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sábado, 5 de setembro de 2015

Cocaína, Coacção e Corrupção


Estes são os 3 C’s dos clubes da segunda circular que a Polícia e o Ministério Público andaram a ignorar durante uma década.

Desde que o procurador gondomarense Carlos Teixeira decidiu ignorar a gravidade de um telefonema entre Luís Filipe Vieira e Valentim Loureiro e não colocou o presidente benfiquista sob escuta, que o outrora apelidado de “Kadhafi dos Pneus” tem salvo-conduto para viver fora da lei. A estreita ligação a Saldanha Sanches e à sua mulher, a procuradora Maria José Morgado, terão ajudado a que Vieira ficasse sempre a salvo de uma investigação que teve como objectivo principal destruir o FC Porto e apenas como objectivo secundário o de apurar e eliminar os aliciamentos a árbitros de 2ª categoria e que deu pelo nome de Apito Dourado.

Até agora, pelos vistos.

Em 2008 a Polícia já tinha prendido 30 elementos da claque “no name boys” por tráfico de droga e armas. Essa claque tinha um armazém no Estádio da Luz onde guardava um arsenal de armas que incluía peças de guerra. Vieira terá mesmo solicitado à PSP para “aliviar” as vistorias na entrada do Estádio em dias de jogo para a malta da claque (afinal eles até eram bons rapazes…). A droga era utilizada para financiar os membros da claque. A investigação, essa ficou por aqui… Nessa altura o então Ministro da Administração Interna, Rui Pereira, era visto com frequência à direita de Vieira no camarote presidencial da Luz.

Mas o tráfico de droga por pessoas ligadas ao Benfica não acaba aqui. Em final de Agosto último, o Jornal de Notícias divulgou uma operação da Polícia Judiciária denominada por “Porta 18”. Foi detido José Carriço, pessoa de confiança de Vieira e funcionário do Benfica. O comunicado da PJ, emitido em finais de Julho, era vago e lacónico. Informava que a operação se destinava a “desmantelar um grupo organizado dedicado ao tráfico de cocaína” e que “a organização criminosa em causa, composta por indivíduos portugueses, dedicava-se à importação do produto estupefaciente para território nacional desde a América do Sul, por via aérea”. Não fosse o JN e ainda hoje ninguém sabia o que se passa nas instalações do Benfica.

A operação de buscas fazia parte de uma investigação maior da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes (UNCTE) que já durava há 8 meses e que culminou nesta detenção, tendo passado publicamente despercebida. Durante este período foram realizadas ações de vigilância, tendo sido registadas em mais de uma dezena de ocasiões as entradas e saídas da Luz por parte de cidadãos colombianos, com o pretexto de se irem reunir com José Carriço. Estas movimentações faziam-se pela porta n.º 18 do estádio, que deu nome à operação.
José Carriço foi detido na A1 (autoestrada n.º1), estando acompanhado de um outro indivíduo num automóvel do clube da Luz. Foi então que os 9,5 quilogramas de cocaína foram apreendidos. Ao mesmo tempo em que decorria a detenção, estavam a ser realizadas buscas no gabinete do administrativo no Estádio da Luz por parte de investigadores da PJ.



O vizinho do lado na 2.ª Circular também tem tido os seus “esquemas” impunes. Não nos esqueçamos do “Processo Cardinal” em que Pereira Cristóvão, na altura Vice-Presidente do Sporting, depositou dois mil euros na conta do árbitro assistente José Cardinal na véspera deste se deslocar à Madeira para um jogo entre o Marítimo e o Sporting, em Abril de 2012. O Conselho de Disciplina da FPF suspendeu Pereira Cristóvão de toda a actividade desportiva por 15 meses, a partir de Outubro de 2014. E assim transformou um caso de corrupção e coacção com inevitáveis consequência graves para o Sporting numa leve suspensão a um seu dirigente e numa multa irrisória ao clube. “Quem tem amigos não morre na cadeia”. Literalmente.

Pereira Cristóvão foi detido recentemente “por suspeitas de envolvimento em assaltos à mão armada nas zonas de Lisboa e Setúbal, no papel de informador”. Mais detalhes aqui.
   

terça-feira, 12 de maio de 2015

2000 euros na conta de um árbitro

O apito encalhado (13-04-2012)
O Triunfo dos Porcos (16-04-2012)


Está a decorrer o julgamento de um ex-vice-presidente do Sporting (Paulo Pereira Cristóvão), por actos que este cometeu enquanto estava no exercício do cargo.

Paulo Pereira Cristóvão e o futebol do Sporting

Que actos foram esses?

Segundo a acusação, esse ex-vice-presidente do Sporting mandou um funcionário de uma das suas empresas, depositar dois mil euros na conta bancária de um árbitro (José Cardinal), o qual estava nomeado para um jogo dos leões.

O funcionário em questão (Rui Martins) já foi ouvido na 4ª sessão do julgamento e, para além de toda a prova documental reunida pela acusação, juntou outros “pormenores interessantes”, que atestam, de forma inequívoca, o envolvimento do ex-vice-presidente do Sporting.

ex-vice-presidente do Sporting acusado (fonte: A BOLA, 07-05-2015)

Chegados a este ponto, convém salientar duas coisas:

1) Este julgamento é um julgamento a sério, não é algo tipo "julgamento popular", que esteja a ser conduzido pelo dr. Ricardo Costa, nem pelo jornal Correio da Manhã;

2) O julgamento ainda não acabou e o ex-vice-presidente do Sporting ainda não foi condenado.

Contudo, terminado o julgamento, se o ex-vice-presidente do Sporting for condenado, cá estaremos para ver que consequências desportivas isso terá para o "impoluto" clube de Alvalade.

domingo, 16 de março de 2014

BASTA!

Um roubo ao raio-x (19-05-2008)

Cartoon, O JOGO (25-08-2008)

O apito encalhado (13-04-2012)




«Os “factos” de que o presidente do Sporting fala não são factos, muito menos reconhecidos por toda a gente, mas há factos envolvidos no assunto e um deles contraria toda a mensagem da conferência da última segunda-feira: é que o Sporting esteve na origem de quase todas as alterações que houve na arbitragem pelo menos desde que o futebol profissional passou para as mãos da Liga, há uns 20 anos. E houve muitas. Quando Bruno de Carvalho diz “Basta!” é preciso especificar. Basta do quê? De ter sócios do Sporting a presidir ao CA? Da última grande mudança, que só tem três anos e consistiu em transladar a arbitragem para Lisboa, como o Sporting queria? Tirar a arbitragem da Liga e colocá-la na Federação, como o Sporting queria? Montar o conselho de arbitragem (CA) através do método de Hondt, que mistura elementos das listas candidatas, como o Sporting queria? O atual regime jurídico das federações foi feito só para isto e saiu diretamente de Alvalade para os ouvidos do ex-secretário de Estado do Desporto Laurentino Dias.»
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 15-03-2014


P.S. Pedro Proença vai estar hoje à noite sob enorme pressão e, conhecendo o público de Alvalade, não é preciso ser bruxo para antecipar que um dos objectivos é o de amarelar e/ou expulsar jogadores do FC Porto (Mangala, Abdoulaye, Fernando e Defour serão os alvos principais). A haver expulsões, espero que não sejam vergonhosas, como as de Maicon (em 2010/2011), ou a de Carlos Eduardo esta época (para a Taça da Liga).

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

sábado, 16 de junho de 2012

Tentativa de corrupção, coação ou o quê?

Comunicado da Procuradora-Geral Distrital de Lisboa:

Ao abrigo da última parte da alínea b) do n.13 do artº 86 do CPP, e dado o impacto social do caso, informa-se que o arguido Paulo Pereira Cristóvão, após conclusão do 1º interrogatório judicial de hoje para aplicação de medidas de coacção, foi indiciado pelo cometimento dos seguintes crimes:
- denúncia caluniosa;
- devassa da vida privada através da informática;
- burla qualificada;
- peculato;
- branqueamento de capitais;

Foram decretadas pela Juiz de Instrução Criminal as seguintes medidas de coacção:
- proibição de exercer qualquer cargo no Sporting Clube de Portugal;
- proibição de entrada em qualquer instalação do mesmo clube desportivo;
- proibição de contactos com elementos do mesmo clube desportivo.

O inquérito prossegue, dirigido pelo Ministério Público na 9ª secção do DIAP de Lisboa.

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Segundo o que veio a público e nunca vi desmentido, um empregado de uma das empresas de um vice-presidente do SCP (no caso, do vice Paulo Pereira Cristóvão), deslocou-se ao Funchal uns dias antes do jogo SCP x Marítimo (para a Taça Portugal) e depositou 2000 euros na conta de um árbitro auxiliar que estava nomeado para esse jogo.

Aquilo que, à partida, poderia (deveria?) ter sido visto como uma tentativa de corrupção (imaginem que tinha sido o Reinaldo Teles...) ou, no mínimo, aliciamento e coação sobre o árbitro, algo que teria óbvias implicações desportivas para o SCP (por menos do que isto o Boavista desceu de divisão), foi transformado num problema pessoal do senhor Cristóvão, em que o clube de que ele era vice-presidente não tem nada a ver com o caso.
Mais. Em alguma comunicação social já se começa a assistir à construção de uma estória em que, inclusivamente, o sporting até surge como vítima do senhor Cristóvão!

Mas há uma pergunta simples, que parece ninguém quer responder: Porque razão foram depositados 2000 euros na conta de um árbitro e que tipo de contrapartidas (para o sporting) eram esperadas?

terça-feira, 12 de junho de 2012

Será que o processo também "caíu pela escada"?

Passam hoje dois meses, mas é como se tivessem passado duas décadas: dirigente do SCP deposita por vias travessas, uma maquia na conta de um árbitro-assistente em vésperas de um jogo, consequências zero.

Será que o Cardinal se queixou porque os árbitros estão habituados a receber mais e melhor do SCP, e por isso achou que €2000 era pouco? Em todo o caso, é preciso ter muita coragem para recusar uma oferta do Paulo Pereira Cristovão, pois são precisamente daquelas que "não se pode recusar"...
De qualquer forma, parece-me que há aqui material mais que suficiente para um best-seller, na linha, sei lá!, do "Memorial do Convento" ou assim. Fica a sugestão. No mínimo, um telefilme da TVI protagonizado pelo Nicolau Breyner, que interpreta o presidente de um clube do Norte, que urde um esquema para destruir um inocente vice-presidente de um clube rival. Tão verossímil que em vez de uma obra de ficção, ainda fazem um documentário.

P.S.: Onde anda o Dr. Ricardo Costa, esse «Iron Man» da Justiça Desportiva, quando mais precisamos dele?

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Descubra as diferenças e a... coerência



«Dias antes do Beira-Mar – Porto, Pinto da Costa recebeu em casa Augusto Duarte, o árbitro desse jogo.»
Zé Diogo Quintela, A Bola, 10 de Janeiro de 2010


De acordo com que foi abundantemente divulgado pela comunicação social, dias antes do SCP – Marítimo, um funcionário de uma das empresas de Paulo Pereira Cristóvão, vice-presidente do Sporting, depositou dois mil euros na conta de José Cardinal, um dos árbitros assistentes nomeados para esse jogo.

Já agora, eu sei que é um “pequeno pormenor”, mas o jogo Beira-Mar – FC Porto, da 31ª jornada da época 2003/04, realizado em 18 de Abril de 2004, terminou empatado (0-0), sem que no final tivesse havido qualquer queixa relacionada com a arbitragem. Mais. O FC Porto venceu matematicamente o campeonato 2003/04 a três jornadas do fim e nem precisou de jogar, porque o Sporting perdeu na véspera em Leiria.

Ao contrário, o jogo SCP – Marítimo, dos quartos-de-final da Taça de Portugal 2011/12, realizado em 22 de Dezembro de 2011, terminou com a vitória dos leões (3-0) e, no final, houve fortes queixas dos madeirenses relacionadas com a arbitragem (tal como haveria por parte do Nacional, na eliminatória seguinte - ver P.S. em baixo). Mais. A Taça de Portugal é a única competição interna que o SCP pode ganhar na época em curso.

Pois é Quintela (e sportinguistas), não sei se sabiam, mas largos dias têm 100 anos.


P.S. “Paulo Pereira Cristóvão não viajou com a equipa do Sporting para a Madeira antes do Nacional-Sporting [meias-finais da Taça de Portugal]. Viajou ao lado de Pedro Proença e privaram durante todo o voo. Toda a crítica admitiu que as decisões do árbitro prejudicaram o Nacional. É normal Paulo Pereira Cristóvão viajar nos voos das equipas de arbitragem.
Paulo Pereira Cristóvão detém dados dos árbitros que não estão ao alcance de qualquer dirigente desportivo. Tenho testemunhas do que estou a dizer. O que se passou foi uma estratégia de coacção dos árbitros.
As acções e atitudes dos dirigentes não podem ser dissociadas das respectivas SAD. Senão está aberto o caminho para se formarem direcções de bandidos sem responsabilidades para as SAD.
Rui Alves, presidente do Nacional da Madeira, em entrevista à Rádio Renascença

segunda-feira, 16 de abril de 2012

O Triunfo dos Porcos

«O Velho Major, o mais respeitado porco, reúne, durante a noite, todos os animais da quinta e conta-lhes um sonho que tivera - a sua morte estava para breve e compreendia, então, o valor da vida. Explica logo aos companheiros que devem a sua miserável existência à tirania dos homens que, preguiçosos e incompetentes, usufruem do trabalho dos animais, vítimas de uma exploração prepotente. O Velho Major incita o grupo não só à rebelião, para derrotar o inimigo, como também a entoar o cântico de revolta "Animais de Inglaterra".
Três dias depois, morre o Velho Major. Mas a revolução prossegue, com novos líderes - os porcos Snowball, Napoleão e Squealer, que criam o Animalismo, como sistema doutrinário, com "Os Sete Mandamentos". Expulsam o dono da quinta e mudam o nome da propriedade para "Quinta dos Animais". Dada a estupidez e a limitação de alguns, que não conseguem decorar os "Mandamentos", Snowball reduziu-os a uma máxima: "Quatro pernas, bom; duas pernas, mau".
O regime do Animalismo começa logo de forma vigorosa, com todos os animais a trabalharem, de forma a fazerem progredir a quinta, a auto-gestão estimulava o orgulho animal. Snowball cria uma lista de comissões para conceber programas de desenvolvimento social, educação e formação.
Com o passar do tempo, os porcos tornam-se corruptos pelo poder. Instala-se então uma nova tirania, sob o comando de Napoleão, que passa a impor um novo princípio: "Todos os animais são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros".»
in Infopédia


Lembrei-me do célebre romance de George Orwell (cujo título original é Animal Farm), publicado em 1945, quando li o JN do passado sábado.




Tal como na Quinta dos Animais, também no futebol português todos os clubes são iguais, mas alguns são mais iguais do que outros.
E, de facto, toda a gente percebe que as coações sobre os árbitros feitas a Norte, são muito mais graves que as coações feitas a Sul...

sábado, 14 de abril de 2012

Terá ficado mudo?

«A culpa é nossa [do Sporting] por nunca termos dito nada sobre o Apito Dourado. Por termos tido presidentes que se sentaram, como se nada fosse, ao lado de Pinto da Costa. (...) A solução para o problema do futebol português não passa pelo aumento da competência dos árbitros através da sua profissionalização. É uma falácia. A maioria das vezes não erram por incompetência, erram por corrupção.»
Zé Diogo Quintela, 23/08/2011


Três dias após o caso do árbitro do Porto, perdão, do caso do assistente José Cardinal, perdão, do caso do ex-inspetor da PJ Paulo Pereira Cristóvão se ter tornado público, já alguém ouviu este senhor pronunciar-se sobre o mesmo?
Deve ser por o SCP não ter rigorosamente nada a ver com o caso...

P.S. É uma pena que os fedorentos tenham deixado de escrever em A Bola. Depois das incidências arbitrais do recente calimeros x clube do regime e de se saber que foram depositados dois mil euros na conta de um árbitro, ia ser uma delicia ler as crónicas desta semana... Mas, pode ser que o Miguel Sousa Tavares e o Rui Moreira se lembrem dos gatinhos...

P.S.2 Também vou gostar de ouvir/ler o que têm para dizer os sportinguistas que escrevem em jornais, ou que comentam nas televisões. Do alto da sua autoridade moral, que história nos irá contar o dr. Eduardo Barroso?...

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O apito encalhado

I. Os factos…
… de acordo com o relatado na comunicação social.

Paulo Pereira Cristóvão nasceu em Lisboa. Em 1991 entrou para os quadros da Polícia Judiciária de onde saiu no início de 2007, tendo fundado uma empresa de Business Intelligence.

Em 2009 candidatou-se à presidência do Sporting, mas perdeu para José Eduardo Bettencourt.

Há um ano atrás, Paulo Pereira Cristóvão integrou a lista de Godinho Lopes para as eleições do Sporting, após as quais passou a ser vice-presidente do clube leonino.


José Cardinal tem 45 anos, é árbitro desde 1990/91, e está filiado na Associação de Futebol do Porto. É também árbitro assistente internacional, tendo estado na fase final do Euro 2004 e do Mundial 2010.

O árbitro auxiliar José Cardinal era um dos elementos da equipa de arbitragem nomeada para o Sporting x Marítimo, dos quartos-de-final da Taça de Portugal 2011/12.

Uns dias antes dos leões receberem os madeirenses em Alvalade, foram depositados dois mil euros em notas numa conta bancária de José Cardinal, numa agência da Madeira (de acordo com o referido na comunicação social, o depósito foi efetuado por um funcionário de uma das empresas do vice-presidente do Sporting – a Primuslex - o qual terá sido filmado por câmaras de vigilância dos aeroportos de Lisboa e do Funchal e da agência bancária).

José Cardinal foi substituído pelo Conselho de Arbitragem da Federação Portuguesa de Futebol, tendo sido invocadas razões de ordem pessoal para a ausência do árbitro assistente.

O jogo decorreu a 22 de Dezembro de 2011 e o SCP venceu por 3-0.
Ao intervalo, quando o árbitro Artur Soares Dias se dirigia para o balneário, foi abordado pelo vice-presidente do Sporting à entrada para o túnel. O árbitro apontou para Pereira Cristóvão, o qual foi identificado por um agente da PSP que se encontrava no local.


No final do encontro, o treinador do Marítimo, queixando-se da atuação da equipa de arbitragem dirigida por Artur Soares Dias, fez o seguinte comentário: “Se calhar, o melhor é fazer como o senhor Cardinal e ficar em casa”.

No dia 12/04/2012, três dias depois do SCP ter derrotado o slb em Alvalade (num jogo dirigido por… Artur Soares Dias!), inspetores da Unidade Nacional de Combate à Corrupção da PJ realizaram buscas em vários locais, entre os quais instalações da SAD do Sporting e do Sporting Clube de Portugal (segundo a comunicação social, as buscas também abrangeram as empresas, a casa e residências de familiares de Paulo Pereira Cristóvão e de Rui Martins, ex-líder de uma das claques do Sporting, e o funcionário que fez o depósito de dois mil euros na conta bancária de José Cardinal).

Em resultado das diligências efetuadas, a PJ recolheu prova suficiente que permitiu a constituição de vários arguidos, um dos quais o vice-presidente do Sporting.


«O Sporting Clube de Portugal informa que o vice-presidente Paulo Pereira Cristóvão solicitou, ao presidente do conselho diretivo, a suspensão do seu mandato, a qual foi aceite com efeitos imediatos»
Comunicado, 12/04/2012

A edição desta sexta-feira do Correio da Manhã revela que o vice-presidente do Sporting aproveitava os serviços das suas empresas de segurança e investigação para recolher informações – algumas alegadamente através de escutas ilegais – e depois fazer chantagem sobre os árbitros.


Rogério Alves, ex-presidente da Mesa da Assembleia-Geral do Sporting e da SAD leonina, confirmou será o advogado do vice-presidente do Sporting neste caso.


II. A história…
… da “carochinha” que está a ser contada.

Conforme se percebe da descrição dos factos já conhecidos, o Sporting não tem rigorosamente nada a ver com o caso.

A situação é muito simples de explicar. Através de uma denúncia anónima, o presidente do Sporting recebeu um dossier (dossier? onde é que eu já ouvi isto?), com uma carta e um talão correspondente a um depósito de dois mil euros na conta bancária do árbitro assistente José Cardinal, depósito esse efetuado dias antes do jogo entre o Sporting e o Marítimo para a Taça de Portugal. Como não tinha nada a ver com o caso, a direção do Sporting comunicou esta denúncia a-n-ó-n-i-m-a ao presidente da Federação Portuguesa de Futebol que, por sua vez, deu conhecimento à Procuradoria-Geral da República e Polícia Judiciária.

Entretanto, veio-se a saber que o ex-inspetor da PJ Paulo Pereira Cristovão estava envolvido na marosca, mas era "apenas" suspeito de ter montado uma armadilha ao árbitro assistente José Cardinal (não de o querer corromper), depositando-lhe a módica quantia de dois mil euros na conta bancária, no que terá agido em colaboração com um funcionário da sua empresa e um outro colaborador. Conforme é óbvio, mas convém repetir, o Sporting não tem nada a ver com o caso.

Godinho Lopes, Luís Duque e todos os restantes dirigentes leoninos nada sabiam desta "generosidade" do ex-inspetor da PJ para com os árbitros e foram apanhados completamente de surpresa. O Sporting reafirma que não tem nada a ver com o caso.


O que está em causa é uma ação do individuo Paulo Pereira Cristóvão.
Só aparentemente é que o ex-inspetor da PJ Paulo Pereira Cristóvão e o vice-presidente do Sporting Paulo Pereira Cristóvão são a mesma pessoa.
O Sporting não pretendia retirar qualquer benefício, seja desportivo ou outro, decorrente desta situação.
Em causa não está o presidente Godinho Lopes e muito menos a instituição Sporting.
Em causa não está a justa luta do Sporting contra o “Sistema”, a qual irá continuar... pelo menos até o Sporting voltar a ser campeão à moda de Campo Maior.


III. As consequências…
… criminais, desportivas, morais e de imagem.

Os factos pelos quais é indiciado e constituído arguido o vice-presidente do Sporting, a meu ver, não consubstanciam nenhuma das infrações disciplinares previstas no regulamento disciplinar da FPF e não poderão levar à imputação ou à aplicação de qualquer sanção disciplinar ao Sporting
José Manuel Meirim, TVI


O crime de denúncia caluniosa qualificada está previsto no artigo 365.º Código Penal e é punido com prisão até três anos ou pena de multa.


«Os sportinguistas sempre sentiram particular orgulho pelo facto de o seu clube nunca ter estado envolvido em escutas e apitos dourados. Ontem [12/04/2012], esse sentimento sofreu profundo abalo com a notícia de que um vice-presidente do Sporting foi constituído arguido no âmbito de um processo de investigação relacionado com um árbitro. Independentemente do que acontecer no futuro, há um anátema que fica pela presença da Polícia Judiciária em Alvalade. A situação é irreversível»
Antonio Magalhaes, Record, 13/04/2012


«O "caso Cardinal" é uma facada profunda na direção do Sporting.
Vai fazer sangrar o coração do leão. Pode estar aqui em causa uma sanção desportiva pesada mas pior é mesmo a sanção moral.
O Sporting foi até aqui o clube paladino da verdade desportivo e não precisou de constituir assistentes fantasmas ou de recorrer ao YouTube.
Um vice-presidente operativo e ativo está no centro da fogueira. Tudo indica também que foi ele o pirómano. Não atuou certamente por conta própria, tal como as primeiras provas reunidas indicam.
Só resta um caminho a esta direção do Sporting eleita por um punhado de votos: demitir-se.»
Eugénio Queirós, Record, 13/04/2012


P.S. O título deste artigo não tem nada a ver o processo de corrupção “Paquetes da Expo” (fretamento pela Parque Expo SA de navios-hotel para alojar supostos visitantes da EXPO-98).

Armadilha do "clube diferente"?


Vice-presidente do Sporting e um funcionário da sua empresa constituídos arguidos no caso do árbitro do Porto [edit: árbitro auxiliar José Cardinal].

A Polícia Judiciária efetuou esta quinta-feira buscas às instalações do Sporting no âmbito de uma investigação de crime de denúncia caluniosa qualificada, informou hoje o Departamento de Investigação e Ação Penal (DIAP).

"Houve hoje buscas às instalações da SAD do Sporting e às instalações do Sporting Clube de Portugal, no âmbito de uma investigação de crime de denúncia caluniosa qualificada", de acordo com uma informação prestada pela 9.ª secção do DIAP de Lisboa.

De acordo com a mesma fonte, "foram constituídos dois arguidos, um dos quais é vice-presidente do Sporting", ou seja, Paulo Pereira Cristóvão, sendo que o outro será um funcionário da sua empresa. Os inspetores da PJ suspeitam que Paulo Pereira Cristóvão terá concebido uma "armadilha" ao árbitro assistente.

O crime de denúncia caluniosa qualificada está previsto no artigo 365.º Código Penal e é punido com prisão até três anos ou pena de multa.

A investigação começou por ser a um possível caso de corrupção do auxiliar José Cardinal, noticiado na quarta-feira pelo DN em primeira mão, depois de o árbitro ter recebido na sua conta bancária 2000 euros em notas a poucos dias do encontro entre Sporting e Marítimo, dos quartos de final da Taça de Portugal.

DN, 12/04/2012

Entretanto, e também segundo o DN, Paulo Pereira Cristóvão pediu a suspensão do mandato, na sequência do “caso José Cardinal”, justificando a sua decisão com os “superiores interesses” do Sporting.

Estou pasmado. Como é que se pode sequer aventar a hipótese do Sporting, um "clube diferente", ter preparado uma armadilha a um árbitro? Isso é impensável!