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quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Casa de família - bilhete de família


Uma das boas sensações que costumo ter no ano futebolístico é a do primeiro jogo da época no Dragão. Há um sentimento de reencontro, de reunião "familiar" e de regresso a casa.
Ora, várias vezes penso nesta sensação e nas dificuldades que a maioria das famílias têm, em especial em momentos de crise como os que temos presenciado, para poder viver esse momento de "família portista" em família (de sangue).
Um lugar anual é algo que muitas famílias não conseguem dar a todos os seus membros, e muito menos quando algum ou alguns dos membros não logram garantir presença num número mínimo de jogos.

Parece-me que seria de estudar a hipótese de haver cartões familiares com obrigação de aquisição de entradas anuais para um certo número de membros mas que permitisse duas coisas:
1. Por um lado,  a entrada livre de qualquer membro da família usando para tanto os lugares anuais adquiridos. Por exemplo, na minha família, composta por 7 pessoas, não obstante sermos todos sócios, só 4 membros têm lugar anual. Ora não há qualquer direito a que os outros 3, caso um dos 4 não possa ir a um jogo, entre no seu lugar.
2. Por outro lado, a aquisição a um preço reduzido (por sócios do mesmo agregado familiar de sócios com lugar anual) de entradas nos jogos aos quais compareçam os seus familiares. Isto estimularia cada jogo como um "momento de família" e poderia conduzir,  inclusivamente, à possível aquisição de lugares anuais pelos membros que, inicialmente não os tinham. Esta aquisição a preço reduzido poderia até estar sujeita à condição de que, no princípio do ano, se pagasse um pequeno fee para que cada um dos sócios pudesse fazer valer esse direito mais tarde (o que garantia logo uma receita por um direito que até poderia nunca ser exercido).

Não duvido que a estrutura do FCP esteja atenta ao pricing e às possibilidades existentes, mas penso que este tipo de relação teria vantagens financeiras e clubisticas (associativas) a considerar.
Quanto a mim só  posso confessar que me custa sempre um pouco estar "em família" no Dragão e ter deixado parte da família em casa...
 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Parafraseando Mark Twain…

O JOGO, 12-08-2015

O Museu do FC Porto foi inaugurado há quase dois anos (em setembro de 2013) e no último mês - Julho de 2015 - foi batido o número de visitas mensal (mais de 30 mil).

11 dias depois, no dia 11 de agosto, foi batido o recorde de visitas num só dia (1730 visitas).

A sessão e jogo de apresentação do plantel 2015/2016 esgotou a lotação do estádio e ontem, ao final da tarde, o clube anunciou que já só restavam 700 bilhetes à venda para o jogo inaugural do campeonato (FC Porto x Vitória Guimarães).

Eu já aqui tinha falado nas sinergias entre estádio cheio, visitas ao museu e camisolas vendidas. Lá mais para a frente, veremos os números que serão alcançados mas, se esta tendência se mantiver, este mês serão batidos todos os recordes.

A propósito: lembram-se do que foi dito em Abril e Maio passado, em que alguns quase deram o FC Porto como estando “moribundo” (Meu Deus, dois anos sem ganhar nada! É o apocalipse! É o fim!)?

Pois bem, parafraseando Mark Twain (com as devidas adaptações), eu diria que as notícias acerca da morte do FC Porto foram manifestamente exageradas…

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

“Devolver o Clube aos Sócios”



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Logo à noite, vai realizar-se uma Assembleia Geral Extraordinária do Futebol CLUBE do Porto.

Com a devida vénia, reproduzo, a seguir, extracto de um artigo da autoria de um dos colaboradores (“Norte”) do blogue ‘Bibó Porto, carago!!’, a propósito de uma outra Assembleia Geral do Clube, realizada em Outubro de 2012.

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«Faço em Fevereiro próximo, 28 anos de sócio do clube. Nos últimos 13 anos, falhei uma AG. Nunca nestes anos estive presente numa assembleia com tão poucos sócios (30, no máximo), com uma demonstração tão grande de desinteresse e distanciamento dos assuntos de interesse do clube. Às 20:30h, hora do suposto início da reunião magna, estavam presentes 6, repito, 6 associados.
Foi a primeira vez que nenhum associado interveio na meia-hora de discussão sobre assuntos do clube! Há demonstração de desinteresse maior? Mau demais! Dá mesmo vontade de perguntar se seria à porta fechada.

Responsabilidades?

Dos associados, pois fartam-se de na mesa dos cafés, no emprego, nos blogs, etc., dar palpites sobre o dia-a-dia do clube, criticar o que lhes apetece, dizerem as maiores asneiras, defenderem o indefensável, afirmarem coisas como se fossem verdades indesmentíveis, e chega-se ao dia de saberem a verdade sobre o clube, e não aparecem. É uma atitude tão respeitável como outra qualquer, mas faz-me lembrar aqueles que, quando os jogos são com o Paços de Ferreira ou o Moreirense, “tá frio”, “é tarde”, “é caro”, mas quando é com os menstruados, faça chuva ou faça sol, seja às 19h ou às 21:30h, são os primeiros a chegar e estão na primeira fila a vibrar.

Responsabilidade da direcção, porque insiste em fazer uma divulgação antiquada de um evento deveras importante. Cumprir estatutariamente o que está definido (anunciar com a devida antecipação a assembleia em 2 jornais de grande tiragem), não é razoável na era da comunicação e do desenvolvimento.

Anunciar no site, menos de 24h antes, é manifestamente pouco, ocorrendo isto na era digital, onde poucos lêem jornais em papel, e onde os sites das instituições são veículos essenciais para transmitir o quotidiano das referidas instituições.
Mais, no dia anterior, houve jogo da Liga dos Campeões em casa... porque não ter anunciado o acontecimento nos ecrãs do estádio? Fica a ideia (mesmo que errada) que o clube não mostra interesse na presença dos associados nestes locais, e não é a primeira vez que o digo.»
in ‘Bibó Porto, carago!!’, 01-11-2012

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Ao (re)ler este texto, lembrei-me do lema do Programa de Jorge Nuno Pinto da Costa quando, pela primeira vez, se candidatou à presidência do Futebol Clube do Porto: “Devolver o Clube aos Sócios”.

Sessão de esclarecimento, 1982

Momento da votação do sócio e candidato Pinto da Costa, 17-04-1982

Tomada de posse de Pinto da Costa como presidente da Direcção, 23-04-1982

Um dos pontos que, para mim, é essencial é que o Futebol Clube do Porto não perca a sua história, não renegue o seu passado, não perca a alma que tem, que lhe vem dos sócios
Jorge Nuno Pinto da Costa


32 anos depois de ter sido eleito Presidente do Futebol Clube do Porto, esta afirmação de Pinto da Costa está mais atual do que nunca e eu subscrevo-a inteiramente.

Por isso, faço um último apelo aos associados do Futebol Clube do Porto: se puderem, não faltem à Assembleia Geral Extraordinária de logo à noite (marcada para as 20:30).

Vão ser discutidos assuntos importantes (muito importantes!) para o futuro do Futebol Clube do Porto, que envolvem o relacionamento entre o Clube e a SAD.

Independentemente da opinião que possam ter, não deixem que outros decidam por vocês.


Fotos deste artigo: ‘Os Filhos do Dragão

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Acções preferenciais sem direito de voto

Amanhã realizam-se as Assembleias Gerais Extraordinárias da Futebol Clube do Porto Futebol SAD (“SAD”) e do Futebol Clube do Porto (“Clube”).

A AG Extraordinária do Clube está marcada para as 20h30 e tem como Ordem de Trabalhos: (i) discutir e deliberar sobre o reforço da participação do Clube no capital da SAD mediante a aquisição de novas acções e (ii) mandatar a Direcção do Clube para praticar todos os actos e subscrever todos os documentos necessários ao bom cumprimento da deliberação constante do ponto um.

A AG Extraordinária da SAD está marcada para as 15h00 e tem a seguinte Ordem de Trabalhos:


A AG do accionista principal da SAD, que é o Clube, vai realizar-se depois da AG da sua participada, o que não deixa de ser curioso, mas demonstra (falta de) cuidado da Direcção do Clube para com o seu stakeholder nº1: os sócios.

As operações a realizar devem ser analisadas de um ponto de vista “macro”. Em bom rigor, esta mais não é do que uma transferência de 50% do Estádio do Dragão para a SAD com o objectivo de repor os seus Capitais Próprios em níveis positivos. A gestão da SAD delapidou o património da sociedade nos últimos exercícios e agora chama os seus accionistas, ou melhor, apenas parte deles, a reforçarem os capitais. Este reforço será realizado sob a forma de emissão de acções preferenciais sem direito de voto, mas poderia – deveria – ser feito sob a forma de emissão de acções ordinárias, diluindo assim a estrutura accionista até agora vigente. Dado que o Clube vai injectar 37,5m€ na SAD, então, a sua participação deveria ser registada ao preço de mercado (0,60 €, a 10 Set. 2014, dia do comunicado à CMVM desta operação). Ficaria o Clube, desta forma, com 62,5m de acções ordinárias, ao invés de 7,5m de acções preferenciais sem voto.


"As acções preferenciais constituem uma categoria de acções especiais prevista no Código das Sociedades Comerciais que se caracteriza pelo acréscimo de direitos patrimoniais e pela preterição do direito de voto. Entende-se que os accionistas preferenciais não têm interesse na condução dos negócios societários, interessando-lhes quase exclusivamente a remuneração do seu investimento. Não obstante, os accionistas preferenciais são verdadeiros accionistas, assistindo-lhes todos os direitos inerentes às acções, à excepção do direito de voto, o qual se encontra suspenso, só sendo adquirido em situações pontualíssimas. (…) Sob o ponto de vista do adquirente de acções preferenciais sem direito de voto, normalmente sócios investidores, estes podem, com muita facilidade, ver em tal aquisição a possibilidade de receber dividendo superior ao juro que receberiam numa aplicação financeira junto de uma instituição financeira, uma vez que a lei consagra um mínimo legal para a atribuição de dividendo prioritário, o qual não pode ser inferior a 5% do valor nominal da acção."

Cria-se, pois, a expectativa de que o Clube irá receber dividendos prioritários, no montante de 5% do valor da acção, i.e 25 cêntimos por acção, o que representa 1,875 milhões de euros por ano.

No entanto, a SAD pretende alterar os seus Estatutos com aprovação do último ponto da Ordem de Trabalhos (ponto 6) para, registe-se, restringir o direito de voto do detentor das acções preferenciais caso estas venham a adquirir esse direito no futuro. No regime jurídico previsto para este tipo de acções especiais, o legislador associa a privação do direito de voto à atribuição de outros privilégios patrimoniais. Não satisfeitos esses privilégios, o accionista preferencial pode recuperar os direitos de voto.

"A recuperação do direito de voto surge no momento em que é deliberada a aprovação do relatório de gestão, das contas de exercício e da afectação de resultados, que demonstrem não haver lucro distribuível suficiente para acautelar o pagamento integral do dividendo prioritário por relação a dois exercícios consecutivos."
J.J. Vieira Peres, “Acções preferenciais sem voto”

A proposta de alteração do nº 3 do Artº 7º dos Estatutos da SAD diz o seguinte:
"3 - Caso as acções preferenciais sem voto emitidas pela sociedade venham a conferir direito de voto, ao abrigo do artigo 342.º, n.º 3 do Código das Sociedades Comerciais, durante esse período temporal não serão considerados os votos emitidos por um accionista, em nome próprio ou como representante de outro, nos termos dos artigos 20.º e 21.º do Código dos Valores Mobiliários, que excedam mais de um terço da totalidade dos votos correspondentes ao capital social."

Antecipando o incumprimento na atribuição do dividendo prioritário ao Clube, a SAD pretende limitar-lhe os direitos de voto a “um terço da totalidade dos votos correspondentes ao capital social”. Esta redacção deixa-me dúvidas, nomeadamente a que votos se refere. Ora, o Clube detém directamente 40% dos votos. No caso de incumprimento da SAD no pagamento do dividendo prioritário em dois exercícios consecutivos, o Clube ficaria limitado a 33,33% dos votos ou ficaria limitado a 40% dos votos mais os votos de 33,33% de 7,5 milhões de acções?

Seria mais sensato optar pela seguinte redacção do nº3:
3 - Caso as acções preferenciais sem voto emitidas pela sociedade venham a conferir direito de voto, ao abrigo do artigo 342.º, n.º 3 do Código das Sociedades Comerciais, durante esse período temporal não serão considerados os votos emitidos por um accionista, em nome próprio ou como representante de outro, nos termos dos artigos 20.º e 21.º do Código dos Valores Mobiliários, que excedam mais de um terço da totalidade dos votos correspondentes a esta categoria de acções.

O que me parece mais relevante neste ponto 6 é a forma como o Clube, enquanto accionista de 40% do capital da SAD, se autolimita os seus próprios direitos no caso de votar favoravelmente esta proposta. A Direcção do Clube não estará, nesse caso específico, a defender intransigentemente os superiores interesses da instituição Futebol Clube do Porto.
   

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Estádio do Bessa penhorado e em hasta pública

Para os associados do Futebol Clube do Porto, que pensam ser indiferente o Estádio do Dragão ser propriedade do CLUBE ou da SAD, recomendo a leitura das seguintes notícias (extractos), relacionadas com o Estádio do Bessa.

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«O Estádio Bessa foi penhorado pela Direcção-Geral de Contribuições e Impostos (DGCI) e está à venda desde as 00:00 pelo valor mínimo de 28,317 milhões de euros, informa a DGCI no seu site. Os interessados em comprar o local sede do Boavista Futebol Clube terão de entregar proposta até ao 20 de Novembro de 2008 (pelas 11h30).
(…)
Entretanto, a Agência Lusa divulgou mais pormenores sobre o tema. Assim, o recinto axadrezado é designado como fracção A e tem o valor de licitação acima referido, mas há mais fracções à venda. As fracções I, J e K correspondem a edifícios de um, dois e quatro pisos, com valores mínimos de 205.172,89 euros, 599.352,34 euros e 325.846,59 euros, respectivamente.»
in Maisfutebol, 08-08-2008

Vista aérea do Estádio do Bessa e envolvente

«Os sócios do Boavista mandataram a direcção para tentar a impugnação judicial da hasta pública do Estádio do Bessa, que está marcada para 20 de Novembro. A decisão foi tomada em Assembleia Geral, pela clara maioria dos cerca de 500 associados presentes. Houve quatro votos contra e 21 abstenções.
Esta AG extraordinária foi pedida pelo presidente do Conselho Fiscal, com base no argumento de que o estádio é do clube e não da SAD, o que será motivo para justificar a anulação da hasta pública.
Segundo explicou Pinto Pais, está em causa o facto de a SAD, então presidida por João Loureiro, ter dado como garantia o Estádio do Bessa quando recorreu, em 2005, a um Plano Extrajudicial de Conciliação para o pagamento de dívidas fiscais. De acordo com o responsável do Conselho Fiscal, essa garantia, não tendo sido validada pelos sócios em Assembleia Geral, foi ilegítima e violou os estatutos do clube. “O estádio era um bem do Boavista clube mas quem estava a ser executado era a Boavista SAD”, resumiu Pinto Pais, citado pela Lusa.
(…)
Tavares Rijo, actual presidente do clube, foi um dos membros da direcção de João Loureiro que aprovou a decisão de entregar o Bessa como garantia. Presente na AG, o dirigente foi alvo de alguma contestação. “Em mim, em nada me pesa consciência”, disse Tavares Rijo, igualmente citado pela Lusa, explicando depois que votou ao lado de João Loureiro com base num “documento de sete páginas, apoiado em duas actas da Assembleia Geral”, as quais, admite, hoje lhe suscitam “muitas dúvidas”.
in Maisfutebol, 13-11-2008

João Loureiro e um conhecido sócio do Boavista

«O Boavista anunciou hoje que foi anulado o despacho que ordenava a penhora do estádio do Bessa e desmarcada a venda judicial do recinto em hasta pública, agendada para quinta-feira.
(…)
A decisão de entregar o Estádio do Bessa como garantia pelas dívidas ao Fisco foi aprovada numa reunião efectuada a 12 de Setembro de 2005 por João Loureiro, na altura presidente, e mais cinco membros da sua direcção. (…)
Em causa estão dívidas superiores a cinco milhões de euros, a maior parte delas ao Fisco e uma parcela à Segurança Social.
(…)
A realização da assembleia extraordinária de 12 de Novembro foi pedida pelo presidente do Conselho Fiscal (CF), Pinto Pais, com o argumento de que o estádio é do clube e não da SAD, havendo por isso motivo suficiente para anular a hasta pública. Pinto Pais explicou, na altura, que, em 2005, a SAD, então presidida por João Loureiro, recorreu a um PEC com vista a pagar dívidas fiscais, tendo dado como garantia o Estádio do Bessa. O objectivo era permitir que a equipa de futebol profissional continuasse a competir. O dirigente disse que essa garantia não podia ser dada, sendo por isso ilegítima, porque não foi validada pelos sócios em AG, violando assim os estatutos do clube.
O estádio era um bem do Boavista clube mas quem estava a ser executado era a Boavista SAD”, resumiu Pinto Pais.»
in Record, 19-11-2008

Planta do Estádio do Bessa

«O Estádio do Bessa foi hipotecado ilegalmente. A decisão é do Tribunal Cível do Porto que, assim, deixa as Finanças e a Segurança Social sem garantias para uma dívida superior a oito milhões de euros.
O juiz não tem dúvidas: a Direção e a Assembleia Geral do clube não tinham competências para entregar o complexo desportivo como garantia à Fazenda Pública para travar 12 processos (10 processos e mais dois apensos) de execução fiscal que perfazem mais de 8,51 milhões de euros.
A hipoteca voluntária, feita pelo então presidente e pelo presidente-adjunto da Direção do clube, João Loureiro e Tavares Rijo, violou a lei. Oito anos depois, o registo do cartório, realizado a 16 de setembro de 2005, a favor da Direção-Geral dos Impostos é considerado nulo.
(…)
A situação é ainda mais grave. É que, além de não ter competências para determinar a hipoteca voluntária a favor do Estado, o clube deu o seu património como garantia de uma dívida da SAD do Boavista, que o tribunal vê como uma entidade externa à associação desportiva. O estádio e as demais instalações do complexo do Bessa são do clube e não da SAD. Não podem ser utilizados para garantir débitos alheios
in JN, 13-10-2013

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Este caso, que envolveu um dos clubes históricos do futebol português, é ilustrativo do que poderia ter acontecido se o Estádio do Bessa pertencesse à SAD em vez de ser propriedade do Boavista Futebol Clube.

Transferir a propriedade do Estádio do Dragão do CLUBE para a SAD (50% agora, o resto sabe-se lá quando) é abrir a porta a, no futuro, com esta ou com outra Direção, podermos ser confrontados com uma situação semelhante.

Os associados do Futebol Clube do Porto querem correr esse risco e “passar um cheque em branco” aos futuros dirigentes (que não sabemos quem serão) do Clube e da SAD?

segunda-feira, 28 de abril de 2014

De recorde em recorde…

Nas suas deslocações ao Porto, o SLB é uma equipa que, normalmente, faz com que os adeptos do FC Porto esgotem a lotação do Estádio do Dragão.

Assistências nos clássicos FC Porto x SL Benfica (fonte: O JOGO, 24-04-2014)

Conforme o gráfico anterior mostra, nos 10 clássicos realizados antes desta época no Estádio do Dragão, a pior lotação tinha sido em 2009/2010 – 44902 espectadores – num jogo que foi disputado na penúltima jornada do campeonato, com o FC Porto já afastado do título.

Mas esta época, que foi, globalmente, a pior dos 32 anos de presidência de Pinto da Costa, foram batidos diversos recordes negativos, dentro e fora dos relvados, e nem as recepções ao grande rival de Lisboa (os calimeros estão noutro patamar) serviram para evitar o “espetáculo” das cadeiras vazias.

Num comentário ao artigo ‘Divórcio com os adeptos’, escrevi o seguinte:
«Felizmente, os últimos dois jogos em casa são contra o SLB, o que, previsivelmente, irá garantir assistências acima dos 30 mil.»

Contudo, a realidade (números oficiais divulgados pelo FC Porto) foi ainda pior do que as minhas previsões, já de si contidas, e neste clássico estiveram apenas 26109 pessoas!!

Importa salientar que o recorde negativo de assistências em clássicos contra o SLB, já tinha sido batido esta época, no jogo para a Taça de Portugal (apenas 34499 espectadores), mas nem sequer chegar aos 30 mil é revelador do divórcio profundo que, durante esta época, foi sendo cavado entre o clube/equipa e os adeptos portistas.

Daqui a duas semanas vai realizar-se outro FC Porto x SL Benfica, o qual irá encerrar um campeonato e uma época de triste memória para os portistas (mas que deve ser lembrada por muitos anos, para evitar que se cometam os mesmos erros).
Para que no último clássico da época as bancadas se apresentassem compostas, talvez fosse boa ideia a FC Porto SAD colocar os bilhetes a preços convidativos…

terça-feira, 22 de abril de 2014

Divórcio com os adeptos

De acordo com os números divulgados pelo FC Porto, ontem estiveram 17509 pessoas a assistir ao FC Porto x Rio Ave. Mais 202 pessoas do que no FC Porto x Paços Ferreira da 18ª jornada, que continua a ser, oficialmente, a pior assistência em jogos do campeonato nacional desde que o Estádio do Dragão foi inaugurado (em 16 de Novembro de 2003).

Mas não é só no campeonato que esta época foram batidos os recordes negativos de assistências no Estádio do Dragão. O mesmo aconteceu na Liga dos Campeões – FC Porto x Áustria de Viena, com apenas 24809 espectadores – bem como o FC Porto x Estoril para a Taça de Portugal, cujos 10507 espectadores representam a pior assistência de sempre em todas as competições.

E tudo isto numa época em que existiram inúmeras iniciativas, promovidas pelo FC Porto e por alguns dos seus parceiros comerciais, com o objetivo de encher os 50 mil lugares do Estádio do Dragão.

O JOGO, 06-04-2014

Depois de uma época que se revelou horribilis, a próxima época está repleta de desafios para Pinto da Costa, Antero Henrique e restante administração da FC Porto SAD.
Na minha opinião, um dos principais desafios é recuperar do evidente divórcio existente entre os adeptos portistas e a equipa de futebol, de modo a que o Estádio do Dragão volte a ter, regularmente, assistências acima dos 30 mil espectadores (vale a pena lembrar que há apenas três anos atrás, na época 2010/2011, a média foi de 36987 espectadores).

domingo, 17 de novembro de 2013

O Dragão

Quando vejo espectáculos que me agradam e me tocam muito particularmente, sejam filmes, peças de teatro, com a música em geral e a ópera em particular, fico com pele de galinha e imensamente feliz. Em estado de exaltação, achámos o mundo melhor: chegámos a comover-nos perante a presença do belo. Somos compelidos a ter bons sentimentos. A harmonia paira no ar. O ambiente é invulgarmente sereno e silencioso, para não perturbar: nada se pode perder. O prazer tem de ser total. São momentos raros esses, mas inesquecíveis.


O Estádio do Dragão é, na feliz citação de MST, um palco próprio para recitais. Deslumbro-me sempre que lá vou e não me canso de lá ir. É muito belo, por ser muito simples. Sinto-me bem. É um estádio que nos honra. Quando atravesso a alameda e revejo o estádio, não fujo à atracção de o ir espreitar de perto e de segui-lo ao longo do passeio da fama. É que à beleza do estádio junta-se um enquadramento único. O Estádio é o centro daquele pequeno universo. Lindo de ver. Próximo ou longe, de terra ou do ar, é um estádio que merece honras de monumento.

Tenho saudades da Constituição, das Antas dos jogos no estádio do Lima, algumas até de Vidal Pinheiro, com muita pena pelo "desaparecimento" do Salgueiros. Mas, sou um apaixonado pelo Dragão. Sinto-me bem, aprecio os cânticos, conheço a vizinhança com quem troco impressões e pormenores tácticos. Quando o estádio irrompe num uníssono berro, gritando “Gooolo”, sinto uma enorme alegria, um paixão enorme, um misto de satisfação e orgulho, felicidade e regozijo, que me deixa rouco e me põe aos saltos como tantos. Esquece-se quase tudo: a enxaqueca, as letras, os desaforos, sei lá que mais. A emoção paira no ar e é contagiante. Somos todos irmãos, naquele momento. O minuto 92 que as imagens mostram e os testemunhos comprovam, é o melhor exemplo dessa louca euforia.


O estádio Dragão é um monumento onde se joga à bola. O Dragão Caixa e o Museu vieram animar o novo centro desportivo do FCP. O Dragão é um digno sucessor do velhinho estádio das Antas.

10 anos depois, continuo a gostar muito do Dragão: foi amor à primeira vista e vai-me acompanhar-me pelo resta da vida fora. Nesta época de incertezas, tenho a certeza que deve ser preservado como pertença do FCP. Um lugar para admirar. Nosso. Como dizia um articulista do PUBLICO: “…vir ao Porto e não visitar o Dragão por dentro e por fora e pelas suas redondezas é um pecado imperdoável.

sábado, 16 de novembro de 2013

10 anos, 10 jogos no Dragão

Faz hoje 10 anos que o Estádio do Dragão foi inaugurado (no dia 16 de Novembro de 2003) e em que um tal de Lionel Messi se estreou pela equipa principal do FC Barcelona.

Eu fui um dos cerca de 52 mil privilegiados cujo nome ficou numa placa no Estádio do Dragão para a posteridade mas, ao longo destes 10 anos, viveram-se muitos outros momentos de gloria portista, naquele que é o mais belo, funcional e eficiente estádio português.

Qual o jogo mais marcante em cada uma destas 10 épocas?

A minha escolha é a seguinte:

Época 2003/04 (fonte: zerozero)

25-02-2004, FC Porto x Manchester United (2-1), [oitavos-de-final da LC 2003/04]

Época 2004/05 (fonte: zerozero)

07-12-2004, FC Porto x Chelsea (2-1), [fase de grupos da LC 2004/05]

Época 2005/06 (fonte: zerozero)

22-03-2006, FC Porto x Sporting (1-1, +g.p.), [meia-final da Taça Portugal 2005/06]

Época 2006/07 (fonte: zerozero)

28-10-2006, FC Porto x Benfica (3-2), [campeonato nacional 2006/07, jornada 8]

Época 2007/08 (fonte: zerozero)

05-03-2008, FC Porto x Schalke 04 (1-0, +g.p.), [oitavos-de-final da LC 2007/08]

Época 2008/09 (fonte: zerozero)

15-04-2009, FC Porto x Manchester United (0-1), [quartos-de-final da LC 2008/09]

Época 2009/10 (fonte: zerozero)

02-05-2010, FC Porto x Benfica (3-1), [campeonato nacional 2009/10, jornada 29]

Época 2010/11 (fonte: zerozero)

07-11-2010, FC Porto x Benfica (5-0), [campeonato nacional 2010/11, jornada 10]

Época 2011/12 (fonte: zerozero)

05-05-2012, FC Porto x Sporting (2-0), [campeonato nacional 2011/12, jornada 29]

Época 2012/13 (fonte: zerozero)

11-05-2013, FC Porto x Benfica (2-1), [campeonato nacional 2012/13, jornada 29]


Algumas curiosidades:

- O FC Porto disputou 221 jogos oficiais e 15 particulares. (fonte: JN)

- Nos 221 jogos oficiais, o FC Porto obteve 167 vitórias, 34 empates e 20 derrotas. (fonte: O JOGO)

O JOGO, 16-11-2013

- Só houve duas épocas em que o FC Porto não perdeu qualquer jogo oficial disputado no Estádio do Dragão: na época de estreia, com José Mourinho, e na época passada (2012/13), com Vítor Pereira.

- O Estádio do Dragão é quase uma "fortaleza inexpugnável", mas a época 2004/05 foi anormal e contrariou esta tendência. Em 21 jogos oficiais, registaram-se 8 vitórias, 9 empates e 4 derrotas dos azuis-e-brancos!

- Os melhores marcadores no Dragão: Hulk, 46 golos (2 em jogos particulares); Falcao, 40 golos; Lisandro Lopez, 38 golos (2 em jogos particulares).


domingo, 13 de outubro de 2013

Iniciativas para encher o Dragão

O país, e particularmente a região Norte, está mergulhado numa crise profunda, mas os responsáveis do FC Porto parece terem dado ouvidos ao que muitos sócios e adeptos portistas vinham reclamando nos últimos anos e, desde o inicio desta época, têm sido inúmeras as iniciativas para levar mais gente aos jogos disputados no Estádio do Dragão.

Bilhete + Boleia

Simulação de Seguro - Bilhete

Bilhetes a 5 euros

Pack Zenit + Sporting

Se a equipa ajudar, isto é, se o nível exibicional melhorar e passar a durar mais de 30 minutos, penso que estão reunidas as condições para o Estádio do Dragão registar assistências na casa dos 40 mil espectadores.

Fonte: Imagens obtidas no Facebook do FC Porto

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Relvado aprovado!

Normalmente, só se fala dos relvados dos estádios quando estão em mau estado, ou quando alguns treinadores da "velha guarda" recorrem a habilidades - não cortar a relva, não permitir que o relvado seja regado antes do jogo, etc. - para dificultar a vida a equipas adversárias, se estas forem tecnicamente mais evoluídas (veja-se o caso recente da deslocação do FC Porto a Setúbal).

Pois bem, numa semana em que se disputaram dois jogos no Estádio do Dragão - Paços Ferreira x Zenit e FC Porto x Marítimo -, fiquei agradavelmente surpreendido com a qualidade da relva.

Houve quem manifestasse o receio de que, após o concerto dos MUSE, o novo relvado do Estádio do Dragão voltasse a evidenciar os mesmos problemas que ocorreram após o concerto dos Coldplay. Contudo, parece evidente que o problema não está na realização de concertos no estádio (algo que eu defendo), mas sim na qualidade da nova relva e das técnicas que são usadas para a sua implantação.

Ainda falta passar no teste do Inverno mas, pelas primeiras amostras, não vai ser por causa da relva que irão surgir lesões, ou que a equipa vai ter problemas nos jogos em casa.

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Vamos encher o Dragão!

(fonte: www.facebook.com/FCPorto)

Recentemente, em dois artigos publicados no 'Reflexão Portista'...


... foi discutido o facto do Estádio do Dragão registar uma assistência média abaixo do desejável e da influência (negativa) que os custos de deslocação e os preços dos bilhetes têm nesse facto.

Pois bem, o clube parece que não está indiferente a esta situação e, a partir do primeiro jogo em casa desta época, arrancou com uma iniciativa louvável, a qual junta bilhete, deslocação e o apoio de uma das casas do FC Porto num só pacote.

«O FC Porto prepara-se para tornar o Dragão um palco de emoções acessível a todos: segue à boleia da tua paixão e vem da tua localidade até ao estádio, com a deslocação a ficar sob a responsabilidade do clube e o bilhete a teu cargo. Se és da área de S. João da Madeira, aproveita para vir assistir à partida contra o Marítimo, para a 2.ª jornada da Liga, comprando o teu bilhete por 9€.
Esta acção irá repetir-se durante a época em várias localidades, com vista a trazer adeptos de várias localidades ao Estádio do Dragão.»

A notícia completa pode ser lida no site oficial.

Espero que a esta iniciativa se juntem outras, que contribuam para estancar a diminuição das assistências e inverter uma tendência que foi notória durante a última época.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Arquibancada e Superior...

Na sequência de um artigo recente publicado no ‘Reflexão Portista’, o qual proporcionou uma acesa discussão sobre o preço dos bilhetes, há novidades acerca dos lugares anuais para a próxima época.

«As principais novidades desta temporada são uma descida do preço médio e do preço mais baixo do estádio (130 euros, incluindo fase de grupos da Champions) e uma simplificação e uniformização das bancadas.
Os diferentes espaços destinados ao público passam a ter novas denominações (...) sobressaem descontos especiais para o público jovem, senhoras e sócios da categoria Reformados
in website oficial do FC Porto (11-06-2013)

(Dragon Seats, Tabela de Preços para 2013/14)

No site oficial do clube é dito que o preço médio dos bilhetes baixou, bem como, o preço mais baixo do estádio, mas há várias comparações que podem ser feitas, levando ou não em conta os descontos que existiam (e aparentemente deixaram de existir) para quem fazia a renovação do seu lugar anual.

Deste modo, optei por alargar o período de comparação a uma altura em que ainda não se fazia sentir, de forma tão intensa, a restrição ao consumo interno e em que o IVA sobre o preço dos bilhetes era de 6%.

Assim, e em termos práticos, quem pretender adquirir um lugar anual no Estádio do Dragão, para assistir aos jogos do campeonato e das competições europeias (fase de grupos), se comparar com os preços de há três anos atrás (preços de 2010/11 versus 2013/14, para lugares novos)…

(Dragon Seats, Tabela de Preços de 2010/11)

… constata que:
- Box (1250 euros), o preço diminuiu 250 euros para, Box (1000 euros)
- Tribuna (750 euros), o preço diminuiu 150 euros para, Tribuna (600 euros)
- Bancada A (450 euros), o preço diminuiu 130 euros para, Central (320 euros)
- Bancada B (350 euros), o preço diminuiu 30 euros para, Central (320 euros)
- Bancada C (275 euros), o preço diminuiu 100 euros para, Lateral (175 euros)
- Bancada F (300 euros), o preço diminuiu 30 euros para, Family Box (270 euros)
- Bancada D (225 euros), o preço diminuiu 70 euros para, Arquibancada (155 euros)
- Bancada E (170 euros), o preço diminuiu 15 euros para, Arquibancada (155 euros)
- Bancada G (150 euros), o preço diminuiu 20 euros para, Superior (130 euros)
- Bancada H (150 euros), o preço diminuiu 20 euros para, Mobilidade Reduzida (130 euros)


Evidentemente, o facto mais relevante em termos de política de preços é a descida generalizada do preço dos lugares anuais que se verificou nos últimos três anos, isto apesar do IVA dos bilhetes dos jogos de futebol ter aumentado de 6% para 23%. Veremos se é suficiente para levar mais gente às bancadas do Dragão.
Contudo, não deixo de apreciar o simbolismo que é renomear as Bancadas D e E como “Arquibancada” e a Bancada G como “Superior”.
Quem não se lembra do “Tribunal”, na curva da Superior Sul do Estádio das Antas, bem como, do tempo em que não havia pipocas e a chuva entrava pelas costas abaixo (“já não chove, podem sentar...”).

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Dragão, palco de espectáculos e emoção

Não faz parte das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades, mas é hoje à noite que, num concerto único em Portugal, os Muse vão actuar no Estádio do Dragão.

Sinceramente, não conheço os Muse (eu sou mais Rolling Stones, Pink Floyd, U2, ...) mas, dizem os especialistas, são a maior banda do rock britânico da actualidade. Com seis discos editados, os Muse já venderam mais de 15 milhões de unidades (!) e entre os prémios que arrecadaram destacam-se cinco MTV Europe Music, oito NME Awards, quatro Kerrang! Awards e dois Brit Awards. É obra!
Um banda coleccionadora de prémios, vem actuar ao estádio de um dos clubes europeus que coleccionou mais títulos nos últimos 30 anos.

Há, entre os adeptos portistas, quem conteste a realização deste tipo de eventos no Estádio do Dragão, usando como argumentação o mau estado em que fica o relvado.

De facto, na sequência do concerto dos Coldplay, realizado no ano passado (em 18 de Maio de 2012), o relvado do Estádio do Dragão, que tinha sido colocado três anos antes, após outro grande evento - a Corrida dos Campeões (Race of Champions) -, teve de ser substituído e a coisa correu mal.

Contudo, não me parece que esta má experiência seja motivo para acabar com os concertos ou outro tipo de “eventos pesados” no Estádio do Dragão. A colocação de um novo relvado é, hoje em dia, um processo perfeitamente dominado por várias empresas especializadas e, estou certo, aquelas que trabalham com o FC Porto aprenderam com os erros cometidos. Por exemplo, relva semeada em Benfica do Ribatejo não pega no Estádio do Dragão…

Eu sempre fui favorável a que este tipo de eventos (concertos, corridas de veículos motorizados, Festival Panda, etc.) se realizassem no Estádio do Dragão e mais convencido fiquei após ler uma entrevista de Gil Santos à ‘Dinheiro Vivo’ (publicada em 18/05/2013), em que o diretor da Porto Comercial, responsável por esta área de negócio, forneceu diversos dados relevantes sobre esta atividade:

O estádio do Dragão – no seu miolo e também na parte exterior, quer na parte envolvente quer no relvado – foi pensado para que tivesse uma utilização quotidiana e fosse considerado um centro de congressos. Um espaço multifuncional, onde pudessem ocorrer reuniões empresariais, colóquios, eventos médicos”.

Não existe estatística concertada, mas somos [Estádio do Dragão] um dos espaços onde se realizam mais eventos em Portugal” (só em 2012 foram realizados 210 eventos extra futebol, mais 9% face ao ano anterior).

Os números são muito interessantes, porque passam um milhão de euros, [mais 30%, face a 2011]. Completam e ajudam nos custos da gestão da infraestrutura e dá-nos a notoriedade que queremos”.


Os próprios promotores de espetáculos não poupam nos elogios às características do Estádio do Dragão:
É [estádio do Dragão] o mais bem preparado do país para receber concertos, porque foi construído também para essa finalidade, tal como o de Coimbra ou Alvalade, ao contrário de outros que nem foram pensados para espectáculos deste género, como o da Luz. O Dragão, pela facilidade e adaptabilidade das infraestruturas e pelas acessibilidades, satisfaz a 100% as nossas necessidades
Álvaro Covões, diretor da ‘Everything is New’, em declarações ao semanário Grande Porto de 07-06-2013



Estádio do Dragão, um espaço multifuncional, o melhor palco de espectáculos de Portugal.

Fontes: Dinheiro Vivo, Everything is New

sexta-feira, 31 de maio de 2013

O declínio do Dragão


O nível de assistências no Estádio do Dragão tem sofrido uma queda preocupante nas últimas épocas. A que agora findou (2012/13) representou mesmo a pior época em termos de assistências dos últimos 8 anos. Pela primeira vez neste período (e suspeito que desde a inauguração do Estádio) a ocupação média do Dragão ficou abaixo dos 60%.


Podemos, de certa forma, justificar esta evolução negativa com o ambiente de crise generalizada que se vive em Portugal e que se agudizou principalmente a partir de 2011 mas, em minha opinião, isso não explicará totalmente o que se está a passar. O SLB, por exemplo, viu subir o número médio de espectadores no seu estádio na penúltima temporada e conseguiu manter um registo semelhante em 2012/13, o que significa que os efeitos da crise foram suplantados pela performance e exibições da equipa (excepto nas últimas jornadas!). O crescimento das expectativas dos adeptos fê-los comparecer e apoiar a equipa mais vezes.


Se atentarmos ao comportamento do Dragão neste capítulo, nos últimos 8 anos vemos que as três primeiras épocas em que Jesualdo Ferreira foi o treinador (as épocas do TETRA) representam os anos com maiores assistências e, simultaneamente, aqueles em que a SAD apresentou maiores proveitos com esta rubrica. Na última época de Jesualdo no FC Porto, em 2009/10, a ocupação do Estádio caiu 14% e isso poderá estar relacionado com a época menos conseguida tanto em termos de exibições como de resultados desportivos. 

Com a entrada de André Villas-Boas e com a mudança operada na qualidade do futebol praticado pela equipa as assistências cresceram, em média, 10% fixando-se em torno das 37.000 presenças por jogo. Foi uma época excepcional a todos os níveis e do aumento das assistências demos conta aqui no RP. Depois, na primeira época de Vítor Pereira, o nível médio de assistências sofreu uma ligeira quebra (5%) mas foi na época que agora finda que as assistências mais diminuíram - em termos médios 14% - para uma percentagem de ocupação inferior a 60%. Refira-se que o SLB manteve uma ocupação de 65% nas duas últimas épocas. [Sendo detentor de um Dragon Seat tenho que confessar que quase adormeci em alguns jogos desta época no Dragão].


A relação entre os treinadores, o futebol praticado e as expectativas geradas na massa associativa parecem-me ser os factores determinantes para se conseguir uma boa casa no decorrer de cada temporada desportiva. E disso dependerá, também, o nível de proveitos com Bilheteira, naturalmente. As receitas com esta rubrica ainda não são conhecidas para 2012/13 mas a queda na percentagem de ocupação do Estádio, por um lado, e a subida na taxa de IVA sobre os espectáculos desportivos por outro, deverão fazer com que a SAD volte a apresentar uma queda nos proveitos obtidos nesta rubrica (de notar que parte significativa da subida do imposto foi suportada pelo próprio FC Porto).


Nota: os dados apresentados foram obtidos na edição de 24 de Maio de 2013 do jornal OJOGO, num artigo de Paulo Anunciação. As percentagens de ocupação foram obtidas por comparação com a lotação máxima dos respectivos estádios.

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

O novo relvado vem de França...




«Foi tratado com o carinho de sempre, mas o relvado de Benfica do Ribatejo foi compreensivelmente rejeitado pelo Estádio do Dragão. O novo vem de França e será colocado nos próximos dias. Substituição em curso.»
in Facebook oficial do FC Porto, 22-11-2012


Segundo pôde ser lido na comunicação social, as obras iniciaram-se ontem (quinta-feira) e estarão concluídas no domingo. Assim, após os dois próximos jogos em Braga (um para o campeonato e outro para a Taça de Portugal) e uma deslocação a Paris para o 6º e último jogo da fase de grupos da Liga dos Campeões, aquando da recepção ao Moreirense, no dia 9 de Dezembro, espero que se comprove o acerto desta decisão e que o Estádio do Dragão volte a evidenciar um dos melhores relvados de Portugal.

sábado, 3 de novembro de 2012

O relvado do Dragão

Na sequência do espetacular concerto dos Coldplay, o relvado do Estádio do Dragão, que tinha sido colocado há três anos, após outro grande evento - a Corrida dos Campeões (Race of Champions) -, teve de ser substituído.

Contudo, ao contrário do que aconteceu em Julho de 2009, em que a relva veio da Alemanha, desta vez a relva (7.500 a 10.000 metros quadrados) veio de Benfica do Ribatejo, dos viveiros da Vasverde, uma empresa que, de acordo com o que pôde ser lido nos jornais, “está a apostar no arrelvamento de campos de futebol, como o do estádio do Dragão, como forma de dar visibilidade ao seu negócio”.

Também ao contrário do que aconteceu nas duas anteriores substituições do relvado (em 2004 e 2009), em que a relva foi colocada pela empresa britânica "Support in Sport", desta vez essa operação foi efetuada pela RED – Relvados e Equipamentos Desportivos, empresa de créditos firmados e responsável pelo tratamento e manutenção dos relvados do FC Porto (e não só) há largos anos. A operação consistiu na remoção e substituição do relvado existente e de uma camada de subsolo de 8 cm de espessura e, aparentemente, tudo correu bem e de acordo com o previsto.






Durante anos tivemos o melhor relvado de Portugal (um magnifico tapete verde) mas, logo nos primeiros jogos desta época, foi visível que a nova relva do Estádio do Dragão não era grande coisa, com muitos pedaços a levantarem.

Com a chegada da chuva e o problema por resolver, em 26 de Outubro, Vítor Pereira queixou-se, publicamente, pela primeira vez:

A empresa que trata do nosso relvado [RED] é a melhor que já vi. O ano passado a qualidade da nossa relva era de altíssimo nível e este ano está com dificuldades. Para o nosso jogo rápido, com mau tempo, acaba por não ser fácil. O ideal seria ter novamente uma relva consistente e rápida. Acredito que isso volte a acontecer.”

Críticas que Vítor Pereira repetiu, e ainda com mais contundência, no final do FC Porto x Marítimo:

A relva é um problema. Levanta muito, faz escorregar, origina entorses e contraturas. Não é consistente e penaliza. Está a prejudicar-nos muito.”

E algumas das consequências já são conhecidas.

«(…) Vítor Pereira começou a preparar a deslocação a Kiev com quatro dúvidas em mente, todas decorrentes do jogo da véspera e a suscitar muitas reservas sobre a possibilidade da utilização de Lucho, Helton, Maicon e Fernando na capital ucraniana. Com os restantes titulares de sexta-feira a cumprirem trabalho de ginásio e de recuperação na primeira metade do treino, Fernando (microrrotura do longo adutor da coxa direita), Lucho (contusão no joelho esquerdo), Maicon (entorse no tornozelo direito com arrancamento ligeiro do astrágalo) e Helton (mialgia na coxa direita) limitaram-se a receber tratamento, juntando-se a Rafa e Alex Sandro no departamento médico.»
in www.fcporto.pt, 03-11-2012

As condições em que está o relvado do Estádio do Dragão estão à vista de todos.
Alguns jogadores já se queixaram.
O treinador principal já se pronunciou, duas vezes, sobre o assunto e referiu as consequências que o estado da relva tem para os jogadores e desempenho da equipa.
Compete aos dirigentes do FC Porto avaliarem a situação e tomarem decisões.

Fotos: RED – Relvados e Equipamentos Desportivos