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sábado, 5 de fevereiro de 2011

Turquia, um mercado emergente


«De uma assentada, Yildirim Demiroren decidiu contratar três das estrelas portuguesas mais cotadas do mercado futebolístico. O presidente do Besiktas já tinha ido buscar, no Verão, Ricardo Quaresma ao Inter de Milão, a troco de 7,5 milhões de euros e um ordenado chorudo. Antes já se tinha decidido pelo craque do Real Madrid, Guti. Agora, na janela de Inverno, optou por abrir ainda mais a carteira e, numa parceria com o empresário Jorge Mendes, garantiu as contratações de Simão Sabrosa, Hugo Almeida e Manuel Fernandes.

Os três portugueses foram apresentados. Em linha, numa mesa em conferência de imprensa e vestidos com a camisola preta e branca do Besiktas, falaram aos jornalistas. Horas antes, o Aeroporto Ataturk, em Istambul, tinha sido invadido por adeptos eufóricos com a chegada do trio. A confusão foi tanta que a polícia foi obrigada a intervir, pessoas ficaram esmagadas e os futebolistas tiveram de ser escoltados até aos carros. É neste mundo entre a euforia e os resultados que Demiroren ocupa o cargo de presidente do Besiktas desde 2004. Venceu a corrida a três e segue os passos do pai, antigo dirigente do clube.

Demiroren vive do estrelato. Com negócios no gás natural e uma enorme paixão pelo futebol, este milionário turco, que já ganhou a alcunha de "Abramovich da Turquia", não está a conseguir juntar os bons jogadores aos bons resultados.

Chegou em 2004 e apesar de um pedigree semelhante ao seu predecessor, as vitórias teimam em não aparecer. Para tentar fugir à sina de ser tomado por um dos piores presidentes desde que o Besiktas foi criado, em 1903, está a injectar dinheiro para inverter essa situação.

Foi responsável pela renovação do Estádio Inönü, criou o canal de televisão do clube Besiktas TV. Levou Del Bosque e Tigana, bem como jogadores como Carew, Ricardinho e Ailton. Mas a equipa continua longe do topo. Ocupa o quinto lugar, a 14 pontos do líder, Trabzonspor.
Pior: o segundo lugar, último de acesso à Champions, está já a nove pontos e é ocupado pelo Bursaspor. Os adeptos começam a impacientar-se...

Foi ele quem escolheu o treinador Bernd Schuster para liderar a equipa, contratou a estrela do Real Madrid Guti e levou Quaresma por 7,5 milhões de euros. Numa parceria com o empresário português Jorge Mendes, convenceu Manuel Fernandes e o Valência - um empréstimo com opção de compra no final da temporada. Demiroren desbloqueou os contratos de Simão com o Atlético e Hugo Almeida com o Bremen a troco de 2 milhões de euros cada um, pois os contratos de ambos só terminavam no final da época. Aos dois ofereceu um ordenado milionário de 3 milhões de euros anuais
in PUBLICO.pt

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Nas vésperas de um desafio com o FC Porto, já uma vez aqui falei na dimensão e capacidade económica do Fenerbahçe.

Vale a pena recordar que a Turquia é um país de 70 milhões de habitantes e que só na área metropolitana de Istambul vivem mais de 11 milhões de pessoas.

Quando os dirigentes dos principais clubes turcos puserem em prática uma gestão desportiva competente e começarem a ser mais criteriosos nos muitos milhões que investem, não vai ser fácil aos clubes portugueses derrotá-los nas competições europeias.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

A saga continua


Grande resultado, muita luta e alguns momentos muito bons permitiram ao FCP chegar à fase seguinte, depois de mais uma vitória fora, desta vez sobre o Fenerbahçe que entrou bem e fez perigo por Alex que recebeu um centro da meia direita (rasteiro) e rematou por alto, em muito boa posição. Estavam decorridos pouco mais de 3 minutos.

Pouco antes desta boa ocasião para o adversário, Hulk tinha furado pela direita, possante e rápido, e sobre a linha centrou, mas o guarda-redes turco defendeu sem dificuldade. Iniciativa individual, pois então, era o que se lhe pedia para pôr em sentido o último reduto do Fenerbahçe.

Nos momentos iniciais, os laterais sentiram grandes dificuldades e fizeram faltas sucessivas. Pedro sentiu grandes dificuldades e quando o Rodriguez não conseguia suster o lateral do seu lado, as coisas tendiam a complicar-se, e então, lá vinha o recurso à falta. Fucile na primeira parte esteve inseguro e faltoso, igualmente.

Aos 13 minutos já o FCP igualava as operações, passava a ganhar mais bolas no meio campo e a desferir contra-ataques perigosos. O jogo estava mais dividido, os duelos mais cerrados: o Fenerbahçe com mais pendor atacante, o FCP mais no controlo e no contra-golpe.

Aos 19 e 27 o FCP marca por intermédio de Lisandro. Dois golos com sotaque e muita raça. O primeiro com um passe longo de Fernando para o segundo poste para Bruno, que levantou para a zona da pequena área: Rolando fez-se ao lance e ajudou à insegura saída do gr adversário que afastou a bola para perto, tendo sobrado para Lisandro que, à meia volta, rematou para o fundo das redes.


Antes do primeiro golo Lisandro teve uma jogada brilhante: na esquerda partiu o defesa por duas vezes, atrasou para Meireles que rematou para excelente defesa do guarda redes. Jogada de equipa com boa circulação e variação do flanco; a equipa mais perto de render a um nível interessante, que só tem de ser mais constante.

O 2º golo saiu de um lançamento de bola de Fucile (uma 2ª. parte muito boa porque corrigiu o posicionamento e encontrou o momento certo de intervir e atacar o jogador que se lhe opunha), Lisandro parou com o peito e marcou (à segunda) um golo à boa maneira de um matador. Os nossos comentadores estavam mais preocupados com uma possível bola no braço do nosso avançado que dizer baixinho, como é costume, que tinha sido o 2º. Golo do FCP. Lá o disseram, sabe-se lá com que sacrifício.

Aos 33 minutos tivemos, talvez, a jogada mais brilhante de todo o jogo. Uma transição rápida com um passe a sobrevoar o campo da direita para a esquerda que apanhou completamente desmarcado o Tomás Costa que se isolou e num gesto técnico excelente, à saída do guarda redes contrário, fez um chapéu acabando a bola por bater no poste direito. Um belo lance do melhor que se viu na primeira metade.

Depois foi muita luta e muita perda de bola, de parte a parte, até ao final da 1ª. parte.

A 2ª parte com Kassim Kassim do lado direito, Pedro tornou a sentir enormes dificuldades na marcação. Foi por aí que o Fenerbahçe ensaiou as jogadas de maior perigo. No entanto, e apesar desse mais fulgor dos turcos nos minutos iniciais, perdemos boas situações aos 57 min., num remate de cabeça de Rodriguez num canto de Meireles e aos 59 numa perdida de Hulk depois de se ter isolado, e só com o gr na frente, não foi capaz de o bater, tentando marcar um golo em jeito, quando se pedia que fizesse o que sabe fazer melhor: atirar em força.


Os jogadores do FCP começaram a acusar desgaste e numa perda de bola de Fernando, Kassim Kassim rematou de muito longe a bola em bateu Bruno Alves ganhou altura e Helton, apesar de se ter feito bem ao lance, não foi capaz de defender.

Depois foram as substituições Tomás Costa (todo partido) foi rendido por Guarin, Hulk por Pelé e Rodriguez por Mariano. Foi ocupar espaços, foi lutar muito e defender com alma. Pouco mais atacámos: os jogadores saíram exaustos, nomeadamente Lisandro que se fartou de lutar, e como referiu: saiu morto. O adversário não incomodou muito, mas lá tivemos que sofrer até ao fim.

Um jogo difícil, em que mostrámos alguma irregularidade. Não somos uma equipa categórica, a circulação de bola nem sempre sai bem, mas a atitude, a serenidade e o companheirismo estiveram lá. Jogámos à Porto. É preciso tornar este porto vintage, mas ainda falta bastante caminho para lá chegar, mas com a alma também se ganha.


Os melhores: a atitude, a capacidade de luta, a superação de algumas fragilidades, os centrais, Fucile (uma 2ª. parte estupenda e um espírito indomável) e Lisandro.
O meio campo nem sempre se mostrou afinado, Meireles teve lances geniais outros nem por isso, Tomás Costa lutou até à exaustão e Fernando falta-lhe um pouco de experiência para ser um jogador muito acima da média. Andou algumas vezes perdido, como no lance do golo em que colocou a bola nos pés do adversário.
Hulk tem talento, tem força, só se espera que sem perder o seu apetite pela baliza e pelo golo, que troque melhor a bola quando o momento for mais de circulação e de controlo que de ruptura e insistência em jogadas individuais. Rodriguez esforçado, continua a não brilhar: até parece que a bola o atrapalha.
Dos suplentes utilizados, nota mais para Guarín.

Fotos: Record

De regresso a Istambul

A República da Turquia é um país eurasiático constituído por uma pequena parte europeia, a Trácia (23.764 km²), e uma grande parte asiática, a Anatólia (755.688 km²). O país é banhado pelo Mar Negro ao norte, pelo Egeu e o Mar de Mármara a oeste e pelo Mediterrâneo ao sul.

A capital é Ancara, mas a principal cidade do país é Istambul, a qual se encontra entre a Trácia e a Anatólia, dividida ao meio pelo estreito do Bósforo.
Istambul foi denominada Bizâncio até 330 d.C. e Constantinopla até 1453. Durante o período otomano, os turcos chamavam-na de Istambul, nome oficialmente adoptado em 1930.
As zonas históricas de Istambul foram declaradas património da Humanidade pela UNESCO, em 1985.

Basílica de Santa Sofia


Após a vitória em casa no primeiro jogo desta fase de grupos, o FC Porto está de regresso a Istambul, onde o ano passado foi feliz, tendo derrotado o Besitkas (1-0) com um golo de Quaresma nos últimos minutos do jogo.

O Fenerbahçe não é o Besitkas e ainda por cima falta o Lucho, mas a esperança num bom resultado é grande.













Em termos de público, que tipo de ambiente espera o FC Porto?
Para responder a esta questão, o JN de hoje publica uma pequena entrevista com um ex-jogador do FC Porto, o defesa turco Fatih Sonkaya.

[JN]: Que ambiente espera o FC Porto?

[Sonkaya]: O público faz-se ouvir do início até ao fim. Não vai ser fácil para o FC Porto. No relvado, dá para sentir a atmosfera nas bancadas. Os adeptos fazem tudo para a sua equipa ganhar.

[JN]: São os mais fanáticos da Europa?

[Sonkaya]: Sim. Parecido com a Turquia, só a Grécia e, talvez, a Itália. Para os turcos, o futebol é tudo. São apaixonados. Os líderes das claques reúnem-se antes dos jogos e decidem as coreografias.

[JN]: Dá para comparar com os adeptos portugueses?

[Sonkaya]: Não dá para comparar. Na Turquia, são mais radicais.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Uma boa estreia num jogo atípico


Começamos bem. O Fenerbahçe não parecia, apesar da experiência do seu treinador, trazer a lição bem estudada. Só Lucho mereceu cautelas especiais, que ludibriou brilhantemente: teve sempre tempo para pensar, executar e fazer jogar. Muito bem acompanhado por Raul Meireles e com Fernando com um olho em Alex e outro no equilíbrio defensivo, fizemos 20 minutos de elevado nível e dois excelentes golos.


A partir daí, a conjugação da empertigação dos turcos e de algum retraimento do FCP, o adversário passou a ter mais bola, embora sempre longe da nossa baliza, pois cobrimos bem os espaços. Lisandro perdeu o 3-0, e logo de seguida numa escapada pela esquerda, Sapu – tal como contra o SLB – foi pouco lesto e agressivo, o cruzamento saiu para o espaço que Alex – fugido de Fernando – ocupou entre os centrais para o cabeceamento que Helton afastou bem. Guiza que tinha descaído para o lado esquerdo – movimentando-se como deve um ponta de lança – recarregou e meteu golo, apesar da tentativa desesperada de Helton para suster o remate.

Na segunda parte estivemos pior. Já é costume: quando a equipa sofre um golo desorganiza-se e tende a perder o controlo do jogo. Ontem não foi excepção: o Fenerbahçe teve muito mais bola e foi muito mais ameaçador. Não entraram na grande área, mas nos cruzamentos a tremedeira foi uma constante, até porque Mariano depois de ter perdido um golo foi substituído pois estava completamente estourado, e Roberto Carlos passou a ter muito mais liberdade.

E a partir daí a deriva foi maior. Não que Mariano tivesse jogado bem, longe disso, mas pelo menos soube tapar as incursões de Roberto Carlos. Com Hulk no campo, descaído para a ponta direita para fazer as diagonais, e assim aproveitar a sua potência de arranque e de remate com o pé esquerdo, o processo de jogo ficou mais confuso e ninguém se entendia.
Os jogadores passaram a discutir mais e a jogar menos. Hulk foi improdutivo no ataque e, pior, mostrou uma grande inocência táctica e um temeroso respeito com o seu compatriota, que varreu aquela ala à sua vontade, criando perigo e algum pânico na defesa do FCP. Podemos dizer que, tirando um corte em esforço que o super herói fez já dentro do nosso meio campo, a sua produção esteve muito abaixo dos limites mínimos e mostrou-se muito imaturo tacticamente.


Durante a segunda parte a nossa circulação de bola não foi fluida: os nossos play makers foram melhor marcados e a bola girava para trás, quase sempre, e passou demasiadas vezes por Fernando, que ficava sistematicamente numa situação difícil: não havia muitas linhas de passe para a frente, não queria conduzir a bola porque desocuparia um espaço vital, e daí um afunilamento excessivo na zona entre a nossa grande área e o grande círculo e, por isso, uma taxa excessiva de perdas de bola e uma percentagem relativamente baixa de posse de bola.

Já com Tomás Costa no lugar de Meireles (cansado?, tocado?) e com Cardoso a arrebentar pelas costuras, sofremos bastante. Ainda tivemos uma boa hipótese por Lucho, mas a iniciativa era do adversário, numa altura em que o jogo já estava partido. O FCP tinha encostado às boxes. Já com 90 minutos, JF fez entrar Lino que no primeiro remate que fez na CL marcou o nosso terceiro golo, depois de uma excelente jogada de insistência de Sapu. Pela forma como foi festejado, deu para ver o grau de ansiedade da equipa.


Boa vitória, exibição intermitente, atípica e com os jogadores ainda mal arrumados.

Sinais Mais: Rolando, Bruno, Fernando, Lucho e Meireles;

Sinais Menos: Mariano (na 1ª. Parte), Sapu (a defender), Hulk, assobios do público: sistematicamente excessivos e grosseiros, e um “cartão vermelho” para Lisandro pela forma mal educada e desabrida como “tratou” JF.

Tomás Costa não entrou bem, mas foi melhorando, Benitez fechou bem e não comprometeu e Rodriguez teve lampejos, mas foi demasiado intermitente. Helton esteve bem e Lino marcou um golo: eficácia 100%.

A equipa parece atrasada no processo de jogo. A minha desilusão maior foi Hulk, porque me pareceu muito imaturo e pouco criativo: só sabe jogar à sua maneira. Domingo há mais e esta vitória foi indiscutivelmente muito importante: pode ser que tire algumas teias que ainda persistam naquelas cabecinhas.

Fotos: uefa.com

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Os canários amarelos

Apesar da fortíssima coligação de interesses, que tudo fez para retirar o FC Porto da Liga dos Campeões, e na qual o próprio presidente da UEFA teve uma participação vergonhosa, faltam poucas horas para os dragões entrarem em campo e para os "especialistas dos bastidores" ficarem a ver pela TV.

O adversário deste primeiro jogo é o Fenerbahçe - Fenerbahçe Spor Kulübü - clube fundado em 1907 e que, sendo o clube mais popular da Turquia, tem repartido o domínio do futebol turco juntamente com outros dois clubes de Istambul – Besiktas e Galatasaray.

Istambul é a maior cidade da Turquia – país de 70 milhões de pessoas – e a população da sua área metropolitana (cerca de 11,3 milhões de habitantes, de acordo com um censo de 2005) é superior à totalidade da população portuguesa.

Apesar da Associação Turca de Futebol ter sido fundada em 1923, só em 1959 é que se começou a disputar o campeonato nos moldes actuais, no qual o domínio das equipas de Istambul tem sido esmagador. Nas 50 edições já disputadas, Fenerbahçe e Galatasaray venceram o campeonato por 17 vezes e o Besiktas 10 (ao qual se juntam duas edições da Turkish Federation Cup, disputadas em 1956/57 e 1957/58).
A única excepção ao domínio das equipas de Istambul foi o Trabzonspor, o qual venceu o campeonato por seis vezes, entre 1975/76 e 1983/84 (já lá vão 24 anos!).

No final dos anos 90, o Galatasaray, treinado por Fatih Terim, destacou-se quer a nível interno, ganhando quatro campeonatos consecutivos (entre 1996/97 e 1999/2000), quer na Europa, ao vencer primeiro o Arsenal (no desempate por penaltis) na final da Taça UEFA 1999/2000, e depois o campeão europeu Real Madrid na Supertaça europeia (2-1), no início da temporada 2000/01, com dois golos de Jardel, que se tinha transferido do FC Porto.
Estes sucessos, juntamente com o desempenho da Selecção nacional em fases finais de europeus e mundiais, mostraram que o futebol turco tinha dado um passo qualitativo muito significativo e que tinha atingido patamares elevados de competitividade.

Entretanto, o Fenerbahçe elegeu um novo presidente em 1998 - Aziz Yıldırım - e ressurgiu, tendo conquistado quatro campeonatos entre 2000/01 e 2006/07.

Na época passada, apesar de terem perdido o campeonato para o Galatasaray, os "canários amarelos" brilharam como nunca um clube turco o havia feito na Liga dos Campeões.


Começaram por eliminar o campeão belga - o Anderlecht - na 3ª ronda de qualificação, tendo obtido duas vitórias (1-0, 2-0).
Depois foram considerados o parente pobre, e pouca gente apostava neles, ao ficarem no mesmo grupo dos campeões italiano, holandês e russo – Inter Milão, PSV e CSKA. Contudo, somaram 11 pontos, resultantes de 3 vitórias, 2 empates e 1 derrota (em Milão) ficando em 2º lugar do grupo.
Chegados aos oitavos-de-final eliminaram o Sevilha (no desempate por penaltis) e apenas caíram nos quartos-de-final perante o Chelsea (2-1, 0-2), que haveria de ser finalista da prova.

Nos 12 jogos que o Fenerbahçe disputou na Liga dos Campeões da época passada, o saldo é francamente positivo: 7 vitórias, 2 empates e 3 derrotas (nas deslocações a Milão, Sevilha e Londres). É de salientar o facto de ter ganho os seis jogos que disputou em casa, mostrando o quão difícil é para as outras equipas pontuar no Estádio Şükrü Saracoğlu (nome do presidente do Fenerbahçe entre 1934 e 1950).


O sucesso do Fenerbahçe nos últimos anos deve-se, em grande parte, ao seu presidente. Sob a sua liderança o estádio Şükrü Saracoğlu foi completamente reformulado e a lotação aumentada para 55 mil lugares, 16% do clube foi colocado na bolsa de Istambul e a venda de Fenerbahçe membership cards foi incrementada tendo superado os 100 mil em 2006/07. Além disso, o merchandising foi dinamizado ao ponto de em Abril de 2008 existirem 67 lojas Fenerium espalhadas pela Turquia e em diversas localizações da Europa.

Só para se ter uma ideia do que o Fenerbahçe factura com as lojas Fenerium, no início da época 2004/05, numa campanha que fez em conjunto com a Adidas, foram vendidos 285 mil kits e nessa época foram vendidos 1.720.000 produtos de merchandising gerando uma receita bruta de 19 Milhões US$ (passados três anos, depois da contratação de vedetas como Roberto Carlos e da campanha que a equipa fez na LC 2007/08, o valor deve ser muito superior).


Entretanto, as lojas Fenerium alargaram o seu âmbito e, actualmente, vendem roupa, relógios, toalhas, sapatos, telemóveis, etc., transformando-se, nas palavras de um membro da administração do clube - Nihat Ozdemir - numa máquina de fazer dinheiro.

Fruto deste incremento de receitas em vários domínios, o Fenerbahçe foi o primeiro clube turco a surgir na Deloitte Football Money League, em 2008, ocupando o 25º lugar com receitas de 87,2 milhões de euros (receitas obtidas na época de 2006/07, sem incluir transferências de jogadores). Atendendo ao desempenho europeu do clube na época 2007/08, não surpreenderia se no próximo relatório da Deloitte já estivesse no top 20.

Associado a esta capacidade financeira crescente, foi implementada uma politica desportiva que passa por contratar vedetas internacionais, entre os quais se destacam: Ariel Ortega, Kenneth Andersson, Serghei Rebrov, Pierre van Hooijdonk, Alex de Souza, Diego Lugano, Cláudio Maldonado, Nicolas Anelka, Mateja Kežman, Roberto Carlos e Daniel Güiza.

Olhando para a equipa inicial que jogou em Stanford Bridge, no último jogo que disputou na LC 2007/08,


verifica-se que com a excepção Mehmet Aurélio (Marco Aurélio, brasileiro naturalizado turco), que foi transferido para o Bétis de Sevilha, o Fenerbahçe 2008/09 mantém intacta a estrutura e onze-tipo da época passada:
• Volkan Demirel, guarda-redes, 27/10/1981, 1,91m, internacional turco
• Gokhan Gonul, defesa direito, 04/01/1985, internacional turco
• Diego Lugano, defesa central, 02/11/1980, 1,88m, internacional uruguaio
• Edu Dracena, defesa central, 18/05/1981, 1,87m, internacional brasileiro
• Gokcek Vederson, defesa, 22/07/1981
• Roberto Carlos, lateral-esquerdo, 10/04/1973, internacional brasileiro
• Cláudio Maldonado, internacional chileno
• Kazim Kazim, médio, 26/08/1986, internacional turco
• Alex, médio-ofensivo, 14/09/1977, internacional brasileiro
• Deivid, avançado, 22/10/1979, brasileiro
• Semih Senturk, avançado, 29/04/1983, internacional turco

A estes e ao restante plantel que permaneceu quase todo (saíram Kezman, Serdar e Kemal), juntaram-se como principais contratações para 2008/09:
• Burak Yilmaz, avançado, ex-Manisaspor
• Emre Belözoğlu, médio, internacional turco, ex-Newcastle
• José Joaquín Verdú (Josico), ex-Villareal
• Daniel Güiza, avançado, internacional espanhol, ex-Maiorca


Para contratar Güiza (melhor marcador do campeonato espanhol 2007/08, com 27 golos), o Fenerbahçe pagou ao Maiorca 17 milhões de euros e para contratar o internacional turco Emre Belözoğlu pagou ao Newcastle £4 milhões, com o jogador a receber um salário anual de £2.8 milhões.

De modo a ficarmos com uma ideia melhor do onze-tipo do Fenerbahçe, as equipas que alinharam nos jogos oficiais já disputados nesta época foram as seguintes:

Fenerbahçe x MTK Budapeste (2ª pré-eliminatória da LC 2008/09)
30/07/2008, 2-0
Equipa: Volkan Demirel, Gökhan Gönül, Lugano, Edu, Roberto Carlos, Kazım (Burak 84’), Uğur (Gürhan 67’), Selçuk, Alex, Semih (Emre Belözoğlu 76’), Güiza

MTK Budapeste x Fenerbahçe (2ª pré-eliminatória da LC 2008/09)
06/08/2008, 0-5
Equipa: Volkan Demirel, Gökhan Gönül, Lugano, Edu, Roberto Carlos, Kazım (Burak 65’), Selçuk, Uğur, Alex (Emre 65’), Semih, Güiza (İlhan 75’)

Partizan x Fenerbahçe (3ª pré-eliminatória da LC 2008/09)
14/08/2008, 2-2
Equipa: Volkan Demirel, Gökhan Gönül, Lugano, Edu, Roberto Carlos, Kazım (Burak 55’), Selçuk, Uğur (Maldonado 84’), Alex, Semih (Emre Belözoğlu 61’), Güiza

Gaziantepspor x Fenerbahçe (1ª jornada do campeonato turco)
24/08/2008, 1-0
Equipa: Volkan Demirel, Gökhan Gönül (Önder 71’), Lugano, Edu, Roberto Carlos, Maldonado, Kazım (Burak 54’), Uğur (Semih 54’), Emre, Alex, Güiza

Fenerbahçe x Partizan (3ª pré-eliminatória da LC 2008/09)
27/08/2008, 2-1
Equipa: Volkan Demirel, Gökhan Gönül, Lugano, Yasin (Deniz 88’), Roberto Carlos, Uğur Boral, Maldonado (Gürhan 90’), Kazım, Alex, Semih (Önder 77’), Güiza

Fenerbahçe x Istanbul Buyuksehir Belediyespor (2ª jornada do campeonato turco)
30/08/2008, 2-0
Equipa: Volkan Demirel, Gökhan Gönül (Önder 68’), Lugano, Yasin, Roberto Carlos, Kazım (Burak 81’), Maldonado, Uğur, Alex, Semih, Güiza

Hacettespor x Fenerbahçe (3ª jornada do campeonato turco)
13/09/2008, 2-1
Equipa: Volkan Demirel, Gökhan Gönül (Önder 59'), Yasin, Can Arat, Roberto Carlos, Kazım (Burak 59'), Maldonado, Josico, Uğur Boral (Gürhan 68'), Alex, Guiza

Duas derrotas nas primeiras três jornadas do campeonato turco não é um começo auspicioso mas, em contrapartida, convém lembrar que nos quatro jogos disputados para a 2ª e 3ª pré-eliminatória da Liga dos Campeões, registam três vitórias e um empate.

Depois da derrota do último sábado, Luis Aragonês, como raposa velha que é, começou desde logo a preparar o terreno para o jogo no Dragão, queixando-se das lesões de seis jogadores (Lugano, Edu, Deivid, Tumer, Emre e Selçuk).
Contudo, no primeiro treino da semana (na 2ª feira), Lugano e Emre já treinaram e logo à noite veremos os que realmente estão impedidos de jogar. Seja como for, destes jogadores, apenas Lugano, Edu e Deivid eram titulares na época passada, e no caso do ex-sportinguista, mesmo que estivesse apto, dificilmente jogaria de início, visto o trio atacante dos canarinhos ser composto por Alex, Semih e Güiza.

A comunicação social portuguesa, como é habitual, também não perdeu tempo em desvalorizar o adversário do FC Porto:

“Aragonés debilitado no ataque ao Dragão.
Técnico espanhol elogiou qualidade portista e debate-se com ausências preocupantes”
in Record

Nós já conhecemos muito bem esta estratégia, mas estou certo que o Jesualdo não irá embarcar na cantiga do coitadinho.
É verdade que na época passada o FC Porto ganhou os dois jogos que fez contra o Besiktas, mas estes "canários amarelos" têm outro potencial - financeiro e desportivo - e seria um erro crasso menosprezá-los (conforme constataram Anderlecht, PSV, CSKA e Sevilha), até porque, para além de terem contratado o treinador que venceu o EURO 2008 (Aragonés recebe 3,5 milhões de euros por ano!), não lhes faltam jogadores experientes e de grande qualidade.


O Fenerbahçe pode não ter arrancado bem no campeonato turco (talvez por o treinador conhecer mal os adversários), mas a Liga dos Campeões é outra conversa e quer o presidente, quer os jogadores, não escondem a vontade e a ambição de repetirem o feito da época passada e, se possível, irem ainda mais longe.

"Cumprimos o primeiro objectivo da época: estar na Liga dos Campeões. Somos a única equipa turca na prova e queremos ir muito longe. O nosso lugar é no topo da Europa. Os turcos de todo o Mundo olham para nós."
Aziz Yildrim, presidente do Fenerbahçe, após o apuramento para a fase de grupos da LC 2008/09

"Queremos chegar à final da prova e vamos ao Porto jogar ao ataque, à procura do golo. Queremos trazer um bom resultado e podem esperar um Fenerbahçe como o do ano passado, que chegou aos quartos-de-final da Champions."
Deivid (ex-Sporting), 06/09/2008


Na altura do sorteio, escrevi uns comentários dizendo que Fenerbahçe era um pouco mais difícil que o Besiktas e que, em termos comparativos da valia das duas equipas, não estava certo que o Fenerbahçe fosse uma equipa muito superior ao Besiktas. Nitidamente não tinha feito o “trabalho de casa” (daí a pesquisa e elaboração deste artigo) e, por isso, não sabia o que estava a dizer.

O Fenerbahçe, para além de contar com jogadores de créditos firmados, como Lugano, Edu, Roberto Carlos, Maldonado, Alex e Güiza, dispõe de diversos internacionais turcos (no último Turquia x Bélgica, de apuramento para o Mundial de 2010, jogaram Volkan Demirel, Gökhan, Emre, Kazim e Semih).
Mais. Tem um orçamento superior ao do FC Porto, teve um desempenho melhor que o nosso na última edição da Liga dos Campeões e, ao contrário dos dragões, só perdeu um jogador entre os titulares da época passada.

Ninguém espere facilidades. Para ganhar logo à noite a esta equipa turca, o FC Porto terá de estar ao seu melhor nível.