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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Killer Instinct

O FC Porto foi super, super, super superior a partir dos vinte minutos. Até lá, conseguimos ser equilibrados e sempre que conseguimos dar três ou quatro passes consecutivos encontrámos soluções na frente.
Tenho a certeza que foi o nosso pior jogo de toda a época. Continuamos vivos depois deste mau jogo, é verdade que continuamos vivos, mas o FC Porto foi muito superior. Não é que tenha criado um número de situações claras de golo, mas foi superior depois do vigésimo minuto. (…)
Felizmente esta eliminatória ainda não está resolvida e a minha grande alegria é essa. O FC Porto podia ter resolvido a eliminatória, porque foi claramente superior. A minha equipa não conseguiu encontrar-se e não teve a personalidade que costuma ter.
Paulo Sousa, treinador do FC Basel


Sinceramente, não tinha visto uma equipa tão forte neste estádio nos últimos dois ou três anos
Não, nem mesmo no jogo do Bernabéu, em que perdemos 5-1. O Real é incrível do ponto de vista individual, mas coletivamente o FC Porto é mais impressionante. A forma como eles correm, como crescem, como são do ponto de vista técnico… É difícil acompanhá-los.”
Fabian Frei, médio do FC Basel, em declarações à imprensa suíça


O quadro seguinte, publicado no jornal O JOGO de hoje, ajuda a sustentar as declarações que, quer Paulo Sousa, quer Fabian Frei, fizeram no final do FC Basel x FC Porto, a propósito da exibição dos dragões no St. Jacob Park.

O JOGO, 20-02-2015

Conforme escrevi há uns dias atrás, a este FC Porto de Lopetegui faltam pequenas afinações e um dos aspectos que necessita de “afinações” é a eficácia (a taxa de aproveitamento das oportunidades criadas é baixa).

Ou, como diria o saudoso Sir Bobby Robson, é preciso incutir nestes jogadores um saudável Killer Instinct.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

Empate justo num estádio maldito


O FC Porto até começou bem o jogo em St. Jakob-Park, com domínio de bola e jogando em toda a largura do terreno nos primeiros minutos. Porém, aos 11 minutos, no único remate que fez à baliza de Fabiano, o Basileia marcou por Dérlis. Frei desmarca o extremo que aguentou a carga de Alex Sandro e bateu o guarda-redes portista que em minha opinião poderia ter-se feito melhor ao lance (quando voltará Helton a ter uma oportunidade?).

A partir daí só deu Porto. No entanto, até ao fim da primeira parte a equipa voltou a demonstrar enormes dificuldades para chegar à baliza adversária. Há muita posse mas em terrenos recuados e sem progressão. Todo o ataque que parece prometedor é interrompido voluntariamente pelos nossos jogadores que optam por diagonais para trás e volta tudo à estaca zero. Passe para a esquerda, devolução para o meio e passe para a direita para nova devolução aos centrais. A equipa não possui jogo interior nem futebol vertical, é demasiado lenta nas transições, ninguém arrisca e ficamos reféns de jogadas de inspiração de Óliver ou Brahimi (sendo que este último esteve muitos furos abaixo do que é capaz de fazer).

Até ao intervalo nota para uma grande penalidade por assinalar contra o Basileia por falta de Samuel sobre Jackson. O colombiano é agarrado e impedido de rematar à baliza de tal forma que até fica sem a braçadeira de capitão. Um lance escandaloso que trouxe à memória a arbitragem do jogo da final da Taça das Taças em 1984 contra a Juventus, neste mesmo estádio.

Na segunda parte a equipa entrou determinada a mudar o rumo dos acontecimentos e logo aos 47’ Casemiro marca numa recarga a um cabeceamento de Maicon. Era o golo merecido. O árbitro validou, deixou a equipa festejar e passados 2 minutos (!) anulou o golo por fora-de-jogo. Marcano e Jackson estão em fora-de-jogo posicional mas não tocam na bola nem interferem no lance. O guarda-redes viu a bola partir e aninhar-se nas redes. Voltava o fantasma de 1984 a pairar no relvado daquele estádio.


A equipa não baixou os braços e continuou a lutar pelo golo. Tello e Jackson não conseguiram finalizar 2 excelentes passes de Óliver e, mais tarde, Quaresma atirou à figura. Mas aos 78’ Danilo fugiu pela direita, foi à linha, e centrou tendo Samuel cortado o lance com a mão. Desta vez o árbitro não vacilou e apontou para a marca de penalty que Danilo finalizou com mestria para o 1-1. Impunha-se um cartão amarelo para o sarrafeiro do Basileia, que seria o segundo e daria expulsão, mas o árbitro voltou a ser benevolente para com a equipa suíça. Clattenburg fez uma má arbitragem e esteve péssimo no critério disciplinar, favorecendo os suíços.

O FC Porto devia ter vencido este jogo porque tem muito melhor equipa mas isso não aconteceu por vários motivos: a equipa foi perdulária nos momentos decisivos, demorou sempre demasiado tempo a chegar à baliza contrária e sofreu um golo porque a defesa foi lenta a reagir. Houve jogadores que não estiveram bem, lembro-me por exemplo de Herrera, de Brahimi e de Tello. Os dois primeiros porque estiveram desinspirados e o último, como já vem sendo habitual, porque não dá o máximo em cada lance que disputa.

Espera-se que no Dragão o FC Porto confirme a sua superioridade e passe à próxima eliminatória.

Uma nota final para destacar os milhares de portugueses, além dos Super Dragões, que estiveram no St. Jakob-Park a apoiar o FC Porto. Foi bem audível na transmissão televisiva o apoio prestado à equipa, principalmente nos minutos finais.

fotos: maisfutebol

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

“Favoritos” surpreendidos pelo FC Basel

Conforme escrevi antes do sorteio dos Oitavos-de-final da Liga dos Campeões, ponderando diversos aspectos, a minha preferência era o Bayer Leverkusen.

Contudo, se considerarmos, apenas, o grau de dificuldade teórico, penso que o FC Basel seria a melhor opção entre os sete clubes possíveis (juntamente, talvez, com o Schalke 04, que não deixou grande imagem nos jogos contra o Sporting).

Dito isto, o tom e a forma como a generalidade da comunicação social lisboeta… perdão, portuguesa, reagiu a este sorteio, acentuando a facilidade do adversário que calhou ao FC Porto (só faltou dizer que os dragões tinham um tapete vermelho estendido até aos Quartos-de-final), parece-me completamente despropositada.


«O Basileia é a equipa menos cotada e a segunda pior classificada no ranking entre as que poderiam calhar ao FC Porto nos oitavos de final da Champions. Ocupando o 17º lugar fica, apenas, acima da Juventus, que é 21º
in Maisfutebol, 15-12-2014

«O FC Porto nunca defrontou o Basileia nas competições europeias, mas o clube suíço cruzou-se várias vezes com adversários portugueses na última década. E o registo é claramente favorável aos clubes nacionais. Foram seis confrontos com o Sporting e mais dois com o Benfica: metade na Liga dos Campeões, a outra metade na Liga Europa. De todos eles, o Basileia apenas venceu um, precisamente o último
in Maisfutebol, 15-12-2014


Estes factos são corretos mas, se olharmos para eles mais de perto, verificamos que as quatro derrotas do FC Basel em jogos com o Sporting foram todas há mais de seis anos (nem sei se algum jogador dessa altura ainda se mantêm nas duas equipas).

Jogos do FC Basel contra equipas portuguesas

Ora, se considerarmos um período mais recente, constatamos que, nos últimos três anos, o FC Basel só perdeu um dos quatro jogos que disputou contra equipas portuguesas.

Mais. Analisando o desempenho do FC Basel nas competições europeias ao longo dos últimos três anos (épocas 2011/2012 a 2014/2015), encontrei onze jogos em que a “pera doce” suíça se transformou em “chocolate amargo” e surpreendeu alguns dos principais clubes europeus.

11 jogos recentes do FC Basel nas competições europeias (épocas 2011/2012 a 2014/2015)

Em termos teóricos, o FC Porto parte para esta eliminatória na pele de favorito, mas convém que toda a gente, a começar pelo treinador e jogadores portistas, se lembrem do que aconteceu ao “favorito” Manchester United de Sir Alex Fergusson (na época 2011/2012), ao “favorito” Tottenham de André Villas-Boas (na época 2012/2013), ao “favorito” Chelsea de Mourinho (na época 2013/2014) e, já esta época, ao “favorito” Liverpool.

Momento em que o árbitro apitou para o fim do Liverpool x FC Basel