Há muitos aprendizes da Filosofia Guardiola (ou da filosofia de jogo do FC Barcelona, para ser mais correcto) por essa Europa do futebol. Os problemas surgem porque as cópias são de má qualidade. Em minha opinião, actualmente os piores intérpretes deste modelo são Julen Lopetegui, treinador do FC Porto e Louis Van Gaal, treinador do Manchester United. Neste último caso não admira que esteja prestes a levar guia de marcha dada a escassa paciência dos ingleses para um futebol pastoso e improdutivo.
O video abaixo contém uma apresentação recente de Thierry Henry, ex-avançado do Arsenal e do Barcelona, sobre a filosofia de jogo de Pep Guardiola. Em traços gerais o modelo resume-se aos 3 P's: Play (joga), Possession (posse de bola), Position (posicionamento). É pedido aos jogadores que joguem e troquem a bola entre si, mantendo a posse, respeitando a sua posição original (nunca cedendo à tentação de ir procurar bola) e confiando que os companheiros de equipa conseguem pôr a bola na posição desejada ("trust your teammate"). Depois, a partir do último terço do terreno de jogo, quando se acercam com perigo da baliza contrária, é dada liberdade ("freedom") aos jogadores para aparecerem na zona de finalização. O resultado final é por demais conhecido: uma equipa inteligente e letal.
Os aprendizes de Guardiola não entendem que este modelo (ou um modelo com princípios de jogo semelhantes) exige que um plantel possua jogadores exímios no jogo interior. O FC Porto de Villas-Boas e Vítor Pereira teve jogadores como um João Moutinho, um Guarín ou um Belluschi que se davam bem jogando "por dentro". O mérito também foi desses treinadores, que conseguiram moldar e adaptar as características dos atletas.
No actual plantel do FC Porto, André André e Danilo têm capacidade para o jogo interior mas aquele que aparentemente seria a melhor opção – Imbula – custou 20 milhões e nem sequer faz parte das convocatórias. E o dado mais importante: Lopetegui implementa um modelo de jogo de forma cega sem se preocupar com a habilidade dos jogadores para o interpretarem e o porem em prática.
