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sábado, 16 de janeiro de 2016

Suk, um negócio à Porto

O mercado de Janeiro serve apenas e só para três coisas. 
Livrar-se de excedentários, contratar jogadores que podem revelar-se fundamentais não só para os seis meses restantes mas para o projecto do ano seguinte e fazer disparates. A entrada de Hernani, no ano passado, pertenceu ao último grupo. A de Lucho, obedeceu ao segundo critério. É um periodo de negociatas entre amigos com escasso impacto real no futuro das equipas. Há exemplos que ficam na memória - o trio que o Sporting contratou em 2000, a ajuda que Jancko deu a uma equipa sem avançados centro - e pouco, pouco mais. Portanto, como olhar para a chegada de Suk, um futebolista que vai na segunda passagem por Portugal depois de ter andado, pelo meio, nas Arábias. Erro ou acerto. Lima ou Ghilas?
O que parece evidente é que, uma coisa ou outra, Suk é um claro negócio à Porto moderno!

O Porto perdeu em Lima, que saiu a custo zero para o Braga (e de aí para o Benfica), um avançado que podia ter sido fundamental em transformar o tricampeonato num possível penta ou hexa, um jogador de excelentes recursos que Jesus soube aproveitar muito bem. Por outro lado, em Ghilas, um jogador pior que o seu suplente de então com a Argélia - um tal de Slimani - parecia ter encontrado o tanque de área que destacava em Moreira de Cónegos. Até que se descubriu que Ghilas (e isso os scouts e a direcção desportiva tinham obrigação de saber) não era amigo de treinar e que o negócio, que parecia um acerto afinal metia muitas outras equações ao barulho. Lima foi um jogador a custo zero. Ghilas foi um erro brutal de engenharia financeira e, para piorar, desportivamente foi um flop. Em comum tinham ambos ter destacado num clube de nível medio na liga. Tal como Suk. Tal como Kleber. Mas, exceptuando o caso de Lima, quando foi a última vez que um avançado que destacou num clube de classe média da liga funcionou, a sério, num grande? A resposta é Derlei, reforço do FC Porto em 2003. Desde então, o vazio. Que será então Suk?

O que parece evidente é que o avançado coreano - cujo CV é tão proporcionalmente distinto à sua habilidade para as bolas paradas - junta-se a outra lista em que o FC Porto se tem especializado, a de contratar jogadores para evitar que os rivais se reforcem. Uma politica que, desportivamente, trouxe muito pouco. O Sporting está interessado? O Benfica a ponto de assinar? Contrata-se o jogador primeiro e depois logo se verá se vale. Não foi uma, nem duas, nem três as ocasiões em que isso sucedeu. Suk não chega ao FC Porto por critério desportivo, pelo menos não exclusivamente. Se o clube soubesse realmente que Suk encaixava no projecto de Lopetegui, teria chegado em Agosto antes de assinar pelo Vitória de Setúbal. Um futebolista que passou pelo Maritimo e pelo Nacional, se fosse realmente uma opção lógica a suceder a Jackson Martinez, não teria de ter dado meia volta ao mundo para integrar o plantel. Parece evidente. Agora um jogador que estava contratado ANTES de sair Lopetegui (a foto de apresentação é até com uma camisola sem patrocinio, um pequeno mas relevante detalhe) e que o novo treinador terá de aguentar sem ter dito cavaco sobre o assunto. 

E nem se trata de questionar Suk ou a sua mais valia porque lhe desejamos a maior das sortes com a camisola do Porto. Bueno também era o melhor marcador espanhol do seu campeonato há um ano e todos pareciam achar que seria o sucessor natural de Jackson (na altura escrevi que isso era impossível e assim se tem demonstrado). A sua aportação tem sido nula e isso que conta com um treinador que o elegeu a dedo e lhe deu confiança a trocar de campeonato (tinha ofertas de clubes de Sevilla e da costa mediterrânica que recusou para vir para o FC Porto), agora imagem com Suk o que podemos esperar. O coreano é um futebolista que joga no espaço (que não vai existir), no um para um emn velocidade (que vai contra a filosofia de jogo habitual de uma equipa grande) e que tem um registo de golos ao largo da sua carreira francamente escasso. Esta é a primeira época, em sete, que ultrapassou os nove golos num ano. Números escassos para qualquer grande. Mas como o Sporting o queria...

A entrada de Suk para alguns vem colmatar o erro abismal e evidente que foi o negócio Osvaldo que serviu apenas para encher os bolsos de comissionistas (um gasto de 4 milhões para um dos mais bem pagos do plantel no meio ano que cá estava) quando o jogador, que estava livre, foi contratado por um clube uruguaio desconhecido para distribuir mais valias. Um negócio à Porto moderno. O que a sua chegada implica - uma vez que nem é um avançado titular, nem é uma alternativa lógica a Jackson e portanto, não é o número 9 que o Porto precisa até Junho, quanto mais para o próximo ano - é que uma vez mais a formação ficará a ver navios e André Silva terá um novo concorrente quando o que devia ter era mais minutos. Prejudicar o rival é a ideia mas que acaba por se reflectir em prejudicar o próprio clube e alguns dos seus melhores activos de futuro.

Seguramente Suk - cujo 70% do passe está valorizado em 1,5 milhões...os outros 30% estão com um grupo de empresários e as comissões (convém relembrar que este é mais um negócio operado por Alexandre Pinto da Costa) serão, como habitual, diluidas no "Outros" do Relatório de Contas - marcará uns golos de livre, pode até mesmo ser o homem do passe para o "momento Kelvin 2016" como foi outra incipiente aposta de Janeiro, Liedson. Mas que é mais uma vez uma resposta tibia, sem uma clara mensagem de futuro, a pensar mais no que podia ser com a camisola do rival em vez do que poderá ser com a camisola do FC Porto, lá isso não há muitas dúvidas. Uma contratação que se aproxima muito mais ao conceito Ghilas que ao Lima, ao de Liedson do que ao de Lucho. Será este o jogador que o FC Porto realmente necessita para hoje, amanhã e depois ou um clube com uma chamada "estrutura" é incapaz de planear uma temporada em condições e tem de se agarrar agora a um cravo a arder para depois, a partir de Junho, começar com Suk o mesmo espiral de empréstimos sucessivos a que votou a outras "pérolas" pescadas no mercado?

Enquanto se assobiava a Lopetegui como se fosse a origem de todos os males do clube a memória vai esquecendo que Suks, nos últimos dez anos de FC Porto, lamentavelmente, há muitos.