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quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O crime de ser portista

Há duas semanas atrás, no dia 10 de Setembro, soube-se que Júlio Magalhães tinha aceite o convite da administração para ser o novo Director de Informação da TVI. De acordo com o insuspeito ‘Correio da Manhã’, “a administração de Bernardo Bairrão aconselhou-se com vários jornalistas da TVI e o nome de Júlio Magalhães foi o que reuniu mais consenso para o cargo de director de Informação”. Além disso, e conforme o próprio Juca referiu, recebeu o apoio de Manuela Moura Guedes e do ex-homem forte da TVI – José Eduardo Moniz – que fez questão de o felicitar.

Júlio Magalhães começou a sua carreira de jornalista aos 16 anos, na secção desportiva do 'Comércio do Porto' tendo, posteriormente, trabalhado nos semanários 'Europeu' e 'Liberal' e sido um dos fundadores da Rádio Nova. Em 1990 entrou para a RTP e pouco tempo depois já era uma das caras mais conhecidas da RTP Porto, de onde saiu para a TVI, em 1999, a convite de José Eduardo Moniz.

Com 46 anos de idade e 25 de carreira jornalística, Júlio Magalhães era actualmente editor, pivô dos telejornais de fim-de-semana e responsável da delegação da TVI no Porto. Aliás, segundo foi relatado por alguns jornais, o facto de trabalhar no Porto contribuiu para o afastar das guerras que dividiam a redacção da TVI e torná-lo menos permeável aos problemas internos.

Após ter garantido que não ia haver grandes alterações, Júlio Magalhães optou apenas por jornalistas da casa para formar a nova direcção de Informação da TVI. Assim, escolheu Mário Moura, da direcção demissionária, para director-adjunto de informação, e para os cargos de subdirectores de informação as escolhas recaíram em Luís Sobral (director do sítio maisfutebol e editor de desporto da TVI) e no pivô José Carlos Castro.

Olhando para a enorme experiência que Júlio Magalhães possui no desempenho de diferentes funções, para os apoios que recebeu dos jornalistas da TVI e para as escolhas que fez na formação da sua equipa, tudo levava a crer que a escolha do ex-responsável da TVI no Porto fosse relativamente pacifica, certo?
Errado. Júlio Magalhães tem duas características que o tornam inaceitável para talibãs anti-Porto e para alguns gurus do centralismo lisboeta: recusa imitar Rui Veloso e emigrar definitivamente para a capital e, pior ainda, assume o seu portismo de forma descomplexada.



Um dos primeiros indivíduos a manifestar o seu incómodo por Júlio Magalhães ter aceite o convite para director de Informação da TVI foi Paulo Guinote que, no seu blogue, escreveu:

Não é que seja ilegítimo mudar de opinião, mas ele [Júlio Magalhães] já é crescidinho, sabia que mesmo estando no Porto há telefones e até telemóveis. E há autoestradas e até comboios daqueles que pendulam para vir a Lisboa.”

A petulância e tom de desdém usados para se referir ao parolo do Porto são sintomáticos e, no caso concreto de Guinote, mostram até onde pode chegar a arrogância de alguém que passou do anonimato ao estrelato, apenas por ter sabido tirar proveito e cavalgar a luta dos professores nos últimos quatro anos. Sim, porque é à custa dos milhares de professores que visitam diariamente o seu blogue, que Paulo Guinote se transformou numa “estrela mediática”, e é também às cavalitas dos professores que ganhou o estatuto de comentador do PUBLICO e se tornou “escritor”.

Mas Guinote não se ficou pela tentativa de achincalhamento a (des)propósito das comunicações e viagens entre Porto e Lisboa. O que parece preocupar mais este professor de História e de Português do 2.º ciclo do ensino básico é a cor clubista de Júlio Magalhães e, por isso, escreveu:

A primeira medida vai ser mudar as cores do estúdio para várias gamas de azul. A segunda colocar um quadro panorâmico com o Pinto da Costa, o Bobby e o Tareco na redacção e a terceira mudar o símbolo da estação para um dragão.”

Custa a acreditar que este nojo tenha sido escrito por um dos gurus da luta dos professores, lançando lama para cima de um jornalista com uma carreira irrepreensível, cujo único “crime” é viver no Porto e ser portista. É impressionante como pode haver tanta azia e tanto ódio ao azul-e-branco, naquele que é o principal blogue sobre... Educação!
Será este tipo de conduta que o senhor professor Guinote ensina aos seus alunos? Fiquei elucidado.


E, já agora, o senhor professor Guinote pode ficar descansado, porque na nova direcção de Informação da TVI o SLB continua a estar em maioria. Só foi pena que o professor Guinote não se tenha lembrado das cores dos estúdios da TVI durante os muitos anos em que José Eduardo Moniz era frequentador habitual dos camarotes da Luz ou, pelo menos, quando recentemente o mesmo Moniz se pré-candidatou à presidência do SLB. Deve ser um daqueles lapsos de História...

Foto: Revista VIP