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segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Que fazemos aos nossos míudos?

Bruno Vale, Rui Sacramento, Ventura, Tiago Maia, Kadu, Ricardo Dias, Bruno Alves, André Pinto, João Pedro, Rui Pedro, Nuno Coelho, Tengarrinha, Ivo Pinto, Tiago Ferreira, Paulo Machado, Josué, Nuno André Coelho, Castro, Helder Barbosa, Sérgio Oliveira, Ivanildo, Bruno Gama, Vieirinha, Diogo Viana, Ukra, Atsu, Rabiola, Abdollaye, Yero, Vion, Hugo Almeida...

Em 8 anos o FC Porto fez estrear, em jogos mais ou menos relevantes, 31 filhos do sistema de formação. Uma média de quase quatro “canteranos” por temporada, que não seria má de todo. Mas olhem para a lista outra vez. Com atenção. De todos esses jogadores, só 4 foram internacionais neste período e apenas dois deles, Bruno Alves e Bruno Vale, ao serviço do FC Porto. De todos os 31 só dois (Yero e Vion) estão no plantel desta época e ambos para fazer número, pondo as coisas no seu sitio. A maior parte destes jogadores foi forçada a embarcar numa espiral de empréstimos que esgotaria a paciência a um santo. E hipóteses na primeira equipa, nem vê-las. Muitas promessas, muito dinheiro invertido na requalificação da antiga Constituição e como resultado, um clube nu e destirpado da sua essência, os jogadores da casa. E um clube sem jogadores formados in loco é um clube sem chama interna, sem identidade e, sobretudo, com um excessivo gasto em contratações, comissões e salários que seriam paliados seguramente por uma aposta no producto made in Porto.



Antes que alguns dos leitores habituais venham com a reflexão sobre o pragmatismo da aposta do clube em jogadores nacionais, falando mais na vontade de ganhar já com compras com potencial de venda na América do Sul do que em estar a perder tempo e dinheiro em formar ou até mesmo com o argumento da “xenofobia” com jogadores estrangeiros, que fique claro que a mim importa-me pouco que os miúdos venham do Burkina Faso, da Nova Caledónia ou da Sé. Pessoalmente preferiria que fossem portistas, e hoje em dia para ser-se do Porto já não faz falta ser da Ribeira. A demografia da Invicta também já não permite esses sonhos e muitos dos heróis dos últimos 30 anos vieram do Grande Porto (Leça, Maia, Gaia, Amarante, Vila do Conde, Espinho, Matosinhos) mais do que das próprias ruas da cidade.

A questão é mais importante do que muitos adeptos imaginavam e está na altura de que a direcção do clube e a administração da SAD tomem medidas práticas e não persistam em politicas para tapar os olhos. Não sou seguramente o membro deste painel mais apto para falar de economia mas não é preciso ser um “expert” para analisar a diferença entre comprar um jogador a outro clube (com comissões), formá-lo, vender percentagens a fundos, pagar os seus salários (incluindo comissões por renovar contratos) e depois vender e formar um jogador do zero, pagar um salário evidentemente inferior e vendê-lo com lucro a 100%. Há muito tempo que o FCP abdicou de lucrar a 100% com um negócio por interesses externos ao clube que têm causado sérios problemas nas nossas contas. Por cada Anderson, Pepe, Hulk, Lucho, Lisandro ou Falcao sucedem-se dezenas de erros de casting. Souza, Walter foram os últimos enganos sérios da SAD mas nos últimos anos representam apenas uma gota no oceano.

Durante este período de tempo o FC Porto venceu 2 campeonatos de Juniores, 2 campeonatos de juvenis e 3 campeonatos de iniciados. Isso diz mal do futebol de formação português em geral mas também não explica porque é que uma equipa capaz de coleccionar tantos títulos é incapaz de exportar para a primeira equipa jogadores de nível.

Sou a favor da aplicação da lei 6+5 da UEFA e para adaptar-se a estes tempos e na circunstância actual os Dragões teriam muitos problemas em cumprir a normativa. Como adepto romântico do jogo gosto de sentir alguma identificação com as equipas. Como adepto racional do meu clube gosto de transparência e contas saneadas. Uma aposta clara na formação permite-me desfrutar de ambas. Ninguém me convence que um plantel com Souza, Bracalli, Cebolla Rodriguez, Djalma ou Walter é melhor que um que tenha Castro, Atsu, Ventura, Helder Barbosa, Bruno Gama, Vieirinha ou Palmo Machado, jogadores da casa que pertencem ou já pertencerem aos quadros do clube. Jogadores mais baratos, que sentiriam a “Mistica” do clube provavelmente mais do que as aquisições citadas e, sobretudo, em número suficiente para cumprir qualquer normativa europeia. O clube poupava dinheiro, reforçava o papel do produto da casa e, sobretudo, devolvia a imagem de um clube involucrado com o futebol local.


O FC Porto sempre foi berço de grandes jogadores que chegaram de outras paradas e sempre o será. Mas todos tinham detrás um núcleo duro da casa que desapareceu totalmente como espelho da politica auto-destructiva desta SAD. Começa a ser necessário, especialmente depois dos evidentes problemas de liquidez que o Standard Liège e o Santos fizeram públicos, pensar com mais cabeça no futuro desportivo e económico do clube e menos nos negócios paralelos que têm deixado muita gente na SAD feliz e nos círculos que a rodeiam mas que diminuem consideravelmente o potencial de crescimento e consolidação do clube para a próxima década. Não pode ser um cenário a repetir que o FC Porto arranque para uma nova época sem um único jogador formado em casa ao mesmo tempo que gasta milhões em contratar jogadores que depois nem se revelam opções tácticas regulares.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Um NACo para arredondar as contas


Em 5 de Maio de 2009, publiquei um texto cujo título era 'Nuno André Coelho, o sucessor de Bruno Alves?'. Na altura, o NAC estava emprestado ao Estrela da Amadora, onde se destacou como o "patrão" da defesa e aguardava uma oportunidade para regressar ao FC Porto.

De facto, NAC viria a fazer parte do plantel principal dos Dragões na época passada, mas Bruno Alves acabou por permanecer mais um ano e as oportunidades para jogar a defesa central foram escassas, até porque Jesualdo Ferreira confiava plenamente na dupla Rolando - Bruno Alves.

Apesar dos poucos jogos que fez de azul-e-branco, via em NAC características para poder ser um defesa central da bitola de outros jogadores da "casa" que o antecederam (Fernando Couto, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Bruno Alves). E o mesmo deviam pensar os responsáveis do FC Porto que, em Janeiro de 2010, renovaram o contrato de NAC, prolongando o vínculo por mais três anos até 2014.

Com a cada vez mais iminente saída de Bruno Alves (o pai/empresário dava entrevistas todos os meses), tudo indicava que Nuno André Coelho iria ser uma aposta forte para esta época e, em 7 de Maio passado, o DN publicou um artigo nesse sentido:
«Nuno André Coelho, defesa-central de 24 anos ligado desde muito jovem ao FC Porto, vai permanecer no plantel sénior dos dragões durante a próxima temporada (2010/2011), apurou o DN. Independentemente de quem vier a ser o treinador dos azuis e brancos na próxima época, Jesualdo Ferreira ou, eventualmente, outro técnico, Nuno André Coelho continuará a representar a principal equipa portista no primeiro escalão do futebol português. Aposta forte dos máximos responsáveis dos ainda tetracampeões nacionais, o promissor jogador é visto no Dragão como um atleta com um enorme potencial e com possibilidades de, no futuro, tornar-se numa referência do clube. Isto à semelhança do que aconteceu no passado recente com o também defesa-central, internacional português ex-FC Porto Ricardo Carvalho, actual futebolista dos ingleses do Chelsea.»

Foi pois com alguma surpresa, e pena, que vi o NAC ser incluído no negócio Moutinho, como uma espécie de arredondamento das contas. Não só por o NAC ser portista e ter passado pelas camadas de formação mas, principalmente, porque entendo que tinha valor para se afirmar na FC Porto e, quiçá, daqui a uns anos ser uma referência no plantel.

Percebo a grande vontade de Pinto da Costa em ter Moutinho (um "jogador à Porto") no plantel, com cuja contratação eu estou de acordo, mas preferia que a SAD tivesse pago os 11 milhões em dinheiro e, nesta altura, o NAC estivesse a disputar a titularidade com Rolando e Maicon.
Nesse caso, dirão alguns, o Sporting não teria aceite vender Moutinho. Bem, por aquilo que se sabe hoje, não me parece que o Sporting estivesse em condições de esticar muito a corda.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Santa Casa da Misericórdia do Porto

Na recente entrevista de PdC ao Expresso:

Em Junho deste ano, o empresário do Moutinho falou-nos e disse que tinha um documento em que o Sporting dava autorização para vender o jogador por dez milhões de euros, sem limitações para Portugal. Quis ver o documento e quando me assegurei de que assim era (...) o Sporting estava disposto a deixá-lo sair por dez milhões, pelo que li no documento que referi.



Já não é a primeira vez e nem deve ser a última, mas às vezes não percebo esta nossa tendência para sermos a santa casa da misericórdia, se o Sporting o vendia por 10 milhões porque pagámos 11 milhões (+ 25% de uma possível mais valia)?

Ou dito de outra forma, 10 milhões (o valor que eles queriam) e ainda lhes demos como bónus 50% do Nuno André Coelho mais 25% de possíveis mais valias? Porque pelos preços que se vêem por aí, numa avaliação minimamente justa o valor do NAC seria mais do dobro, para não dizer o triplo ou mais. Basta comparar com um tal de Marco Torsiglieri, ou o que nos custou um Stepanov.

Tivemos pena do Sporting? Azarito. Se o Sporting queria mesmo o NAC, que pagasse por ele. Ao incluído no negócio esperava-se que fosse para reduzir o valor pedido pelo JM, mas não! foi para o aumentar!

Já fizemos o mesmo no passado quando fomos buscar o Bruno Gama ao Braga, ao pagar os 750 mil euros de rescisão e ainda mandámos para lá, de borla, o Cândido Costa. Isto sem falar na contratação que íamos fazer do Moretto para ajudar o Setúbal e depois logo se via o que fazíamos ao jogador. Às vezes parecemos  a santa casa ou são só tiques de novo-rico a fazer inveja aos pobres?

Como as amizades não se compram e longe de mim pensar que o FC Porto comprou a "amizade" do Sporting, obviamente que isto tem uma explicação lógica, eu é que às vezes não as consigo encontrar, mas é claro que a culpa é minha. É assim o futebol moderno.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Nuno André Coelho, o sucessor de Bruno Alves?

Nuno André da Silva Coelho tem 23 anos (nasceu a 7 de Janeiro de 1986), 1.90 de altura e, após ter jogado um ano no FC Porto B (2004/05), tem feito o habitual périplo dos empréstimos - FC Maia (2006), Standard Liège (2006/07), Portimonense (2007/08) e Estrela da Amadora (2008/09) - aguardando por uma oportunidade no plantel principal dos Dragões.

Com o Pedro Emanuel em final de contrato (e previsível final de carreira) e a quase certa saída de Bruno Alves para um grande da Europa, tudo indica que essa oportunidade irá surgir na próxima época.

Embora não seja tão rápido, o Nuno André Coelho faz-me lembrar o Ricardo Carvalho (talvez devido ao corte de cabelo...).

Independentemente das semelhanças físicas, penso que tem tudo para integrar o plantel do FC Porto e, sob a orientação do Professor Jesualdo Ferreira, evoluir ainda mais para vir a ser um defesa central da bitola de outros jogadores da "casa" que o antecederam (Fernando Couto, Jorge Costa, Ricardo Carvalho e Bruno Alves).


Vídeo do golo da jornada 27, obtido na marcação de um livre directo (E. Amadora - Leixões):