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terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

Golpes de autoridade

Rival directo por um dos títulos mais importantes do ano superado? Check.
Triunfo fora sobre uma das equipas que melhor joga em Portugal e que ainda não tinha caído em casa desde Agosto? Check.
Utilização de vários jogadores habitualmente suplentes descansando titulares? Check.
Demonstração constante de superioridade colectiva e individual? Check.

Em pouco mais de uma semana, depois de um ciclo normal de maior desgaste, dúvidas e alguns tropeções absolutamente naturais, o FC Porto de Sérgio Conceição decidiu dar um par de golpes na mesa nas duas competições que realmente interessam este ano e contra rivais e contextos que exigiram sempre a melhor versão deste projecto. 
É certo que Janeiro tinha sido um mês problemático - especialmente tendo em conta o feito nos meses anteriores - tanto no desgaste colectivo da ideia de jogo, no cansaço individual que inevitavelmente produziu uma quebra de produção de jogo e de golos, o que gerou alguns sustos e tropeções. Chegar ao intervalo a perder em Estoril (uma equipa que vai de menos a mais), empatar em Moreira de Cónegos, cair nas meias-finais da Taça da Liga e sofrer na primeira parte contra o Vitória de Guimarães foram sintomas claros de uma realidade absoluta. Ninguém joga bem ou ao mesmo nível dez meses de temporada e tarde ou cedo qualquer equipa sofre uma sequência de maus resultados. Que essa sequência não tenha resultado sequer em nenhuma derrota - o FC Porto continua, 30 jogos depois, invicto em competições nacionais, algo que não se via desde 2003/04 - e que no final da mesma a equipa continue na liderança isolada do campeonato (com menos 45 minutos por disputar, ou 3 pontos a menos do devido, segundo se olhe) e esteja na frente na luta por um lugar da final da Taça de Portugal é elucidativo. Todas as crises fossem assim.

 O certo é que as sensações estavam a dar asas aos rivais a anunciar uma crise que, lamentavelmente para eles, não chega. Entre um título caído do céu para um e uma recuperação nada milagrosa tendo em conta as ajudas habituais recebidas de outro, parecia que 2018 estava a ser um inicio de ano para esquecer para o Dragão e era necessário mudar percepções, sobretudo entre os adeptos mais duvidosos porque o grupo de trabalho e o treinador parecem estar bastante convencidos do seu potencial, prova da solidez de discurso e mentalidade oferecida. Tentaram fazer da discussão de Soares com Conceição uma crise, inventando noticias sobre uma venda apressada para a China e um problema de balneário e como respondeu o grupo e os protagonistas? Três golos em dois jogos. 
Festejaram a lesão de Danilo Pereira, timoneiro fundamental desta equipa e deste modelo de jogo, anunciando uma hecatombe competitiva e o que respondeu o grupo, o treinador e o seu sucessor em campo, Sérgio Oliveira? Com uma versão igual de omnipresencia e garra que ajudou a solucionar dois jogos problemáticos com solvência.
Brahimi estava cansado, Aboubakar estava a meias com uma lesão, Marcano estava lesionado (e uma vez mais, de fora, tentaram transformar um problema físico numa vendetta pela mais do que provável não renovação do espanhol) e, ainda assim, cada qual que ocupou o seu lugar mostrou estar à altura e a equipa nunca deu sinais de ressentir-se. Num grupo manifestamente pequeno - ainda que ampliado com mais três opções que, como era previsivel, vão ter muito trabalho para entrar na dinâmica que já existe - todos deram um passo em frente sem excepção. Maxi Pereira rendeu bem o melhor lateral direito português num campo dificil como o de Chaves. Soares voltou a mostrar porque a sua contratação há um ano manteve durante tanto tempo o incompetente NES na corrida pelo título. Sérgio Oliveira mostrou pela primeira vez na sua carreira uma solvência física, liderança e qualidade que muitos suspeitavam que nunca tinha existido. E ainda que em menor nível, Corona e Otavinho deram oxigénio a um ataque necessitado de outras opções mais além do génio de Brahimi.



Conceição soube fazer uma gestão humana exemplar num periodo complicado - de entradas, saídas e dúvidas - e essa gestão em minutos de jogo ofereceu também variações a um modelo que os rivais já conhecem de memória mas que, em muitos casos, continuam sem saber contrariar. Soares é um jogador diferente de Aboubakar, ataca as jogadas de um modo distinto e isso engana defesas habituadas a procurar o contacto físico com o camaronês e a negar-lhe o espaço para impor o seu jogo. Oliveira é menos físico do que Danilo mas a forma como conectou com Herrera, que está a fazer, depois de tantas dúvidas geradas, um ano excepcional, permitiu ao meio campo recuperar frescura, ideias e alternativas no momento de posse. Mesmo no eixo da defesa, que por falta de opções e lesões tem sofrido mais alterações do que seria de esperar, a coesão mantém-se e o Porto está sem sofrer golos há vários jogos a que ajuda também ao facto de que José Sá estar a ganhar confiança a cada jogo que faz e sai da sombra de Iker Casillas. Tudo apostas arriscadas em cada momento, tudo apostas ganhas por Conceição que até tem visto recompensada a sua insistência em fazer jogar sempre Marega que, por todos os seus mil e um defeitos, sempre acaba por gerar perigo e ocasiões de golo. 

O certo é que bater - e superar, outra vez - o Sporting na primeira mão da meia-final da Taça (depois de dois jogos de manifesta superioridade em jogo mas sem golo) foi uma mensagem importante a todos os niveis. Demonstrou que, por muito investimento e discurso, o Sporting de Jesus continua a jogar com medo do Porto de Conceição, e que os azuis-e-brancos são superiores, jogadores por jogadores, linha por linha, aos leões. Depois de cair com manifesto azar na Taça da Liga era importante dar um golpe emocional antes do duplo confronto que ainda falta e, sobretudo, face ao presente barulhento do clube lisboeta destabilizar com mais uma prova de superioridade real. Em Chaves, onde um grande treinador como Luis Castro montou uma excelente equipa que ainda não tinha perdido em casa e aspirava (e aspira) a lugares europeus, com várias mudanças mas uma fome de bola há muito não vista, a equipa soube ser sólida, concisa e fazer aquilo que tinha sido incapaz em Janeiro, atacar e decidir cedo o jogo com golos e superioridade. Duas formas diferentes de mostrar que este Porto não se deixa amedrontar ou assustar por nada e que continua inequivocamente a ser a melhor equipa a jogar futebol em Portugal. Antes de um duelo que apetece, muito, mas que não deve distrair dos objectivos reais e factíveis que são os dois títulos nacionais em disputa, é bom saber que o Porto que muitos davam por cansado e em crise está bem vivo e com a mesma fome e autoridade de sempre.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

5 minutos à Porto, já depois dos 90

E bastaram.
Mas Sérgio Conceição voltou a arriscar com um "11" sem Brahimi. O argelino é absolutamente imprescindível no FCP actual. Ainda para mais com Corona e Hernâni completamente fora de forma.


E tudo começou bem demais: um golo aos 5 minutos é coisa que raramente nos acontece e parecia que teríamos um jogo tranquilo pela frente de modo a poupar as pernas para a Liga dos Campeões.
Errado. O Portimonense é uma bela equipa de contra-ataque e chegou ao fim da primeira parte com mais ataques do que o FCP. Vítor Oliveira não é mesmo um treinador qualquer.
O empate surgiu até com alguma naturalidade, em lance em que diversos jogadores falharam: Ricardo Pereira, Corona e Casillas.
O espanhol, que estava de regresso, não deu propriamente um frango mas poderia ter feito mais.

Na segunda parte pouca coisa mudou para melhor. A coisa estava de tal forma má que Conceição nem esperou quase nada para fazer entrar Brahimi. Mas com este actual Óliver e A.André no meio, só por engano o FCP consegue criar perigo. Aboubakar também não parecia muito inspirado. O Portimonense marcou um grande golo e aí as coisas ficaram realmente negras.
Tudo mudou com a entrada de Layún que, embora falhando aqui e ali, entrou de tal forma com gás que nem se percebia quem era o jogador mais avançado pela direita: se ele ou se o apagado Ricardo Pereira. A expulsão posterior de um defesa algarvio, foi o despoletar de um final de jogo empolgante.
Já com o nosso treinador de fora do banco, Alex Telles descobriu o caminho certo para a desmarcação de Aboubakar que, como os bons pontas de lança, não falhou no momento decisivo. Se o tivesse feito, o FCP teria sido eliminado, já hoje, da Taça de Portugal. Mas o FCP queria mais e tudo fez para evitar mais 30 minutos dolorosos. Os 7 minutos de desconto (aleluia!), dariam ainda tempo para mais um golo. O jovem André Pereira, lançado às feras logo no momento mais difícil da partida, cruzou para Aboubakar que não conseguiu controlar a bola que, por sua vez, acabaria nos melhores pés possíveis: os de Brahimi. Este não falhou e foi a festa completa num Dragão pouco habituado a estes golos tardios.

O scp também marca alguns nestas alturas finais das partidas, mas os dois desta noite foram 100% de acordo com as regras do futebol.

terça-feira, 20 de junho de 2017

Voando sobre um ninho de hipócritas

Após o FC Porto, através do seu Diretor de Comunicação, ter revelado publicamente um conjunto de e-mails comprometedores para o SLB, trocados entre um ex-árbitro de 1ª categoria (Adão Mendes) e um diretor da Benfica TV (Pedro Guerra), os benfiquistas ficaram atarantados, sem saber o que fazer ou dizer.

Em termos de reações, houve de tudo. Silêncios ensurdecedores, falhas de memória seletivas, reações envergonhadas, não-reações e até confissões implícitas (do tipo “vocês fizeram parecido”).

O jornal A BOLA, após ter saído do estado de choque inicial, decidiu entrevistar um ex-árbitro. Contudo, em vez de entrevistar Adão Mendes, o ex-árbitro implicado no tráfico de influências revelado nos e-mails (e que se remeteu ao silêncio), os senhores de A BOLA entenderam que era mais relevante ir ao baú da história e entrevistar um outro ex-árbitro – Carlos Calheiros.

Assim, a edição de A BOLA do dia 10 de junho (4 dias após a divulgação pública dos primeiros e-mails), trazia uma encomenda… perdão, uma entrevista (com destaque de 1ª página!) de Carlos Calheiros, um ex-árbitro e, atualmente, pintor nas horas vagas.

Carlos Calheiros nunca chegou a árbitro internacional e apenas apitou jogos do campeonato português durante seis épocas, mas ficou famoso por, alegadamente, o FC Porto ter pago uma viagem que fez ao Brasil, em Julho de 1995.

À época, devido à pressão da comunicação social lisboeta, o caso foi exaustivamente investigado mas, após os esclarecimentos prestados pelas três partes envolvidas – Carlos Calheiros, FC Porto e agência de viagem Cosmos – foi arquivado. Contudo, o ex-árbitro de Viana de Castelo nunca mais se livrou deste ferrete e, pouco tempo depois, abandonou totalmente a arbitragem. Já lá vão 22 anos.

Volvidos todos estes anos, perante factos altamente comprometedores do presente, há que tentar desviar as atenções com episódios do passado. Mas, já que o jornal A BOLA se lembrou de fazer esta “oportuna” viagem pelo passado do futebol português, então vamos um pouco mais atrás e recordar outras famosas viagens de avião, envolvendo árbitros de futebol e um clube de… Lisboa.

Recuemos, então, a Junho de 1978…

Após ter posto fim a um jejum de 19 anos, com a conquista do campeonato de 1977/78, o FC Porto também se apurou para a final da Taça de Portugal. O outro finalista era o Sporting e, claro, a final ia realizar-se no “muito neutral” estádio de Oeiras (há 40 anos atrás, uma deslocação a Lisboa não era, propriamente, pera doce…).

Naquele tempo, o “mau da fita” ainda não era Pinto da Costa, mas sim José Maria Pedroto que, sem medo, comentava: “É tempo de acabar com a centralização de todos os poderes na capital”.

A final foi um jogo muito quente, com uma arbitragem escandalosa e ficou marcada por um penalty polémico, favorável ao Sporting, que foi convertido por Menezes. Tendo o jogo terminado empatado (1-1), foi necessário disputar-se uma finalíssima, no dia 24 de Junho de 1978, arbitrada pelo senhor Mário Luís de Santarém.

Com uma arbitragem idêntica ao que era (é!) habitual nos jogos do FC Porto em Lisboa e que validou um golo irregular à equipa leonina, o FC Porto perdeu por 1-2, provocando a natural indignação dos seus jogadores, treinador e dirigentes. No final do jogo, Seninho, o autor do golo portista, diria o seguinte: “O árbitro entregou a Taça ao Sporting”.

Finalíssima da Taça de Portugal 1977/78 (fotos: Memória Azul)

Mas o mais escandaloso estava ainda para vir. Menos de 48 horas depois dessa finalíssima, o Sporting partiu para uma digressão à China.

Ora, qual não foi o espanto, quando se constatou, que integrados na comitiva sportinguista e vestidos com um fato à medida, igual ao dos restantes elementos, iam dois... árbitros!
Dois árbitros?
Sim, o senhor Porém Luís, de Leiria e, nada mais, nada menos, que Mário Luís, o árbitro da finalíssima, que a partir daí passou a ser conhecido como o “chinês”.

Caricatura de Francisco Zambujal publicada no jornal A BOLA
alusiva a um Sporting x Belenenses da época de 1981/82

Perante o escândalo, esta situação foi devidamente “esclarecida” pelos envolvidos – Sporting e árbitros – por forma a “lavar consciências” e evitar mal entendidos...

Os árbitros Mário Luis e Porém Luis
Jogadores, dirigentes de Sporting e os dois árbitros no estádio olímpico de Pequim

Talvez por isso, não houve inquéritos da FPF, nem investigações da PJ e muitos menos punições para o clube de Lisboa e para os árbitros envolvidos, os quais continuaram a “passear a sua classe” pelos relvados portugueses.

Bons tempos, em que convidar árbitros no ativo, para integrar comitivas de um clube ao estrangeiro, não era escandaloso, nem tinha consequências nefastas nas carreiras e reputação desses árbitros.

sábado, 19 de novembro de 2016

Avessos aos penalties

E pronto, lá voltamos ao mesmo de sempre, após a excepção que foi aquela grande exibição, durante boa parte da partida, frente ao nosso grande rival.
Como a maioria já suspeitava, aquela alma e garra "à Pedroto" era algo pontual que não iria ter grande continuidade.


Tal como em Tondela e Setúbal, para a Liga, este foi mais um jogo em que ficámos em branco e em que verdadeiras oportunidades de golo não foram assim tantas quanto tão grande "domínio" poderia fazer crer.
É um domínio entre aspas, portanto: muita parra e pouca uva. Ou seja, praticamente o mesmo que víamos nos tempos de Lopetegui.

E depois, já se sabe, a arbitragem faz o resto.

Um dos penalties reclamados não deixa a mais leve dúvida, mas dos três lances eventualmente passíveis de grande penalidade a nosso favor, pelo menos dois deles seriam seguramente marcados, caso acontecessem num jogo (e a favor) do nosso maior rival. Vira o disco e toca o mesmo.
Porém, o nosso técnico que por vezes é tão castigador (prossegue, por exemplo, com o seu processo pessoal de humilhação ao Brahimi), é muito mais suave quando tem que enfrentar os jornalistas.
Tal como após o empate no Bonfim, a mensagem que parece querer passar é de que são os jogadores os principais culpados dos maus resultados e a uma boa distância dos pecados arbitrais.
Tudo ao contrário, pois, daquilo que "Pedroto ensinou".

E que dizer da sua substituição única dentro dos 90 minutos?
Era já a pensar no prolongamento? Mas então uma equipa grande como o FCP não tem, pelo contrário, que fazer tudo para o evitar? O tudo-por-tudo tem que ser feito no tempo regulamentar. O prolongamento e os penalties só servem o adversário. É isso que eles mais desejam.
E só de pensar que contra o slb é que tal (não mexer) teria feito sentido...

E lá ficou Luís Gonçalves, no centro do relvado, a reclamar sozinho. Agora, já nem os jogadores se chateiam com isso.
Fiquem atentos à "newsletter" e ao Facebook...

domingo, 22 de maio de 2016

Portismo na RTP Memória

Ontem, a RTP Memória transmitiu a final da Taça da Portugal da época 1997/98, a qual foi disputada entre os mesmos dois clubes que, hoje à tarde, irão pisar a relva do estádio do Jamor.



O FC Porto ganhou essa final por 3-1 mas, mais do que recordar alguns jogadores de top que vestiam a camisola azul-e-branca – Aloísio, Doriva, Zahovic, Sérgio Conceição, Mário Jardel, Drulovic – ao rever essa final tive saudade do PORTISMO que se respirava naquela equipa.

PORTISMO que era sentido por vários jogadores que foram titulares (Secretário, Aloísio, Paulinho Santos, Sérgio Conceição), por jogadores que foram suplentes (Jorge Costa, Rui Barros, Capucho), pelo treinador principal (António Oliveira), pelos treinadores-adjuntos (Joaquim Teixeira e André), pelo preparador físico (Hernâni Gonçalves), pelo fisioterapeuta (Rodolfo Moura), pelo dirigente que se sentava no banco (Reinaldo Teles) e pelos dirigentes do FC Porto que estavam no camarote.

Sentia-se um ambiente de PORTISMO generalizado que, por si só, não ganha jogos, mas ajudou a equipa a aguentar a vantagem mínima no marcador, mesmo tendo sido obrigada a disputar 1/3 dessa final com menos um jogador (devido à expulsão do defesa-central João Manuel Pinto, ao minuto 62).



Hoje, horas antes de uma nova final entre o FC Porto e o SC Braga, gostava de poder dizer o mesmo, que se sente e respira um ambiente de PORTISMO no balneário, dentro das 4 linhas, no banco de suplentes e na tribuna de honra.
Gostava, mas acho que estaria a mentir.


P.S. Uma eventual vitória no jogo de hoje, como todos (portistas) esperamos, não salva uma época que foi horrível e em que se bateram vários recordes negativos. Contudo, será um importante passo na “pré-temporada” em curso e um trampolim para uma época 2016/17 que todos queremos volte a ser à Porto.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Este Porto não tem tomates

Nuno Almeida em acção no Boavista x FC Porto

A propósito da arbitragem do senhor Nuno Almeida no jogo de ontem – Boavista x FC Porto, para os Quartos-de-final da Taça de Portugal – o meu amigo Mário Faria, co-autor do ‘Reflexão Portista’, um grande Portista, escreveu o seguinte na caixa de comentários de outro artigo:

«Assisti, hoje, a uma das arbitragens mais velhacas que me foi dado assistir. Fiquei muito irritado, e mais fiquei com a brandura das declarações dos responsáveis, no fim do jogo. A equipa reagiu mal no segundo tempo e o treinador também. Devemos deixar de ter vergonha de falar sobre a arbitragem quando temos razão e somos lesados. Estes adeptos deixaram-se de indignar, para além dos treinadores. A estrutura cala-se. Este Porto não tem tomates.»


E na mesma caixa de comentários, José Lima, também ele um Portista da velha guarda, escreveu o seguinte:

«Assino por baixo caro Mário Faria. O cãozinho amestrado que o snr vítor pereira mandou para o Bessa é mais uma encomenda. Esta SAD cala-se porquê? É uma miséria!»

Casos do Boavista x FC Porto (fotos de Fábio Silva)

Sinceramente, eu já nem sei o que dizer.

A “estrutura” está (continua) calada.
Porquê?
Provavelmente porque ganhamos por 7-1… em cartões.
1 cartão amarelo para os axadrezados (tão bons rapazes que eles são…);
6 cartões amarelos e 1 vermelho direto para os “sarrafeiros” azuis-e-brancos…

Quem se indigna? Quem protesta? Quem nos defende?

Os adeptos e sócios do FC Porto que reflitam acerca de tudo isto que se está a passar no nosso clube.


P.S. Já agora, em termos da defesa dos interesses do FC Porto, neste como noutros casos semelhantes, para que serve o “renovado” Porto Canal?

quarta-feira, 16 de dezembro de 2015

Esta época ainda podemos…

Helton e os adeptos em Santa Maria da Feira

Aboubakar voltou aos golos, de cabeça, na sequência de um lance de bola parada (canto). Três aspetos pouco habituais no mesmo lance. Foi bom.

André Silva foi convocado, esteve no banco de suplentes, mas não jogou um único minuto. Foi pena.

Em resumo, e naquilo que mais interessa, o FC Porto eliminou hoje o Feirense e está nos Quartos de final da Taça de Portugal (com o SLB e o Sporting já de fora).

A que se junta o facto de estar nos 1/16 avos da Liga Europa (competição que o FC Porto ganhou duas vezes nos últimos 13 anos – 2002/03 e 2010/11).

E, na longa “maratona” que é o campeonato, o FC Porto está em 2º lugar, a apenas 2 pontos (1 empate) da liderança.

Se a equipa saísse do estado de depressão em que se encontra e melhorasse significativamente (jogadores para isso não faltam), esta época ainda poderia ser de grande sucesso.

Eu queria muito acreditar nisso, mas...

domingo, 22 de novembro de 2015

Caçar passarecos nos Açores

foto: lusa / maisfutebol

Acordei, nesta bonita manhã de Novembro, com vontade de caçar.
Não estava chuva, nem orvalho, estava era um frio significativo. Mas o sol brilhava.
Falei a dois ou três amigos mas não consegui organizar uma rápida ida ao Alentejo.

A caçada ficou para a tarde, reservada para a passarada vermelha dos Açores. E arrear na passarada vermelha sempre me deu, também, muito gozo.

Às 18h00, lá começou.

Uma defesa tipo B, mas que, em minha opinião, foi honesta. Helton seguro. Marcano também.  Lichnovsky e V. Garcia cumpriram.
Um meio campo que soube jogar, com Imbula, Evandro e um promissor Sérgio Oliveira.
Na frente um Varela sem surpreender,  um Bueno cada vez melhor e um Osvaldo que vai deixar poucas saudades se sair em Janeiro,  como se tem falado.

Logo aos 6 minutos, Bueno centra de forma perigosa para a área, sem que ninguém apareça a finalizar.

Cerca de dois minutos depois começa a sessão de sarrafada do açoriano Stela: são-lhe poupados 7 cartões amarelos ao longo do jogo.
O primeiro aos 8 minutos.
O segundo também aos 8 minutos,  na jogada seguinte.
Ao minuto 23 entra sobre Varela, cortando um contra ataque.
Ao minuto 27, nova entrada aos calcanhares de Evandro.
Ainda no minuto 27, nova entrada sobre Imbula.
Aos 60 minutos,  numa entrada sobre Jose Angel, altura em que o árbitro lança sobre o pauliteiro um sério aviso (um jogador interpreta um aviso como "ok, ainda posso dar mais uma, que só levo amarelo na próxima").
E, finalmente, aos 73 minutos, com nova paulada em Bueno.
Se fosse contra os vermelhos do Continente, o Stela tinha ido tomar banho muito mais cedo.

Depois de um minuto 10 em que houve três cantos consecutivos, chega o golo ao minuto 13: excelente centro de Jose Angel e boa entrada de Bueno de cabeça (embora a guarda-redes pudesse ter feito melhor).

No resto da primeira parte, fizemos a passarada voar de um lado para o outro e ansiar pelo intervalo. Fizemo-los correr, cheirando a bola, mas pouco lhe tocando. Atuação racional.

E foi assim que, aos 39 minutos, Osvaldo no lado esquerdo do campo, centra com o seu pé direito para a área.  Um bom centro, com a bola a cair no peito de Bueno que, dominando-a,  remata de primeira também com o pé esquerdo. Um golo importante, bonito e de excelente recorte técnico.

Na segunda parte registei uma boa desmarcação de Evandro a passe de Sérgio Oliveira  (revelou boa visão,  o rapaz) aos 61 minutos, mas Evandro não foi suficientemente rápido nem hábil para passar o guarda-redes açoriano.

A partir dos 70 minutos a passarada já não conseguia correr, depois do muito que já tinha corrido.
No entanto, ainda tivemos o momento "mano de Dios" à portuguesa: os vermelhos conseguiram levar a bola às redes, mas fizeram-no após o avançado ter correspondido com a mão a um centro para a pequena área.

Cumprimos o nosso dever: descansámos a equipa; rodámos jogadores; abordámos  o jogo de forma séria; marcámos quando foi preciso; fizemos correr a bola quando preciso; tivemos personalidade e procurámos rigor.
Queríamos mais golos? Possivelmente. Mas prefiro ganhar por 2 e fazer um jogo sério e personalizado, lançando jogadores, do que ganhar por 4 com golos resultantes apenas de jogadas individuais.
Parabéns aos jogadores e, esta tarde, ao treinador.

Depois de abater passarada vermelha, foi tempo de limpar armas. Um arroz de favas e um tinto do Alentejo, que a caça cansa muito.

A propósito: eu vi um jogo da taça com algum desequilíbrio.  Alguém sabe como ficou o jogo - seguramente equilibradíssimo - entre o Real e o Barcelona?

domingo, 18 de outubro de 2015

Missão cumprida. Próximo…

Onze inicial no Varzim x FC Porto, 3ª eliminatória da Taça de Portugal

O onze inicial que Lopetegui apresentou no estádio do Varzim (sim, ao contrário do SLB e do Sporting, o FC Porto não disputou esta eliminatória da Taça de Portugal em campo neutro…) estava cheio de novidades:

Helton na baliza (esteve bem, mas não me lembro de ter feito uma única defesa difícil);
Layún a defesa direito (deverá ser ele a ocupar a posição de Maxi no jogo contra o SC Braga);
Cissokho a defesa esquerdo (não deslumbrou, longe disso, mas deverá ser ele a ocupar a posição de Layún no jogo contra o SC Braga);
Estreia absoluta de Lichnovsky, fazendo dupla com Martins Indi (os dois jogadores que formam a dupla de defesas centrais titular – Maicon e Marcano – estão lesionados);
Um meio campo totalmente diferente, com Imbula mais recuado e dois médios ofensivos – Evandro e Bueno (também ele numa estreia quase absoluta).

Contudo, este Varzim x FC Porto não foi propício a grandes destaques individuais.
Os jogadores poveiros foram pouco mais do que aguerridos e, depois do muito que correram na 1ª parte atrás da bola (apenas 22% de posse de bola), a maior parte dos “lobos do mar” terminou o jogo de “rastos”.

Na minha opinião, os maiores destaques (pela negativa) foram o trio de arbitragem e Osvaldo.

O senhor Manuel Oliveira, para além de ter anulado (mal!) um golo ao FC Porto, perdoou dois penalties ao Varzim, teve um critério disciplinar incompreensível e, numa 2ª parte com cinco substituições e outras tantas paragens para recuperação/assistência a jogadores, deu apenas 3 minutos de descontos.

Quanto ao Osvaldo, teve uma noite não.

Osvaldo em ação no Varzim x FC Porto

Logo ao 6º minuto, com o resultado em branco, viu o auxiliar do senhor Manuel Oliveira anular-lhe um golo limpo.
Um pouco antes do FC Porto inaugurar o marcador, foi derrubado na área do Varzim (o defesa poveiro atinge-o na perna esquerda), mas o árbitro fez vista grossa.
E depois, com um misto de azar e displicência, foi um festival de golos falhados, aos 45’, 73’ e 80’.
O Osvaldo é um ponta-de-lança com uma qualidade acima da média e ontem mostrou que, fisicamente, já está a 100% (ficou na retina um sprint que fez perto do final do jogo) mas, para convencer o treinador (e os adeptos), não pode desperdiçar tantas oportunidades flagrantes num só jogo.

Missão cumprida na Póvoa. Próximo…

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Um campeão banal

“… vendo a banalidade que é este SL Benfica, eu ainda quero acreditar que é possível e, por isso, jogadores e adeptos não podem baixar os braços”


De facto, este SL Benfica 2014/2015 é uma equipa banal (sem qualquer sombra de dúvida, a equipa encarnada mais fraca da era Jorge Jesus). E não é por ter ganho no Estádio do Dragão (onde, esta época, também empatou o recém promovido Boavista), que passou a ser uma equipa melhor.

Record, 19-12-2014
A derrota de ontem, em casa, frente ao SC Braga (a segunda derrota que, em poucas semanas, Sérgio Conceição impôs a Jorge Jesus), veio apenas confirmar que os 5 pontos em 18 possíveis, conquistados pelos encarnados de Lisboa nos seis jogos da Fase de Grupos da Liga dos Campeões, não foram obra do acaso. Ou melhor, se calhar até foram, porque nos dois jogos que o SL Benfica fez contra o AS Monaco, a equipa de Leonardo Jardim foi melhor e merecia muito mais.

Significa isto que estou mais optimista do que estava há cinco dias atrás?

Não. Apesar de mais uma derrota do SLB (a segunda em pleno estádio da Luz e a 5ª derrota em jogos oficiais esta época), vi coisas no jogo de ontem que confirmam um determinado padrão.

Que coisas?

Jonas apoia-se e impede o defesa do SC Braga de saltar no golo do SL Benfica (fonte: Maisfutebol)

Poderia falar de várias situações, mas vou dar dois exemplos “invisíveis” (que não fazem parte dos resumos do jogo e de que ninguém fala), do que foi a “uniformidade de critérios” e “coerência” do árbitro deste SL Benfica x SC Braga, em termos disciplinares.

Durante os primeiros 45 minutos do SL Benfica x SC Braga, o bracarense Rúben Micael sofreu 5 ou 6 faltas, quase todas cometidas por Enzo Pérez, duas das quais para cartão amarelo (conforme foi reconhecido pelo próprio comentador da Sport Tv, o benfiquista Pedro Henriques). Pois bem, não só Enzo saiu do jogo (ao intervalo) com a folha disciplinar limpinha, como Rúben Micael, na 1ª falta que cometeu na segunda parte (ao minuto 56, junto à área do SLB…), viu imediatamente um cartão amarelo.

Mais. Tal como já tinha acontecido no jogo em Braga, para o campeonato, a equipa de Sérgio Conceição, depois de estar a perder, deu a volta ao resultado e colocou-se em vantagem no marcador ao minuto 58. Pois bem, apenas três minutos depois, o senhor Artur Soares Dias (lembram-se dele do SL Benfica x FC Porto da época passada?) foi implacável com o guarda-redes bracarense (o russo Stanislav Kritciuk) e mostrou-lhe um cartão amarelo por estar a queimar tempo. Nem aviso, nem nada, zás, toma lá um amarelo e ficas avisado (condicionado) para o resto do jogo.
Aliás, ao minuto 61, cinco jogadores do SC Braga já estavam amarelados e, no final, o SC Braga “ganhou” por 6 a 1 em cartões amarelos…

E nem sequer vale a pena falar no penalty (mais um!) que ficou por assinalar contra o SLB, devido a um corte com a mão, de Jardel, em plena área benfiquista. Além de ter sido um lance de descarada mão na bola e de não haver a desculpa de ter sido à “queima roupa”, foi na sequência de uma bola parada. Como diria Jorge Jesus, os árbitros não viram porque não quiseram…

E é por estas e por outras, que eu considero que será muito, muito, muito difícil o SLB perder a liderança do campeonato porque, parafraseando novamente Jorge Jesus (da vez em que foi ao estádio da Luz como treinador do SC Braga), “eles” (os árbitros) não deixam…

sábado, 18 de outubro de 2014

Experimentalismo de Lopetegui = VERGONHA

FC Porto x Sporting, Lopetegui (fonte: LUSA)

Por mais talento que exista (e no plantel que está à disposição de Julen Lopetegui há talento de sobra), não há boas equipas que sejam desorganizadas, cujos jogadores não saibam ocupar os espaços (com e sem bola) e que defendam mal.

Tendo ficado sem Otamendi (em Janeiro) e sem Mangala, uma das prioridades do novo treinador do FC Porto (fosse ele quem fosse) era formar e estabilizar uma nova dupla de defesas-centrais.
E Lopetegui parecia ter percebido isso, ao apostar (quase sempre) e procurar rotinar a dupla Maicon + Martins Indi.

Mais. Para além de mecanizar uma nova dupla de centrais é (seria) também crucial o entendimento dos defesas-centrais com o guarda-redes titular escolhido por Lopetegui (Fabiano) e a ligação com o médio defensivo que joga à sua frente (outro aspecto que teria de ser bem trabalhado, se atendermos a que o anterior titularíssimo - Fernando - saiu para o Manchester City).

Ora, se começarmos a análise do FC Porto x Sporting de hoje por estes aspectos - o entendimento entre Maicon e Iván Marcano, entre esta dupla e o guarda-redes Andrés Fernández e a articulação com o médio-defensivo Casemiro -, o que se viu hoje?
O caos!
Quantas vezes Maicon e Marcano, ou um deles e Casemiro se "atropelaram" uns aos outros?
A coisa foi de tal modo caricata que, na 1ª parte, houve uma jogada em que Maicon, Marcano e Casemiro saltaram os três à mesma bola!

A rotatividade imposta por Lopetegui é algo que até pode fazer sentido, quando existe um modelo de jogo consolidado e todos os jogadores estão perfeitamente identificados com esse modelo e com aquilo que o treinador pretenda que façam, sempre que são chamados a dar o seu contributo à equipa.
Mas, como é que isso seria possível nesta altura da época, tendo o FC Porto um treinador novo (o 4º treinador num espaço de 14 meses - entre Maio de 2013 e Julho de 2014), a trabalhar com um plantel muito jovem e que tem 15 (quinze!) jogadores acabados de chegar?

FC Porto x Sporting, onze inicial

E o caos provocado por Lopetegui já não se deve, apenas, às sucessivas mudanças de jogadores no onze base (algo que ainda não existe). É, também, devido às mudanças de modelo de um jogo para o outro e, inclusive, dentro do próprio jogo.
Foi isso que se voltou a ver hoje, da primeira para a segunda parte.

Na 1ª parte, apesar do caos instalado, principalmente na (des)organização defensiva, o meio-campo portista, com quatro elementos (Casemiro, Herrera, Óliver e Quintero) foi equilibrando as coisas.
Ao intervalo, a perder (1-2), Lopetegui voltou a trocar dois jogadores, para tentar corrigir/melhorar o seu plano de jogo inicial. Mas, se a troca do desinspirado Casemiro (regressou de 3-4 semanas de paragem) por Rúben Neves era inevitável, a substituição de Óliver por Tello (o extremo emprestado pelo FC Barcelona não trouxe nada de positivo), fez o FC Porto perder o meio-campo e fez a equipa, (des)orientada por Lopetegui, recuar para o que de mau já se tinha visto nos primeiros 45 minutos do jogo de Alvalade.

Pensava que Lopetegui tinha apreendido alguma coisa, depois do banho táctico que Marco Silva lhe tinha dado em Alvalade. Mas, afinal, parece não ter apreendido rigorosamente nada e hoje levou uma 2ª lição.
Espero que depois desta exibição miserável, desta humilhação, imposta pelo clube presidido por Bruno de Carvalho em pleno Estádio do Dragão (até deu para terminarem o jogo debaixo de olés), alguém, da estrutura do FC Porto, fale com o senhor Lopetegui e lhe explique o que é o FUTEBOL CLUBE DO PORTO.

Da minha parte e, por aquilo que ouvi no estádio, da parte de muitos portistas, terminou hoje o "estado de graça" do senhor Lopetegui.

Razão tem Ricardo Quaresma: com este plantel, o FC Porto tem obrigação de jogar muito mais.
É isso que os portistas esperam da equipa comandada pelo senhor Lopetegui e já a partir da próxima terça-feira, frente aos bascos do Athletic Bilbao.


P.S. Acabo de ler as declarações que o senhor Lopetegui fez no final do jogo:

"Oferecemos dois golos e falhámos um penálti. Foi isso que aconteceu"
"Confiamos nos jogadores, eles são responsáveis e sabem que têm de melhorar. Se queremos competir ao mais alto nível não pode ter erros destes."

Afinal, a coisa é pior do que aquilo que eu pensava. Para o senhor Lopetegui, a culpa é dos jogadores...


P.S.2 «A última vez que o Sporting, de resto, marcou três golos ao FC Porto fora de casa data de 1975, mais precisamente do dia 17 de outubro, quando a formação leonina venceu por 3-2 em jogo da sétima jornada.
Desde Fevereiro de 1965, de resto, que o Sporting não vencia o FC Porto, no Porto, por mais de um golo de vantagem
in Maisfutebol

domingo, 18 de maio de 2014

FC Porto, o verdadeiro primeiro vencedor da Taça de Portugal

"Num país onde o futebol era já um fenómeno de popularidade mas onde não havia infra-estruturas, profissionalismo e capacidade de organização, era complicado dar forma a um torneio destas caracteristicas que emulasse a FA Cup ou a Copa del Rey. Talvez por isso a primeira edição tivesse sido apenas disputada pelos clubes campeões dos distritos de Lisboa e Porto, Sporting e FC Porto. Era a grande rivalidade desportiva da década de vinte, a das duas equipas que dominavam com maior autoridade a sua competição distrital. Disputado a duas mãos, o torneio terminou com uma vitória para cada lado que levou à realização de um terceiro jogo, em campo neutral, no estádio do Bessa. Os leões protestaram que o jogo decisivo fosse disputado na cidade do Porto e os azuis-e-brancos acabaram por sair vencedores por 3-1 já no prolongamento. O clube da Cidade Invicta tornava-se então, ao contrário da fórmula que credita a Académica, no primeiro vencedor do Campeonato/Taça de Portugal."
Futebol Magazine

Os adeptos do Futebol Clube do Porto estão habituados a ganhar.
Vamos a finais, ganhamo-las. Nos últimos 30 anos somos a potência hegemónica - HEGEMÓNICA - do futebol português. De cinco em cinco anos perdemos um título, uma média irrepetível e que nem o Benfica foi capaz de reproduzir nos seus mais famosos anos. O que Pinto da Costa conseguiu é algo que nenhuma história falseada será capaz de obviar. O FC Porto idealizado por José Maria Pedroto, organizado por Pinto da Costa e executado por gente do nível de Artur Jorge, Bobby Robson, José Mourinho e André Villas-Boas deu aos adeptos um novo ADN. Estamos nas derrotas, estamos nas vitórias. E estamos mais habituados ás segundas do que ás primeiras. E talvez por isso deixemos passar detalhes a que outros clubes dão mais importância. Quem tem tempo livre pode fazê-lo. Mas nem sempre foi assim. O FC Porto já foi o maior clube português antes desta interminável saga de glória. Era um espinho cravado no costado do centralismo absoluto do futebol orquestrado desde Lisboa. Antes do primeiro grande deserto de títulos - entre 1940 e 1956 - o clube azul-e-branco era uma formação formídavel e dificilima de bater. Era também uma equipa de registos históricos. Entre os anos 20 e 40 o FC Porto ganhou a primeira edição de todos os torneios criados em Portugal. Mais tarde vencia a primeira Supertaça. Mas um truque idealizado desde o centralismo lisboeta e perpetuado pela imprensa e pela falta de acção das autoridades nortenhas ajudaram a perpetuar uma das maiores mentiras do nosso futebol. A de que o FC Porto é o primeiro vencedor do que hoje é a Taça de Portugal.


A questão é simples e fácil de entender.
Entre 1922 e 1938 realizou-se o Campeonato de Portugal. Era um torneio inspirado na Copa del Rey espanhola, uma primeira ronda preliminar nos distritais - a organização básica do futebol português á época - e depois uma série de rondas a eliminar que culminavam numa final em território neutro. Era a "Taça". Só anos mais tarde, depois do sucesso da campanha da selecção portuguesa nos Jogos Olímpicos de Amesterdão se deu a vontade de criar uma liga regular que seria restrita a equipas de quatro distritos (Braga, Lisboa, Coimbra e Porto e mais tarde aberta a Setúbal, Évora, Algarve e Aveiro) no que se baptizou como Campeonato da Liga. Essa competição durou quatro épocas, entre 1934 e 1938. O FC Porto, inevitavelmente, venceu a primeira edição. Em 1938 o governo salazarista decidiu mudar o organigrama desportivo do país e decidiu dar uma lavagem de imagem com dois novos nomes para as respectivas provas. O Campeonato de Liga passou a Campeonato Nacional de 1º Divisão e o Campeonato de Portugal a Taça de Portugal. O formato permanecia o mesmo.
No caso do Campeonato Nacional, ampliaram-se os clubes mas manteve-se a politica de quotas que se manteve mais uma década até que se aboliu o apuramento via Distritais e se abriu caminho a que os clubes subissem e descessem de divisão. Na Taça de Portugal os Distritais deixaram de servir como ronda preliminar e as eliminatórias entre equipas começaram desde o principio, mas sem a participação na primeira ronda dos clubes da 1º Divisão. Com o passar dos anos, parte da imprensa desportiva começou a tratar o Campeonato da Liga como parte própria do historial da 1º Divisão. Era uma decisão que alegrava, sobretudo, os benfiquistas que assim juntavam mais 3 títulos ao seu historial. O jornal A Bola era o principal apologista desta inclusão que favorecia o "seu" clube. O Record, por outro lado, não o reconhecia. A finais dos anos oitenta e principio dos noventa a pressão nas instituição da Federação Portuguesa de Futebol e o circo mediático montado à volta do clube vermelho de Lisboa levou a FPF a dar como válidos esses três títulos (o do FC Porto também) no palmarés oficial. Por isso os benfiquistas celebram hoje o 33º titulo que podia, perfeitamente, ser o 30º.
Ora, se essa vara de medir foi aplicada ao Campeonato da Liga-Primeira Divisão, porque não o foi aplicada com o Campeonato-Taça?



Talvez o principal motiva seja o facto de que neste Campeonato de Portugal o Benfica foi superado em títulos pelo Sporting e pelo FC Porto. Os Dragões, como mandava a tradição não escrita, tinham ganho a primeira edição do Campeonato de Portugal contra os leões. Ganharam mais três edições contra quatro dos leões. Quando a Taça de Portugal começou, a Académica foi proclamada campeã depois de um jogo épico contra o próprio Benfica, clube que nem sequer fazia parte da equação nas primeiras edições do Campeonato de Portugal. A imprensa da época, ciente do facto, calou-se e não exigiu o mesmo trato aos vencedores do Campeonato de Portugal. O Sporting, que por então em títulos nacionais seguia com uma vantagem considerável sobre o FC Porto, também preferiu não fazer ruido. E o provincianismo a que o FC Porto tinha sido empurrado pelo país impedia o clube de exigir um tratamento condigno a esses anos míticos da sua história. Quando Pinto da Costa chegou ao poder, fê-lo com novos titulos, novas celebrações e uma nova cultura de vitória e também ficou esquecido esse "roubo" histórico. O FC Porto, no fundo, não é só o primeiro clube a vencer o Campeonato 1º Divisão e a Supertaça. É também o primeiro clube a vencer a Taça de Portugal, via Campeonato de Portugal. Ou seja, o primeiro clube em todas as competições do país. Uma espinha demasiado gorda para engolir, seguramente.

O resto do futebol português pode preferir esquecer. Muitos adeptos portistas, focados no presente e preparados para o futuro também. Compreendo-os. Mas para mim, para a grandeza de um clube que já foi a maior força nacional noutros tempos distantes, o FC Porto será sempre o primeiro campeão da Taça, contem o que quiserem contar. E nunca está demais relembrar antes que alguém se esqueça que essas tardes de glória aconteceram e foram pintadas de azul e branco!

quarta-feira, 26 de março de 2014

Soube a pouco

Títulos e destaques na comunicação social a propósito deste jogo entre dragões e águias:

«Benfica sai vivo do Dragão»
in maisfutebol.iol.pt

«Dragão dominador ganha vantagem»
in record.pt

«"Dragão" fecha ciclo de 142 dias da "águia" a voar»
in RTP.pt

Jackson... Martinez!

«FC Porto podia ter conseguido um resultado expressivo diante de um Benfica muito atado. (...) os dragões tiveram mais volume de jogo do que os encarnados e registaram mais oportunidades de golo. Podiam ter garantido um resultado mais dilatado»
in JN.pt

Herrera e Luisão salva in extremis

«A vantagem tangencial acaba por saber a pouco aos tricampeões nacionais, que chegaram a ameaçar "arrumar" com o Benfica logo na primeira mão (...) O Benfica levava 27 jogos sem perder e sempre a fazer golos, mas desta vez foi surpreendido por um FC Porto autoritário, com mais intensidade de jogo e dominador (...) O FC Porto fica a dever a si próprio uma vantagem maior do que o curto 1-0»
in DN.pt

Reyes e Mangala dominam nas alturas (LUSA)

«No sítio onde Jesus se ajoelhou e lamuriou há dez meses, o Benfica voltou a sofrer por culpa própria e mérito, muito grande, do eterno rival.
Não fosse um leve assomo de vida nos últimos 15/20 minutos, com uma grande oportunidade de golo de Rúben Amorim pelo meio, e estaríamos aqui a falar de um Clássico de esmagador domínio azul e branco.
O Benfica escapou com sorte e pouco juízo à goleada.
Podemos falar dos dois cortes fabulosos de Luisão no primeiro tempo, do falhanço de Varela completamente isolado perante Artur, da bola de Jackson ao poste direito ou da definição errada e em câmara lenta de Quintero, também ele sozinho e deslumbrado.
Mas devemos, acima de tudo o resto, identificar e sublinhar as diferenças agudas entre este FC Porto e o anterior. O que viveu agrilhoado nas ideias incompreensíveis de um treinador cinzento e perdido num mar de caótica teimosia.»
Pedro Jorge da Cunha, in Maisfutebol


Luís Castro (REUTERS)
«A chave de todos os jogos é sempre a qualidade dos jogadores e a do plantel do FC Porto é muito boa. Os jogadores mostram-se disponíveis para cumprir as tarefas que entendemos. Foi visível que tentámos bloquear a construção de jogo do Benfica a partir de trás, tirando lucidez ao jogo deles. Depois dessa pressão alta queríamos recuperar e fazer ataques a partir desse ponto. (...)
A construção a partir de trás do FC Porto também foi boa, com paciência. Faltou-nos um bocado de jogo interior, para podermos furar mais a partir do centro, mas o jogo pelas alas foi sempre bem conseguido. (...)
Hoje houve um FC Porto com intensidade ao longo de todos os momentos do jogo. Apresentámos um jogo e uma identidade que queremos que se sedimente na equipa. Os jogadores estão confortáveis. (...) e peço desculpa por dizer isto, o plantel do FC Porto tem muito mais qualidade do que andaram a apregoar até hoje.»
Luís Castro, na conferência de imprensa

Nota: Os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

“Será que estamos a ser Porto?”


Não há muito a dizer do FC Porto x Estoril de ontem à noite, para os quartos-de-final da Taça de Portugal.
Globalmente, a exibição dos “andrades” foi na linha do que se tem visto nas últimas semanas/meses e isso já diz quase tudo.

Deste jogo tirei alguns apontamentos curtos.

Quaresma é craque, tem lances geniais, mas está sem intensidade de jogo e continua a perder N bolas por displicência.

Pelo contrário, a Herrera não falta intensidade e amplitude de jogo. Estou convencido que um dia/semana/mês/ano destes, quando o FC Porto voltar a ter uma Equipa organizada, o médio mexicano vai brilhar no meio-campo portista (para desgosto de comentadores como Carlos Daniel).

O outro internacional mexicano, Diego Reyes, tem pinta, mas fartou-se de meter água, principalmente na 1ª parte. Fez-me lembrar um outro defesa central, um tal de Ricardo Carvalho, quando (em 1998/99) fez a sua estreia com a camisola azul e branca, no Estádio das Antas, num jogo contra o Salgueiros.

Ghilas voltou a mostrar que pode ser muito útil e ajudar a resolver um problema crónico que o onze portista evidencia esta época: o isolamento de Jackson na frente de ataque e na área adversária. O problema é que Paulo Fonseca parece não arranjar maneira de encaixar Ghilas no trio de ataque, a não ser nos últimos minutos de alguns jogos e, normalmente, em desespero de causa.

Mas, na minha opinião, a grande novidade deste jogo foi a enorme tarja que os Super Dragões ergueram no topo sul, após o golo do Estoril.

A contestação nas redes sociais é perfeitamente inócua.
Assobios vindos das bancadas (ontem foram poucos, até porque as cadeiras vazias não sabem assobiar…) são esporádicos e, por vezes, alternam com algumas palmas.
Agora, a principal claque do FC Porto, que acompanha a equipa de futebol para todo o lado, que apoiam quando os outros estão calados, ter preparado uma tarja antes do jogo, com uma mensagem destas, isso já me parece que pode fazer tocar algumas campaínhas.

sábado, 4 de janeiro de 2014

Há treinos mais exigentes

FC Porto x Atlético (foto: LUSA)

Após 23 jornadas, o histórico Atlético soma apenas 18 pontos (os mesmos do último classificado) no campeonato da II Liga e ocupa o 21º lugar a 23 pontos do FC Porto B! Por isso, antes deste jogo, as expectativas não eram muitas, a começar pelo seu treinador (o célebre professor Neca...), nesta deslocação ao Estádio do Dragão.

Mas se não seria de esperar uma grande oposição da equipa lisboeta, tudo se tornou ainda mais fácil quando o guarda-redes do Atlético, de seu nome Leão, permitiu o 1º golo dos dragões sofrendo um peru monumental.

A partir daí, com o destino do jogo traçado, foi um passeio tranquilo que terminou com o 6-0 final, o que permitiu a Paulo Fonseca gerir os convocados para este desafio a seu belo prazer.

Perante adversário tão fraco, a jogar numa espécie de 4x6x0 ("só temos um ponta-de-lança, o Rui Varela, e não o utilizei para não haver desgaste ou cansaço", professor Neca), não dá para tirar grandes conclusões (por exemplo, acerca do defesa central mexicano Diego Reyes), mas gostei de ver o Ricardo a lateral direito durante 90 minutos e de rever o virtuosismo do "malabarista" Kelvin, coroado com um golo.

De resto, penso que para Paulo Fonseca o mais importante foi que ninguém se tenha lesionado e ter podido gerir os minutos de utilização de jogadores - Alex Sandro, Danilo, Lucho, Jackson - que serão cruciais para a batalha da Luz no próximo fim-de-semana.

Só foi pena que o certificado internacional do Quaresma não tenha chegado a tempo, porque dificilmente se arranjaria um adversário melhor para o ex-jogador do Al-Ahli ganhar algum ritmo de jogo.

segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Apenas uma vitória


Foi um jogo que repetiu as qualidades e os defeitos actuais da equipa. Entrámos bem, com boa circulação de bola e algumas boas iniciativas que levaram a dois golos e a umas quantas oportunidades, não flagrantes, mas interessantes quer pela sua construção, quer pela sua finalização. Desta vez, o Josué começou na ala esquerda e Varela no flanco direito. Desta vez, o Varela e os laterais (principalmente Alex) não estiveram tão interventivos, e foi o Fernando, o Defour, o Lucho e o Josué os pivots de toda a movimentação da equipa. Martinez também esteve ligeiramente melhor, e marcou um golo numa excelente iniciativa de Defour, seguida de uma assistência perfeita de Lucho.

No segundo tempo, jogámos mais em contenção, tirando partido do pecúlio amealhado, mas se o adversário não importunou muito, teve demasiada bola e o FCP mostrou nesse período dificuldades de controlar o jogo; o VG esteve demasiado tempo no nosso meio campo e raramente conseguimos sair com bola e chegar à baliza adversária com perigo. E este insistente bloqueio incomoda, porque denota alguma incapacidade de tornear as iniciativas de equipas que nem são fortes a jogar em ataque continuado. Denota ainda uma preocupante quebra física que retira discernimento e confiança, e por isso, passámos a jogar com as linhas mais baixas e a sofrer forte pressão logo na primeira fase de construção. E o jogo torna-se irritante e aborrecido.

Kelvin e Carlos Eduardo não acrescentaram muito ao jogo, Mangala foi (mal) expulso e a arbitragem foi má.
Uma vitória é uma vitória mas não fiquei muito entusiasmado porque temo que contra equipas mais valiosas possamos ter alguns desgostos. O PF tem de estudar bem as causas para evitar estes efeitos. Se calhar com mais treino ?

sábado, 19 de outubro de 2013

Missão cumprida com serviços mínimos

(fonte: Maisfutebol)

Um FC Porto de serviços mínimos, contra um Trofense entrincheirado no seu meio-campo, deu como resultado uma vitória por 1-0 e a passagem do FC Porto à próxima eliminatória da Taça de Portugal.

A Taça de Portugal, tirando a final, ou eliminatórias contra o slb e em menor medida contra o sporting, não é uma competição que me desperte grande interesse.
Neste jogo, o meu interesse esteve em ver como se comportavam jogadores nunca/raramente utilizados por Paulo Fonseca na equipa principal - Victor Garcia, Diego Reyes, Carlos Eduardo, Ricardo, Ghilas, Kelvin - contra uma equipa que ocupa o último lugar da classificação da II Liga.

Gostei das exibições de Diego Reyes (ao contrário de Maicon, não me lembro de uma única falha), de Carlos Eduardo (salvaguardando as devidas distâncias, tem um estilo aproximado ao de Deco) e principalmente de Ricardo que, juntamente com Fernando, foi o melhor da equipa portista.

Olhando para o lote de extremos do FC Porto, penso que Ricardo justificaria mais oportunidades. E Carlos Eduardo também, até porque é um jogador que tem cumprido sempre, quer pela equipa B, quer nas poucas vezes em que foi chamado à equipa principal.

Enfim, como jogo de preparação, para os jogos contra o Zenit e Sporting, não foi mau. A maior parte dos habituais titulares foram poupados para as batalhas que se avizinham, ninguém se aleijou e Paulo Fonseca ficou a saber que pode contar com outros jogadores do plantel que tem à sua disposição.

P.S. Juntando o Portugal x Luxemburgo e o FC Porto x Trofense, esta semana foi Varela 2, MST 0.

P.S.2 Cinco meses depois, Kelvin voltou a jogar no Estádio do Dragão.

P.S.3 Mais de 21 mil espectadores? Bem bom...

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

3ª eliminatória da Taça de Portugal

Lista dos convocados por Paulo Fonseca para o FC Porto x Trofense:
Guarda-redes: Fabiano e Bolat;
Defesas: Danilo, Maicon, Diego Reyes, Mangala, Alex Sandro e Victor Garcia;
Médios: Lucho, Carlos Eduardo, Fernando, Defour e Quintero;
Avançados: Jackson, Ghilas, Varela, Ricardo e Kelvin.

Surpreende-me a não convocatória de Fucile e Herrera, jogadores que eu perspectivava como titulares neste jogo da 3ª eliminatória da Taça de Portugal.
Também me surpreende a convocatória de Jackson, em vez de Kleber ou Caballero.

Assim, olhando para os 18 convocados, e na antecâmara dos jogos com o Zenit e Sporting, o meu onze para este jogo da Taça seria o seguinte:
Fabiano, Victor Garcia, Maicon, Diego Reyes, Alex Sandro, Fernando, Defour, Carlos Eduardo, Quintero, Ghilas, Kelvin.

E o banco de suplentes seria de Lucho...

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Que se lixem as taças

"Se algum dia tiver de perder umas eleições em Portugal para salvar o país, como se diz, que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal"
Pedro Passos Coelho, 23 de Julho 2012, durante um jantar do grupo parlamentar do PSD na Assembleia da República


Foi muito polémica a poupança de diversos dos habituais titulares (Helton, Danilo, Alex Sandro, Lucho, Moutinho, Varela e Jackson Martinez) decidida por Vítor Pereira no último SC Braga x FC Porto (2-1), para os oitavos-de-final da Taça de Portugal.
Contudo, apenas 13 dias antes, para os 1/16 avos da mesma competição, o FC Porto tinha ido à Madeira jogar contra o Nacional com praticamente o mesmo onze inicial. A propósito, relembro os onze jogadores que alinharam de início no Nacional x FC Porto (0-3), disputado no dia 17 Novembro de 2012: Fabiano, Miguel Lopes, Abdoulaye, Otamendi, Mangala, Defour, Castro, Lucho, Iturbe, Kléber e Atsu.
Ou seja, comparando os onzes do FC Porto nestes dois jogos para a Taça de Portugal (ambos deslocações que, à partida, se anteviam difíceis), só houve duas diferenças: Fernando e James entraram no onze inicial de Braga, saindo Lucho e Iturbe.
E, claro, houve também diferenças substanciais no resultado final dos dois jogos e, consequentemente, nas críticas à decisão do treinador.

Mas, faz algum sentido o FC Porto poupar 5, 6, 7 ou mais jogadores habitualmente titulares em jogos da Taça de Portugal, contra adversários como o Nacional ou o SC Braga?
Claro que é discutível, mas Vítor Pereira não é o primeiro (e suspeito que não será o último) treinador do FC Porto a fazer este tipo de gestão do plantel.

Recordo precisamente uma outra deslocação a Braga, para a meia-final da Taça de Portugal, realizado no dia 16 Março de 2004, em que o FC Porto de Mourinho foi disputar com a equipa orientada por Jesualdo Ferreira, uma vaga na Final da Taça de Portugal 2003/04.
Relativamente aquele que podia ser considerado o onze titular da altura, José Mourinho fez cinco alterações:
- Nuno em vez de Vítor Baía (que foi para o banco);
- Ricardo Costa fez dupla com Ricardo Carvalho em vez de Jorge Costa (que nem sequer foi para o banco, onde quem se sentou foi Pedro Emanuel);
- Alenitchev em vez de Pedro Mendes ou Carlos Alberto (ambos haveriam de ser titulares na Final de Gelsenkirchen, mas neste jogo em Braga nem entraram em campo);
- Maciel em vez do Ninja ou de Carlos Alberto (dependendo do modelo de jogo adoptado por Mourinho);
- Jankauskas em vez de McCarthy.

Apesar de ter jogado com várias segundas e até terceiras escolhas, como eram os casos de Ricardo Costa e Maciel (um dos grandes flops das contratações feitas na era-Mourinho), o FC Porto ganhou por 3-1 e o herói do jogo foi o “rapaz alto e loiro” – Jankauskas –, o qual fez uma belíssima exibição e marcou os 3 golos dos dragões.

Admito perfeitamente ter uma perspectiva muito minoritária entre os adeptos portistas mas, na minha opinião, a Taça de Portugal é uma competição simbólica do centralismo (a final é obrigatoriamente disputada no decrépito e “helénico” Estádio Nacional) e da parolice que existe em Portugal (é tão giro ver a malta que se desloca à capital, de garrafão na mão, a fazer piqueniques na mata do Jamor…) e, também por isso, interessa-me essencialmente quando enfrentamos o clube do regime - o slb.
Se gosto que o FC Porto ganhe a Taça de Portugal?
Claro que gosto, principalmente quando não ganhamos o campeonato porque, nesse caso, serve de (pequena) consolação.

Ora, se em relação à Taça de Portugal compreendo (e na maioria das situações estou de acordo) que os treinadores do FC Porto poupem vários dos habituais titulares, na Taça da Liga ainda mais.
Na realidade, para um clube com o historial do FC Porto, cujas prioridades fundamentais (a nível desportivo e financeiro) são vencer o campeonato e atingir os oitavos-de-final da Liga dos Campeões, para que serve esta aberração…, perdão, competição?

Para aumentar a notoriedade do clube a nível interno?
Não.

Para a SAD efetuar um encaixe financeiro relevante?
Não, e esta época ainda menos, visto a Taça da Liga ter ficado sem patrocinador e a Olivedesportos ter rompido o contrato que existia com a Liga.

Para enriquecer o currículo?
Compreendo que, por razões várias, o slb e a comunicação social que lhe é afeta procurem valorizar esta competição; compreendo que ganhar esta prova seja relevante para os clubes pequenos ou médios do nosso campeonato; mas algum portista, que tenha vivido as vitórias alcançadas nos últimos 30 anos, acha que é uma Taça da Liga que enriquece o currículo do FC Porto?

Então, para um clube como o FC Porto (que, lamentavelmente, é obrigado a participar), para que serve a “Taça Lucílio Baptista”?
Na minha opinião, para rodar os jogadores menos utilizados e, eventualmente, dar oportunidades a alguns jogadores da equipa B.
É isso que espero que Vítor Pereira faça no Nacional x FC Porto de amanhã (que, de tão "importante" que é, nem sequer vai ter transmissão televisiva...).


"Se algum dia o FC Porto tiver de perder umas taças em Portugal para salvaguardar a integridade física dos jogadores com mais minutos nas pernas e aumentar as hipóteses de sucesso noutras competições, como se diz, que se lixem as Taças, o que interessa é Campeonato e a Liga dos Campeões"
José Correia, 18 de Dezembro 2012