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segunda-feira, 6 de maio de 2019

Bater no peito não chega!


No momento em que este artigo se escreve ainda não sabemos se o terceiro milagre da década, qual segredo de Fátima, vai ter lugar ou não. Depois do momento Kelvin e da epopeia Herrera, o FC Porto precisaría de outro golpe de sorte – desta vez alheio – para poder conquistar o bicampeonato, um cenário cada vez mais improvável. O FC Porto partiu como favorito, confirmou o favoritismo durante uma volta, conseguiu uma vantagem histórica e deitou-a fora a ponto de poder perder o campeonato a um jogo do fim. Esses são os dados. De ser campeão nacional, cenário improvável, o FC Porto cumpre com o prognóstico inicial e com o que fez durante meia época. Não seria um golpe de sorte, um ajuste de contas divino apesar de ser necessário um milagre. Seria algo lógico e natural. De não acontecer será uma profunda decepção. O denominador comum neste debate sobre o FC Porto a dia de hoje, o de ontem e o que será amanhã tem rodado à volta de um homem: Sérgio Conceição.

Num clube desprovido de Presidente – uma figura que se aproxima cada vez mais aos velhos lideres de tribos indigenas, que fazem do silêncio e da reclusão a base da sua liderança entregando as acções aos mais novos – e com uma “Estrutura” que, pura e simplesmente, já não existe, a figura do treinador é cada vez mais relevante, algo que o meu amigo e companheiro de escrita José Correia tem defendido, com toda a razão. Acabou a era em que a dinámica dirigente do FC Porto era a sua mais valia. Essa estrutura erosionou-se com o tempo. Seria algo natural, tratado sem drama, porque o tempo passa para todos, não fosse a cultura estalinista do Líder Supremo e a mentalidade de portistas ruidosos que fazem de qualquer critica ou opinião contrária à sapiencia absoluta e intocável dessa figura um insulto ao escudo e bandeira. Se por um lado continua a parecer óbvio que quem Preside não dirige o clube - e o continuará a Presidir até nos abandonar definitivamente, face às suas sucessivas recandidaturas quando o tempo perfeito da retirada vai pasando e ele vai assobiando - o que não deixa de ser igualmente evidente é que não há um leme claro no clube abaixo da sua figura crepuscular que coloque ordem onde só existe o caos. Não há um director desportivo com poder real – e a figura de Luis Gonçalves tem sido cada vez mais próxima daquela que teve Reinaldo Teles, que também carecia totalmente de influência e poder e actuava mais como uma ponte com o balneario do que na tomada de decisões – nem uma direcção com caras e ideias novas. 
Estamos num clube onde um ex político como Fernando Gomes encontrou uma reforma de ouro sem poder acrescentar nada de valor ao projecto. Um clube onde um advogado, fundamental na actuação do proceso Apito Dourado, tem concentrado em si um poder que ultrapassa em muito a sua real valia. Um clube onde o filho do dirigente crepuscular, sem cargo eleito ou nomeado, se passeia como se fosse o dono da casa com as chaves a tilintar no bolso. Nesse cenário dantesco o optimismo não tem lugar e é um cenário já suficientemente antigo para acreditar que vai mudar. Não vai. Pelo menos, não para melhor. Algo que muitos já assumiram, algo que poucos estão dispostos realmente a mudar.

Nesse contexto a figura do treinador ganha uma relevância especial. 
Quando o actual Presidente o era, de facto, o treinador era uma extensão sua mas, em última análise, o clube era do Presidente, os êxitos eram do Presidente e o futuro estava nas suas mãos. E eram tempos maravilhosos porque o Presidente exercia como tal e tinha sagacidade mental, espirito e vontade de o fazer. Graças a isso vivemos uma etapa dourada. Não a voltaremos a viver, não debaixo da mesma premissa. E portanto esse treinador quase secundário, na narrativa de muitos êxitos, ganhou preponderância. Exigia-se para isso um perfil especial. Jesualdo Ferreira foi o navegador tranquilo durante a mais difícil tempestade mas não animava o povo. Vilas-Boas, que a memoria não engane, começou assobiado por “miudo” e acabou elevado a uma altura a que não lhe correspondia futebolisticamente, provou-o a história, precisamente porque soube como animar o povo. Vitor Pereira tinha o futebol mas não tinha já os meios humanos nem a voz. Paulo Fonseca aterrou cedo num momento de mudança profunda nas estruturas de poder e acobardou-se. Lopetegui insurgiu-se como nenhum dos anteriores contra aquilo que agora tanto nos indigna e foi cuspido na cara por isso, deixado só aos abutres, com um título roubado e um plantel dilapidado. Nuno esteve bem ao serviço do empregador, que não era o FC Porto, mas também viveu o fantasma do Polvo, quando já começava a haver Francisco J. e emails, depois de anos de silêncio onde só Bernardino Barros e poucos espaços, como este, clamavam por acção e resposta. Foi com ele que renasceu o Mar Azul, lembrem-se bem, ainda que não graças ao seu ingénio. E depois chegou Sérgio. O que mudou de Sérgio para os seus antecessores imediatos? O momento Kelvin 2018.

Conceição trouxe um discurso à Porto porque viveu, sente e conhece o clube. É um dos nossos, sem dúvida nenhuma.  
Uma versão hardcore do que um NES – sempre mais preocupado em agradar ao seu melhor amigo e a cair bem a toda a gente – podía ter oferecido. Tacticamente ambos não são técnicos de elite nem vão ser mas tinham uma ideia clara e fechada, pouca margem de abertura e operaram com recursos escassos. NES apanhou um Rui Vitória já em rota decadente e não o soube aproveitar mas foi o péssimo inicio da Champions 2017/18, o inicio avassalador das divulgaçoes dos emails pelo Porto Canal/Francisco J./Baluarte, e uma excelente pré-temporada que preparou físi e mentalmente a equipa com um modelo táctico imitado directamente do manual de Jorge Jesus, apontado ao jogo directo, vertical, com dois pontas de lança e ausêncio de miolo de jogo, quem rematou definitivamente com um treinador mediocre, com um plantel também ele cada vez pior a cada ano que passava e que colocou o FC Porto no Natal com uma liderança relativamente cómoda. 
Foram meses de euforia, justificada, com um plantel de remendos (os mesmos do ano anterior com a diferença de que já não havia pérolas da formação, vendidas meses antes a preço de saldo), e com um espirito de cruzada contra um Penta que era e só podía ser nosso. O Mar Azul, que já vinha embalado, foi reactivado e cumpriu. Os jogadores encontraram uma motivação extra (Brahimi na Feira dixit) e o modelo táctico inicial surpreendeu os rivais, habituados sempre a um Porto mais rendilhado do que o rival. Quando começou a segunda volta ficou claro que algo tinha de mudar. E não mudou. A equipa jogava igual mas havia menos pernas e pulmões porque as rotações eram nulas e os rivais iam aprendendo a recuar para não dar os mesmos espaços. A birra com Casillas colocou na baliza a um Sá que, esforçado, não fazia a diferença. Sem o peso da Europa nas costas e com o primeiro choque dos emails ultrapassado, o Polvo acordou e levou a Águia ao colo durante semanas e nesse cenário o que fez o treinador? Nada.
Manteve exactamente a mesma filosofía, dinâmica e gestão e como recompensa levou um set de derrotas nas Taças a que só ele parecia dar especial importância. Sofreu uma goleada histórica na Champions por acreditar que o Liverpool podia ser enfrentado como o Aves. E deitou borda fora cinco pontos de vantagem pontual chegando à Luz necessitado de uma vitória para que não se repetisse o drama dos anos anteriores. O milagre aconteceu, num jogo em que não houve superioridade (a do jogo da primeira volta, onde o Polvo mostrou estar bem vivo, e que sim foi evidente), e com ele houve titulo. Mas também sinais. Importantes. Evidentes. Ignorados.

O que define um grande líder é, sobretudo, a sua capacidade de aprender. O maior maestro da vida é o falhanço. É normal perder. É normal errar. O que nos define é a capacidade de superar esses erros. Esta época o que todos viram foi a absoluta incapacidade de Sérgio Conceição de seguir essa premissa. O guião foi similar. Equipa que entra forte - a pesar das dúvidas do mercado com o caso Marega na sombra e as primeiras lesões bem cedo - consegue uma sequência histórica de vitórias, classificação na Champions, liderança confortável face a uma nova debacle de Vitória, desta vez despachado, e sete pontos de avanço em Janeiro. Dois mais que no ano pasado. O que convidava a experiência? 
Diferente gestão, não repetir os erros, gerir emocionalmente a situação. Liderar. O que mostrou a realidade? Mesmos jogadores rebentados, outro flop na Taça da Liga que custou mais do que parecia, outra ausência de aposta na formação ou na segunda linha para muitos jogos que convidavam a dar oxigénio a figuras nucleares e um modelo táctico cada vez mais fácil de anular pelos rivais, sem capacidade de readaptação. De aí a nova derrota estrepitosa com o Liverpool era um passo. De aí a nova derrota com rivais directos (em dois anos, à falta de um jogo com o Sporting, os números nos duelos directos de SC não são nada positivos) e em vez de perder uma vantagem de cinco pontos, agora perdia-se uma de sete. Com a diferença de que não havia já matchball. E sem matchball o milagre tinha de vir de outro lado. Ainda não veio. Dificilmente virá. E com isso o título deixa de ser opção. E pelos mesmos motivos que podía ter deixado de ser um ano antes. Ausência de aprendizagem do erro. E isso é o importante ressaltar.

Não deveria ser importante para uma liderança estável ser ou não campeão este ano. 
Ninguém ganha sempre ou sequer devia (e fomos tão mal habituados durante décadas que isso nos fez perder perspectiva muitas vezes) e a derrota também nos faz crescer. O problema não está em perder o campeonato se isso significasse que os seguintes estariam ao nosso alcance. O problema é que depois de quase perder o primeiro, vai-se perder agora um campeonato pela mesma matriz de comportamento, pelos mesmos erros tácticos, pelos mesmos erros de gestão de grupo, pelos mesmos erros de gestão de pernas, pulmões e músculos num plantel de 25 que parece feito de 15 jogadores. Por tropeçar constantantemente nos mesmos erros. 
Eu sou e sempre serei defensor de periodos largos de treinadores ao leme do clube. Acho que o tempo é a melhor arma de quem tem um bom plano, de quem pode ver florescer a sua ideia. Em condições normais, um cenário como o actual seria propicio para dar continuidade a esse ciclo com Sérgio Conceição. Mas não com ESTE Sérgio Conceição. O Porto precisa de um Sérgio Conceição que em lugar de fazer exigências (o paleio de “fico se tiver condições para…” transpira portismo por todos os poros, sem dúvida) seja auto-critico e assuma que há erros que repete com frequência pasmosa e que têm consequências. Que há decisões incompreensiveis na gestão do grupo. Tanto faz se estamos a falar de Oliver, um activo destruido, ou de transformar o melhor central jovem da Europa num lateral direito mediano (menos mal que já vendido) pondo fim a uma dupla que estava a funcionar muito bem. Se ignorar a melhor formação sub19 da Europa e uma das nossas melhores em anos para dar o OK a chegadas como as de Waris, Paulinho, Loum ou Fernando, contratações SUAS e não da SAD, que muitas culpas tem no cartório mas não esas, concretamente. Que ter o futuro melhor guarda-redes joven do futebol portugués e jogar nas Taças com um não-futebolista como Fabiano. Que lançar Bruno Costa às feras quando tudo estar perdido mas nos jogos “controlados” – palavra difícil de dizer no seu mandato com qualquer jogo – o ignorar sucesivamente. O de insistir, 2 anos depois, no pontapé de saída para à frente e que corra o Marega tão rugbiesco que até assusta que ainda esteja válido. O de dispensar Sérgio Oliveira, chave na ausencia de Danilo no ano anterior, quando é evidente que o Comendador não é o mesmo jogador depois da lesão e necesita de um back up que o plantel não tem. E podemos repetir muitos mais conceitos e problemas que se depararam sempre com a mesma solução, a errada.

O Mar Azul é um conceito bonito e que serve para muita coisa. Todos cabemos ali. Mas não façam do Mar Azul, um mar de estúpidos. Não somos homens das cavernas, primitivos, para achar que o bater no peito, as caralhadas no banco, as expulsões, as conferências de imprensa repletas de “bocas” e as rodinhas são o todo quando devem apenas fazer parte de algo muito mais complexo. Algo que no entanto está profundamente oco quando se salta da superficie. Num futebol moderno onde cada detalhe é analisado à exaustão, onde a estatistica está por todos os lados, a preparação física é hiper-profissional e onde jogamos contra um rival que vale por dois, que alimenta outros clubes a seu belo prazer para sacar disso lucro, bater no peito não chega, nem de longe. Pode ser parte da solução mas nunca ser “A” solução e até agora, entre os prós e os contras, é isso que sobra. O Sérgio tem muito por crescer como treinador e se o quiser fazer poderá ser bem melhor do que é hoje. Há um ano ficamos todos com a sensação de que quería crescer e que o êxito lhe ia dar tranquilidade mental e segurança em si mesmo para o fazer. Não aconteceu nada disso. Foi mais inseguro e errou mais do que nunca. Se quiser crescer esta é a sua casa e se souber limar os erros e potenciar as áreas onde podemos crescer e melhorar, todos estamos no mesmo barco. Se for uma réplica de si próprio, um downgrade do projecto original, então é melhor pensar duas vezes se este é o melhor lugar para o fazer. A decisão é exclusivamente dele. Oxalá tome a correcta e que o FC Porto possa crescer à custa disso.

sexta-feira, 9 de junho de 2017

Sérgio Conceição, que esperar?

Formalizado o acordo com Sérgio Conceição, chega a hora de entender o que se pode esperar do novo treinador do FC Porto, o sétimo treinador que orienta a equipa depois do último título oficial conquistado. O antigo lateral e extremo direito do clube sucede assim a uma lista que inclui Paulo Fonseca, Luis Castro, Julen Lopetegui, Rui Barros, José Peseiro e Nuno Espirito Santo. 

Está claro que Conceição não era a primeira opção do clube, algo facilmente comprovável pelo facto de há menos de um mês o técnico ter renovado com o Nantes, reforçando um forte laço de compromisso com o clube francês. Tivesse já tido conhecimento do interesse do FC Porto seguramente não teria colocado a sua assinatura nessa renovação para sair, semanas depois, custando ao clube uma indemnização em forma de dois jogadores da equipa B. Falhado o processo Marco Silva, sem grandes alternativas no mercado de técnicos dispostos a queimarem a sua carreira num banco que já foi de sonho e hoje é uma cadeira de electrocussão, chega então um homem que já teve uma passagem consolidada pela liga portuguesa em clubes de perfil médio alto como são o Braga e o Vitória e que, desde Dezembro, tem uma melhor carta de apresentação do que alguma vez poderia ter Marco Silva. Recordamos que ambos começaram 2017 a treinar equipas na linha de água do seu respectivo campeonato. Silva desceu de divisão, Conceição levou o Nantes ás portas da Europa alcançando o melhor resultado em dez anos na história do clube. A reter!

Conceição é um pragmático como técnico, reflexo do que era como jogador. 
Todos nos lembramos daquele lateral de projecção ofensiva que se curtiu no Felgueiras de Jorge Jesus e que explodiu no FC Porto de António Oliveira, passando mais tarde para extremo, antes de passar para Itália onde viveu a época dourada da Lazio antes de voltar ainda ao Porto, com Mourinho, para ser campeão europeu em 2004. Durante esse período como jogador foi sempre vertical, directo, frontal e raçudo, traços que tem repetido como técnico. Não vive colado a um sistema táctico e isso é positivo. Nuno Espirito Santo, sem ir mais longe, chegou no ano passado a prometer que ia respeitar o 4-3-3 histórico do FC Porto para acabar perdido num desenho táctico que só ele parecia entender. Lopetegui, por outro lado, nunca quis sair do seu 4-3-3 mesmo quando era evidente que a equipa pedia variantes. Ter um treinador ambicioso e flexivel tacticamente é sempre importante num cenário de incerteza com o futuro do plantel. A sua matriz de jogo é portanto um reflexo do material de trabalho que tem e isso garantirá sempre uma abordagem realista, algo que o projecto necessita claramente. 
Até ao presente Conceição não tem títulos para apresentar nem jogos memoráveis das suas equipas a nível táctico mas o que tem é uma clara mensagem de trabalho e de preparação consciente de cada jogo dentro das suas particularidades, podendo portanto ser altamente provável que a equipe oscile entre o seu habitual 4-3-3, o 4-4-2 ou o 4-2-3-1, modelos que usou em distintos momentos da época em cada um dos seus três projectos mais significativos como técnico. 

Paralelamente à dimensão táctica, Sérgio é inevitavelmente um técnico com um discurso pro-activo, muito distante da figura quase patética de Nuno Espirito Santo e do autismo de Lopetegui. Conceição não precisa de desenhos nem de sacar frases feitas como "Somos Porto" para reforçar a sua união emocional com o clube e com os adeptos. A sua liderança é verbal e frontal, um discurso para os adeptos, para os rivais e também para dentro, para a motivação colectiva e individual dentro dos elementos do plantel uma vez que é um reflexo daquilo que foi jogador e como se tem visto em várias experiências recentes, ser um treinador com um passado de futebolista de elite não deixa de ser um reforço para a mentalidade grupal. Está claro que vai herdar um plantel com fome de títulos e dentro da sua dimensão de discurso tem tudo para transformar a ânsia de comer com a consecução dos objectivos traçados.



Inevitavelmente Sérgio será também julgado por títulos e para isso dependerá inevitavelmente do plantel à sua disposição. Fernando Gomes deixou cair recentemente que a culpa do estado actual das finanças do clube é de NES pela exigência em manter vários titulares - afinal a culpa é sempre do treinador no FC Porto - e portanto parece óbvio, mais depois da confirmação das sanções da UEFA, que muitas pedras chave vão sair. Quem ficará, quem chegará e como será o plantel, dentro do equilíbrio necessário, ditará muito da sua própria ambição de trabalho. Sem ovos não há omeletes e ainda que o FC Porto tenha ganho um título com Sebas, Liedsons, Izmailovs e Kelvins o certo é que nesse plantel havia também Jackson, Fernando ou Moutinho. A necessidade de apostar na formação, em jogadores do perfil baixo que terão de dar um passo em frente no clube são, ironicamente, também reflexo da própria ascensão de um técnico que foi campeão de juniores antes de ser campeão de seniores. Transmitir essa fome e os valores do clube encontra reflexo na sua própria mensagem e atitude pro-activa. 

Resta portanto saber como vai poder Sérgio Conceição lidar com essa nova realidade dentro do que é a sua primeira grande etapa como treinador principal e como uma etapa de preparação de meia dúzia de anos se transformará em ferramenta útil dentro do seu processo de afirmação como o novo leme do Dragão. Para o final fica a mensagem dada pelo próprio Conceição no seu discurso de apresentação. Acreditemos pois!   

"Muito obrigado ao presidente, às pessoas do FC Porto e aos portistas que acreditam e aos não acreditam. Estarei aqui para provar que posso dar-lhes alegrias. Estou plenamente consciente. Trabalhar ao mais alto nível é conquistar títulos"  

domingo, 28 de maio de 2017

Ao sabor das negas



Por José Maria Montenegro

Isto de um treinador não querer treinar o Porto e preferir o Watford, por muitos desmentidos que se publiquem, é embaraçoso e merece reflexão.

O Porto pode já não ser suficientemente sedutor desportiva e financeiramente. Pode-se dizer que fica exposta, com uma eloquência penosa, a fragilidade da estrutura, tal como a vêem de fora. E sobretudo poder-se-á alegar que é indisfarçável a desorientação de uma administração que, em gritante contraste com um passado recente, já não convence quem convida.

Mas - tenham lá paciência - também não fica bem aos treinadores desta vida que se prestam à nega a um clube como o Porto. Com todo o respeito pelos Watfords, pelas Premier Leagues, e pelo dinheiro, nunca é um marco (não forcei a palavra) na carreira de um treinador de 40 anos ter dito não ao Porto. Um "não" para poder estar à frente de uma equipa que luta por não descer de divisão e que augura celebrar um "campeonato tranquilo". Seja essa equipa de que país for. É que para mais - convém lembrá-lo - nesses campeonatos tão sedutores e com tão generosas remunerações há muito poucos clubes com presenças assíduas na Champions League, com apuramentos mais ou menos regulares para os oitavos de final da Champions, que conquistam ou que lutam todos os anos pelo título de campeão. E já não falo do currículo europeu (nesses campeonatos dourados não são mais que 2, e às vezes nem isso, os clubes que tem semelhante folha de glória). Cada uma dessas negas ao Porto é no fundo expressão de impotência, de medo ou de parca ambição.

A mim interessa-me o Porto. É com o Porto que me preocupo. Tenho a certeza que regressaremos. Não saberei quando. Mas talvez seja mais cedo do que a razão sugere. Afinal foi contra todas as probabilidades, contra essa mesma razão, que conquistámos e nos fizemos maiores que esses ricos e sedutores. E é com cada uma dessas negas que o nosso regresso será mais saboroso.

Nota: o Reflexão Portista agradece ao José Maria Montenegro a elaboração deste artigo.
     

quinta-feira, 11 de maio de 2017

O homem que inventou o "Somos Porto" é tudo menos "Porto"

Parecia uma tatuagem de máfia, uma daquelas frases que acompanham ao largo da vida como uma epitome e uma declaração de principios para a vida, um "de aqui não passo". Inventar o "Somos Porto" elevou Nuno Espirito Santo a uma condição especial de jogador-adepto algo de que anos mais tarde se quis aproveitar o treinador-adepto que foi apresentado dizendo que o matriz histórico do Porto era o 4-3-3 e que ele era Porto e que todos deviamos ser Porto e que o Dragão seria uma fortaleza onde todos os que Somos Porto iriamos trucidar todos os que Não São Porto rumo a uma nova era de triunfos. Nuno - ou NES - ou melhor, NãoESnada - ainda quis ir mais longe e pegou nessa frase que metaforicamente levava entre tatuagem e sangue nas veias, com a que encheu torrencialmente de portismo todo o balneário a ponto de que desapareceu o vermelho que até incomodava Pedroto das meias dos empregados, tal era o grau de "Somos Porto" que se vivia - esse Nuno decidiu explicar aos jornalistas, esses néscios que não entendem nada e muito menos a ele, que o "Somos Porto" não era só um estado de ânimo, era um jogador de três pernas e muitas ideias de jogo. Ninguém o entendeu - como era óbvio - salvo todos os homens de três pernas que são Porto em algum lugar do mundo.O irónico, o verdadeiramente irónico, é que esse homem que inventa motos, defende histórias de dragões e fortalezas, e impregna a todos os homens de um sentido de enorme presença - porque Jonas, esse finguelas, não pode agredir uma torre humana que além do mais "é Porto" - resume perfeitamente tudo aquilo que, para a esmagadora maioria dos que foram, são e continuarão a ser Porto ao longo da sua vida (e de tantos que já não estão mas que o são, onde quer que estejam) é tudo menos "Ser Porto". NES é tão "Porto" - esse Porto, o Porto de Pedroto, do não calar e comer, do engasgar-se com tanta relva, de canelas moidas a golpes e de dentes fechados, de gritos até ficar sem voz e de procissões nos Aliados....esse Porto - como é "Rio Ave"...como é "Valência"...como é "Clube onde o meu melhor amigo e agente me vai colocar sem que ninguém se queixe do mau treinador que sou".

Tacticamente NES não podia ser Porto B se quisesse quanto mais ser Porto. Nunca Ser Porto seria o pontapé para a frente, o correr pelo correr, o passar pelo passar, o pressionar pelo pressionar. Nunca ser Porto seria a ausência de uma ideia - com uma boa ideia é suficiente - e muito menos a ausência de coragem para aplicar uma ideia. Ser Porto não é pedir desculpa a cada tropeção...é não voltar a tropeçar. Ser Porto não é matar jogadores porque não se sabe o que fazer com eles nesse marasmo desértico de ideias. Ser Porto não é deixar os futebolistas sós, expostos à raiva do adepto triste, sem lhes dar uma rede de conceitos de jogo a que se agarrar. Ser Porto não é viver com o medo de perder e por isso não tentar ganhar. Ser Porto também não é tentar ganhar sem saber como. Ser Porto não é fazer do empate a nova moda nem sequer fazer do discurso uma cassete tediosa resumida em quatro frases. Ser Porto não é esgotar os jogadores porque não há rotações para que cheguem aos jogos decisivos mortos fisicamente e sem um plano B táctico que os proteja e potencie. Ser Porto não é entrar suave e manso nas conferências de imprensa para não ofender os amigos do melhor amigo ou os que no futuro podem passar o cheque que cai na conta. Ser Porto é tantas coisas NES, tantissimas coisas, mas não há em nada do que tenhas feito uma gota do Ser Porto.



Claro que isso não se sabe de hoje como o José Correia já apontava em Outubro e qualquer um com dois dedos de cabeça a ver um jogo completo do FC Porto ao largo da temporada. Não se trata apenas e só de julgar o treinador pelos fracos resultados obtidos - a equipa acabará o campeonato seguramente com o Benfica mais longe do que tem o Sporting o que diz muito de uma liderança desde o banco que chegou à Luz sem vontade de ultrapassar o rival e que desde então se dedicou a dar-lhe mais oxigénio do que merecia - mas sim de deixar claro que mesmo na vitória, NES nunca foi Porto nem poderia ser. Já houve muitos treinadores campeões no Porto que não foram Porto e alguns (menos) treinadores que, sendo Porto não foram campeões. O que se trata aqui não é o de entender que NES pode ser no futuro campeão mas sim de que não pode, desde logo, é ser um representante do que o Porto - e aqui falamos do Porto pos-Pedroto e não dos anos cinzentos de quase amadorismo prévios - quer, foi e deve voltar a ser. Naturalmente NES é treinador do Porto porque há muita gente acima dele que não é Porto e outra que se esqueceu do que era ser Porto, alicerces que sustentam a sua presença ilógica. Não é nem o maior problema do clube nem o mais grave, desde logo, mas é um reflexo, um sintoma dessa situação.



NES é as olheiras de uma noite sem dormir, é as calças rotas e os sapatos com buracos de uma carteira vazia, é a côdea do pão do almoço que não dá para sopa e bife. Não tem culpa de ser NES, não tem culpa de não ser Porto e muito menos não tem culpa de estar no Porto. Mas como as orelhas, os remendos, os buracos e as côdeas, é o que temos e é o mais visivel que temos para exemplificar toda uma sequência de dramas mais intangiveis. Ser Porto, antes de que a tatuagem fosse criada e cozida até em camisolas como se tivesse existido décadas de angustiosa ausência dessa frase, sempre foi mais que retórica e assobios. Ser Porto sabe a relva. Ser Porto sabe a suor. Ser Porto sabe a feridas por sarar. Ser Porto sabe a "carago", sabe a "foda-se", sabe a "até os comemos". Ser Porto sabe a chuva. Sabe a granito. Sabe a caneleiras e chuteiras pretas. Ser Porto sabe a homens rijos com duas e não três pernas. Ser Porto sabe a reagir e não a pedir desculpas. Ser Porto é um paladar de mil sabores mas nenhum desses sabores sabe a Nuno Espirito Santo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

A rapariga mais feia da turma

Imaginem um filme de Hollywood. 
Um filme desses, bem rascas, que passam nas matinés de sábado num canal privado, com palmeiras, muito sol e diálogos de um vazio atroz. O FC Porto é o protagonista deste filme. Um filme de jovens estudantes que sonham com triunfar na vida e que vivem no secundário mais aventuras que o cidadão comúm vive em toda a sua existência. Tudo muito americano. Agora imagem esse protagonista, o FC Porto, um jovem atractivo, competente, celebre entre os seus mas que anda a passar por um periodo dificil, seguramente problemas com os pais - que por sua vez vivem um estilo de vida cada vez mais descontrolado - e que começa a sentir-se perdido na vida. Como um bom filme americano de estudantes, tudo acaba com o baile de finalistas. O FC Porto, esse protagonista flamante, a principio era candidato a rei do baile mas parece que já ninguém quer ser visto na sua companhia. Tentou convidar as raparigas mais giras para ir com ele e levou negas de todas. Convidou até algumas ex-namoradas ou raparigas com quem sempre sonhou sair. Todas lhe disseram o mesmo: não estamos interessadas, temos algo melhor. 
No final, o FC Porto vai ao baile, sim, mas vai com a rapariga mais feia da turma. A que está sempre pelos cantos, aparelho, oculos quadrados e roupa ao melhor estilo da sua avó. Foi o que se arranjou. Claro que no fim de contas a rapariga até pode ser deslumbrante e tudo isto ser uma importante licção sobre o sentido da vida. Mas no momento em que entra no pavilhão, naquela noite, o FC Porto, esse protagonista, e todos os secundários à sua volta sabem perfeitamente que a sua companheira de baile era a última escolha possível. Filmes, não é?

Os golpes de asas de Pinto da Costa acabaram há muitos anos. Se ele se deu conta ou não, a conversa é outra. O certo é que longe parecem ir os dias onde qualquer treinador dava meio braço para ser visto no banco do "Dragão". Era um lugar de grande pressão, sim, mas que podia alimentar o mais audaz dos sonhadores. Nos mandatos de Pinto da Costa vimos a Artur Jorge limpar a imagem de um periodo cinzento em Paris. Vimos a Robson reabilitar a sua carreira nas Antas. A Mourinho lançar-se rumo ao estrelato. A Vilas-Boas a tentar imitar o seu mentor. A Jesualdo, um homem sempre desprezado pelo establishment, a transformar-se num dos mais exitosos treinadores do futebol português. A Vitor Pereira, um portista ferrenho perdido nos Açores a liderar um ciclo interno quase impoluto. Tudo isso significou, noutro tempo, ser treinador do FC Porto. 
Imaginem portanto como estão as coisas para que essa aura de êxito garantido tenha desaparecido da noite para o dia. Talvez os treinadores se comecem a dar conta dos podres que antes não se viam. De como a estrutura - essa famigerada e cada vez mais problemática "estrutura" - protegia os treinadores e agora os deixa expostos aos abutres. De como os jogadores tinham uma forte cultura de clube que agora se transformou por uma forte cultura de comissões (vejam as mais recentes renovações do Porto B como melhor exemplo de que o circo nunca saiu desta cidade). De como havia uma comunhão clube/adeptos que eram alimentada de forma reciproca. De como o presidente - o mais astuto e inteligente do futebol europeu - deixou de sair para defender os seus nos momentos dificeis para aparecer só nos momentos de triunfo como um qualquer personagem secundário. De como o plantel era forçado pela "estrutura" a respeitar o treinador a uma cultura de "laissez faire" onde ninguém, no fundo, respeita ninguém. E claro, hoje há mais ofertas do que nunca, especialmente para treinadores como um bom agente, para sujeitar-se a esse cenário deprimente. Portanto não surpreende ninguém que treinadores que ainda não são, essencialmente, ninguém (como Jardim, Nuno ou Marco Silva) tenham dito directamente que não a Pinto da Costa. Ou que treinadores que sabem da poda (como Villas-Boas) não tenham o menor interesse em meter-se num barco a afundar-se. Como os treinadores estrangeiros sabem que no Porto o poder é (ainda) da estrutura e a sua margem de trabalho reduzida e os riscos elevados (Lopetegui aprendeu da pior forma), esqueçam lá os Sampaoli, Bielsa, Laudrup e companhia. No fundo o cenário que se presenta hoje é o mais natural do mundo. Este FC Porto, tal como tem sido gerido e tal como se apresenta o futuro imediato, é incapaz de aspirar a mais que um treinador de terceiro nivel. A mais do que José Peseiro.



O novo treinador do Porto tem um curriculum ridiculo. Foi capaz de perder no espaço de poucos dias dois titulos - um campeonato que estava no bolso (acabou atrás de um Porto que teve três treinadores) e uma final europeia disputada em casa. O seu CV está ao nivel de um treinador do Braga (precisamente a sua última passagem pela Europa) e em quinze anos ganhou apenas um título (menor) e deixou mais a sensação de ser um "pé frio", sem poder no balneário (ainda que capaz de colocar as equipas a jogar relativamente bem), do que por ser um treinador de êxito. Não trabalha especialmente bem os jovens, não acumulou experiência em ligas exigentes (e por onde passou não ganhou nada, e isso que andou por África e Ásia onde Jesualdo e Manuel José sim foram campeões) e não soou nunca para o FC Porto entre outras coisas porque houve uma altura em que só soavam treinadores de primeiro nivel ou jovens promessas do futebol português. Peseiro nunca foi nem um nem outro. É um "yes men" e isso seguramente contou muito para a eleição e vivia nas catacumbas do futebol mundial o que equivalía a ser o único que não podia negar-se a dizer que sim a um lugar que mais ninguém queria. Porque esse - mais do que a sua competência como técnico - será o seu problema. Peseiro pode assinar por ano e meio mas todos, mas realmente todos, sabem que ele foi escolhido sendo a rapariga mais feia da turma porque não havia alternativa.
E pior que o saibam os dirigentes, pior até que o saibam os adeptos (e todos sabemos), é que o saibam igualmente os jogadores, homens que raramente se deixam levar por "sobras" e que precisavam, hoje mais do que nunca, de alguém que os motivasse. Porque se a Vitor Pereira - que os conhecia - lhe custou alguns meses a tirar da cabeça dos jogadores a imagem do simpático segundo treinador, qual é a imagem agora que entra no balneário de um tipo que todos sabem que foi a última e desesperada opção de uma direcção sem alternativas e a quem o tempo se lhe escapava pelos dedos?
Em lugar de apontar baterias ao titulo (o que são, realmente, 5 pontos?) e a disputar a Europa League de pé (a Taça de Portugal é uma obrigação absoluta este ano, digam o que disserem, treine quem treine a equipa), a SAD decidiu apostar num Couceiro II, alguém que está agradecido porque se lembraram dele e que sabe que se for despachado em Junho, esta continuará a ser a maior experiência da sua vida. O que significa, essencialmente, que a quem dirige o navio lhe dá exactamente igual o que vai suceder este ano e que a procura continua para outro perfil mas deixando que alguém pague o preço dos meses que aí vêm.

José Peseiro não tem culpa. É o novo treinador do FC Porto e deve ser respeitado e apoiado como tal ainda que não tenha nem méritos nem nível para ocupar o lugar. Tal como Rui Barros nestes dias, é carne para canhão. O problema continua atrás, na eterna indecisão de tomar um rumo desportivo evidente para o clube. Sempre a jogar no risco. Se correr bem e Peseiro logre o título, poderão recuperar o chavão de que "qualquer treinador" é campeão no Porto. Se correr mal a ninguém lhe vai incomodar que Peseiro leve com o peso da culpa e que se prometam alvisseras para o próximo ano debaixo do apanágio de um novo rumo ficticio.



Peseiro é o homem que Pinto da Costa quer levar como o "seu" homem às próximas eleições. No final, o Presidente mais grande da história do futebol português, o galã que saiu com as raparigas mais bonitas e lançou ao estrelato as mais sexys, vai acabar por ir para o seu último baile de finalistas com a rapariga mais feia da turma. Quem o diria! 

sábado, 9 de janeiro de 2016

As escolhas da SAD no pós-Vítor Pereira

No dia 20 de Junho de 2011, a poucos dias do início da época 2011/2012, André Villas Boas, aliciado pelos milhões do Chelsea e com medo do fantasma Mourinho (Pinto da Costa dixit), abandonou a sua “cadeira de sonho”.

Vítor Pereira e André Villas-Boas (época 2010/11)

Apesar de convidado a acompanhá-lo na aventura inglesa, o seu Nº2, Vítor Pereira, optou por ficar. Ficou no Porto, mas herdou um plantel que, por ter ganho tudo na época anterior, estava repleto de jogadores cheios de expectativas e com a cabeça noutro lado (Fucile, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, Falcao, etc.).
Para complicar a coisa, Radamel Falcao foi vendido no final de Agosto de 2011 (e a SAD só contratou Jackson um ano depois), tendo Vítor Pereira de se desenrascar com pontas-de-lança do calibre de Kléber e Walter!

Aos poucos, e após ter sido feita uma “limpeza de balneário” a meio da época (em Janeiro de 2012), Vítor Pereira foi “colando os cacos” e construído uma equipa à sua imagem.
Com essa equipa e o seu modelo de jogo, Vítor Pereira superou Jorge Jesus, quer nos duelos diretos que travaram, quer na “maratona” que são os campeonatos.

No 1º ano ganhou o campeonato 2011/2012.
No 2º ano ganhou o campeonato 2012/2013.
E nesses dois anos, num total de 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas uma vez (em Barcelos, num jogo tristemente célebre, arbitrado por Bruno Paixão).

Pelo meio, Vítor Pereira foi sendo contestado (principalmente nos primeiros meses da época 2011/12 e após a derrota em Málaga, na época seguinte), mas também recebeu fortes elogios, inclusive de adeptos de clubes rivais.

Com ele, foram vários os jogadores – Maicon, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Fernando, Moutinho, James, Jackson – que evoluíram e, em alguns casos, cresceram para patamares de excelência.

E quando a SAD não quis renovar com Vítor Pereira, ele saiu do seu FC Porto como um Senhor, de cabeça erguida e com a satisfação da missão cumprida.

Estamos no 3º ano do pós-Vítor Pereira e, neste período, a equipa principal do FC Porto já teve três treinadores (brevemente terá um 4º).

Paulo Fonseca: 01-07-2013 a 05-03-2014

Luís Castro: 05-03-2014 a 30-05-2014

Julen Lopetegui: 01-06-2014 a 07-01-2016

Por motivos diferentes, estas três escolhas da SAD – Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui – acabaram por não alcançar os objetivos pretendidos, tendo-se revelado apostas falhadas.

Será que à 4ª tentativa, Pinto da Costa e Antero Henrique irão acertar na escolha para um dos cargos mais importantes da estrutura de qualquer clube/SAD de futebol?

A fasquia está alta, mas convém lembrar que ainda há muito para ganhar esta época – Campeonato (faltam 18 jornadas, estão 54 pontos em disputa e o Sporting tem de vir ao Dragão), Taça de Portugal (o FC Porto é o único dos três “grandes” ainda em prova) e Liga Europa.

Mais. A FC Porto SAD investiu dezenas de milhões de euros neste plantel (na aquisição de "passes" de jogadores, em empréstimos e em salários), tem o maior orçamento do campeonato português (mais de 100 milhões de euros) e, por isso, tem obrigação de lutar até ao fim por todos estes objetivos.

Pinto da Costa é o presidente mais titulado do futebol mundial e terá um lugar, para sempre, na gloriosa história do Futebol Clube do Porto. Contudo, depois de não ter renovado com um treinador bi-campeão e após três falhanços consecutivos, a responsabilidade desta Administração da SAD (particularmente de Pinto da Costa e Antero Henrique) é enorme.

Para bem do FC Porto, não pode(m) voltar a falhar.

sábado, 12 de dezembro de 2015

Lopetegui, ficar ou não ficar?

Julen Lopetegui foi um erro. 
Não vale a pena recordar que isso foi dito aquando da sua nomeação. Foi um erro então. É um erro agora. A sua falta de experiência aliou-se, com o tempo, com a sua falta de estofo. Foi evidente na ausência de características que definem um treinador de nível. Lopetegui nunca conseguiu criar um estilo de jogo constante e coerente. A equipa exibiu-se a grande nível na Champions, no ano passado (e no jogo contra o débil Chelsea, no Dragão) mas na liga nunca convenceu ninguém. O plano A de Lopetegui era um rascunho e nunca passou disso. O plano B, o C e até o D de Stamford Bridge foram erros graves. Lopetegui não perdeu o título por ser incompetente no ano pasado. Num ano normal, sem #Colinho, o FC Porto teria sido campeão nacional. Mas isso seria apenas natural, inercia de um grande plantel onde o investimento foi mais relevante do que se quis assumir. Afinal, para um clube como o FC Porto dos últimos 30 anos o título já surgiu com equipas piores e treinadores medianos, graças à inteligencia e força de uma estrutura que já não existe. Mas nem graças a essa inercia Lopetegui driblou os escândalos arbitrais do ano passado, representado perfeitamente pela sua inoperância nas viagens à Madeira, no jogo em Belém e, sobretudo, no jogo na Luz onde o Porto que devia procurar a vitória contentou-se em lamber as feridas do desastre de Munique. O navio tremeu mas não afundou mas vamos em Dezembro de 2015 e o Sporting – com o mesmo e sobrevalorizado treinador rival e com um investimento inferior – continua à frente de um Porto igualmente titubeante e sem ideias. Faltam cinco meses para acabar a época. Que fazer com Lopetegui?

Para mim – para muitos portistas e para muitos elementos dentro do clube – a saída do treinador basco é inevitável. Que suceda entre Dezembro e Junho será, sobretudo, fruto das circunstancias. O projecto falhou. A culpa não é só de Lopetegui. Que fique claro. O problema é mais profundo e está uns andares acima na pirámide do clube. A mudança do treinador pode, na prática, nem sequer mudar nada quando o Porto continuar a enviar agentes contratados por fundos para negociar em seu nome, a adquirir jogadores sabendo que não os vais pagar utilizando o clube como montra de exibição para aranhar um lucro que não é suficiente para evitar sucessivos empréstimos bancários a instituições misteriosas e, irónicamente, associadas aos mesmos fundos. Num cenário onde o balneario é uma porta aberta a quem quiser entrar, onde não há elementos diferenciáas, referências de cordura, espirito de grupo e ambição, que pode outro treinador fazer? Quando a aposta na formação – lembram-se que vinha o treinador da excelente, porque era excelente, campeã europeia sub21 para lançar uma série de putos aos leões – continua a estar mais na prática que no papel porque o plantel se enche de segundas e terceiras escolhas para fazer negócio, que pode fazer o treinador?
Tudo isso é verdade, seja o homem da “cadeira de sonho” de todos nós Lopetegui, Vitor Pereira, Paulo Fonseca ou o senhor X. Mas Lopetegui contribuiu, e muito, para estar na situação emocional com adeptos e jogadores em que está. Se a conjuntura já não era favorável, o seu trabalho foi nefasto a distintos niveis e o seu futuro ficou assim comprometido por muitas juras de amor de Pinto da Costa a jornais espanhóis que ele possa ler.

Os problemas de Lopetegui são vários. 
A conexão com os jogadores é nula e isso que rodeou o balneario de futebolistas conhecidos numa das maiores sagas de importação da história do Porto de outro país ou cultura futebolistica desde os anos da escola de Samba do virar do século. Tacticamente já demonstrou ser um inepto a distintos niveis, de treino, de ideia de jogo e, sobretudo, de adaptar a equipa a todas as circunstancias, positivas e negativas. Se o Porto se coloca a ganhar, tudo bem. Se o Porto se apanha a perder, ai Jesus. Se o Porto está empatado, rezem por um milagre porque a luz nunca virá do banco. Em ano e meio, nunca veio. Lopetegui é responsável disso tudo mas também conseguiu destroçar o excelente capital de apoio conseguido nos primeiros meses quando foi o primeiro a insurgir-se contra o #Colinho – com o clube calado – pela sua constante falta de auto-critica que já roçou a ignorância. Há sempre culpados, sempre desculpas, sempre justificações. Só que nunca é nada com ele. O triunfo da possessão e o azar do golo inaugural do Chelsea parecem ser, na cabeça do treinador e no seu discurso, a justificação de um dos maiores desastres tácticos da história do clube. É apenas um de muitos exemplos. Um problema que não tem solução.



E portanto, que fazer?
1) Ficar com Lopetegui até Maio e começar já a trabalhar no futuro? 
2) Despedir Lopetegui agora para encontrar uma solução de futuro com impacto imediato? 
3) Repetir o cenário com Paulo Fonseca e pensar na transição com outro nome enquanto o futuro se desenha longe do terreno de jogo?

São três cenários que estão sobre a mesa agora mesmo na SAD e na cabeça de todos os portistas. Nada vai acontecer – salvo que Lopetegui bata com a porta de forma clara e inequívoca – até ao jogo de Alvalade. Sair com a liderança da casa do mais directo rival será um golpe de efeito importante. Qualquer outro resultado (até o empate) é abrir ainda mais uma ferida com adeptos e balneario difícil de curar. Lopetegui tem de ser implacável em liga até Janeiro e conseguir demonstrar que tem todos a remar na mesma direcção para que a necessidade de uma mudança brusca não se torne ainda mais evidente. Mas claro, quem toma conta do seu lugar?
O clube maneja agora mesmo uma lista de futuriveis com André Villas-Boas à cabeça. Mas AvB – que já anunciou que a partir de Junho quer voltar a Portugal – não vai ficar livre até o Zenit cair da Champions League, ou seja, provavelmente a fins de Março. Outro nome na mesa, Mircea Lucescu, não irá querer deixar o Shaktar a meio caminho. Mais fácil seria atrair Pedro Martins, treinador do Rio Ave e outro menino bonito de Pinto da Costa, para tomar controlo já da nau. O grupo mais associado a Mendes prefere claramente Nuno Espirito Santo, actualmente desempregado. 
Há três nomes falados que estão fora de qualquer equação. Marco Silva não pode nos próximos dois anos treinar em Portugal por uma cláusula assinada. Leonardo Jardim não quer voltar a Portugal e quando sair do Monaco será para a liga espanhola ou inglesa. Paulo Sousa quer triunfar em Itália e a voltar a Portugal a sua preferencia é, claramente, assinar pelo Benfica. Todos estes nomes – salvo talvez AvB – difícilmente entusiasmam os adeptos e apenas dois deles teriam condições para pegar agora na equipa. Vale realmente a pena entregar de novo o plantel a Luis Castro, depois da sua (falta) de provas aquando do fim da experiencia Fonseca? 
Só com um cenário insustentável, como foi esse, essa opção pode fazer qualquer sentido.

Com os principais candidatos a estarem livres em Junho, com Luis Castro como referencia pouco fiável, a permanência de Lopetegui até Maio tem toda a lógica. Mesmo entendendo que o basco não é um bom treinador – e muito menos um bom treinador para o clube -  o cenário actual não convida ainda ao drama. O titulo é perfeitamente alcançável e deve ser, cada vez mais, a prioridade. Há plantel com qualidade suficiente para ser campeão nacional e o Sporting é um rival que já demonstrou que vive no fio da navalha na maioria dos jogos. Algum dia terá de tropeçar na sua própria ausência de ideias. Lopetegui começou o projecto e deve terminá-lo mas não o pode fazer só. Urge que a SAD tome públicamente uma decisão e apoie o treinador numa mensagem para tranquilizar os adeptos e, sobretudo, os jogadores. Lopetegui tem de sentir esse apoio de quem o elegeu, o elogiou e deu tudo o que pedia, e os jogadores devem saber que por muito que se rebelem, o cenário não vai mudar. Salvando as distâncias, naturalmente, Pinto da Costa tem de emular a Berlusconi - para bem do clube - quando este baixou ao balneario do San Siro, nas primeiras – e contestadas semanas de Arrigo Sacchi – disse aos jogadores a mitica frase “o treinador é escolha mina, foi escolha mina e continuará a ser escolha minha e ficará aquí para lá do próximo ano…já vocês, não sei!”.

Não há um conto de fadas com final feliz. 
A minha sensação pessoal é que Lopetegui deve ficar por isso mesmo, assumindo (tanto ele como as pessoas responsáveis pela sua contratação) todas as consequências no final da temporada, sem que o clube deixe, paralelamente, de procurar um rumo de sustentabilidade futura com outro homem do leme.

O título de campeão não vai salvar a posição de Lopetegui no clube e com os adeptos mas pode permitir uma saída menos traumática e menos negativa para uma instituição que apostou muito nele. Lopetegui foi uma eleição pessoal de Pinto da Costa e o seu fracasso é também uma mancha no currículo do presidente que iria no seu segundo treinador consecutivo a sair antes do final do ano. Seguramente um cenário que quer evitar. Para isso tem de tomar uma posição, apostar todas as fichas (e reputação) na sua aposta pessoal e fazer todos os esforços para que o clube até Junho trabalhe na mesma direção mesmo sabendo que no próximo ano talvez a nostalgia do pasado injecte algo do optimismo perdido em relação ao homem que ocupe a “cadeira de sonho”. 

segunda-feira, 18 de maio de 2015

À espera dos deuses...

FCP SAD na Euronext Lisboa

Ontem, passei-me. Hoje, estou pior porque nem o palavrão que serviu de tubo de escape me chega, por agora.

Poderá haver culpas do treinador, mas a equipa está de rastos e não temos segundas linhas, tão boas quanto proclamam. O FCP (e o presidente) está numa situação particularmente complicada: se fica com Lopetegui vai ser um calvário, porque o homem anda perdido, como Paulo Fonseca, o mau da fita da época passada; todos pareceram ficar convencidos que, extirpado o eixo do mal (sempre o treinador), a coisa entrava nos eixos, mas não entrou; e há quem pense que basta mudar de novo e contratar um Bielsa qualquer e que lá vamos nós de vento em pompa, a coberto de algumas promessas e do encantamento que as novas épocas provocam pelo fluxo de muitas entradas e saídas de activos, como agora se gosta de dizer, a caminho dos amanhãs que cantam; pode ser, mas não creio.

Depois de Belém, não sei bem qual a melhor decisão. Em suma: não vejo que mudar de treinador vá produzir qualquer milagre, mas temo que a continuidade de Lopetegui tenha acirrado os detratores e esmorecido os apoiantes, porque uns e outros estarão pouco disponíveis para lhe conceder o benefício da dúvida. A coisa está pior que na época passada, porque naquela altura se acreditou “que este ano é que ia ser” sobre o comando do PdC e da lavagem levada a cabo, mas neste final de época a nossa moral chegou perto do zero. E caiu com estrondo.

Salvo o campeonato que AVB ganhou, o FCP passou a gastar muito dinheiro e a ter más decisões na construção do plantel, que foram esquecidas porque o SLB derrapou na sua tendência autofágica. Quando JJ foi capaz de perceber o caminho, encostou-nos à parede. E não é só pelos campeonatos que ganhou. O SLB melhorou a sua estrutura e superou a nossa, abanada por facções que se digladiam. Por isso, vi com bons olhos a vinda de Lopetegui, que não conseguiu resultados satisfatórios e dividiu toda a gente. Gostaria que ficasse porque é inteligente e não tem medo. Sem ele vai ser muito pior.

Mas, como não sei o que se passa no balneário e nos bastidores, na SAD, na Doyen e com Alexandre o Grande, pouco mais me resta que ficar preocupado à espera que os deuses decidam a nossa sorte.

terça-feira, 10 de março de 2015

A Julen o que é de Julen

Este texto sai propositadamente antes do jogo com o Basel. Não quer ser um texto oportunista se o FC Porto garante o apuramento para os quartos-de-final (primeira vez desde 2009, já lá vão seis longos anos) nem pessimista se o improvável – a julgar pelo que passou na Suiça, suceder e voltemos a cair com um rival à nossa altura (como passou em Málaga). E sai agora porque Julen Lopetegui o merece.

É muito difícil – diria mesmo quase “colinhamente” impossível – que o treinador basco conquiste o titulo que escapa desde que Vítor Pereira vergou Jorge Jesus com um golpe de 92 graus Kelvin. Todos sabemos o que se passa, semana sim, semana também, nos relvados portugueses. Não vale a pena dar mais voltas, apenas lutar até ao ultimo suspiro como exige a camisola e culpar aqueles que realmente permitiram este controlo quase absoluto das instituições arbitrais na sombra, esses que vestem traje. Com a Taça de Portugal perdida – e mal perdida, é certo e inequívoco – e a Taça da Liga no número 374 das minhas prioridades do ano (logo a seguir ao titulo de bilhar), sobra a Champions League. E Lopetegui tem o claro objectivo de colocar o FC Porto no top 8 da Europa. Se o fizer terá cumprido com uma parte importante da sua missão. Terá merecido o nosso aplauso porque, já nos diz a nossa história recente, não tem sido fácil chegar longe na Champions. Há outros que acham que são os melhores treinadores do Mundo, não a jogar Playstation mas a treinar na Europa League. Níveis de exigência distintos, está claro.

Lopetegui vai ficar um ano mais inequivocamente e pode ficar com esse bom registo europeu e um subcampeonato que, se tudo correr bem, com vitória na Luz incluída, pode obrigar o clube da capital a sofrer até ao último jogo do ano depois de tudo ter procurado fazer (em jogos próprios e alheios) para ser campeão mais cedo e tranquilamente. Lá chegaremos. Mas se hoje as coisas correrem mal, o cenário afinal não será diferente dos Jesualdos, Vítor Pereiras, Co Adriaanses e afins nos palcos europeus. Nada a que não estejamos habituados. O que sim é preciso reconhecer é o trabalho de fundo realizado. E aí é preciso dizer que a Julen o que é de Julen.
Não considero que seja um grande treinador na esteira de grandes treinadores que o FC Porto já teve nas suas filas. Não é preciso procurar exagerar para fazer justiça. Fui critico com Lopetegui quando chegou, fui critico com as suas decisões, poderia sacar o oportunismo de não ser campeão (como é provável) para dar-me a razão mas acho que o treinador mereceu não só o segundo ano no banco como o meu respeito. E fê-lo sem estridências, sempre com uma ideia concreta. Fê-lo sendo fiel a si mesmo, a mesma fidelidade que transformou uma defesa com vários erros posicionais quando a dupla era Maicon-Indi numa defesa de ferro muito mais bem estruturada quando jogam Maicon e Marcano. Critiquei a incorporação de Marcano e graças a Lopetegui hoje posso dizer que me enganei. Como o treinador, não está nem sequer no top 10 dos melhores centrais que vi de dragão ao peito em vida. Não está. Mas traz essa tranquilidade e organização que faz tanta falta num projecto novo como este. Marcano é um exemplo. Um de muitos.


O crescimento espantoso de Danilo, hoje um dos melhores do Mundo na sua posição, deve-se sobretudo ao trabalho de Lopetegui que lhe meteu ordem e confiança na cabeça depois do desnorte que foi servir no ano passado. Danilo é um desses jogadores que, bem polidos pelo treinador, vai longe. Este ano prova-o. Uma pena que tenha perdido um ano de carreira por uma decisão presidencial nefasta. Mas não é único sinal positivo. Longe disso. A esperança de um futuro menos doloroso depois da sua inevitável saída, com Ricardo Pereira a jogar, também é obra do treinador que pegou num extremo que tinha feito a posição para ensiná-lo, como fizeram no passado com Conceição de forma inversa, a que tem as condições para dominar o carril completamente.
A transformação mental – sobretudo mental – de um Tello que jogava para si e tomava sempre a decisão final errada num Tello que joga para todos e que, graças a isso, aprendeu a sacar a espinha individual de golos que tinha atravessada, também é mérito seu. Lopetegui é o homem que lançou Ruben Neves – a maior prova de confiança de um treinador do FC Porto na formação desde que o Octávio Machado lançou o Ricardo Carvalho – mas não o queimou, dosificando um miúdo que há um ano jogava encontros de 80 minutos e passeava anónimo nas ruas. Foi o treinador que recuperou emocionalmente Herrera – e que desastre foi Herrera no ano passado – para o transformar num jogador mais colectivo ainda que continue a ser para mim uma peça a mais na sua ideia geral e uma dor de cabeça para quem segue o jogo e se asfixia nas suas correrias sem sentido. Brahimi, Oliver, Alex Sandro, todos têm crescido com a ideia de jogo colectivo de Lopetegui porque esta implica potenciar as suas valências dentro de um bloco colectivo organizado, tudo aquilo que não se viu no ano passado.

Se considero – e considero – ainda que algumas das suas petições pessoais em Julho foram tiros falhados totalmente – Andres Fernandez, Opare, Campaña – isso não pode tapar o bom trabalho que fez em potenciar alguns dos jogadores que já por cá havia. Nem todos, é certo. Quintero parece perdido em ser sempre Quintero e Quaresma está condenado, já o sabemos, a ser Quaresma. Mas são casos pontuais – e um treinador não é um milagreiro – num colectivo que parece cada vez mais mentalmente unido em trabalhar em conjunto. Oito meses depois de ter começado a trabalhar com grande parte do plantel, esse é o maior mérito do treinador.

Lopetegui tem uma ideia que o clube partilha e que implica resultados a médio prazo, algo pouco habitual em que parece ter vivido os últimos anos no imediatismo absoluto. A carteira tem algo a ver com essa mudança (aparentemente) de visão. Nessa ideia há espaço para crescer o produto da casa – o Gonçalo é bom exemplo e há mais a caminho, dêem-lhes tempo e dêem-lhes oportunidades –  mas também potenciar negócios da SAD como tem sido habitual. Danilo é o melhor exemplo (quem pensava há um ano que se poderia sacar lucro de um investimento como o seu?) mas a seguir vêm Aboubakar (do qual só temos 30%), Alex Sandro e se tudo correr bem na sala de aulas pode ser que Indi ponha em prática conceitos que, seguramente, conhece de sobra.


Depois dos tropeções iniciais – os por culpa própria como o Boavista, a mancha mais negra no "reinado" do basco, e os por culpa alheia como o jogo em Guimarães – a equipa está a uma vitória na Luz e um tropeção do Benfica do conseguir o que parecia impossível depois de subir o Evereste com uma sucessão de demonstração de superioridade inaudita frente a rivais complicados. E sem colinho, vejam lá. Há muito, muito trabalho por fazer. Muito. O nosso jogo de bola parada é fraco. A nossa eficácia ofensiva também, para a superioridade com a bola que geramos. Exige-se que uma equipa que domina totalmente o processo de construção de jogo seja capaz de rematar mais vezes e de forma mais acertada do que fazemos. O trabalho ofensivo, sobretudo de recuperação e posicionamento melhorou de forma tremenda e hoje somos uma das melhores defesas da Europa. A equipa joga como um bloco, pensa como um bloco e actua como um bloco, para o bem e para o mal. Quem viu o perigoso que pode ser uma anarquia no relvado, no ano passado, sabe do que falo.

Espero sinceramente que o Lopetegui possa hoje à noite riscar um dos objectivos do ano e trabalhar sem pressão até Maio (porque como estão as coisas aqui a pressão sobra) e a continuar a pensar na sua ideia de FC Porto para 2015/16. Sem ser um treinador que me enche as medidas e que me faz parar para ouvir o que tem a dizer com devoção, como fiz com outros que ocuparam o seu lugar no banco das Antas e do Dragão, não deixa de ser um homem que está determinado a deixar um legado. E a esse tipo de homens sempre há que respeitar e esperar para ver que Ás vão sacar da manga.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

A entrevista de Lopetegui ao El Pais em frases e conceitos


Julen Lopetegui concedeu uma entrevista ao prestigioso jornal espanhol El Pais. Uma entrevista onde coloca sobre "papel" aquilo para que foi contratado e o que tem como objectivo aplicar. Parece evidente, pelo discurso do treinador, que todos na estrutura do clube têm assumido que é um projecto a médio prazo independentemente do que passe até Junho, pelo menos. Parece-me uma boa solução e ninguém poderá dizer que a SAD não é fiel a si mesma, com o relevante resultado final. Este treinador sabe que tem o respaldo da direcção - coisa que faltou a Vitor Pereira, por exemplo, de forma clara - e que a aposta do Clube em renovar o clube de cima abaixo obedece a esse desejo de mudar.

Realmente, para quem conhece o trabalho a fundo de Villas Boas e Vitor Pereira, o rumo aplicado por Lopetegui é um regresso ao que já se fazia. O que muda essencialmente são os interpretes. Cada vez mais novos, cada vez mais preparados para os desafíos do futuro imediato. A idade não é coincidência. Por um lado, Lopetegui é um treinador de formação. Sempre o foi em todas as suas experiências prévias. Por outro está a velha filosofía de que a aprendizagem é um largo processo e quanto antes se começar, melhor. Não é o mesmo tirar “vícios” a veteranos que ensinar, quase desde os primeiros passos profissionais, a jovens promessas.

Dessa entrevista, muito boa aliás, retiro algumas frases chave que vale a pena reler para entender o que quer e o que planeia Lopetegui para o FC Porto nos próximos dois anos:

 “Da-se por garantido que os jogadores entendem o jogo e não é verdade”
A esmagadora maioria dos adeptos parte do principio que todo o jogador tem, no seu interior, um Xavi Hernandez mas que só alguns poucos o desenvolvem. Lopetegui pertence ao grupo (onde me incluo aliás) que pensa precisamente o oposto. A maioria dos jogadores são, em termos tácticos, e para usar o bom calão da minha “Invicta” “cepos”. E são-no porque a esmagadora maioria dos clubes, na área da formação, não fomenta a aprendizagem do jogo como tal mas sim o desenvolvimento físico e, eventualmente, o trabalho posicional concreto. Quando um futebolista com 19 anos chega à primeira equipa há muitos conceitos básicos que nem sequer explorou ainda e por isso o salto para a elite custa tanto a muitos que tanto prometiam nas camadas jovens. Por isso mesmo o trabalho do treinador é cada vez mais importante. Menos espaços, ritmo mais intenso, maior necessidade de compreender o máximo número de conceitos possíveis. Hoje em dia os futebolistas continuam a ser as estrelas mas cada vez mais os jogos se decidem no trabalho diário dos treinadores.

“Quando recebi a oferta do FC Porto percebi que queriam criar uma maneira de entender o jogo. Esta é a equipa mais jovem da história do Porto  e esse converte-a num projecto muito atractivo.”


Lopetegui parte do principio com esta afirmação que nunca se jogou como se joga agora no clube o que não é certo. Não é por acaso que ao Porto de Villas-Boas se comparava em toda a Europa com o Barcelona de Guardiola. O que sim está claro é que o ano de Paulo Fonseca deixou claro que não deve haver novas derivas futuras e que o modelo deve ser aprofundado até ás categorias base. A juventude do projecto também não deve enganar. Os problemas financeiros do clube forçam-nos a recorrer cada vez mais a jogadores jovens (comprados, emprestados, graças a fundos) com salarios mais baixos e potencial de rentabilidade futura maior.

“Eu quero que os meus jogadores sejam capazes de entender o jogo e acho que quando jogas entendes muito pouco e isso passava-me também a mim. E a verdade é que a riqueza da tua equipa depende das soluções que te dão os teus jogadores”.


Cada vez é mais importante ter jogadores de talento no plantel. O espaço para haver futebolistas que apenas sabem cumprir uma função (vide Fernando, por exemplo) vai diminuindo quando queres implementar um modelo de jogo que exige uma constante adaptação do jogador. E isso leva-nos a Ruben Neves. É um 6? É um 8? Não é bem nenhuma das coisas mas desempenha-se igualmente bem em ambos lugares porque entende o jogo e sabe adaptar-se ás soluções que tem para oferecer. Por isso Oliver pode jogar na ala em momentos pontuais ou Brahimi. Jogadores uniposicionais funcionam cada vez menos em equipas dinâmicas que querem ter a bola. A maior diferença? Cristiano Ronaldo é o melhor rematador do mundo, joga bem em diagonal mas precisa de espaço para mexer-se e aproveitar os seus recursos. No meio do meio-campo ou só na área perde muito. A Messi podemos vê-lo em qualquer zona do terreno de jogo porque está preparado desde a mais tenra idade a saber dar soluções para todos os problemas.


“Temos de ser muito agressivos quando perdemos a bola no campo contrario. Esse roubo é uma arma, mas de ataque, não de defesa, porque o adversário está a preparar o seu ataque e se a recuperas encontras espaços livres”.


Uma das grandes armas do Porto de Villas-Boas (e do Barcelona de Guardiola) era a pressão alta e o rápido roubo de bola, um conceito recuperado do Milan de Sacchi e do Dinamo de Kiev de Lobanovsky. Essa pressão alta obriga aos jogadores a um constante trabalho físico o que muitas vezes choca com a juventude dos jogadores do plantel (o Ruben jogava 80 minutos por jogo há poucos meses) e esse savoir faire de saber como dosificar-se (o melhor exemplo do futebol actual é, sem dúvida, Tiago). Nesse puzzle um jogador como Herrera seria válido – devido à sua boa capacidade de recuperação – se depois a sua tomada de decisão não fosse habitualmente desastrosa. Essa dose de agressividade pedida por Lopetegui tem faltado este ano em muitos jogos e deve-se, sobretudo, à natureza dos jogadores disponíveis.

“A chave de tudo é que a posse de bola não seja uma arma contra nós. É preciso saber dar-lhe uso.”


Os grandes profetas da possessão têm lidado com este problema há bastante tempo. Ter a bola nos pés para atacar e também para defender (e nesse capitulo a Espanha demonstrou que tanto pode ser uma máquina de ataque ao bom estilo holandés como uma Itália com a bola a defender e evitar o desgaste físico e psicológico do jogo posicional sem esférico) e isso foi uma das grandes queixas ao FC Porto de Vitor Pereira e agora também a este. Tinhamos a bola mas raramente sabíamos transformar a posse em perigo real.
O caso mais exemplar dos últimos anos talvez tenha sido o jogo contra o Malaga, no Dragão, onde o domínio foi asfixiante mas as oportunidades (e o resultado) tão escasso que acabamos eliminados no jogo da segunda mão. Naturalmente que ter a bola só serve se esta for aplicada em criar desequilíbrios basculando o rival até encontrar gretas. Para isso é preciso dois elementos fundamentais: um conjunto de jogador que saiba fazê-lo de forma homogénea (e aí é onde entram as habituais criticas a Quaresma, Tello ou Herrera que perdem o sentido grupal no processo) mas também uma rotina que é difícil de aplicar num projecto renovado quase de raiz e que se prolongará ad aeternum num clube que vive de vender os seus melhores activos.

“Ás vezes podes correr menos e outras vezes mais porque o rival também pode querer ter a iniciativa do jogo e o futebolista tem de estar preparado para isso, para essa dupla dinâmica.”

O FC Porto disputa 90% dos jogos de uma temporada procurando ter a iniciativa. Aliás, como ficou demonstrado na derrota com o Benfica, mesmo na esmagadora maioria dos jogos contra os rivais pelo titulo, a iniciativa cabe-nos a nós. Salvo algum jogo pontual de Champions League, a bola é nossa. O grande problema é precisamente esse, que os jogadores se habituem tanto a ter a bola que contra um rival distinto se vejam completamente descaracterizados e perdidos em campo. É um tema importante mas não fundamental, ainda que esse 10% de jogos se possam transformar rapidamente nos jogos mais importantes do ano. No entanto acredito que face á nossa realidade é cada vez mais importante saber pensar o jogo tendo a bola mas abrindo espaços nos habituais autocarros que encontramos. Afinal, esse é o nosso cavalo de batalha.

“Os treinos devem ser explicados aos jogadores antes de que se ponham a fazer os exercícios. É preciso que entendam o porquê porque assim sabem melhor o que têm de fazer.”


Como disse ao principio o trabalho do treinador – e por isso a escolha do treinador – é cada vez mais relevante. No FC Porto sempre se pensou o oposto, que o importante era ter um homem de estrutura (vide Fernando Santos, Jesualdo Ferreira) e bons jogadores. Ciclos curtos sempre e pouco poder ao treinador. Uma ideia extremamente desfasada da realidade. Houve uma altura do jogo, sim, onde os treinadores eram apenas responsáveis da condição física. Depois passaram a ser, sobretudo, organizadores e motivadores. Hoje são o motor de tudo. Os jogadores movem-se em espaços pre-determinados e a pesar do seu talento, uma equipa só funciona se o seu treinador está a fazer bem o seu trabalho. De aí que os treinos sejam cada vez mais relevantes. Não só nos lances estudados de laboratório mas, sobretudo, na repetição de circunstancias de jogo. É bom saber – não era difícil de imaginar – que o treinador do FC Porto é consciente dessa situação mas também parece claro que apesar das suas boas intenções há ainda muitos jogadores que não assumiram o seu papel como se espera deles.

“O futebolista aprende por repetição e descobrimento espontâneo e por isso temos de automatizar movimentos mas sempre com cuidado, não queremos matar a criatividade do jogador. Este tem de saber que nesse momento chave, quando acaba o espaço para o automatismo e aparece o espaço para a improvisação, o que fazer”.

Quaresma, Tello, jogadores de talento técnico superior mas com problemas no jogo automatizado colectivo. Brahimi, Oliver, jogadores de talento técnico superior e com total integração nos automatismos do grupo. Essa é a grande diferença entre uns e outros. São os quatro virtuosos com a bola mas apenas dois deles realmente sabem que naquele momento onde o treino acaba e a realidade começa, que decisões tomar para beneficio do colectivo. Seguramente haverá trivelas fantásticas de Quaresma e sprints com golo ou assistência de Tello e é importante ter esses jogadores no plantel para desbloquear uma equipa. Mas a realidade é cada vez mais outra e um treinador que tem um futebolista como Pedro Rodriguez, por exemplo, tem uma mina de ouro. Só os grandes clubes podem presumir de ter figuras mundiais tão grandes que saibam manobrar com igual facilidade os dois componentes. Para clubes como o FC Porto, com as suas limitações de mercado, é inevitável ter um Tello em vez de um Pedro Rodriguez (para que entendam o abismo que há entre dois jogadores da mesma escola de formação) porque o segundo é muito mais raro e portanto caro e o primeiro, embora espectacular, aos treinadores mais exigentes não convence. O que terá de saber fazer Lopetegui – e quem esteja no seu lugar – é reducir ao máximo as debilidades individuais dos Tellos, transforma-los de melhor forma possível em Pedros. Jogadores que sabem que a sua criatividade não desaparece com o treino mas que, dominando ambas facetas, nos momentos da tomada de decisão, raramente se enganam. E ele sabe bem isso!

Quem quiser a entrevista na integra pode fazê-lo aqui.

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

O Chorão e o Happy

A propósito da lista de candidatos ao prémio de melhor treinador de 2014, cujo vencedor será anunciado na gala da Bola de Ouro da FIFA...

Ontem, Jorge Jesus (o “Chorão”) afirmou:

“Há treinadores que fizeram menos do que eu, a nível interno e no que diz respeito a finais.”

“Olhei para a lista e pensei: há aqui alguns que não estiveram em nenhuma final, muitos nem foram campeões nacionais. Se gostava de lá estar? Gostava.”


Hoje, José Mourinho (o “Happy One”) respondeu:

[sabe que está incluído na lista para a Bola de Ouro?] “Sei, mas não liguei. Mas posso dizer-lhe que tenho a certeza que não ganharei, até porque reconheço que não mereço ganhar a Bola de Ouro.”

[Quando tomou conhecimento das nomeações, Jorge Jesus disse que na lista há treinadores que não ganharam títulos…] “Pois, julgo que o regulamento proíbe que estejam treinadores que foram eliminados da Champions League na fase de grupos…”


Lindo!

sábado, 25 de outubro de 2014

Treinadores de bancada

Não é raro ouvir o seguinte, quando são feitas críticas ao treinador em conversas entre amigos ou - principalmente - na Internet, para calar essas críticas sem se dar ao trabalho de as contra-argumentar: 

«Falar como treinador de bancada é muito fácil, mas o [Fulano X] é que é treinador profissional». 

Ora vamos lá a ver...

Que esses treinadores sabem muito mais do que o adepto comum em metodologias de treino e tal, acho que não há qualquer dúvida.

Que sabem melhor qual jogador está em melhor ou pior forma, penso que há poucas dúvidas (os treinadores de bancada não vêem os treinos).

Que sabem mais de táctica, é bem provável mas já começa a ser discutível em alguns casos.

Que conhecem melhor do que todos nós todas as vertentes do contexto em que nos inserimos, já é ainda mais discutível (e em particular um treinador estrangeiro no que diz respeito à história do plantel herdado e acima de tudo em relação ao contexto do futebol português).

Que são melhores do q nós na análise aos jogadores e acima de tudo adversários, bem... isso já depende. Até porque às vezes podem ter os seus enviesamentos, ou podem até mesmo nao ter uma inteligência ou bom senso por aí além (pelo menos não mais do que alguns adeptos).

É que o futebol não é como outras profissões... 

Antes de mais é empírico, não é propriamente lá muito científico (não é como por ex um eng. civil a fazer os cálculos na construção de uma ponte). Não é «rocket science», como se sói dizer, nem pouco mais ou menos, em que quantos mais anos se estuda melhor o desempenho. A partir de um limite minimo (que não é tao alto como isso), mais estudo e prática não leva necessariamente a melhor desempenho.

Aliás, em boa parte por causa disso é que é tão polémico (não é difícil arranjar 5 treinadores diferentes com 5 ideias diferentes em como montar uma equipa com o mesmo plantel, mas já é muito difícil senão mesmo impossível arranjar 5 eng civis com 5 ideias diferentes sobre se uma ponte é estruturalmente segura ou não....)...

...e sendo empírico, não falta gente que por via do mediatismo da coisa segue o futebol de muito perto há 10, 20, 30, 40 ou mais anos e por isso mesmo até percebe bastante de futebol, mesmo não fazendo disso a sua vida profissional (o mesmo certamente não se pode dizer de outras «indústrias», como por ex engenharia ou advocracia). Portanto, não me custa nada acreditar que há por aí muito leigo que seja mais sagaz do que uns quantos treinadores profissionais (mesmo que certamente não seja a maioria dos leigos, nem pouco mais ou menos; e um dado leigo até pode ter razão num dado momento, mas não a ter noutro momento ou contexto).

Aliás, muitas vezes as preferências dos treinadores são tão (ou até mesmo mais) subjectivas do que as nossas, quando se fala por ex de tácticas ou preferência fundamentalista por um certo tipo de jogador.

Sendo assim o pseudo-argumento de que «o treinador é que sabe» comigo não cola minimamente, em geral. 
Dito isto, em defesa do treinador - seja ele quem fôr - acho que muito leigo por vezes se precipita, em particular em assuntos em que o treinador tem sem qualquer dúvida mais e melhores dados (quando por ex se pede a titularidade para um jogador X que praticamente nunca jogou - e portanto sem se saber o que é que ele mostra ou deixa de mostrar nos treinos). E mesmo em áreas em que a crítica é mais legítima, o mais normal é que o treinador esteja certo mais vezes do que os críticos, ainda que às vezes estes tenham razão.

NB: este artigo não foi escrito com Lopetegui e os seus críticos em mente, sendo intemporal e aplicável a qualquer treinador e os seus defensores ou críticos.