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sábado, 30 de dezembro de 2017

Da série “Largos dias têm 100 anos”

PJ investiga jogo do Benfica, CMTV

Capa do 'Correio da Manhã' de 30-12-2017

«A Polícia Judiciária está a investigar suspeitas de pagamentos a jogadores do Rio Ave para perderem um jogo com o Benfica para a época 2015/2016, a 23 de Abril de 2016. Esta investigação insere-se no âmbito dos alegados esquemas de viciação de resultados que a PJ tem investigado, e que já fez quatro jogados do Rio Ave arguidos.
Segundo o Correio da Manhã, que avança a notícia, a Judiciária terá encontrado indícios de que um encontro envolvendo o Benfica poderá ter sido falseado. Testemunhas inquiridas pela PJ do Porto indicaram que, em Abril de 2016, empresários ligados ao Benfica terão abordado os jogadores agora constituídos arguidos no processo do Feirense - Rio Ave.
Além disso, a decisão da investigação ser transitada para Lisboa, apura o CM e a CMTV, foi tomada pelo magistrado do Ministério Público, que entendeu que este crime tem relação com outras investigações - como o caso dos e-mails que a SÁBADO tem abordado - que têm o Benfica como alvo e que estão entregues à Unidade de Combate ao Crime Económico e Financeiro da PJ


Capa de O JOGO de 30-12-2017

«O jornal "Correio da Manhã" avançou, na noite de sexta-feira, a notícia de que os jogadores do Rio Ave arguidos por viciação de uma partida com o Feirense são também suspeitos de terem recebido dinheiro para perder com o Benfica. Ao que O JOGO apurou, a investigação tem, no entanto, um âmbito maior e inclui, pelo menos, dois jogos com outras duas equipas da I Liga e pagamentos e tentativas de aliciamento a vários outros jogadores.
De acordo com o "Correio da Manhã", os intermediários seriam empresários ligados ao Benfica. No caso do jogo com o Rio Ave, a abordagem foi feita em abril do ano passado, antes de uma partida que os lisboetas viriam a ganhar por 1-0. Ao contrário do que adianta o CM, os futebolistas vila-condenses envolvidos não são os mesmos quatro que o Ministério Público constituiu arguidos no processo do jogo com o Feirense. Só Cássio e Marcelo constam de ambos; Roderick não jogou essa partida e Nadjack estava emprestado. Foi, aliás, nos telemóveis confiscados aos dois primeiros jogadores que a Polícia Judiciária descobriu os sinais de uma outra partida viciada. O JOGO sabe que foi a partir dessa investigação que a PJ chegou aos indícios de, pelo menos, mais dois jogos desvirtuados em favor do Benfica


´Título do Benfica investigado', RTP 1, 30-12-2017

«Os polvos são moluscos marinhos da classe Cephalopoda, da ordem Octopoda (…). Como o resto dos cefalópodes, o polvo tem um corpo mole, sem esqueleto interno (…). Como meios de defesa, o polvo possui a capacidade de largar tinta, de mudar a sua cor (camuflagem, através dos cromatóforos) e autotomia dos seus braços
in Wikipédia


2017 termina em grande e 2018 é um ano que promete. Até porque, com tantos e-mails, com tanta gente (ligada ao SLB) envolvida, com tantos indícios, com tantas evidências, parece-me que o melhor ainda estará para vir…

Votos de um bom ano 2018 e não se esqueçam: largos dias têm 100 anos!

segunda-feira, 18 de setembro de 2017

6 em 6, mas...

Primeiro, o essencial: 6 vitórias em 6 jogos na Liga Portuguesa e 5 pontos de distância para o slb.



Escondido nas entrelinhas: Sérgio Conceição fez duas alterações de monta e o resultado não foi assim tão diferente das sofridas exibições contra Chaves e Besiktas.
É bem verdade que Óliver vinha a decair de rendimento, como é aliás habito nele, com o acumular de partidas nas pernas (se bem que, na primeira-parte do jogo de quarta-feira, estivesse uns furos acima de exibições recentes) e que Corona, tirando o grande golo em Braga, andava muito apagado, porém, não foi com o Herrera de sempre, e com este actual Otávio, que as coisas melhoraram e os 45 minutos iniciais foram uma cópia quase fiel do encontro contra o Chaves: quase nenhumas oportunidades de golo e nem sequer um grande caudal ofensivo (o Rio Ave, estranhamente até, com mais posse de bola ao intervalo).
O mexicano, regressado para a sua enésima oportunidade de provar a sua utilidade, foi o jogador que mais perdas de bola teve ao longo da toda a partida (oito no total, o dobro do segundo pior - Aboubakar). Já Otávio, voltou a não fazer a diferença. O que ele jogava há um ano, quando regressou ao nosso clube, e o pouco que agora mostra...

Pela positiva, tivemos novamente direito a um Danilo absolutamente decisivo. Sim, ainda terá que melhorar muito para se aproximar dos níveis altíssimos que alcançou a meio da época passada mas, sem dúvida alguma, a ninguém devemos mais do que a ele esta importantíssima vitória.

E, depois, temos ainda Marega. Mais uma exibição positiva da sua parte. Quem mais, sem ser ele, conseguiria aquela arrancada para o segundo golo? Certo que, depois, a bola ressaltou, com alguma sorte, para os pés de Brahimi (quem melhor?) e que foi este o responsável maior pelo lance ter tido um final feliz, mas o homem do Mali foi quem acreditou primeiro.

Nota final para o primeiro golo sofrido. Já se adivinhava que estaria perto, pela amostra das duas últimas partidas, e ele aconteceu mesmo, num erro incrível de colocação de Ricardo Pereira.
O português ainda não comprovou, em estádios nacionais, tudo aquilo que durante dois anos se escreveu sobre a sua passagem pelo campeonato francês.

E eis que já não falta quase nada para o jogo-chave de Alvalade...

quinta-feira, 15 de junho de 2017

Os milhões de Ederson, a outra cara do Polvo

Ederson foi vendido este defeso ao Manchester City por 40 milhões de euros, parte da nova aposta de Pep Guardiola para a baliza do clube citizen. O brasileiro transformou-se assim num dos guardiões mais caros da história mas, ai essa ironia, o SL Benfica só vai receber metade dessa verba estratosférica. Curioso, porque não era isso o que o clube tinha comunicado no seu Relatório Anual de Contas onde indicava, taxativamente, deter o 100% dos direitos económicos do futebolista. Afinal, enquanto o FC Porto está debaixo da alçada da UEFA por ter feito as coisas muito mal - e a correr o risco de ter de vender três titulares, a que se junta André Silva, já despachado para o Milan - o Benfica pode jogar com as regras e não há ninguém que diga nada ao respeito a começar pelas autoridades como a CMVM.

No Relatório de Contas apresentado este ano em relação ao exercicio de 2016, o Benfica declara, como se pode ver, possuir o 100% dos direitos de Ederson, contando portanto o valor do passe do brasileiro como uma mais valia plena nos livros de contas do clube. Meio ano depois o mesmo clube indica à CMVM que vai vender o futebolista mas arrecadar apenas 50% dos 40 milhões pagos (a que terá de descontar os habituais gastos de solidariedade sendo que, na prática, o jogador renderá pouco mais de 16 milhões de euros no total). A imprensa, que vendeu a transferência como mais um super-negócio de Luis Filipe Vieira, esqueceu-se de investigar os porquês dessa súbita alteração dos valores num espaço de tempo tão curto.
Explica o Benfica que estão "prometidos" os restantes 50% a outras "entidades", sem especificar nunca quem, quando e porquê, algo que em nenhum momento foi indicado no Relatório de Contas onde apenas se indica o controlo na totalidade do passe do futebolista. A 1 de Janeiro Ederson era totalmente do Benfica, a 1 de Junho afinal só o é a metade do seu valor de mercado.



São cenários assim que explicam dois pontos importantes.

O primeiro é a a total ausência de fiscalização das autoridades neste tipo de casos e em particular quando se trata do Benfica. Ninguém na CMVM decidiu abrir uma investigação ou aprofundar nos dados facilitados, uma vez que sendo clube cotado em bolsa, os valores e cifras apresentados nos Relatórios de Contas têm de estar de acordo com a realidade. As autoridades em Portugal, sejam da Procuradoria Geral da República, da Polícia Judiciária, do poder político, das instituições desportivas ou de reguladores como a CMVM fazem constantemente vista grossa às irregularidades cometidas pelo clube da Luz, desde as claques ilegais ao doping financeiro, enquanto mantêm um olhar crítico ao que corresponde a todos os seus rivais, dispostos a actuar com prontidão, celeridade e, curiosamente em muitos casos, depois de receber "dicas" de como e quando fazer as coisas.

Por outro lado, e isso é mais sério ainda, este é o tipo de negócios - tão habitual nos últimos cinco anos - que explica o porquê de que o Benfica jamais entrará debaixo da alçada do Financial Fair Play ou passará por apuros económicos. Tem um amigo de confiança.
Jorge Mendes, através da Gestifute, e o Rio Ave, clube que gere à distância, recebem assim a fatia de um bolo que não lhes correspondia, oficialmente. A todos os títulos a proibição da partilha de passes por parte da FIFA acabou por dinamitar um modelo de negócio mas abriu as portas a outro. Agora os clubes vivem à volta do empresário para explorar "promessas" que ficam no ar. Ninguém as pensa em não cumprir porque as consequências podem ser terríveis. Sendo assim o Benfica, ao adquirir Ederson, terá "prometido" ao empresário e ao seu clube na liga - com quem o Benfica, curiosamente, gerou uma excelente relação nos últimos anos - dar essa metade do bolo sem que, no tempo em que o jogador foi atleta do clube, essa informação tivesse sido pública. Para todos os efeitos Ederson foi sempre, a 100%, atleta do Benfica. Quando o negócio, mediado pelo próprio empresário, naturalmente, foi completado então é que, por questões legais, o Benfica comunica a origem dessa "promessa", que não está em papel em nenhum lado, para justificar o ingresso de menos de metade desses valores. Naturalmente o Benfica sabia, desde o primeiro momento, que era o máximo que podia aspirar talvez porque sabem também que sem esses pactos nunca haveria, em momentos de apertos nas contas do clube para pagar salários, comissões e favores a "padres", há sempre um clube desinteressado que aparece para levar os Gonçalo Guedes, Bernardo Silva, João Cancelos, André Gomes e afins por cifras curiosamente sempre muito parecidas e pouco escrutinadas.

Com esta teia muito bem montada entre o universo Mendes e os clubes que lhe são afins - em Portugal o Rio Ave e o Sporting (que se podia passar perfeitamente a chamar de Sport Lisboa) de Braga, e por essa Europa fora o Valencia, Atlético de Madrid, Granada, Deportivo la Coruña, Zaragoza, PSG, Bessiktas e afins - o Benfica tem garantido sempre um pulmão extra de finanças, um doping financeiro de que não dispõe a concorrência. Não é casualidade que os seus únicos dois rivais reais tenham estado, ambos, debaixo da lupa da UEFA e ao Benfica, clube com um passivo descomunal, nunca o máximo organismo europeu tenha sequer mencionado. Claro, com Relatórios de Contas com estes truques à portuguesa, uma instituição pode até dar o ar de ser sólida quando na realidade basta um arrufo de um empresário para o castelo de cartas se desmoronar. Quem sabe isso bem é Luis Filipe Vieira que entende que tem de manter contente o homem que, essencialmente, lhe permite manter-se vivo financeiramente. O Polvo também é isto. Se por um lado os emails revelados por Francisco J. Marques e as informações reais que têm saído com os anos sobre quem estava por detrás, realmente, da corrupção no Apito Dourado, mostram o lado escuro da teia, este exercício é mais um reflexo do polvo financeiro externo que alimenta o monstro.

sábado, 21 de janeiro de 2017

Com cabeça


Antes do mais, uma nota sobre Carlos Alberto Silva. Um treinador que não teve um grande número de fãs aquando da sua passagem pelo FCP, pese embora um registo vitorioso de dois campeonatos em outras tantas épocas. Mas o seu mérito esteve nisso mesmo: nunca levantou grandes paixões pró ou contra. Aproveitou bem o trabalho que vinha de trás e nunca foi um técnico de grandes revoluções ou invenções. Foi esse o seu segredo. Muitas vezes, evitar grandes mexidas no que já está bem, demonstra apenas inteligência.

Quanto ao jogo, mais um grande sofrimento até praticamente ao fim. Jogos tranquilos são cada vez mais uma raridade. Tal como o Chaves, também o Rio Ave terá feito uma das suas melhores exibições de sempre no nosso estádio. Tiveram, inclusive, uma posse de bola superior à nossa. Verdadeiramente inédito. Há clubes a crescer a olhos vistos na Liga Portuguesa. Nem tudo se resume à nossa pouca eficácia. Há algo de novo a acontecer no nosso futebol.

E por falar em crescimento: mas que exibição gigantesca de Danilo. Como aqui já foi escrito, é o nosso jogador que mais tem evoluído. Que saudades de ver um "trinco" a fazer mais do que apenas defender. E mesmo no aspecto defensivo tem, ultimamente, batido aos pontos os anteriores ocupantes do cargo.
Logo após o nosso campeão europeu, tivemos hoje também direito a um Alex Telles vintage. A sua melhor exibição desde que cá chegou. Que assim continue.
No sentido contrário, o grande jogador que é Layún teve um regresso completamente desastrado (e o penalty, desta vez, é mesmo penalty).
A sua longa ausência pode não explicar tudo. Precisamos com urgência que volte aos seus melhores dias, até porque a dupla Telles-Layún parece ser mesmo a melhor escolha para as laterais.

Esteve bem NES ao retirá-lo do jogo. Até poderia tê-lo feito mais cedo.
Aliás, nesta partida, o nosso técnico esteve bem nas três substituições. Todas elas fizeram sentido.
Poderia até ter voltado atrás na entrada de Rui Pedro já que o 2-2 surgiu imediatamente antes. Não o fez (talvez já não fosse a tempo) e isso deu um sinal positivo a todos: hoje era para atacar com tudo.
Igualmente inteligente a entrada de João Carlos Teixeira: é com jogadores destes, que seguram a bola, que se controlam resultados favoráveis e não com aqueles outros mais defensivos. O segredo é ter a posse de bola. O adversário, não a tendo, não pode causar perigo.

Por fim, houve também "estrelinha". Finalmente tivemos direito a ela depois de jogos e jogos em que a sorte nada quis connosco. O Rio Ave teve duas chances seguidas para o 3-3 e nós, na jogada seguinte, matámos o jogo.

Por falar em "estrelinha", esta nossa vitória teve algo de slb na forma como foi conseguida. Principalmente na forma como recuperámos rapidamente a vantagem no marcador. Do 1-2 ao 3-2 passaram-se apenas 14 minutos. Coisa habitual pelas bandas de Lisboa mas raríssima no nosso caso. A diferença é que nós o conseguimos sem apoios externos. O golo de Felipe vai ser tema de conversa mas este está apenas milimetricamente em posição de fora-de-jogo. Em caso de dúvida, deve-se beneficiar sempre quem ataca. Aconteça isso na Luz ou no Dragão.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Passo a passo

O FC Porto entrou a vencer na Liga com uma boa vitória no terreno de um claro candidato aos lugares europeus. Um excelente início, tanto pelo resultado como pela dificuldade do rival, um Rio Ave em mãos de um óptimo treinador e com muito futuro como é Capucho e que sabe ao que joga. O Porto está ainda num processo de crescimento coletivo como parece óbvio numa equipa que ainda não está fechada - esperamos - e que leva um mês e meio de trabalho colectivo.

O Porto entrou bem no jogo. Nuno alinhou o onze esperado. Brahimi e Aboubakar parecem ter o destino traçado. No caso do camaronês explica-se com dificuldade a decisão uma vez que nem uma venda será positiva - o FC Porto tem uma parte reduzida do passe - nem o camaronês parece ser inferior a Depoitre (e o FC Porto tem ainda um ponta-de-lança a menos nas contas colectivas) pelo menos visto o que conseguiu no inicio da época passada. Já Brahimi, praticamente banido do projeto de NES, está a desvalorizar-se a cada dia que passa, algo que pode prejudicar uma venda futura. Infelizmente longe vão os dias em que os clubes podiam fazer isso aos jogadores e ainda assim sair a vencer no pulso. Sem esses dois pilares da época passada, o resto do onze foi o esperado com André Silva, Otávio e Corona no eixo ofensivo em grande nível e André André, Danilo e Herrera afiançando o controlo da zona intermédia. A bola circulava com fluidez, com algum erro individual natural pela falta de treino colectivo, mas o Porto dava boas sensações até que o golo chegou num lance de bola parada, contra o ritmo do jogo, e colocou o Rio Ave na frente. Um canto ao primeiro poste, uma marcação zonal que precisa de ser trabalhada e Marcelo a antecipar-se a Casillas na pequena área para marcar sem oposição. Um golo em contra que o Porto não merecia mas que revelou o carácter da equipa. Todos nos lembramos do karma lopeteguiano de nunca dar a volta a resultados adversos. Pelo menos com esta equipa, percebeu-se que esses dias já acabaram. Não tinham passado ainda quatro minutos e já Telles - desacertado defensivamente mas com boa aportação no ataque - conseguiu centrar da melhor forma para a área onde André Silva ganhou o lance, sobrando a bola para Corona que num gesto técnico espectacular empatou o encontro. Um grande golo e um prémio merecido para o mexicano que esteve em boa nota ao longo do encontro.

O Porto voltou do descanso com vontade de mudar rapidamente a história de tropeções contra rivais dos últimos anos após começar a perder e voltou a assumir o jogo. Herrera era o responsável de trazer o esférico, André André de apoiar André Silva e Otávio e Corona muitas vezes procuravam zonas interiores deixando o jogo lateral a Maxi e Telles no apoio constante. Um modelo que foi empurrando o Rio Ave, que procurava nas transições rápidas a resposta, e que triunfou quando uma boa jogada de combinação no miolo encontrou um Herrera inspirado. O remate de meia distancia foi perfeito e adormeceu nas redes vilacondenses para selar definitivamente a reviravolta. Uma noite com sabor a tequilla e guacamole que teve o seu perfume luso quando, na recarga de uma grande penalidade, André Silva colocou o 1-3 final no marcador, demonstrando que está numa boa forma goleadora, precisamente o único que se lhe criticou durante a época passada. Cada vez mais completo, André Silva tem dado boa conta de si mesmo lembrando o arranque de Domingos há já quase trinta anos. NES lançou ainda no terreno de jogo a Adrian - parece determinado em encontrar-lhe utilidade - e  Depoitre para a sua estreia de dragão ao peito. Antes já Layun tinha rendido um excelente Otávio para tapar a aberta na esquerda deixada pelo desastrado Telles, expulso.

No final o Porto conseguiu não só o primeiro e importante triunfo do ano, e logo fora de casa, mas também uma injeção de moral antes dos próximos confrontos europeus e de um arranque de liga exigente. A equipa deu a sensação de estar ainda distante do que pode apresentar mas com uma ideia de jogo clara e, sobretudo, um importante plus de carácter e atitude como não se viu nos últimos quatro anos. Que Vila do Conde seja o primeiro golpe de efeito numa época para recordar.

sábado, 11 de abril de 2015

Dragões continuam na luta

Quaresma a marcar o 1º golo

Entrámos fortes no jogo, fizemos o que tínhamos de fazer, com ambição desde o início, criando oportunidades para conseguir os três pontos. (…) Na segunda parte perdemos um pouco da intensidade e fomos castigados com um golo, apesar de [os jogadores do Rio Ave] não terem chegado à nossa baliza muitas vezes. Tivemos de reagir e de sofrer, sabendo que era preciso fazermos um terceiro golo, até porque antes tivemos várias oportunidades para isso (…) A equipa fez muitas coisas bem e acho que no global fizemos um jogo muito bom.
declarações de Julen Lopetegui no final do Rio Ave x FC Porto


Primeira parte muito bem conseguida, com destaque para Quaresma, Óliver, e os dois laterais – Danilo e Alex Sandro. O resultado ao intervalo (0-2) era claramente lisonjeiro para o Rio Ave, tantas foram as oportunidades flagrantes de golo de que os dragões dispuseram.

Danilo a marcar o 2º golo

Contudo, na 2ª Parte, o FC Porto baixou demasiado a intensidade e correu riscos desnecessários.

Brahimi e Herrera voltaram a estar longe do seu melhor (fisicamente parecem-me muito desgastados), com o internacional argelino muito complicativo e o mexicano a falhar demasiados passes em zonas de risco. Naturalmente, foram substituídos.

Maicon está lento e pesadão (espero estar enganado, mas suspeito que Marcano vai fazer muita falta contra o Bayern).

Após vários jogos como titular, Aboubakar continua a jogar numa frequência diferente dos restantes companheiros. Por exemplo, houve N transições ofensivas da equipa, em que Aboubakar parecia perdido, sem saber muito bem se havia de se desmarcar, dar uma linha de passe, temporizar e tabelar com um companheiro de equipa, ou… sair de posição de fora-de-jogo.

Sem os lesionados Jackson, Tello e Quintero (já nem falo no Adrián López), o FC Porto alcançou uma vitória clara num estádio onde o SLB foi derrotado.

E agora venha o Bayern.

P.S. Os treinadores erram, os jogadores erram e os árbitros erram. Mas, mais uma vez, assistimos a um erro grosseiro (no golo anulado, Brahimi estava mais de um metro atrás do penúltimo jogador do Rio Ave) em prejuízo do FC Porto, quando o resultado estava em… 0-0.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Goleada de talento


Coletivamente, não foi das melhores exibições deste FC Porto de Lopetegui, longe disso.
Ainda assim, os primeiros 20-25 minutos da 1ª parte foram os melhores (do ponto de vista coletivo), mas sem que tal se traduzisse em golos.

Individualmente, com a excepção de Danilo (os 17 milhões de euros que a FC Porto SAD gastou na sua contratação já parecem menos exagerados), não houve grandes destaques.
O “extraterrestre” Brahimi fez o seu pior jogo com a camisola do FC Porto (devia estar a pensar nas declarações de Laurent Blanc) e Jackson, sempre muito lutador, esteve desastrado, mas marcou um golo de belo efeito (provavelmente haverá quem diga que deveria ter passado a bola a Tello…), que aniquilou o ânimo dos jogadores vilacondenses.

Seja como for, esta equipa tem carradas de talento - Jackson, Brahimi, Tello, Óliver, Quintero, Herrera, Danilo… - e, consequentemente, o(s) golo(s) na baliza adversária acabam por surgir com naturalidade.
O segredo está em não oferecer golos aos adversários e conseguir manter a baliza de Fabiano inviolada.

Em resumo, penso que estaremos todos de acordo que o resultado (5-0) é exagerado e bem melhor que o computo global da exibição, mas é de enaltecer a atitude e ambição goleadora que os jogadores revelaram até ao apito final (detesto quando, por vezes, a equipa desliga os motores após marcar o 2º golo). Neste aspecto, fez lembrar os tempos de Bobby Robson.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Serviços mínimos cumpridos


O FCP entrou bem, alegre e a praticar um futebol solto e a bola a rolar a preceito. Varela, na ala esquerda, estendia o jogo e nos primeiros vinte minutos fomos dominadores e criámos perigo, com Herrera muito activo na zona de finalização. Varela quebrou por inferioridade física e foi substituído por Ghilas que esteve bastante mal em todos os momentos do jogo. Não apoiou, não fechou, nem atacou ou segurou a bola. Com a quebra de Josué que desapareceu completamente e a acção errática dos restantes homens do meio campo, com Alex demasiado displicente e os demais pouco esclarecidos, a equipa eclipsou-se: faltou organização, intensidade e assertividade na condução do jogo. Muito repelão e regressou o inevitável (e dispensável) assobio. A verdade, porém, é que a equipa funciona de uma forma  tão irritante que chega para desanimar os mais crédulos.
No segundo tempo, a equipa apareceu mais empenhada e Quintero ajudou a que se instalasse um jogo mais vivo; a bola corria mais depressa e com mais critério. Chegámos ao golo através de uma grande penalidade que me pareceu indiscutível e que Martinez concretizou de forma muito competente. Alargámos o score com um golo muito bem esgalhado: um passe primoroso de Quintero e Herrera a desmarcar-se, num excelente movimento de ruptura, antecipando-se à saída do guarda redes adversário, para de cabeça aumentar a vantagem. Ainda houve tempo para mais um golo e o resultado acabou por estar bem acima da exibição.
Individualmente, destaco Danilo, Herrera, Quintero e Ricardo que pode ser um reforço a ter em conta, porque é jovem e tem uma grande margem de progressão. Ghilas foi uma decepção e não perece convertível para jogar na ala. Falta-lhe escola e cultura de jogo.
Em resumo: serviços mínimos cumpridos, no jogo e no campeonato. Foi esta a assinatura dominante da presente época.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Carlos Eduardo fez a diferença!


PF introduziu algumas mudanças no elenco, mantendo o sistema sem alterações substanciais. Lucho apareceu mais atrás e a Carlos Eduardo coube desempenhar o papel que El Comante vinha desempenhando. Saiu Josué e Defour que não estiveram brilhantes em Madrid. A entrada de Licá, visou alargar o jogo e aproveitar mais e melhor o jogo pelos corredores. Outra novidade foi a reintegração de Kelvin depois do ostracismo a que foi votado. Ainda bem que o treinador não desistiu de aproveitar o seu potencial que, obviamente, deve ser integrado e em linha com os processos da equipa.

A primeira parte, contudo, demonstrou que a coisa não correu muito bem, excepto na forma desempoeirada e plena de iniciativa de Carlo Eduardo que jogou muito bem entre linhas, com rapidez e critério. Também ficou incumbido da execução das bolas paradas que efectuou a um nível superior ao que tem sido feito. Foi de um livre seu que chegámos ao golo por intermédio de Maicon. No processo defensivo e na zona central mostrámos que as rotinas ainda não estão suficientemente oleadas, sem tirar o mérito ao desenho da jogada de que resultou o golo do Rio Ave. Foi uma espécie de regresso ao passado: nem soubemos ir para acima do adversário e alargar a vantagem, nem proteger com eficácia a nossa baliza. A bola girou, tivemos posse, mas não incomodámos, nem desequilibrámos. A jogada mais prometedora foi do Rio Ave, que obrigou Helton a uma cuidada intervenção.

Na segunda parte estivemos bem melhor. Controlámos bem o jogo e a equipa esteve mais coesa. Martinez marcou e Danilo confirmou a vitória. Poderíamos ter feito mais golos, mas o resultado ajusta-se ao que se passou em campo.

Sobre o comportamento dos jogadores, e tirando Carlos Eduardo que me parece ser um reforço valioso para o que ainda falta jogar e esteve a um nível claramente superior, diria que cumpriram sem deslumbrar. Não gostei do Lucho: achei-o hesitante e com pouca mobilidade. Não criou, nem tamponou. Via o Herrera com maior utilidade para jogar nessa posição. Uma vitória esforçada sem direito a música, mas muito importante. Não caímos e continuamos na luta.

sábado, 29 de setembro de 2012

Mais 2 pontos desperdiçados


"depois de chegarmos à vantagem, deixámo-nos cair um pouco em termos de concentração. Nas bolas divididas começámos a ser pouco agressivos e acabámos por ser penalizados. E bem. (...) Por aquilo que produzimos na segunda parte não merecíamos vencer."
Vítor Pereira


Uma semana após o melhor jogo que o FC Porto fez esta época (FC Porto x Beira Mar), Vítor Pereira decidiu mexer na equipa. Trocou Danilo por Miguel Lopes (porquê?), apostou na dupla de centrais habitual - Maicon e Otamendi - e encostou, em termos táticos, James a uma das alas, voltando a apostar num "meio campo tradicional", desta vez formado pelo trio Defour, Moutinho e Lucho.

Desde o início que as coisas não correram bem, quer porque a equipa funcionava mal em termos ofensivos, quer porque James andava em terrenos muito longe de Jackson Martinez, quer porque o relvado não estava nas melhores condições, quer por outra razão qualquer.

Na primeira parte salvou-se o livre exemplarmente marcado por James, que esteve na origem do golo do FC Porto.

Mas se na primeira parte os jogadores portistas pareciam estar com pouca vontade de correr, após o intervalo a atitude foi ainda pior, com o pressing a desaparecer quase por completo e as bolas divididas a serem invariavelmente ganhas pelos jogadores vilacondenses.

E se a equipa portista estava mal, pior ficou quando Vítor Pereira decidiu mexer no jogo e fez uma dupla substituição (saídas de Lucho e Atsu e entradas de Fernando e Varela). Não discuto a saída de Atsu (fez um jogo fraquíssimo), mas em relação a Fernando é notório que está sem ritmo de jogo, não sendo de estranhar que, a partir daí, a cobertura à frente da defesa do FC Porto tenha piorado a olhos vistos.

Como se tudo isto não bastasse, ainda houve duas situações que foram decisivas para os dragões terem desperdiçado mais dois pontos neste campeonato:
i) o desatino de Maicon, seguido da tibieza de Miguel Lopes, a oferecer o 1º golo do Rio Ave;
ii) um penalty escandaloso sobre Kléber nos últimos minutos do jogo, que o setubalense Bruno Esteves decidiu não assinalar.

Depois do que vi neste e no jogo anterior do FC Porto, parece-me evidente que, em desafios contra equipas do nível do Rio Ave, faz muito mais sentido apostar em James de início na posição 10, a jogar no meio, nas costas de Jackson Martinez. Insistir em colocar o James numa ala e pô-lo a partir daí para o meio é algo que faz diminuir fortemente o seu rendimento e o de... Jackson Martinez.

Nota final: A falta evidente sobre o Kléber dentro da área é já o 4º penalty claro a favor do FC Porto que ficou por assinalar em apenas cinco jornadas. Na flash-interview, Vítor Pereira não disse uma palavra sobre este lance.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Haja talento que nos salve


Num campeonato onde apenas um par de equipas fazem cócegas ao duo candidato ao título, facilmente se percebe que o segredo para se chegar vitorioso à meta final está em quem menos desperdiçar pontos com adversários como este que FC Porto defrontou esta noite. Cumprido esse desígnio espectável, continuou a falhar a consolidação de construção de jogo colectiva. A perda de Hulk complicou as operações, mas James Rodriguez assumiu as vestes de figura de cartaz, decidindo o encontro com a classe que se lhe reconhece.

Pragmaticamente, o que assistimos hoje no Dragão nada mais foi que uma inalterada disfunção colectiva que tem sido timbre da nossa equipa ao longo da época. Um conjunto que continua longe de conseguir assumir uma posse de bola forte, capaz de arrebatar os adversários que se lhe deparam. A precisão de passe vai nas ruas da amargura, mercê de um atabalhoamento posicional a que os jogadores não conseguem disfarçar. O fio de jogo perde-se e, com ele, foge também a capacidade de a equipa se encontrar no entusiasmo e confiança que a catapulte a outros patamares.

Lirismo platónico, ou que lhe queiram chamar, não me é possível conceber o futebol sem um grupo forte e homogéneo, capaz de executar uma jogada que não morra ao fim de três míseros toques. Este Porto dá para enganar neste campeonato de trazer por casa - o 4º melhor do Mundo para aqueles padiolas das estatísticas -, mas que perecerá com estrondo quando alguns oponentes do mês vindouro nos encararem.



James Rodriguez foi o sacrossanto salvador numa clareira de ideias e de criatividade. Nem Hulk agora nos resta para, pelo menos, podermos suspirar dos seus pés algo que não roce a boçalidade geral. Exclua-se o dinamismo e a resistência sem fim de Álvaro Pereira ou a lisura de Fernando, tudo resto recolhe ao esquecimento num abrir e fechar de olhos.

Haja crença na evolução da nossa dinâmica de grupo, porque quando o virtuosismo de alguma das nossas individualidades falhar, ela não vai lá estar para nos salvar!

Fotos gentilmente rapinadas ao Maisfutebol

domingo, 29 de agosto de 2010

Hulk e mais 10


Este título não pretende ser depreciativo para os restantes jogadores do FC Porto que actuaram no estádio dos Arcos, mas serve para enaltecer a exibição do "Incrível", que marcou dois golos ao Rio Ave e de livre quase que marcava um terceiro. E são cinco golos nos últimos dois jogos!

Contudo, o resultado foi melhor que a exibição, a qual, principalmente nos últimos 30 minutos (depois do 2-0), ficou aquém do que seria de esperar. Com os vila-condenses a abrirem a sua frente de ataque, estava à espera de um FC Porto mandão, a controlar o jogo, com melhores transições ofensivas, explorando os muitos espaços que o Rio Ave passou a dar.

O Helton voltou a transmitir muita segurança (continua com zero golos sofridos), mas em termos defensivos a equipa tem de pressionar mais e aperfeiçoar as compensações. Neste aspecto, se Otamendi for mesmo craque e Fucile ficar (tem de ficar!), penso que o quarteto defensivo irá dar um salto qualitativo.

Ao fim dos primeiros seis jogos oficiais, uma competição conquistada (a Supertaça), seis vitórias, 15 golos marcados e apenas dois sofridos. Em termos de resultados, não se podia pedir mais ao André Villas-Boas.
Com os reforços para a defesa - Otamendi e Fucile - e jogadores importantes como Varela, Ruben Micael e Cristian Rodriguez a 100% em termos físicos, penso que a consistência das exibições irá também melhorar.

P.S. Incentivados pela comunicação social, treinador e guarda-redes do Rio Ave já começaram a ensaiar o discurso do "perdemos por culpa do árbitro".

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Oeiras, aí vamos nós...


Tal como era esperado, o FC Porto, em ritmo de passeio, garantiu a presença na final da Taça de Portugal, com vitória gorda sobre o Rio Ave. Num jogo em que Jesualdo Ferreira concedeu espaço a alguns atletas menos utilizados, destaca-se a estreia absoluta de Addy com o dragão ao peito. Um pequeno aperitivo num encontro que foi quase sempre insosso, com excepção do ultimo quarto de hora.

Assim mesmo, aproveitando a menor pressão que este jogo envolvia, o Professor aproveitou-o para mostrar o jovem lateral esquerdo Addy aos portistas. A estreia confirmou-nos que o miúdo é, por hora, mais verde que o relvado do Dragão, porem com algum processo de “domesticação” e aproveitando aquela velocidade de ponta, pode-se vir a retirar qualquer coisa dali. No mais, destaque para o retorno em bom plano de Fucile após o pesadelo de Londres.


Mercê do resultado adverso da 1ª mão, coube naturalmente à equipa de Vila do Conde a assunção dos desígnios do encontro na sua fase inicial. A equipa azul e branca, sem grandes preocupações, controlava ao largo o espírito de iniciativa dos homens de Carlos Brito. Sem muito ter feito para o conseguir, a equipa portista pôs-se na dianteira do marcador, num livre superiormente marcado por Belluschi. Se dúvidas existissem, o minuto 21 tratou de as dissipar sobre quem acompanharia o D. de Chaves ao campo de Oeiras.

O tento do médio ofensivo argentino teve o condão acordar a nossa equipa. Ainda as bancadas comentavam a mestria com que o 1º golo portista fora obtido e já Orlando Sã desperdiçava incrivelmente o 2º. E como um desperdício nunca vem só, Farías resolver solidarizar-se com o seu companheiro de ataque, falhando um penalty. Até ao intervalo apenas ficou na retina uma vistosa intervenção de Beto, após um ortodoxo cabeceamento de Ricardo Chaves.



Os segundos 45 minutos nada trouxeram de novo na sua fase inicial. Os ânimos apenas voltaram a agitar-se quando Falcão e Hulk renderam a frente de ataque titular. O jogo cresceu – para o lado portista – teve vivacidade e dinâmica. Faltava contudo o condimento essencial, os golos. Chame-se Guarín à recepção e sirva-se um golo à Ronaldo. Que pontapé. Micael “amuou” e tentou seguir-lhe as pisadas. O golo do madeirense também foi de belo efeito, mas não é a mesma coisa. Quem nunca deslustra é Falcão. Com este homem em campo os defesas adversários que se cuidem. Oxalá estejam assim inspirados a 16 de Maio.


Fotos: Agência Lusa

domingo, 11 de abril de 2010

Nada Farías sem ele...


Quase três meses depois, Farías volta a calçar as botas e regressa da melhor maneira possível aos relvados. Autor do único golo da partida que opôs os Dragões diante do Rio Ave, no estádio dos arcos, o argentino volta a confirmar a tendência de fazer golos em poucos minutos de utilização, deslaçando um nó que parecia muito apertado. Com um pé fora do FC Porto, Farías mantêm a ténue esperança da equipa azul e branca chegar ao 2º lugar e, consequentemente, garantir a vaga para a pré-eliminatória da Liga dos Campeões.

Depois de prestações mais vistosas diante do Belenenses e Marítimo, a equipa portista apresentou-se esta noite em Vila do Conde mais desgarrada e desconexa do que nos encontros anteriores. Não será alheio o facto de o Rio Ave se ter apresentado mais fechado, factor em que a nossa equipa tem sempre dificuldade em contornar, mas com o ritmo e processo de jogo lento que os homens de Jesualdo explanavam no relvado, dificilmente a equipa conseguia criar espaços.


Assim sendo, não admira que o único golo do jogo tenha surgido a partir de um lance de bola parada. Não admira que tenha sido apontado por um jogador que saltou do banco para reforçar a frente de ataque. Não admira, sequer, que além deste solitário golo pouco fique para contar deste encontro tão pobre. Sintomas de quem corre atrás de objectivos pouco tangíveis.

Para se aquilatar a desconcentração com que a equipa portista encarou este jogo, basta recordar os 2 erros defensivos de Miguel Lopes e Álvaro Pereira logo no começo do encontro. Valeu-nos a cabeçada de “pantufas” de Farías e a fabulosa intervenção de Helton ao minuto 68. Tudo resto, espremido e torcido, não se aproveita nada.

Sortudos todos aqueles que optaram por ligar à mesma hora na Sport TV para assistir a mais um recital do Barcelona de Messi.



Positivo: Ernesto Farías. Extraordinário o índice de aproveitamento do avançado argentino. Em poucos minutos em campo resolveu o jogo a favor da sua equipa, num excelente golpe de cabeça. Virtudes que não deverão ser suficientes para o segurar no Dragão para além desta época.

Negativo: Para não variar, uma vez mais neste campeonato, com o resultado ainda indefinido, um erro grosseiro da equipa de arbitragem contra o FC Porto, ao não assinalar uma evidente grande penalidade sobre Farías. Contabiliza-se, assim por alto, para cima de uma dezena deste tipo de “lapsos”, sempre em desfavor nosso. Coincidências…


Fotos: Agência Lusa

quarta-feira, 24 de março de 2010

Uma luz ao fundo do túnel


Com uma equipa partida em cacos e amputada de opções nas suas extremidades ofensivas, Jesualdo Ferreira viu-se obrigado a reformular o seu imutável sistema de jogo. Numa espécie de 4x5x1, desdobrável em 4x1x4x1, o FC Porto foi a Vila do Conde dar um passo de gigante rumo a Oeiras, após um triunfo seguro diante do Rio Ave, sem deslumbrar é certo, mas cumprindo a missão de forma suficientemente competente para assegurar o objectivo principal em vista.

Guarín juntou-se a um quarteto apontado à titularidade composto por Fernando, Meireles, Belluschi e Micael. O conjunto portista não pareceu dar-se mal com a nova configuração táctica. Bem pelo contrário, foi o Rio Ave quem se sentiu baralhado na forma como o Porto se dispôs em campo. Foi perceptível isso mesmo quando logo nos minutos iniciais os Dragões caíram em cima da área de Carlos. Uma pressão nem sempre consequente, intervalada com algumas perdas de bola perigosas. Ainda assim, estavam lançadas as bases para uma prestação positiva do FC Porto num registo diferente.


Não foi de estranhar por isso que ainda antes dos 20 minutos o Dragão se adiantasse no marcador por intermédio de Rúben Micael num aproveitamento de uma bola não concretizada por Falcão. A vantagem deu ainda mais crença à nossa equipa, que partiu para 15 minutos de bom nível, desperdiçando nesse período boas chances de ampliar o marcador. Mas, na irrefutável realidade portista desta temporada, tudo o que é bom não perdura, e eis que a defesa dá o seu brinde da praxe. O Bruno Moraes aplica um castigo à sua antiga equipa, que só pode queixar-se de si própria por consentir tanta liberdade à entrada da área.

Apesar do empate que se verificava ao intervalo, as escolhas iniciais de Jesualdo mereceram a sua confiança para segundos 45 minutos. Mais do que qualidade, o Porto revelou competência e eficácia. Ensaios de construção simples e lineares fizeram a equipa tomar ascendente no encontro, conseguindo voltar à vantagem na partida numa dessas trocas de bola bem sucedidas. Mérito para o trio Guarín, Micael e Meireles, com este ultimo a finalizar em bom estilo.



Sem correr grandes riscos, ou a sentir necessidade de grandes esforços, o FC Porto tinha a eliminatória na mão, limitando-se em razão disso a gerir o resultado positivo no marcador. O resto foi-se pondo a descoberto sempre que o Rio Ave subia na busca do empate. O golo que praticamente carimba a viagem ao Jamor surgiria já no último quarto de hora, num desvio de cabeça de Guarín. Um prémio para uma exibição do Colombiano que, desta vez, escapou à sua mediocridade habitual. E, com uma vantagem de 2 golos, o jogo da 2ª mão no Dragão previsivelmente se revestirá de uma mera formalidade.

Fotos: Lusa, Record

domingo, 29 de novembro de 2009

Finalmente um jogo à Porto

Depois de muitos jogos em que não se viu o FC Porto jogar como equipa e bater-se pela vitória durante 90 minutos hoje vimos finalmente uma equipa com vontade de vencer. E isso é suficiente para fazer as pazes com o público do Dragão. Desde o primeiro minuto os nossos mostraram boa dinâmica colectiva com um meio campo mais móvel e por isso cedo começaram a criar desequilíbrios na área defensiva do Rio Ave. Sucederam-se algumas oportunidades com Belluschi em bom plano até que aos 23 minutos, numa jogada de insistência, Hulk entra pela grande área dentro tirando dois adversários do caminho e remata para o fundo das redes. Golo. Estava feito o 1-0 cedo no jogo e pensava-se que o FC Porto iria arrancar para uma boa exibição e para uma vitória segura. Puro engano, logo na resposta sai um centro bem medido do lado direito do ataque adversário e João Tomás aparece a cabecear facilmente para golo, apenas estorvado por Fucile. Um balde de água gelada no Dragão.

A reacção da equipa ao golo adversário foi muito boa. O FC Porto continuou a atacar com convicção e com boas combinações e subidas nas alas, quer de Fucile quer de Alvaro Pereira e as oportunidades de golo continuaram a surgir até ao final da primeira parte sem que no entanto aparecesse o golo. No meio de muita vontade houve também muita falta de concentração e mais uma vez muitos passes falhados. Os problemas de finalização mantêm-se. Ainda são precisos muitos remates à baliza para que surja um golo.


No início da segunda parte Fucile foi carregado dentro da área dos vilacondenses e o árbitro apontou para a grande penalidade. Falcao rematou à trave e assim falhou mais um penalty. Não haverá ninguém na equipa técnica que o ponha a marcar 50 penalties por treino depois da hora? Não se admite a um ponta-de-lança que seja tão perdulário, principalmente nos penalties. Apesar disso a equipa continuou a acreditar e os lances perigosos continuaram a surgir na área do Rio Ave e o golo foi sendo evitado pelas defesas espectaculares do guarda-redes Carlos (faz-lhe bem jogar no Dragão, fica inspirado o rapaz). Já com Varela e Farías em campo surge o golo da vitória por intermédio do primeiro num remate à meia volta depois de um lance de cabeça na sequência de um canto. Hoje Varela foi o herói. Mereceu o golo porque regressou muito bem da sua ausência por lesão. É a grande revelação deste plantel.


Algumas notas:
- Com Fucile em campo é outra conversa. Como é que o FC Porto pôde ir buscar um jogador tão banal como o Sapunaru?
- Maicon esteve muito nervoso e inseguro na sua estreia. Esperam-se melhores exibições porque com performances como a de hoje o central que dá mais garantias para fazer companhia ao Bruno Alves é o Rolando.
- Jesualdo disse no flash-interview que a equipa não soube guardar a bola nos minutos finais. Grande constatação. E porque será, terá o Mister pensado nisso? Será talvez porque o seu modelo de jogo despreza a posse e circulação de bola? E depois ainda se admira que os rapazes não saibam guardar a bola quando é preciso.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

"Crónica" crónica!


Uma vitória por 3-1 com dois golos de Farias e o FC Porto mantém a liderança com mais estes 3 pontos. Estes são os factos que desmentem o resto do meu texto.

A equipa entrou bem no jogo procurando criar situações de golo. Lucho, Hulk e Fucile estiveram bem nos momento iniciais criando algumas oportunidades para Farias que não aparecia nem no sítio certo, nem à hora certa. Os rasgos de Hulk faziam estragos ora fosse um, ora dois, ora três adversários. No momento do jogo, o super-herói ultrapassou três jogadores do Rio Ave antes de enviar a bola com estrondo à barra. E isto traduz muito do futebol que o FC Porto apresentou: rasgos individuais e poucas jogadas “processadas”.

O intervalo parece ter feito mal aos jogadores. Não sei o que se passou no balneário mas a equipa entrou para a 2ª parte com um objectivo: fazer adormecer tudo e todos! A equipa entrou sem grandes correrias, sem querer vingar o golo que ficou por contar na 1ª parte, a poupar-se (presumi eu) para o treino de quarta-feira, já que no calendário não está nada marcado. Confesso que não percebo nada de rotinas ou processos, mas sei que grande parte das vezes quem não joga para marcar, sofre. E foi isso que aconteceu aos 72 minutos com um grande golo de Fábio Coentrão. Se o azar tem-nos batido à porta em alguns jogos, porquê correr o risco de este aparecer novamente? A crer nas palavras de Jesualdo Ferreira isso foi positivo, porque permitiu ver a reacção dos jogadores até numa estrutura táctica diferente. Espero não ser injusto, mas não vi grande reacção, nem nova estrutura. Vi uma substituição evidente de um lateral por um avançado, para quem precisa de vencer um jogo que deixou fugir por culpa própria. Vi foi um centro do nosso central, uma cabeçada de um avançado que pouco fez durante 85 minutos e uma equipa a voltar a abusar da sorte (ou do azar). Vi ainda mais um golo e uma exibição que deixou muito a desejar frente a um Rio Ave que está a melhorar mas que ainda tem uma defesa facilmente ultrapassável, como ficou demonstrado nos últimos 10 minutos da partida. Um pouco de pressão, um pouco de vontade em querer marcar golos e eles lá aparecem.

Enfim, um jogo sofrível. Não porque a equipa não tenha rotinas ou processos, não porque a equipa não tenha jogadores de qualidade e alguns em boa forma, mas porque as rotinas e processos são enfadonhos. Porque a equipa joga sem força, sem pressionar, sem procurar sufocar os adversários, sem o killer instinct como dizia Bobby Robson. Ah! E ainda fiquei com uma dúvida: Mariano ou Candeias?

Melhor: Hulk
Pior: a "palestra" no intervalo

Foto: Record

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Inspiração, procura-se!

O jogo de hoje acabou com um forte trago amargo. Não só pelo resultado, como também pela exibição perante uma equipa bem arrumadinha mas perfeitamente acessível; e por um erro capital de arbitragem que quase certamente nos custou os 3 pontos.

Começando pelo último ponto: o penálti não assinalado aos 80 mins por mão de Gaspar (deliberada, já que abre os braços de forma a pará-la) é um erro capital. Não vou afirmar que foi deliberado, já que o lance é rápido e havia muitos jogadores a tapar o ângulo de visão (para além do árbitro ter estado razoavelmente bem no resto do jogo); mas o facto é que não deixa de ser um erro que nos pode ter custado muito caro. Erro que certamente vai ser minimizado e/ou ocultado na comunicação social (ai se fosse ao contrário...).

De resto, parece-me que oferecemos uma hora de avanço, com uma boa reacção (tardia) na última meia-hora, ainda que algo atabalhoada. A primeira hora de jogo em termos exibicionais ofensivos foi confrangedora, tal a falta de inconformismo e inspiração. Fio-de-jogo até houve algum (a estabilização gradual do onze titular, ou quase, a isso ajuda); mas as dinâmicas ofensivas foram de uma previsibilidade deprimente, resultando num único lance de perigo, num lance de inconformismo de Sapunaru a subir muito bem. Transpiração até houve alguma, mas em futebol correr por correr nunca levou a lado nenhum.
A equipa demonstra uma grande incapacidade para conseguir criar desequilíbrios ofensivos. O expoente deste tipo de jogo é o Mariano: mesmo quando não joga mal é totalmente incapaz de criar desequilíbrios ofensivos. Trabalha, trabalha, mas naquilo em q um jogador ofensivo mais tem de contribuir, é quase zero: a tal criação de desequilíbrios ofensivos (seja com cruzamentos bem tirados, seja com uma finta, seja com um passe bem rasgado a deixar a defesa contrária em maus lençóis). Olho para o banco, e o q vejo? Médios predominantemente ofensivos e que saibam tratar a bola por "tu" não existe, por exemplo. Depois temos o Ernesto "este-ano-é-q-vai-ser-ai-afinal-já-não-é-bem-assim" Farias, o Incrível Hulk q está mais verde do q o super-herói a q foi buscar o pseudónimo, um Candeias ainda de cueiros (mas q apesar disso trouxe acutilância à equipa) e mais nada.

O próprio Rodriguez na primeira hora de jogo passou muito mais tempo em terrenos recuados, qual formiguinha, do que aparecendo na zona onde poderia criar desequilíbrios.

Este é um plantel como o Jesualdo o quis, em que o coeficiente individual de inspiração é extremamente limitado do meio-campo para a frente; e quando apanhamos pela frente uma equipa bem arrumadinha atrás ou o golo surge cedo, ou então acabamos por ter bastantes dificuldades em "abrir a lata". O único jogador capaz, individualmente, de criar desequilíbrios (e não é pelas fintas) é o Lucho, e em menor medida Rodriguez (e eventualmente Tarik, quando e se regressar). Espero que apesar deste défice de inspiração o plantel nos dê muitas alegrias - o plantel tem, apesar deste ponto, certamente capacidade para tal.

Destaque positivo:

1) Sapunaru (dos mais inconformados e certinhos, e com a marca de ter disfrutado - por mérito próprio, sendo um defesa - de metade das melhores ocasiões de golo).
2) Reacção na última meia-hora, demonstrando finalmente que queríamos encostar o Rio Ave às cordas e tínhamos trunfos suficientes para tal

Destaque negativo:

Falta total de inspiração da equipa para criar desequilíbrios, excepto em ocasiões isoladas na última meia-hora

Fotos: ASF, Lusa