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quarta-feira, 13 de maio de 2015

Deixa lá, Bayern

Não te importes se alguém te aponta teres ontem perdido uma eliminatória avançada da Champions com uma diferença de dois golos...
...Serão os mesmos insensatos que pretendem censurar outros, por perderem a eliminatória por diferença de três golos...

É malta que nunca lá chega e que não sabe o que são estas fases avançadas da Champions...
Parabéns!

quarta-feira, 22 de abril de 2015

A ilusão e a realidade

Na antevisão ao sorteio dos quartos-de-final, o Miguel Lourenço Pereira publicou um artigo em que analisou os potenciais rivais do FC Porto e, acerca do Bayern, escreveu o seguinte:

«Bayern München – Favoritos absolutos a tudo. São a melhor equipa da Europa. Possuem o melhor jogo colectivo, algumas das melhores individualidades posicionais, de longe o melhor treinador e a melhor estrutura. (…) A melhor opção, até agora, que algumas equipas conseguiram, foi defender bem uma das mãos para acabar trucidada na segunda.»


No dia seguinte, uns minutos após o sorteio, num artigo que intitulei ‘Pior (sorteio) era impossível’, escrevi o seguinte:

«Bayern Munique!
Grau de dificuldade máximo!
Nesta altura, não há nenhuma equipa mundial acima dos rapazes de Pep Guardiola.
Num jogo de futebol tudo é possível mas, realisticamente falando, penso que as probabilidades do FC Porto superar este Bayern, numa eliminatória a duas mãos e, ainda por cima, com o 2º jogo em Munique, são muito reduzidas


Ora, apesar da extraordinária vitória por 3-1 no jogo da 1ª mão (que irá entrar para a história do FC Porto), continuei com os pés no chão e a achar que superar o Fußball-Club Bayern München, numa eliminatória a duas mãos e com o 2º jogo disputado na Alemanha, era algo do domínio dos sonhos.

Por isso, na véspera do jogo de Munique, num artigo que intitulei ‘O Ragnarok’, escrevi o seguinte:

«Se ganhar ao Bayern no Estádio do Dragão foi tremendamente difícil e só possível graças a uma exibição transcendente da equipa do FC Porto e a um dia menos bom de alguns jogadores do colosso da Baviera, ir a Munique sem Danilo, Alex Sandro e Tello (a que poderia juntar Adrián López, o nosso Javi Martínez...), tendo de fazer adaptações em metade da defesa, resistir 90 minutos e sair do Allianz Arena com a eliminatória na mão, seria épico!»

Não foi épico.
Contudo, do mesmo modo que nunca entrei em euforias desmedidas, também entendo que não há motivos para os portistas ficarem deprimidos. Temos de ter noção da realidade e do Mundo de diferenças que separa estes dois clubes e estas duas equipas. Vejamos:

Contra o FC Porto, o Bayern alinhou, nos dois jogos, com seis jogadores que já foram campeões do Mundo – Manuel Neuer, Boateng, Lahm, Xabi Alonso, Goetze, Muller – e ontem, Pep Guardiola ainda se deu ao luxo de deixar um sétimo campeão do Mundo – Schweinsteiger – no banco de suplentes.

Jogadores da selecção alemã campeã do Mundo em 2014

Contra o FC Porto, Pep Guardiola utilizou 10 jogadores – Manuel Neuer, Rafinha, Boateng, Dante, Badstuber, Lahm, Xabi Alonso, Thiago Alcântara, Goetze, Muller – os quais, entre muitos outros títulos de relevo internacional, já ganharam a Liga dos Campeões.

Jogadores do Bayern que venceram a Liga dos Campeões 2012/13

Ou seja, este Bayern tem um plantel de luxo, que junta qualidade e experiência em doses (de destruição) maciças.
Não há Rafinha? Joga Lahm (ou vice-versa).
Não há Benatia? Joga Dante ou Badstuber.
Não há Alaba? Joga Bernat.
Não há Schweinsteiger? Joga Thiago Alcântara (que craque!).
Não há Ribèry? Joga Goetze.
Não há Robben? Joga Lewandowski (e Muller fica mais móvel).
Etc.

E do lado do FC Porto, qual é (foi) o cenário?

Reyes (defesa central adaptado a defesa direito) – ínfima participação anterior em jogos europeus;
Ricardo (extremo direito em fase de adaptação a lateral direito) – ínfima participação anterior em jogos europeus;
Indi (defesa central adaptado a defesa esquerdo) – primeiro ano nas provas europeias;
Rúben Neves (18 anos, ainda podia jogar nos juniores!) – primeiro ano nas provas europeias;
Óliver (19 anos) – primeiro ano nas provas europeias;
Brahimi – primeiro ano nas provas europeias;
Fabiano, Marcano e Herrera – segundo ano nas provas europeias.

Honestamente, perante esta realidade, poder-se-ia exigir mais ao FC Porto nesta eliminatória?

Pois, tudo isto é verdade, dirão alguns portistas, mas 6-1?!

Nestas alturas, convém ter memória e, por isso, eu (que já tenho muitos cabelos brancos) começo por dizer que prefiro perder 6-1 com o Bayern nos quartos-de-final da UEFA Champions League (e após um trajecto de 11 jogos sem derrotas!), do que perder 6-1 em Atenas, com o "colosso" AEK, conforme aconteceu ao FC Porto de Pedroto há 36 anos (época 1978/1979), na 1ª eliminatória da antiga Taça dos Campeões Europeus.

Depois, também convém recordar que esta eliminatória teve dois jogos, em que houve uma vitória para cada equipa e, no cômputo dos golos marcados e sofridos, o Bayern ganhou por 7-4.

O JOGO, 21-03-2015
Bem pior, para as cores portuguesas, foi em 2008/2009, em que o Sporting perdeu os dois jogos e em golos o saldo final foi de 12-1!

Analisando os resultados do quadro ao lado (publicado em O JOGO), verifica-se que, desde os anos 60, quando equipas portuguesas apanham o Bayern em fases a eliminar, o normal é haver goleadas e o saldo da eliminatória ser muito negativo. Principais exemplos:

1967/1968: Vitória Setúbal (3-7)
1975/1976: SL Benfica (1-5)
1981/1982: SL Benfica (1-4)
1995/1996: SL Benfica (2-7)
2008/2009: Sporting (1-12)
2014/2015: FC Porto (4-7)

As excepções a este cenário de goleadas, em que houve eliminatórias disputadas até ao último minuto, vêm do FC Porto: na Final de 1986/1987 (2-1) e nos quartos-de-final de 1999/2000 (2-3).

Aliás, em 24 jogos para as competições europeias, em que enfrentaram equipas portuguesas, o Bayern só perdeu por duas vezes. Adivinhem com quem…


P.S. Quem não quiser correr riscos de medir forças com super-equipas, como o Bayern (ou Real Madrid, ou Barcelona), em jogos decisivos, na fase a eliminar da UEFA Champions League, tem bom remédio: ficar pela fase de grupos. Como é que isso se faz sem dar muito nas vistas? Perguntem ao Jorge Jesus…

terça-feira, 21 de abril de 2015

Somos Porto (até mesmo no lado negro da lua)

Há uma portagem a pagar.
Uma portagem que separa os clubes da primeira e da segunda divisão. Se queremos jogar com os melhores temos de nos preparar para perder com os melhores. E perder com os melhores - os que jogam com os Messis, Cristianos, Guardiolas, Mourinhos - é normal e pode até parecer doloroso. Mas é a portagem que pagamos para não ser um clube vulgar na Europa, não ser um clube pequeno, de derrotas. Para ser um grande da Europa temos de nos medir com eles. Ás vezes ganhamos, a maior parte das vezes vamos perder. E algumas poucas vezes vamos perder por muitos. O Barcelona goleou o Arsenal porque tinha Messi. O Real Madrid goleou o Bayern porque tinha Ronaldo. E o Bayern goleia o FC Porto porque tem Guardiola e porque não temos meios para disputar 180 minutos ao mesmo nivel com a elite. Não há outra explicação.
Esqueçam a propaganda, não tenham vergonha jamais de ser portistas numa noite assim. Porque numa noite assim, não há espaço para a dor. Só para o orgulho de dizer que chegamos até aqui quando os clubes do nosso nivel ficam muito lá atrás. As feridas são maiores consoante o teu rival. O Bayern é um grandissimo rival, o FC Porto um ambicioso mas modesto gladiador. O resultado vai ecoar mas não vai ter força suficiente para apagar o logrado até ao dia de hoje e os cimentos de um projecto que - já se viu no Dragão - deve continuar. Com ajustes, obviamente. Com outros protagonistas que sejam de um nivel superior. Mas que não pode ser interrompido por um banho de realidade que só nos deve fazer bem!

Um banho de bola.
Não há outra expressão que resuma melhor o que se passou em Munique. O FC Porto - que na passada semana deu, durante grande parte do jogo, um banho de bola, levou o troco. De uma forma dura, cruel mas inevitável. O realismo obriga-nos a aceitar que há um abismo entre equipas como o FCP - especialmente este projecto de FCP cheio de gente nova, sem experiência - e a elite mundial onde está o Bayern. Os alemães não cometeram nenhum erro, entraram a saber o que tinham de fazer e onde não podiam errar e quando todas as suas peças encaixam e funcionam em unissono, é muito dificil dar-lhes a volta. Não temos nem os meios, nem os recursos nem as individualidades para em 180 minutos impor a nossa lei. Somos um plantel com muitas carências, carências com um preço elevado se o objectivo é competir com a elite. Uma equipa sem laterais suplentes na lista UEFA, uma equipa sem um guarda-redes de nivel é uma equipa que se arrisca a sofrer o acosso ofensivo pelo ar que o Porto sofreu. O Bayern pode ser uma equipa de Guardiola mas é também uma equipa alemã e foi á velha escolha alemã que nos bateu, com bombardeios pelo ar, desde as alas, onde estava o nosso ponto débil, frente a um guarda-redes incapaz de parar uma.



O FC Porto fez um jogo horrível e sem desculpas. Se o da semana passada foi um dos maiores da nossa história na Europa, o de hoje entrará seguramente na galeria dos piores. O lado negro da lua.
Fisicamente destroçados pelo esforço de há uma semana, não houve nem pernas nem cabeça. Não se pode estar a este nivel sem rematar á baliza do rival em toda a primeira parte. Tudo aquilo que foi bem feito no Dragão desapareceu. Não havia pressão na saida da bola, não havia pressão nos interiores. Os laterais encolheram-se e a equipa baixou com eles. Em nada jogava-se no ultimo terço do nosso campo. Cada recuperação era um pontapé para longe que acabava em terra de ninguém. Porque ninguém andava por lá, só mesmo a sombra de Neuer. Nem Oliver, nem Brahimi nem Quaresma tiveram critério para construir. Não havia linhas de passes porque, ao contrário do jogo com o Porto - onde parece claro que Guardiola nos subestimou - a lição estava bem estudada. Jackson engolido por Badstuber, os extremos presos á linha, sem mobilidade, condicionando todo o nosso processo ofensivo. Com a bola nos pés eramos inofensivos, sem ela fomos cordeiros. Depois de uma serie de entradas no inicio para "assustar", ficou claro que os alemães não se iam encolher e até esse feito desapareceu.
O Bayern fez o que quis com a bola, com o espaço e connosco. Empurrou a equipa até á grande área e esperou para morder. Repetiu a formula constantemente. Basculação lateral, posses largas e esperar. Sem pressas, sem medos, sem ansiedade.
Aos 25 minutos o jogo tinha acabado. Três golos muito parecidos entre si. Centros bem medidos, erros de marcação individuais na defesa, guarda-redes incapaz de travar remates não demasiado complicados e bolas pelo ar que acabam na baliza. Um desnorte completo, um reflexo das nossas debilidades. No Dragão tinha-se evitado esse modelo de jogo do Bayern pressionando mais, empurrando as linhas. Em Munique foi impossível. Ao quarto golo - uma pifia de Fabiano imperdoável - a humilhação era completa. Justa, porque só dava Bayern, mas dolorosa. Depois foi só contar os golos com a inevitabilidade de quem sabe que não pode fazer absolutamente nada para travar os acontecimentos. Na segunda parte o jogo mudou porque o resultado convidava a isso, ao Bayern a baixar o nivel e a pressão o que dava espaço e ar para o Porto fazer o seu jogo. Sem Quaresma (nada a apontar ao 7, nada) e sem Reyes, a equipa estava mais segura na construção e foi subindo linhas. É preciso aplaudir a atitude de quem, a perder por 5 no Allianz, não baixou os braços e lutou. E marcou. Um golo de Jackson, talvez o seu ultimo nas provas europeias pelo Porto, que resume bem tudo aquilo que o colombiano dá a esta equipa. Mas mesmo maquilhando o marcador, que sempre é melhor, e quebrar uma longa imbatibilidade do Bayern em casa (algo que ninguém vai mencionar) já se sabia que era impossivel.
Impossível porque o Bayern é uma grande equipa. Porque saiu tudo mal e porque o nosso plantel não tem opções para competir a este nivel. Ao Bayern tudo funcionou depois de um jogo de erros individuais que deu uma impressão errada do seu real valor. Mas não dá. E dificilmente dará salvo se se reunem - como em 2004 - todas as circunstâncias perfeitas (e nem Lopetegui é ou será Mourinho nem o plantel actual tem o nivel e a mentalidade daquele). "Vergonha" é gastar mais de 400 milhões como tem feito o PSG ao longo dos anos para depois ser vulgarizado pelo Barcelona como se fosse uma equipa do "nosso" campeonato. Nunca se esqueçam disso!


A equipa sofreu o peso da noite, sofreu o peso da pressão dos adeptos e do rival.
Lopetegui pouco podia fazer da linha. Gritou. Bem que gritou. Mas colocar Reyes foi abrir um corredor (a substituição era inevitável). Ter insistido em Andrés Fernandez em Agosto para competir com Fabiano em vez de apostar-se num guarda-redes de topo foi um erro que se pagou agora e o resto limitou-se a suceder com a naturalidade das goleadas. Uma noite destas pode passar a todas as grandes equipas. Basta os astros se unirem contra. Inglaterra levou sete da Hungria, o Brasil da Alemanha, o Bayern do Real e o Real do Barcelona. Mas como são gigantes - como nós - o tempo permite esquecer e seguir o caminho. É o que temos e vamos fazer. Porque este FC Porto, o mesmo desta goleada, é um projecto para ser aplaudido de pé. Esta foi a nossa noite negra mas não apaga o brilhante trabalho nos onze jogos anteriores, jogos sem derrotas, jogos onde impusemos o nosso modelo, a nossa atitude e o nosso valor. Jogos que valeram a admiração do futebol mundial. Justa admiração. A esta equipa, á mesma que perdeu hoje e que ganhou no Dragão, a que aplaudir a evolução e a forma como defenderam o escudo do FC Porto mesmo quando correu mal. O FC Porto que foi uma das revelações da Champions League não se resume a um jogo - bom ou mau. Chegamos onde poucos chegam, ganhamos a uma das melhores equipas do Mundo "sem espinhas" e depois encontramos um buraco negro emocional que nos sugou a alma. Que nos devolveu á realidade de ser o maior clube da segunda divisão europeia, uma segunda divisão que vive num mundo muito distante da primeira.

Estes jogadores, este treinador, este projecto merece hoje um reforço do nosso apoio, da nossa confiança. Porque quem chegou á lua merece passar pelo seu lado negro. No domingo há mais um jogo para vencer - e já disse Mourinho, há uns anos atrás, "alguém tem de pagar" - e mesmo que este ano acabe num vazio de titulos é preciso não perder a perspectiva, não perder a consciência de que esta viagem é larga e não deve ir afundo á primeira tempestade com que nos cruzamos. Todos sabíamos que jogar com gigantes raramente acaba bem e que podemos ser esmagados. Não devemos perder nunca a perspectiva, esta não é a nossa guerra, não é a nossa batalha. O FC Porto saiu humilhado no marcador de Munique como nunca na sua história mas essa ferida vai sarar e vai fazer-nos mais fortes porque os melhores guerreiros são aqueles que mais cicatrizes levam no corpo. Esta é para não esquecer e algum dia devolver. Mas não é uma ferida de morte. Porque o FC Porto é imortal!

Um mais para a colecção

No dia 19 de Maio o Bayern de Munich preparou-se para ganhar a Champions League. Jogavam em casa – no seu próprio estádio. Eram os máximo favoritos. Tinham eliminado, em grandes penalidades, o Real Madrid. O seu rival dessa noite jogava feio, jogava porco e jogava mal para a esmagadora maioria de adeptos neutrais e analistas. Era mais uma questão de quantos e quando e não uma questão de se. Afinal era o Allianz, a cidade estava já a preparar-se para esvaziar os stocks de cerveja e havia instruções claras sobre como o cortejo ia ter lugar no dia a seguir. O Bayern ia ser campeão europeu em casa. Diante dos seus. Deutschland Uber Alles e todas essas coisas.

O Bayern dominou. Dominou. Dominou. Bola aquí, bola ali. 
Flanqueava o jogo, conduzia o esférico. Trocava a bola no meio-campo do rival. O seu sobrava. Não estava lá ninguém. Só Neuer. Todos os azuis no seu meio-campo, na sua área. Rezavam, rezavam e rezavam. A bola mexia-se, mexia-se mas não encontrava o espaço, a oportunidade. Não entrava. Até que chegou o minuto 83. O minuto da euforia. A bola encontrou Muller. Muller encontrou o espaço. Cech não podía fazer nada. O Bayern ia ser campeão europeu em casa. Diante dos seus. A velha arrogância voltou ao de cima. A mesma de todas noites bávaras, a de Viena 87, a de Barcelona 99, estava tudo lá. O Bayern era campeão europeu para tanta gente que até o seu treinador, Jupp Heynckes, decidiu tirar a Muller de campo para receber o aplauso, a ovação. A medalha no peito. Mas o Bayern, o todo poderoso Bayern, o que jogava em casa, no Allianz, não foi campeão europeu. Não foi nada nessa noite.
A um minuto do fim o Chelsea decidiu que era a hora de atacar. Algum dia tinha de acontecer. Foi ali. Ataque, defesa, canto, centro, cabeceamento, golo. Drogba. Outro africano como Madjer. Outro fantasma para o baú. Do golo ao prolongamento foi um instante. Do prolongamento aos penaltis também. A velha arrogância no Allianz, a sensação de invencibilidade que aqui mandamos nós, apanhou o primeiro autocarro para casa e deixou os adeptos entregues a si mesmo. Vieram os penaltis. Veio Neuer e veio Cech. O primeiro era um expert reconhecido, tinha defendido até dois penaltis do Real Madrid na ronda anterior. O segundo tinha atravessado os penaltis de Moscovo, quatro anos antes. Foi Cech, foi o Chelsea, foram os pequenos que não jogavam a nada, os azuis, que ganharam. E o Allianz lá teve de trocar as cores que brilhavam. Saia o vermelho, entrava o azul. A ordem lógica do Mundo estava estabelecida.

Hoje o Allianz vai outra vez estar vermelho. 
Hoje a velha sensação de invencibilidade vai estar lá. Hoje vamos ser nós os pequenos, modestos, os que não contam para nada. Os que vão ter de esperar quando entrarão os golos alemães de forma quase subserviente porque é assim que funcionam as coisas na Baviera, dirão. Uber Alles e todas essas coisas. Mas não. De ir ganhar a casas vermelhas sabemos nós. De ultrapassar a arrogância e sobranceria alemã também. Tal como em 2012, o FC Porto também não conta para nada na opinião de muitos (até de alguns que, pasme-se, viram o jogo da primeira mão!!). E tal como em 2012 há uma sensação na Baviera de que aqui não ganha ninguém a não ser eles. 
Uma mentira contada mil vezes não deixa de ser mentira. Já se ganhou no Allianz uma Champions – e hoje, é uma final de Champions para nós e ainda mais para eles, depois da lição levada no ano passado – e não foram eles a ganhar. Já passou um exército azul desconsiderado e mandou calar com golos os que gritavam de peito feito e coração vazio. O Bayern não é nenhum papão e o Allianz não é o terceiro nível do purgatório. De infernos e criaturas mitológicas entendemos nós. E de perder em casa com azuis quando todos os davam por vencedores entendem eles.



O Allianz hoje é só mais um estádio. Só mais um Old Trafford, um Gerland, um Riazor, um Olimpico de Kiev, um Olimpico de Roma, um Werderstadion, um Pittodrie, um De Kuip. Um estádio mais para a nossa colecção de noites europeias memoráveis. Hoje o Allianz pode ter acordado vermelho e com a arrogância de quem já canta vitória só porque joga em casa. Mas vai dormir azulinho, ao som de uma valsa de acordes que nunca se esquecem. 

segunda-feira, 20 de abril de 2015

O Ragnarok

Foi um jogo [Bayern x FC Porto, na época de 2000/2001] sui-generis, porque o árbitro [o escocês Hugh Dallas] quis pôr o Bayern nas meias-finais. O Fernando Santos [treinador do FC Porto] até se exaltou no final do jogo e foi castigado. Poderíamos ter feito mais, mas não nos deixaram”,
recordou Jorge Costa, ex-capitão do FC Porto e actual seleccionador do Gabão, que receia que o mesmo aconteça amanhã em Munique onde, refere, “não será fácil ao FC Porto sobreviver”.


António Sousa, ex-jogador do FC Porto, considera que o jogo na Allianz Arena “vai ser uma missão complicadíssima”.
O Bayern é uma equipa de ‘top’, não tenho a menor dúvida em considerá-la a melhor equipa em termos europeus” e, por isso, apesar da vantagem alcançada na 1ª mão, Sousa considera que “o FC Porto, num dia terrível, vai ter muita dificuldade para passar” às meias-finais da Liga dos Campeões.
Espero estar enganado, mas a minha perspectiva em relação a essa possibilidade é muito reduzida”, acrescentou o ex-médio portista, que se sagrou campeão europeu em Viena, na época 1986/1987.


José Manuel Ribeiro, O JOGO

«Os lesionados serão infiltrados, a nomeação do árbitro será vigiada, os prémios serão aumentados. O FC Porto vai encontrar em Munique aquilo que, na mitologia nórdica, se chama o Ragnarok. O Apocalipse.
José Manuel Ribeiro, O JOGO, 18-04-2015


Estou de acordo com as opiniões expressas por Jorge Costa, António Sousa e pelo director de O JOGO.
Se ganhar ao Bayern no Estádio do Dragão foi tremendamente difícil e só possível graças a uma exibição transcendente da equipa do FC Porto e a um dia menos bom de alguns jogadores do colosso da Baviera, ir a Munique sem Danilo, Alex Sandro e Tello (a que poderia juntar Adrián López, o nosso Javi Martínez...), tendo de fazer adaptações em metade da defesa, resistir 90 minutos e sair do Allianz Arena com a eliminatória na mão, seria épico!
Na minha opinião, algo só comparável às vitórias “impossíveis” sobre o Dinamo Kiev de Lobanovsky e este mesmo Bayern, na época 1986/1987.

Mas, apesar do meu cérebro me dizer que as probabilidades de sucesso são baixas, o meu coração acredita.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

O jogo mais importante do ano?

É humanamente impossível pensar que, depois de uma noite europeia histórica, há pernas e cabeça para que uma equipa se consiga concentrar como se exige para um jogo do campeonato em casa.


José Mourinho, que não é suspeito, disse em 2004 que para que o seu FC Porto pudesse ambicionar ir à final da Champions League era necessário um colchão pontual importante para evitar essa tensão e as suas consequências. Onze anos depois estamos em boas condições de voltar a umas meias-finais mas, ao mesmo tempo, temos três pontos de atraso (e alguns golos) do rival do jogo de domingo a oito dias. Antes da Luz há uma super-desgastante viagem a Munique (ninguém duvida que o Bayern vai vender cara qualquer derrota) e um jogo fundamental contra a Académica. O jogo seguinte.

“Partido a partido” foi a máxima do Atlético de Madrid para ganhar a maratona ligueira contra o Real e o Barcelona e ainda assim chegar à final da Champions. Não tinham como adversário um rival com dez pontos de borla como se um cupão de descontos do Lidl fosse mas sim duas hiper-equipas (uma delas também tiveram de eliminar na Champions). Essa mentalidade não era só uma questão semântica. O sucesso passa pela capacidade de concentração e crença. Uma equipa não pode ou deve ligar e desligar porque algum dia pode confundir-se nos botões. Uma cultura de vitória é precisamente aquela que olha para cada jogo como se fosse o mais importante. E é isso que o FC Porto tem de fazer neste ciclo infernal e no que venha depois se tudo correr bem.

Não deixa de ser verdade que para o jogo no Dragão contra a Académica há importantes condicionantes. Fisicamente o plantel sofreu com alguns desajustes e lesões que forçaram jogadores a acumular minutos (as ausências de um Adrian ou Tello, a ida de Brahimi à CAN). Um descanso – se queremos repetir o mesmo desgaste na Alemanha e na Luz – é inevitável para pernas cansadas como as de Herrera, Oliver e um recuperado Jackson. Também há o temor dos amarelos – e Duarte Gomes inspira genuinamente temor – sobretudo no caso de Danilo que jogará seguramente (não vai a Munique), mas que tem o fantasma pendente de não ir também a Lisboa.

Temos de dar por garantido que a forma como o Belenenses já se despiu e deitou na cama em posição adequada com a série de ausências que recorda a vergonha da primeira volta dará não só três pontos como vários golos (e os golos vão ser importantes, acreditem) ao rival. Nós só podemos fazer o nosso trabalho, a saber, somar seis pontos e um goal-average superior nos próximos 180 minutos de campeonato. Nada mais. Quem jogou como jogou na quarta-feira é seguramente capaz de o lograr. Outra coisa é que o consiga fazer.

É nessa dinâmica que o trabalho de Lopetegui – que saiu hiper-reforçado do jogo da passada quarta-feira – é fundamental. Tem de convencer os que vão jogar, de entre os titulares habituais, no sábado, que é um jogo tão importante como qualquer outro. É verdade mas digam lá isso a miúdos que só querem brilhar na Champions e voltar aos seus clubes de origem ou assinar os contratos da sua vida. Não será fácil mas é nesses momentos que os “pastores de homens”, como dizia Homero, se mostram realmente. Lopetegui tem também de saber motivar os menos habituais, os que seguramente não vão jogar mais neste ciclo de três jogos de que a sua participação contra a Académica é tão importante para o clube como a de ontem. Muitos terão uma decisiva oportunidade, outros terão de responder à confiança do mister.

Lopetegui na conferência de imprensa antes do FC Porto x Académica

Vencer a Académica em casa devia ser quase uma garantia mas com muitas cabeças na noite de ontem e na de terça-feira (ou até no domingo a oito) claro que todos se lembram de tropeções históricos do passado. Chegar á Luz com possibilidade de passar à frente é tudo aquilo que se pode exigir a uma equipa roubada desde o primeiro minuto do campeonato do seu legitimo direito de aspirar a um título que merece muito mais que o seu rival.

Tendo em conta as ausências em Munique – Danilo, Alex Sandro – e a importância do jogo com o Bayern (não se enganem, a eliminatória vai a meio, um 2-0 não é um resultado tão improvável mas a 90 minutos de fazer história e sabendo a roubalheira que nos espera na Luz, o normal é mudar o chip) Lopetegui deverá apostar num onze que misture o melhor de dois mundos. Marcano, Danilo e Alex devem jogar com Reyes a fechar no centro. Ruben deveria ser titular como trinco – jogamos em casa e é a Académica – e Evandro e Quintero devem terminar por fechar o meio-campo. Para o colombiano pode (deve) ser a ultima oportunidade. Hernâni e Aboubakar são fixos no ataque e eu, pessoalmente, jogaria com Gonçalo. Dois avançados, intenção clara: marcar golos e dominar em casa.

Essa poupança de pernas permitia aos jogadores que sim vão ser titularíssimos em Munique descansar e não tirar a cabeça dos alemães e aos restantes membros do plantel demonstrarem que esta é uma equipa unida e que todos remam em conjunto, ainda que com tarefas divididas. No final as medalhas ao peito têm de valer por algo e há ali nomes que precisam de dar o seu contributo de forma definitiva. Não há melhor momento que agora.

Vencer a Académica garante um Jorge Jesus cagado na Luz. Um Jorge Jesus que vai passar a vergonha histórica de defender em casa um empate miserável que depois o resto dos seus amigos de negro confirmem que a diferença pontual se mantém vigente até ao fim da liga. Um Jorge Jesus que está eufórico com o desgaste físico desta eliminatória esquecendo-se de que o prestigio acumulado em noites europeias como estas valem mais que todas as suas pseudo-finais de UEFA e títulos de liga encomendados. Mentalidades pequenas pensam sempre da mesma forma.

O FC Porto tem no seu ADN o futebol europeu a cores e 3D e a vitória histórica de quarta-feira abre as portas a uma meia-final inesperada. Em casa temos de ser fiéis a nós próprios e competentes. Vencer a Académica garante um “showdown” na Luz, já com a questão alemã resolvida (para bem ou para mal). É por isso um jogo fundamental.

Uma vitória encherá a equipa de confiança, de vontade de vencer não só o Bayern mas também o Benfica. Uma sensação de dever cumprido que ajuda sempre ao ego. Uma sensação de – nem todos derrotados nos conseguem fazer perder o rumo – tão à Porto. Uma derrota ou empate, pelo contrário, condiciona a corrida ao título de forma definitiva e pode ser um golpe psicológico e um acrescento de pressão para Munique que a equipa não precisa nem merece. Resolver a equação matando o jogo de sábado cedo é fundamental. Se o Dragão ajudar como na quarta-feira, muito melhor.

No entanto, cuidado. Num campeonato viciado, ninguém poderá apontar o dedo se no meio deste ciclo de jogos de alto nível haja no plantel quem pense mais nas estrelas e nos hinos de glória que outros nunca ouvem do que em dar tudo contra uma equipa que na Luz foi amiga, amiga, para depois encontrar-se com os dados viciados na esquina seguinte. Este FC Porto pode não vencer nenhum titulo em Maio, mas já fez mais em meia dúzia de jogos que outras equipas em cinco anos. Essa memória não deixaremos que se apague.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Melhor que a melhor equipa do Mundo

Tenho inveja.
Tenho genuína inveja de quem hoje esteve no Dragão. Há noites que nunca se esquecem. Tive a sorte de viver muitas ao vivo. Hoje houve 50 mil afortunados que jamais se vão esquecer da noite em que o FC Porto foi - como contra o Dinamo de Kiev em 1987 - melhor que a melhor equipa do Mundo. Que jogadores que estavam lesionados até há dois dias correram como búfalos. Que egos imensos foram encolhidos para encaixar no coração da equipa. Em que ninguém poupou uma gota de oxigénio a pensar no amanhã. A noite em que o Dragão engoliu o Bayern como poucas vezes alguém sonhou ser capaz. A noite em que Julen Lopetegui mostrou a Pep Guardiola que com menos ovos podia fazer uma omelete melhor. A noite, enfim, em que se demonstrou porque é que o FC Porto é a melhor equipa da Europa fora dos grandes das grandes ligas. E que de vez em quando até a esses mostramos que não andamos nisto para fazer número.

A primeira parte foi uma das maiores delicias futebolísticas da última década.
A entrada da equipa resume-se numa palavra: Avassaladora.
Julen Lopetegui tinha a lição bem estudada. Pode entender pouco do que significa jogar na Madeira mas o Bayern conhecia-o á perfeição. Sabia o que era preciso fazer. Asfixiar o processo de posse de bola roubando todas as opções de passe aqueles que sabem jogar. A equipa marcou á zona todos aqueles jogadores em quem Guardiola confia - Alonso, Lahm, Thiago - e deixou aos centrais, aos desastrados centrais, a tarefa de criar jogo. Com isso ganhou a partida. Forçou erro atrás de erro. E, por uma vez, o FCP soube aproveitar o erro alheio com precisão de cirurgião. Jackson - esse imenso avançado que vai deixar muito mais saudades do que deixou Falcao e que não devia ser vendido por menos de 50 milhões de euros - esteve imenso. Para quem vinha de uma lesão muscular parecia um tigre, um mamute de outras eras. Correu, correu, defendeu como o primeiro gladiador, ajudou nas compensações e não deixou respirar Xabi Alonso. Nos instantes iniciais roubou a bola ao ex do Real Madrid e frente a Neuer driblou o guarda-redes caindo de imediato. Penalti claro.
Neuer devia ter visto o cartão vermelho. O árbitro espanhol Vellasco Carballo no entanto deve ter ficado a pensar que Jackson fizera falta sobre Alonso (se fosse ao contrário, eu teria pedido falta) e para não condicionar os 180 minutos de eliminatória que faltaram quis ser diplomático. Fez mal. O FC Porto foi prejudicado nesse momento chave e o Bayern salvou-se de um cataclismo. Quaresma, que tinha estado naquela eliminatória dolorosa com o Schalke 04 quando Neuer se fez famoso pela primeira vez, tinha contas a ajustar e não perdeu a oportunidade. Estes foram os melhores 45 minutos de Quaresma desde que deixou o Porto. A confiança de Lopetegui - esteve impecável o basco no alinhamento inicial - foi recompensada. O numero 7 fez tudo para merecer ser titular. Não havia réstia do "velho Quaresma". Havia malabarismos e classe, sim, mas também recuperações ao sprint, desarmes, ajudas a Danilo, linhas de passe oferecidas a Herrera e Oliver e uma constante pressão sobre Bernat (que devia ter sido expulso no inicio da segunda parte depois de mais um baile quaresmiano) e Dante. Graças a esse exercício "sachianno", chegou o segundo golo. Outra recuperação, outro vendaval de ataque e Quaresma, frente a Neuer, define com a classe dos génios. Não tinham passado dez minutos e o Dragão já se tinha levantado duas vezes para fazer tremer os cimentos da Terra.

Jackson e Neuer (foto: UEFA.com)
O FC Porto foi nesses primeiros vinte minutos a melhor equipa do Mundo.
Com bola fez maravilhas. A visão periférica de Brahimi e Oliver e o trabalho do colectivo manteve o Bayern atónito, como se tivesse subido ao ring e estivesse a ponto de cair por K.O. Na recuperação a equipa esteve tremenda. É provavelmente o maior mérito de Lopetegui a forma como a equipa ocupa os espaços para haver sempre alguém a recuperar a bola. Naturalmente houve a reacção do Bayern. Os alemães continuam a ser a melhor equipa do mundo e encontraram a bola quando o ataque, como era inevitável, baixou ligeiramente o pressing. Não há equipa que aguente noventa minutos o que o FCP fez em vinte. Nesses seguinte quinze minutos o Bayern teve mais a bola mas não o controlo. O FC Porto mantinha-os longe da sua área, recuperava bem a bola e sai-a a jogar. Alex Sandro teve o terceiro nos pés - Neuer evitou um golo olímpico - e Casemiro podia também ter marcado de cabeça depois de um centro de Quaresma num livre indirecto. O Bayern raramente criou perigo real mas conseguiu marcar numa jogada onde a defesa estava totalmente fora de sitio. Casemiro foi fechar um centro de Boateng mas não chegou a tempo. Sandro estava na direita, Danilo na esquerda e Maicon perdeu a marcação a Thiago que apareceu a desviar na pequena área. Era um golo evitável, o unico erro colectivo em toda a primeira parte. O nível Champions é assim. Não se podia dizer que era imerecido - a reacção do Bayern foi positiva - mas doeu tendo em conta o imenso esforço que a equipa estava a fazer para reduzir ao mínimo o erro. Com esse resultado chegou-se ao intervalo, uma sensação de superioridade emocional tremenda mas com esse golo fora a pesar na consciência.

E o que faz uma equipa depois de 45 minutos assim? Quando se chama FC Porto a resposta é fácil: faz-se melhor.
A segunda parte foi isso. Melhor, em todos os sentidos menos no marcador. Só entrou um (golaço de um Jackson divino) mas o Bayern foi engolido pelo jogo de posse do Porto. Se na primeira parte havia a estratégia de pressionar, morder e contragolpear, na segunda parte os Dragões quiseram e tiveram a bola. Pautaram o ritmo, levaram o esférico para longe da sua área (onde tinha rondado muito na primeira parte), criaram lance atrás de lance e esmagaram a resistência escassas que o Bayern parecia oferecer. Herrera e Jackson conectaram para o 3-1 e pouco antes, numa jogada "a la Brasil de 70", o esférico rodou entre o colombiano, Oliver, Brahimi e Quaresma para Herrera forçar Neuer á defesa da noite. Uma jogada perfeita que o Bayern jamais soube emular. O momento mais simbólico da noite deu-se precisamente quando um Guardiola claramente superado - Lopetegui é, a partir de hoje, um nome em qualquer lista de um grande europeu e que "cojones" teve o basco ao encarar de frente o Bayern e ganhar-lhe no seu próprio jogo - tirou a Gotze e colocou Rode. Queria não sofrer mais, não sofrer mais golos, não sofrer mais sem a bola e para isso abdicava de atacar. O todo poderoso Bayern do mágico e melhor treinador do Mundo Pep Guardiola rendia-se á evidência. O Porto era superior. E assim foi durante todo o jogo. Um jogo que podia não ter acabado nunca.

Quaresma (foto: UEFA.com)

Pouco me importa hoje do que vai passar na terça-feira que vem em Munique. Não estão Danilo e Alex Sandro (mas sim Marcano) sendo que Ricardo e Indi nas laterais são a única opção que sobra. O Bayern seguramente terá outro ritmo, outra pressão e tocará sofrer, sofrer muito. Mas ninguém no seu perfeito juízo podia pensar noutro cenário que não fosse esse. O Bayern continua a ser o Bayern, o Porto continua a ser o Porto. Em noites assim é extremamente importante por tudo em perspectiva. Sonhar sim, sempre, sempre, mas sem esquecer que tudo o que se consiga, tudo é bónus, resultado de um grande trabalho colectivo desenvolvido desde o Verão. Resultado de uma politica de jogo recuperada depois do desastre do último ano, do talento de muitos jogadores que chegaram agora ou se têm consolidado e que sabem que hoje são a conversa de ordem dos maiores clubes mundiais. Depois da noite de hoje todos saem reforçados. A SAD que apostou forte, o treinador que muitos - eu incluído - duvidavam estar á altura mas também os jovens jogadores que alguns grandes da Europa descartaram ou que outros não tiveram o engenho de pescar. Todos eles são o baluarte desta noite, desta mágica noite europeia á moda do Porto.
O FC Porto até pode ganhar a Liga dos Campeões. Também pode sair goleado do Allianz. Não me interessa nada. Hoje nada interessa. Em noites assim, com chuva ou céus iluminados pelas estrelas, não há outra coisa a fazer senão sentir um imenso orgulho em ser portista. Um imenso orgulho em ser da equipa que sabe ser melhor que as melhores equipas do mundo.

Viena 87: O Céu na Terra

Por João Nuno Coelho

É impressionante a forma como o tempo altera a nossa percepção dos acontecimentos. A nossa enquanto indivíduos mas também enquanto colectivo. Viena 87 é hoje algo de completamente diferente porque aconteceram Sevilha 03, Gelsenkirchen 04, Dublin 11, e muitas outras datas deste Porto Feliz dos últimos 30 anos.
Viena 87 acabou por se tornar uma das referências máximas do sucesso portista, fénix renascida sob a égide de Pedroto e Pinto da Costa. Mas foi muito mais do que isso...

Pelo menos para nós, simples adeptos.
A realidade é que ao minuto 76 do jogo do Prater, para qualquer adepto portista, como eu que, com 17 anos, via o jogo no sofá de casa, ao lado do meu pai e do meu irmão (desde sempre a minha mãe decidiu que dava azar ao Porto e refugiava-se noutra divisão da casa) aquele não era um Porto de sucesso, muito menos um Porto Feliz. Tudo parecia demasiado semelhante a Basileia 84. Uma final perante um colosso europeu, bancadas preenchidas massivamente pelos adeptos contrários, uma resposta forte de excelente futebol portista a uma desvantagem no marcador que se eternizava, apesar do nosso domínio, por vezes asfixiante. E um frio no estômago a antecipar mais um troféu oferecido pelos adeptos para premiar outra extraordinária vitória moral.

Viena, 27 de Maio de 1987


E depois... Depois foi o que todos sabemos e não nos cansamos de rever e de reviver. E nunca nos cansaremos. Porque no fundo sabemos a importância deste depois no que aconteceu depois, anos a fio.

Mas na altura não sabíamos.
E, naquele minuto 77, quando uma jogada genial terminou com o mais genial dos toques de génio, eu, pelo menos, só sabia que afinal talvez a história não tivesse que se repetir. Talvez por isso desatei a correr pela casa fora aos saltos e acho que praticamente só voltei à sala quando o Madjer voltou ao campo depois de ser assistido, para partir os rins a um alemão e oferecer o golo da vitória ao Juary.

(Não sei se já pensaram nisto: decorreram cerca de 2 minutos entre os dois golos que mudaram a história do clube, mas o Madjer precisou de pouco mais de 20 segundos em jogo para marcar o empate e assistir para a vitória).

A história de Basileia não se repetiu e nada voltou a ser como dantes. Nunca saberemos como seria se o Porto tivesse perdido a sua segunda final europeia. O Porto europeu pode ter nascido em Basileia mas só começou a andar em Viena. E demorou dois minutos a aprender a fazê-lo.

No fim do jogo, os meus pais, primeiro, e os meus amigos, depois, não entenderam porque é que eu não os acompanhava à festa da Baixa. Na altura, não havia 10 programas diferentes de comentários e tangas à volta do jogo recém-terminado e portanto nem foi por isso que fiquei sozinho em casa. Precisava era de desfrutar plenamente, sem distracções, aquilo que o meu clube (e eu) acabara de alcançar: o Céu na Terra. Porque no futebol, deixemo-nos de tretas (nacionalistas... e outras), acima disto não há nada.


Éramos Campeões da Europa!

Nota final: O 'Reflexão Portista' agradece ao João Nuno Coelho, autor, entre vários livros, do "Porto 1987-2012: 25 Anos no Topo do Mundo" e defensor habitual do FCP em tertúlias televisivas, a elaboração deste artigo.

terça-feira, 14 de abril de 2015

Desculpas antecipadas e… medo

No dia 21 de Outubro de 2014, o Bayern München deslocou-se a Roma, para enfrentar o vice-campeão italiano.

O onze titular e os suplentes do Bayern nesse jogo, para a fase de grupos da Liga dos Campeões, foram os seguintes:

Os 18 jogadores convocados para o AS Roma x Bayern (fonte: zerozero)

Ou seja, apesar de…
Ribéry ter sido suplente;
Schweinsteiger não ter feito parte do lote dos convocados;
Pepe Reina não ter feito parte do lote dos convocados;
Thiago Alcântara não ter feito parte do lote dos convocados (estava lesionado);
Javi Martínez não ter feito parte do lote dos convocados (estava e continua lesionado);

… no final, o Bayern saiu do estádio Olímpico com um resultado esclarecedor: AS Roma 1, Bayern München 7

Ora, oito dos onze titulares desse AS Roma x Bayern – Manuel Neuer, Philipp Lahm, Jérôme Boateng, Bernat, Mario Götze, Xabi Alonso, Thomas Muller, Lewandowski – estão no Porto e disponíveis para jogar.
A que se juntam mais alguns “mancos”, como Pepe Reina, Rafinha, Dante, Badstuber, Thiago Alcântara ou Claudio Pizarro.

Aliás, quem fala muito nos lesionados do Bayern, esquece-se, convenientemente, de referir que Philipp Lahm e Thiago Alcântara, após vários meses de ausência, voltaram a estar à disposição de Pep Guardiola.

Perante estes factos, é ridículo o choradinho do treinador e dirigentes do Bayern. Quem os ouvir falar e estiver distraído, até é capaz de pensar que Guardiola tem poucos jogadores de top à sua disposição, para utilizar nestes quartos-de-final da Liga dos Campeões.

Mas, ainda mais ridículo, é o papel, entre o sonsa e o coninhas, que a comunicação social portuguesa (?) está a fazer, só compreensível numa estratégia de desculpas antecipadas e de estar a “preparar o terreno” para qualquer eventualidade.

Correio da Manhã (capa) de 14-04-2015

Isto é, se o FC Porto conseguir um bom resultado, a explicação (preparada antecipadamente nas redacções de Lisboa) é simples: o Bayern, coitadinho, estava desfalcado e muito fraquinho.

Se acontecer o que todos, ou quase todos, prevêem (incluindo as casas de apostas) – a vitória do super favorito Bayern – então, a mesma comunicação social irá dizer que Lopetegui (o principal alvo a atingir) foi incapaz de aproveitar uma “oportunidade única” para derrotar um Bayern “fragilizado”.

Se eu não soubesse o que está por detrás desta estratégia de comunicação, diria que são maus profissionais, ou que andam distraídos. Assim, limito-me a dizer que são uns tristes.

E, após tantos anos e tantos exemplos, ainda há portistas que embarcam nesta conversa…


P.S. A RTP, a estação de serviço público, preparou uma peça sobre a chegada da comitiva do Bayern ao aeroporto do Porto (que tem vindo a repetir desde ontem à noite), em que o foco principal são os jogadores ausentes. Mas, o melhor desta peça jornalística de “alto quilate” é a referência à ausência de seis habituais titulares, incluindo nesta lista Ribéry (o qual tem menos de 1000 minutos na Bundesliga, sendo apenas o 14º jogador do plantel do Bayern neste ranking) e Javi Martínez que, devido a uma grave lesão, esta época tem zero minutos na Bundesliga e na Liga dos Campeões. Ou seja, dois “habituais titulares”…

P.S.2 Apesar do “cataclismo” de lesões que se abateu sobre o plantel à disposição de Guardiola, as casas de apostas desportivas - Bet365, Bwin e Betfair - não dão favoritismo ao FC Porto no jogo da 1ª mão e muito menos na passagem às meias-finais da Liga dos Campeões. Para o jogo do Estádio do Dragão, a vitória do FC Porto vale entre 4.50 a 5.20 por cada euro apostado, o empate entre 3.75 e 3.80 e uma vitória do Bayern Munique entre 1.70 e 1.82. Já a passagem dos dragões às meias-finais da competição, vale entre 6 a 7.60, sendo a «odd» mais alta de qualquer equipa ainda na Liga dos Campeões, enquanto que o apuramento do colosso da Baviera vale entre 1.10 a 1.14 e é a «odd» mais baixa. Por que será?

segunda-feira, 13 de abril de 2015

Quaresma no onze inicial?

«No desafio anterior (contra o Arouca), com o FC Porto a jogar com menos um desde muito cedo, Quaresma fez uma grande exibição e foi considerado, quase unanimemente, o melhor em campo. Como “prémio”, hoje foi para o banco e Lopetegui apenas o chamou, já com a equipa em desespero de causa, à procura de recuperar a vantagem perdida no marcador. Não foi a tempo…»

Foi assim que iniciei o artigo que publiquei a após o Nacional x FC Porto (1-1).

Quaresma foi o melhor contra o Arouca.
Quaresma foi o melhor contra o Estoril.
Quaresma foi um dos melhores (senão o melhor) contra o Rio Ave.

Quaresma num grande momento, contra o Arouca, Estoril e Rio Ave

Quaresma está num grande momento de forma, provavelmente a atravessar um dos melhores momentos da sua carreira, ao ponto de mesmo os seus críticos o reconhecerem.

Assim sendo, e ainda por cima estando Tello lesionado, faz algum sentido questionar a titularidade de Quaresma na próxima quarta-feira?

Faz. Para começar, o desafio da próxima quarta-feira não é um jogo qualquer. É a 1ª mão dos quartos-de-final da Liga dos Campeões.
E o oponente é “apenas” o Bayern Munique, considerado, por muitos especialistas, a melhor equipa do Mundo.

Sendo o Bayern uma equipa fortíssima, é natural que Lopetegui adopte algumas cautelas e pretenda reforçar o meio-campo (José Mourinho fez o mesmo em 2003/04 – no campeonato jogava em 4-3-3 e na Liga dos Campeões em 4-4-2).
Ora, não podendo contar com o rapidíssimo Tello, nem com o goleador Jackson a 100% (está afastado dos relvados desde o dia 6 de Março), já para não falar em Iván Marcano e Adrián López (é hilariante ver a preocupação da comunicação social portuguesa, dedicando 10 vezes mais tempo/espaço a falar das ausências do Bayern do que nas importantes ausências do FC Porto…), não me admirava que o onze inicial escolhido por Julen Lopetegui fosse o seguinte:

Fabiano
Danilo, Maicon, Indi, Alex Sandro
Casemiro, Rúben Neves, Herrera
Óliver, Brahimi, Aboubakar

Se estão bem recordados, foi precisamente este o onze (com Jackson em vez de Aboubakar) nos dois jogos do Play-off de acesso à fase de grupos da Liga dos Campeões, numa altura em que o Lille estava com a preparação mais adiantada (o campeonato francês começa primeiro que o português) e era um dos líderes da Ligue 1.

Onze inicial no FC Porto x Lille

Sem bola, o FC Porto poderia (poderá) jogar numa espécie de 4-5-1, com Casemiro, Rúben Neves, Herrera e Óliver a pressionarem e correrem, correrem, correrem (a “fórmula de sucesso” referida por Luís Gustavo, jogador do Wolfsburgo).

Com posse de bola, Óliver e Brahimi abririam (abrirão) nas alas, com o apoio dos dois laterais (Danilo e Alex Sandro).

E Quaresma?
Quaresma seria um trunfo precioso, a usar a partir dos 60 minutos (Brahimi não aguenta muito mais).

P.S. Não sofrer golos em casa é muito importante e, por isso, tal como em 2003/2004, na meia-final contra o Depor, um eventual 0-0 no jogo da 1ª mão seria um resultado que manteria tudo em aberto para a 2ª mão.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Quartos-de-final: faltam 7 dias

O Bayern Munique foi hoje a Leverkusen jogar os quartos-de-final da Taça da Alemanha.

Há uns meses atrás, a “nação benfiquista” fartou-se de repetir que o Bayer Leverkusen não era uma equipa qualquer.
Aliás, o “profeta” Jorge Jesus disse mesmo que o Bayer Leverkusen era a melhor equipa do grupo (daquele em que o SLB ficou em 4º e último lugar, lembram-se?).
E agora?

Na Liga dos Campeões, o Bayer Leverkusen foi eliminado nos oitavos-de-final (no desempate por grandes penalidades) pelos campeões espanhóis e vice-campeões europeus (Atlético Madrid), enquanto que na Bundesliga o Bayer vem de uma série de 5 vitórias consecutivas.

Bayer Leverkusen (fonte: zerozero)

Pois bem, apesar de jogar em casa e do bom momento que atravessa, o Bayer foi incapaz de derrotar um Bayern Munique “muito fragilizado” por várias ausências e, novamente no desempate por grandes penalidades, foi eliminado e quem seguiu em frente foi a equipa de Munique.

Manuel Neuer a defender uma das grandes penalidades (foto: REUTERS)

Ora, em vez de salientar este facto, em vez de salientar a qualidade super de Manuel Neuer ou o facto de ter sido anulado um golo limpo a Lewandowski (que daria a vitória ao Bayern sem necessidade de prolongamento e penáltis), a Rádio Renascença, com o objectivo claro de desvalorizar o adversário do FC Porto nos quartos-de-final da Liga dos Campeões, disse/escreveu: «Bayern de Munique só ganha nas grandes penalidades»

Notícia sobre o Bayern no site da RR/Bola Branca

Só?!
O Bayern Munique apurou-se para as meias-finais da Taça da Alemanha; lidera, confortavelmente, a Bundesliga; e vai disputar os quartos-de-final da Liga dos Campeões. Só…

Eu costumo dizer que, de católico, a Rádio Renascença tem muito pouco, mas acerca do departamento de desporto (Bola Branca) não tenho dúvidas: é um antro infecto de anti-portistas nojentos.

Em Lisboa dão como certa a eliminação do FC Porto e há mesmo quem aposte na repetição de goleadas parecidas àquelas com que o Bayern esmagou o Sporting (5-0 e 7-1).
Veremos…

sábado, 4 de abril de 2015

Quartos-de-final: faltam 11 dias

Borussia Dortmund x Bayern Munique (fonte: REUTERS)

Hoje à tarde disputou-se o grande clássico do futebol alemão (pelo menos dos últimos anos). O Bayern deslocou-se a Dortmund e, perante um imponente Westfalenstadion completamente cheio, derrotou o Borussia por 1-0, mantendo a liderança da Bundesliga, com uma confortável vantagem de 10 pontos para o 2º classificado.

Há quem diga que, nesta altura, o Bayern está fragilizado.
Fragilizado?

Bem, o onze inicial que Pep Guardiola apresentou no Westfalenstadion tinha “apenas” cinco campeões do Mundo – Manuel Neuer, Jérôme Boateng, Philipp Lahm, Bastian Schweinsteiger, Thomas Müller – e, na 2ª parte, ainda entraria um sexto jogador – Mario Götze - que, há 9 meses atrás, também se sagrou campeão do Mundo no Brasil com a camisola da Mannschaft.

Mas, para além destes rapazes, o onze inicial da equipa de Munique também incluía “mancos” como Rafinha, Dante, Benatia, Xavi Alonso e Lewandowski.
E, na 2ª Parte, ainda se iria assistir ao regresso de Thiago Alcântara.

Se uma equipa que conta com este lote luxuoso de jogadores, os quais aliam uma enorme qualidade à experiência, é uma equipa “fragilizada”, vou ali e já venho…

sexta-feira, 20 de março de 2015

Pior (sorteio) era impossível

Fotos uefa.com (clicar para ampliar)

Maisfutebol

Bayern Munique!
Grau de dificuldade máximo!
Nesta altura, não há nenhuma equipa mundial acima dos rapazes de Pep Guardiola.

Num jogo de futebol tudo é possível mas, realisticamente falando, penso que as probabilidades do FC Porto superar este Bayern, numa eliminatória a duas mãos e, ainda por cima, com o 2º jogo em Munique, são muito reduzidas.

O único aspecto positivo deste sorteio é o facto de ninguém, por essa Europa fora, apostar um cêntimo na passagem do FC Porto às meias-finais.

E, como disse o Miguel no artigo de ontem, tendo o FC Porto superado as expectativas, a partir de agora tudo é positivo: o encaixe financeiro, a exposição mediática e a possibilidade destes dragões se medirem com uma das melhores equipas do planeta porque, salvo uma goleada, o importante será desfrutar os quartos-de-final da Champions, crescer como equipa e, sobretudo, sonhar!

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REACÇÕES:

"É uma equipa [o Bayern Munique] com um nível extraordinário. A posse de bola é a matriz principal do seu jogo, numa equipa que tem muita qualidade e mobilidade no ataque. Pode ser que um ou outro jogador do Bayern não esteja ao seu melhor nível… ou cinco ou seis, já agora (…) num dia perfeito tudo pode acontecer", Vítor Baía

"Tenho boas memórias do FC Porto. Acho que podemos estar satisfeitos com o resultado do sorteio", Manuel Neuer, guarda-redes do Bayern e da seleção alemã

quinta-feira, 19 de março de 2015

Os potenciais rivais para o sorteio da Champions



Amanhã vai realizar-se o sorteio dos Quartos-de-Final da Champions League. 
Pela primeira vez desde 2008/09 o FC Porto marca presença, reflexo de uma brilhante campanha europeia. Na última ocasião que chegamos tão longe na competição, fomos eliminados pelo vigente campeão (e finalista vencido desse ano), o Manchester United. Na anterior, fomos campeões europeus. O certo é que tendo o clube superado as expectativas possíveis, a partir de agora tudo é positivo para o clube. O encaixe financeiro, a exposição mediática, a possibilidade de medir-se com algumas das melhores equipas do planeta. Salvo uma goleada (difícil), não há nada que possa passar que suponha um problema, pelo que o importante será desfrutar da eliminatória, crescer com ela como equipa e clube e, sobretudo, sonhar. É grátis.

Entre os sete possíveis rivais – recordamos que o sorteio é puro e por isso pode haver duelos nacionais – do FC Porto aqui segue uma lista ordenada de forma descendente desde aquele que os portistas parecem considerar o rival mais favorável – apalpando um pouco o ambiente – e aqueles que não queremos ver nem pintados de ouro. Pessoalmente, já o disse aqui depois do jogo com o Basel, a minha escolha seria o Real Madrid. Uma equipa em fase descendente física e animicamente, com um pedigree que justificaria qualquer derrota e imortalizaria qualquer vitória e ainda o facto de ser o campeão em titulo (e todos sabemos que nenhum campeão renovou o titulo na era Champions League).

AS MONACO

Toda a gente quer o Monaco. Pudera. Os franceses são quartos na liga – e é muito provável que para o ano estejam na Europa League – e têm passado os últimos meses a viver de uma boa organização defensiva. Foram piores que o Arsenal colectivamente, mas cometeram menos erros e aproveitaram melhor o hara-kiri ofensivo dos gunners em Londres para marcar em contra-golpes rápidos e incisivos. É a sua arma. Vão defender os 180 minutos e atacar pontualmente. Já sofremos isso em Basileia. É uma equipa que nos vai dar a bola e deixar jogar o nosso jogo até ao último terço, que vai ser dura nas marcações e jogar no nosso erro. Não têm, como nós, nada a perder. O precedente é positivo. Todos temos Gelsenkirchen tatuado na alma.

A Favor: A equipa mais fraca do sorteio
Contra: A velocidade a explorar os espaços na defesa (cuidado Fabiano, Maicon e Alex)

PARIS SAINT-GERMAIN

Quando o PSG jogou contra o FC Porto – há duas temporadas atrás – já era um dos novos-ricos do futebol europeu com jogadores de nivel mundial. Essa mesma equipa melhorou com o tempo. Está mais compacta em defesa, organizada na criação e demonstrou em Londres ter a garra que parecia faltar – e que na Ligue 1 às vezes ainda falta – para triunfar na Europa. Sem Ibrahimovic para a primeira-mão, o PSG conta com um grupo de jogadores talentosos o suficiente para não sentir a falta do sueco. São uma equipa que aposta forte na Europa, é a sua máxima prioridade e desde os anos 90 que não chegam a uma meia-final. Vão disputar a bola a qualquer equipa e só o eventual desgaste de estarem numa luta a três pelo titulo pode supor um problema num conjunto que tem opções válidas em todos os sectores.

A Favor: Já os conhecemos e é uma equipa que joga o jogo pelo jogo, deixando espaços que podemos aproveitar graças à nossa notável capacidade de recuperação de bola.
Contra: Vão apostar tudo este ano na Champions e chegam hiper-motivados. Têm jogadores de sobra para fazer a diferença.

JUVENTUS

A Juve já ganhou praticamente o Scudetto e vai concentrar os próximos dois meses a sonhar com um regresso à ribalta europeia. Não disputam uma final desde 2003 a última vez que chegaram também ás meias. É mais de uma década. Muito tempo. Graças ao génio imortal de Pirlo e ao trabalho incansável de Pogba, possuem um dos melhores meio-campos do mundo. Tevez e Morata parecem ter encaixado e o jogo colectivo da equipa, agora sobre o comando de Allegri, é uns furos superiores ao do ano passado. Ainda assim não é um “papão”, nem de longe nem de perto. Sofrem contra equipas bem organizadas e que sabem medir os tempos de jogo e podem ser encurralados no seu campo com relativa facilidade com uma boa circulação de bola. Apostam forte na Champions mas ao mesmo tempo são claros outsiders.

A Favor: Equipa acessível como colectivo, Pogba estará lesionado provavelmente por alturas da primeira mão e anulando Pirlo a equipa sofre imenso.
Contra: Não tem de se preocupar com o campeonato e sabem que são outsiders.

REAL MADRID

São o campeão em título. São o Real Madrid. Parece ser suficiente cada uma das frases por si mesma e juntas mais ainda. Mas este Real nem é o do ano passado – tacticamente muito mais desorganizado, fisicamente muito mais condicionado – nem a equipa tem estado á altura do pedigree desde que começou 2015. Cristiano Ronaldo está uma sombra de si mesmo, a dupla Kroos-Isco está sem fôlego e tanto Bale como Benzema continuam a ser questionados. Tacticamente não necessitam da bola mas exploram os espaços como nenhuma outra equipa, quando estão em forma. No entanto, até nisso têm estado decepcionantes. Foram fracos contra o Schalke, têm um guarda-redes que é um ponto fraco assumido e jogam com toda a pressão nos ombros. Se perderem este domingo em Barcelona, renovar o titulo europeu pode ser o único troféu a que aspiram. E como sabemos, nunca ninguém conseguiu isso.

A Favor: Estão na pior fase física-anima desde que Ancelotti chegou ao banco e o cenário não parece ter-se alterado. Jogam com toda a pressão de favoritos.
Contra: Está em baixo de forma mas, quando está bem, Cristiano Ronaldo é o maior killer do futebol mundial. E tê-lo frente a Maicon naquelas diagonais dá pesadelos.

ATLETICO DE MADRID

Este Atletico é claramente uma equipa mais débil que a do ano passado. Diego Costa, Filipe Luis e Courtois fazem muita falta, nenhum dos seus suplentes parece ter estado ao mesmo nivel. No entanto a chegada de Torres, a consagração definitiva de Koke e a ascensão de Gimenez têm sido boas noticias. Griezzman é um jogador fenomenal e eléctrico e Tiago e Arda continuam a dominar a bola e os tempos de jogo como poucos. São, sobretudo, um rival temível a 180 minutos. Jogam com as falhas do rival como nenhum outro, exploram muito bem as poucas ocasiões que criam e são uma rocha defensiva. Contra o Leverkusen concederam meia dúzia de oportunidades em 210 minutos de futebol. Sofrem mais no capitulo ofensivo mas têm também a consciência de que em casa são intransponíveis. Com a revalidação do titulo quase impossível (o esperado) apostam tudo na Champions. É o único titulo que falta a Simeone.

A Favor: Uma equipa que nos deixará a bola, que conhecemos bem e que tem sofrido para marcar.
Contra: Peritos em bola parada, difíceis de vencer fora e ainda mais em casa, jogam sempre no erro do adversário e aproveitam-no como poucos.

BARCELONA

Não é o Pep Team mas tem o melhor trio de ataque do mundo. Não tem Guardiola mas recuperou o Messi mais estelar. Neste Barcelona não há tanto aquela magia quase inocente dos dias de Pep, mas a forma como Luis Enrique entendeu que o meio-campo se tornou prescindível, quando há três demónios no ataque, tornou o Barcelona uma equipa ainda mais perigosa. Apanhou as virtudes do melhor Real Madrid (jogar em velocidade, transições, bola da defesa directamente ao ataque) mas sem abdicar, quando quer, da cultura de posse e de domínio de jogo no meio-campo, onde ainda conta com Xavi, Iniesta, Mascherano, Busquets e Rakitic. Tem o melhor Messi dos últimos três anos e isso, só por si, pode valer meio titulo.

A Favor: Que o Dragão possa voltar a ver um génio chamado Messi
Contra: Os defesas laterais sofrem muito – Dani Alves sobretudo ainda que Alba esteja a uns furos do que foi – e o meio-campo já não é tão protagonista. Se conseguimos pressionar a saída de bola e recuperá-la, são frágeis na recuperação posicional.

BAYERN MUNCHEN

Favoritos absolutos a tudo. São a melhor equipa da Europa. Possuem o melhor jogo colectivo, algumas das melhores individualidades posicionais, de longe o melhor treinador e a melhor estrutura. Atípica foi a sua eliminação em 2014, o normal seria que este Bayern fosse campeão europeu perene enquanto os astros continuem a manter viva a conexão do clube com Guardiola. O técnico tem tudo para conquistar o seu terceiro titulo europeu (outro que pode ultrapassar pela direita o Special One depois de Ancelloti) e salvo um surto de lesões (que tem sido habitual) é muito difícil defrontar o Bayern e sair vivo para contar a história. A melhor opção até agora que algumas equipas conseguiram foi defender bem uma das mãos para acabar trucidada na segunda.

A Favor: Que o Dragão veja pela primeira vez o baile de Guardiola desde o banco. Ou que se reencarne o espírito de 1987.
Contra: Tudo. São o máximo favorito e quase não possuem pontos fracos. Exigem a posse – o que faz sofrer equipas habituadas a ela como a nossa – e quando perdem a bola são ainda melhores que nós na recuperação, muitas vezes com Neuer a jogar na linha do meio-campo.