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sábado, 20 de junho de 2015

Camisolas para a nova época

As novas camisolas da equipa de futebol do FCP foram apresentadas. A principal:

Gostei.  

E penso que isto demonstra que havendo vontade podemos manter um padrão-base, e por isto refiro-me ao número de riscas - mudando apenas detalhes de forma inteligente (como as mangas, a gola, a parte de baixo da camisola, ...) de forma a termos na mesma uma camisola claramente distinta da época anterior. Pessoalmente prefiro de longe o padrão mais parecido possível com a camisola q tivémos durante muitas décadas (muito parecida com esta nova - pelo menos na parte frontal - mas trocando as riscas brancas por azuis e vice-versa), e não camisolas que às vezes fazem pensar que estamos na presença do Gotemburgo ou do Blackburn.

Quanto à 2a e 3a camisolas, aí sim acho que a Direção pode usar de maior liberdade criativa. Pelo que vi gosto muito da 2a camisola para a nova época, e detesto a 3a (uma grande trampa, literalmente).

Finalmente, há a questão do patrocinador na camisola. A ver vamos como isto acaba, mas fiquei muito desiludido com as declarações de PdC a propósito de um hipotético patrocínio do governo angolano: chamem-me maluco mas, apesar de achar natural que o dinheiro fale muito alto, não concordo minimamente que fale acima de tudo o resto: era só o que faltava sermos patrocinados por um governo ditatorial em que ainda por cima os seus dirigentes batem recordes mundiais a roubar dinheiro público para os seus bolsos, da família e de compinchas.

Se hipoteticamente houvesse muitos portistas entre os habitantes do Estado Islâmico, será que PdC iria usar esse argumento para dizer que teria muito prazer em ser patrocinado pelo E.I.? Obviamente o E.I. está bem para além do governo angolano, mas isso não impede que este último também esteja bem para além da «linha vermelha» que defendo para os princípios que devem reger a gestão do FCP.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

O fim dos milhões da PT

O JOGO, 17-10-2014
Ontem, numa entrevista ao Porto Canal (anunciada para as 21:00, mas que começou mais cedo…), Fernando Gomes, vice-presidente do Futebol Clube do Porto e administrador da FC Porto SAD, confirmou algumas más notícias que se anteviam e deixou sérios avisos à navegação, tendo em vista o equilíbrio das contas da SAD e a sua sustentabilidade futura:

Não nos vamos iludir. Quando grandes empresas, como a PT ou o BES, decidem deixar de patrocinar o futebol, com certeza que isso faz mossa

Sabemos o que vai acontecer com a PT e estamos em campo a tentar encontrar alternativas para a próxima época. Mas a perda é séria e pesada

É evidente que os recursos que estão afectos ao futebol, vão sendo cada vez mais curtos para fazer face às exigências. Tem de haver sensatez e prudência nesse equilíbrio. Senão, um dia, pode não haver recuperação fácil


O atual contrato entre a Futebol Clube do Porto, Futebol SAD e a Portugal Telecom SGPS (PT), no valor (mínimo) de 14,6 milhões de euros por 4 épocas (cerca de 3,7 milhões de euros por época), termina no final desta época (2014/2015) e, soube-se ontem, não vai ser renovado.

Primeiro foi o Banco Espírito Santo (BES) que, a partir de Junho de 2009, saiu das camisolas dos três grandes, optando por concentrar os seus patrocínios ao futebol no Cristiano Ronaldo e na Seleção.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2008/2009

Agora é a vez da PT que, tudo indica, irá fazer o mesmo a partir de Junho de 2015.
E, no caso da PT, não devemos estar “só” a falar das camisolas.

Equipamento principal e alternativo do FC Porto na época 2013/2014

Também o patrocínio a bancadas/sectores dos estádios (Bancada “TMN”, Bancada “MEO”, etc.), bem como, as parcerias corporate, que envolvem a compra anual de camarotes, deverão terminar.

É um rombo (mais um) significativo nas contas das SAD’s, que irá exigir a procura de alternativas.

No caso do SL Benfica, tudo indica que já tem alternativa. A parceria que o SLB firmou com a Emirates, em Julho passado, visando o futebol de formação, deverá ser alargada a outros domínios, incluindo as camisolas da equipa principal e, possivelmente, também ao naming do estádio da Luz.

E no caso do FC Porto?

Infelizmente, a Emirates não voa de e para o aeroporto Francisco Sá Carneiro e, por isso, não poderá ser uma alternativa à PT.
Mas, olhando para o panorama altamente depressivo (para não dizer pior) da economia portuguesa, parece-me evidente que as alternativas terão de ser procuradas no estrangeiro.

Sponsors de clubes europeus (fonte: Record, Outubro de 2012)

Depois do ‘Museu do FC Porto by BMG’, será que os dirigentes do FC Porto (que, segundo Fernando Gomes, já estão em campo a tentar encontrar alternativas), irão ser capazes de “tirar outro coelho da cartola”?


Nota final: Penso que está mais do que na altura dos portistas (adeptos e dirigentes) encararem, seriamente, a possibilidade do naming do Estádio do Dragão. Eu sou a favor.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Da Revigrés à MEO

Em Agosto de 1983, o FC Porto tornou-se o primeiro clube português a ter publicidade nas camisolas. A eleita foi uma empresa de Águeda quase desconhecida, a Revigrés, cujo fundador (em 1977) e presidente era um grande portista - o Eng. Adolfo Roque. O "casamento" entre o FC Porto e a Revigrés durou 20 anos e, para além da componente comercial, foi pautado por uma relação de confiança e amizade inexcedível, conforme Pinto da Costa relata na sua autobiografia:

"Corria o ano de 1992, confraternizávamos com o pretexto dos meus dez anos de Presidência e, em cinco minutos, com um aperto de mão "selámos" o acordo. Passados dois anos, rigorosamente cumprido que fora o contrato por ambas as partes, resolvemos renová-lo. Só então demos conta que o aperto de mão era tudo (e bastava) o que havia como contrato!"

"Noutra ocasião, durante o "reinado" de Eduardo Catroga como Ministro das Finanças, é-nos hipotecado o Estádio e a sanita do balneário do árbitro. O Eng.º Roque, sem qualquer obrigação, e no mais completo anonimato, envia-nos um cheque de cinco mil contos para ajudar a resolver o problema. Talvez isto ajude a compreender que, ao fim de mais de vinte anos, o azul do Porto se confunda com a Revigrés."

Em 2003, a Revigrés passou a figurar apenas nas camisolas usadas pelo FC Porto nas competições internacionais, tendo sido substituída pelo logótipo da PT nas competições internas.

Numa lógica de maximização das receitas, é para mim indiscutível que o FC Porto deve ter publicidade nas camisolas, nos calções, nas meias, ... e percebo perfeitamente o interesse económico em termos como parceiro comercial uma empresa da dimensão da Portugal Telecom. Contudo, como portista custa-me ver uma das marcas da PT - a MEO - no naming de uma das bancadas do Estádio do Dragão e, mais ainda, a conspurcar as nossas camisolas.

Eu sei que o dinheiro não tem cor, nem tem pátria, mas em futuros contratos (com a Portugal Telecom ou outras empresas), não seria possível incluir uma clausula, que nos salvaguardasse de ter de fazer publicidade a marcas cujo rosto(s) sejam pessoas que usam a sua notoriedade para, publicamente, denegrir o FC Porto?

Evidentemente, não está em causa a liberdade de expressão. O que está em causa é se faz sentido associarmos a nossa imagem, os nossos símbolos (emblema, camisola), a marcas que são promovidas por indivíduos que, de forma pensada e sistemática, usam a comunicação social para atacar o FC Porto, o seu presidente e até comentadores portistas!

Por isso, Revigrés, Super Bock, Coca-cola, BPI, BES, CGD, PT, TMN, tudo bem, mas MEO não!

P.S. Sou cliente da ZON e enquanto a publicidade da MEO for fedorenta, os comerciais da PT nem sequer têm oportunidade de me explicar as "magnificas vantagens" que eu teria em mudar de operador de TV/telefone/Net. Antes de começarem a falar, a resposta que levam à cabeça é: Não estou interessado.