Antes de começar quero deixar claro que este artigo não visa, em nenhum momento, insultar o Chainho. Um jogador que deu tudo pelo Porto quando jogou. Nunca foi um fora de série, muito longe disso. Mas suou a camisola e fê-lo com brio. Chainho, se me estás a ler, não quero que te sintas mal quando descrevo o Imbula como o "Chainho da Doyen".
Agora vamos ao que importa.
Gianelli Imbula. Com nome e apelido. E, sobretudo, com um valor para justificar que seja, a dia de hoje, jogador do Futebol Clube do Porto. Porque esqueçam lá as contas e as falsas sensações de que se pagou ou não se pagou por Imbula com ou sem a ajuda da Doyen. Imbula é, a todos os efeitos, tão jogador do Porto como foi Chainho. Que exista uma promessa de venda, isso é algo lógico e básico na politica desportiva da Doyen e do clube. Mas se, por algum motivo, a Doyen se lembra de deixar aqui o francês a apodrecer (não foi o próprio Presidente que disse que foi enganado no caso Adrian?), quem comerá a carcaça é o Futebol Clube do Porto. Não tenham a menor dúvida.
Imbula é um jogador com um potencial muito bom. Nunca vai ser um Pogba apesar de ter condições físicas semelhantes, mas pode ser um jogador de potencial em muitos clubes europeus. Tem o físico, tem as condições técnicas de ultrapassar dois ou três jogadores em velocidade para criar desequilíbrios. Tem a meia distância para lançar misseis teleguiados e a frieza necessária para um último passe. Tem condições, sim, mas não tem o fundamental para jogar futebol profissional, a atitude. Imbula está no Porto de corpo mas não de alma. Chegou a contra-gosto. Não era aqui que ele queria acabar. Tinham-lhe prometido outra coisa, um ano dourado em Milão, onde podia rivalizar todas as semanas com dois internacionais gauleses como Pogba e Kondongbia com quem, em teoria, poderia disputar um lugar na selecção. Mas a coisa torceu-se. O Milan pensou duas vezes - talvez com motivo - e deixou a Doyen a arder. O negócio Jackson pode não ter ajudado em nada a situação entre os italianos e o fundo que gere a carreira do jogador. Sem clube onde o colocar, Imbula ficou no limbo. Não fazia sentido voltar ao futebol francês, assinando pelo Monaco. Em Espanha a situação estava complicada para colocá-lo no Valencia ou no Atlético de Madrid. Ninguém queria Imbula ao preço estipulado pela Doyen do mesmo modo que o fundo teve tanta dificuldade em meter nos dois clubes espanhóis o médio Rodrigo Caio - apesar das fortíssimas pressões a ambos clubes - que o jogador não teve outro remédio que não fosse o de ficar um ano mais no Brasil. O caso era muito similar ao de Imbula e em Marselha começavam a pensar que iam ter de aguentar contrariado o jogador durante um ano. E então apareceu o Porto na equação.
Lopetegui não queria o "Ferrari" Imbula por muito que Pinto da Costa diga o contrário porque, como se viu na sua entrevista mansinha, tudo o negativo lhe alheio (os assobios dos adeptos, os jogadores que correm mal, o treinador que de ser bestial passou a besta). Não o pediu. Pediu, sim, Sergio Darder. Pelo segundo ano consecutivo. Disseram-lhe que não e Darder, noutro "negócio escuro", saiu a mal do Malaga e acabou em Lyon onde está a ter um ano sofrível. O basco sabia que precisava de um pivot defensivo para competir com Danilo e um substituto para Oliver. O que não necessitava era um "Herrera II" quando o plantel já tinha André André, Evandro e até Ruben para esse lugar. Mas disseram-lhe que tinha de ser e que se fizesse com Imbula o que fez com Casemiro, os louvores seriam ainda maiores porque tudo aquilo onde tocasse seria ouro. Engoliu em seco e aceitou o jogador. A Doyen taxou o jogador em vinte milhões. O Porto oficializou o negócio dessa forma.
A forma de pagamento é relativa tal é a forma como hoje é quase impossível distinguir entre clube e fundo em matéria de negócios. Quanto se abaterá no negócio Brahimi para o próximo verão? Que jogador se sobrevalorizará no mercado para pagar esse favor como se fez com Mangala? Tudo é demasiado cinzento para afirmar, taxativamente, algo a não ser que, para o bem ou para o mal, Imbula foi forçado pela Doyen a ir para o Porto e o Porto foi forçado a ficar com ele de forma oficial. O casamento tinha tudo para correr mal e correu.
Imbula não se impôs como seria de esperar porque não quis. Ele é o primeiro que sabe que vai sair em Junho e que este ano é um ponto de paragem, nada mais. A Doyen vai colocá-lo no Verão noutra liga e ele seguirá a sua vida profissional. Este foi um parêntesis. Por isso não valia a pena treinar no duro, aplicar-se a sério, ir ás bolas divididas, sentir o peso da camisola no peito. Essa atitude começou a sentir-se na pré-época e tem vindo, in crescendo, a ser cada vez mais evidente. Imbula quer que todos saibam que não gosta de estar aqui. Se isso é inteligente ou não, o problema é dele. Cá estaremos para ver o que será o Imbula fora do Porto. Esqueçam é de ver o Imbula que podia ser aqui. E não é dois gritos do treinador que seguramente o vão fazer mudar de ideias.
Imbula é tudo aquilo que André André não é. Para o bom e para o mal. As condições técnicas e tácticas que tem o francês o filho do nosso André não tem e dificilmente terá. Mas a este ninguém lhe ganha em atitude. Não se pode (pelo menos não se devia poder num clube como o Porto) fazer uma carreira apenas com base na atitude. Em algum momento ou o jogador evoluiu ou deve vir alguém melhor. Mas o certo é que a André não lhe podemos apontar absolutamente nada e mesmo sendo pior futebolista do que Imbula é, seguramente, melhor profissional. O francês poderá acabar por explodir e transformar-se numa referência mundial mas nos nossos livros de história ocupará um lugar semelhante a Chainho, um médio esforçado que Fernando Santos foi buscar ao seu Estrela da Amadora para reforçar o meio-campo e que cumpriu sem deslumbrar. A diferença é que Chainho não custou oficialmente 20 milhões nem foi imposto por um fundo que, daqui a nada, vai subministrar até o papel higiénico do Dragão em exclusividade. Afinal de contas, olhando para o rendimento de um e de outro, o lugar na história do clube de Chainho está a um patamar superior. Pelo menos ele soube vestir a camisola do clube com o respeito e dedicação que se lhe exige. Por tudo isso, desculpa Chainho, este artigo não era para ti.












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