Tudo isto significa pelo menos duas coisas: a primeira, e essencial, que convém o Ministério Público arranjar provas antes de acusar alguém;
segundo, que os julgamentos públicos são apenas uma parte da nova sociedade que construímos - e ainda bem que assim é. Mesmo quem, como eu, vê personificados no dirigente desportivo Pinto da Costa (e Valentim Loureiro, e Pimenta Machado) muitos dos males do futebol português não pode deixar de perceber que houve aqui uma tentativa de claro linchamento do ser humano.
Sejamos justos: a senhora Carolina Salgado, testemunha credível para acusar Pinto da Costa, o homem com quem viveu durante quase seis anos, não foi sequer processada quando no seu livro diz muito claramente que foi ela quem fez os contactos para mandar sovar um vereador de Gondomar, de seu nome Bexiga. O homem acabou, certamente por sorte, vivo, apesar de barbaramente agredido, mas a senhora ficou impune e tornou-se numa estrela do jornalismo-benfiquista militante. Diz agora um juiz que o testemunho não é credível. Ou seja, afinal a justiça tem lógica.»
João Marcelino, Director do DN, 14/02/2009
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Que o ex-director do Record e do 'Correio da Manhã' diga que "vê personificados no dirigente desportivo Pinto da Costa muitos dos males do futebol português" não surpreende.
Notável é que um jornalista com o passado de João Marcelino reconheça, em editorial, que houve uma tentativa de claro linchamento de Pinto da Costa.
E melhor ainda é o tom de indignação com que se refere ao facto de Carolina Salgado ter ficado impune (apesar de ter confessado um crime!) e de se ter transformado numa estrela do jornalismo-benfiquista militante.
"Jornalismo-benfiquista militante"? Isso existe?...
Já há cerca de um ano, em 5 de Abril de 2008, Marcelino tinha escrito coisas altamente incómodas, pondo em causa as verdades oficiais que muitos querem impingir:
«Pinto da Costa e Valentim Loureiro marcaram, para o bem e para o mal (na companhia de Pimenta Machado, ex-presidente do V. Guimarães), os últimos 25 anos do futebol português. Primeiro, retiraram-no de uma ditadura, a do Benfica dos anos 60 e 70, e devolveram-no à democracia alguns anos depois do 25 de Abril.
Pode agora parecer bizarro, mas eram os clubes de Lisboa, Benfica, Sporting e Belenenses, que em rotação escolhiam o presidente da FPF, e a partir daí todo o elenco. O Benfica chegou a ter o exclusivo dos bons jogadores (era vulgar serem chamados 13/14 futebolistas do clube aos jogos da selecção A!).

Três jogadores do célebre BSB - Benfica-Sporting-Belenenses - com Travaços (Sporting) ao meio, no dia em que Feliciano (Belenenses) e Rogério (Benfica) realizaram as suas festas de homenagem no Estádio Nacional (foto: Belenenses Ilustrado)
Mesmo as arbitragens, que na altura não tinham o escrutínio de uma comunicação plural, eram visivelmente tendenciosas.
E foi a partir do Norte, desse triângulo com o vértice maior nas Antas, que as coisas melhoraram.»
Sim, eu sei que nada disto é novidade, mas sabe melhor quando estas afirmações são feitas, são escritas (para memória futura), por alguém que nunca demonstrou qualquer simpatia pelo FC Porto (bem pelo contrário) e que fez toda a sua carreira em jornais da capital.
Nota: A selecção das fotos e os destaques no texto a negrito são da minha responsabilidade.
