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segunda-feira, 28 de dezembro de 2015

Um negócio fabulástico

Capa do Record de 03-12-2015

400 milhões! Benfica fecha contrato histórico com a venda dos direitos de televisão à NOS até 2026
Capa do jornal Record de 03-12-2015

O maior negócio do futebol português: Benfica na NOS por €400 milhões

Encarnados recebem recorde de 400 milhões pelos jogos em casa

400 milhões de TV: Benfica celebra contrato milionário
Capa do jornal A Bola de 03-12-2015

“O maior negócio do futebol português”
“Histórico”
“Recorde”
“Contrato milionário”
“Um negócio sem precedentes em Portugal”
“águias passam a receber mais do que FC Porto e Sporting juntos”
“A marca Benfica é maior do que o país!”

O país ficou de boca aberta e isto foram algumas das coisas ditas e escritas acerca do excelente negócio (há que o reconhecer) feito entre o SL Benfica e a NOS.
Mas houve mais. Por exemplo, o jornalista António Tadeia (também comentador da RTP), escreveu o seguinte:

«O negócio do Benfica com a Nos, para a venda dos direitos televisivos dos jogos do campeão nacional àquela operadora, por valores que podem chegar aos 400 milhões de euros, veio abalar os panoramas audiovisual e futebolístico portugueses. (…) os 400 milhões que o Benfica pode vir a receber pelos dez anos de direitos televisivos dos seus jogos da Liga em casa representam uma grande vitória da estratégia montada pela direção de Luís Filipe Vieira na questão dos direitos de TV. O Benfica viu de facto mais longe que toda a gente, pois conseguiu valorizar os conteúdos relativamente àquilo que a Sport TV pagava. (…) É evidente que os direitos televisivos do Benfica valem muito mais do que os dos outros clubes (…)»
António Tadeia, 02-12-2015


Conforme se viu, leu e ouviu, apesar dos jogos dos encarnados (no Estádio da Luz) voltarem, já a partir da próxima época, a ser transmitidos pela Sport TV do “arqui-inimigo” Joaquim Oliveira, nem isso foi motivo para arrefecer o entusiasmo dos benfiquistas, jornalistas e comentadores acerca deste extraordinário contrato entre o SL Benfica e a NOS.

Miguel Almeida (NOS) e Luís Filipe Vieira a comemorar o acordo entre as duas Partes

E nem o facto de ser um "casamento" de 10 anos (épocas 2016/17 a 2025/26) foi visto como um problema, bem pelo contrário, como se percebe pela posição de Domingos Soares de Oliveira, administrador executivo da SAD do Benfica, o qual, embora assumindo haver risco em fazer um contrato a dez anos, afirmou o seguinte:
Se pensarmos um pouco como é que o mercado vai evoluir em termos da concorrência à volta de conteúdos, que é claramente uma das peças chave para conseguirmos ter alcançado o nosso valor, não tenho certezas, olhando bem o que é o mercado das operadoras de telecomunicações, tenho até algumas dúvidas que esta grande concorrência que existe hoje se possa manter em termos futuros. Portanto, havia que aproveitar o momento e foi isso que fizemos.

Ora, se o contrato entre o SL Benfica e a NOS foi excelente, algo verdadeiramente extraordinário, só possível pela dimensão do clube e potencial da marca Benfica, que dizer do acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, pelo valor global de EUR 457.500.000?

Capa de O JOGO de 27-12-2015

Eu acho que nem há adjetivos. Fabulástico foi aquilo que me ocorreu, quando soube da notícia.

E se houve quem ficasse de boca aberta com os 400 milhões de euros do contrato SLB – NOS, parece que há quem tenha ficado sem fala e a engolir em seco, com os 457,5 milhões do acordo FCP – PT.

Ainda não conhecemos, em detalhe, os pormenores deste acordo entre o Grupo FC Porto e a PT PORTUGAL SGPS SA, mas do que fui lendo (recomendo este artigo no ‘Tribunal do Dragão’) e ouvindo, só vejo aspetos positivos:

Resolução, imediata, da ausência de um patrocinador para a parte frontal das camisolas da Equipa Principal para as próximas sete épocas e meia (receita garantida até ao final da época 2022/2023). E mais, os valores referidos para esta componente do acordo – 5 milhões/época – representam um aumento de 35% em relação ao valor do contrato anterior (3.7 milhões/época).

Resolução da sustentabilidade do Porto Canal, pelo menos durante 12 épocas e meia (até 30 junho de 2028).
Os valores referidos para esta componente do acordo são, também, de 5 milhões/época, mas convém lembrar que os custos de operação do Porto Canal são muito inferiores aos da BTV.

Somando as verbas correspondentes ao…
… Direito de Transmissão do Porto Canal, pelo período de 12 épocas e meia (62,5 milhões de euros)…
… e ao Estatuto de Patrocinador Principal do FC Porto, com o direito de colocar publicidade na parte frontal das camisolas da Equipa Principal de Futebol do FC Porto, pelo período de sete épocas e meia (37,5 milhões de euros)…
… sobram 357,5 milhões de euros para os Direitos de Transmissão Televisiva + Direito de Exploração Comercial de Espaços Publicitários do Estádio do Dragão, por um período de 10 anos, com inicio em 1 de Julho de 2018.

Ou seja, com este acordo, a partir de 1 de Julho de 2018 e durante 10 épocas (2018/19 até 2027/28), as administrações da Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD, sejam elas quais forem, terão garantidos cerca de 35,7 milhões de euros por época (em média), o que é quase o dobro do contrato atual com a PPTV;
Mais 5 milhões/época correspondentes ao patrocínio da parte frontal das camisolas.

E, já agora, mais o desafogo resultante do project finance do Estádio do Dragão terminar em 2018.

Perante este cenário, não diria cor-de-rosa, mas azul e branco, se os próximos três exercícios (2015/16, 2016/17 e 2017/18) fecharem com contas equilibradas quem, a partir de 1 de Julho de 2018, tiver de gerir (financeiramente) a FC Porto SAD, terá menos dores de cabeça.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Contratos com a PT e a PPTV


Nas últimas semanas, a Futebol Clube do Porto - Futebol, SAD informou o mercado da renovação do contrato de patrocínio com a Portugal Telecom (2011/12 a 2014/15, proveitos globais mínimos de 14,6 milhões de euros) e de um novo contrato de cedência de direitos televisivos com a PPTV (2014/15 a 2017/18, valor global de 82,8 milhões de euros).

Recordo que o contrato de patrocínio anterior com a Portugal Telecom, efectuado em Setembro de 2005, previa 21,2 milhões de euros de proveitos globais fixos para um período de seis épocas (2005/06 a 2010/11), ou seja, 3,53 milhões de euros por época.
O novo contrato abrange quatro épocas, com inicio já na próxima, a uma média de 3,65 milhões de euros por época.

Quanto aos contratos anteriores com a Olivedesportos, o penúltimo previa proveitos globais de 32,25 milhões de euros para quatro épocas (2005/06 a 2008/09), o que significava cerca de 8 milhões de euros por época.
No último contrato, em vigor até 2013/14, houve um incremento de 2,3 milhões de euros por época, ou seja, o contrato actual prevê um valor global de 51,75 milhões de euros para as épocas 2009/10 a 2013/14.

No contrato agora assinado e que irá entrar em vigor na época 2014/15, a PPTV – Publicidade de Portugal e Televisão S.A. (sociedade integrada no Grupo Controlinveste), assume a posição contratual da Olivedesportos – Publicidade, Televisão e Media, S.A. e, por aquilo que percebi, irá pagar cerca de 20,5 milhões de euros pelos jogos do campeonato em cada uma das quatro épocas (de 2014/15 a 2017/18) abrangidas pelo prolongamento do contrato.

82,8 milhões de euros pelos 60 jogos do campeonato que o FC Porto irá disputar na qualidade de equipa visitada (15 jogos vezes 4 épocas) é muito ou pouco?

Depende de como for feita a análise.

i) comparando com o contrato anterior – é praticamente a duplicação do valor.

ii) valor por jogo – duvido que no mercado português haja algum outro player que oferecesse mais do que 1,38 milhões de euros por jogo (82,8 / 60).

iii) comparando com o que irão receber Sporting e slb – Esta é a grande questão, mas para a qual ainda não temos resposta. O slb diz que não vende por menos de 40 milhões de euros por época, mas vamos ver se alguém paga esse valor.

O contrato com a PPTV abrange a cedência, em regime de exclusividade, dos direitos de transmissão televisiva para território nacional e internacional. Contudo, no comunicado para a CMVM, é expressamente referido que a SAD poderá, sujeita a determinados termos e condições já acordadas, utilizar os direitos televisivos no âmbito do canal televisivo que venha a ser criado pelo Futebol Clube do Porto e/ou pela Futebol Clube do Porto – Futebol, SAD. Ora, este aspecto parece-me muito importante, sendo revelador da forte aposta que o FC Porto pretende fazer no Porto Canal.

Com o país a atravessar uma crise profunda, que não se sabe muito bem quanto tempo irá durar, nem quais as consequências a médio prazo (desemprego? carga fiscal sobre as pessoas e empresas? poder de compra? endividamento das famílias?), parece-me boa política a renovação em alta destes contratos, ambos por valores significativos para a realidade portuguesa, os quais garantem receitas seguras para anos que se antevêem muito difíceis e, inclusivamente, permitem que a SAD os possa usar como garantias no acesso ao crédito bancário.