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domingo, 25 de outubro de 2015

Colinho em espanhol, tapem lá agora a vergonha!

O diário desportivo As publicou na sua edição de hoje uma entrevista a duas páginas no coração do jornal com o árbitro português Marco Ferreira. Uma decisão com um timing perfeito tendo em conta que estamos em véspera de derby lisboeta e, como todos sabemos, há meses que a comunicação social portuguesa montou um silêncio espectral ás declarações originais de Ferreira, o árbitro que não teve medo de denunciar as pressões sofridas por Vitor Pereira para facilitar nos jogos com o Benfica.

—¿Cómo se eligen los árbitros para los partidos en Portugal?
—Es Vitor Pereira el que tiene total libertad para elegir a quien le apetece.

Todos conhecemos a história de Marco Ferreira, algo que não devemos a nenhum jornal ou web portuguesa que preferiram não investigar declarações que são, para mim e para qualquer pessoa com dois dedos de testa, tão ou mais graves do que o famigerado Apito Dourado. Porque claro, o protagonista, não sendo o FC Porto, o importante é calar, já sabemos todos. Dizer que o responsável da arbitragem portuguesa procura constantemente beneficiar um clube é muito menos grave do que comer um croisant e tomar um chá com um árbitro em casa. Claro.

Yo y muchos compañeros recibimos llamadas del presidente del Consejo de Arbitraje, Vitor Melo Pereira (homólogo en Portugal de Sánchez Arminio), en la misma semana que estamos nombrados para arbitrar al Benfica. Vitor Pereira tiene muchos enemigos y muchos opositores, entre ellos la gente del propio Consejo de Arbitraje y muchos clubes de Primera. No le quieren ahí. Ahora, el único de los grandes que apoya a Pereira es el Benfica.

A entrevista de Marco Ruiz não falha um só tiro no alvo e é um trabalho jornalistico que só podia ter sido feito por alguém de fora, alguém que não estivesse tapado pela ameaça centralista e asfixiante tão portuguesa de nunca se tocar nos podres dos clubes da capital. Que esse mesmo jornalista tenha sido um dos habituais enviados do As ao Porto para cobrir o dia-a-dia da vida de Iker Casillas - temas recorrentes semanalmente no jornal - pode dizer muita coisa ou pode não dizer absolutamente nada. Pessoalmente gostaria, e muito, que esta entrevista tivesse sido facilitada pelas boas relações entre o jornalista e o FC Porto, como uma forma de denunciar publicamente, e para toda a Europa ver, a podridão que é o futebol português que o senhor Vitor Pereira quer manter a todo o custo. Seria um excelente golpe a quem nos ofende e raramente leva o tratamento que merece. Mas ninguém o pode afirmar a ciência certa pelo que deixemos isso no campo da especulação.




A entrevista é claro e põe todos os nomes nos bois e não há boi maior nesta história que o maior hooligan da arbitragem portuguesa das últimas décadas. Marco Ferreira não acusa directamente o Benfica - faz exactamente o contrário, afirmando categoricamente que nem o Benfica nem qualquer outro clube, nos seus nove anos de carreira, alguma vez o abordou pessoalmente (nove anos e nem uma chamadinha de fruta do Porto? Que desilusão deve ter sido ouvir isso no departamento de escutas lançadas ao YouTube desde fontes anónimas não é??) - mas não perdoa ás pressões sofridas por Vitor Pereira.

Ferreira repete o mesmo discurso. As ameaças de Pereira e as chamadas em vésperas de jogos com o Benfica (e só com o Benfica), o clamor de que não ligue aos insultos que vinham do banco encarnado (e que provocaram a expulsão de Jesus num jogo no Bessa) porque um lider da arbitragem não está para defender os árbitros de serem insultados, ou o aviso claro de que Ferreira tinha de se portar bem no jogo do título do Benfica. No jogo do título não se refere ao Benfica - Porto, claro, porque como Ferreira diz, é o próprio Pereira, quase a comportar-se como um "paineleiro" encarnado, que afirma que o Benfica precisa de receber o Porto com 4 pontos de avanço para não haver problemas. Todos sabemos o que se passou.
O Benfica perdeu. O Porto não aproveitou. O Benfica foi campeão vendendo cachecóis a relembrar o escandaloso colinho e Ferreira foi despromovido depois de ter sido considerado como um dos eventuais sucessores do actual Presidente da Liga Portuguesa de Futebol na cúspide da arbitragem nacional.

Después del Braga-Benfica del que le hablé, Pereira me nombró para un Rio Ave-Benfica. Esa semana me llamó dos veces. El martes y el jueves. El jueves me dijo que, si no hacía un buen partido, no me podría nombrar para el Benfica-Oporto, que era en abril. Dijo que tuviera cuidado, que “eran los que se quejaban” y que “era el partido del título del Benfica”. Y yo le dije que no, que no era el partido del título porque el Benfica llevaba cuatro puntos de ventaja con respecto al Oporto. Y me contestó: “Es muy diferente jugar en contra del Oporto en abril con una diferencia de cuatro puntos que con dos puntos o uno”. Esto, bajo mi punto de vista, es grave. Porque claramente estaba refiriéndose al Benfica.

Todos sabemos perfeitamente que o que Marco Ferreira afirma encaixa perfeitamente com a politica seguida por Vitor Pereira nos últimos anos. As nomeações dos árbitros e dos assistentes a dedo, a sua posição inflexivel de abandonar um posto para o qual não tem nivel e o apoio inequivoco do Benfica são realidades indismentiveis. Que este lodaçal tenha cruzada a fronteira - onde se tentou abafar tudo - para chegar a um dos jornais desportivos mais lidos da Europa é um triunfo inequivoco para a verdade desportiva. Nada vai mudar. Isto é Portugal, um país onde um presidente pode ameçar partidos e ir jantar como se nada tivesse passado. Pereira continuará a ser Pereira e os árbitros continuarão a receber chamadas noite dentro para portarem-se bem. Mas lá fora já não há manto protector que esconda a vergonha. O Colinho é agora tema de conversa mundial. Da próxima vez que encarregarem cachecois na Luz, não se esqueçam também de fabricar versões internacionais em espanhol, francês ou inglês. Porque já todos sabem do que se trata!

quinta-feira, 29 de maio de 2014

A figura da época - I

Em cada dez épocas, Pinto da Costa será a figura-chave, em oito ou nove. Porém, desta vez, ao contrário do que é habitual, é a figura da época pelos piores motivos.

Como nunca desde meados da década de 90, a concorrência está mais forte, organizada e consistente - em particular, o SLB - mas isso não chega para justificar a pior época em décadas. A par da qualidade decrescente dos plantéis nos anos mais recentes - há 3 anos atrás, o Porto tinha nas suas fileiras, só para citar alguns: Falcao, Hulk e Moutinho; hoje não tem nenhum (ou se quisermos colocar a questão de outra forma: quantos titulares do SLB teriam lugar no Porto, há 3 anos atrás? E hoje?) - que tem vindo a ser disfarçada com uma maior variedade de opções, o Porto decidiu "convidar" um treinador campeão a sair, isto ainda antes do final da sua segunda temporada ao comando equipa. É a segunda vez que tal acontece nos tempos mais recentes, sempre(?) que o SLB se "agiganta": o Porto falha a conquista do campeonato, o responsável (único) é o treinador, logo deve ser substituído. É curioso que há uns anos atrás, Fernando Santos, contando com Jardel no plantel, e uma concorrência muito mais macia, também falhou ... mas manteve o lugar.


Ainda que o Porto tivesse falhado a conquista do (tri ou) bicampeonato, teria lutado até à última jornada; a opção mais simples seria reforçar a equipa, e não começar tudo de novo, o que só beneficiaria (e beneficiou) a concorrência. Este foi o primeiro erro.

Para substituir Vítor Pereira, foi escolhido Paulo Fonseca (PF), naquilo que na aparência tinha tudo para ser uma reedição dos fenómenos André Villas-Boas e José Mourinho. Só na aparência. Embora PF tivesse um currículo ligeiramente melhor que os outros dois à chegada, tinha muitíssimo menos experiência, e acima de tudo havia quase ou nenhum conhecimento mútuo entre o Porto e PF. Terá o selo de qualidade "Jorge Mendes" sido quanto bastou?

Apesar do início promissor, PF, vitimado pela sua inexperiência, e talvez até pelo deslumbramento natural de quem, em cerca de 4 anos chega do Pinhalnovense ao campeão nacional, sem nunca ter tido um dissabor, insistiu num modelo de jogo estranho à equipa, que não tardou a originar uma série de maus resultados, que permitiram ao SLB, não só recuperar uma desvantagem de 5 pontos, como chegar ao primeiro lugar e distanciar-se na pontuação. Pese embora a contestação dos adeptos, PF manteve-se no cargo até Março, tendo dirigido a equipa pela última vez, frente ao Vitória SC, em Guimarães (2-2), e numa fase da época em que a sua substituição no cargo, já de pouco ou nada serviria na luta pela revalidação do título de campeão nacional. Este foi o segundo erro.

Para tentar salvar alguma coisa da época, numa altura em que o Porto ainda tinha aspirações (legítimas) em provas como a Taça de Portugal e a Taça da Liga, e algumas esperanças na Liga Europa, Luís Castro (LC), foi promovido da equipa B a treinador principal. No papel, esta opção tinha boas possibilidades de sucesso: ao contrário do seu antecessor, LC já conhecia o clube, os jogadores, o nível de exigência, e sendo-lhe oferecida a oportunidade única na sua carreira, de orientar uma equipa de alto nível, seria expectável que tudo fizesse para se mostrar como uma opção de continuidade, para agarrar definitivamente o lugar. Na realidade, saiu tudo ao contrário. De novo, após um início promissor, uma série de más opções e um incompreensível temor perante o SLB, ditaram o afastamento de todas as provas que o Porto poderia pensar em conquistar. É injusto apontar a nomeação de LC como um erro, mas a verdade é que se revelou uma aposta completamente gorada.

(continua)

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Tiros e tiros

Ao contrário do que possa parecer, a aposta no Paulo Fonseca, pouco ou nada tem a ver, com aquelas que foram feitas nos então desconhecidos/inexperientes José Mourinho (JM), André Villas-Boas (JM), ou até mesmo, Vítor Pereira (VP). Ao contrário destes, o Paulo Fonseca (PF) teve, antes de chegar ao Porto, experiência zero num clube de dimensão semelhante - mesmo como jogador, e embora tenha pertencido aos quadros do FCP (sem nunca ter vestido a camisola), nunca chegou mais longe do que o Vitória SC.

Antes de chegar ao FCP como treinador principal, Mourinho fora adjunto de Bobby Robson e Van Gaal, no SCP, FCP e Barcelona, para além de ter cumprido um curto período como treinador do SLB. AVB foi "adjunto" de Mourinho, no FCP, Chelsea e Internazionale (e chegou "trabalhar" com o Bobby Robson, também no FCP). O VP, foi adjunto do AVB, (apenas) no FCP, e foi visível que enquanto treinador principal, teve "aprender no cargo". O PF, desconheço de quem tenha sido adjunto, mas certamente não foi no FCP, no Barcelona, no Chelsea ou sequer no Braga ou Boavista; aliás, há quatro anos, era treinador do Pinhalnovense.

Pode parecer um pormenor sem importância, mas uma época que seja como adjunto, num clube como estes, não permitirá um crescimento e evolução de que o PF nunca pôde usufruir? Tivesse tido tal oportunidade de aprender, e talvez tivesse pensado melhor antes de, por exemplo, decidir mudar aquilo que estava bem e que estivera na base da vitória dos 3 últimos campeonatos. Poder-se-á dizer que o PF, nunca teve oportunidade de aprender com os erros dos outros - nem parece interessado em aprender com os seus.

Só se pode especular sobre quem tomou a decisão de contratar o PF, mas certo é que a ânsia de descobrir o novo "Mourinho" ou "Villas-Boas", pesou mais que as reais necessidades do clube. E pelo visto até aqui, essas apostas, as bem sucedidas, não são os "tiros no escuro" (ou as epifanias só ao alcance do Pinto da Costa) que parecem ser à primeira vista - o JM, o AVB e o VP, já tinham experiência prévia no FCP, e eram já conhecidos na casa, antes de chegarem a treinadores principais. Posto isto, a hipotética contratação do Marco Silva, tal como a do PF, mais que um "tiro no escuro", corre o sério risco de ser mais um "tiro no pé".

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Treinador - Mudar ou não mudar, eis a questão!

É a primeira derrota para o campeonato. Quem cresceu com o FC Porto nos anos 80 e 90 sabe perfeitamente que os campeonatos ganham-se com vitórias, empates e também com derrotas. Todos as vivemos. Mas a geração pós-Gelsenkirchen cresceu noutro mundo. Para isso contribuiu, sobretudo, a anemia de qualidade do nosso futebol. Nos últimos anos dois clubes - FC Porto e SL Benfica - quase nunca perdem, raramente empatam e dominam a belo prazer o campeonato decidindo, quase sempre entre si, o título. A péssima situação do Sporting, a incapacidade do Braga de dar o salto e a ausência de uma versão real do Boavista entre 1992-2004 ajuda a explicar essa situação. Mas não só. A diferença de orçamentos exige, praticamente, que FC Porto e SL Benfica não percam. Nunca as diferenças com o resto foram tão grandes na qualidade individual, nos planteis disponíveis, nos ingressos e nos gastos. Por isso hoje, para um adepto do FC Porto, perder um jogo tornou-se num drama. Pode não haver margem de manobra.

Pessoalmente sou contra o despedimento de treinadores durante a temporada.
Acho que quem arranca o barco deve levá-lo até ao fim, passe o que passar. Sobretudo porque a responsabilidade é de muitos, não só sua. Num clube como o FC Porto, onde muitas das decisões são tomadas sem ter em conta (ou em muitos casos, apesar da opinião do) o que pensa o treinador. Mas o futebol é o que é e não sou eu quem o vai mudar e muitas vezes a mudança de um só homem tem o condão de despertar outros 25. No nosso caso com particular sucesso...no ano seguinte!

Remontando-me apenas à era Pinto da Costa, houve apenas 4 treinadores despedidos durante a época (não conto aqui, naturalmente, com Del Neri e Adriaanse porque estavamos no defeso em ambos casos). A primeira vez foi com Quinito. Despedido à 11º jornada em 1988, nesse ano o FC Porto foi treinado brevemente por Murça antes de confirmar-se o regresso do "rei Artur". O FC Porto não foi campeão (o título foi para o Benfica) mas preparou-se para mais um título na temporada seguinte com o nosso primeiro campeão europeu. Depois foi a vez de Ivic, em 1993. O sérvio, voltou ás Antas sem sucesso. Quando saiu o FC Porto era terceiro no campeonato e para o seu lugar chegou Bobby Robson, recém-despedido de um líder Sporting. Com o inglês não só se ultrapassou o Sporting como se desenhou a base do que seria o Penta. A terceira vez sucedeu com Octávio Machado. Conseguiu passar o Natal mas não sobreviveu a Janeiro e com ele vivemos outro ano negro, terminando a época em 3º apenas graças a um grande sprint liderado por...José Mourinho. Não é preciso explicar o resto. Só por uma vez, a última, o homem que substituiu o treinador despedido não funcionou na época seguinte. Porque não estava lá. Victor Fernandez foi campeão do Mundo mas os maus jogos no Dragão e a irregularidade de uma equipa de campeões europeus e contratações de luxo custou-lhe o lugar. José Couceiro não fez melhor, o titulo perdeu-se no último dia e o treinador foi-se embora abrindo caminho a um novo Tetra, conquistado entre Adriaanse e Jesualdo.

Quer isto dizer que mudar de treinador, no FC Porto, além de ser algo raro (Carlos Alberto Silva, Fernando Santos, Jesualdo Ferreira e Vitor Pereira sofreram contestação dos adeptos, tal como Paulo Fonseca, durante a época mas o presidente não os deixou cair e o resultado foi positivo, salvo com Fernando Santos!) só dá resultados à posteriori. Mudar hoje de treinador não garante, portanto, tendo em base a nossa experiência, um passaporte automático para o sucesso. Claro que há uma primeira vez para tudo.
O último campeão nacional português que chegou com a época a meio foi Augusto Inácio, com o Sporting, em 2000. É preciso recuar décadas para encontrar um exemplo similar. E não é por acaso.



Não acho que Paulo Fonseca tenha perfil de treinador para o FC Porto. Acho que é parte do problema, não o todo. E que centrar-nos exclusivamente na sua incompetência - que é evidente - não nos permite ver todo o problema em que estamos envolvidos. Mas isso fica para outro debate que trarei. Até porque o actual treinador do FC Porto é o primeiro em muito tempo que me faz pensar que mudar agora pode ser mais benéfico que prejudicial.

Em primeiro lugar porque não existe uma grande desvantagem com os rivais. Quem quer que chegue começará praticamente do zero em pontuação com Benfica e Sporting. Por outro lado, a paragem do Natal permitirá tempo para aclimatar-se ao clube, ao plantel e preparar os necessários ajustes - porque terá de haver algum ajuste - em Janeiro. E por último, olhando para o plantel - onde carecem figuras que inspiram liderança - não vejo força emocional para dar a volta à situação desde dentro como sucedeu no primeiro ano de Vitor Pereira, por exemplo. Há demasiados jovens, demasiadas caras novas e jogadores sem perfil para pensar que vão ser os jogadores a dar a cara e a salvar um treinador com o qual não estão cómodos. Os sinais da directiva, no final do jogo de Coimbra, também não são positivos. Quando Vitor Pereira esteve com a corda ao pescoço, a presença de Pinto da Costa ao seu lado calou os rumores e mandou uma mensagem ao balneário. Paulo Fonseca saiu sozinho do Municipal de Coimbra. É assim que ele está, apesar de ter sido uma aposta muito pessoal de Antero Henriques, que até há bem pouco tempo lhe deu todo o seu apoio.

Sabemos então que no FC Porto pouco se muda a meio da época e quando sucede os resultados só sucedem à posteriori. Sabemos também que o timing agora é o ideal e que o plantel e a direcção não parecem estar com o treinador. Mas que alternativas podemos manejar?

O FC Porto é um grande clube, mas é um clube dirigido desde dentro. Um clube que nunca se sentiu cómodo com a ideia de um treinador de personalidade forte. Mesmo Mourinho fez-se dentro do clube, não chegou como o "Special One" e Villas-Boas preferiu não ter de descobrir o que ia suceder num segundo ano depois de uma época perfeita. Portanto, toda a Europa sabe como o FC Porto se move e poucos são os treinadores de topo interessados nesse tipo de gestão. Sobram poucas opções, entre portugueses e estrangeiros.

Portugueses:
Marco Silva - Para muitos o homem que devia ter sucedido a Paulo Fonseca. É adepto confesso do Benfica, o que poderia ter jogado contra si, e com o Estoril tem feito um excelente trabalho. Continua a fazer a sua equipa jogar bem, mesmo com várias baixas, mas não parece apresentar nada de novo e há o receio, natural, que seja um Paulo Fonseca II.

Domingos Paciência - É um nome falado há muito tempo, não só pelo seu passado dragão mas pela excelente temporada que fez com o Braga. Desde então a sua carreira tem sido um desastre, tanto com o Sporting como com o Deportivo (onde foi colocado pela pressão de Jorge Mendes e onde se acabou por ir embora por não conseguir lidar com a pressão). Está sem clube.

Pedro Emanuel - Durante dois anos foi considerado por muitos como o próximo André Villas-Boas. Agora está no Arouca. Não é propriamente um grande cartão de visita e não tem demonstrado confirmar as suspeitas positivas que se tinha dele.

Leonardo Jardim - Para alguns adeptos seria a escolha ideal mas está comprometido com o Sporting e tem uma oportunidade histórica de recuperar o prestigio do leão. Não irá sair de Alvalade.

Nuno Capucho - Está a ser preparado pela direcção mas ninguém quer queimar etapas. Desde que tomou controlo das equipas de formação que muitos vêm nele o perfil ideal para liderar a primeira equipa e os resultados dão-lhe razão. Tem um perfil calmo, tranquilo e um conhecimento táctico surpreendente. Será treinador do FC Porto mas não quererá pegar numa equipa "queimada" tão cedo salvo se não existir outra opção.

André Villas-Boas - Tem a corda ao pescoço em Inglaterra mas, ao contrário de Artur Jorge, não acredito que queira voltar tão cedo ao seu clube, mesmo desempregado. Seria a escolha número 1 de todos os adeptos.

Estrangeiros
Marcelo Bielsa - Apenas o cito porque foi alvo de comentários no RP. Não é opção pura e simplesmente porque não é do perfil da direcção e não é o treinador que goste de ser controlado.

Mano Menezes - Paixão antiga da SAD, esteve desempregado até há poucas semanas, depois de uma má época com o Flamengo. Acabou de assinar pelo Corinthians e não vai abandonar o clube.

Muricy Ramalho - Na mesma situação de Menezes. Outra paixão antiga, foi muito questionado pelo São Paulo este ano e está ligeiramente acima da linha de despromoção. Contestado, poderia ser tentado por uma boa oferta.

Tite - Provavelmente o melhor treinador do futebol brasileiro nos últimos quatro anos. Acabou um ciclo memorável no Corinthinas, incluindo o título mundial, e está sem emprego. Hipótese interessante para os que querem uma conexão sul-americana.

Pepe Mel - Um dos melhores treinadores do futebol espanhol. Está com a corda ao pescoço no Real Bétis mas tem perfil para um clube de alto nível.



O cenário é este:
Mudar ou não mudar? 
A história do clube diz-nos que mudar não é habitual a opção da direcção e quando isso sucede o resultado só é visível na época seguinte. A situação actual no entanto dá a sensação de que Paulo Fonseca está só (sem plantel ao seu lado, sem o apoio da direcção e na mira dos adeptos) e que não tem capacidade para dar a volta por cima. O pior que pode suceder (perder o título) pode suceder com ele ou com qualquer outro treinador mas uma cara nova chegará com uma diferença pontual mínima e tempo para lutar pelo título até ao fim.

Se mudamos, quem ocupará o seu lugar?
Artur Jorge, Bobby Robson e José Mourinho foram três opções que tiveram resultados excelentes. José Couceiro a que correu mal. Actualmente só André Villas-Boas teria um perfil similar ao dos três primeiros. Todos os outros nomes despertam dúvidas, ora pela inexperiência e ausência de resultados sonantes (Pedro Emanuel, Marco Silva, Nuno Capucho, o passado recente de Domingos) ou porque despertam receio de uma conexão com o mercado brasileiro, quando muito raramente um treinador canarinho triunfa no futebol europeu.

O debate, na caixa de comentários!

PS: Não acredito que, actualmente, existam muitos adeptos do lado de Paulo Fonseca. O que não se admite é que uns meninos mal educados e que deviam ter passado uma noite nos calabouços recebam a equipa como receberam. Não sei se a manobra foi, oficialmente, dos SD ou iniciativa individual de quase 300 "adeptos". Nem me interessa. Há uma cultura de adeptos que só aceita a vitória. Que não entendo que o amor a um clube deve ser unidirecional. Se o clube devolve alegrias, tanto melhor. Se não, não se troca o amor por um soco só porque as coisas correm mal. Viveremos dias muito piores que estes, mais tarde ou mais cedo. Espero que muitos dos portistas de hoje sejam portistas então. Provavelmente os que receberam a equipa desta forma não estejam entre eles!

terça-feira, 5 de novembro de 2013

LMS do Dia

Um dos motivos invocados para a não-renovação do contrato com o Vítor Pereira - pois é, sempre ele ... - era o facto de não saber valorizar ou fazer evoluir jogadores, sendo o Maicon, muitas vezes apontado como exemplo. Assim como assim, não será melhor um treinador que não valoriza, a um treinador que só desvaloriza? Longe vão os tempos em que o Mangala - e nem vou citar outros casos - era cobiçado pelo Barcelona; actualmente, não o quererá nem de borla.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

FC Porto, o novo Real Madrid?

Em 2009 todos descobrimos a lua. Não viajamos até lá. Ela veio até nós sob a forma do Barcelona treinado por Guardiola. Era uma equipa que enchia qualquer medida futebolística possível. Uma equipa agressiva mas elegante. Uma equipa com uma qualidade individual impressionante mas que funcionava como colectivo. Uma equipa onde os baixinhos (Xavi, Iniesta, Messi) jogavam com os raçudos (Etoo, Pedro, Touré, Puyol), com os inteligentes (Pique, Busquets, Henry) sem que qualquer um de nós fosse capaz de os excluir das outras características principais. Provavelmente tivemos a sorte de ver uma das grandes equipas da história do futebol moderno. Mais, tivemos a sorte de que o nosso FC Porto fosse comparado, lá fora, com essa máquina de futebol.

Historicamente o FCP sempre se associou ao FC Barcelona.
Clubes de segundas cidades, burguesas, mercantis, marítimas, rebeldes contra o poder do centralismo e, também é preciso dizê-lo, clubes que viveram as suas maiores secas desportivas de forma similar (durante os anos 60 e quase todos os 70) e que renasceram nos anos 80 para tornarem-se na maior força desportiva do seu país. O FCP com um presidente, o FC Barcelona com um ideólogo chamado Johan Cruyff. Ambos ganhamos provas europeias desde então (mais que o respectivo rival), ambos ganhamos ligas (mais que o respectivo rival) e ambos ganhamos a admiração do Mundo. Nós por sermos o eterno underdog sobrevivente na elite europeia, capaz de encontrar pérolas no meio do Amazonas e transformá-los em diamantes, e eles por serem os herdeiros dessa escola danubiana mítica. Para qualquer portista era um motivo de orgulho a comparação. A associação de futebol de posse, de qualidade técnica e táctica, de gestão desportiva com o Barça seguia os mesmos padrões que a comparação Real Madrid-Benfica dos anos 50 e 60, ambas equipas alimentadas pela máquina estatal, habituadas a ser o símbolo da propaganda de regime ditatoriais e com duas grandes gerações que coincidiram no tempo e espaço.

Nos anos AVB e VP a comparação permaneceu.
O Barcelona de 2013 já não é o mesmo de 2009. A própria evolução de Guardiola introduziu matizes importantes. Messi passou a ser o falso-nove, a equipa passou a jogar mais em função do génio argentino e a procura de alternativas estancou com o modelo original. Com o passar dos anos a agressividade e o pressing na hora da recuperação que tinham sido marca de identidade do primeiro Pep Team tornou o Barcelona uma equipa mais previsível, salva recorrentemente pelo génio superlativo de alguns dos melhores futebolistas da história. O FCP, que com AVB teve um ano similar ao do primeiro Pep Team, seguiu um trajecto similar. No nosso caso o problema foi a falta de opções condicionada pelo mercado e pelo desejo de jogadores importantes em sair. Sem Belluschi e Guarin o ritmo do meio-campo seria sempre diferente. Sem Hulk e Falcao a eficácia ofensiva baixaria sempre com o tempo. Com Varela a cair de forma, James a nunca explodir verdadeiramente e com Fucile, Rolando e Alvaro Pereira em quarentena (primeiro) e fora de contas (depois) o processo obrigou a uma reconstrução durante dois anos que interrompeu a ascensão da qualidade de jogo. Mas a matriz permaneceu, mesmo nesses momentos, a mesma.
O 4-3-3 era inegociável, a segurança defensiva o primeiro passo para o sucesso (como foi com Pep) e o controlo de jogo a obrigatoriedade máxima para quem subia em campo. É certo que o ritmo de jogo era vitima das opções e tinha baixado muitas rotações. As transições eram mais lentas, a agressividade esfumou-se e a qualidade individual também. Mas quem tinha visto jogar os homens de AVB reconhecia o mesmo padrão com VP da mesma forma que entre as diferenças que existem entre Guardiola, Vilanova e Martino não impedem que o Barcelona continua a ser o Barcelona.



Agora podem dizer o mesmo?
Não!

Desde Agosto que a matriz dos últimos três anos foi abandonada por completo.
É o direito legitimo de qualquer treinador escolhido pela direcção de impor o seu estilo e modelo de jogo. Se o faz, imagino que seja de acordo com quem o contrata que é quem responde aos sócios e accionistas. Eles são conscientes do que custou criar essa matriz, do que significa manter um modelo ao largo dos anos a nível de estabilidade futebolista e de gestão de balneário. Se aprovam a mudança - não só do desenho táctico mas dos princípios básicos do jogo - saberão porque o fazem. Mas agora na Europa ninguém se lembraria de associar este FC Porto ao Barcelona. Como muito poderiam fazer uma comparação que é, para muitos portistas, odiosa: com o Real Madrid.
A equipa da capital espanhola é reconhecida mundialmente por não ter modelo de jogo. Vive para onde o vento sopra. A cada presidente e treinador que chega tudo muda. O importante são os jogadores, quanto mais mediáticos e caros, melhor. Bale custa 100 milhões, logo vale mais que Ozil que só custou 15, pensam muitos adeptos e dirigentes do clube espanhol. Com o esquema de jogo é o mesmo. Não há um modelo desde o fim da Quinta del Buitre, nos anos 80. A táctica muda, os princípios mudam, os jogadores mudam, os treinadores mudam. As vitórias só aparecem porque o valor individual e o dinheiro metido no plantel assim o ditam. De futebol, muito pouco.
Actualmente em Portugal passamos pelo mesmo cenário. O FC Porto ganha muitos jogos porque é o FC Porto. Não porque jogue bem, não porque tenha um padrão de jogo, não porque saiba o que faz. Ganha-o simplesmente porque Jackson é o melhor avançado da liga, porque Lucho coxo é melhor que a maioria dos médios do campeonato. Porque Mangala-Otamendi ainda é uma dupla que supera qualquer outra. Porque os frangos ocasionais de Helton não empalidecem comparados com os de Artur, Eduardo e Patricio. Porque ganhar no Dragão é impossível e defender com dez homens dentro da área nos jogos fora nem sempre resulta. Ganhamos por inércia da mesma forma que o Real Madrid ganha muitos dos seus jogos. Não pela qualidade do projecto que PF tenha a apresentar. E isso é, sobretudo, o mais preocupante.

Eu quero que o FC Porto tenha um modelo que seja válido hoje, com PF, e amanhã com o treinador X.
Para isso é preciso duas coisas.
Ter a direcção decidida a apostar fielmente nesse modelo de jogo (em vez de se preocupar tanto com modelos de negócio, que não é o mesmo) e contratar sempre treinadores e jogadores para cumprir esse preceito colectivo como tem feito o Barcelona (noutra escala, obviamente) ou então apostar como há muito defendo num nome sério para o banco. Num nome consagrado, com uma cultura futebolística suficientemente alta para manejar distintas situações e saber o que está a fazer, sem parecer um puto de olhar perdido. Falou-se muito em Pellegrini, um treinador que cumpre esse preceito, mas entendo que entre o Dragão e o City of Manchester, o dinheiro tenha falado mais alto. Mas o chileno não é o único dentro desse grupo de treinadores que sabem muito de futebol e colocam sempre as suas equipas a jogar muito bem e de forma coerente. A SAD prefere-os inexperientes, jovens e ambiciosos e está no seu direito. Acertou duas vezes. Mas se o faz, pelo menos que tenha o cuidado de escolher nomes que se enquadrem numa ideia colectiva que faça parte do nosso próprio ADN. De alguém que saiba onde vai entrar, que rotinas há que saber manter, que processos há que assimilar e que estruturas são fundamentais para manter o equilíbrio.



Em quatro meses a estabilidade defensiva de três anos desapareceu.
A organização na construção de jogo também. A equipa é mais vertical mas menos coerente. Os jogadores estão perdidos porque os que já cá estavam tinham rotinas bem treinadas que agora não podem por em prática e os novos ainda não entenderam o que se lhes pede.
Provavelmente todos eles gostariam de jogar como no ano de AVB, e os adeptos também não se importariam de rever esses jogos no presente. Mas para chegar aí não basta apenas ter opções individuais (e este plantel tem mais opções que o dos últimos dois anos). É fundamental ter alguém que siga um modelo, que seja fiel ao nosso ADN.

Em Madrid, Carlo Ancelotti - um treinador de títulos, onde é que já ouvi isso - não sabe a que joga. Nem ele nem ninguém. E a sua equipa é penosa. Em Barcelona, chegado do outro lado do Atlântico e sem experiência europeia, Tata Martino herdou uma ideia que apenas tem de gerir e controlar. Ás vezes é mais dificil não mexer do que inventar. PF tem, como Ancelotti, procurado inventar. Sem sucesso. Tem sido salvo pelos jogadores e pela inércia mas isso não durará para sempre quando for a doer. Talvez devesse ter sido mais humilde, como Martino, e procurar ver o bom naquilo que o precede antes de procurar melhorar a máquina já montada e oleada. Tem tempo para isso? Tem. Mas precisa de saber dar um passo atrás. Devolver aos jogadores a confiança nos processos de jogo perdidos (e isto vai muito mais longe do que só recuar Fernando e voltar ao 4-3-3) e a partir de aí procurar introduzir novas variantes que nos façam mais imprevisíveis e, portanto, mais fortes. Caso contrário até podemos ser Tetracampeões, vencer a Taça de Portugal e a Taça da Liga. Muitos adeptos irão para as ruas celebrar. Mas teríamos ganho por motivos que, mais tarde ou mais cedo, vão-se revelar mais um problema do que uma solução!

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

O estranho caso de Juan Iturbe


Juan Manuel Iturbe foi descoberto pelo FC Porto quando ainda tinha 17 anos e jogava no clube paraguaio Cerro Porteño. Iturbe estreou-se na equipa principal deste clube em Junho de 2009, então com 16 anos.
Em Janeiro de 2011 o FC Porto contratou-o como reforço para a época 2011-12, apresentando-se em Portugal em Junho desse ano, numa altura em que já teria completado 18 anos. Era considerado uma das maiores promessas do futebol mundial, tendo merecido comparações com Maradona, ao marcar um golo pela selecção argentina sub-20, e com Lionel Messi, do Barcelona.

Em 2011-12, com o então treinador Vitor Pereira, Iturbe fez apenas 4 jogos na Liga e 3 na Taça de Portugal, não tendo conseguido confirmar minimamente as enormes expectativas que sobre si recaíam. Apesar disso Iturbe foi incluído no lote de jogadores que fez o estágio da pré-época de 2012-13, tendo marcado um golaço ao Celta de Vigo:


No início dessa época Iturbe acabou por não ter tido oportunidades para jogar e ganhar experiência na equipa principal tendo, em Dezembro de 2012, sido emprestado ao River Plate, da Argentina. Dizia-se que era indisciplinado no balneário. Possivelmente o regresso ao seu país iria permitir que ganhasse experiência e maturidade. Esteve lá de Janeiro a Junho, tendo realizado 17 jogos e marcado 3 golos. A vontade do River em contar com o jogador era grande e a pressão exercida sobre o FC Porto para o prolongamento do empréstimo fez-se sentir durante várias semanas. O clube argentino terá ficado muito agradado com o jogador. No entanto, o FC Porto foi irredutível tendo dado instruções ao jogador para se apresentar às ordens de Paulo Fonseca no estágio da pré-época 2013-14. Nesse estágio Iturbe marcou mais um golaço no jogo contra o Marselha:


Iturbe foi utilizado por diversas vezes na pré-época e teve alguns bons apontamentos. É um jogador explosivo. Muitos adeptos do FC Porto, onde me incluo, pensaram que era desta que o jovem argentino iria finalmente começar a entrar na equipa principal. Errado. Afinal Iturbe não servia para Vitor Pereira mas também não serviu para Paulo Fonseca. O plantel só poderia ter 25 a 26 jogadores e alguém teria de sair. Na altura não entendi os motivos para Iturbe ser um dos dispensados. Hoje, volvidas algumas jornadas desde o início da Liga, entendo ainda menos a sua saída.

Assim, no início de Setembro, Iturbe foi emprestado aos Italianos do Hellas Verona até ao final da temporada com opção de compra de € 8m.
Como adepto não consigo entender o porquê da dispensa de Iturbe, ainda por cima numa época em que perdemos um extremo como James Rodriguez, sendo que este dossier parece ter sido mal gerido dentro do FC Porto.

As afirmações do seu empresário, Augusto Paraja, ainda adensam mais o mistério, afirmando que existiram movimentações para que o jogador mudasse de representante, o que não veio a acontecer:

"O empresário de Iturbe, Augusto Paraja, disse ontem ao CM ter conhecimento de "movimentações para que o Iturbe mude de representante", mas garantiu que se trata do "desejo de uma só pessoa e não de toda a estrutura do FC Porto". "É alguém com interesse nessa mudança, pois sabe que o Juan [Iturbe] tem um potencial inesgotável e que a sua imagem valerá ouro", afirmou, escusando-se a revelar nomes: "Antero Henrique? Não posso dizer quem é. Só lamento que esteja a pressionar para que o Iturbe não jogue, porque as coisas não seguem o rumo que deseja." Segundo Augusto Paraja, o extremo, de 19 anos, "só se ri disto tudo". "Temos uma relação que ultrapassa o plano pessoal. Estou com ele desde miúdo, acompanhei o seu crescimento. Iturbe só confia em Pinto da Costa e é por causa dele que se mantém no FC Porto", vincou. "Infelizmente, há gente boa e gente de m... em todos os clubes. O presidente do FC Porto é uma pessoa de bem e é quem mais confia na afirmação do Juan", reforçou. A falta de oportunidades do extremo, que ainda não se estreou em jogos oficiais nesta época, continua a preocupar Paraja: "Ele não pode estar contente por não jogar. Precisa de minutos." Ainda assim, ressalvou, "a inscrição na Champions. Foi um passo em frente". "Vamos ver o que acontece no primeiro semestre da época. Todos os dias tenho clubes grandes a perguntar por ele", concluiu, sem apontar os interessados.
in Correio da Manhã

Iturbe fez parte das opções de Paulo Fonseca durante os jogos de estágio da pré-época. Posteriormente foi preterido em detrimento de outros extremos como Licá e Ricardo que, durante o estágio, terão tido exactamente as mesmas oportunidades de Iturbe. O argentino fez bons jogos e marcou um golaço. Desde que está no Hellas Verona já marcou 2 golos, um dos quais de livre directo, de belo efeito. Espero que as afirmações do seu empresário não se confirmem e que acima de tudo esteja a defesa intransigente dos superiores interesses do FC Porto.
 

terça-feira, 13 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (II Parte)

Está claro que o Paulo Fonseca teve pouco a dizer nas contratações mas terá muito pelo que responder com aquilo que o seu plantel pode oferecer durante o ano.

Desde Fernando Santos - aquele 4-2-3-1 com Paulinho+Chainho atrás de Deco, com Alenitchev no banco - que a equipa se habituou ao 4-3-3 como modelo base, salvo pelo segundo ano de Mourinho e o 3-4-3 de Adriaanse. É um modelo formatado, assimilado e que faz todo o sentido. Mas também é uma táctica para a qual o plantel oferece poucas opções individuais. A ausência de extremos desequilibradores (que já foi um problema no ano passado, depois da saída de Hulk e da situação com Atsu) afunilava em excesso a equipa, com James a meter a marcha para dentro e Varela muitas vezes a encostar-se a Jackson num 4-1-2-1-2. Este ano não houve mudanças radicais nesse capitulo. E portanto o plantel continua a oferecer poucas opções individuais.

O 4-2-3-1, pelo contrário, encaixa melhor nos jogadores disponíveis. E é o modelo que o técnico utilizou no Paços, que conhece bem. Quer entrar com cautela, jogando pelo seguro. É compreensível, mas também é preciso lembrar que a defesa do Paços não jogava tão alta como deverá jogar a nossa, o que implica que os espaços entre linhas eram menores e, portanto, o risco de descompensação zonal entre-linhas inferior.


Nesta imagem fica claro o que vamos ver este ano.
4 defesas em linha, com os laterais com ordem para subir. Um avançado fixo, dois extremos abertos e um jogador livre. E dois box-to-box que se têm forçosamente que complementar no meio-campo. Ora é aí precisamente que geramos um considerável over-booking.

Para as alas o "mister" sabe que tem o Varela, o Ricardo, o Licá e o Kelvin (não sei onde o Iturbe ou o Ismailov encaixam aqui, já veremos o que passa). Dois extremos puros (Ricardo, Varela), um batalhador que vai ser muito útil (Licá) e o joker, Kelvin. No ataque contamos, finalmente, com duas opções válidas em Jackson e Ghilas. É no meio-campo que está o busílis.

Quintero chegou e triunfará, mas precisa de tempo (como Anderson, como James). Lucho fará o posto de 10 desde o início e a transição será progressiva. Se a táctica fosse o 4-3-3, o argentino teria problemas em jogar, porque como se viu no ano passado, o 4-3-3 exige muito do trio do meio-campo fisicamente. E Lucho já não está para isso, enquanto Quintero ainda é verde para esse ritmo. "El Comandante" é o grande beneficiado desta metamorfose táctica. Vai permitir manter-se vivo e activo mais tempo do que poderíamos imaginar. Fernando é o grande prejudicado.

"O Polvo" tem sido fundamental desde que substituiu o Paulo Assunção a tapar todos os buracos que apareciam na linha defensiva. Sempre funcionou melhor varrendo do que com um jogador ao seu lado. Por estatuto será titular mas tenho as minhas dúvidas que se sinta cómodo. O contrato acaba este ano, até ao fim do mês ainda pode sair ou, eventualmente, pensando já no futuro, o técnico procura um modelo para o que tem. E como não há outro Fernando no plantel, acha mais adequado apostar num modelo onde sim funcionam todos os outros médios de que dispõe.

Este 2-1, este triângulo invertido, encaixa bem no perfil de Defour, de Herrera, de Carlos Eduardo, de Josué (que também pode fazer o 10) e de Castro. Apostando neste modelo, o técnico garante que terá jogadores a quem pode distribuir minutos, rentabilizando as suas características técnicas e tácticas ao máximo em vez de as forçar a um modelo que dependia em excesso de Fernando para funcionar realmente.

Portanto, o 4-2-3-1 é o modelo ideal para esta época?

Como em tudo, tem aspectos positivos e negativos.
Defensivamente causa muitos mais problemas do que o 4-3-3 e nos jogos europeus, sobretudo, a segurança defensiva é absolutamente fundamental. Podemos nesse jogo voltar, pontualmente, ao 4-3-3?
Podemos e, talvez, devemos. É também um sistema que não saca o melhor de um dos melhores jogadores do plantel, Fernando, e que gera sérios riscos nos jogos em casa contra rivais claramente inferiores.
É um modelo cauteloso, com dois médios sempre no apoio (e ás vezes vai fazer falta um desses médios lá à frente) e que funciona melhor em equipas onde o meio-campo é uma zona curta de passagem, mais de contra-golpe do que de futebol de posse constante.



No entanto, não se pode dizer que seja, exclusivamente, um modelo defensivo mas sim que se adapta melhor a equipas mais pequenas, que queiram ter menos tempo a bola e procurem mais as transições rápidas e as linhas próximas entre si (numa zona do terreno mais recuada).
O 3-2-3-1 vai permitir ter sempre um segundo homem na área. Vai gerar maior dinamismo nas transições, quebrando o ritmo "pastelento" do ano passado. Em momentos de posse, pode tornar-se num 2-4-1-2, com a subida dos dois laterais para a linha do 2-1 no meio-campo, mas isso só funcionará se as linhas estiverem para lá da linha de meio-campo. Permite sacar o melhor de um grande jogador, que é Lucho, e de outro que seguramente o será, Quintero. E adapta-se melhor ao plantel desenhado para a temporada.

Será um ano largo.
Ninguém pode antecipar que durante os jogos o próprio técnico faça mudanças que permitam oscilar entre um modelo e outro. Não é uma mudança demasiado radical (como foi o 3-4-3 de Adriaanse), não é um modelo estranho aos adeptos. É uma interrogante mais, a par do treinador e de muitas das caras novas. Esperamos que, em Maio, a nota positiva se aplique aos três e que a nova variante permita contornar os problemas que tínhamos o ano passado sem, por sua vez, criar outros já resolvidos.

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

O 4-2-3-1 de Paulo Fonseca...entender o conceito! (I Parte)

Parece claro que Paulo Fonseca não vai abdicar do seu 4-2-3-1.

O tempo dirá se a sua opção é a mais acertada, sobretudo em jogos radicalmente diferentes aos da pré-época e da Supertaça. Em Aveiro o sistema funcionou perfeitamente também porque o rival foi macio, muito macio. Na véspera do jogo o treinador tomou a palavra na sala de imprensa para responder a um jornalista que sugeriu o modelo como mais defensivo. Paulo Fonseca não gosta dessa ideia (apesar de ser um sistema muito mais utilizado por equipas de contra-golpe do que de ataque continuado).
Vou tentar explicar o que penso ser o seu ponto de vista e a minha percepção sobre o que vai significar a aplicação do modelo ao longo do ano, os seus pontos fortes e fracos. E, sobretudo, a sua adequabilidade ao plantel, no seu todo, e a alguns jogadores, em particular.

No final, podemos chegar à conclusão se o sistema é mais ou menos defensivo que o 4-3-3 standard da última década, se mais parecido ao modelo de Fernando Santos em 2001 ou ao Borussia de Dortmund de Klopp (de quem Paulo se lembrou na conferência de imprensa).

Basicamente há três grandes alterações conceptuais com este modelo.
A inversão do triângulo do meio-campo gera duas situações novas:
- a criação do conceito de número 10, que no 4-3-3 não tem lugar (ou é um extremo adaptado, como foi James, ou é um médio centro reconvertido, como muitas vezes joga Iniesta)
- a mudança do conceito defensivo, de um jogador fixo de marcação para a divisão de tarefas entre dois jogadores, ambos com ordens para subir e descer, alternando-se sucessivamente

No primeiro caso, a ideia de Paulo Fonseca parece-me evidente.
O número 10 está liberto de carga táctica. Marca menos o rival, corre menos, ocupa mais os espaços livres e aproxima-se ao avançado. Ele tem a missão de criar superioridade ofensiva na área, ajudar Jackson nas suas movimentações e oferecer-se sempre como alternativa de passe.
No segundo caso, implica ter uma equipa muito mais móvel, sem nenhum jogador com uma missão fixa todo o encontro, o que exige mais fisicamente dos dois jogadores, que terão de ser muito mais flexíveis.

A terceira alteração passa pelo maior espaçamento de linhas.
Com o 4-3-3 era muito habitual ver as linhas muito próximas entre si, com a equipa a subir em campo de forma compacta, em posse, muitas vezes num ritmo mais lento e previsível. O médio mais defensivo ficava ancorado entre os centrais, os laterais subiam (ora um, mais raramente, os dois) e os dois médios da parte superior do triângulo pautavam o ritmo. Agora nota-se claramente a existência de duas linhas, e cabe aos dois jogadores mais recuados do triângulo pautar o ritmo, permitindo sempre a 3 ou 4 jogadores estarem perto da área sem a bola, à espera de que a combinação entre os restantes jogadores a faça chegar até eles o mais rápido possível.

Nesta imagem pode ver-se qual é o desenho táctico standard em campo:


Um dos médios sai com a bola permitindo aos defesas abrirem-se para cada lado oferecendo linhas de passe e possibilitando aos laterais abrir o campo. O segundo médio está perto, numa zona próxima, para servir de apoio imediato. Mais à frente, os dois extremos jogam abertos e o número 10 e o avançado próximos um do outro, para puxar a marcação e abrir espaços nas costas e, em caso de recepção de bola, poderem combinar entre si de imediato.

Com esta ideia, o Paulo Fonseca quer claramente uma equipa mais vertical, mais dinâmica e trabalhada fisicamente e mais opções para o remate, com a presença constante de um segundo elemento perto da baliza.

Nesta outra imagem, num movimento ofensivo, podemos ver como o Lucho aparece quase como um 2º avançado (na sombra do médio defensivo do Vitória, ele está lá!), na mesma linha que os dois extremos (bem abertos), com o Jackson a prender um dos centrais. Essa situação garante quase uma igualdade numérica em movimentos ofensivos (4 para 5, em vez do 3-5 habitual do ano passado). Vemos os dois centrais a fechar a linha, uma vez mais os laterais abertos, neutralizando os extremos e os dois médios centro com a função de criar desde o primeiro instante.


Pode ser este um sistema mais defensivo do que o 4-3-3, como se tem sugerido?

Depende sobretudo do rival.
Em teoria, uma equipa que utilize um jogador como "número" 10 ou dois avançados, é uma equipa mais ofensiva por natureza. O problema está onde se movem. O 4-3-3 permitia a aproximação regular de dois jogadores do meio-campo à entrada da área, a que se juntavam os três da frente e, eventualmente, os laterais. Este modelo, na teoria, coloca um homem extra no ataque, o tal 10, e portanto, mais poder de fogo. Mas ao não ter um dos dois médios mais recuados com um papel fixo, como tampão, corre o risco de haver uma atrapalhação na movimentação do miolo e a equipa ficar mais frágil no momento da perda de bola. O 4-2-3-1 pode não ser mais defensivo que o 4-3-3, mas é um sistema bastante mais frágil.

O FC Porto vai jogar, para a Liga, com equipas que vão estacionar o autocarro e aproveitar falhas para lançamentos rápidos de contra-ataque. Foi assim que se perderam muitos pontos no ano passado. Lançamentos rápidos da defesa, diagonais no meio-campo, aproveitando processos defensivos desorganizados por uma rápida perda de bola. O 4-3-3 garantia, na teoria, que a presença de um médio mais defensivo na ajuda aos centrais, podia tapar essas iniciativas de contra-ataque com mais facilidade, o que leve a uma maior contenção da dupla e menos ajuda no movimento atacante.

O 4-2-3-1 é um modelo que sofre muito mais nessa circunstância.
Aliás, o Paulo Fonseca deve saber, grande parte dos golos sofridos por equipas como Dortmund e Real Madrid (que no ano passado usaram esse sistema) surgiram de situações assim, diagonais entre os dois médios centros, perdidos em campo, aproveitando os espaços disponíveis entre linhas para ganhar segundos preciosos, suficientes para armar o remate que a presença de uma sombra na zona evitaria (o que faz Busquets em Barcelona, por exemplo).

Nos jogos da pré-época, e na Supertaça, já se verificaram essas situações.
Um médio rival (ou defesa) tem a bola, lança um passe a rasgar entre-linhas, os dois médios estão em linha (ou muito próximos disso), ligeiramente afastados da defesa e é nesse espaço que surge o rival. Isso vai suceder regularmente durante o ano. Contra equipas mais exigentes, que vão ter a bola tanto ou mais tempo que nós (jogos de Champions, sobretudo), essa situação vai ser ainda mais habitual porque esse espaço livre é uma mina de ouro para explorar. Não há um jogador que varra o lance.

Nesta imagem estamos perante essa situação. 
Uma perda de bola do ataque, contra-golpe do rival. O número 10 é o último, o que não corre e o avançado e os extremos estão todos muito próximos. Um dos laterais (Fucile), está pendente do extremo e longe da linha defensiva. Os restantes elementos da defesa estão em linha. Mas os dois médios estão expectantes, na mesma zona. Neste momento o Defour não está a marcar ninguém, é um jogador passivo na acção. O Fernando cumpre o seu papel (o que faz melhor) e aproxima-se do homem com a bola, que pode colocar um passe em diagonal para o avançado nas costas do meio-campo. 


Não deixa de ser uma movimentação de jogadores que pode ser trabalhada durante o ano. Mas é um risco.
Não há sistemas perfeitos, o 4-3-3 desde já não o era. Mas defensivamente era muito mais seguro do que este modelo. Claro que o trabalho dos jogadores será fundamental para que este ou qualquer outro modelo funcione. E de aí vamos ao segundo ponto da análise.

Faz o 4-2-3-1 mais sentido que o 4-3-3 com este plantel e estes jogadores?
(continua)

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Mais vale cair em graça do que ser engraçado

Desconheço a razão porque o Fucile foi afastado no início de 2012, com a época a decorrer - e ainda bem, porque isso é algo que não deva ser público. Sei que terá sido algo de grave, porque no Porto as questões disciplinares não são tratadas com leviandade. Também desconheço porque motivo, o Fucile, presenteado com esta nova oportunidade de voltar a integrar o plantel, e podendo simplesmente "colocar uma pedra" sobre a sua saída, aproveitou o destaque para responsabilizar o Vítor Pereira - além de não ser grande jogador, tais
declarações também não abonam muito a seu favor como homem, ao tentar "marcar pontos" junto dos adeptos à custa de um treinador mal-amado; nem o Vítor Pereira está cá para se defender, nem o Fucile tem o direito de fazer dos adeptos idiotas, procurando fazê-los crer que um jogador é colocado à parte pelo treinador (e logo o Vítor Pereira) por puro capricho.

Também desconheço a real valia do Iturbe, esse pária imberbe que fala demais, e que amua por não jogar. Desconheço se algum dia concretizará o potencial que lhe atribuiram, mas é muito novo (e nem todos os jovens jogadores lidam com os desafios que lhes são apresentados, da mesma forma como, por exemplo, o Cristiano Ronaldo) e ainda vai a tempo de o conseguir.

Por fim, desconheço também o porquê de estes dois jogadores, despertarem sentimentos tão díspares nos adeptos. Ao Fucile, por maior trampa que faça, tudo lhe é perdoado - é "raçudo", está desculpado; ainda hoje a eliminatória perdida contra o Schalke 04, é mais facilmente lembrada pelo penalty que o Lisandro falhou, do que pela expulsão estúpida do uruguaio. Já o Iturbe, um miúdo de 20 anos que, até prova em contrário, só quer que o deixem jogar, e que quando isso não acontece, fala demais (e aqui nem sequer se sabe até que ponto o faz por influência externa), é visto como um indesejável que deve ser descartado o quanto antes, pese embora ter sido contratado por um valor considerável - daqui aos assobios, é um pequeno passo; não estará aqui uma das razões porque "o treinador aposta pouco nos jovens" (seja lá o que isso for)? É compreensível alguma frustação com o ex-futuro Messi, mas acima de tudo é preciso coerência: se o Fucile tem direito à 648ª oportunidade, porque não pode o Iturbe ter direito a uma 2ª?

domingo, 30 de junho de 2013

As promessas mexicanas

Comecemos com um disclaimer: Sou um grande admirador do Diego Reyes e do Hector Herrera. Já os vejo jogar há vários anos, tanto na liga mexicana como nas selecções de formação aztecas e a qualidade futebolística está lá. O artigo não é sobre isso.

A operação Jackson Martinez saiu bem. Muito bem.
A SAD avançou para um jogador referenciado pelo Vitor Pereira - segundo o AVB na sua célebre entrevista ao Jogo - que actuava num modesto clube da liga mexicana e era um dos suplentes de Falcao na selecção da Colombia. Custou dinheiro mas rentabilizou cada cêntimo, sem necessidade de adaptações ao ritmo europeu nem de problemas de entrosamento com os colegas. Sobreviver à sombra de um grande é dificil, e Falcao era um avançado imenso. Mas Jackson foi ainda mais eficaz de dragão ao peito. E o seu negócio permitiu ao clube olhar para o mercado mexicano com outros olhos.

Mas o México, o maior país da América Latina, sempre foi um enigma para o futebol europeu.
E há razões de peso para isso. Razões para explicar porque é que em toda a sua história só um jogador, verdadeiramente, se tornou em estrela internacional no futebol europeu depois de ter dado os primeiros passos no gigante latino: Hugo Sanchez.
Antes de Sanchez foram muito poucos os jogadores mexicanos que atravessaram o "charco" para a Europa e nenhum deles com sucesso. Depois do célebre goleador das cambalhotas, os clubes europeus sentiram vontade de conhecer melhor o mercado mexicano. Vários jogadores foram contratados, nenhum triunfou. No virar do século, o despertar desportivo do futebol azteca trouxe consigo uma nova geração de talentos mas só o central/médio defensivo Rafael Marquez conseguiu o reconhecimento que muitos auguravam a vários colegas de equipa. Os problemas continuavam a ser sempre os mesmos.

Desde há seis anos para cá, verificou-se um verdadeiro boom de talento mexicano.
A selecção azteca de sub-17, sub-19 e sub-20 está entre as melhores do mundo nas suas respectivas categorias etárias. Desde o aparecimento de Giovanni dos Santos, Carlos Vela e Javier "Chicharito" Hernandez, o jogador mexicano voltou a estar de moda. Eles abriram a torneira e vários talentos promissores seguiram o caminho. Hoje é fácil dizer de memória um onze de promessas mexicanas e sobrar suplentes. Ochoa, Mier, Reyes, Espericueta, Enriquez, Barrera, Peralta, Torres, Zavala, Dávila, Fabian, Herrera, Fiero todos eles foram protagonistas dos mais recentes sucessos, desde a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos (ganha à Brasil de Neymar) ao Mundial de sub-17 conquistado em 2011 a que se seguiu um terceiro lugar no Mundial sub-20 no mesmo ano, parece evidente que o México é uma potência a ter em conta. Mas porque é que os grandes clubes europeus não vão mais vezes ao mercado mexicano? E porque é que os talentos como Vela ou Gio dos Santos têm tanta dificuldade em impôr-se na Europa?


É um problema cultural, sobretudo.
O México é um país com uma cultura familiar extremamente forte, fechada. É um país importador, dentro do gigante mundo que é a América Latina, um país com uma fortuna relativamente superior à de muitos dos seus vizinhos. Há pobreza, muita, sobretudo na fronteira com os Estados Unidos por onde passam milhões de emigrantes clandestinos, mas também zonas de luxo como em poucos países da sua dimensão nesse quadro geográfico. A liga mexicana foi criada ao estilo NBA. Os presidentes são donos dos clubes e podem ter mais do que um clube sob o seu comando. A luta entre os gigantes das telecomunicações comanda o controlo da federação e da liga e isso acaba por reflectir-se também na forma como esses gigantes gerem os seus próprios clubes e aqueles que ajudam através de patrocínios. Sem o dinheiro desses milionários a liga não existiria como tal e é esse dinheiro que permite quase sempre segurar os melhores jogadores. São pagos a peso de ouro, em comparação com os argentinos e brasileiros, e educados desde cedo a preferir passar toda a sua carreira em casa do que a viajar para a Europa. A falta de um referente de sucesso pós-Hugo Sanchez é uma forma subtil de evitar o salto. Principalmente porque, uma vez lá, os jogadores encontram-se com sérios problemas de adaptação.

Meninos mimados no seu mundo, a exigência e disciplina do futebol europeu é para eles um desafio.
O talento de Vela e Gio dos Santos não lhes foi suficiente. O extremo do Arsenal não se conseguiu adaptar à exigência inglesa e só depois de várias épocas emprestado se encontrou consigo mesmo na Real Sociedad. A experiência mudou-o tanto que renunciou jogar na selecção por saber agora que o estilo de vida entre os aztecas é irreconciliável com o de um desportista de elite. Nas últimas competições em que participaram (Copa America, Golden Cup e Taça das Confederações), vários jogadores mexicanos foram apanhados pela imprensa e pelos dirigentes da federação em longas noites de festa, com álcool e prostituição à mistura. No futebol mexicano essa realidade é constante mas quando chegam à Europa cria-se um abismo com o ritmo de vida que lhes custa muito a adaptar-se. Gio dos Santos, que cresceu no Barcelona ao lado de Messi, desapareceu do radar durante anos até que fez uma boa segunda volta no Mallorca: sete anos depois da sua estreia como profissional. Ele e o seu irmão, Jonathan, foram alguns dos jogadores suspensos temporariamente pela federação nos últimos anos pelo comportamento pouco profissional. Mas estão longe de ser os únicos. Na última Copa América a federação mandou uma equipa sub-23 para castigar os seniores, apanhados com droga e álcool no sangue num controlo anti-doping realizado na véspera da Golden Cup. Não tiveram sorte, os mais pequenos imitaram-lhes o comportamento semanas depois. Entre a polémica dos jogadores espanhóis no Brasil passou de fininho uma história similar com os mexicanos. Comportamentos habituais a quem vive num espaço fechado e que não são admissíveis na Europa. Por isso muitos clubes preferem futebolistas de outras nacionalidades, dentro do espectro latino, mas com um comportamento fora do campo menos preocupante como os colombianos, equatorianos e chilenos, para lá dos inevitáveis argentinos e brasileiros. Por isso não vimos um jogador mexicano superar as agruras da adaptação ao jogo europeu com um sucesso imediato nos últimos 30 anos.



O FC Porto já teve desagradáveis experiências com aquilo que José Maria Pedroto baptizou como "as escolas de samba". Creio que os administradores da SAD são conscientes desta realidade. E a Reyes e Herrera, apesar de terem estado envolvidos em algumas dessas concentrações, nunca ninguém nomeou directamente como tendo sido parte dessas festas fora de horas. É no entanto importante ter a consciência de que se contratam jogadores com um imenso potencial, de um país emergente no futebol internacional, mas que vêm de uma cultura desportiva radicalmente diferente. Não significa que não se adaptem, que não triunfem e não sejam eles, com o exemplar Javier Hernandez, os jogadores que vão demonstrar que o futebolista mexicano está preparado para outro nível competitivo. Mas além da adaptação táctica e ao ritmo de jogo, terá forçosamente de existir um certo cuidado na sua adaptação ao estilo de vida no Porto. O passado recente dos jogadores catalogados como a próxima grande "promessa mexicana" isso exige.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Atacar os problemas



A troca de Vítor Pereira por Paulo Fonseca só faz sentido se se traduzir numa melhoria de resultados.
Ora, estando a fasquia num patamar elevado, ao novo treinador será cobrado nova conquista do campeonato nacional e, por coerência, a chegada a uns quartos-de-final da Champions. De outra forma, não faria grande sentido esta alteração de comando técnico.
Podemos eventualmente discutir se o V.Pereira de 2013/14 faria pelo menos igual ao V.Pereira de 2012/13 (o qual esta longe de ser uma certeza) mas o facto é que esta substituição é mesmo de alto risco tendo em conta que, com apenas um terceiro lugar para mostrar, entramos mais no campo da fé do que propriamente da razão para comparar os dois treinadores.
Significa isto que se tratou de uma má escolha? Porventura não, se tivermos em conta que o sexto sentido de Pinto da Costa acerta mais vezes que o dos outros.
Porém, para o comum dos mortais, esta troca até se poderia justificar mas, para que isso acontecesse, o novo chefe deveria ser alguém num nível claramente acima ao de Vítor Pereira.

Não foi o caso, mas o que está feito já não tem retorno e, por isso, interessa agora olhar em frente e um bom começo para esta nova era será discutirmos os pontos em que temos que melhorar. É bom que haja um consenso mínimo sobre os nossos pontos críticos. O primeiro passo para a cura é localizarmos as partes “doentes”. Não há melhor timing para tal do que esta altura do defeso onde os pontos de vista não correm o risco de serem enviesados pelo resultado do último fim de semana.

As principais críticas ao nosso anterior treinador, centravam-se essencialmente em quatro aspectos:

1 - Futebol pouco atractivo, de muita posse e pouca definição no último terço do campo;
2 – Pouca rotação no “11” base, originando assim fadiga física e mental principalmente na zona do meio-campo;
3 – Aposta intermitente nas jovens promessas;
4 – Ambição limitada em diversos jogos europeus;

Relativamente ao ponto um, espera-se de Paulo Fonseca um futebol menos mastigado e com mais "killer-instinct" do que até aqui. O problema é que, até ao momento, na entrada e saída de jogadores parece que o problema se terá acentuado ao invés de ser corrigido. Continuamos à espera de reais alternativas às saídas de Moutinho e principalmente de James. Por muito valor potencial que possuam, Licá, Ricardo, Rodrigues, Josué, Carlos Eduardo e até mesmo Herrera, não são actualmente garantias do coisa alguma. Porventura, até, o mais certo é tratarem-se de apostas de futuro e não propriamente para a época que agora se inicia. Primeiro terão ainda um tempo de adaptação.
Se pensarmos que até James precisou de um ano até carburar em pleno…
Neste ponto inicial enquadra-se também a velha questão do ponta-de-lança. Urge uma alternativa válida a Jackson Martinez. Não podemos, de forma alguma, atravessar nova temporada a "rezar" para que o jogador não se lesione, ou pior, seja vendido durante as janelas de transferências. Aliás, se o 4-3-3 é para ser mantido, é praticamente obrigatória a existência de dois pontas-de-lança capazes no plantel.

O ponto 2 está ligado ao primeiro no sentido em que, apesar de todos estes novos reforços portugueses, continua a valer a ideia de que ainda falta um centro campista acima de qualquer suspeita, que tanto poderá ser o substituto para Moutinho como para o cada vez mais veterano Lucho. Na realidade, não poderá passar pela cabeça de ninguém que um clube com a ambição do nosso continue a depender de um Lucho que já não dura sequer até Marco/Abril.
Para já, o melhor que se antevê será um trio formado por Fernando-Herrera-Izmaylov.
Parece curto. Para mais, continuando a não haver certezas sobre a real capacidade física do russo.
Se, pelo contrário, o novo treinador apostar num meio-campo de quatro elementos, talvez a coisa possa estar mais equilibrada. Contudo, falta claramente ali um médio ofensivo com uma maior imaginação que as actuais alternativas.

Quanto à aposta nas jovens promessas (ponto 3), o final de época anterior deixou uma expectativa elevada. Do nada, a aposta tardia em Kelvin tornou-o inclusive no herói do titulo, isto apesar da sua "verdura" como extremo.
Trata-se, na realidade, de um dos maiores desafios para Paulo Fonseca: fazer crescer todos estes jovens que tanto prometiam quando chegaram ao Dragão. Para já uma má notícia: perdeu um dos mais importantes (Atsu). Porém, juntando as recentes compras na nossa liga, ao provável regresso de Iturbe, já muito terá com que se entreter.

A alínea final (Europa), parecendo secundaria à primeira vista, irá ser aquilo pelo qual muito provavelmente iremos medir e comparar esta nova "gerência" com as anteriores.
Se Paulo Fonseca, à imagem de Jesualdo e Vítor Pereira, encarar adversários como um Málaga ou um Zenit, com um receio tal que o leve a alterar bruscamente as ideias em que acredita nos restantes jogos, então será apenas "mais um" treinador do FCP. Mais um que não marcará a diferença entre um antes e um depois.
Não chega vencer campeonatos: há que deixar uma marca, um legado. Ou seja, há que entregar o clube num melhor estado do que aquele em que se encontrava quando chegou.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O adeus que o Vitor merecia

Imagino Antero, Vitor Pereira e Pinto da Costa num cenário do PortoCanal. Não há grandes sorrisos mas também não se vêm caras largas. Falam tranquilamente, entram em directo. Depois das perguntas da praxe do jornalista de serviço, Pinto da Costa comunica aos adeptos do clube que, de mútuo acordo, clube e treinador entenderam que o ciclo de três anos tinha chegado ao fim. Que era altura para um novo desafio para ambas as partes. Agradece a VP a dedicação, o ter abdicado de ser treinador principal para ser auxiliar de AVB e, sobretudo, de se ter negado a ir com ele para Londres e ficar a dirigir a nau, com sucesso desportivo inquestionável. Vitor Pereira agradece a confiança da estrutura, o apoio da directiva em todos os momentos. Há um olhar cúmplice, de sensação de dever cumprido para ambas as partes. Antero finalizando deixando a porta aberta no futuro para um treinador que tem tantos títulos como António Oliveira, Bobby Robson, Carlos Alberto Silva, José Mourinho e José Maria Pedroto. Títulos da estrutura, títulos do treinador, títulos de uma parceria que chegou ao fim.

Naturalmente, que isto é só fruto da minha imaginação.
A realidade é sempre mais crua que a fantasia. No mundo real não há espaço para a honestidade intelectual, para o cavalheirismo e para o reconhecimento do mérito. Salvo casos muito excepcionais, tudo é feito com frieza e distanciamento. E é pena que assim seja.
Porque o FC Porto é um clube grande no plano desportivo mas sempre o foi no plano humano. E a este adeus de Vitor Pereira faltou isso mesmo. Humanidade. Não se trata de que o técnico mereça ficar ou não - esse debate acabou, agora é remar em frente com o Paulo Fonseca - mas sim da forma como o clube decidiu dar por terminada uma relação profissional que se pode considerar, a muitos títulos, bem sucedida.
Vitor Pereira é portista. Sentido, do coração, de pequenino. Não precisou do discurso retórico da cadeira de sonho, não precisou de pôr-se de joelhos na Luz para reclamar um "roubo de igreja" ou de inventar que era um ser especial. Vitor Pereira foi ele mesmo, com os seus defeitos e virtudes (que tem muitas, como todos, em ambos campos). No final, mereceu apenas um comentário despectivo do homem que o foi buscar ao Santa Clara, que o manteve no posto quando a coisa esteve tremida em Dezembro de 2011, e que celebrou com ele dois títulos com os quais talvez a estrutura não tivesse a contar. Disse Pinto da Costa que o FCP tem um novo treinador porque o anterior quis ir para as Arábias, deixando entender que se tinha vendido. Não é assim.



Desde Março, quando o agente do VP e  o próprio souberam que o clube não tinha intenções de renovar, que o seu destino estava traçado. Sondaram-se treinadores internacionais e escolheu-se um técnico de perfil baixo, português e ambicioso. Pelo caminho, a vitória surpreendente no minuto Kelvin chegou a fazer alguns elementos do clube ponderar um voltar atrás. Montou-se um circo pouco habitual num clube tão profissional como este, exemplar na gestão da sucessão dos seus treinadores como nenhum outro. Alguém pensou em persuadir o treinador a ficar, para agradar a parte da galeria. Acabou por pesar a vontade de mudar para algo mais atractivo e o próprio despeito de um profissional que se sentiu desprezado quando as coisas não iam tão bem. Tudo isso é legitimo e futebol. O FCP tem todo o direito a não renovar com quem quer que seja e o VP tem todo o direito em não querer renovar e ir fazer o contrato da sua vida nas Arábias. Mas isso implica que não tenha direito a uma despedida à altura?
Quando AVB saiu, muitos - eu não, nunca eu - começaram a transformar o amor que lhe tinham por ódio e passou a ser o Libras-Boas. Mas nunca se viu do clube essa frieza e distanciamento com um treinador que, meses depois, veio recolher o Dragão de Ouro. Está claro que aqui há filhos e enteados. VP ficou, sofreu na pele o desgaste de um balneário destroçado pelas ambições de jogadores e empresários, e corrigiu o rumo. AVB foi-se embora. E no entanto, parece que ao primeiro há que dizer adeus e até logo e ao segundo, vê lá se voltas depressa. Curioso.

Esse pequeno gesto tinha dignificado, sobretudo, o clube.
Não é a primeira vez que PdC não renova com um campeão, homem da casa. Passou com Oliveira e não se perdeu o título seguinte. Um bom exemplo para deixar claro que os homens passam e a estrutura fica, o nosso sinal de sucesso. Não havia essa pergunta a contornar, pura e simplesmente porque isto é futebol. Mas da mesma forma que se utilizou, e bem, o Porto Canal para apresentar o novo mister, teria tido um orgulho imenso nos meus dirigentes se tivessem feito exactamente o mesmo, dias antes, para despedir o homem do bicampeonato que todos pensavam que seria de outra cor. Noutros clubes, noutras ligas, noutras sociedades, homenagens destas existem. É só preciso trazer um pouco mais de humanidade a um desporto-paixão cada vez mais tratado por quem o dirige com a frieza e cinismo de quem gere uma multinacional. O Vitor merecia ter tido outro adeus, os adeptos do FC Porto (principalmente os que lhe estão gratos, que são muitos, independentemente de que queiram que siga ou não) também. Só faltou que as pedras do Dragão tivessem tido um pouco mais de sentimento.

domingo, 12 de maio de 2013

Era com isto que sonhávamos...


...não era?

Quando em pequenos todos sonhamos ser jogador de futebol, imaginamo-nos precisamente num momento como este: estamos no último minuto de um jogo decisivo, na nossa casa, contra o nosso maior rival. Estádio completamente cheio e já muito pouco tempo para se jogar. Jogo empatado e a bola vem na nossa direcção. Com todo a nossa alma de portistas, rematamos à baliza do nosso adversário.
Golo!
Jogo e título no papo. Correria para os braços dos nossos companheiros e bancadas loucas a festejar.

Hoje, um rapaz brasileiro de 19 anos, cumpriu este nosso velho sonho.

E tantas ironias teve esta partida.
À moda do nosso rival, vencemos partindo de uma desvantagem no marcador.
Também a ironia do nosso golo do empate ter sido um auto-golo do adversário mais contestado pelos portistas. A ironia de, nesse mesmo golo, o cruzamento ter sido de Varela, também ele muitas vezes por nós contestado, embora por melhores razões. A ironia do golo da vitória ter sido de autoria de um jogador que esteve mais activo na equipa B do que propriamente na principal. A ironia de ter sido marcado por um "brinca-na-areia" que muitos criticam. A ironia do passe ter sido de Liedson, o tal que muitos não compreenderam a razão da sua vinda para o Dragão.

Tudo isto para concluir que nem vale a pena entrar pelos habituais caminhos do "eu não dizia?".
Ao longo desta difícil temporada, muita gente teve razão num ou outro aspecto mas ninguém teve sempre a razão toda. No fundo, a bola a rolar é sempre quem mais ordena.
Até o habitualmente "cauteloso" Vítor Pereira, desta vez, e ao contrário da final de Supertaça, arriscou jogar com apenas 3 defesas no "tudo-por-tudo" e deu-se bem.
A vida é assim mesmo: uma constante aprendizagem para todos. Não é, Jesus?

A altura é, sim, de unir forças para, no próximo fim-de-semana, fazermos jus à dança do nosso presidente no camarote e às lágrimas do nosso treinador no relvado.

Para a história, e caso ganhemos mesmo este campeonato, ficará obviamente a imagem de Jorge Jesus a cair de joelhos, após o golo que incendiou o estádio do Dragão.
Porém, para nós portistas, existe uma outra que nos toca bem fundo: o visível sofrimento de Castro que, manifestamente impotente, via o título a fugir para outro clube.
Ele, naquele banco, tal como qualquer um de nós na bancada...

domingo, 14 de abril de 2013

É ao contrário, pá!



Mais do que provavelmente, já será demasiado tarde no que ao FCP diz respeito mas, Vítor, fica aqui, e pela enésima vez, uma sugestão para quando estiveres num novo clube:
Faz ao contrário daquilo que sempre teimas em fazer: primeiro tenta resolver a partida, colocando em campo os melhores jogadores, e, só depois, tenta controlá-la, já numa posição de vantagem no marcador, com Defours e outra tralha do género.

Vejamos: o que estava a correr mal no FCP-Braga, de há apenas 5 dias atrás, antes da nossa virada de marcador? Não seria precisamente um "11" que, incluindo elementos como Defour e um (inenarravelmente lento) Lucho, não garantia mais nada a não ser uma posse de bola inconsequente?
Ora, tendo tido estes dias todos para reflectir, qual foi a ideia que a nossa equipa técnica trouxe para o jogo de ontem em Coimbra? Precisamente mais do mesmo.

A ideia base teima em ser a mesma há já longos meses: muita posse de bola e, talvez com isso, um golo caia do céu mesmo sem fazermos muito para tal.
Convém recordar, que este tipo de táctica precisa de um tal de Messi para que resulte com frequência...
Ora, o que se tem visto na prática, é um número confrangedor de oportunidades reais de golo e, pelo contrário, o adversário a continuar a chegar à nossa área com bastante perigo e por diversas vezes.
Ter a bola durante muito tempo nem sequer isso tem evitado.
Ontem, tal como na segunda-feira passada, o Braga marcou primeiro porque, na realidade, criava o mesmo número de remates que o FCP.
Enquanto se confundir "posse" com "domínio" da partida, o resultado será muitas vezes parecido com o de ontem, especialmente contra adversários com alguma "cultura".

Na segunda metade, com dez homens em campo, a ironia foi que o rumo da partida nem se alterou assim tanto.
Dir-se-ia, com algum humor, que o FCP não sentiu em demasia a expulsão, pois que, mesmo quando Lucho está em campo, praticamente já jogamos com menos um.

Perto do final, quando se pensava que, por uma vez na vida, iríamos finalmente arriscar o tudo-por-tudo (quanto mais não seja, porque se tratava de uma Taça da Liga, com pouco prestígio a ganhar e algum a perder...), eis que o melhor que saiu da cabeça de Vítor Pereira foi trocar James por Atsu.
Sabendo que, daqueles que restavam em campo, apenas este e Jackson, dominam minimamente a arte de rematar a uma baliza...

Mexer na sacrossanta defesa com 4 elementos? Nunca na vida!
Já imaginaram o prestígio que se perderia se, em vez de termos perdido por um, tívéssemos perdido por dois?
Credo!, não valia o risco.

domingo, 17 de março de 2013

Dois penalties decisivos


“Jackson é o homem dos penalties”, afirmou categoricamente Vítor Pereira depois de um penalty falhado pelo colombiano contra o Olhanense, num lance que poderia ter dado o 2-1 ao FC Porto e que acabou empatado, no dia 10 de Fevereiro, no Dragão.

Pois bem, Jackson voltou hoje a falhar um penalty que poderia ter resultado no 2-1 para o FC Porto nos Barreiros. Tanta teimosia do treinador é tudo menos inteligente. Parece que ainda não percebeu que o colombiano não é o melhor marcador de penalties no plantel. Pelo meio ainda quis bater uma penalidade à Panenka contra o Rio Ave no Dragão e o guarda-redes adversário agradeceu (foi um lance ridículo).

Dois lances em jogos que acabaram por resultar em dois empates e que podem ter custado o título de campeão 2012/2013.

domingo, 3 de março de 2013

Mudar de "chip"


Nem todos os jogos se podem vencer usando a táctica habitual, mesmo quando esta tem vindo a resultar.

Os últimos 5 anos provam que, independentemente de faltar este ou aquele jogador, da pior ou melhor forma conjuntural (quer a nossa, quer a do adversário), o FCP está a utilizar a fórmula errada em Alvalade.

Todos estes últimos resultados negativos tiveram até histórias semelhantes: aparente domínio das nossas cores mas, sejamos honestos, muito poucas claras oportunidades de golo. Aliás, tal como sucedeu no jogo de ontem, a nossa ansiedade acaba até por oferecer boas oportunidades ao scp de vencer estes clássicos. Neste de 2013, valeu-nos Hélton para evitar males maiores.

Mas, afinal, a falta de Moutinho foi ou não decisiva? Seria fácil e tentador responder afirmativamente. Porém, na época passada, com ele em campo, as coisas, até não foram assim muito diferentes.

Por paradoxal que possa parecer, terá sido mais sentida a falta de Mangala. E porquê, se até não sofremos golos? Pela dinâmica que o francês oferece. E falo de dinâmica ofensiva.

É verdade que Maicon, mesmo em baixo de forma, ainda assim consegue anular a maioria dos lances de ataque adversário. Porém, Mangala fá-lo de forma muito mais rápida, matando logo na origem os avanços contrários. Com isto, o FCP recupera de imediato a posse de bola, asfixiando o adversário em sucessivas vagas ofensivas. Assim se explicando as nossas mais recentes estatísticas neste domínio (70%, por vezes).
Pelo contrário, Maicon vai atrás do adversário, levando demasiado tempo a recuperar e, por vezes, cedendo até cantos e lançamentos desnecessários. Com isto, o FCP desgasta-se mais, fica mais tempo sem a bola e, pior, permite ao adversário ir ganhando confiança e aproximar-se mais da nossa baliza.

Regressando ao início, afinal por que não resulta, no estádio do scp, a nossa usualmente bem sucedida abordagem?

Sim, Defour não é Moutinho. Sim, Lucho cada vez se eclipsa mais e anda completamente sem imaginação enquanto ainda tem pernas. Sim, Danilo tarda a fazer uma grande exibição. Sim, Varela deveria ser imediatamente substituído mal nos apercebemos que está num daqueles seus tristes dias. E, sim, James está a léguas do James pré-lesão. Todavia, nem tudo isto explica plenamente a razão do nosso insucesso.
Aliás, ainda há escassas semanas, todos pasmávamos com a qualidade do nosso futebol perante tantas adversidades (lesões e não só). Chegou até a parecer que ninguém fazia realmente falta. Quem ia entrando a substituir um colega não operacional, cumpria quase sempre.

Contudo, tudo muda (e muito rápido) no futebol.

E não só por cá. Basta ver que o Barcelona passou, em dois tempos, de “melhor equipa de sempre” a um adversário a que até dá para vencer enquanto se vai poupando alguns elementos para futuros compromissos.

Neste desporto, é obrigatório inovar permanentemente.

Em Alvalade, os lances em que o FCP parecia criar mais perigo, eram aqueles mais “feios” (que equipas grandes como a nossa tentam, por mero complexo, evitar): bolas lançadas para a área desde o meio-campo.
A valia técnica de Jackson no um-para-um, aliada à pouca experiência dos “centrais” leoninos, poderia ter feito mais mossa que as nossas habituais tentativas de ir trocando bolas até se chegar à linha de fundo. Ainda para mais após a entrada de Liedson. Outro jogador virtuoso a quem deveriam ter sido dados mais minutos. Afinal para que veio ele se não para resolver jogos como o de ontem?

Com estes dois predadores em campo, simultaneamente, muitas mais bolas deveriam ter chegado à grande área contrária.
Não faz sentido colocar em campo tamanho poder de fogo e depois não mudar uma virgula na forma de jogar.

Jogos como os de Alvalade cheiram tanto a empate e são sempre tão repetitivos que clamam por uma nova abordagem.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Cha Cha Cha faz abanar, mas não deixa cair



De vilão a herói, eis a melhor forma para resumir a noite de Jackson Martinez. Depois de um momento de estupidificação ímpar ao “oferecer” a bola a Oblak na conversão da primeira grande penalidade do encontro, o colombiano redime-se arquitectando a reviravolta no resultado. O gelo da fria noite e do frio jogo do Rio Ave ameaçou apoderar-se do dragão. A densidade à retaguarda voltou novamente a ser o maior inimigo do conjunto portista que por vezes tarda em conseguir a impor um ritmo elevado ao seu jogo.

Na verdade, apesar de a equipa vila-condense seguir a mesma receita ultra defensiva que as suas congéneres nacionais que defrontaram recentemente a nossa equipa, esta foi cometendo erros próximo e até no interior da sua área de rigor. O FC Porto não soube tirar partido desses momentos, perturbando-se a si próprio. A zona de pressão tão bem trabalhada na partida da Liga dos Campeões perdeu-se e os homens de Nuno Espírito Santo soltaram-se em contra-ataques venenosos.

Num desses despiques, Braga aproveitou bem as costas de Maicon, tirou a bola do alcance de Helton com classe, fazendo estalar o verniz entre os sócios azuis e brancos. O regresso à titularidade do nosso central brasileiro esteve longe de ser feliz e provou que actualmente não supera o andamento de Mangala. A defesa ressentiu-se da ausência do acutilante francês. Quiñones teve uma prestação em crescendo, mas precisa de mais minutos para saber ler os seus companheiros e, porque não, melhorar os seus cruzamentos.

Meio abananada com o que lhe acontecia, a equipa de Vítor Pereira via-se em tremendas dificuldades para gizar ocasiões para finalizar. Apenas por uma vez Izmailov fez a bola rondar as redes do adversário, além das penalidades. A segunda das quais dando o empate à nossa equipa e um pedido de perdão de Cha Cha Cha Martinez aos seus fãs. A lei do castigo máximo haveria sempre de tropeçar nos excessos da defesa do Rio Ave e Artur Soares Dias não vacilou, o que é de registo. Apesar de pessoalmente ter algumas reservas a este tipo de penalidades que na actualidade fazem escola e outrora não eram assinaladas.

Mas não foram estas questíunculas de alecrim e manjerona que farão as delícias dos paineleiros televisivos a ser o factor decisivo no encontro. O “grito” do balneário sortiu os seus efeitos e o FC Porto finalmente impôs velocidade na circulação de bola no recomeço da partida. Agora o jogo era mais vivo e incisivo por parte do dragão. O Rio Ave recolhia-se cada vez mais ao seu reduto, asfixiando-se em si mesmo, onde só Oblak dava mostras de vida.

A entrada de Defour, alargando pela direita ainda mais a banda portista desconstruiu o adversário. Mas seria dos pé do discreto James Rodriguez que sairia o cruzamento para Jackson Martinez mostrar ao país aquilo que melhor sabe fazer; Dominar, ajeitar e matar. A redenção era completa e povo finalmente respirava de alívio. O sofrimento vem onde menos se conta. Mas a entrega à luta, essa, já é mais previsível. Os elogios a meio da semana fizeram lãs aos pezinhos dos jogadores azuis e brancos. Mas para se ganhar títulos tem de se mostrar fibra todos os dias!