“Quero louvar publicamente a eficaz cooperação entre a Liga e as autoridades, deixando um cumprimento especial aos agentes de segurança pública, que têm feito um grande trabalho no interior e exterior dos estádios, por forma a evitar manifestações de violência”
Laurentino Dias, secretário de Estado da Juventude e do Desporto, 25/02/2011
Após o apagão da Luz, o subintendente Costa Ramos, responsável pelo dispositivo policial destacado para o slb x FC Porto, não perdeu tempo e, publicamente, criticou os responsáveis benfiquistas:
“Ao desligarem as luzes e ao ligarem a rega puseram em causa a segurança dos agentes da polícia em serviço no interior do estádio e isso não pode voltar a acontecer”.
Quanto aos incidentes que ocorreram antes do jogo, Costa Ramos afirmou:
“Repare que os incidentes foram provocados por alguns adeptos do Benfica e envolveram apenas a polícia”, acrescentando que tinham sido “detidos 11 adeptos encarnados, seis dos quais por terem arremessado pedras, dois por atitudes agressivas para com a polícia, dois por transportarem material pirotécnico e um por atirar com berlindes para o banco do FC Porto, os quais atingiram um agente policial”.A comunicação social tem comentado o apagão, essencialmente, sob o prisma do mau perder, ausência de desportivismo e total falta de fair-play dos actuais dirigentes benfiquistas (gostava de saber o que é que a UEFA e, principalmente monsieur Platini, têm a dizer sobre este caso).
Sem minimizar estes aspectos, principalmente por a ordem ter vindo de quem passa a vida a apregoar o contrário (bem prega Frei Tomás…), importa salientar que este caso tem contornos muito mais graves e, conforme referiu o subintendente Costa Ramos, a decisão dos responsáveis do slb podia ter tido “consequências lamentáveis”, aumentando em muito o risco de invasão de campo.
Segundo a PSP, estavam cinco mil adeptos do FC Porto no estádio da Luz, os quais tiveram de aguardar cerca de uma hora às escuras, antes de poderem abandonar o estádio. Ora, com o estádio às escuras, um dos elementos principais do sistema de segurança – as câmaras de videovigilância –, e que é obrigatório por lei, deixou de poder funcionar. Ou seja, a PSP deixou de poder ver e monitorizar as bancadas do estádio através das câmaras de vigilância.
Ninguém responde por isto?
Mais. O que teria acontecido se, devido ao estádio estar às escuras, algum adepto tivesse caído e fracturado uma perna ou um braço? Como é que seria socorrido e por quem? E se houvesse desacatos entre os adeptos, ou entre os adeptos e os stewards, como é que os mesmos seriam controlados?
Isto não interessa às entidades públicas com responsabilidades nesta área, nomeadamente ao ainda Secretário de Estado da Juventude e do Desporto?
E o ainda Ministro da Administração Interna, tão rápido a reagir noutras alturas, o que tem a dizer perante todos estes factos? Desta vez não diz nada?
Pois, parece que nos camarotes não faltou a luz…

P.S. Apesar da direcção do slb ter impedido a entrada no estádio dos adereços transportados pelas claques do FC Porto; apesar dos adeptos portistas terem passado por quatro barreiras e sido sujeitos a uma revista minuciosa (incluindo tirar os sapatos), fazendo com que muitos deles só tivessem entrado no estádio após o resultado já estar em 1-2; apesar do indecoroso e irresponsável apagão no final do jogo; não há registo de qualquer incidente violento provocado por adeptos do FC Porto. Que grande bofetada de luva azul-e-branca!