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segunda-feira, 12 de março de 2018

Depender de nós mesmos

A vantagem de um tropeção importante, desses que deixa sangue nos joelhos e as mãos feridas, é que acontece precisamente quando por primeira vez o FC Porto dependia apenas de si mesmo para cair e poder levantar-se sem deixar nunca de depender de si mesmo. A reviravolta em Estoril permitiu ter este colchão. Muitos - a começar pelos rivais - contavam com esse tropeção para que o Porto chegasse ao jogo com o Sporting já com a liderança efectivamente em risco mas depois de superados os leões, a rasteira veio precisamente onde era mais previsivel que chegasse. Não é por acaso que este Porto tem um padrão claro de sofrimento este ano, fruto das decisões tácticas de Sérgio Conceição.

Vila das Aves, Santa Maria da Feira, Moreira de Cónegos, Estoril e agora Paços de Ferreira. A casa dos últimos, dos que vão sofrer até ao fim, e também campos pequenos, sem espaços, perfeitos para equipas que montam o autocarro, perdem tempo desde o primeiro instante e roubam ao FC Porto aquilo que o alimenta, o jogo de transição ao espaço. Conceição tropeçou contra a mesma pedra várias vezes. Estes foram os piores jogos do Porto em todo o ano e sempre com o mesmo padrão de comportamento - tanto no 11 escolhido, nas alterações e na forma de jogar. O caso do Estoril foi especial (45 minutos como há muito não se via) e frente ao Feirense houve uma dose de eficácia inesperada mas nos restantes cenários perderam-se sete pontos que são aqueles que mantêm o campeonato vivo. Ninguém pode exigir ao Porto - ou a qualquer outro clube - ser perfeito e ter vencido esses três encontros basicamente era o mais próximo a ser perfeito que a liga portuguesa tinha visto em muito tempo mas o certo é que o preocupante passa pelo facto de ser sempre o mesmo cenário e sempre o mesmo resultado o que demonstra escassa aprendizagem. Havia muitas baixas importantes, sem dúvida, mas nunca houve futebol nem uma ideia de jogo coerente e eficaz para as condições em que se disputou o duelo. Debaixo de um diluvio e de um vendaval, com o campo enxarcado desde o primeiro instante, o Porto jogou exactamente como joga num fim de tarde tranquilo no Dragão. Manteve jogadores tecnicistas mas com pouca incisão (Corona), optou por usar o jogador mais parecido a Herrera (mas muito pior) quando a condução com o esférico era impossível e apostou tudo num jogador, Waris, que tem tudo o mau de Marega e nada do bom. Foi o jogador que menos contribuiu para o jogo, com mais perdas, menos passes e com uma relação com a bola nefasta. Foi jogar com um menos desde o início tendo a Gonçalo no banco e sabendo, desde o primeiro momento, que Aboubakar não só não recuperou a boa forma prévia à lesão como é um reflexo ofensivo deste Porto, um jogador que precisa de muitas oportunidades para marcar.
Porque sim, apesar de tudo, tal como nas Aves, Feira ou Moreira de Conegos o Porto criou ocasiões suficientes para dar a volta ao golo irregular do Paços mas como sempre tem sucedido o ratio de eficácia é extremamente baixo. O Porto é uma equipa ofensiva, de tração dianteira mas a quem custa marcar como a nenhum outro e ontem os disparates de Aboubakar, Waris, Brahimi e Hernani - só para dar alguns exemplos - foram evidentes e reflexos de histórias parecidas.

Entre essas oportunidades esteve o penalti falhado por Brahimi, o momento chave do jogo.
Brahimi não é um especialista, acertou metade dos remates que tentou na sua passagem pelo Porto, e é um jogador macio para estes momentos. Também não era o homem escolhido por Conceição. Foi visivel na televisão e audivel na rádio que Oliveira foi o escolhido para anotar a grande penalidade mas por um motivo que só ele sabe, deixou Brahimi ficar com o peso da responsabilidade. Num plantel sem grandes especialistas é importante partir para os jogos com as coisas claras e os marcadores muito bem definidos. O passo atrás de Oliveira foi um péssimo sinal de caracter e o erro de Brahimi esperado e consequente com o desnorte emocional de uma equipa frustrada pelo anti-jogo do Paços (um recorde seguramente) mas também pela falta de um plano B. Até ao final do jogo o Porto tentou sempre a mesma jogada mas Dalot (ainda) não é Telles e os seus centros não fazem a diferença do mesmo modo que faltou altura e bom jogo de cabeça para explorar tantos cruzamentos ao mesmo tempo que faltou calma e frieza na hora de gerar as jogadas (as que Herrera, Oliver e Danilo sempre têm e que ontem fizeram muita falta ao colectivo) de ataque.

O Porto mereceu perder o primeiro jogo do ano porque jogou mal, desaproveitou muito, não soube adaptar-se ao ritmo do jogo e ao terreno de jogo e falhou um penalti tão claro que nem Bruno Paixão pôde não apitar. Mas que equipa chega á jornada 26, sofre a primeira derrota e só tem dois pontos de avanço de um segundo classificado levado ao colo há meses por um Polvo que a cada dia é destapado um pouco mais? Até ao dia de ontem só o Barcelona de Messi se mantinha invicto nas ligas europeias de elite (actualmente só o Lincoln Imps de Gibraltar também está sem ser batido no seu campeonato) mas enquanto os catalães sacam oito pontos de avanço ao segundo, a impunidade que grassa em Portugal permite ao segundo classificado depender apenas de si próprio para ser campeão. O que há que reter desta noite nefasta é que as próximas deslocações fora do Dragão vão ser contra rivais (e em campos) diferentes daqueles que têm custado pontos e que continuam a faltar oito vitórias (ou sete e um empate na Luz, como queiram) e que apenas se perdeu um match point dos nove disponiveis. A brilhantez do trabalho do plantel continua sem merecer a mais minima critica e ninguém seria capaz de imaginar que o FC Porto fosse cair apenas pela primeira vez a esta altura do campeonato. A cada dia que passa estão também mais perto de voltar os lesionados (Alex, Danilo e Soares, sobretudo) e a cada dia que passa novas revelações vão dando ainda mais valor ao que está a ser logrado em campo por um clube totalmente condicionado fora dele. No fim de contas, o Porto sai deste fim-de-semana como entrou. Apenas a depender de si mesmo. Que seja assim até ao último jogo do ano!

sábado, 3 de março de 2018

Oito vitórias...

Não quero saber de tropeções alheios e estou preparado para aceitar tropeções próprios, mesmo no pior cenário. O que sei, apenas e só, é que o FC Porto está matematicamente a oito vitórias de ser campeão nacional. Podem ser 7+1 empate na Luz, podem ser 6+2 empates do Benfica, podem ser até 5+6 pontos perdidos do Benfica em tantos jogos. Tanto me faz. Este Porto vive jogo a jogo e é assim que tem de continuar a viver nos próximos dois meses. São oito triunfos para fechar em casa, com os Dragões, frente ao Feirense, um título que ontem ficou, mais uma vez, claro que tem tons azuis e brancos já escritos. Tudo pode passar até Maio mas nenhuma equipa tem sido melhor, mais competente e mais querido vencer que o FCP de Conceição. Mesmo numa noite de escasso mérito futebolistico tudo o resto fez a diferença e além de atirar o Sporting para fora da luta, praticamente, logrou-se reforçar uma sensação de invencibilidade emocional que nestes momentos conta mais do que tudo.

Há duas formas de olhar para o Clássico de ontem no Dragão mas apenas uma conclusão: o Porto tem sido sempre melhor, no cômputo geral, nos duelos com todas as equipas nacionais este ano. É o quarto duelo com os leões - falta um, igualmente importante porque a Dobradinha pode e deve ser objectivo - e uma vez mais ficou claro que o Sporting nunca conseguiu ser superior. Foi melhor, em momentos do jogo, mas superior nunca. Nunca o tem sido como não foi o Benfica no jogo do campeonato nem qualquer outra equipa. Num torneio claramente nivelado por baixo em talento individual e colectivo o Porto tem sabido fazer das suas fraquezas forças e entendido a natureza cada vez mais evidente do futebol luso, para o bem e para o mal. O que nos leva a ver o duelo de ontem de duas perspectivas diferentes mas forçosamente complementares.



Por um lado não se pode dizer que tenha sido um bom jogo. Foi emocionante, tenso mas fraco. O Porto jogou pouco e durante alguns momentos do choque foi superado. É uma equipa que lhe custa muito, muito controlar os jogos, parar os jogos, adormecer os jogos. Vive na vertigem. Conceição foi apresentado e já se sabia da sua boca que era homem de preferir o 1-0 ao 4-3 e que o 4-3-3 era um modelo historicamente ligado ao clube com o que se identificava. Não procurou nem uma coisa nem outra todos estes meses, para o bem e para o mal. A equipa joga, quase sempre, um 442 ou 424 de peito aberto exposto no meio-campo e demasiado dependente da velocidade das transições, e apesar de ter uma boa defesa permite aos rivais mais oportunidades do que seria desejável. Quando esses rivais têm nível - leia-se Liverpool ou até mesmo o caso do Bessiktas - pode sofrer e muito a ousadia. Quando em causa está o nivel médio do futebol português actual a coisa muda de figura. Conceição não inventou nada. Em 2009 Jesus chegou ao Benfica com essa mentalidade. Excluindo (se é que isso é possível) factores extra-desportivos, aquele seu onze era o que Conceição procura hoje mas com uma qualidade individual muito superior á que dispomos e sempre com jokers para momentos de aperto que já conhecemos. Mas durante uma década o futebol português converteu-se nisso. O 433 inteligente de Vitor Pereira salvou-se por um milagre mas as restantes equipas campeãs sempre procuraram modelos similares e Conceição, inteligentemente, fez o mesmo. O que isso provoca são jogos como os de Portimão, na maioria dos casos, o que dá os números ofensivos que nos levam aos dias de Robson, mas também jogos como ontem, contra rivais de outro nível, onde se sofre muito porque não há rotinas de posse e não há uma coesão táctica no meio-campo que permita respirar. Também essa exigência fisica constante tem dois efeitos colaterais importantes. Exilia a jogadores inteligentes e influentes mas sem esse ritmo - caso de Oliver Torres mas, como se depreende das palavras de Conceição, do próprio Paciência - e leva ao limite do desgaste físico os habituais titulares. O histórico de lesões musculares de este ano não pode surpreender quando se exige tanto fisicamente aos jogadores que não param em nenhum momento e que são apenas humanas. Marega foi a última vitima, um jogador que nem sequer foi alvo de rotação mesmo quando a equipa vencia com tranquilidade vários jogos, e o melhor exemplo dessa cultura. Com dois meses pela frente ainda e o lote de lesionados a tender a aumentar progressivamente á medida que o cansaço sobe esse será um importante ponto a gerir.

De facto ontem o Porto foi superior mas não foi uma grande equipa. Raramente houve triangulações, saídas a jogar em colectivo, trocas de bola largas. Não. Houve precipitação - sobretudo na linha defensiva, sempre nervosa a aliviar bolas que a segunda linha do Sporting quase sempre recuperava por superioridade númerica - e pouca paciência. Os golos nasceram de um lance de bola parada mal defendido e de dois momentos de grande inteligência individual, de Maxi Pereira que viu Herrera só, com tempo para colocar um centro tenso e perfeito, e também de Gonçalo, que soube colocar a bola no momento certo e no local certo para que Brahimi, com a frieza das estrelas, acabasse com a malapata de não anotar em jogos grandes. Houve ainda três oportunidades - um lance confuso na área que Marega não aproveitou, o remate sem força mas com intenção que antecedeu a lesão do maliano a uma saída de Rui Patricio e a brilhante corrida de Dalot que terminou com um disparo precipitado de Paciência - mas fora isso a produção ofensiva foi escassa e defensivamente a equipa mostrou-se insegura em muitos momentos, cedendo faltas desnecessárias - sobretudo Felipe - e permitiu um golo que deixa louco qualquer treinador. Pela perda da bola em zona central (Brahimi), porque nem Oliveira nem Herrera souberam apertar Ruiz e porque entre dois centrais demasiado espaçados, Leão soube encontrar com comodida o espaço para disparar sem pensar e colocar a bola debaixo das pernas de Casillas (que pareceu Baía em alguns momentos ontem, para o bem e para o mal) num remate que surpreendeu o espanhol, que mais tarde se resserciu brilhantemente com uma defesa espectacular a Montero. Entre essa defesa e o remate isolado de Leão (fosse Dost e seria outra conversa seguramente) e não se pode dizer que o Sporting não tenha gerado ocasiões suficientes para merecer mais. Mostrou querer mais em muitos momentos e foi um digno rival, mas também ficou vivo demasiado tempo porque, inexplicavelmente, Conceição continua a acreditar em Corona. O mexicano vai seguramente entrar na história como um dos piores investimentos do clube. Um jogador que toma sempre mal a decisão que tem de tomar, seja no passe, no controlo ou no remate. Esforçado mas trapalhão, rápido mas sem aproveitar os metros que ganha e sobretudo incapaz de ser pro-activo no passe ou no remate, Corona só contribuiu com os seus erros a fazer um jogo que devia ter sido controlado num encontro de carrinhos de choque. O jogo pedia claramente Oliver mas a lesão de Marega levou Conceição a colocar Reyes (antes já Aboubakar, ainda sem ritmo claramente, rendeu Gonçalo) e a meter-se ainda para mais atrás e a expor-se a um ultimo ataque desesperado dos leões. Um ataque que o próprio Dragão ajudou a suster numa noite de ambiente incrivel.



Dito tudo isso, e sabendo que este modelo é o que nos trouxe aqui e a dois meses dificilmente será alterado - outra coisa é o futuro mais distante - não podemos terminar sem deixar de prestar a devida vénia ao trabalho de Conceição. Em Agosto a imensa maioria dos adeptos - portistas muitos, eu inclusive - temiam o pior. Outro ano de seca, mau futebol, jogadores sem nível, entrega mas sem resultados. O plantel era curto e escasso de talento. E Conceição era um enigma. Dizer que o Porto seria lider e disputaria um Clássico decisivo com seis titulares inesperados naquele mês é dizer muito. O Porto foi a jogo com um miudo da equipa B (que futuro terá Dalot se quiser e lhe deixarem na SAD), um dispensado chamado Maxi, um Oliveira que muitos nem se lembravam que existia. Com um hiper-questionado Herrera, com um emprestado repescado com um grande histórico de lesões como Gonçalo e com a epitome de todas as criticas como era Marega. Seis de cinco. E todos eles foram determinantes na vitória. O certo é que este plantel é um milagre com pernas e isso deve-se ao jogador e ao trabalho táctico e emocional de Sérgio Conceição e jamais pode ser ignorado. Sem um cêntimo para gastar, com toda a imaginação do mundo, a cada problema o técnico tem encontrado solução. Sem Danilo há mês e meio Oliveira deu um passo em frente. Sem Telles lançou-se sem medo Dalot e um Maxi com um pé na China aguentou bem a ausência de Ricardo. Casillas voltou merecidamente a marcar diferenças e Herrera, que sofre quando se exige jogar em posse, encontrou neste modelo o paraíso. Soares, perdido completamente em Dezembro agora parece fundamental e Marega vai deixar saudades este mês - quem diria - mas seguramente terá também alternativa milagrosa. Não há, na memória recente, uma história mais bonita que a de este plantel do FC Porto e da forma como está a superar qualquer sonho e expectativa. Todos os adeptos merecem celebrar o título mas, por primeira vez em muito tempo, atrevo-me a dizer que mais do que nós, este título merecem, antes que todos, esses jogadores e essa equipa técnica.

Oito vitórias amigos. Oito...

quarta-feira, 3 de janeiro de 2018

Reforços sim, contratações não

É preciso recuar muito no tempo para descubrir um FC Porto activo em todas as quatro frentes chegado esta altura do mês de Janeiro, precisamente 2008-09, em que se chegou ao inicio do novo ano nos Oitavos de Final da Champions League (cairiamos em Quartos frente ao Manchester United), a camino das finais da Taça de Portugal (que ganhariamos) e da Taça da Liga (caindo nas meias-finais) e liderando o campeonato que encerraría o ano do Tetra de Jesualdo Ferreira. 
Nem sequer no mágico ano de 2011 a equipa de André Vilas-Boas aguentou o ritmo e soçobrou frente ao Nacional na fase de grupos da Taça da Liga precisamente no inicio do mês de Janeiro. Isso sem ter de jogar a exigente Champions League. Algo que permite colocar – ainda mais – em perspectiva, o feito dos homens de Sérgio Conceição. E sabendo que aí vêm cinco meses de máxima exigência, a expectativa não podía ser maior. Olhando para a forma desastrada como o plantel foi construido – victima do descontrolo dos últimos anos – desde cedo a maioria dos adeptos e analistas foi rápida a indicar que o plantel era curto e tarde ou cedo iria necessitar de ajustes. Não deixa de ser correcto o raciocínio mas o certo é que, com metade da época cumprida, esse inevitavel desgaste não se tem notado – nem nos resultados nem em campo – graças à excelente gestão de grupo de Conceição o que permite reabrir a discussão sobre a necessidade real de interferir activamente na reabertura do mercado.

O mercado de Inverno é um mundo complexo. 
Poucas vezes serviu, realmente, de algo para equipas com objectivos importantes. Os poucos casos são simbólicos e parecem reforçar a sua importância (e ninguém esquecerá Carlos Alberto em 2004 ou a série de avançados que foi chegando nos anos posteriores que, com golos importantes, ajudou a alcançar metas e títulos) mas na prática vale muito mais ter um plantel bem estruturado desde o início do que aventurar-se no desconhecido do defeso invernal. Num ano sem competição africana de selecções – fundamental quando os MVP´s da época têm sido Brahimi, Aboubakar ou Marega – e sem lesões largas e graves, salvo os problemas físicos repetidos de um Soares que ainda não apanhou a dinâmica e de um irregular Otávio, os problemas têm sido contornados com tranquilidade. Sobretudo o que estes meses nos têm ensinado é que o éxito do FC Porto começa e acaba no espirito de grupo que o treinador forjou nos meses de pre-temporada e que todos têm abraçado, jogando mais ou menos. 
Num modelo de jogo muito exigente físicamente – por vertical e ofensivo – mas onde a posse de bola ajuda, em momentos de descanso, gerir esforços, Conceição tem sabido trocar peça por peça em momentos pontuais sem perder o ritmo colectivo. Tem acontecido na metamorfose de Oliver a Herrera (onze mais físico, com menos posse, e com maior entrega e presença em troca de maior controlo), nas inclusões pontuais de Sergio Oliveira, Layun ou Maxi Pereira num onze quase sempre recitado de memoria. Até mesmo a recuperação de Diego Reyes e o regresso de Soares abriram outras opções em posições chave. Conceição tem claro na sua cabeça que há um onze titular base mas sujeito a alterações pontuais face a rivais ou forma física e uma poule de seis/sete jogadores (Maxi, Reyes, Sergio, Oliver, Otávio, Soares e André André) que permite cobrir essas necesidades. É certo que, de base, o plantel apresenta descompensações tais como o excesso de laterais (o que tem feito Ricardo actuar de extremo algumas vezes) e a falta de jogadores abertos nas alas quando, sobretudo, Corona, não está ao seu nível ou peca por ausente, sendo que a adaptação de Ricardo, por um lado, e o uso de Hernani, por outro, abrem outras questões paralelas na gestão de grupo. A forma como Conceição abdicou de jogar com um 10 tem retirado importancia e influencia a Oliver, e também a Otávio, e tendo em conta que Danilo é indiscutivel, aberto a Herrera, André André e Oliveira a possibilidade de rodar por um lugar. No fundo o técnico conta já com seis médios para duas posições (oferecendo às vezes uma modificação do 4-2-4 para 4-3-3 para acomodar Herrera-Danilo-André André/Oliveira em momentos de maior posse) e não tem necessidade de mais tendo em conta que todos cumprem os distintos perfis utilizados. Layun, vitima de um claro over-booking e de um grande ano de Telles, e Maxi e Casillas – por questões salariais – são os claros candidatos a sair das contas sem que, em principio, a equipa mostre sinais de ressentir-se das suas baixas mas e quanto a incorporações, que decisão tomar?


O importante, uma vez mais, é referir o espirito de grupo como base de tudo. 
A ideia de jogo do técnico não é complexa – digamos que é uma versão à Porto, com esse extra de garra, do que lograva o Benfica de Jesus com êxito a nível doméstico no inicio da década – mas a idiossincrasia da equipa é muito especial. Qualquer novo reforço entra num grupo já formado, trabalhado e emocionalmente muito unido e tem de ser capaz de adaptar-se a essa realidade em tempo recorde. Não há, no mercado e face à nossa realidade, um talento absoluto disponível capaz de ser titular de caras apenas pelo genial que possa ser, pelo que quem vir tem de ser parte da engrenagem colectiva ou o próprio técnico será o primeiro a excluí-lo das opções. Oliver, sem dúvida um jogador com um talento incomparável, não joga precisamente porque apesar das suas virtudes, não é o homem certo para o modelo de jogo. 
Ou seja, salvo que seja uma posição cirúrgica (estou a pensar em extremo esquerdo/direito) ou um avançado de natureza muito diferencial do jogo que oferece Aboubakar (e para isso já existe Soares, inclusive), as necesidades reais deste plantel são escassas. E mais ainda quando o grupo parece de tal forma unido que a capacidade de multiplicação de posições reduz ainda mais essa ideia de necessidade extrema individual. Chegar e sentir o que o técnico fazem os jogadores sentirem, dentro dessa dinámica de “irmãos de armas”, é algo extremamente complexo de lograr e difícil de exigir a uma cara nova. Para quatro meses de competição, mais ainda. 

Seguramente haverá jogadores melhores que Marega no mercado mas será que algum dará a Sérgio o que ele quer dessa posição? Ou será tão capaz como Marega é de representar a unidade do grupo e o espirito deste projecto? O mesmo pode ser dito, realmente, de todos. Ninguém pode saber o que nos espera o amanhã e talvez uma lesão grave de um central, um problema sério de Danilo ou de Brahimi – os únicos jogadores sem réplicas reais daquilo que são e dão à equipa – podem sempre oferecer novos problemas e novas equações. No entanto, no momento presente, cada incorporação corre o risco de ser mais vista como uma contratação do que, propriamente, um reforço. E sabendo como está a SAD e como estão as finanças do clube  - com jogadores por renovar e buracos abertos para a próxima época, sobretudo na posição de defesa central – o mais lógico seria confiar em Conceição e nos seus homens e ir preparando o futuro com consciencia, sabendo que a força, a união e o talento do grupo e do seu líder que trouxe o FC Porto à sua melhor posição numa década a inicio de ano é uma arvore com raizes mais profundas na terra do que podemos imaginar para abanar ao primeiro sinal de tempestade.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

SMS do Dia

Que coisas mais ou menos positivas fizemos nós este ano?


  1. Ganhar dois jogos ao Benfica
  2. Chegar ao Natal em primeiro lugar
  3. Ganhar ao pior Chelsea dos últimos 12 anos
  4. Dar alegrias a muitos clubes pequenos: Arouca, Tondela, Famalicão e Feirense
  5. Dar valor ao terceiro lugar
  6. Proporcionar aos adeptos a possibilidade de ver jogos no Dragão sem grandes multidões
  7. Aumentar o vocabulário de insultos a muitos adeptos novos


sexta-feira, 11 de março de 2016

AG em directo, via Streaming ou PortoCanal, porque não?

O FC Porto é um grande clube. Não, o FC Porto é uma Nação.
O crescimento espantoso do clube provocou igualmente, e de forma merecida, o crescimento da sua legião de seguidores. Muitos desses adeptos que se juntaram ao clube nos anos de glória fizeram-se igualmente sócios, em muitos casos, correspondentes. Outros mantiveram uma profunda ligação emocional, que não financeira. O problema para muitos portistas sócios no entanto foi a situação económica da última década que atirou milhares para outras paragens. A emigração, sobretudo de jovens, notou-se bastante em todo o país e na zona norte em Portugal. Hoje não é segredo nenhum dizer que há milhares de sócios portistas a residir longe do Grande Porto. Uma realidade que tem inclusive ajudado a espalhar o grande nome do Porto lá fora por aqueles que viveram, na primeira pessoa, os momentos mágicos do calor humano das Antas e do Dragão na pele.

Ora, se o FC Porto quiser ter um detalhe de preocupação e respeito para com esses sócios (e, já agora, com os muitos sócios que vivem noutras zonas do país), não havia nada melhor que pudesse fazer do que transformar a próxima Assembleia Geral (e quem diz a próxima diz também "as próximas") num evento transmitido em directo. Ora, se o clube não tivesse gasto uma pequena fortuna no PortoCanal, essa transmissão até podia ser feita via streaming na página oficial. Todos os que nos visitam sabem que até um grupo de grandes bloggers portistas - onde o Reflexão Portista teve presença - conseguiu fazer isso com os seus encontros da Bluegosfera, logo não deve ser algo complicado para uma grande instituição conseguir uma conexão rápida e segura para os portistas e sócios que não vão poder estar presentes.

Mas....mas, o Porto Canal pertence ao Clube e não há, realmente, nada que respeite mais a instituição que utilizar um canal próprio para aproximar a instituição dos seus. Afinal de contas, não é por um dia a programação ser interrompida pelo encontro entre grandes portistas que debatem o dia a dia e a vida do clube - afinal, não se interrompeu um jogo para dar o discurso presidencial na inauguração de uma Casa em Cantanhede, onde há, igualmente, grandes portistas - que virá mal ao mundo. O processo eleitoral é o pilar de qualquer instituição e o FC Porto não é diferente.
Seguir em directo o processo, o debate de ideias entre sócios, conhecer o ambiente que se vive nas Assembleias, identificar os rostos, os silêncios, os que falam soltando palavras que são portismo puro e absoluto, devia ser algo a que todos nós, portistas pelo Mundo - e pelo país - deveríamos poder formar parte. Entenderão, naturalmente, que muitos não possam deslocar-se em pessoa para votar (uma pena que não exista ainda um voto electrónico para esses casos) mas isso não devia significar esconder o processo quando a sua divulgação pública é perfeitamente possível.
E se fosse necessário restringir o acesso a sócios, não é tecnicamente complexo criar um código e "username" inserindo o número do cartão de sócio para que só estes pudessem ver a AG em directo, passando o PortoCanal emissões regulares de cinco minutos em directo durante a Assembleia, emitindo posteriormente uma reportagem alargada nos seus informativos.

Durante anos criticamos, e bem, a forma como os canais privados e públicos faziam das eleições, noutros clubes, um circo mediático. Não é isso que queremos. Queremos uma celebração de portismo para todos, porque ninguém é mais portista que outro em função da distância em quilómetros que reside do estádio do Dragão, e se existem os meios tecnológicos, se existe a propriedade de um canal que pertence ao clube, a obrigação da direcção do FC Porto ainda em funções é abrir esse momento a todos. A não ser que sintam que o ambiente e o processo eleitoral está bem como está, entre silêncios mais ou menos cómodos, rostos sérios, vozes que despeitam opiniões alheias e sabem que o podem fazer porque poucos estão a olhar. Se assim for, entende-se perfeitamente que o processo continue a existir em formato catacumba. Mas acho que está na altura do portismo merecer algo distinto, uma celebração do nosso amor do clube distribuído a azul e branco, ás claras, nos quatro cantos do mundo.
   

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Ao serviço da cidade, da juventude e do desporto

Na sequência de um acordo entre a Câmara Municipal do Porto (CMP) e o FC Porto, que prevê a passagem da gestão da Piscina de Campanhã para o clube (ao longo dos próximos 25 anos), o FC Porto efectuou uma candidatura a fundos europeus, através da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDRN), para suportar as obras de recuperação e remodelação que se impunham.

Candidatura aprovada, as obras foram executadas em cerca de seis meses e custaram 2,3 milhões de euros (a comparticipação foi de 70%).






A inauguração foi hoje.



Importa dizer que a nova piscina de Campanhã é a única da cidade com dimensão olímpica (50 metros) e com homologações para natação pura e sincronizada, bem como, para pólo aquático.



Como portuense, parece-me que era uma (enorme) lacuna a cidade do Porto não ter um equipamento destes.
E, como portista, não tenho dúvidas: há muito que os atletas da secção de natação do FC Porto – os golfinhos – mereciam um equipamento com esta qualidade.

Equipa de Natação Feminina 2014/2015 - Hepta campeãs nacionais

Mais. Aproveitando as obras, o FC Porto criou condições para que o novo equipamento também possa ser utilizado pelos atletas das secções de Desporto Adaptado e Pugilismo.



No total, o novo equipamento irá acolher cerca de 300 atletas de três modalidades.
E, porque faz parte do acordo CMP - FC Porto, também haverá períodos em que a piscina irá estar à disposição da população em geral.

Em resumo, como portuense, portista e ex-frequentador daquele espaço, não tenho dúvidas: hoje foi um dia bom para a cidade, para o clube mas, acima de tudo, para quem gosta/pratica desporto e natação em particular.


Fotos (fonte): Secção Natação FC Porto, FC Porto

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

No Porto já não resta muita coisa

"O Porto sempre teve uma qualidade, que pode estar a perder. Sempre foi uma cidade muito orgulhosa dos seus pergaminhos - os nobres estavam proibidos de ter casa dentro de muros, a Inquisição nunca conseguiu montar cá um tribunal - e infelizmente está a perder-se um bocado. Tirando o Futebol Clube do Porto, já não resta muita coisa."
Alberto Amaral, ex-reitor da Universidade do Porto, em entrevista ao JN (04-11-2012)

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

O Porto está na moda

(Pintura sobre tela em acrílico, de Manuel Couto)


A cidade do Porto foi eleita o melhor destino europeu de 2012, distinção atribuída pelo European Consumers Choice, após uma votação no site European Best Destination (mais de 212 mil votantes).

O Porto foi finalista no Prémio de Melhor Cidade, nos Design Awards 2012, promovidos pela Wall Paper Magazine.

O Porto foi indicado pela Lonely Planet, para muitos a "Bíblia" dos viajantes, como um dos Top 10 best value destinations for 2012.

O site Aol Travel elegeu a Francesinha como uma das 10 melhores sanduíches do mundo.

A Pousada do Freixo foi um dos 15 hotéis europeus recomendados pela revista Condé Nast Traveller, na categoria Affordable chic.

A estação de São Bento foi considerada, pela Travel and Leisure, uma das estações mais belas do Mundo.

A livraria Lello foi classificada como a 3ª mais bela do Mundo, pela Lonely Planet.

O café Majestic foi escolhido como um dos 10 mais bonitos do Mundo, pelo Ucity Guide.

E há ainda a Torre dos Clérigos (projectada por Nasoni), a Sé Catedral, a Igreja de São Francisco, o Palácio da Bolsa (com o seu fantástico salão Árabe), o museu e jardins de Serralves, a Casa da Música (projecto de Rem Koolhaas para a Porto Capital Europeia da Cultura 2001), o Mercado do Bolhão (apesar do actual estado de degradação), a mercearia 'A Pérola do Bolhão' (com a sua fachada em Arte Nova), o café Guarany, a zona histórica, a muralha Fernandina, a Casa do Infante, a Ribeira, a ponte D. Maria, a ponte D. Luís (desenhada por Teófilo Seyrig, discípulo de Eiffel), as caves do Vinho do Porto (do outro lado do rio, em Vila Nova de Gaia), os cruzeiros das 5 pontes no rio Douro, a Foz, o Parque da cidade, etc., etc.

E, claro, há o Estádio do Dragão, o qual merece ser visitado, mesmo quando não há jogos de futebol.

Mas no próximo sábado à noite até há jogo, um FC Porto x Vitória Guimarães, o qual tem o aliciante extra de poder ser o último em que Hulk (o jogador mais marcante do futebol português nas últimas quatro épocas) irá envergar a camisola azul-e-branca.

Agosto, mês tradicional de férias, uma boa altura para os não-portuenses visitarem a Antiga, Mui Nobre, Sempre Leal e Invicta cidade do Porto.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Com um nó na garganta...

Este clima, não estando "cinco estrelas", puxa ainda assim mais para comédias do que que para charopadas melodramáticas mais típicas de dias invernais, mas não posso deixar de partilhar estes relatos pungentes, sentidos, que partem o coração ao mais empedernido portis... monstro. Isto faz chorar as pedras da calçada.

Benfiquistas falam de como é viver o seu clube no Porto

p.s.: A título de curiosidade, sugiro editar o texto e substituir "Porto" por "ghetto de Varsóvia", "portista" por "nazi", "benfiquista" por "judeu"... Ficam a parecer relatos de prisioneiros de Auschwitz.

p.s.2: Sou particularmente fã de histórias do género "o meu vizinho" (ou o filho da prima de uma cunhada do irmão de uma moça que é amiga de um tipo que eu conheço) foi espancado (o que infelizmente, até pode ser verdade); faz lembrar o famoso caso daquele rapaz desgraçado (que até acabou por se suicidar), agredido num jogo de hóquei pelo Paulo Alves, quando este saltou para a bancada e desatou a bater em tudo o que mexia.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Frases soltas

Foi-se o Souza e vem aí o Leiria e depois o City. O ano passado estava muito mais contente, e o "Venceremos! Venceremos! Venceremos outra vez!" fazia tanto sentido. Sobre o empréstimo do Guarin só não dou pulos de contentamento porque em Julho vamos ter o homem de volta. O novo Vinha parece jeitoso. A Porto Media é do clube, da SAD, ou do Oliveira? O Bruno é ladrão, mas felizmente sou portista e sei que ganha quem é melhor. No Vintage faltou o Jaime Magalhães e também o André, mas basta olhar para ele para se perceber. O Guarin vai voltar. Não acredito que o Sapunaru volte a jogar por cá, mas não percebo o porquê. O Lucho nunca me encheu as medidas, acho que tinha mais potencial do que aquilo que mostrou ao longo da carreira, mas o espírito do retorno encheu-me as medidas. O Guarin vai jogar muito pouco em San Siro. E depois dizem que a inteligência não é importante num jogador da bola. O Maicon é defesa direito, o Danilo é lateral direito. O Iturbe nunca vai ser um Messi, é bom que tenhamos essa noção. O que faz em concreto o Reinaldo Teles? Os Xutos vêm ao Dragão Caixa e estão aqui, nos auriculares, a cantar: "Serei eu um ladrão?". Quase que aposto que o treinador não obrigou ninguém a assinar um contrato com cláusula de 18 milhões. Desde que o Co tirou a braçadeira ao Baía para a dar ao Pedro Emanuel que me faz confusão essa ideia de que o capitão é diferente dos outros jogadores na relação com o árbitro. No Dragão nunca houve ameaça de nevoeiro e já lá vão mais de 9 anos a jogar essencialmente à noite - é o aquecimento global. Metade do hendeca já está. Tá frio - deve ser do aquecimento global - e os jogos são à noite. Para quando o Porto Canal nos canais RF do Meo? Se a ideia era manter o 443 bem me parecia que havia médios a mais. Ainda bem que o Inter se dá ao luxo de pagar o empréstimo de um lesionado. Suspeito que a Merkel não vai ser convidada para a inauguração do estádio dos Barreiros. Quem gostava do futebol do Porto de Jesualdo Ferreira queixa-se do quê?

Venceremos! Venceremos! Venceremos outra vez!

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Pátria que me pariu

Nasci entre os Aliados e a Trindade mas o único berço que me lembro estava perdido nas filas superiores da velha bancada poente da única igreja das Antas que alguma vez me preocupou. Numa vida que me levou a caminhar por aí, como diria o poeta, sempre encontrei no FC Porto a pátria que me pariu por cima de bilhetes de identidade republicanos, heranças genéticas e lembranças ancestrais de mil e uma gerações desse povo que deu o nome a Portugal.



Como bom português vivo preso à saudade. Das velhas tardes em que de menino passei a homem de azul ao peito. Nascido mas não criado na Invicta paguei o preço de pertencer a uma família que seguia a figura parental pelas escolas desse Minho fora onde era colocado. Quando o destino me devolveu a casa reencontrei-me com uma pátria que visitava de tempos a tempos mas que era ainda como um primo distante. Graças a um tio, um desses sócios da velha guarda que conhecem, ao contrário de mim, as agruras de quando éramos “andrades” complexados, aprendi a saber de cor cada placard publicitário que cercava o tapete verde onde passei a maioria dos sonhos da minha adolescência. Nas Antas aprendi que o futebol é mais do que algo de vida ou morte. Como o vinho do Douro, o por-do-sol em Miramar ou a imagem da ponte D. Luiz, o FC Porto sintetizava toda a minha pátria. Nunca vibrei com a melhor selecção portuguesa como com a pior equipa azul e branca que conheci e agora que há mais de meia década vivo a mais de 700 kms quando me perguntam se sou português lá sou forçado a pontualizar: do Porto.

O FCP ensinou-me a sentir e conhecer uma pátria que me pariu mas que me demorou a amamentar. Nas Antas aprendi a beber as histórias contadas entusiasmante por um velhote sempre carinhoso com quem lhe prestava atenção e entre bifana e rebuçados apaixonei-me pela elegância de Baía, Aloísio e Drulovic, pela dureza portuense de Jorge Costa, Paulinho Santos e André e sonhei em ser o parceiro de ataque de Kostadinov, Domingos, Artur ou Jardel. De azul e branco passei a homem e em vez de limitar-me a cantar o hino emocionado aprendi a senti-lo mais para lá de onde adormece a razão. E como qualquer relação filial senti que mais do que amar a pátria que me pariu estava na hora de a entender também.



Não me perguntem as horas perdidas a reler o velho relicário da biblioteca ás portas dos Poveiros, os filmes sacados a amigos privilegiados com vhs quando isso ainda era utopia e a puxar pela memória de um pai salgueirista e pedrotista que passou como muitos horas nas filas para entrar na arquibancada daquela tarde frente ao Braga onde todos nós nos fizemos homens sem o saber. Descobri, mais do que as razões de ser “nobre e leal”, a minha pátria era, sobretudo, o espelho da resistência transformada em poder, uma realidade que lembrava a aura revolucionária de Castro e Guevara na serra de Santa Maria agora transformada em poder. Não vivi mais do que três anos de misérias e nunca poderei, honestamente, ombrear com quem sofreu de verdade com ser portista numa sociedade acurraladora e estupidamente centrista. Mas não precisei de pensar muito para descobrir que o FCP da minha mitologia infantil se tinha transformado no senhor absoluto de uma nova era que trazia novos desafios, dúvidas e esperanças. Mais do que celebrar com as nossas vitórias aprendi a desfrutar de encontrar um caminho de esperança nas nossas derrotas. Deixei de acompanhar semanalmente os nossos soldados mas em espírito senti-me mais presente do que nunca nessa metamorfose que pode transformar o clube que tantos adoram em odiar numa instituição nuclear no futuro de uma cidade que é mais minha mãe e meu pai que o país que a ocupa e destroça.

Reflectir sobre o FCP mais do que um passatempo engraçado é uma obrigação para quem sente essa divida eterna com uma instituição que me deu alguns daqueles momentos que no flashback que dizem que todos teremos me passaram pela memória. A 700 kms de distância ouvi por um passarinho que perdemos contra o Gil Vicente, que o mundo se vem abaixo e a mourama de Almansor vem por aí na ilusão de cercar o dragão ferido. É nestes momentos, no silêncio antes da tempestade, que mais prazer me dá sentar-me, pensar no que temos pela frente, nesses cancros que sempre haverá por curar, lembrar-me dos meus amigos que sofrem aí na pele as injustiças de um país australopiteco. É aí que mais desfruta em sentir-me portista. Sentir-me filho de quem me pariu. Dessa memória azul que não admite verdades absolutas, hermetismos e medos mas que sabe o que é sentir, nas entranhas, como o granito cinzento da velha cidade ressoa a cada grito de “Porto” saído do buraco da alma de todos nós!

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Censos 2011 vistos do Porto

Os dados preliminares dos Censos 2011 mostram que o concelho do Porto continua a perder população. Em 1981 tinha 327 mil habitantes, número que desceu para 302 mil em 1991, 263 mil em 2001, tendo chegado agora aos 237 mil. Aliás, o Porto foi a capital de distrito que perdeu mais população (variação negativa de 9,72%). Números para o Dr. Rui Rio reflectir.

Em contrapartida, a população residente aumentou em todos os cinco concelhos que rodeiam o Porto – Gaia, Matosinhos, Gondomar, Maia e Valongo – passando de 828 para 873 mil habitantes.
E nos 16 concelhos que constituem a Área Metropolitana do Porto a população aumentou ligeiramente (1,28%) para 1,67 milhões de habitantes.

A evolução da população da concelho do Porto (menos 90 mil habitantes nos últimos 30 anos), a que acresce o facto de uma parte significativa da população actual estar envelhecida, é algo que me parece não dissociável da crise que afectou uma parte dos clubes históricos da cidade, como é o caso dos centenários Académico Futebol Clube, Sport Comércio e Salgueiros, Boavista Futebol Clube e Clube Fluvial Portuense.

É verdade que o FC Porto ultrapassou há muito a barreira da circunvalação, sendo um clube com cada vez mais adeptos em todas as partes do país, incluindo em zonas onde dantes encontrar um portista era uma raridade. Contudo, não podemos esquecer as origens e o facto de ser na Área Metropolitana do Porto que se concentra a maior fatia de adeptos portistas. Daí a importância dos dirigentes azuis-e-brancos olharem para os números do Censos 2011 com atenção e, inclusivamente, de os cruzarem com os dados que possuem acerca da origem dos sócios do FC Porto.



P.S.1 Só por curiosidade, e porque há cada vez mais pessoas a falar da fusão Porto – Gaia (algo de que eu sou um entusiasta defensor), o concelho PortoGaia teria perdido cerca de 12 mil habitantes, tendo actualmente uma população de 539651 habitantes.

P.S.2 Braga foi a capital de distrito que mais habitantes ganhou, passando de 164 mil para para 181819 residentes.

sábado, 26 de junho de 2010

Do Terreiro do Paço, nem bom vento...


Em Fevereiro passado, num artigo intitulado 'Gallaecia, centralismo e desporto', escrevi o seguinte: «o poderosíssimo loby centralista tudo fará para boicotar, atrasar ou dificultar todos os projectos ou iniciativas que contribuam para fazer sombra à "capital do Império"».

Uns dias depois, da capital vinha a confirmação de uma notícia pré-anunciada: o TGV Lisboa - Madrid é para fazer já, enquanto que as linhas Porto - Lisboa e Porto - Vigo são adiadas para as calendas.
E continuando na sua senda de "apoio" à dinamização da economia na região mais afectada pela crise - é no Norte que fecharam mais empresas e que está a maior parte dos desempregados -, o governo de Lisboa decidiu que esta era a altura ideal para portajar três das sete SCUT existentes em Portugal, com a "coincidência" de serem todas no Norte...

A propósito desta medida do governo de Lisboa, no dia 23 de Junho, em entrevista à RTP, o Secretário-Geral do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular, Xoan Vásquez Mão, afirmou o seguinte:
"Quem vem de férias, ou quem vem ao IKEA, ou passar um fim-de-semana ao Porto, ou apanhar o avião ao Porto tem que fazer fila na bomba de gasolina para recolher o aparelho, tem que pagar, depois receber a devolução. Não sabe como é que funciona. Se se engana tem de ficar no trânsito à espera. Com tudo isto quem vai passar um dia de férias tranquilamente, ou apanhar o avião, vai chegar incomodado, com mau feitio. Vai antes a Santiago ou vai fazer as compras ao IKEA a La Coruña. Qual é o efeito de não haver dinheiro galego em Portugal? Obviamente não vai haver dinheiro português para gastar na Galiza. Porque a relação é tão forte que todos dependemos de todos."

E mais adiante acrescentou:
"Se associarmos isto ao TGV, à dificuldade nas comunicações, o problema está a fazer com que a Galiza, que tem um sentimento muito especial para com Portugal - para nós é a nossa casa, somos a mesma gente - comece a olhar para o Cantábrico, a virar costas, e isso pode acabar por ser um problema muito grave. E aqui não é um problema com o Norte de Portugal, é um problema com o Governo português que parece pretender levantar todas as dificuldades possíveis para que esta Euro região não avance."

De facto, e como escreveu Paulo Morais no JN de 09/06/2010, "o centralismo é doença crónica de sucessivos governos. O fenómeno não é de agora. Com o advento da democracia em 1974, os governos de Lisboa, tendo perdido os territórios ultramarinos, contentam-se agora com colonizar e espoliar o resto do continente. Mas esta atitude atingiu o absurdo e a sem vergonha nos últimos meses. Os exemplos são inúmeros. O Governo continua apostado em construir essa obra inútil e cara que é o TGV de Lisboa para Madrid, mas cancela a expansão do metro do Porto, que serve milhões de passageiros e é imprescindível para o desenvolvimento da sua Área Metropolitana. Quando o Estado ameaça falência e há necessidade de cobrar portagens nas SCUT, o Executivo opta por sacrificar o Grande Porto e o Norte."

E o que é que isto tem a ver com o futebol e, em particular, com o Futebol Clube do Porto? Então o FC Porto não é um clube nacional?
Sim, é indiscutível que o FC Porto cresceu muito nas últimas décadas, conquistando milhares de adeptos de norte a sul de Portugal e nas regiões autónomas. Mas o FCP não pode ser dissociado da cidade do Porto, da Área Metropolitana do Porto e, inclusivamente, do Norte de Portugal, porque é aí que estão as suas raízes e concentrada a esmagadora maioria dos seus adeptos.

À semelhança do Barcelona e de outros grandes europeus, o FC Porto possui uma identidade e forte matriz regional. Contudo, sendo esta uma das suas principais forças, pode e vai tornar-se uma fraqueza se a economia da área metropolitana e da região Norte continuar a definhar. Sobre isto não haja ilusões. E é por isso que este assunto - centralismo, regionalização, capacidade económica das regiões, PIB per capita - tem mais a ver com o futebol e com o FC Porto do que alguns pensam.

(*) Durante muito tempo, dizia-se que "de Espanha, nem bom vento, nem bom casamento". Agora, que Castela deixou de ser uma ameaça, é do Terreiro do Paço (símbolo maior do centralismo sufocante que asfixia o país) que não sopram bons ventos para os portugueses de Elvas, Valença, Bragança, Porto, Faro, Viana, etc.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Gallaecia, centralismo e desporto


"Depois do 25 de Abril, era natural ter reuniões no Porto com administradores de bancos e de companhias de seguros. O próprio BPI e BCP, que nasceram na CCDR-Norte, já não têm a administração no Porto. Hoje em dia, um jovem quadro da banca que esteja no Porto está sem perspectivas de evoluir na carreira."

"Há cerca de uma década, o PIB per capita da Galiza e do Norte de Portugal era idêntico e agora a diferença é superior a 40%. A grande diferença entre as duas regiões ibéricas reside na organização do respectivo sistema político."

"Se imaginássemos que os Estados centrais implodiam, a Galiza e o Norte de Portugal formam claramente um país, partilhando características muito próprias."

Estas três frases foram proferidas por José Silva Peneda, ex-ministro de Cavaco Silva, ex-eurodeputado do PSD e presidente do Conselho Económico e Social, numa entrevista publicada pelo JN em 19 de Dezembro passado.

Embora o centralismo do Terreiro do Paço seja cada vez mais descarado, com frequentes atitudes discriminatórias face ao resto do país, não existe (ainda) um sentimento separatista significativo no Norte de Portugal. Contudo, penso que o Porto e o Norte teriam muito a ganhar se aprofundassem a ligação à Galiza, tirando partido do seu passado comum e das características sócio-culturais que os unem. Daí que seja estratégico dar vida à Euro-região Norte de Portugal - Galiza, reforçar o papel do Eixo Atlântico do Noroeste Peninsular e construir o TGV Porto-Vigo em linha mista (para passageiros e mercadorias), obrigatoriamente prevendo uma estação num aeroporto Sá Carneiro com gestão autónoma. Evidentemente, o poderosíssimo loby centralista tudo fará para boicotar, atrasar ou dificultar todos os projectos ou iniciativas que contribuam para fazer sombra à "capital do Império", mas cabe-nos a nós, portuenses, minhotos, durienses e transmontanos, lutar por aquilo que nos permita, e aos nossos filhos, ter um futuro melhor.

E para além de uma integração económica que se deseja cada vez mais forte, há claramente espaço para iniciativas conjuntas de promoção do turismo de natureza, histórico, religioso e gastronómico, criando rotas que envolvam locais e monumentos das duas regiões nestes domínios.
O governo português e o Turismo de Portugal não estão interessados nisso? Admito que não, mas para que servem a CCDR-N e os deputados eleitos pelos distritos do Porto, Braga, Viana do Castelo, Vila Real e Bragança?

E o desporto?
Na aproximação à Galiza o FC Porto já deu um pequeno passo, quando organizou uma edição do Dragon Force na localidade galega de Redondela, província de Pontevedra, entre os dias 20 e 24 de Julho de 2009. Isto para além do actual treinador da equipa sénior de basquetebol - Moncho López - ser galego (natural de Ferrol), o que pode potenciar algum intercâmbio transfronteiriço ao nível desta modalidade.

Também existe (existiu?) uma Copa Gallaecia de selecções de futebol jovens, cuja 2ª edição foi realizada em 2007 envolvendo selecções das Associações de Braga, Porto, Bragança, Viana do Castelo, Vila Real, Coruña, Ferrol, Lugo, Ourense, Pontevedra, Santiago e Vigo. Contudo, foi uma iniciativa com pouca ou nenhuma visibilidade e, por isso, sem qualquer impacto público.

Ora, como fenómeno de massas, o futebol é um meio privilegiado que poderia ser usado no aprofundamento da integração entre o Norte e a Galiza, mas para isso seria necessário envolver os principais clubes desta Euro-região. Nesse sentido, o Eixo Atlântico seria a entidade ideal para dinamizar a organização de um Torneio de Verão que juntasse clubes como o FC Porto, Braga, Vitória Guimarães, Gil Vicente, Chaves, Deportivo Corunha, Celta Vigo, Santiago Compostela, Pontevedra entre outros, com edições anuais a serem realizadas, alternadamente, no Norte de Portugal e na Galiza. Para além dos municípios dos clubes envolvidos, estou convencido que não seria difícil arranjar patrocinadores dos dois lados da fronteira, bem como descontos da hotelaria (com preços mais favoráveis para os adeptos) e, para uma maior divulgação, contar também com o apoio da comunicação social local e regional (TV Galicia, Porto Canal, Jornal de Notícias, Faro de Vigo, Diário do Minho, etc.).

A aproximação à Galiza, por si só, resolve o problema deste centralismo sufocante da capital que está a abafar o país? Não, mas a luta contra o centralismo é uma “guerra” de muitas “batalhas”, que só poderá ser vencida se a população e os principais actores da região se unirem nesta luta. A propósito do vergonhoso caso Red Bull Air Race, um participante galego escreveu o seguinte no Fórum Gallaecia:
"Dende a Crunha quero mandar un conselho... a loita polo proprio comeza nas pequenas victorias que um mesmo pode acadar para o país. Mostrar um descontento a nível social grande pode fazer recuar a Lisboa, e mesmo o político de turno. Forza!"
Haja líderes no Norte, políticos, empresários, académicos, agentes culturais, etc., que tenham visão estratégica e queiram travar esta "guerra", que eu estou convencido que não faltarão "soldados" para engrossar as fileiras.


P.S.1 Gallaecia ou Callaecia era o nome de uma província romana que abrangia o território do noroeste peninsular e que corresponde, aproximadamente, às actuais regiões da Galiza, Asturias (parte Oeste) e Norte de Portugal. Gallaecia vem do nome Kallaico referente a uma tribo que vivia nas margens do rio Douro - os calaicos - que prestavam culto a Cal-Leach. Em 137 a.C., depois de ter derrotado os lusitanos (e da morte de Viriato), Decimus Junius Brutus venceu a batalha do Douro e avançou, de Sul para Norte, para a conquista daquilo que viria a ser designado pelos romanos por Gallaecia (um ano depois o Senado romano concedeu-lhe o título de Callaicus, "o calaico"). Ao contrário do que os manuais escolares nos querem fazer crer, o povo originário de Portugal não é (apenas) os lusitanos e não foi concerteza por acaso que os romanos decidiram separar a Gallaecia das restantes regiões da Hispânia, incluindo da Lusitânia.

P.S.2 Um vídeo sobre a Gallaecia e a herança Celta.

P.S.3 Penso que seria escusado dizê-lo, mas mais uma vez repito que nada me move contra os "alfacinhas". O cancro que suga o país e que é preciso combater não é Lisboa, mas sim o centralismo, em que muitos dos seus protagonistas (Cavaco Silva, Durão Barroso, José Sócrates, João Cravinho, Pacheco Pereira...) nem sequer são lisboetas de origem.

domingo, 27 de dezembro de 2009

Os Patrões do centralismo

«Tentei ontem conhecer o nome do vencedor do Campeonato do Mundo dos Jovens Pasteleiros, mas não o consegui. O site da Associação de Hotelaria e Similares de Portugal (AHRESP) disse-me que eu não tinha permissão para aceder a essa extraordinária informação sobre a prova que decorreu de 31 de Março a 2 de Abril do ano passado em Lisboa.
Apesar de esse magnífico certame ter tido o apoio do Turismo de Portugal no valor de 50 mil euros - tanto como o Fantasporto, e mais do que todo o distrito de Aveiro durante todo o ano de 2008 - não consigo assim dizer aos meus eventuais leitores quem foi esse magnífico vencedor, como não sei se se distinguiu a cozinhar o “Melhor do Mundo” ou rabandas.

Os números que a Câmara do Porto divulgou sobre os apoios dados pela Turismo de Portugal em 2008 são, de facto fantásticos: 61% (43 milhões de euros) foi para o concelho de Lisboa. Concelho, repito, nem sequer é o distrito.
Dizem-me que é por causa das contrapartidas pagas pelo Casino de Lisboa e que isso explica tudo.
Para mim isso não explica nada. Ou então deixem-me fazer um casino no Porto. Melhor ainda: apliquem a essas contrapartidas, o princípio do “spill over” que permite gastar dinheiros europeus em regiões já com nível acima da média europeia, tal como tem acontecido com inúmeros benefícios para Lisboa, e assim as coisas já ficam mais justas.

Agora, quererem convencer-me de que o projecto “Ao domingo o Terreiro do Paço é das pessoas”, que teve direito a nada menos de 600 mil euros, ou esse piramidal projecto de animação dos coretos de Lisboa que mereceu 300 mil euros, são boas aplicações dos dinheiros do Turismo de Portugal, isso não conseguem. Se é a lei que está mal, ela já se devia ter mudado.
Curiosamente Luís Patrão, patrão da Turismo de Portugal, em declarações ao GP, justificou há dias o corte no apoio ao Concurso de Saltos Internacional de Matosinhos com o facto de o dinheiro não estar a servir para a internacionalização da prova, como era suposto. As “Redes pedonais e percursos cicláveis de Lisboa” tiveram direito a 1.1 milhões de euros e já agora, gostava de saber em que é que internacionalizam a nossa querida capital.

Mas por aqui percebe-se bem porque não há Regionalização. Como é que isto iria ser possível num quadro regionalizado? As Regiões teriam muito maior capacidade na barganha por estas verbas e não iria ser fácil ao Estado colocar o dinheiro todo no mesmo cesto. Esta gente, como a que manda no Turismo dito de Portugal, é precisamente a que tem poder e que não é escrutinada. Com a Regionalização seria, fatalmente.

Mas também, no meio disto tudo, gostaria de ter visto uma reunião da Junta Metropolitana do Porto que congregasse os seus municípios numa crítica clara ao que tem sido este regabofe do Turismo de Portugal, ao que foi a história da Red Bull e da sua viagem para Lisboa porque “havia limitações no Porto em Gaia”, como disse o responsável da Red Bull em frente aos autarcas António Costa e Isaltino Morais, sentados lado a lado.»
Manuel Queiroz
in 'Grande Porto', 24/12/2009


Ainda no Semanário Grande Porto, e a propósito das declarações que Bernd Loidl, CEO da Red Bull, fez em Lisboa sobre as "limitações naturais" do rio Douro, Luís Filipe Menezes afirmou: "São uns aldrabões e uns mentirosos. Sempre elogiaram, sempre disseram que no Douro tinham as melhores imagens dos aviões, os pilotos sempre disseram que gostavam imenso de voar aqui".
E sobre as explicações piedosas do presidente da CM Lisboa, Menezes reagiu da seguinte maneira: "Já o que diz o dr. António Costa é conversa fiada. Ainda tinha que lhe agradecer e fazer uma festa de homenagem".

"Limitações naturais"? Não tinha reparado que do dia 4 de Dezembro para agora as margens do Douro tinham ficado mais estreitas. De outro modo, como é que a corja que se juntou para levar a Red Bull Air Race do Porto para Lisboa, justifica que nesse dia (4 de Dezembro), numa reunião realizada com os presidentes das câmaras do Porto e de Lisboa, os responsáveis austríacos e portugueses da organização da prova tenham proposto aos autarcas do Norte a realização do evento alternadamente entre Lisboa e Porto?

Nota: A gravura que ilustra este artigo é da autoria de Diogo Oliveira.

quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Lamentável!


"É uma situação normal [a transferência da Red Bull Air Race para Lisboa] e só vem sublinhar que o tão falado prestígio nacional do Presidente da C.M. do Porto é falso!"
Pinto da Costa, em declaração enviada à Lusa


É triste que o presidente do FC Porto coloque as suas guerrinhas pessoais acima dos interesses do Porto, do Norte e do país, um país que deveria ser menos centralista e com menores assimetrias regionais. Esta lamentável declaração está ao nível e vem na mesma linha das que foram feitas pelo líder do PS-Porto, Renato Sampaio, mas esse percebe-se porquê.

Não reconheço este Pinto da Costa, mesquinho, pequenino e sem visão estratégica.

A corda está esticada


«Quando colocados na balança as perdas e os ganhos, a realização da Red Bull Air Race era um ponto a favor na capacidade de iniciativa e de realização nortenha. E um mecanismo de captação de turistas nacionais e de todo o Mundo. Agora, mesmo isso perdeu-se. Nada perdura e tudo se deslocaliza, quando não fecha as portas, tal como acontece na indústria têxtil e com algumas importantes sedes de associações ou de institutos.
A própria Associação Empresarial de Portugal (AEP), com centenas de membros, que sempre teve a sua sede no Porto, fez as suas malas. Em Outubro, concretizou-se a fusão da AEP com a Associação Industrial Portuguesa.
A nova associação passou a chamar-se Confederação Empresarial de Portugal e a ter sede em Lisboa. Outro exemplo de fusão deu-se no mercado bolsista. Em 2000, a Bolsa de Valores de Lisboa e a Bolsa de Derivados do Porto fundiram-se e deram lugar a uma nova sociedade anónima.
No caso da Banca, após sucessivas aquisições e fusões, ficaram dois grandes grupos na região, o Millenium BCP e o BPI. Mas, se as sedes continuam no Porto, os centros de poder e de decisão deslocam-se para a capital.»
in JN, 17/12/2009


Depois do Ministro da Economia ter dito no Parlamento que nada sabia sobre este assunto; depois do presidente do Turismo de Portugal ter afirmado que também nada sabia, confirmou-se aquilo que toda a gente já sabia: a Red Bull Air Race levantou voo do Porto e aterrou em Lisboa.
A negociata e as manobras de bastidores eram notórias e, conforme se comprova, a reunião do passado dia 4 de Dezembro com os presidentes das câmaras do Porto e Gaia não passou de uma fantochada.

Percorrendo os jornais online (PUBLICO, Jornal Notícias, etc.) e dando uma vista de olhos aos comentários que a confirmação deste "roubo" provocou, verifico que não estava a exagerar quando publiquei o artigo “Nós só queremos Lisboa a arder”. É, por isso, lamentável que pessoas responsáveis continuem a assobiar para o lado e não percebam, ou não queiram perceber, que esta golpada é mais uma acha numa enorme fogueira e que serviu para agravar o clima de ódio e divisão que o centralismo sufocante vem provocando em Portugal.

A corda está cada vez mais esticada e um dia vai rebentar. Quando isso acontecer, escusam de vir com discursos moralistas.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Os yes-men


É óbvio que esta não é uma situação boa para a Área Metropolitana do Porto, mas isto só demonstra a incapacidade de Rui Rio e Luís Filipe Menezes de negociarem com a Red Bull. O doutor Rui Rio tem deixado sair tudo do Porto, à excepção da corrida de calhambeques.
Renato Sampaio, presidente da federação distrital do PS-Porto
in ‘Grande Porto’, 11/12/2009


Quer seja nos partidos políticos, quer seja nos clubes de futebol não faltam yes-men. Contudo, mesmo entre os yes-men, há os que fazem questão de se destacarem pelo seu lambe botismo e por serem mais papistas que o papa. É o caso deste Renato Sampaio, transmontano nascido em Alijó, e que a partir da distrital do PS-Porto tem trilhado uma carreira política fulgurante.

Ao contrário do também socialista Guilherme Pinto, presidente da câmara de Matosinhos, que lamentou o provável desvio da Red Bull Air Race para Lisboa e, inclusivamente, disponibilizou-se para articular esforços com as câmaras de Porto e Gaia, Renato Sampaio sentiu necessidade de vir a público atacar o poder político local para, dessa maneira, encontrar argumentos que suportem a lógica centralista subjacente a este “roubo”.

Mas apesar da areia, misturada com calhambeques, que nos quer atirar para os olhos, todos sabemos que esta questão tem pouco a ver com os partidos que têm alternado no governo. Quer o PS, quer o PSD, quando chegam ao poder alinham pela mesma cartilha: metem a regionalização na gaveta e aprofundam o centralismo. Aliás, sabendo isso mesmo, Rui Rio nunca partidarizou. Pediu “bom senso ao poder central” e teve o cuidado de dizer “não estou a falar deste Governo, isto é transversal aos partidos”.

Ora, se em vez de querer mostrar serviço ao “chefe”, Renato Sampaio tivesse mobilizado os deputados do PS eleitos pelo distrito do Porto para uma luta activa em prol da manutenção da prova no rio Douro, tinha prestado um melhor serviço à região por onde foi eleito deputado. Mas, conforme afirmou Pedro Baptista (lembram-se das crónicas acutilantes que ele escrevia em O JOGO?) na conferência de imprensa de apresentação da sua candidatura à Federação Distrital do Porto, “o PS-Porto está completamente passivo. O líder distrital não tem passado de uma caixa de ressonância do poder central”.

De facto, se estes “provincianos” que se passeiam pelos corredores do poder não se esquecessem das suas origens e de quem os elegeu, talvez a realidade do Porto, do Norte e do País fosse diferente, mas é esta a triste realidade.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

“Nós só queremos Lisboa a arder”


"Portugal é cada vez mais um país estrangulado e centralista. Os momentos que se vivem no nosso país são extremamente delicados e difíceis para todos aqueles que querem fazer alguma coisa fora da capital do império.
Por mais pasquins que Lisboa tenha ao serviço e à promoção dos seus clubes e entidades, vamos continuar a lutar com a dignidade das gentes do Norte, com as gentes deste país, de Norte a Sul, que não se confundem com o poder centralista da capital.
O FC Porto está a mais no país que temos, mas é necessário para o país que nós queremos que Portugal seja."
Pinto da Costa, 27/11/2009

Coincidência ou não, estas declarações de Pinto da Costa na Casa do FC Porto de Amarante, foram feitas no mesmo dia em que Manuel Brito, vereador do Desporto da autarquia lisboeta, confirmou ao jornal PÚBLICO a existência de negociações com a Red Bull Portugal tendo em vista desviar a Red Bull Air Race do Porto para Lisboa. Segundo o PÚBLICO, para além da Câmara de Lisboa, os contactos da Red Bull com as entidades portuguesas têm também envolvido o Turismo de Portugal e a Secretaria de Estado de Turismo.

Perante isto, e como seria de esperar, os presidentes das câmaras municipais do Porto e de Vila Nova de Gaia já reagiram: Rui Rio de forma contida e politicamente correcta (a ambição de chegar a líder do PSD e depois a primeiro-ministro a isso obriga) e Menezes sem tibiezas, pondo os pontos nos iis.

"A empresa [Red Bull] tem todo o direito de ir para onde quer. Depois há o financiamento público e para-público de empresas públicas (...) Não estou a falar deste Governo, isto é transversal aos partidos. (...) A seguir às eleições, fomos contactados para saber se estávamos interessados em ter a prova no Porto e dissemos que sim"
Rui Rio, 27/11/2009

"É uma situação escandalosa, o Estado estar a suportar um país a duas velocidades. Não tem nada contra as pessoas de Lisboa, não tem nada contra a Câmara de Lisboa. Tem contra um atitude, mais uma, discriminatória do Estado, que directa ou indirectamente, está a esquecer-se que o Porto é fundamental para o desenvolvimento económico e social do país"
Luís Filipe Menezes, 27/11/2009


Menos soft que os políticos, foi a reacção inflamada de dois conhecidos comentadores e respeitados elementos da sociedade civil portuense:

O Porto não perdeu, o Porto foi roubado, como de costume. Como já se sabia, porque já no Verão isso foi falado, o Governo resolve subsidiar o Red Bull Air Race desde que seja realizado em Lisboa, no Tejo. O governo de hoje em dia é um governo perfeitamente colonial, que vive concentrado em Lisboa, que concentra todo o investimento em Lisboa e acha que nós somos seus colonos e seus súbditos e portanto não está interessado em investir aqui, principalmente no turismo. Tem-se visto o comportamento do governo relativamente ao fomento do turismo nesta região
Rui Moreira, presidente da Associação Comercial do Porto

"O Porto é permanentemente roubado, na medida em que há uma transferência sistemática de impostos dos cidadãos da região, para a capital do Império. Isso é uma lógica que vem de sempre. Já não temos colónias, já não temos Macau, já não temos Timor, já não temos nada desse Império, só que Lisboa continua a funcionar como uma capital imperial. Quer dizer que cada vez que algum projecto com alguma notoriedade, com algum valor para o país, como é claramente o caso do Red Bull Air Race, tinha de haver esta vontade por parte da capital do Império, de nos roubar, penso que é a palavra correcta, esta iniciativa aqui ao Norte. Acho que é uma vergonha"
Paulo Morais, ex-vereador da Câmara do Porto


Desta vez, até o Senhor Bispo do Porto, D. Manuel Clemente, reagiu: "esta era uma maneira da região e as duas cidades do rio ficarem mais conhecidas não só em termos portugueses, mas sobretudo, em termos internacionais: falar-se do Porto, de Gaia, do Douro e do Norte".

Era, de facto, uma maneira de promover a nível internacional a marca Porto, Douro e Norte de Portugal, dinamizando o turismo na região, mas está visto que isso não interessa aos governantes deste país. O que é "estratégico" é promover mais e mais eventos em Lisboa, nem que sejam no mesmo dia (veja-se o caso da XIX Cimeira Ibero-Americana e da comemoração do Tratado de Lisboa). Aliás, habituados a que tudo o que se passa em Portugal tenha de ser em Lisboa, há mesmo quem olhe para estas reacções com a altivez e o desdém próprios de quem lida com "provincianos", a quem, de vez em quando, os magnânimos senhores da capital distribuem umas migalhas que sobram dos banquetes na corte. Na sua cegueira, de quem não vê para além do eixo Lisboa-Cascais, ainda não perceberam que a reacção a esta negociata não é uma tempestade num copo de água, mas sim a consequência da gota de água que faz transbordar um copo demasiado cheio.

Depois de uma década de centralismo cavaquista, que meteu a regionalização na gaveta e avançou em força com um modelo de concentração e desenvolvimento unipolar, ostentando a riqueza da nação no Centro Cultural de Belém e na EXPO'98, estamos novamente a assistir a um período em que os recursos do país são sugados para a "capital do Império" e para as mega obras para aí projectadas - aeroporto e terceira ponte. Paralelamente, verbas do QREN são roubadas ao Norte e canalizadas para Lisboa (graças a um tal efeito difusor ou "spill over") e, como o dinheiro não chega para tudo, a 2ª fase do Metro do Porto foi adiada para as calendas e o TGV irá avançar a duas velocidades (a ligação de Lisboa a Badajoz avança já, enquanto que a do Porto a Vigo ver-se-á quando avançará).

Sócrates e a sua entourage andam a brincar com o fogo. Não devem ter lido, ou se leram não perceberam, o que o jornalista Jorge Fiel escreveu no Expresso, em 13 de Agosto de 2005:
"O grito de raiva «Nós só queremos Lisboa a arder» é a expressão (grosseira) da revolta de quem se sente discriminado. A única vacina eficaz contra esta raiva é corrigir as assimetrias que desequilibram o país."

O problema é que por via da acção de sucessivos governantes pirómanos instalados no Terreiro do Paço, as assimetrias são cada vez maiores. A região rica (Lisboa) está cada vez mais rica e as pobres (Norte e Interior) estão cada vez mais pobres.

«Entalada entre o Suriname e o Brasil, na América do Sul, fica uma das duas únicas regiões dos Quinze países da União Europeia cujo índice de riqueza é mais baixo do que o do Norte de Portugal. Trata-se da Guiana francesa que, a par da zona de Dytiki Ellada, na Grécia (...) são as únicas regiões de países que entraram ao mesmo tempo (antes, no caso francês) que Portugal na União Europeia e que têm um índice de pobreza superior ao nortenho. (...) no início da década, o poder de compra das famílias nortenhas correspondia a 86% da média nacional (a região de Lisboa estava nos 137%); cinco anos depois, quase todas as zonas do Norte tinham maior poder de compra, mas esse ganho foi anulado pelo mergulho de uma só: o Grande Porto.»
in JN, Dossier ‘Norte em crise’


Nada tenho contra os "alfacinhas" e escusado será dizer que não quero ver Lisboa a arder, mas com o desemprego a alastrar no país e, particularmente, no Grande Porto e com as oportunidades a serem concentradas numa única região, não me admiraria se um dia destes já não forem apenas os Super Dragões a entoar este cântico.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

O crime de ser portista

Há duas semanas atrás, no dia 10 de Setembro, soube-se que Júlio Magalhães tinha aceite o convite da administração para ser o novo Director de Informação da TVI. De acordo com o insuspeito ‘Correio da Manhã’, “a administração de Bernardo Bairrão aconselhou-se com vários jornalistas da TVI e o nome de Júlio Magalhães foi o que reuniu mais consenso para o cargo de director de Informação”. Além disso, e conforme o próprio Juca referiu, recebeu o apoio de Manuela Moura Guedes e do ex-homem forte da TVI – José Eduardo Moniz – que fez questão de o felicitar.

Júlio Magalhães começou a sua carreira de jornalista aos 16 anos, na secção desportiva do 'Comércio do Porto' tendo, posteriormente, trabalhado nos semanários 'Europeu' e 'Liberal' e sido um dos fundadores da Rádio Nova. Em 1990 entrou para a RTP e pouco tempo depois já era uma das caras mais conhecidas da RTP Porto, de onde saiu para a TVI, em 1999, a convite de José Eduardo Moniz.

Com 46 anos de idade e 25 de carreira jornalística, Júlio Magalhães era actualmente editor, pivô dos telejornais de fim-de-semana e responsável da delegação da TVI no Porto. Aliás, segundo foi relatado por alguns jornais, o facto de trabalhar no Porto contribuiu para o afastar das guerras que dividiam a redacção da TVI e torná-lo menos permeável aos problemas internos.

Após ter garantido que não ia haver grandes alterações, Júlio Magalhães optou apenas por jornalistas da casa para formar a nova direcção de Informação da TVI. Assim, escolheu Mário Moura, da direcção demissionária, para director-adjunto de informação, e para os cargos de subdirectores de informação as escolhas recaíram em Luís Sobral (director do sítio maisfutebol e editor de desporto da TVI) e no pivô José Carlos Castro.

Olhando para a enorme experiência que Júlio Magalhães possui no desempenho de diferentes funções, para os apoios que recebeu dos jornalistas da TVI e para as escolhas que fez na formação da sua equipa, tudo levava a crer que a escolha do ex-responsável da TVI no Porto fosse relativamente pacifica, certo?
Errado. Júlio Magalhães tem duas características que o tornam inaceitável para talibãs anti-Porto e para alguns gurus do centralismo lisboeta: recusa imitar Rui Veloso e emigrar definitivamente para a capital e, pior ainda, assume o seu portismo de forma descomplexada.



Um dos primeiros indivíduos a manifestar o seu incómodo por Júlio Magalhães ter aceite o convite para director de Informação da TVI foi Paulo Guinote que, no seu blogue, escreveu:

Não é que seja ilegítimo mudar de opinião, mas ele [Júlio Magalhães] já é crescidinho, sabia que mesmo estando no Porto há telefones e até telemóveis. E há autoestradas e até comboios daqueles que pendulam para vir a Lisboa.”

A petulância e tom de desdém usados para se referir ao parolo do Porto são sintomáticos e, no caso concreto de Guinote, mostram até onde pode chegar a arrogância de alguém que passou do anonimato ao estrelato, apenas por ter sabido tirar proveito e cavalgar a luta dos professores nos últimos quatro anos. Sim, porque é à custa dos milhares de professores que visitam diariamente o seu blogue, que Paulo Guinote se transformou numa “estrela mediática”, e é também às cavalitas dos professores que ganhou o estatuto de comentador do PUBLICO e se tornou “escritor”.

Mas Guinote não se ficou pela tentativa de achincalhamento a (des)propósito das comunicações e viagens entre Porto e Lisboa. O que parece preocupar mais este professor de História e de Português do 2.º ciclo do ensino básico é a cor clubista de Júlio Magalhães e, por isso, escreveu:

A primeira medida vai ser mudar as cores do estúdio para várias gamas de azul. A segunda colocar um quadro panorâmico com o Pinto da Costa, o Bobby e o Tareco na redacção e a terceira mudar o símbolo da estação para um dragão.”

Custa a acreditar que este nojo tenha sido escrito por um dos gurus da luta dos professores, lançando lama para cima de um jornalista com uma carreira irrepreensível, cujo único “crime” é viver no Porto e ser portista. É impressionante como pode haver tanta azia e tanto ódio ao azul-e-branco, naquele que é o principal blogue sobre... Educação!
Será este tipo de conduta que o senhor professor Guinote ensina aos seus alunos? Fiquei elucidado.


E, já agora, o senhor professor Guinote pode ficar descansado, porque na nova direcção de Informação da TVI o SLB continua a estar em maioria. Só foi pena que o professor Guinote não se tenha lembrado das cores dos estúdios da TVI durante os muitos anos em que José Eduardo Moniz era frequentador habitual dos camarotes da Luz ou, pelo menos, quando recentemente o mesmo Moniz se pré-candidatou à presidência do SLB. Deve ser um daqueles lapsos de História...

Foto: Revista VIP