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terça-feira, 16 de abril de 2013

A titularidade de Abdoulaye na Taça da Liga


Em Dezembro passado, decorreu durante uns dias uma votação neste blogue, em que questionamos se na Taça da Liga o FC Porto deveria jogar com:
- Equipa titular
- Titulares e segundas escolhas
- Apenas segundas escolhas
- Jogadores da equipa B

Vale o que vale, mas apenas 10% das pessoas que se deram ao trabalho de responder votaram na opção ‘Equipa titular’ (ver resultado na coluna ao lado) e embora a amostra tenha sido pequena, esta votação foi de encontro ao que me parecia ser o sentimento claramente maioritário dos adeptos portistas em relação à Taça Lucílio Baptista… perdão, Taça da Liga.

Cerca de quatro meses depois, tendo o FC Porto chegado à final da Taça da Liga 2012/13, a opção de Vítor Pereira foi apostar num onze semelhante ao habitual (levando em conta a lesão de Varela), com apenas dois jogadores do lote dos menos utilizados: o guarda-redes Fabiano e o defesa-central Abdoulaye.

Embora não tenha ficado surpreendido com nenhuma destas duas escolhas, devo dizer que, quando soube pela rádio o onze inicial do FC Porto, considerei de maior risco a titularidade de Fabiano do que a de Abdoulaye.
Porquê?
Basicamente por três razões:
1ª) A posição de guarda-redes é crítica numa equipa de futebol.
2ª) Até esta altura, Fabiano teve uma utilização residual em jogos das duas principais competições em que a equipa do FC Porto esteve envolvida – Campeonato e Liga dos Campeões – tendo apenas participado em um jogo (Abdoulaye participou em sete).
3ª) Cinco dias antes, Abdoulaye tinha jogado 45 minutos contra este mesmo SC Braga (substituindo o lesionado Maicon), sem comprometer ( «Entrou periclitante e demorou uns 15’ a estabilizar. Depois de assentar, não voltou a errar», FC Porto um a um, O JOGO).

Além disso, lembrei-me da anterior presença do FC Porto numa final da Taça da Liga (época 2009/10), em que a opção por Nuno Espirito Santo em vez de Helton correu bastante mal.
Contudo, desta vez a troca de guarda-redes correu bem, Fabiano fez uma grande exibição (juntamente com Fernando foi considerado o melhor jogador do FC Porto) e, por isso, no final do jogo não ouvi, nem li, portistas a criticarem a sua inclusão no onze inicial.

A contestação surgiu sim, mas em torno de Abdoulaye levando, inclusivamente, o jornal O JOGO a questionar conhecidos adeptos portistas acerca da sua presença no onze inicial e se isso tinha sido decisivo para a derrota do FC Porto.

(O JOGO, 14-04-2013)

Teria sido melhor optar por Otamendi em vez de Abdoulaye?

Vendo o que se passou, provavelmente, mas é bom lembrar que no jogo anterior, precisamente contra o mesmo adversário, Otamendi esteve particularmente infeliz. O jornal O JOGO atribuiu-lhe a pior pontuação entre todos os jogadores (titulares e suplentes) do FC Porto e analisou assim a sua exibição:

«Otamendi – Estranhamente intranquilo, o argentino perdeu a noção dos espaços e nos primeiros 45’ acumulou falhas em catadupa. Aos 20’ isolou João Pedro e pouco depois escorregou e daí surgiu o golo de Alan. Na segunda parte quase limpava a face quando, de cabeça, atirou à trave.»

E não se pode dizer que a exibição de Otamendi no FC Porto x SC Braga para o campeonato tenha sido caso único. A fase menos boa que está a atravessar vem de alguns jogos atrás. Por exemplo, no Marítimo x FC Porto, a apreciação feita no jornal O JOGO foi a seguinte:

«Otamendi – Falhou demasiado, deixando o Marítimo ameaçar a baliza portista ao não abordar corretamente alguns lances, sempre com Heldon no papel de protagonista (61’ e 82’). Pior exibição da época, seguramente

Na minha opinião, Otamendi é um bom defesa-central mas, por aquilo que escrevi atrás, considero normal que tenha sido suplente na final da Taça da Liga.

Aos treinadores compete fazer as escolhas. Os adeptos e jornalistas comentam-nas no final. Quando as coisas correm bem (ver, por exemplo, a entrada de Kelvin no FC Porto x SC Braga para o campeonato), os jogadores fazem capas de jornais. Quando correm mal, o treinador é criticado. O futebol é assim e ninguém é obrigado a seguir uma carreira de treinador.

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.