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segunda-feira, 17 de abril de 2017

E sai Brahimi...

Acho que ninguém tem dúvidas. Yacine Brahimi é o melhor jogador da liga portuguesa.
Nem benfiquistas, nem sportinguistas nem qualquer adepto dos restantes clubes (que, infelizmente, são poucos em Portugal) encontrará seguramente um jogador com tanto talento individual e capacidade para decidir jogos como o argelino. A sua estranha (e ainda por explicar) suspensão nos primeiros meses do ano podem ter sido os detonantes das aspirações do Porto ao título e a sua curta visita à CAN foi providencial para manter o jogador disponível e fisicamente preparado para os decisivos meses finais de competição. E no entanto, nos jogos mais importantes do ano, Nuno Espirito Santo tomou sempre a mesma decisão...tirar Brahimi antes dos noventa minutos.



O argelino completou apenas dois jogos na sua totalidade ao largo da temporada na liga.
O primeiro, a 11 de Dezembro, contra o Feirense. O segundo, no fatídico empate frente ao Setúbal há três semanas. Foi substituido  um total de 13 vezes nos jogos em que foi titular e em quatro ocasiões foi suplente utilizado. Tudo isto num jogador que não jogou os primeiros quatro jogos do ano nem foi sequer utilizado frente ao Benfica. Dito por outras palavras, o melhor jogador do campeonato não disputou qualquer Clássico na primeira volta e foi provavelmente o melhor em campo (excluindo Iker Casillas) nos que disputou na segunda. Esclarecedor.
Na plenitude física da idade, sem o desgaste de ter começado a jogar a titular como os restantes colegas no início de Agosto - só a finais de Setembro passou a ser considerado como opção e nos meses seguintes a sua participação foi gerida a conta-gotas - não se pode falar nem de cansaço acumulado nem de fatiga. Menos ainda quando as suas substituições ocorrem sempre no final dos encontros, quando qualquer jogador top pode fazer a diferença, entre lances de bola parada e os espaços que geralmente o cansaço colectivo provoca no terreno de jogo. Nesses momentos chave, NES considera sempre que Brahimi é prescindível.
Em Braga saiu com dez minutos para o fim. Dez minutos de intensa pressão portista. Na Luz, a sua substiuição, marcou definitivamente os minutos finais do jogo dando clara sensação de que a NES o empate lhe servia claramente. Não serviu, como se tem visto. Contra o Sporting, quando os leões se faziam sentir mais presentes no meio-campo do Porto e deixavam mais espaços atrás, o jogo vertical e os passes geométricos do argelino pareceram dispensáveis ao treinador que preferiu dar vinte minutos (intranscendentes) a Diogo Jota. Em nenhum dos casos citados há qualquer referência a problemas físicos (lesões, treinos condicionados nos dias seguintes, queixas visiveis do jogador, etc...)!
Estão a perceber a tendência não estão?

Agora façamos um exercicio.
Escolham os jogos mais dificeis disputados nos anos em que o FC Porto lutava pelo título (Clássicos, jogos com o Boavista na viragem do milénio e com o Braga desde final da década passada) e as suas principais figuras que se chamavam Hulk, Falcao, Lisandro, Deco, Zahovic ou Jardel, só para citar os últimos vinte anos...e vejam quantas vezes nesses encontros decisivos foram substituidos (ou não utilizados por questões técnicas) com resultados adversos aos interesses do Porto?

- Hulk
Foi substituido apenas uma vez em todos os seus anos de Dragão ao peito num jogo de máxima relevância na liga, frente ao Benfica, na 14º jornada do campeonato 2009/10, perdido por 1-0, a vinte minutos do final - sim, o jogo do túnel - tendo sido no ano anterior, o seu primeiro no futebol português, duas vezes suplente utilizado nos Clássicos da primeira volta.

- Falcao
No seu primeiro clássico em Portugal, em 2009, frente ao Sporting, Falcao foi substituido ao minuto 78, depois de ter inaugurado o marcador. Contra os leões no ano seguinte não completou nenhum dos dois jogos, saindo aos 79 minutos na primeira volta (empate a uma bola) e aos 82 no jogo da segunda volta (vitória por 3-2), marcando em ambos jogos.


- Lisandro Lopez
O argentino foi a grande arma ofensiva dos anos do Tetra conquistado entre Adriaanse e Jesualdo. No seu primeiro ano na Europa só completou um Clássico. Foi substituido aos 68 minutos no triunfo em Alvalade (o golo de Jorginho veio depois) e foi suplente utilizado na derrota na Luz. Lesionou-se aos 24 minutos no jogo em casa contra o Benfica. No ano seguinte, já titular indiscutivel, saiu a vinte minutos do final do duelo em Alvalade. Em 2007/08 saiu a cinco minutos do fim na vitória por 1-0 sobre o Sporting com a equipa a vencer.

- Ricardo Quaresma
Em 2004/05, no seu primeiro ano de azul e branco, Quaresma não completou qualquer Clássico. Saiu aos 76 minutos no duelo em Alvalade e aos 78 no triunfo no Dragão frente aos leões e foi suplente utilizado nos dois jogos frente ao Benfica, rendendo Postiga e Diego (um empate e uma vitória). No ano seguinte, já com Adriaanse, disputou apenas um Clássico completo e foi rendido aos 55 minutos na vitória em Alvalade e aos 80 na derrota na Luz tendo jogado os últimos vinte minutos na derrota no Dragão contra o Benfica. No ano seguinte marcou um golo e saiu aos 73 na vitória sobre o Benfica e repetiu feito (golo e substituição aos 73) em Alvalade. Repetiu o mesmo cenário na época seguinte, com três substituições nos dois jogos contra o Benfica e num dos jogos contra o Sporting, nos dez minutos finais do jogo (duas vitórias, uma derrota e um golo seu).  Apesar de ter sido substituido regularmente nos Clássicos neste periodo, era titular indiscutivel e disputava os noventa minutos dos restantes jogos do ano, ao contrário de Brahimi.
Na sua segunda etapa, foi suplente utilizado na derrota contra o Benfica da primeira volta e titular no triunfo da segunda volta em 2013/14. No primeiro ano de Lopetegui saiu ao intervalo do jogo com o Sporting em Alvalade e foi suplente utilizado nos três seguintes clássicos.

- Deco
Depois de ter chegado a tempo de ser Pentacampeão, Deco tornou-se imprescindivel nas quatro épocas seguintes. Nesse período apenas foi substituido contra o Sporting em 2000, a quinze minutos do fim e com o Porto a vencer e em 2003, na goleada por 4-1, a seis minutos do fim. Frente ao Benfica foi substituido a seis minutos do fim, depois de receber amarelo, num empate a um golo em 2003/04.

- Zlatko Zahovic
O esloveno passou três épocas de dragão ao peito e no seu primeiro ano foi substituido ao minuto 31 da vitória por 3-1 sobre o Benfica por lesão. No ano seguinte, tal como Jardel, foi suplente utilizado na derrota por 3-0 (quando entraram ambos já o Porto perdia por 2-0) e foi substituido na derrota em Alvalade à hora de jogo (o Porto perdia por 2-0). Foi ainda substituido no último minuto do triunfo contra o Benfica, em casa, em 1998/99.

- Mário Jardel
No seu primeiro ano foi substituido a um minuto do fim do Clássico na Luz, ganho por 1-2, com golo seu. No ano seguinte não completou nenhum duelo com o Benfica, primeiro como suplente utilizado (derrota por 3-0) e depois sendo rendido ao minuto 70 num triunfo por 2-0 quando a equipa já vencia claramente. Em 1998/99 voltou a ser substituido contra o Benfica, num empate a um golo, a três minutos do final e no último minuto de um jogo contra o Sporting, nas Antas, que decidiu com um golo para uma vitória por 3-2.

Ou seja, na imensa maioria dos casos, quase sempre que o jogador em causa foi substituido o objectivo do clube - a vitória - estava assegurado. Raramente isso se deu com Brahimi e NES, tanto na não utilização (dois resultados negativos) como nas substituições (apenas frente ao Sporting se conseguiu o objectivo). E nunca, nos casos citados, os jogadores em questão fizeram apenas 4 jogos completos durante uma temporada de liga. Na imensa maioria dos casos fizeram mais de dois terços do campeonato actuando os noventa minutos o que é muito, muito distinto.



Aos 27 anos o jogador está na melhor forma da sua carreira e tem meio passaporte validado para deixar o Dragão, entre necessidades de Financial Fair Play, do papel da Doyen e do próprio desejo do jogador que já viu barradas as suas aspirações no passado defeso contra aquilo que lhe tinha sido prometido. A sua chegada desde o Granada enquadrou-se num modelo de negócio muito popular á época e que acabou com a proibição da partilha de passes pela FIFA mas as mais valias geradas por uma venda em valores a rondar os 20 milhões serão sempre exiguas. Desportivamente, no entanto, Brahimi foi sempre um elemento diferencial a quem faltou nível na lista de companheiros de ataque e sobretudo um treinador a sério para potenciar todas as suas valências. Se, ainda para mais, em momentos de máxima tensão e intensidade um desses treinadores decide que a sua presença em campo é dispensável, estamos conversados. Brahimi pode sair do Porto sem ter sido nunca campeão mas nunca saberemos se não fomos campeões porque ele não esteve em campo quando devia.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Voo rasteiro

O ZeroZero noticia hoje algo sobre que eu queria ter escrito mais cedo: Falcao, um dos melhores pontas-de-lança do Mundo, vai cumprir o ser 6º ano no futebol europeu, e nesse período só jogou a Liga dos Campeões duas vezes - um pecado, mas não uma tristeza. Falcao, em parceria com o seu grande amigo Jorge Mendes (cujo conselho preferiu ao invés do de Pinto da Costa), está estará certamente muito feliz com as escolhas que fez (ou foi "aconselhado" a fazer), ele que considera posições menores na Liga Espanhola, são preferíveis a títulos em Portugal. Podia ter dinheiro e títulos, se tivesse, como fizeram outros, esperado o momento certo para sair (ao invés de o forçar), mas parece contentar-se só com dinheiro - que faça bom proveito.

Falcao: ambição inversamente proporcional ao tamanho da conta bancária

quarta-feira, 31 de julho de 2013

domingo, 9 de junho de 2013

FC Monaco

O AS Monaco confirmou a contratação de Radamel Falcao. São números recordes, maiores ainda do que aqueles que o Atlético pagou ao FCP, sinal de que o colombiano se valorizou nestes dois anos em Espanha (uma Taça UEFA, Supertaça Europeia, Copa del Rey). É pena que na venda (da qual ainda falta receber 13 milhões) não tenham posto uma cláusula de valorização porque era dinheiro vivo no Banco.

O homem responsável por esta compra é o mesmo que está por detrás das contratações de Ricardo Carvalho (ele mesmo), de James Rodrigues e João Moutinho. 120 milhões gastos numa semana não é para qualquer um. Mas o senhor Dimitri Rybolovlev não é qualquer um. Um dos maiores milionários do mundo, um apaixonado do futebol e, suspeito, um fã do FC Porto desde pequenino.

Estou mesmo a ver o senhor Dimitri de camisola azul-e-branca a sofrer no lado de lá da cortina-de-ferro com Viena e Tóquio e a reservar um palco VIP em Sevilha, Gelsenkirchen e Dublin, bebendo vodka enquanto celebra cada golos dos dragões. Há quem o tenha visto no Dragão de bifana na mão a saltar a cada golo nos 5-0 contra o Benfica e não se surpreendam de que tatue o nome de Kelvin nas costas, junta do habitual cruz ortodoxa que todos os mafiosos de leste gostam de ter. O problema do senhor Dimitri chama-se Pinto da Costa. O seu sonho sempre foi ser presidente do FCP mas como o "Papa" é imortal, assumiu que tinha de comprar outro clube qualquer para fazer o seu sonho realidade. Como no Monaco tinha casa e sitio para estacionar o iate, foi aí.



A este leque de jogadores é bem possível que se junte Lisandro Lopez e já se fala, inclusive, no próprio Hulk. Seriam seis jogadores com passado azul-e-branco recente. Com o trio James-Falcao-Moutinho já recriou a conexão FCP Dublin (só falta mesmo Hulk) e com Ricardo Carvalho e, eventualmente, "Licha", junta outras duas gerações de grandes dragões no mesmo plantel.

Para os dragões vai ser aliciante ver como se comporta a nossa filial milionária este ano. Pena que o senhor Dimitri seja daltónico e tenha escolhido uma equipa com aquelas cores. Com tanto dinheiro não creio que demore muito a mudar o equipamento e a meter um dragão naquele emblema. E quem sabe, mudar o nome para FC Monaco!

PS: A razão verdadeiras dessas compras não é outra que Jorge Mendes, o homem que lhe auxiliou, com Peter Kenyon, na compra do clube no ano passado e dono do cartel de jogadores mais interessante do futebol europeu (é bem possível que o Coentrão acabe lá se o Mourinho não o levar para o Chelsea). 

sábado, 15 de dezembro de 2012

Radamel Falcao, 40+7?




«A Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, nos termos do artigo 248º nº1 do Código dos Valores Mobiliários, vem informar o mercado que chegou a um acordo com o Atletico de Madrid para a cedência, a título definitivo, dos direitos de inscrição desportiva do jogador profissional de futebol Radamel Falcao pelo valor de 40.000.000 €(quarenta milhões de euros).
Este acordo prevê o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 47.000.000 € (quarenta e sete milhões de euros)
Comunicado da FC Porto SAD, 18 de Agosto de 2011


Desde que chegou a Madrid, Falcao ainda não parou de marcar golos, muitos golos, quer no campeonato espanhol, quer nas competições europeias.
Na época passada, os seus golos, com destaque para os dois que marcou na final, foram decisivos para o Atletico Madrid conquistar a Liga Europa (com 12 golos em 15 jogos, voltou a ser o melhor marcador desta competição).
No início desta época, voltou a maravilhar os adeptos do futebol na Supertaça Europeia, aguçando ainda mais o apetite dos "tubarões" do futebol europeu.
E, no campeonato espanhol 2012/13, já leva 16 golos marcados sendo, nesta altura, o principal perseguidor do "estratosférico" Lionel Messi.

Conforme recordei acima, o acordo entre o FC Porto e o Atletico Madrid prevê uma remuneração variável que poderá atingir sete milhões de euros. É um montante que não é desprezável.
Contudo, não é claro (bem pelo contrário) mediante que condições é que a FC Porto SAD poderá receber este valor (ou parte dele).
Isto é, esta remuneração variável está indexada a que objectivos?
Esses objectivos poderão ser individuais (número de jogos em que o Falcao alinha por época; número de golos marcados no campeonato / competições europeias; etc.) e, nesse caso, dificilmente o Falcao poderia ter um desempenho melhor do que aquele que tem tido com a camisola do Atletico.
Mas também poderão ser objectivos colectivos. Exemplos: o Atletico Madrid vencer a Liga espanhola, a Taça do Rei, a Liga Europa, a Supertaça Europeia, a Liga dos Campeões ou apurar-se para a Liga dos Campeões.

E, em termos desta componente variável do contrato entre a FC Porto SAD e o Atletico Madrid, o que acontecerá se, entretanto, o Falcao for transferido para um outro clube?

Numa futura entrevista ao Angelino Ferreira, Antero Henrique ou ao Pinto da Costa, era interessante (para os sócios e adeptos portistas) que os jornalistas colocassem estas questões, de modo a este assunto poder ser esclarecido.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O problema do Ballon D´Or

Avizinha-se a entrega de mais uma edição do prémio individual mais célebre do universo futebolístico: o Ballon D´Or.

É um prémio que, como todos os prémios, vive do seu glamour e peca por ser injusto, na medida em que a opinião individual de cada um nunca se alterará por uma tendência colectiva. Quem acha que o seu é melhor nunca mudará de ideias se vencer outro e portanto, num desporto colectivo, eleger a melhor individualidade é algo ainda mais complexo.

O que se premeia?

As regras do Ballon D´Or original eram claras: premiar o melhor jogador dentro de um ano natural tendo em conta as suas performances, as da sua equipa, a sua influência na equipa e as suas conquistas. Ou seja, o papel de um individuo como espelho de uma performance colectiva.



Dessa forma, historicamente, em anos de Europeus e Mundiais, o vencedor acabava por ser alguém ligado de forma simbólica a esses triunfos. Em 2006, Cannavaro representou o triunfo italiano, em 2002 o renascimento de Ronaldo o do Penta brasileiro. Em 1998 e 2000, Zidane foi o rosto de França e da sua geração de ouro, em 1990 Mathaus venceu porque a RF Alemanha ganhou o Mundial e em 1982 os golos de Rossi em Itália deram-lhe o troféu. E assim, ad aeternum.

Por outro lado sempre se convencionou que este era um prémio de futebol de ataque. Só um guarda-redes, o mítico Yashin, e dois defesas - o italiano Cannavaro e o alemão Sammer - venceram o troféu, os últimos dois quais como espelho da vitória das suas selecções. Os restantes, avançados, extremos e criativos. E sobretudo, jogadores de grandes potencias.

Ainda hoje custa-me entender porque Futre perdeu o Ballon D´Or em 1987 para Gullit e Deco o de 2004 para Shevchenko. Curiosamente os dois vencedores jogavam no AC Milan, um dos clubes mais premiados da história e com mais peso junto dos votantes. Votantes que estão na base da profunda mutação do Ballon D´Or do passado com o do presente.



Em 2010 a empresa France Football, que criou o prémio, encontrou-se com graves problemas financeiros e aceitou a proposta da FIFA de fundir o seu prémio com o FIFA Award, uma ideia de Blatter, quando era vice-presidente, em 1990, de criar um prémio alternativo ao atribuído pelos gauleses. Até então votavam no Ballon D´Or os 53 jornalistas europeus que representavam as federações continentais. Até 1994 só podiam votar em jogadores europeus (por isso Maradona e Pelé nunca ganharam) e a partir de 2006 passaram a poder votar em jogadores a actuar fora da Europa.

Com o novo FIFA Ballon D´Or passaram a votar os seleccionadores, capitães e jornalistas de todos os países membros da FIFA. E o prémio passou a ser um concurso de popularidade.

Sinceramente a mim tanto me faz qual o critério a aplicar, dou pouca importância ao certame. Mas no modelo antigo, o que tornou o troféu popular, Lionel Messi teria vencido dois prémios até agora. Com este modelo prepara-se - salvo imensa surpresa - para conseguir o quarto consecutivo.
O prémio passou a ser uma luta entre os jogadores mais populares, liderada por Messi com Ronaldo e agora Iniesta como perseguidores naturais. Façam o que fizerem no terreno de jogo outros jogadores, o impacto mediático destes três supera o dos restantes e muitos jornalistas, seleccionadores e capitães de países que vivem o futebol de uma forma muito diferente da nossa, preferem votar neles. Basta ver os boletins de voto das últimas edições e descobrir que estes nomes são omnipresentes.

Em 2010 os jornalistas europeus colocaram Messi no quinto lugar e deram o prémio a Sneijder. A nível mundial o holandês nem entrou no pódio. Sob os registos históricos do prémio, o holandês teria sido o ganhador salvo se Iniesta ou Casillas vencessem. Até hoje, depois de ganhar tudo o que havia para ganhar, nenhum espanhol venceu.

Dizem que Messi ganha sempre porque é o melhor. Não creio que isso esteja em discussão realmente.
Mas o prémio antes não era entregue ao melhor do mundo mas sim ao melhor num ano natural, tendo em conta o que conquistou. Ronaldinho Gaúcho foi o melhor jogador do Mundo durante três anos mas só tem um troféu. Zidane foi o melhor em igual período mas perdeu um ano para Figo e outro para Rivaldo. Platini perdeu o prémio em 1982 quando não era pior jogador do que Rossi e nos primeiros anos, ninguém duvidava que Alfredo di Stefano fosse único. Mas La Saeta tem apenas dois troféus em casa.



Pessoalmente, se eu pudesse votar, a minha eleição estaria entre Casillas, Iniesta e Falcao.
Salvo o manchego, os outros dificilmente poderão vencer o troféu porque perdem em popularidade para Messi e Ronaldo. O português, que não tem feito épocas ao nível de 2008, quando venceu, tem sido presença habitual no pódio porque é, indiscutivelmente, um dos dois jogadores mais populares do Mundo. Se Messi vencer, sine die o troféu, apenas na base de que é o melhor, ele acabará por perder o seu real valor. Basta olhar para os Óscar e pensar que Brando venceu dois - espaçados por vinte anos - e ninguém se atreve a discutir que nesse período houve poucos interpretes como ele.

No futebol, um desporto colectivo onde ser estrela individual é complicado, vive-se uma ditadura de popularidade que acabará por transformar estes pequenos guilty pleasures em algo profundamente aborrecido.

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Tentar decifrar o negócio Hulk

Hulk já se foi e não volta, pelo menos não nos próximos tempos a não ser que seja para nos assustar com os seus misseis indefensáveis. Ainda não ficou de todo claro, e talvez nunca fique, como se processou um negócio que há cinco dias, por 50 milhões, foi rejeitado pelo jogador ou pelo clube, vá-se lá saber, e que no limite dos limites do fecho das inscrições na UEFA se realizou por 60 milhões. Um valor que fica bem para o pódio de compras e vendas mas que para nós nos diz pouco. 40 milhões é o que chega ao FC Porto, é com 40 milhões que vamos ter de começar a pensar.

Ainda não sei se desse valor terão de sair comissões, velhas promessas ao jogador e ao agente, e a percentagem fundo de solidariedade. 85% de Hulk a 60 milhões equivale a 51 milhões, pelo que deduzo que esses 11 milhões que desapareceram sejam para pagar esses pontos pendentes. Se os russos pagaram ao fundo 9 milhões ou não, isso é com eles.

O negócio realizado in extremis é um grande negócio financeiro, um mau negócio desportivo e, sobretudo, um negócio necessário face a situação financeira do clube. Nenhum adepto gosta de ver sair os seus jogadores de referência, seja porque valores sejam, mas nós já estamos habituados a isto. Os valores hoje em dia são mais elevados porque os custos dos próprios jogadores e a sua massa salarial também. Mas a lenga-lenga é a mesma de sempre. Vender para sobreviver.

Pensem nos adeptos do AC Milan que viram Berlusconi negar que venderia Ibrahimovic e Thiago Silva e que depois acabou por aceitar a oferta mareante do PSG. Desportivamente foi um erro, financeiramente uma necessidade. O AC Milan também está com a corda na garganta, Berlusconi não encontra investidores e do dinheiro embolsado quase nada foi gasto no mercado para procurar alternativas. Não há margem de manobra.

O nosso caso é parecido ao dos italianos, com a diferença que nós estamos habituados a isto e eles não.
A venda de Falcao no ano passado, também em cima da hora, seguiu o mesmo percurso. Orquestrou-se uma renovação para manter vivo o fantasma da cláusula (continua sem sair um jogador do FCP pela cláusula até hoje) e a vontade do jogador sair, mas na base estava a necessidade urgente da SAD em fazer dinheiro com os seus melhores activos. Hulk, que aparentemente não queria ir a lado nenhum, entre outras coisas porque lhe dá mais jeito estar no Porto, ao lado de Danilo e Alex Sandro, para chamar a atenção de Mano Menezes do que ir para a Rússia, lá teve de aceitar a evidência. Se não saísse, especialmente depois de Moutinho ter ficado a minutos de ir para Londres, não haveria dinheiro para lhe pagar o salário. O dele e de outros. Tal como sucedeu no ano passado.

Desportivamente está claro que o FC Porto fica mais débil.
Perde o homem que decidia os jogos na Liga em campos pequenos, fechados e com a defesa de dez do outro lado. Perde o homem-golo, perde o líder espiritual em campo, perde a referência para os adeptos e o efeito surpresa que só um jogador como Hulk pode dar. Não vou entrar em comparações com as vendas dos rivais porque não pode ser assim que um clube pense, mas não creio que deixemos de ser favoritos a renovar o título.
Na Champions League, onde tivemos um grupo acessível, perdemos a superioridade que muitos analistas - e que eu próprio - dava face a Dynamo Kiev e Dynamo Zagreb. Creio que continuamos a ser superiores aos croatas mas com os ucranianos as coisas nivelam-se bastante mais. E as distâncias com o PSG aumentam. Que é possível passar? Claro que é, para isso está cá o treinador (que não desperta muita confiança) e o resto do plantel. E porque com Hulk, no ano passado, também não se seguiu em frente num grupo igualmente equilibrado.



A nível futuro seria muito difícil valorizar mais ainda Hulk.
É um jogador de 26 anos, já titular com a selecção do Brasil, medalha de prata olímpico e jogador conhecido e reconhecido em toda a Europa. Ao contrário de Falcao, que acredito que se vá valorizar ainda mais, especialmente porque os golos pagam-se mais caros, creio que seria impossível fazer uma venda melhor do que aquela que foi feita. São (aparentemente) 40 milhões por um jogador que custou 19 e que servirá para pagar salários, cumprir com o pagamento dos empréstimos obrigacionistas que chegam agora e tentar respirar. Sobretudo, tentar respirar.

Agora falta pensar o futuro.
Temo que em Janeiro, quando o mercado reabra, o FC Porto sinta a necessidade de pegar em parte desse dinheiro e ir ao mercado. Dependerá dos resultados da Champions, do eventual apuramento para os Oitavos (e do sorteio que se segue) e de como for a prova interna. Se a SAD já sabia que teria de vender Hulk este ano, sim ou sim, para manter as contas, também deveria ter consciência de que o plantel que fica deveria ser suficiente. É extremamente jovem, gerido por um técnico que não é propriamente competente, mas não pode depender de chegadas inesperadas e caras para tapar as previsões de agora. Da mesma forma que foi preciso ir buscar Janko primeiro e Jackson depois, porque não se encontrou alternativa a Falcao, espero que se tenha no clube a consciência de que não há outro Hulk no mercado e que é com o que temos que o navio tem de chegar a bom porto. Se não o ciclo de saldo negativo nunca se inverterá.

Por fim fica a questão do adepto ambicioso, do adepto que acredita que o FC Porto pode e deve ser algo mais. 
Não são muitos, a maioria parece ter-se contentado com a hegemonia indiscutível a nível nacional (que já dura 3 décadas, parabéns aos homens que a conseguiram, SAD incluída) sem pensar que depois de 2004 o clube podia ter dado um salto qualitativo importante.
O campeão por excelência da 5º liga dos ranking UEFA, o único clube nos últimos 15 anos a vencer a Champions League fora das grandes ligas, não pode arrancar cada época com o pensamento de passar a Fase de Grupos da Champions League.



Uma coisa é que, por motivo X, Y e Z, não se consiga passar. Desde que o torneio começou só o Real Madrid logrou passar sempre da fase de grupos. Outra é dar o objectivo por cumprido e por os Oitavos como objectivo mínimo. E não devia. O clube devia desenhar um plano de presente e futuro para fazer, de uma vez por todas, do FC Porto um clube de Quartos de Champions.
Se não chegamos lá todos os anos, paciência, haverá justificações para isso, tanto financeiras como desportivas. Mas devemos ambicioná-lo, devemos trabalhar para isso. APOEL, Benfica, Shaktar, Bordeaux, O. Lyon, Fenerbache, PSV e Villareal são equipas que o lograram nas edições posteriores ao nosso titulo europeu. Nenhum desses clubes vale mais, desportivamente, que o FC Porto. E salvo o Shaktar, apoiado por um milionário ucraniano com negócios no Brasil, nenhum é financeiramente muito mais poderoso que o FC Porto. Portanto esse passo não é uma utopia.

Sem Hulk, sem Falcao, sem Alvaro e companhia será sempre mais difícil dar esse salto. O clube optou por salvar o pescoço da situação financeira em que ele próprio se meteu. Parece-me muito bem, antes de comprar um carro há que ter de comer. Mas saciada a fome é preciso começar a pensar quando vamos poder comprar o carro e dar o salto que nos merecemos. Talvez então seja mais fácil dizer adeus quando um grande como Hulk se tenha de ir.

sábado, 1 de setembro de 2012

"Falcao é também produto do trabalho de Jesualdo"

“Cheguei ao Porto na época passada e o treinador que tinha era obcecado com a recepção. Todos os treinos dizia-me como devia fazer para receber bem a bola, para aparecer no segundo poste. Às vezes era estranho, porque durante todo o treino ele falava constantemente comigo. Ele era um dos duros e eu dizia: sim, sim senhor. Mas a verdade é que nos jogos tudo o que ele me dizia acabava por acontecer.”
Falcao, em entrevista à FOX Sports da Argentina, 31/05/2011


“No Porto, [Falcao] encontrou Jesualdo Ferreira, o que foi decisivo. É o seu pai futebolístico. Teve muita sorte, porque não deve haver muitos treinadores profissionais que percam tempo a ensinar os seus jogadores. Pedem coisas, mas não ensinam. Jesualdo não é assim e Falcao estar-lhe-á sempre agradecido. Corrigia-o muito, contava-me ele todos os dias. O Falcao de hoje é também produto do trabalho de Ferreira
Radamel García, pai e empresário de Radamel Falcao, em entrevista ao jornal espanhol AS, 06/10/2011



«Já aqui falei dos muitos problemas que afetam o plantel do Chelsea, entre os quais avulta o do monumental flop que foi a contratação de Fernando Torres. Deste modo, este hipotético cenário, referido pelo Daily Star, é algo que a concretizar-se só me surpreende por tardio.
À partida, Falcao no Chelsea e novamente sob o comando de André Villas-Boas e El Niño de regresso ao seu clube do coração, juntamente com mais uns bons milhões, é um cenário que deve agradar a todas as partes envolvidas.»


«Dois fantásticos golos de Radamel Falcao, aos 7 e aos 34 minutos, abriram caminho à vitória (3-0) do Atlético de Madrid na final da Liga Europa.
Para além de ser o quinto jogador a marcar por dois clubes diferentes na final da Taça UEFA/Liga Europa, com estes dois golos Falcao foi, novamente, o melhor marcador desta competição. Em quinze jogos, o ex-avançado dos dragões marcou doze golos. Mais. Pela primeira vez o mesmo jogador foi o melhor marcador em duas edições consecutivas.
Na temporada passada, Falcao apontou 17 tentos ao serviço do FC Porto, estabelecendo a melhor marca de sempre numa edição da Taça UEFA/Liga Europa - bateu o recorde de Jurgen Klinsmann, que fez 15 tentos pelo Bayern Munique, em 1995/96.»


El Tigre brilhou no campeonato português, brilha no campeonato espanhol, brilha nas competições europeias, foi o jogador decisivo das duas últimas finais da Liga Europa e, agora, um fantástico hat trick na Supertaça Europeia, precisamente perante o Chelsea (ironia do destino), que é "apenas" o atual campeão europeu.

Repito uma pergunta que fiz várias vezes na época passada: o que é que o melhor ponta-de-lança mundial da actualidade está a fazer no Atletico Madrid?
Os "tubarões" europeus - Chelsea, Real Madrid, Barcelona, PSG, ... - estão à espera de quê?

P.S. O acordo entre o FC Porto e o Atlético Madrid prevê «o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 47.000.000 € (quarenta e sete milhões de euros)».
O número de jogos que Falcao fez com a camisola do Atletico Madrid, o número de golos que marcou (no campeonato espanhol e Liga Europa) e, principalmente, as conquistas da Liga Europa e da Supertaça Europeia por parte dos colchoneros farão parte dos objectivos indexados aos 7 milhões de euros da remuneração variável?

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Platini, esse Rui Rio do Futebol Europeu

Eleito em 2006, Michel Platini está no segundo mandato como presidente da UEFA, mas tal como Rui Rio, parece que ainda vai no primeiro tão pouco é o trabalho que tem para apresentar. Prometeu uma revolução na vertente financeira do Futebol Europeu, através de tectos salariais e de despesas e ameaças de exclusão das provas da UEFA para os clubes demasiadamente endividados. Até um feudo arranjou com o Pinto da Costa e o FCP. Resultados visíveis: zero. Lá conseguiu impor os árbitros de baliza, mas como as corridas na Boavista, são de interesse duvidoso.



E porquê Platini, "nesta altura do campeonato"? Simplesmente, porque é ele o primeiro e único responsável - já lá está há 12... 6 anos, e já não vale atirar a culpa para o antecessor - pela inquietação em que vivem muitos adeptos todos os anos por esta altura. Há campeonatos com duas jornadas já jogadas, e mesmo assim há clubes com plantéis por fechar - como é o caso do do FCP. Quanto mais se pensa nisso, mais absurdo parece. Como é uma coisa destas possível numa estrutura com a responsabilidade da UEFA? É inegável que esta situação tem impacto nas competições - os jogadores (daqueles que jogam) estão com os pés em campo, mas com a cabeça noutro país - na gestão dos clubes e nos direitos dos próprios adeptos.

Ao invés de andar com "rodriguinhos" como são as tais regras de "fair-play financeiro" que anda a prometer implementar - como o outro com o fim do estacionamento em segunda fila - desde que foi eleito, por que não acaba com esta palhaçada do mercado de tranferências que nunca mais fecha? Isso sim, seria uma verdadeira medida de fair-play, e com um imenso poder equilibrador entre clubes pequenos/pobres e grandes/ricos. O actual estado só beneficia os clubes endinheirados porque podem escolher quando gastar o dinheiro. E num negócio feito sob pressão, normalmente é quem vende - e é porque o jogador faz birra para sair, ou porque precisa mesmo de vender; os exemplos são vários - que sai a perder. Pior ainda, aumenta até o fosso competitivo entre os clubes de topo e os restantes: a menos de uma semana para o fecho do mercado, mesmo tendo jogadores referenciados, quem e a que preço é que o Porto vai contratar para substituir, por exemplo, o Hulk? O que aconteceu o ano passado, também nesta altura, com o Falcao, deixa qualquer um com o credo na boca.

Platini, és um FDM.

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Um golo do outro Mundo



O que é que o melhor ponta-de-lança mundial da atualidade está a fazer no Atletico Madrid?
Os "tubarões" europeus - Chelsea, Real Madrid, Barcelona, ... - estão à espera de quê?

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Novamente Falcao!


Dois fantásticos golos de Radamel Falcao, aos 7 e aos 34 minutos, abriram caminho à vitória (3-0) do Atlético de Madrid na final da Liga Europa.

Para além de ser o quinto jogador a marcar por dois clubes diferentes na final da Taça UEFA/Liga Europa, com estes dois golos Falcao foi, novamente, o melhor marcador desta competição. Em quinze jogos, o ex-avançado dos dragões marcou doze golos.


Mais. Pela primeira vez o mesmo jogador foi o melhor marcador em duas edições consecutivas. Na temporada passada, Falcao apontou 17 tentos ao serviço do FC Porto, estabelecendo a melhor marca de sempre numa edição da Taça UEFA/Liga Europa - bateu o recorde de Jurgen Klinsmann, que fez 15 tentos pelo Bayern Munique, em 1995/96.

Que saudades!

domingo, 29 de abril de 2012

Golos sem goleadores

Com os dois golos marcados no Funchal, Hulk passou a liderar a lista dos melhores marcadores do FC Porto nesta temporada com 14. Leva nesta contagem pessoal mais dois do que James Rodriguez (muito menos utilizado que o brasileiro) e seis dos tentos foram apontados da marca de grande penalidade. É fácil adivinhar que o brasileiro não vai reeditar o triunfo da época passada no troféu de Bota de Prata face à distância de cinco golos que leva de Lima do Sporting de Braga.

Historicamente o FC Porto tem um bom lote de jogadores que se sagraram melhores marcadores do campeonato nacional. Ou que pelo menos andaram lá perto. Este ano, no entanto, a equipa de Vítor Pereira nunca encontrou um homem golo. A falta do ponta-de-lança que todos pedimos faz-se notar neste registo particular e leva-nos a outros anos onde o ataque azul e branco estava entregue a jogadores competentes mas que estavam longe de ser verdadeiros matadores. 

Desde 1991 quando Domingos bateu Rui Águas na corrida ao prémio do melhor marcador o FC Porto teve ao seu serviço 10 Botas de Prata. E venceu 14 títulos de Liga. Só por duas vezes vencemos o troféu sem sagrar-nos campeões nacionais. Com Mário Jardel em 1999/2000, o ano de Campomaior, do atraso de Secretário e do "Bitri" que nunca o foi. E com Pena no ano seguinte, no último ano de Fernando Santos ao leme da equipa. No entanto este será o sétimo ano em que - a confirmar-se o titulo nacional que está tão perto - poderemos celebrar o titulo de liga sem ter o melhor marcado do nosso lado. Habitualmente diz-se que para ser-se grande campeão é preciso ter uma grande defesa e um ataque tremendamente eficaz. No caso dos dragões não exige ter um individuo capaz de marcar mais golos que ninguém senão um leque de jogadores com poder de finalização. 

Naturalmente, ter um ponta-de-lança de garantias permite ambicionar sempre a algo mais. Domingos Paciência, Mário Jardel, Benny McCarthy, Lisandro Lopez e Radamel Falcao foram Botas de Prata e fizeram parte das mais espectaculares e eficazes equipas que tivemos nestes últimos 20 anos de liga. Ao arrancar para esta temporada com Kleber e Walter (que juntos somam nesta liga oito tentos) e depois com o remendo que foi Marc Janko (autor de quatro golos) está claro que os dirigentes do FC Porto pensavam que o titulo de liga que os homens de Vitor Pereira estão perto de ganhar só poderia ser conseguido com uma óptima defesa e um grupo coral de goleadores. 

A linha ofensiva da equipa de Vitor Pereira - que muitas vezes preferiu lançar James Rodriguez nas segundas partes, apesar do seu óptimo ratio goleador - assentou em Hulk, Kleber e Varela durante grande parte do ano, com Moutinho e Belluschi/Guarin na primeira parte da época no apoio (a partir de Janeiro passou a ser Moutinho/Lucho e Janko no lugar de Kleber). Entre todos estes jogadores podemos somar 45 golos. Dos 62 já logrados pela equipa (o melhor ataque da prova) há que acrescentar os golos dos pouco utilizados Walter (2), Cristian Rodriguez, Defour, Alex Sandro (1 cada) e dos defesas Rolando (1), Maicon (3), Sapunaru (2), Otamendi (2) e Álvaro Pereira (1). Um cenário que se assemelha bastante a 2002/03, o ano do primeiro titulo de José Mourinho em que o melhor marcador do FC Porto foi Hélder Postiga (com 13 golos, menos cinco que o melhor marcador da prova) mas em que a equipa, no seu colectivo, chegou aos 73 (menos um que o Benfica, equipa mais concretizadora do ano).

No final, tendo em conta o panorama geral (melhor ataque da prova, titulo nacional quase no bolso, dois jogadores no top 5 dos melhores da liga) é licito repensar o debate do ponta-de-lança como elemento critico fundamental à época do FC Porto. É normal que um clube habituado a contar com jogadores de primeiríssimo nível sinta a falta de uma referência de área. Por cada Jardel houve um Farias, por Falcao haverá sempre um Adriano. E no entanto não foi por ter Adriano e Farias sido os melhores marcadores do Porto em dois anos seguidos que a equipa não venceu o titulo nacional. 

Claro que os palcos europeus exigem muito mais e as defesas da Champions (seja o APOEL ou o Manchester) não são as do Rio Ave, Feirense ou Académica, e aí sim nota-se em excesso nas prestações do clube quando não há um homem golo como foi Jardel, Derlei, McCarthy, Lisandro ou Falcao. Mas essa foi a ambição da SAD este ano porque melhor que nós, eles conhecem bem as estatísticas e os registos do clube nas provas europeias quando aposta num ataque de low profile. A nível interno, este ataque tão criticado durante o ano tem chegado para as encomendas e pode terminar o ano, uma vez mais, como o mais concretizador. Hulk não levará outra bota prateada para casa mas provavelmente poderá vestir a sua terceira faixa de campeão nacional. Como adepto e portista prefiro muito mais ver um jogador do nível de Falcao a rematar o jogo da equipa mas também é verdade que entre os pecados de Vítor Pereira não pode estar uma decisão da SAD, decisão que este soube contornar com um ataque concretizador e, eventualmente, campeão!   

sexta-feira, 20 de abril de 2012

O avançado que não estava lá

Ontem à noite estive no Vicente Calderon a ver a meia-final da Europe League entre o Atlético de Madrid e o Valência. Havia um tal de Radamel Falcao no relvado. Acho que durante largos minutos ignorei o jogo para fixar-me neste avançado que alguns daqui devem reconhecer. Os golos, principalmente o segundo, maradoniano, já devem ter visto nos resumos. Mas é o que não se vê, o trabalho de desgaste da defesa, o poder de associação com uma linha de três atrás, o saber táctico e a forma como sempre soube ler bem o jogo que me conquistaram. Poderia ter sido a primeira vez que via este jogador. Se assim fosse já estaria a encher de sms os meus amigos portistas com um "temos de contratar este gajo".


Mas Falcao foi nosso. 
Durante pouco tempo, mas foi. E, exceptuando a veia goleadora de Mário Jardel, para mim foi o melhor ponta-de-lança que o FC Porto teve desde os dias de Fernando Gomes. Não tenho a menor dúvida. O ano passado foi fundamental para vencer a Europe League e mesmo na Liga, onde esteve alguns meses ausente por problemas físicos, foi peça nuclear da equipa que o AVB resgatou da depressão jesualdiana. 
O FC Porto supostamente vendeu aquele que é o melhor avançado do Mundo - não conto Messi e Ronaldo nesta demarcação apesar da veia goleadora de ambos - por uns 40 milhões de euros muito mal explicados. 40 milhões mais Ruben Micael, que depois eram 36 milhões, 38 milhões e que, na realidade, ainda nem 5 milhões parecem ter entrado nos nossos cofres. Uma situação que levou à falta de liquidez para pagar o que tínhamos de ter pago pelo Danilo e Alex Sandro ao Santos (e que nos levou a ter de esperar até Janeiro por um, enviando Fucile também para apaziguar as hostes) e por Defour e Mangala ao Standard Liege. Uma situação a que não me recordo que alguém tenha levado esta SAD e que estávamos habituados a ver só a sul do Mondego.
O Atlético de Madrid é um clube que paga mal e nunca a horas e os dirigentes da SAD deviam sabê-lo. Também deviam saber que Radamel Falcao é um jogador do outro mundo, que 40 milhões é um valor de mercado real sempre e quando o dinheiro chegue realmente e sem contrapartidas. 

Enganaram-se.
Não só deixaram este avançado sair no final do defeso, como não garantiram que o dinheiro entrava a tempo de ir ao mercado, fosse em Agosto fosse em Janeiro, para substitui-lo. E a verdade é que Falcao é insubstituível. É um dos melhores do Mundo, muito mais importante na sua função goleadora do que pode ser Hulk como falso extremo, Moutinho como médio de criação ou Alvaro Pereira como lateral esquerdo. O clube optou por regatear o "Palito", ignorar as ofertas da Premier por Moutinho e declarar Hulk como insubstituível. Provavelmente seremos campeões nacionais com essa politica. Mas os adeptos têm memória e saberão sempre que este titulo, a ser ganho, foi um "ai jesus" escusado e que nos palcos europeus perdemos uma boa oportunidade de, pelo menos, igualar a performance do Benfica na Champions League.
Desde o primeiro dia faltou-nos um ponta-de-lança capaz de matar os jogos mais difíceis, em Chipre, na Rússia e com o City. As oportunidades estiveram lá, como no ano passado, mas não havia Radamel para rematar. Nem Kleber, nem Janko nem sequer o sul-americano que se segue para a próxima época seriam capazes de fazer a diferença como ele. Vítor Pereira não teve a culpa de perder um jogador que para o Porto representava o mesmo que Messi para o Barcelona e Ronaldo para o Real Madrid. E ainda por cima, sem ter um substituto digno desse nome. A SAD preferiu sanear as contas com números que são fictícios porque os cofres continuam vazios.


É uma postura. Mas não é a única. Ontem no Calderon 50 mil colchoneros gritaram o nome do avançado que, provavelmente, os pode levar a vencer a segunda prova europeia em três anos. A segunda consecutiva do colombiano. Jogadores assim não se podem perder, apesar da nossa sina de clube grande em liga pequena. Mas se temos de o ver triunfar num clube mediano lá fora, pelo menos que alguém na SAD nos mostre que valeu a pena. Mas não valeu e todos sabemos isso. Vender Falcao como o vendemos podia ter sido um grande negócio financeiro e um erro desportivo. Cada vez mais parece que foi um erro a dobrar. Lamentavelmente! 

segunda-feira, 19 de março de 2012

O (real) valor de Hulk

O que estabelece a verdadeira grandeza num terreno de futebol? Habitualmente o adepto costuma olhar para as grandes noites como medidores de qualidade. Os momentos que ficam na retina. Os observadores gostam de ir mais longe e definem cada momento, mas sempre tendo em conta elementos circunstanciais chave. Os rivais, o entorno e o nível de exigência.

Hulk é a estrela mais cintilante da Liga Sagres, um dos maiores fenómenos físicos que o futebol português já testemunhou. E um símbolo deste FC Porto de virar de década. Mas o seu génio explica-se, também, pelo meio onde se move. Porque a sua grandeza é proporcional à exigência que o acompanha.



Poderia Hulk ser o mesmo Hulk se não jogasse de azul e branco numa Liga de segunda (ou terceira) linha europeia e com o nível de exigência físico, tático e mental da Liga Sagres?
A minha opinião é de que não, seguramente este Hulk desapareceria e outro jogador subiria ao relvado, muito menos decisivo e, seguramente, menos estelar do que aparenta de dragão ao peito. Uma opinião que não partilham seguramente muitos portistas, mas que ajuda a explicar também muitas das dúvidas que o rendimento do brasileiro alimenta junto dos olheiros dos grandes tubarões europeus.

Porque uma coisa é ser a estrela da liga portuguesa e outra, muito diferente, é ser um jogador de referência nas principais ligas da Europa. Porque pelo FC Porto passaram grandes jogadores estrangeiros, mas só um, o luso-brasileiro Deco, manteve o mesmo nível de grandeza quando deixou o Dragão. Todos os outros, estrelas cintilantes no céu da Invicta, baixaram o perfil mediático essencialmente porque a exigência das grandes ligas se mostrou bastante diferente ao ritmo de jogo a que estavam habituados.

Desde os dias de Teofilo Cubillas e Rabath Madjer que fomos um clube perspicaz em transformar aparentes desconhecidos em foras-de-serie. Mas como sucedeu com o peruano e o argelino, sair do Porto como estrela custa quando se aporta num novo porto. Durante os últimos 20 anos, e citando apenas jogadores estrangeiros, o génio de Emil Kostadinov, Zlatko Zahovic, Mário Jardel, Derlei, Lucho Gonzalez, Lisandro Lopez e Falcao brilhou no Porto como em nenhum outro lado. Todos eles eram estrelas cintilantes de azul e branco ao peito, mas nos palcos europeus empalideceram consideravelmente e transformaram-se em jogadores de perfil mediano (em alguns casos mediano-alto, mas sem o mesmo estatuto dentro e fora de campo).
Falcao, o último exemplo, ainda não logrou exibir em Madrid o mesmo espírito que fez dele o mais apaixonante goleador da última década no futebol português. Jardel passou sem pena nem glória pela Turquia e só voltou a brilhar em Portugal. Derlei perdeu-se no futebol russo, Lucho e Lisandro em França nunca foram jogadores “especiais”, Zahovic passou pela Grécia antes de entrar ao serviço do Valencia onde nunca foi a estrela que muitos imaginavam e assim sucessivamente. Pouco me permite imaginar que Hulk seria diferente.



Tem umas condições físicas impressionantes, um remate prodigioso e um espírito de improvisação que faz jus à escola brasileira. Mas nos palcos europeus, onde as defesas não jogam com a permissividade, passividade e (muitas vezes) genuína incompetência das defesas da Liga Sagres, Hulk é também o jogador mais fácil de travar. O seu jogo baseia-se, sobretudo na explosão, na procura de espaços e uma marcação mais apertada e intensa é, demasiadas vezes, suficiente para desarmá-lo. A sua tendência para explorar as diagonais utilizando, sobretudo a força muscular torna-o numa presa mais fácil de travar do que o mais imprevisível James Rodriguez, apenas para citar um colega de equipa. E a sua propensão para usar e abusar dos lances de bola parada resulta, em excessivas ocasiões, num verdadeiro desperdício para o colectivo.

Quando encontra o espaço necessário para pensar e agir, Hulk pode ser imparável. A péssima defesa do Villareal na meia-final da passada Europe League deixou isso a nu. Mas na Champions League, nos últimos anos, as suas performances têm passado despercebidas. Contra conjuntos tacticamente mais apurados, Hulk sofre. E muito. Uma realidade que ajuda a perceber que o seu estatuto de estrela em Portugal dificilmente se repetiria numa das principais ligas do futebol europeu.

Nem mesmo a jogar por um Brasil claramente mais débil que noutras épocas encontramos um Hulk assumidamente decisivo, determinante e estelar. O seu jogo continua, mesmo com a canarinha, a ser demasiadamente físico e excessivamente individual. Faltam-lhe, claramente, condições táticas e uma ideia de jogo mais colectiva para fazer brilhar o colectivo e, por consequência, ele mesmo.

Seguramente que Hulk não ficará muito mais tempo no Dragão. Mediaticamente é um jogador apetecível e à medida que vá jogando mais pelo Brasil, haverá sempre clubes dispostos a contratá-lo. Mas nunca pelo valor da cláusula e muito menos com o estatuto de estrela de que goza actualmente. A sua transfiguração noutro palco europeu será um processo complexo e exigirá muito de sua parte para funcionar.

Grande na história do FCP, o brasileiro cumpre também todos os requisitos para ser mais um dos brilhantes jogadores que para nós será sempre uma estrela, mas que falhará o salto desportivo para a elite do futebol mundial.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Falcao no Chelsea e El Niño em Madrid?


Já aqui falei dos muitos problemas que afetam o plantel do Chelsea, entre os quais avulta o do monumental flop que foi a contratação de Fernando Torres. Deste modo, este hipotético cenário, referido pelo Daily Star, é algo que a concretizar-se só me surpreende por tardio.

À partida, Falcao no Chelsea e novamente sob o comando de André Villas-Boas e El Niño de regresso ao seu clube do coração, juntamente com mais uns bons milhões, é um cenário que deve agradar a todas as partes envolvidas.

Falta saber o que acontecerá ao acordo entre o FC Porto e o Atlético Madrid, o qual prevê «o pagamento de uma remuneração variável, pelo que o montante global a receber poderá atingir os 47.000.000 € (quarenta e sete milhões de euros)».

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Aves raras

1. Um enorme vazio no Porto

Os bons pontas-de-lança, daqueles que têm o faro do golo, são aves raras. O Jardel voava sobre os centrais e o Radamel, um verdadeiro Falcao na área, quando voou para Madrid deixou no Dragão um enorme vazio, que Kleber não foi capaz de resolver (nem tal seria expectável).

Após a saída do melhor marcador da Liga Europa 2010/11, e não tendo a Administração da SAD contratado, em Agosto, um ponta-de-lança para o substituir, seria sempre muito complicado arranjar uma boa solução a meio da época (ao alcance da capacidade financeira atual da FCP SAD), que chegasse, pegasse de estaca e começasse a marcar golos sem precisar do habitual período de adaptação. Por isso, não me surpreende minimamente que, ao contrário da expectativa de uma parte significativa dos adeptos portistas, estejamos a poucos dias do fim do período de transferências de Janeiro e a SAD ainda não tenha contratado (nem parece que esteja na iminência de contratar) um ponta-de-lança.


Deste modo, depois da também previsível saída de Walter, tudo indica que Vítor Pereira irá continuar a treinar e a fazer o melhor possível com os avançados/pontas-de-lança que estão à sua disposição, conforme o próprio afirmou na conferência de imprensa antes do FC Porto x Estoril.


2. Um enorme flop em Londres

«Carlo Ancelotti claims he has been offered the chance to re-sign Fernando Torres for new club Paris Saint-Germain.
The Italian was manager of Chelsea when the Spanish striker joined the Blues in a £50m deal from Liverpool last January. (…)
The Italian coach also said he made a mistake by signing Torres last year - and not getting rid of Didier Drogba to make room for the Spaniard in the team.
He said: “If you decide to invest on Torres, you have to sell Drogba. He's like [Filippo] Inzaghi, he tends to devour whoever competes with him. He's not bad, but this is his personality”.»
in www.mirrorfootball.co.uk/transfer-news/



«Fernando Torres fired another blank as battling Norwich held Chelsea to a goalless draw at Carrow Road.
The Spain striker, who has not scored since October, endured another frustrating afternoon, denied in the first half by John Ruddy before then stabbing wide in front of goal from eight yards.»
in msn.foxsports.com


Após a saída de Anelka para uma reforma dourada na China e com o Drogba na CAN, a André Villas-Boas não lhe resta outra alternativa que não seja recorrer a um dos maiores flops de sempre do futebol inglês.


3. Um enorme goleador em Madrid

No passado sábado, o Atlético de Madrid conseguiu vencer pela primeira vez fora de casa, tendo ido ao Estádio Anoeta derrotar a Real Sociedad por 4-0.

Radamel Falcao foi a grande figura desta goleada, obtendo o primeiro hat-trick ao serviço dos colchoneros.

Apesar de ter estado lesionado e, por via disso, ausente em vários jogos, El Tigre já leva 14 golos, o que corresponde a 47% (!) dos golos marcados pela sua equipa no campeonato.


A dúvida que me assiste é: o que está a fazer um ponta-de-lança do calibre do Falcao na segunda equipa de Madrid?

Ou melhor, perante o conhecimento que André Villas-Boas tem dele, porque razão não está em Stamford Bridge a resolver os óbvios problemas de finalização do Chelsea?
Por acaso, o Atlético de Madrid tem uma capacidade financeira superior ao Chelsea de Abramovich?

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Os números do negócio Falcao


A informação seguinte foi extraída do Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, correspondente ao 1º Trimestre 2011/2012:

«(...) no período de três meses findo em 30 de Setembro de 2011 foram renegociados os contratos com os jogadores Radamel Falcao e Álvaro Pereira, com reflexo ao nível do valor das respectivas cláusulas de rescisão, prazos de duração do contrato de trabalho e remunerações associadas, que foram aumentados. Estas renegociações significaram encargos com assinatura de contrato e serviços de intermediação de, aproximadamente 6.585.000 Euros relativos ao jogador Radamel Falcao e, aproximadamente, 973.500 Euros relativos ao jogador Álvaro Pereira (...)»
in R&C, página 17

«As alienações no período de três meses findo em 30 de Setembro de 2011, que geraram mais-valias no montante de 20.338.365 Euros, resultam essencialmente da alienação dos direitos de inscrição desportiva do jogador Falcao ao Atlético de Madrid, pelo montante de 40.000.000 de Euros, que gerou uma mais-valia de, aproximadamente, 20.170.000 Euros, após dedução de: (i) custos com serviços de intermediação no montante de 3.705.000 Euros prestados pelas entidades Gestifute e Orel B.V.; (ii) de responsabilidades com o mecanismo de solidariedade no montante aproximado de 2.000.000 Euros; (iii) da proporção no valor de venda do passe detido pela Natland Financieringsmaatschappij B.V. no montante de 1.805.000 Euros; (iv) do efeito da actualização financeira das contas a receber e a pagar a médio prazo originadas por estas transacções, no montante de, aproximadamente, 1.690.000 Euros; e (v) do valor líquido contabilístico do passe à data da alienação, no montante de, aproximadamente, 10.629.000 Euros, que incluía os encargos com os prémios de assinatura acima referidos e respectivas comissões de intermediação.»
in R&C, página 18


6.585.000 Euros pagos em encargos com assinatura (renovação) de contrato e serviços de intermediação;

3.705.000 Euros pagos em custos com serviços de intermediação aquando da venda;

1.805.000 Euros correspondentes à percentagem do passe que não era detida pela FC Porto SAD.

Só em serviços de intermediação e encargos com a renovação do contrato de Falcao, foram pagos mais de 10 milhões de euros em pouco mais de um mês (renovação em 14/Julho e venda ao Atletico Madrid em 18/Agosto).

De facto, o futebol movimenta muitos milhões para os bolsos de indivíduos de fato e gravata, a maior parte dos quais nunca deram (nem sabem dar) um pontapé numa bola...
E, também por causa disto, há negócios que se fazem e outros que também não.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O pai futebolístico de Falcao


El Oporto lo trajo a Europa. ¿Qué aprendió en Portugal?

Allí se encontró con Jesualdo Ferreira, algo decisivo. Es como su padre futbolístico. Tuvo mucha suerte porque no suele haber muchos entrenadores profesionales que pierdan el tiempo enseñando a sus jugadores. Te piden cosas, pero no te enseñan. Jesualdo no es así. Falcao siempre le estará agradecido. Le corregía mucho, me lo contaba todos los días. El Falcao de hoy es también producto del trabajo de Ferreira.

Estas declarações são de Radamel Garcia, pai de Falcao, e foram feitas numa entrevista ao jornal espanhol AS.

Há cerca de um ano atrás, no dia 27 de Outubro de 2010, um outro extraordinário jogador recebeu o Dragão de Ouro. Na hora dos agradecimentos, Hulk afirmou:
É um orgulho receber este prémio. Estou agradecido por tudo. Agradeço sobretudo a Jesualdo Ferreira, que me ajudou bastante quando cheguei e me ajudou a ser melhor jogador.

Jesualdo Ferreira chegou ao FC Porto uns dias antes do início do campeonato 2006/07 (após a deserção de Co Adriaanse) e, durante grande parte do tempo, trabalhou num contexto particularmente difícil. Como é sabido, perante o impacto tremendo do Apito Dourado, e com o presidente “amordaçado”, foi ele que deu o peito às balas e protegeu o grupo de trabalho, inclusive quando houve a ameaça do clube ser excluído da Liga dos Campeões.

Contudo, e apesar dos sucessos desportivos que alcançou, Jesualdo nunca entrou nos corações dos portistas e para muitos era mesmo um mal-amado.

Saiu do FC Porto como um Senhor, respeitando o clube e sem nunca fazer (até agora) uma única declaração desagradável. Atrás de si deixou um rasto de títulos e um grupo de jogadores que ensinou e ajudou a crescer.

O tempo se encarregará de lhe fazer justiça, mas é bom ver o tributo público que lhe é prestado pelos seus ex-jogadores.


P.S. Em Maio de 2008, Jesualdo Ferreira foi a Lisboa, receber um Globo de Ouro da SIC. As palavras que proferiu, perante uma plateia maioritariamente hostil, ficam para a história:

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Espanhóis deslumbrados com Falcao


Isto é o que se vai dizendo em Espanha, a propósito de Radamel Falcao:

«Radamel Falcao ha necesitado tres partidos en el Vicente Calderón para enamorar a la hinchada, convertirse en el jugador franquicia del Atlético, quitarse la presión y liderar el Pichichi junto a Messi y Soldado. El colombiano fue fichado a precio de súper estrella y en ese plan está el 'Tigre'. El Atlético invirtió casi todo lo ingresado en Agüero en un delantero que llevaba dos temporadas hinchándose en el Oporto. Y no le ha hecho falta más de una semana para despejar cualquier duda, si es que la había, sobre su capacidad goleadora.

El delantero colombiano acumula elogios tras sus últimas exhibiciones. "Se va a codear con Messi o Ronaldo", dijo Manzano tras el choque contra el Sporting. Hasta el momento, en este inicio liguero, el 'Tigre' resiste la comparación con los dos astros mundiales en el aspecto goleador. "Dije que era muy difícil sustituir a Kun y a Forlán, pero viendo a Falcao parece que lo han hecho bien. Es un fenómeno y nos ha podido meter seis goles", apuntó Preciado. Y es que la frecuencia rematadora del colombiano ante el conjunto asturiano asombró.

Falcao no jugó ante Osasuna en el debut liguero y no marcó en Mestalla frente al Valencia. Tras aquel partido llegaron algunas críticas, prematuras e injustificadas. Después, ya en el Calderón, Falcao ha hecho seis tantos en tres choques. Uno al Celtic, tres al Racing y dos al Sporting. Y, como recuerda el propio colombiano, han podido ser más, porque le han anulado dos goles de forma errónea. Ante el cuadro cántabro, el linier anuló una diana de Falcao por un fuera de juego mal señalado a Tiago. Frente a los de Preciado, Iturralde vio falta en un salto de lo más limpio del 'Tigre'. "Me ponen triste los goles anulados", dice él. Y es que podría liderar el Pichichi en solitario con siete goles.

El colombiano es de los pocos que no ha rotado en los últimos partidos. Fue titular contra Valencia, Celtic, Racing y Sporting

También sus compañeros se rinden al '9' rojiblanco. "Falcao es increíble. Con él tenemos la garantía de que va a acabar marcando", apuntó Salvio al término del partido contra el Sporting. El colombiano es de los pocos que no ha rotado en los últimos partidos. Fue titular contra Valencia, Celtic, Racing y Sporting. Ante el conjunto cántabro, Manzano le sustituyó mediado el segundo tiempo, aunque para entonces ya había marcado tres goles. Sabe el técnico que no tiene sustituto para Falcao, pues Adrián es otro tipo de delantero.

Sobre Falcao no pesa una losa cualquiera, sino la de ser el sustituto del Kun Agüero, indiscutible referente rojiblanco en las últimas temporadas. El vacío que dejó el argentino parecía imposible de cubrir, pero Falcao está dispuesto a asumir el reto. La afición, ansiosa de nuevos iconos, ya tiene nuevo ídolo. El Messi o Cristiano del Atlético
in marca.com


Un Falcao descomunal (Marca)

Falcao es un 'Tigre' insaciable (El Mundo Deportivo)

Falcao enseña el camino al Atlético (Sport)


Dentro daquilo que será a sua evolução natural, quando Kléber, como ponta-de-lança, valer metade do que vale actualmente Falcao, grande parte dos problemas do FC Porto estarão resolvidos.

P.S. Olhando para o rendimento dos pontas-de-lança do Chelsea e para o conhecimento que André Villas-Boas tinha de Falcao, continuo sem perceber por que razão El Tigre não está em Londres.

sábado, 27 de agosto de 2011

Um substituto para o Falcao... no presente

No dia 12 de Julho, à noite, Pinto da Costa foi o convidado de honra no encerramento do quinto ano de tertúlias no Casino da Figueira, tendo sido entrevistado por Fátima Campos Ferreira.

Nessa entrevista, sobre entradas e possíveis saídas, Pinto da Costa afirmou:

"Admito que possa sair alguém, mas também não ficaria nada admirado que não saísse ninguém. Se sair, temos substitutos para 10 jogadores. Se saírem dez, eu tenho um para cada lugar e até ficam mais baratos. Há um para que não tenho substituto, que é o Hulk. Posso substituir qualquer jogador, melhor ou pior, menos o Hulk. Se sair o Álvaro Pereira tem um substituto. O Falcao faria falta, mas também encontrámos alguém para o substituir... Se sair o Hulk, entrará outro, mas como não há nenhum com as características dele e o nosso jogo teria de ser diferente".

Quando fez estas afirmações, Pinto da Costa não estaria concerteza a pensar nem no Walter, nem no Kléber para substituir Falcao, até porque esses já cá estavam (a treinar com o plantel) e não precisavam de ser encontrados.

Aliás, sobre o Kléber, nas declarações que fez após a final da Supertaça Europeia, o próprio treinador admite, implicitamente, que ele terá de evoluir bastante:

"Kléber é um grande jogador, tem uma margem de progressão enorme e vai-se tornar uma referência no futuro. Não tenho dúvidas nenhumas. É bom recordar que os pontas-de-lança que saíram do FC Porto como grandes referências do futebol europeu, não eram esses jogadores quando chegaram no FC Porto. A qualidade do FC Porto permitirá esse trabalho, com certeza que faremos do Kléber um grande ponta-de-lança, uma referência no futuro.

Também me parece que o Kléber tem qualidade e até admito que poderá vir a ser a tal referência no futuro. Contudo, os grandes clubes, e o FC Porto é um grande clube, vivem do presente. E no presente são precisos resultados, vitórias, golos.

Por isso, espero que até 31 de Agosto a SAD encontre o tal substituto adequado para suprir a saída de Radamel Falcao. É que temos uma Liga dos Campeões para disputar...