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sexta-feira, 27 de maio de 2016

Para quem foram os bilhetes?

«Ontem foram postos à venda os bilhetes para o quarto jogo [da final do playoff da Liga de Basquetebol], marcado para depois de amanhã [sábado, dia 28 de Maio], também às 21h00, e esgotaram logo a seguir. Nos dois jogos vai estar casa cheia, o que garante um forte apoio à equipa. Este jogo, como o de amanhã, terá transmissão em direto no Porto Canal.»
in Dragões Diário, 26-05-2016


Dragão Caixa

Sem contar com a pequena bancada amovível existente do lado poente e que, em jogos de basquetebol, é destinada a atletas dos diversos escalões, treinadores, seccionistas, elementos ligados à Associação de Basquetebol do Porto, etc., o Dragão Caixa tem uma lotação de aproximadamente dois mil lugares. Assim sendo, descontando os camarotes (120 lugares) e os lugares anuais vendidos esta época, para cada jogo devem sobrar cerca de 1700 lugares.
Contudo, é sabido que a Direção do Clube reserva (entrega gratuitamente?) uma parte dos bilhetes disponíveis nos jogos das modalidades para uma das claques do FC Porto (não é por acaso que a bancada Sul do Dragão Caixa é conhecida como a bancada dos SuperDragões).

Resta então saber: Quantos bilhetes foram postos à venda nos sete locais habituais – Loja do Associado; FC Porto Stores ArrábidaShopping, Baixa, NorteShopping, El Corte Inglés Gaia-Porto e Off Season; e papelaria Carlin (Shopping Center Cidade do Porto)?

Não sei, mas gostava de saber. O que eu sei é o seguinte: na FC Porto Store do NorteShopping, os bilhetes que, supostamente, foram postos à venda às 14h00 da passada quarta-feira, esgotaram às 14h20.

Quantos bilhetes se conseguem vender em 20 minutos?
Conhecendo o processo de venda de bilhetes para as modalidades (que implica pedir o cartão/número de sócio, verificar a existência de lugares disponíveis para o sector pretendido, imprimir o bilhete, processar o pagamento), eu diria que conseguir executar todo o processo de venda de um bilhete num minuto será muito bom.
Ora, admitindo que em cada um dos locais de venda se conseguiu, em média, vender 1 bilhete por minuto, como os bilhetes para o 4º jogo da final do playoff da Liga de Basquetebol esgotaram em 20 minutos então, no máximo, terão sido postos à venda uns 140 bilhetes (20 minutos x 7 locais de venda).

Apenas 140 bilhetes?
Para onde foram os restantes bilhetes?
Para amigos de elementos da "estrutura"? Para amigos de amigos? Para quem?
Tem a palavra a Direção do FC Porto se, em relação a este assunto, quiser ser transparente, esclarecer os sócios e não dar azo a especulações.


No último FC Porto x SLB disputado no Dragão Caixa (em 16-03-2016), não faltavam... cadeiras vazias

P.S. O basquetebol portista regressou esta época ao escalão principal, mas nem o bom desempenho da equipa azul-e-branca (em linha com as melhores expectativas) evitou que, nos jogos disputados em casa, o Dragão Caixa tenha estado quase sempre semi-vazio. E até nos quatro jogos dos playoff que já disputou em casa (nos dois jogos contra o Vitória Guimarães, para os quartos de final e nos dois clássicos contra a Ovarense, para as meias-finais), sobraram imensas cadeiras vazias e dezenas de bilhetes para adeptos das equipas adversárias (sim, eu estive lá e vi).
Chegados à final e havendo a possibilidade do FC Porto se sagrar campeão, "milagrosamente" o pavilhão esgotou… quase antes dos bilhetes serem postos à venda!
Ontem como hoje, nada como o cheiro a festa para mobilizar milhares de fãs do basquetebol (por onde andaram nos últimos três anos?) e até para transformar adeptos do futebol em adeptos das modalidades…

P.S.2 [atualização, 23:40] Segundo os serviços do FC Porto, para o jogo 3, disputado hoje à noite, o Dragão Caixa estava esgotado desde o passado fim-de-semana.
Esgotado? Eu não percebo como é que num pavilhão esgotado existem dezenas (centenas?) de cadeiras vazias, principalmente nas duas bancadas de topo (conforme foi perfeitamente visível durante a transmissão televisiva).

P.S.3 [atualização, 23:50] No jogo de hoje à noite, uma das cadeiras que esteve vazia foi a do presidente do clube. De facto, à mesma hora que a equipa de basquetebol do FC Porto disputava um jogo fundamental, Pinto da Costa estava em Nogueira da Regedoura, numa festa com elementos de várias casas do FC Porto.

domingo, 10 de abril de 2016

Políticos na Direção do FC Porto

Sessão de esclarecimento aos sócios em 1982

Em 1982, descontente com a situação que o clube atravessava, o Eng.º Armando Pimentel fez parte de uma comissão de sócios, a qual dinamizou várias sessões de esclarecimento e apresentou uma lista concorrente à Direção do Futebol Clube do Porto, lista essa que era encabeçada por Pinto da Costa.

Ora, uma das razões de descontentamento e que mereceu inúmeras críticas da parte do sócio Jorge Nuno Pinto da Costa, era o facto do presidente do clube – Dr. Américo de Sá – ser, simultaneamente, deputado do CDS. Daí que, quer durante as semanas/meses que antecederam as eleições de Abril de 1982, quer já como presidente do clube, Pinto da Costa tenha defendido uma rigorosa separação entre o clube e a política, tendo ficado definido que nenhum membro da Direção do FC Porto poderia ocupar cargos políticos.

Por isso, em 1989, quando foi eleito vereador da Câmara Municipal do Porto, o Eng.º Armando Pimentel, amigo de longa data de Pinto da Costa e, segundo o próprio, o mentor da sua candidatura à presidência, teve de deixar a Direção do FC Porto, onde ocupava uma das vice-presidências.


Mudam-se os tempos, mudam-se os interesses, mudam-se os princípios orientadores e em 2016…

De acordo com os estatutos que foram discutidos e aprovados em Assembleia Geral, e em que eu não interferi em nada, foi decidido que os 14 vice-presidentes passavam a seis (…) introduzi um novo setor, que é o do planeamento dos novos projetos e do qual será responsável o professor Emídio Gomes, presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Norte.
declarações de Pinto da Costa, em entrevista ao Porto Canal, 07-04-2016


É normal as pessoas mudarem de opinião sobre diversos assuntos. O que já não é tão normal é as pessoas fazerem tábua rasa dos princípios éticos que as nortearam no passado e, sem darem qualquer justificação, mudarem radicalmente de posição.

O que terá levado Pinto da Costa a convidar um político no ativo, e que ocupa um importante cargo na administração pública, para uma das vice-presidências do Clube?

Pinto da Costa (FC Porto), Rui Moreira (CM Porto) e Emídio Gomes (CCDRN)
na inauguração das novas instalações da piscina de Campanhã (fonte: Porto.)

P.S. Como é óbvio, o que está em causa neste artigo não é o portismo e muito menos a competência do professor Emídio Gomes.

P.S.2 Há muitos portistas que confundem Pinto da Costa com o FC Porto e vice-versa. Eu, infelizmente, tenho idade suficiente para me lembrar do anterior presidente do clube – Américo de Sá. Do que eu não me lembro, é de Pinto da Costa, Sardoeira Pinto, Armando Pimentel, Álvaro Pinto e os outros sócios que, em 1982, fizeram parte da comissão que dinamizou uma lista alternativa à da Direção em exercício, terem sido catalogados de “oposicionistas”, “divisionistas” ou “inimigos do clube”.