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domingo, 9 de dezembro de 2012

Um fim-de-semana à Porto



I. Hóquei em Patins, FC Porto x HC Braga (10-2)
O FC Porto goleou o HC Braga por 10-2 e, aproveitando o empate (1-1) que o slb cedeu no pavilhão da Luz frente ao Paço de Arcos, aproximou-se da liderança do campeonato, ficando a apenas um ponto dos encarnados.

II. Andebol, FC Porto x slb (28-27)
Apesar de uma arbitragem com critérios sui generis e penalizadores do FC Porto, ao ponto do treinador Ljubomir Obradovic ter perdido a cabeça e explodido durante a 1ª parte (durante dois minutos o FC Porto ficou a jogar com menos 2 jogadores); apesar de (como seria de esperar...) os dragões terem ficado a jogar com menos um jogador nos momentos finais do desafio; a quatro segundos do fim fez-se justiça, quando o lateral direito João Ferraz marcou o golo da vitória, a qual catapultou o FC Porto para o comando do campeonato, ultrapassando o derrotado slb.

III. Futebol (I Liga), FC Porto x Moreirense (1-0)
Apesar do cansaço (físico? psicológico?) e da pouca inspiração evidenciada pelos jogadores do FC Porto; apesar de, aos 73', o árbitro não ter assinalado um penalty claro a favor do FC Porto, por falta e consequente derrube de Paulinho sobre Alex Sandro dentro da área do Moreirense; os três pontos e a consequente manutenção da liderança não fugiram e ficaram no Dragão.

IV. Futebol (II Liga), FC Porto B x Santa Clara (3-2)
O Santa Clara é um dos principais candidatos à subida de divisão (as equipas B não podem subir à I Liga) e vinha de cinco vitórias consecutivas; do lado do FC Porto, e sob o olhar de Pinto da Costa e Antero Henrique, alinharam de início Fabiano, Abdoulaye e Iturbe; a equipa açoriana marcou primeiro mas, ainda na 1ª parte, o FC Porto deu a volta ao resultado e foi para o intervalo a ganhar por 2-1; aos 82' o FC Porto ficou a jogar com menos um (por expulsão de David Bruno); oito minutos depois o Santa Clara chegou ao empate; apesar do golpe que foi sofrer o golo do empate em cima do minuto 90 e da desvantagem numérica, a equipa reagiu e em tempo de descontos (90+2') Tozé marcou o golo da vitória.
Para ajudar à festa, o sporting B empatou em casa (2-2) com o Desportivo Aves e o slb B perdeu (1-3) em Arouca.

domingo, 24 de junho de 2012

Gosto do gajo

Concordo com tudo o que o gajo diz? Não.

Tem ideias absurdas? Tem.

É politicamente correcto? Não. E ainda bem. E é por isso que gosto dele - apesar daquela Juventus e daquela França ainda estarem atravessadas na garganta.

- Ai que ele é o presidente da UEFA e não pode dizer aquilo.

O tanas é que não pode!


O problema não é quando eles dizem o que pensam.
O problema é quando dizem o que não pensam e depois nos bastidores fazem o que pensam.
De quem tenho "medo" é daqueles que se dizem muito neutrais. Quando leio um Jorge Coroado a criticar o Platini, abençoado seja o Platini.
O que me irrita são as frases feitas, as conferências de imprensa em que estão ali a debitar o mesmo paleio vezes e vezes sem conta.

Tá bom de ver que ontem a França só perdeu porque o homem quer a Espanha na final. Isto é claro como a água. 
(Como era claro como a água, que se fosse ao contrário a França só tinha ganho porque o presidente da UEFA é Francês.)

Ele gostava que a Holanda estivesse nos quartos de final. Mas não esteve.
Em termos teórico eu também gostava, preferia ter tido uma Holanda nos quartos que uma Grécia, uma R. Checa, ... mas o certo é que apesar de ele ser presidente da UEFA isso não aconteceu.
Como não passou nenhum dos organizadores - e a Ucrânia até teve aquela bola lá dentro. Interessante que agora ninguém fala do interesse, passe o pleonasmo, da UEFA em ter pelo menos um organizador nos quartos e nas meias.
O Francês gostava de uma final da liga dos campeões entre o Barça e o Real e nenhuma equipa lá chegou, a UEFA queria um organizador a passar as eliminatórias e nenhum passou.
Estão mesmo a perder qualidades. 

E esta é a realidade, o futebol é um jogo que qualquer interveniente pode ajudar a decidir, como o árbitro do Ucrânia-Inglaterra, como o treinador da Holanda, como o Varela, como o Ricardo da Grécia, como o Xabi (e até o Torres já ajudou a decidir), como o Jorginho já decidiu um Sporting-Porto, e até pode ser a própria sorte a decidi-lo. Mas não me venham com histórias, 89% são decididos pelos jogadores e 10% pelos treinadores.

O dia em que eu acreditar que o futebol não é assim, e como não sou masoquista, dedico-me ao Curling.  

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Joguem à bola!


Podemos olhar para o futebol de várias formas, uma delas são as vitórias. O que interessa é ganhar, ganhou-se e é-se o maior. Ponto final parágrafo.

Eu percebo que um Grego olhe para o Euro 2004 e pense assim.  

É que quando as nossas cores estão em causa, tendemos a pensar assim. Naquele dia em Feyenoord eu quis lá saber se o Porto de Ivic jogou com 4 centrais + 4 laterais - tudo muito fechadinho e o Kosta sozinho lá na frente. Passámos a eliminatória e isso é que interessou. Hoje não me orgulho daquele Porto.

O problema é que esta forma de jogar futebol, pode resultar num jogo, em meia dúzia, e às vezes até dar títulos, mas não pode ser isto o futebol. Ou melhor dizendo, não é este o futebol de que eu gosto. Um dia Pedroto disse: "Quem quiser Ópera que vá ao S.Carlos" e não deixa de ser verdade, mas quando eu vejo um jogo de futebol não quero ver / ouvir Ópera, quero ver Futebol. É bom ganhar, mas quero ver F-U-T-E-B-O-L. Pode ser?

Além disto não gosto de vitórias morais, irritam-me louvores em derrotas e acima de tudo irritam-me auto-louvores em derrotas. É certo que o futebol é um jogo - não é nenhuma ciência - e que por vezes a sorte e o azar decidem jogos. Há jogos que se perdem por azar, há jogos em que a atitude não chega, há jogos que se perdem e em que se deve aplaudir os nossos - os que perderam. Relembro o Porto - Panathinaikos na caminhada para Sevilha. Um gajo tem consciência que jogámos mal, mas sabe que aquilo não é a norma, sabe que a mentalidade é outra e por isso apoia, acredita. Mas é preciso que haja atitude e mentalidade.

Curiosamente (ou talvez não) após esse jogo de Feyenoord o Ivic foi embora e veio um Senhor que pensava assim:

Desenvolvemos bem o conceito de Killer Instinct. Tentámos manter um ascendente permanente. Procuramos estar sempre em boa posição durante todo o jogo. Não nos interessa iniciar o desafio com calma porque ainda está nos primeiros minutos e é preciso primeiro aguentar e assentar o jogo. É claro que isso é importante, mas não é suficiente para o FCPorto, já que pretendemos dar pelo menos a ideia de que vamos ganhar. É evidente que nem sempre resulta mas a intenção está lá e é só uma: ganhar. Então, se marcamos um golo está bem, é óptimo, mas vamos lá tentar outro. E se obtivermos outro, excelente, mas o jogo continua e vamos procurar ainda outro golo. Temos de continuar a atacar e atacar, para obtermos tantos golos quanto pudermos. 

E porque é que o público começou a regressar ao estádio? Porque gostam do que veêm. É um divertimento. Se se pretende ter o público de volta ao futebol é preciso entretê-lo, dar-lhe espectáculo. Porque é que se vai ver um filme? Porque é um bom filme. Se for mau as pessoas não vão. Com o futebol passa-se o mesmo. Se a equipa estiver a jogar mal, as pessoas não vão ver. Logo, o futebol é uma forma de espectáculo.

Desde então que isto faz parte da minha cartilha, quem tiver esta mentalidade tem o meu apoio até à exaustão e até celebro vitórias morais. 

O ideal do futebol bonito nem sempre ganha, mas o dia em que eu acreditar que não é o melhor caminho para se ganhar, de certeza que deixo de ver futebol. O dia em que eu preferir o Brasil do Penta de Scolari ao Brasil de 82 de Telê Santana, o dia em que eu preferir o Chelsea campeão europeu ou o Real campeão Espanhol, ao Barça de Guardiola que este ano só ganhou a taça de Espanha, internem-me sff. 

E quando a coisa não envolve a camisola azul e branca do Porto, quero é mesmo ver futebol. Como tal - está bom de ver - estou com pouca pachorra para os nacionalismos bacocos que por aí andam, e para os que acham que apoiar é só bater nas costas e passar o tempo a dizer: "és o maior". Que o provem em campo.

Às vezes apetece tanto cantar o "Joguem à bola! Palhaços! Joguem à bola!"

domingo, 29 de abril de 2012

O Futebol Somos Nós

É certo que o que conta é ser campeão, mas sê-lo no sofá não é decididamente a mesma coisa. E era tão simples, bastava que os jogos das últimas 3 jornadas continuassem a ser à mesma hora.

A verdade desportiva também passa por aqui.

Por falar em verdade desportiva e no momento em que o Leiria joga com 8, há uma coisa que no meio disto tudo me faz uma confusão do caraças, mas é o futebol moderno que temos: Onde estão os adeptos?

Já vi toda a gente botar faladura nas TVs, mas ainda não ouvi um único adepto. Podem lamentar o que quiserem, podem dizer que quem devia pagar era este ou aquele, que devia existir um fundo xpto, ... mas o problema não é a falta de dinheiro, nem a falta de jogadores.

O problema é a falta de adeptos.

O problema é haver quem ache que os clubes são deles.

O Futebol Somos Nós.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Espectáculo vs. Resultados

Vou cometer uma heresia...
Este ano não quero saber dos resultados do FC Porto!


Não estou com isto a dizer que não vou seguir a equipa e ver os jogos, bem pelo contrário.
Ao longo dos anos, apesar de gostar de bom futebol, tenho vindo a achar que o FC Porto deve pôr o resultado à frente do espectáculo, mas hoje acho que eu (e os restantes portistas) merecemos uma folga depois de 4 anos de futebol a apostar no resultado.

Este ano, não quero saber se somos campeões, se conquistamos mais algum troféu, se vamos longe na segunda divisão das competições europeias. Também não estou a desresponsabilizar os jogadores, a equipa técnica ou os dirigentes. Eles terão os seus objectivos, e para mim vai continuar a existir o único e mínimo objectivo de apuramento para a Liga dos Campeões!

O jogo do passado sábado abriu-me o apetite para um prazer que eu há muito pensava estar reservado para as outras equipas: o espectáculo que é o futebol. Quero todos os jogos assim, com garra, vontade, bom espectáculo, e sobretudo aquela atitude dominadora e vencedora.

Que gozo caros (des)portistas, que gozo de jogo!

Se perdermos, paciência, ao menos vimos bom futebol e "tiramos a barriga de misérias". Há sempre o ano seguinte para me preocupar outra vez com os resultados!
Com este futebol, ficava com a "barriga cheia de espectáculo", pronto para mais uns aninhos de futebol de transições rápidas...

Mais do que o fim-de-semana ou as férias que ainda não chegaram, sinto-me um homem novo, mais leve, mais contente! Vi futebol... Que saudades!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Música do futebol

Inspirado neste artigo do João Saraiva, relembrei algumas das músicas que me ajudam a exprimir um pouco do que é o futebol para mim.
Estas duas músicas não estão relacionadas com o FC Porto ou outro clube em particular, mas são antes um hino ao espectáculo que é o Futebol e às emoções e paixões que este desperta.

1.


Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer um gol
Quem não sonhou ser um jogador de futebol?

A bandeira no estádio é um estandarte
A flâmula pendurada na parede do quarto
O distintivo na camisa do uniforme
Que coisa linda, é uma partida de futebol

Posso morrer pelo meu team
Se ele perder, que dor, imenso crime
Posso chorar se ele não ganhar
Mas se ele ganha, não adianta
Não há garganta que não pare de berrar

A chuteira veste o pé descalço
O tapete da realeza é verde
Olhando para bola eu vejo o sol
Está rolando agora, é uma partida de futebol

O meio campo é lugar dos craques
Que vão levando o team todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol

O goleiro é um homem de elástico
Só os dois zagueiros tem a chave do cadeado
Os laterais fecham a defesa
Mas que beleza é uma partida de futebol

Bola na trave não altera o placar
Bola na área sem ninguém pra cabecear
Bola na rede pra fazer um gol
Quem não sonhou ser um jogador de futebol?

O meio campo é lugar dos craques
Que vão levando o team todo pro ataque
O centroavante, o mais importante
Que emocionante, é uma partida de futebol
Por Skunk, "Partida de Futebol"

2.


I’m in love with a football club
At the age of 7 my father took me
He got me hooked into this game
I’m a member of an ape like race in the final days of the 20th century
When we don’t win I go insane…

Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal

Wanna see you take that ball
and make it break the laws of gravity
Sell me a dummy on the way…
Curved ball around the wall
Make the play with a touch of clarity
I get much pleasure from this game

Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal

Who were so powerful
watch these giants collide
so individual
he was never ever ever offside…

Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
Goal, Goal, Goal, Goal, Goal
James, "Goal Goal Goal"

domingo, 28 de junho de 2009

Saldo da época

Com a taça de Portugal em Andebol, fechou a época das modalidades ditas de alta-competição, com o seguinte saldo:

Andebol
Campeonato
Finalista da Taça

Basquetebol
nada de relevante a acrescentar

Futebol
Campeonato
Taça
1/4 Liga dos Campeões

Hóquei
Campeonato (o Octocampeonato)
Taça

terça-feira, 2 de junho de 2009

Fair play

No domingo passado fez-se história. Robin Söderling, o tenista sueco n.º 25 do ranking ATP bateu Rafael Nadal, o rei da terra batida, após um reinado de mais de 4 anos sempre a vencer no grand slam de Paris. Nadal perdeu com os parciais de 2-6, 7-6, 4-6 e 6-7 e obviamente saiu frustado e triste do court Philippe Chatrier.

Na conferência de imprensa após a partida, os jornalistas perguntaram-lhe por diversas vezes como é que ele explicava aquela derrota, o que falhou, quais as razões e como se ia preparar agora o número 1 do mundo para o torneio de Wimbledon. O jovem de 22 anos respondeu que não havia muito a analisar, acrescentando que quando se joga mal, perde-se assim como nos últimos 4 anos ele venceu sempre porque jogou bem. Rafael Nadal não deu nem uma desculpa, por mais pequena que fosse, para explicar a derrota no 4º round do torneio onde ainda é Rei. Nem o vento o afectou, como perguntou um jornalista, nem a lesão nos joelhos que o afecta há mais de um ano ou o número elevado de torneios que tem realizado, como perguntou outro, nem mesmo o público que rapidamente começou a torcer pelo sueco Söderling na expectativa de assistir a uma momento histórico no torneio, nem o sol, nem a chuva, nem a raquete, nem a senhora com o chapéu grande nas bancadas. Nada. "Joguei mal e foi isso (...) Tenho de aceitar as minhas derrotas com a mesma tranquilidade com que aceito as minhas vitórias" concluiu Nadal.

A forma como Nadal se comporta no campo e fora dele é um exemplo para qualquer atleta de qualquer modalidade. Rafael Nadal é um autêntico senhor do desporto e, com apenas 22 anos, deve fazer muita inveja a inúmeros agentes do desporto com idade para ter juizinho.

No final da Taça de Portugal, ainda em pleno relvado, o jornalista da TVI interpelou Paulo Ségio, treinador do Paços de Ferreira, cujas primeiras palavras foram dirigidas à arbitragem de Paulo Costa, para a seguir se frisar que não se estava a desculpar com os árbitros. Haja decência intelectual quando num jogo fraco, sem casos, em que o FC Porto a meio gás conseguiu controlar um Paços esforçado, mas incapaz de virar o resultado, o primeiro comentário a uma final inédita do treinador do clube estreante seja sobre a arbitragem.

Saber perder é uma qualidade muito escassa no futebol, em especial em Portugal. Talvez o exemplo de um rapazola de 22 anos e que é um dos maiores atletas do mundo ajude os agentes desportivos a sairem da adolescência mental.

sábado, 16 de maio de 2009

Reflexão sobre o negócio do futebol


Na sequência do artigo 'O horário do FC Porto x Nacional', que publiquei no sábado passado, uma interessante análise feita por Luís Sobral, centrada no modo como os clubes "vendem" o seu produto e captam (ou não) novos adeptos.

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Reflexão sobre o negócio do futebol
Autor: Luís Sobral
2009/05/13
in 'Agência Financeira'

O futebol profissional português é provavelmente o produto mais fácil e mais difícil de vender.
Mais fácil porque toda a gente sabe o que é, toda a gente sabe que existe, toda a gente sabe onde está à venda.
Mais difícil porque toda a gente desconfia do seu valor, porque quem o fabrica insiste em gritar que o produto está estragado e porque a ocupação do espaço público é quase sempre feita de forma deficiente.

Os pontos fáceis dispensam, julgo, explicação. São evidentes. Ao contrário de outras actividades desportivas/culturais/lazer, o futebol profissional dispõe de abundante espaço de divulgação. Nos meios mais poderosos (televisões em sinal aberto, televisões por cabo, Internet, jornais e rádios) e, por consequência, também nas conversas informais (escolas, cafés, empregos, etc.).
Milhões de pessoas sabem que o F.C. Porto é tetracampeão. Apenas dezenas conhecem o nome da peça que está em cena no Teatro Aberto.

A vantagem de ter um produto exposto é aumentar a possibilidade de alguém o adquirir. Desde que o produto seja bom.
Aqui começa o problema.
O produto futebol português é, de uma forma geral, visto como pouco qualificado. Por razões pouco discutíveis: erros graves, desconfiança sobre a verdade desportiva, jogadores de qualidade duvidosa, estádios que oscilam entre o muito bom e o mau, horários incertos, nível de linguagem poucas vezes atractivo.
Na prática, o número de pessoas interessadas em pagar para ir aos estádios ver jogos de profissionais não excede, em média, as 100 mil. Um por cento da população, portanto.
Depois há mais alguns que aceitam pagar qualquer coisa para saber o que se passa no futebol português. São os que subscrevem a SportTV e adquirem jornais desportivos. Não existem estudos, mas acredito que muitos são os que também vão aos estádios.
Existe ainda uma categoria, bem maior do que a anterior: são os que aceitam ver futebol na televisão, sem pagar. Um pouco mais de um milhão (audiência média), todos os fins-de-semana.

Audiências dos jogos da época 2008/09 transmitidos em canal aberto (fonte: Marktest)


Façamos contas, então.
Apesar de divulgada como nenhuma outra actividade, o futebol só convence um por cento da população a pagar aos clubes. E se for de borla só atrai a atenção de dez por cento dos potenciais interessados.
No entanto, este número é multiplicado por quatro em grandes eventos que envolvem a selecção nacional, como Mundiais ou Europeus.

Isto significa, do meu ponto de vista, que pelo menos metade dos que habitam em Portugal nunca terão grande vontade de se envolver com o futebol. Passa-lhes ao lado. E estão no seu direito.
Mas existem dois, três, talvez quatro milhões de pessoas que até admitem ver futebol (e comprar cachecóis, camisolas, etc.) se os convencerem de que vale a pena. Os anos Scolari são prova suficiente.


Os dirigentes do futebol deveriam estar preocupados em estudar estas pessoas e encontrar formas de comunicar com elas.
Isto não se faz nos estádios. Esses já estão convertidos.
Fazê-lo nas ruas custa muito dinheiro.
Os jornais desportivos têm audiências cada vez mais reduzidas e são adquiridos, em princípio, pelos mesmos que vão aos estádios (somados os três jornais, hoje em dia falamos apenas em 150 mil compradores/dia).
A Internet é um meio poderoso, mas onde cada um é dono do seu destino (sites, blogues, Messenger, twitter, etc., etc.).
A televisão por cabo é ainda uma realidade distante para a maioria dos portugueses.

Conclusão: o meio mais eficaz para comunicar com massas continua a ser a televisão em sinal aberto.

Pois bem, que sucedeu no último domingo? A RTP1 deu meia dúzia de minutos à festa do F.C. Porto e depois remeteu-a para o programa de desporto (onde, claro, só estiveram os que habitualmente já têm contacto com o produto). A SIC manteve a sua programação. A TVI manteve a sua programação.

É este o estado do futebol em Portugal, incapaz de produzir conteúdo suficientemente interessante para atrair as pessoas que não estão já fidelizadas.

Num caso destes, que deveria ter feito o F.C. Porto? Interessar os grandes canais, como caminho para chegar aos que não são clientes regulares deste desporto e, por arrasto, da marca F.C. Porto.
Quando terminou o jogo com o Nacional, pelas 22 horas, cerca de três milhões de pessoas estariam a ver televisão em sinal aberto. Logo no momento de maior grandeza do clube.
Acontece que apenas uma ínfima percentagem de espectadores «participou» na festa. Chama-se a isto uma oportunidade perdida.

O desafio, numa situação como esta, é criar conteúdo próprio para resultar em televisão e adequado ao tempo que os canais poderiam dedicar à festa do título, se esta fosse, de facto, transformada num evento televisivo.

A ambição de alguém que gere um produto em que acredita deve ser comunicá-lo ao maior número de pessoas, pelo menor custo. Ao melhor estilo vejam como isto é bonito!
Num caso como este, o desafio era interessar quem gera audiência, conseguir chegar às pessoas que viam televisão àquela hora. Permitir conteúdo exclusivo para cada canal, garantir total disponibilidade para colocar câmaras próprias e permitir a personalização a partir do Dragão. Emissões curtas mas de grande eficácia, que depois poderiam continuar no cabo. Mas a mensagem principal teria passado.

No dia seguinte, os principais protagonistas deveriam ter ocupado o espaço de comunicação disponível. Nada disto aconteceu. Aliás, em Portugal os políticos aparecem. Os empresários aparecem. Os artistas adorariam aparecer. Os jogadores são escondidos, como se fossem incapazes de se responsabilizar pelo que dizem.
(um exemplo: há assessores de imprensa que impedem treinadores e jogadores de responder a perguntas que não digam respeito a futebol. E, mais estranho ainda, há treinadores e jogadores que aceitam esta limitação)


Os clubes portugueses ainda não perceberam que precisam de captar novos clientes. E isso só se consegue com um produto credível, bem arranjado e comunicando com quem ainda não o conhece/adquire.
Este é o desafio que as estruturas do futebol português e sobretudo os clubes têm pela frente. Nos últimos anos, a Liga fez um esforço na Carlsberg Cup e garantiu dois patrocinadores de grande fôlego (Unicer e Central de Cervejas). Mas a verdade é que o número de espectadores nos estádios decresceu e as audiências televisivas em canal aberto são hoje mais baixas do que há um ano.

Outra realidade: o futebol de primeira qualidade é um bom produto televisivo, que gera audiências. Mas o campeonato não se adequa à categoria «primeira qualidade», por isso na tabela anual de programas mais vistos em 2009 não aparecerá, estou certo disso, nenhum jogo da Liga Sagres nas primeiras 25 posições. (a partida mais vista esta época, um Benfica-Naval, teve audiência média de 1.8 milhões de espectadores; a estreia da novela «Deixa que te leve», da TVI, fez na segunda-feira 2.3 milhões).

As televisões precisam de futebol de «primeira qualidade»? Sim, basta olhar para as tabelas de programas mais vistos. Mas se continuar como está o futebol profissional português será um produto cada vez menos interessante. Por isso menos visto, logo menos «comprado». Logo, pobre.

Provavelmente nada disto interessa aos adeptos dos clubes, nos dias em que ganham. Mas devia preocupar quem está obrigado a fazer contas, sobretudo se tiver como ambição que algum dia saiam do vermelho.

Nota: As fotos e os destaques a negrito são da minha responsabilidade.

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Assim não, obrigado

Na semana passada, o Barcelona apurou-se para a final da Liga dos Campeões. Frente a frente estiveram dois estilos de jogo completamente opostos. De um lado, o futebol da procura do golo do Barcelona de Guardiola e do outro, o futebol sem riscos do Chelsea de Hiddink. Mas infelizmente não se tratou apenas de dois estilos de futebol opostos. O futebol praticado pelo Chelsea é no mínimo preocupante para a modalidade. Uma equipa milionária com Drogbas, Anelkas, Ballacks e Lampards, entre outros, a jogar com o único objectivo de anular a ofensiva adversária (o Chelsea teve 35% de posse bola em toda a eliminatória) é uma ideia assustadora, mas foi assim durante os 90 minutos em Camp Nou e muitos dos minutos em Stamford Bridge. O que dizer quando as equipas com maior capacidade financeira e desportiva, e que deveriam ser as primeiras a promover o futebol, são as que praticam um jogo aborrecido e sem correr qualquer risco.

O Barcelona tinha assim mais um apoiante para o jogo da 2ª mão. Acima de tudo, eu queria que o futebol dos catalães vencesse o futebol dos ingleses, numa espécie de “bons” contra os “maus”. Mas infelizmente a UEFA já tinha feito as suas contas e verificado que não era nada bom voltar a ter uma final com as mesmas equipas e do mesmo país. O público neutro preferia o Barcelona, motivado pelos duelos Man. United versus Barça, Ronaldo versus Messi.


E ganhou o Barcelona, mas da pior maneira. O árbitro teve uma enorme influência no resultado. Teve péssimas decisões para ambos os lados, mas mais para o lado inglês e aquela falta de Daniel Alves sobre Malouda aos 25 minutos deixa muitas dúvidas. O árbitro vê a falta e não vê que ambos estavam já dentro da área? Prontamente apontou para a linha da área, como quem quer evitar o penalti e a morte da eliminatória. No final nem acho que o Barcelona tenha vencido a eliminatória de forma injusta. Estatisticamente foram superiores nos dois jogos (remates, cantos, posse de bola), mesmo que na 2ª mão tivessem menos inspirados. O Chelsea acabou por parecer superior em Londres e mesmo com as decisões contrárias do árbitro, teve mais uma ou outra oportunidade flagrante para matar o jogo. O que me custou foi ver o Barcelona vencer por entre muitas situações duvidosas e uma arbitragem que cheirou muito a arranjinho. Caros senhores da UEFA, eu gostaria que o futebol espectáculo superasse o futebol defensivo, mas assim não, obrigado.

fotos: uefa.com

domingo, 6 de julho de 2008

Balanço

Terminada que foi na semana passada a época do Hóquei, está na hora de fazer o balanço da época 2007/2008 nas modalidades de alta-competição do FCP


Andebol

Vencedor da Taça da Liga
3º lugar na Liga Profissional
Finalista vencido da Taça de Portugal

Basquetebol

Vencedor da Taça da Liga
2º lugar na Liga Profissional
Finalista vencido da Taça de Portugal
Finalista vencido da Supertaça

Futebol

Campeão Nacional
Finalista vencido da Taça de Portugal
Finalista vencido da Supertaça
1/8 final da Liga dos Campeões

Hóquei em Patins

Campeão Nacional
Vencedor da Supertaça
Vencedor da Taça de Portugal
Fase de grupos da Liga dos Campeões


Todas as equipas ganharam pelos menos um troféu, mas as equipas de Futebol e Hóquei tiveram o melhor desempenho global, sendo a equipa de Andebol a "frustação" da época. Mas a maior decepção, por assim dizer, foi o não apuramento para a 'Final a Quatro' da Liga dos Campeões da equipa de Hóquei - a esta hepta equipa continua a faltar a conquista europeia.