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segunda-feira, 27 de abril de 2009

Jornalismo de sarjeta no PUBLICO


O estranho caso do minuto 58
por Luís Octávio Costa, PÚBLICO, 26/04/2009

«Minuto 58 do FC Porto-Vitória de Setúbal. De uma assentada, Leandro Lima e Bruno Gama foram substituídos por dois colegas de equipa. Coincidência ou não, Leandro Lima e Bruno Gama, jogadores emprestados pelo FC Porto ao Setúbal, estavam a ser os dois jogadores mais perigosos dos sadinos. Coincidência ou não, o jogo que estava empatado ganhou outra vida quatro minutos depois com o primeiro de dois golos de Lisandro (2-0). O tiro no pé de Carlos Cardoso deu uma segunda vida ao campeão nacional.

Alguém quer explicar a substituição? Pontaria de Carlos Cardoso, que na véspera até vaticinara uma “gracinha”? Sorte de Jesualdo Ferreira, que via o placard a andar para trás? “Com a saída dos dois jogadores, o FC Porto passou a ter mais espaço e mais linhas”, respondeu Jesualdo. “Já não atacavam com a mesma intensidade”, justificou Carlos Cardoso.

Antes de o jogo começar, os portistas aplaudiram a entrega a Bruno Alves do troféu A Bola/BES, que premeia o melhor dos três grandes no campeonato nacional. No final, aplaudiram Lisandro, autor de dois golos à ponta-de-lança que deixam o FC Porto com o avanço do costume. Pelo meio, aos 58’, fez-se silêncio no Estádio do Dragão, estupefacto com a sorte que lhes calhara na rifa.

Houve claramente um antes e um depois “minuto 58”. Antes, o ataque do FC Porto resumia-se a dois ensaios de Raul Meireles já na segunda parte (aos 47’ e aos 51’) e a um cabeceamento de Rolando (52’). Antes, o FC Porto tinha tido dois bons períodos de pressão, mas inconsequente. Antes, falava-se da falta que fazia uma cabeça (de Lucho) no meio-campo e músculo (de Hulk) na frente de ataque. Antes, o Setúbal era uma equipa modesta e humilde, mas concentrada e com Auri a varrer tudo lá atrás. Antes, Leandro Lima e Bruno Gama tinham tido a ousadia de invadir a área portista (e aos 40’, o português, com o consentimento de Tomás Costa, até podia ter marcado). (...)»

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Os meus parabéns ao senhor Luís Octávio Costa (LOC), que mostrou uma coragem assinalável ao escrever um artigo digno de um qualquer Querido Manha, José Manuel Delgado, Rui Cartaxana ou Leonor Pinhão. Não é para qualquer um. Aliás, não me surpreenderia que, a curto prazo, este novo “craque do jornalismo desportivo” estivesse a assinar pela ‘A Bola’ ou por um dos jornais da Cofina.

Mas para além do “estranho caso do minuto 58” e das insinuações e suspeições octavianas subjacentes (vocês sabem do que eu estou a falar...), há outras estranhezas que talvez o senhor LOC nos possa ajudar a esclarecer.

1º) Sendo Leandro Lima e Bruno Gama jogadores emprestados pelo FC Porto, porque razão os dirigentes azuis-e-brancos permitiram que eles jogassem um minuto sequer contra o clube que lhes paga os salários? Se não quisessem que eles jogassem, não teria sido facílimo arranjar uma mialgia ou uma qualquer indisposição gástrica?
Provavelmente o Pinto da Costa esteve a dormir a semana toda e só acordou ao minuto 58...
Terá sido isso senhor LOC?

2º) Na 2ª parte o FC Porto entrou em campo com outra atitude e rapidez, o que foi visível para todos aqueles que viram o jogo com os olhos abertos (terá sido o caso do senhor LOC?). A prova disso é que nos primeiros sete minutos a seguir ao intervalo houve três lances perigosos para a baliza do Setúbal - segundo o próprio LOC, “dois ensaios de Raul Meireles já na segunda parte (aos 47’ e aos 51’) e a um cabeceamento de Rolando (52’)”.
Nessa altura o Leandro Lima e o Bruno Gama ainda estavam em campo? Ah estavam, e não conseguiram “esticar o jogo” evitando que o FC Porto criasse estas três situações de golo?
E, já agora, quantas jogadas de perigo é que esta dupla maravilha criou na 2ª parte até serem substituídos? Zero? Hum, não será estranho senhor LOC?...

3º) Ao ver o FC Porto criar mais perigo nos primeiros minutos da 2ª parte do que em toda a 1ª parte, a intenção de Carlos Cardoso não terá sido reforçar a equipa com jogadores frescos e de perfil mais defensivo, de modo a evitar que os dragões fizessem aquilo que estavam a ameaçar, isto é, quebrassem a muralha sadina?
Terá sido por isso que, no final do jogo, Carlos Cardoso afirmou: "O F.C. Porto estava a atacar muito pelos laterais, e eles [Leandro Lima e Bruno Gama] tinham de os acompanhar. Por isso já não conseguiam atacar como deviam. Pensei que com as alterações pudessem travar essas subidas dos laterais do F.C. Porto e poderia dar hipótese a um jogador do centro para entrar mais pelo meio no apoio ao Carrijo".
Correu mal? Pois correu, como acontece à esmagadora maioria das estratégias dos treinadores do campeonato português quando jogam contra o Tri-campeão nacional.
Ou, na opinião do senhor LOC, o melhor teria sido o treinador do Setúbal aproveitar o balanceamento ofensivo do FC Porto e reforçar o ataque (com que jogadores não se sabe, mas para as suspeições subjacentes isso também não interessa...), jogando taco-a-taco no Estádio do Dragão?

4º) Terão sido as substituições ao minuto 58 que, quatro minutos depois, impediram Auri de continuar “a varrer tudo lá atrás”? Às tantas as substituições afectaram psicologicamente o Auri e só por isso é que o Lisandro lhe deu um nó cego e marcou espectacularmente o 1º golo. Terá sido isto senhor LOC? Aposto que sim...

5º) A possibilidade de haver alguma marosca por trás do “estranho caso do minuto 58” pressupõe, entre outras coisas, a conivência e colaboração activa do treinador sadino, um homem de 64 anos, com um enorme passado no futebol português e, particularmente, no seu Vitória de Setúbal (onde é uma espécie de faz tudo e treinador de recurso para as situações mais aflitivas).
Será que o senhor LOC se lembrou disto, antes de escrever a crónica vergonhosa e rasteira do FC Porto x Vitória de Setúbal, publicada no jornal PÚBLICO de hoje?

6º) Em Janeiro passado, o Vitória de Setúbal veio jogar ao Estádio do Dragão para a Taça da Liga, tendo perdido por 1-2. Nesse jogo os sadinos beneficiaram de duas grandes penalidades, tendo Leandro Lima concretizado a primeira e falhado a segunda o que, claro está, motivou as habituais insinuações e suspeições.
Isto é assim: se os jogadores emprestados jogarem contra o FC Porto, isso é suspeito; se não jogarem é ainda mais suspeito; se jogarem de início e forem substituídos isso é altamente suspeito.
Perceberam ou querem que eu faça um desenho?
Bem fez o SLB na semana passada, não permitindo que o Zoro jogasse contra eles (ah, pois, estava lesionado...)


Se, contra tudo e contra todos, o FC Porto revalidar o seu titulo de Campeão Nacional, é desta que os Rennies vão esgotar...

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Análise do plantel 2007/2008: Médios de transição/ataque

O FC Porto contou esta época com Lucho, Raul Meireles e Kazmierczak para o lugar de médios de transição, e com Leandro Lima para a posição de médio de ataque. Até ao dia da publicação deste artigo, este quatro jogadores tinham participado no seguinte número de jogos:


CP

LC

TP

TL

ST

LI

Lucho González

28

07

03

00

00

00

Raul Meireles

28

08

02

00

01

00

Kazmierczak

11

01

03

01

01

06

Leandro Lima

08

02

00

01

01

02


Devido à estrutura táctica implementada na maioria da época, o FC Porto actuou preferencialmente com 2 médios de transição à frente do médio defensivo. Lucho e Meireles foram sempre as primeiras opções, sendo Kaz mais e Leandrinho menos usados. A esta posição foi também adaptado esporadicamente Mariano González.


Lucho González é um dos jogadores mais utilizados e mais aclamados pela crítica. Apesar de ter funções mais ofensivas, é um típico box-to-box, sendo comum encontrá-lo em missões defensivas junto à sua área. Apelidado de "falso lento", é um jogador que apesar de não ser rápido na movimentação, é rapidíssimo na execução, sendo o principal executante da transição defesa-ataque jogando de cabeça levantada (como está bem expresso na imagem acima). É um jogador bem dotado tecnicamente, com boa leitura de jogo, qualidade de passe, capacidade de remate, bom jogo de cabeça... É um jogador perto da perfeição!

Foi Raul Meireles o companheiro de meio campo de Lucho González, ocupando o meio campo canhoto. Afirmando-se definitivamente na equipa titular, é um box-to-box com as características que complementam Lucho. É um jogador mais defensivo, com boa capacidade de corte, antecipação e que dobra bem as subidas do lateral. Apesar de mais defensivo, é um bom transportador de bola, sendo capaz de excelentes passes de longa distancia, lançando a bola nas costas do lateral adversário. Tem um remate poderoso que tem valido à equipa alguns golos.

Vindo de uma boa época no Boavista FC, Kazmierczak foi sempre tido como um jogador forte fisicamente, de processos simples que se enquadrava no estilo de jogo pretendido por Jesualdo Ferreira: Kaz é certo no passe e com um estilo de jogo que favorece a rapidez. Apesar de se lhe reconhecerem algumas qualidade nao se conseguiu impor no seu ano de estreia.

Leandro Lima era uma aposta de futuro (e pode continuar a ser, apesar do "escândalo" em que se viu envolvido) para a posição de médio atacante. Na sua primeira época de futebol europeu, e ainda com a falta de processos defensivos que costuma prejudicar a adaptação dos futebolistas sul-americanos, não se conseguiu impor na equipa. É um jogador bom tecnicamente, com remate fácil e boa qualidade de passe, tendo como aspectos negativos o facto de segurar a bola em demasia.

Lucho e Meireles são dois jogadores que parecem completar-se e assegurar a qualidade do meio campo portista. Apesar disso parece ser necessário a contratação de alternativas, já que as actuais mostraram-se ineficientes sempre que foram chamadas à equipa.
Com a possível saida de Lucho González torna-se peremptória a contratação de alternativas!

domingo, 3 de fevereiro de 2008

Um tango à moda do Porto

Partiu ontem do Estádio do Dragão a expedição "Dragões em África", que vai ligar Luanda a Maputo numa viagem solitária de mota. Coincidentemente, também no relvado do Dragão se viu mais um episódio de uma caminhada solitária: mais concretamente, a caminhada do FCP para o título.

Da mesma forma que Mark Twain afirmou "As notícias da minha morte são francamente exageradas", o relançamento da corrida pelo título tão estridentemente apregoado na última semana em função da estocada que o FCP levou em Alvalade teve um não-sei-quê de ficção científica.

Se é verdade que o Leiria é uma equipa muito acessível, também é verdade que vinha da sua primeira vitória no campeonato e que é em campo que se demonstra que a lógica não é uma batata: ora o FCP demonstrou-o de forma convincente, ao contrário de outros que 300km mais a sul se viram incapazes para o fazer. Quase que dá vontade de dizer que enquanto uns competem na maratona do campeonato num bólide de Fórmula 1, outros fazem-no de bicicleta...

Ontem viu-se um FCP sério, determinado e competente e em crescimento de produção ofensiva - pela 2a vez consecutiva marcou 4 golos em casa (e se não os marcou em Alvalade não foi por falta de oportunidades). Nota-se que tem havido um aumento progressivo de maturidade, tanto individual como colectiva: Lisandro está como o aço; Meireles, Lucho e Bosingwa integram-se cada vez melhor nas manobras ofensivas; "last but not least", Farías começa a confirmar em pleno os galões de "matador" com que chegou há 6 meses - aliás, se há alguém que pode rever-se em pleno nas palavras acima citadas de Mark Twain, esse alguém é certamente Ernesto Farías.

Neste jogo, saliente-se também a forma como Quaresma arrumou (positivamente) com as dúvidas sobre como seria o reencontro com o público do Dragão; e a estreia auspiciosa de Castro no campeonato.

Concluindo: não há razões para entrar em euforias desmesuradas, até mesmo porque algumas dúvidas permanecem no ar (alternativas no meio-campo a Lucho e Meireles, ainda mais com o "desaparecimento" de Leandro Lima e o ocaso de Kaz; confirmação - ou não - de Mariano como uma alternativa credível). Mas como Jesualdo Ferreira diz, há que "encarar o futuro jogo-a-jogo" - e com toda a confiança, apetece-me acrescentar.

PS - Apenas 32mil espectadores num fim de tarde de sábado, quando o FCP tem 1 milhão de adeptos a menos de 30 minutos do Dragão e quando a equipa liderava o campeonato com 8 pontos de avanço: penso que são números que merecem uma forte reflexão da parte da SAD.