção com inevitáveis consequência graves para o Sporting numa leve suspensão a um seu dirigente e numa multa irrisória ao clube. “Quem tem amigos não morre na cadeia”. Literalmente.
Pereira Cristóvão foi detido recentemente “por suspeitas de envolvimento em assaltos à mão armada nas zonas de Lisboa e Setúbal, no papel de informador”. Mais detalhes aqui.

















