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| Calabote e o estado natural das coisas |
Esta não foi uma época perdida: esta foi uma boa época do FCP, dadas as profundas mudanças levadas a cabo. Com Mourinho e Vilas Boas, estivemos bem por cima. Não deu campeonato e a diferença está no SLB que encontrou no JJ o homem para liderar um projecto de continuidade que venceu a barreira da dúvida e recebe o apoio generalizado da mouraria vermelha. Todos os estorvos de JJ foram remetidos à sua insignificância.
Esta centralização do poder no treinador tem os seus perigos, mas JJ é uma figura consensual, como muito raramente aconteceu no futebol pátrio. A estrutura lisboeta acolheu os inputs do FCP e, hoje, está ao nosso nível, pelo menos. Para além disso, domina o Futebol como no antanho, ou quase.
O SLB recebeu benefícios arbitrais em quase todos os jogos, e o FCP na Luz não foi excepção. Aquela pretensa proposta que o presidente do SLB terá feito ao presidente do SCP de “partilha de campeonatos” é elucidativa da vontade de implantação da “situação” que dominou nos anos 60 e nos afastou da ribalta, até Pedroto. A dita proposta, constituiria a reposição do “estado natural das coisas” dos anos idos, ou seja: a atribuição do justo poder ao SLB, em reconhecimento do seu enorme mérito desportivo e força social. As vitórias seriam partilhadas generosamente com o SCP na proporção das forças em presença.
Ao FCP seria atribuído o papel de primeiro outsider a que caberia um triunfo de vez em quando, para alegar a malta e comprovar a bondade do sistema, e que seria concedido a bem da coesão nacional.
Naqueles anos de Calabote e Reinaldo Silva, a cada três campeonatos do SLB, correspondia um do SCP. O regresso ao “estado natural das coisas” seria nos tempos que correm um enorme “progresso”, porque ocorreria num quadro democrático que faria regressar a Lisboa os anos repletos de vitórias desportivas que os presidentes das camaras consagrariam com pompa e circunstância. A bem da Nação, pois claro.
Apesar de todos os colinhos, o SLB cresceu muito na era JJ o que muito o ajuda a consolidar a ideia que o “estado natural das coisas” acontecerá de forma gradual por mérito e força da instituição. Tão inevitável para eles como o rio que corre para o mar.
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| Lopetegui e Pinto da Costa |
Salvo Adrián López, fomos capazes de contratar e criar uma equipa muito interessante. O investimento teve um bom retorno nesta época que está a findar com as receitas da CL. O risco no FCP decorre e acentua-se na execução de uma política menos certeira na gestão do futebol e que se constata (para quem não tem outros meios de prova) na demasiada rotação do plantel e das equipas técnicas. O FCP, no período “JJ”, teve como treinadores da equipa principal: Jesualdo, Vilas Boas, Vítor Pereira, Paulo Fonseca e Lopetegui. Este silêncio do FCP, relativamente à continuidade do actual treinador, poderá ser um sinal de incerteza que só gera instabilidade. Lopetegui tem dado o peito às balas como poucos e é mal amado internamente e odiado externamente.
A nossa querida comunicação social desanca forte e feio no homem e fez de Quaresma um mártir da sua incompetência. É certo que errou e se “perdeu” após o Bayern, mas compreende-se: foram-lhe exclusivamente assacadas todas as críticas e já se sabe que nestas fases os amigos minguam sempre. E há muito quem recorra ao: “eu previ, disse e escrevi...”, para atestar a sua ciência sobre a previsão das debilidades do actual mister. As duras críticas de comentadores alinhados (Porto Canal incluído) comprovam (a meu ver) as incertezas internas quanto ao seu futuro.
Obviamente, defendo a continuidade de Lopetegui, porque acho que é o homem certo para continuar a obra e construir um FCP suficientemente competente para combater a inevitabilidade do regresso ao “estado natural das coisas” do pontapé na bola cá do burgo. Tenho a certeza que Lopetegui saberá aprender com os erros que cometeu e espero que o nosso presidente não ceda à vox populi que exige sangue para salvar a honra por nada termos ganho esta época.


