Ao intervalo o jogo estava empatado 1-1 e, pelos vistos, o presidente do Sporting – Carlos Góis Mota – não estava a gostar da arbitragem de Braga Barros, árbitro de Leiria. Vai daí, não esteve com meias medidas, invadiu a cabine do árbitro e, segundo foi referido na altura, de pistola em punho (segundo outras versões tinha a pistola à cintura) “aconselhou-o a tomar mais atenção na 2ª parte pois poderia prejudicar-se”.
Nos segundos 45 minutos as coisas correram bastante melhor aos “viscondes”, que marcaram mais dois golos, tendo o Sporting ganho esse jogo por 3-1.
Para quem não saiba, além de presidente do Sporting [1], Góis Mota era um destacado membro do regime da época, tendo ocupado os cargos de Procurador Geral da Republica, Comandante e Secretário-Geral da Legião Portuguesa [2].
Góis Mota faleceu em 25 de Janeiro de 1973. Em 2001 foi distinguido com o Prémio Stromp [3] na categoria Saudade.
Felizmente, os tempos mudaram e, em 2014, os presidentes do Sporting já não invadem as cabines dos árbitros de pistola em punho (ou à cintura)…
Nota: As imagens anteriores foram retiradas de uma reportagem da SIC intitulada “Árbitro de Elite”, transmitida esta semana (no dia 25-03-2014), em que o protagonista é o árbitro Pedro Proença, o qual, soube-se agora (9 dias após ter arbitrado um SCP x FC Porto de triste memória), foi colega de faculdade de… Bruno de Carvalho.
[1] O Dr. Carlos Cecilio Nunes Góis Mota, enquanto dirigente do Sporting Clube de Portugal, começou por ser Vogal nas Direcções presididas por Joaquim Oliveira Duarte, entre 15 de Agosto de 1938 e 14 de Agosto de 1940. Regressou à Direcção em 19 de Janeiro de 1946, como Vice-presidente de Ribeiro Ferreira, funções que desempenhou durante sete anos, até 23 Janeiro de 1953, altura em foi eleito Presidente do SCP. Liderou o Clube durante quatro gerências, até 31 de Janeiro de 1957, altura em que foi substituído pelo seu vice-presidente Cazal Ribeiro.
[2] A Legião Portuguesa foi uma milícia criada em 1936, que estava sob a alçada dos Ministérios do Interior e da Guerra, e que nas décadas de 50 e 60 se caracterizou pela perseguição e repressão às forças oposicionistas ao regime, para a qual contribuiu o seu Serviço de Informações e a sua vasta rede de informadores.
[3] Os prémios Stromp são atribuídos anualmente pelo Grupo Stromp, a dirigentes, técnicos, atletas ou sócios do clube e são considerados como uma espécie de "Oscares" leoninos. Em 1971 foi criada a categoria "Saudade", para premiar os grandes vultos do passado do SCP.







