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sábado, 9 de janeiro de 2016

As escolhas da SAD no pós-Vítor Pereira

No dia 20 de Junho de 2011, a poucos dias do início da época 2011/2012, André Villas Boas, aliciado pelos milhões do Chelsea e com medo do fantasma Mourinho (Pinto da Costa dixit), abandonou a sua “cadeira de sonho”.

Vítor Pereira e André Villas-Boas (época 2010/11)

Apesar de convidado a acompanhá-lo na aventura inglesa, o seu Nº2, Vítor Pereira, optou por ficar. Ficou no Porto, mas herdou um plantel que, por ter ganho tudo na época anterior, estava repleto de jogadores cheios de expectativas e com a cabeça noutro lado (Fucile, Rolando, Álvaro Pereira, Guarín, Belluschi, Falcao, etc.).
Para complicar a coisa, Radamel Falcao foi vendido no final de Agosto de 2011 (e a SAD só contratou Jackson um ano depois), tendo Vítor Pereira de se desenrascar com pontas-de-lança do calibre de Kléber e Walter!

Aos poucos, e após ter sido feita uma “limpeza de balneário” a meio da época (em Janeiro de 2012), Vítor Pereira foi “colando os cacos” e construído uma equipa à sua imagem.
Com essa equipa e o seu modelo de jogo, Vítor Pereira superou Jorge Jesus, quer nos duelos diretos que travaram, quer na “maratona” que são os campeonatos.

No 1º ano ganhou o campeonato 2011/2012.
No 2º ano ganhou o campeonato 2012/2013.
E nesses dois anos, num total de 60 jogos para o campeonato, perdeu apenas uma vez (em Barcelos, num jogo tristemente célebre, arbitrado por Bruno Paixão).

Pelo meio, Vítor Pereira foi sendo contestado (principalmente nos primeiros meses da época 2011/12 e após a derrota em Málaga, na época seguinte), mas também recebeu fortes elogios, inclusive de adeptos de clubes rivais.

Com ele, foram vários os jogadores – Maicon, Danilo, Alex Sandro, Mangala, Fernando, Moutinho, James, Jackson – que evoluíram e, em alguns casos, cresceram para patamares de excelência.

E quando a SAD não quis renovar com Vítor Pereira, ele saiu do seu FC Porto como um Senhor, de cabeça erguida e com a satisfação da missão cumprida.

Estamos no 3º ano do pós-Vítor Pereira e, neste período, a equipa principal do FC Porto já teve três treinadores (brevemente terá um 4º).

Paulo Fonseca: 01-07-2013 a 05-03-2014

Luís Castro: 05-03-2014 a 30-05-2014

Julen Lopetegui: 01-06-2014 a 07-01-2016

Por motivos diferentes, estas três escolhas da SAD – Paulo Fonseca, Luís Castro e Julen Lopetegui – acabaram por não alcançar os objetivos pretendidos, tendo-se revelado apostas falhadas.

Será que à 4ª tentativa, Pinto da Costa e Antero Henrique irão acertar na escolha para um dos cargos mais importantes da estrutura de qualquer clube/SAD de futebol?

A fasquia está alta, mas convém lembrar que ainda há muito para ganhar esta época – Campeonato (faltam 18 jornadas, estão 54 pontos em disputa e o Sporting tem de vir ao Dragão), Taça de Portugal (o FC Porto é o único dos três “grandes” ainda em prova) e Liga Europa.

Mais. A FC Porto SAD investiu dezenas de milhões de euros neste plantel (na aquisição de "passes" de jogadores, em empréstimos e em salários), tem o maior orçamento do campeonato português (mais de 100 milhões de euros) e, por isso, tem obrigação de lutar até ao fim por todos estes objetivos.

Pinto da Costa é o presidente mais titulado do futebol mundial e terá um lugar, para sempre, na gloriosa história do Futebol Clube do Porto. Contudo, depois de não ter renovado com um treinador bi-campeão e após três falhanços consecutivos, a responsabilidade desta Administração da SAD (particularmente de Pinto da Costa e Antero Henrique) é enorme.

Para bem do FC Porto, não pode(m) voltar a falhar.

domingo, 4 de outubro de 2015

FC Porto B, um caso de estudo

FC Porto B (fonte: O JOGO, 03-10-2015)

Ontem (sábado) à tarde, o FC Porto B foi a Olhão e mesmo sem Raul Gudiño (está nos EUA, em representação da seleção olímpica do México) e sem André Silva (a recuperar da entrada criminosa que sofreu na Tapadinha) ganhou por 2-0.

Foi a sexta vitória consecutiva do FC Porto B no campeonato da II Liga e a oitava se forem considerados jogos para outras competições. Notável!

Contudo, convém ter consciência que a II liga é uma longuíssima maratona de 46 jornadas (!) e o objetivo principal não é ser campeão, mas sim desenvolver as capacidades destes jovens jogadores e promover os melhores à equipa principal.

Seja como for e aconteça o que acontecer até ao final da época, atenção a vários dos jogadores que constituem esta equipa - Gudiño, Chidozie, Rafa, Francisco Ramos, Graça, Pité, Gleison, André Silva, etc. - e ao trabalho que está a ser feito por Luís Castro (tão criticado noutros anos).

sábado, 13 de setembro de 2014

Um lado B cinzento


Eu sei que, no Farense x FC Porto B (1-0) de hoje, o senhor Manuel Mota (o benfiquista dos talhos de Braga) expulsou o Tiago Rodrigues aos 36 minutos e que o único golo do desafio foi marcado ao minuto 88, através de um penalty assinalado contra o FC Porto.

Também sei que, em alguns dos outros jogos da equipa B, o treinador Luís Castro se tem queixado de falta de sorte e de falta de eficácia.

Mas, sejam quais forem as razões, uma coisa é certa: o balanço destes primeiros 6 jogos da equipa B – 1 vitória, 1 empate, 4 derrotas – é francamente mau.

E, se uma equipa com jogadores como Kadú, Víctor García, Lichnovsky, Rafa, Tomás Podstawski, Kayembe, Gonçalo Paciência, André Silva e Ivo Rodrigues, entre outros, não consegue fazer melhor, algo está mal.

Ou, então, teremos de concluir que este lote de jogadores promissores, ainda está demasiado verdinho para jogar contra equipas profissionais da … II Liga.

P.S. Não acham estranho um jogo entre o Farense e o FC Porto ser transmitido na Benfica TV?

quinta-feira, 24 de abril de 2014

O perfil do próximo treinador

Com o campeonato há muito perdido e após duas eliminações dolorosas, quer na Liga Europa, quer na Taça de Portugal, parece ser claro que, independentemente do que acontecer nos três ou quatro jogos que o FC Porto ainda terá de disputar até ao final desta época, o treinador interino Luís Castro não irá continuar depois do dia 11 de Maio. Consequentemente, é natural que já se especule com o nome ou, pelo menos, com o perfil que deverá ter o novo treinador dos dragões.

O JOGO, 21-10-2013
Uma das hipóteses mais faladas é a do regresso de Fernando Santos, o “engenheiro do Penta”, mas nomes como Marco Silva, Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, encaixam como uma luva no perfil que foi definido por Antero Henrique, numa grande entrevista publicada por O JOGO, em 21-10-2013.

“O FC Porto gosta de ter treinadores com muito espaço pela frente. (…) O Paulo Fonseca é mais um exemplo, a juntar a Mourinho, Villas-Boas, Vítor Pereira, a todos os treinadores que praticamente começaram a sua carreira no FC Porto e que, a partir daí, foram por aí fora.”

Entre estes três “treinadores com muito espaço pela frente”, Marco Silva parece ser o que está melhor colocado para tentar seguir as pisadas de José Mourinho MAS…, ao contrário de Nuno Espírito Santo ou Sérgio Conceição, não conhece o FC Porto por dentro e nunca andou pelo balneário de um clube grande.

Em qualquer dos casos, será sempre uma aposta de alto risco e, em 2014/2015, a dupla Pinto da Costa / Antero Henrique não se pode dar ao luxo de voltar a falhar estrondosamente na escolha do treinador.

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A fina ironia



André Gomes, antigo jogador dos escalões de formação do Porto, durante a vigência do patético projecto Visão 611, marca o golo que afasta da final da Taça de Portugal, o mesmo Porto, treinado por Luís Castro, figura de proa ... do projecto Visão 611. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Juntar os cacos…

«O trajeto de Paulo Fonseca no FC Porto tem sido marcado por muitos desvios. (…) Quintero chegou a ser um salvador, mas em 2014 ainda nem esteve em campo o tempo equivalente a um jogo completo. Licá começou a época em grande plano, mas no início de outubro já tinha perdido o lugar. Kelvin foi recuperado a dada altura, mas rapidamente «desapareceu». Maicon chegou a relegar Otamendi para o banco, para agora ser suplente de Abdoulaye, recuperado do empréstimo ao V. Guimarães no último dia do mercado.»
Nuno Travassos, 25-02-2014


Luís Castro no 1º treino (fonte: www.fcporto.pt)

«Nesta quarta-feira, véspera da importante visita a Sevilha, Luís Castro cumpre um mês como treinador do FC Porto. (…) para além da fria análise aos resultados há que ter em conta a forma como Luís Castro conseguiu juntar os cacos. Desde logo invertendo o meio-campo para a disposição habitual nos últimos anos, algo a que Paulo Fonseca sempre resistiu.

Castro teve também a coragem de apostar consistentemente em Diego Reyes, que continuará a cometer erros pontuais, mas integrados no processo natural de evolução de um jovem que vai dar muito dinheiro à SAD. O técnico tem também mérito na recuperação de Quintero, mesmo que o talentoso colombiano não tenha ainda lugar no «onze», e teve sobretudo a audácia de olhar para Ghilas como algo mais do que o suplente de Jackson Martínez. Entender o argelino como alguém compatível com o «Cha Cha Cha», e não apenas quando o resultado é desfavorável.»
Nuno Travassos, 08-04-2014


Extractos de dois artigos de opinião do jornalista Nuno Travassos, autor de um espaço de análise técnico-tática no site Maisfutebol.

Os dois artigos completos podem ser lidos em:

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Bolas aos postes e golos anulados…


«As balizas são constituídas por dois postes verticais equidistantes das bandeiras de canto e unidos na parte superior por uma barra transversal horizontal. Os postes e a barra deverão ser de madeira, metal ou outro material aprovado. Poderão ter forma quadrada, rectangular, redonda ou elíptica e não deverão constituir nenhum perigo para os jogadores.
A distância entre os dois postes é de 7,32 m e a distância do bordo inferior da barra transversal ao solo é de 2,44 m.
Os dois postes e a barra devem ter a mesma largura e espessura, que não devem exceder 12 cm. (…)»
Lei 1 - Terreno de Jogo


Desde que Luís Castro substituiu Paulo Fonseca no comando técnico da equipa de futebol principal do FC Porto, os dragões disputaram 8 jogos num intervalo de apenas 26 dias (entre 9 de Março e 3 de Abril).

8 jogos do FC Porto sob o comando de Luís Castro (fonte: zerozero.pt)

Para além da melhoria verificada no desempenho global da equipa portista (apesar dos sucessivos impedimentos de jogadores, por lesão e castigo, e do calendário difícil que teve de enfrentar neste período), há um fenómeno comum a esses oito jogos: bolas nos postes das balizas adversárias.

FC Porto x Arouca (09-03-2014)

8’: Ao poste! Jackson cabeceou e a bola foi ao poste da baliza defendida por Cassio.


FC Porto x Nápoles (13-03-2014)

21’: Golo mal anulado ao FC Porto! Jackson cruzou para Carlos Eduardo, que finalizou com sucesso, mas foi assinalado (erradamente) fora-de-jogo.

82’: Ao poste! Bola desviada por Quintero, foi directa ao poste de uma baliza completamente escancarada.


Sporting x FC Porto (16-03-2014)

29’: À trave! Quaresma flectiu da esquerda para o meio e rematou com força e em arco, fazendo a bola passar por cima de Rui Patrício e bater na trave.


Nápoles x FC Porto (20-03-2014)

33’: Ao poste! Jackson cabeceou e a bola “beijou” o poste da baliza defendida por Pepe Reina.

72’: Ao poste! Defour, lançado em contra-ataque, entrou na área, rematou, mas acertou no poste.


FC Porto x Belenenses (23-03-2014)

27’: Golo mal anulado ao FC Porto! Josué cruzou para Jackson Martínez, o qual saltou mais alto que o defesa do Belenenses (João Meira) e cabeceou para o fundo das redes, mas o golo foi anulado por pretensa irregularidade.

30’: Ao poste! Varela cabeceou, Matt Jones ficou parado a “defender com os olhos”, e a bola foi ao poste.

81’: À trave! Livre executado por Quintero e a bola bateu estrondosamente na trave.


FC Porto x Benfica (26-03-2014), Taça Portugal

77’: Ao poste! Recepção fantástica de Jackson, que ficou isolado e rematou ao poste da baliza defendida por Artur.


Nacional x FC Porto (30-03-2014)

59’: Ao poste! Na execução de um penálti, Quaresma enganou o guarda-redes, mas rematou “demasiado colocado” e a bola foi ao poste.

78’: Golo mal anulado ao FC Porto! Jackson saltou antes e mais alto que o defesa do Nacional (Marçal) e cabeceou para dentro da baliza, mas João Capela anulou o golo, assinalando uma pretensa falta do ponta-de-lança colombiano.


FC Porto x Sevilha (03-04-2014)

44’: Ao poste! Espectacular remate de Defour à entrada da área, com Beto a voar e a desviar ligeiramente a trajetória da bola com as pontas dos dedos, que foi bater no poste esquerdo da baliza do Sevilha.

90’+2: Ao poste! Livre de Quaresma, a bola bateu na barreira e, na recarga, novo remate do “mustang”, com a bola a desviar num defesa do Sevilha e ir embater novamente no poste esquerdo da baliza defendida por Beto.


Resumo: 8 jogos, 11 bolas nos postes da baliza adversária (!!!) e 3 golos do FC Porto mal anulados pelos árbitros!

É verdade que o futebol tem algo de aleatório e ter “azar/sorte” num jogo é algo que acontece, a todas as equipas, de tempos a tempos. Contudo, em cerca de 35 anos a acompanhar os jogos do FC Porto, não me lembro de alguma vez ter assistido a oito jogos seguidos, com o FC Porto sempre a enviar, pelo menos, uma bola aos postes da baliza adversária. Será recorde nacional/europeu/mundial?

P.S. Havia quem recorresse, frequentemente, ao “azar/sorte/infelicidade/...”, como argumento para justificar os maus resultados do FC Porto de Paulo Fonseca. Bem, se esse argumento era válido para Paulo Fonseca, o que dizer da “sorte” de Luís Castro?

segunda-feira, 31 de março de 2014

Assim é difícil ganhar…

“Se trabalhamos uma equipa com uma defesa subida, bem articulada, para manter uma linha forte, para colocar o adversário em fora de jogo, os jogadores ficam desconfiados se depois, em dois jogos fora [sporting x FC Porto e Nacional x FC Porto], são validados dois golos em fora de jogo. Mais vale jogar mais atrás… Portanto, o quadro vai muito para além de se constatar os fora de jogo, atinge o trabalho semanal que fazemos”.

Fora de jogo que precedeu o golo dos calimeros

Fora de jogo que precedeu o 1º golo do Nacional

“O primeiro golo do Nacional é obtido em fora de jogo [as imagens televisivas provam que há dois jogadores do Nacional, à frente do árbitro assistente, em situação de claro fora de jogo]. Criámos várias situações de golo e chegámos ao empate; marcamos outro golo, mas não foi validado, quando era um golo limpo e tudo isso condiciona o estado de espírito dos jogadores que, apesar de terem feito uma boa segunda parte, perderam algum discernimento, fruto daquilo que ia acontecendo. Sentiram que era difícil ganhar assim.”

Tribunal de O JOGO unânime: golo limpo anulado ao FC Porto

“É natural que, quando estamos a desenvolver o nosso jogo, quando sentimos que estamos a ser prejudicados, percamos o nosso equilíbrio. Há situações difíceis de aceitar, é difícil falar da equipa quando sentimos que nos estão a desequilibrar”.

Declarações de Luís Castro, na conferência de imprensa após o Nacional x FC Porto.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Não matem as promessas

O jogo com o SLB foi muito bem conseguido e respeitou o guião. Um FCP forte e um visitante que entrou cheio de medo, como habitualmente, e não produziu tanto quanto prometiam os seus adeptos e a maioria da comunicação social, que já nos tinha passado a certidão de óbito pela degola de que íamos ser vítimas.

Fizemos uma primeira parte sempre por cima e quando estivemos menos bem, conseguimos disfarçar algumas fragilidades que ainda se notam e sair com a vitória no bornal; o resultado pecou por escasso, porque há uma segunda mão na Luz mas, ainda assim, foi uma cabazada de um a zero, como diria Mourinho. Uma equipa que parecia ter caído na inevitabilidade da derrota ao menor percalço, está mais personalizada e confiante, desde que LC tomou conta da equipa, pois já consegue mitigar e ultrapassar bem melhor as suas insuficiências. Mas, há um longo caminho a percorrer e a SAD não deve deixar de ler o que correu mal e avaliar o que ainda não está bem. 

O FCP teve dificuldades com o Belenenses e vai continuar a tê-las. Não acabaram, ontem. Desde AVB que o nosso erário tem sido desvalorizado: o saldo das vendas tem sido muito positivo financeiramente e deficitário na vertente desportiva. Não é uma crítica, é uma constatação. Os êxitos de VP disfarçaram essa corrosão e as críticas maiores, ainda nesse período, foram sempre dirigidas ao treinador. Por isso, o que veio por mal pode acabar bem, se soubermos ler os sinais e actuar em conformidade; a época de 2014/15 promete ser complicada e tem de ser gerida com muita sabedoria, até porque estão, na porta de saída, jogadores fundamentais e a entrada directa na CL é quase uma miragem.
                                                                                                                                      

Mas, os treinadores não seguem sozinhos na vertigem crítica dos adeptos: há ciclicamente jogadores sujeitos a marcação cerrada ou por serem velhos, ou por serem novos, ou porque sim. Por estes dias, o Carlos Eduardo que foi o herói em alguns jogos é sujeito às mais severas dúvidas quanto à sua valia. Foi muito bem substituído em Nápoles, mas acho que Carlos Eduardo tem tudo para ser um elemento valioso, mas como toda a equipa do FCP sente dificuldades quando se bate com equipas muito fechadas ou quando é sujeita a uma grande pressão. O FCP integrou, esta época, jovens de muita qualidade: Carlos Eduardo, Reyes, Herrera, Quintero, Ricardo, Josué, Ghilas e Licá. Alguns, provavelmente, não resistirão e ficarão pelo caminho, mas precisam dum treinador competente e de todo o seu magistério de influência para evoluírem e se integrarem no modelo da equipa. Se Luís Castro o fizer com lucidez e os sócios e adeptos forem capazes de compreender que aqueles atletas vivem um período de transição e aprendizagem, talvez a pressão que se abatata sobre esses jovens seja apenas a necessária para um desempenho profissional apropriado. Por favor, não matem as promessas antes do necessário tempo de maturação. Este pedido é obviamente extensivo aos decisores a quem cabe, prioritariamente, esse dever.
 

terça-feira, 25 de março de 2014

Mais de 3000 minutos

«Numa altura em que, como disse Jorge Jesus, o trabalho quase se divide entre jogar, recuperar e voltar a jogar, o Benfica, como o provou com a Académica, tem a vantagem de lidar com sistemas de jogos consolidados, enquanto o FC Porto reaprende a jogar no modelo do sucesso de outras épocas na altura mais crítica da temporada. (...)
A fartura tem permitido a Jorge Jesus gerir o esforço das peças nucleares. (...) Enquanto o Benfica gere, o FC Porto está em contrarrelógio. Nesta altura de sobrecarga, Luís Castro não pode permitir-se cuidar apenas do processo jogo-recuperação-jogo, pedem-lhe que altere o rumo dos acontecimentos, começando pela forma de jogar. E tem jogadores em claro sub-rendimento devido a excesso de jogos, como acontece com Danilo e Alex Sandro, jogadores de qualidade que só saem da equipa por castigo ou lesão e vão pagando a fatura com intermitência exibicional.»
Carlos Machado, O JOGO, 25-03-2014


Luís Castro herdou de Paulo Fonseca uma equipa que vinha de 4 jogos sem ganhar (E-D-E-E), com o campeonato virtualmente perdido (estava a 9 pontos da liderança) e cheia de problemas por resolver – modelo de jogo, equipa desorganizada dentro de campo, falta de confiança, etc.

Entre os muitos problemas, um dos pouco falados era (é) o desgaste de uma parte significativa dos habituais titulares, os quais, por terem sido exaustivamente utilizados em todas as competições (Campeonato, Liga Campeões, Liga Europa, Taça Portugal, Taça Liga), acumulavam demasiados minutos nas pernas.

Nesta altura, cinco dos jogadores que Luís Castro tem à sua disposição já têm mais de 3000 minutos nas pernas (sem contar com os jogos pelas respetivas seleções):
Jackson: 3459’
Alex Sandro: 3421’
Danilo: 3355’
Fernando: 3234’
Mangala: 3155’

E Varela anda lá perto (2879’).

Penso que este é um dos aspectos que ajuda a explicar o menor fulgor de jogadores como Alex Sandro, Danilo ou Jackson.

Comparando com o adversário de amanhã, que está nas mesmas competições do FC Porto, verifica-se que apenas dois jogadores do slb têm mais de 3000 minutos:
Luisão: 3360’
Garay: 3174’

E jogadores fundamentais como Enzo Pérez, Lima ou Gaitan têm menos minutos nas pernas que Varela.

Quando ainda terá de disputar, pelo menos, 11 jogos (990 minutos) até ao final da época, muitos dos quais decisivos e onde o treinador não poderá fazer grandes poupanças, este é mais um dos factores que complica a vida de Luís Castro.

Nota: A fonte para o número de minutos referidos neste artigo foi o jornal O JOGO de 25-03-2014.

quinta-feira, 20 de março de 2014

Massacre napolitano termina na Quaresma

FC Porto x Nápoles (fonte: REUTERS)

Que jogo!

O Nápoles entrou a todo o gás, encostou o FC Porto às cordas e os primeiros 20 minutos (até ao 1-0) foram de autêntico massacre.
Com a equipa portista a denotar enormes dificuldades em sair a jogar e com um quarteto defensivo improvisado (Danilo, Reyes, Mangala, Ricardo), que no início do jogo mais parecia um queijo suíço, cheguei a recear que o FC Porto saísse do San Paolo vergado a uma derrota pesada.

Mas, depois de estar em vantagem no marcador, o Nápoles, sem nunca deixar de dominar o jogo e de criar oportunidades, abrandou e permitiu que os dragões respirassem.

Contando com um enorme Mangala a comandar a defesa, uma dupla de médios (Fernando e Defour) incansável e um gigante na baliza, o FC Porto resistiu até aos 63 minutos, mantendo a eliminatória empatada.

E foi nesse momento que Luís Castro mexeu, invertendo a tendência de um jogo em que a equipa esteve várias vezes à beira do precipício e fazendo aquilo que parecia impossível no início – eliminar um grande Nápoles em pleno San Paolo.

Luís Castro (Nápoles x FC Porto, REUTERS)

Aos 63’, Luís Castro trocou um abúlico Carlos Eduardo por um aguerrido Josué, mas o momento decisivo foi aos 66’, quando retirou do campo um inconsequente Varela (talvez a sua pior exibição dos últimos meses) e colocou em campo o “esfomeado” Ghilas.
Com esta substituição Luís Castro mostrou arrojo, mostrou que queria marcar e não aguentar o resultado até ao prolongamento, mostrou que temos treinador.

E como a “sorte” protege os audazes, três minutos após o argelino ter entrado em campo, Fernando arrancou, fez um excelente passe vertical a desmarcar Ghilas, o qual, à entrada da área, rematou colocado, sem dar qualquer hipótese a Pepe Reina.
1-1 e, a partir daí, a eliminatória virou definitivamente a favor do FC Porto.

Aos 72’ é Defour (quantos quilómetros correu o belga?) que se isola e remata ao poste (para quem explica os resultados recorrendo sistematicamente ao argumento da sorte/felicidade/estrelinha, recordo que, no computo global desta eliminatória, o FC Porto enviou duas bolas ao poste e teve um golo mal anulado).

E aos 76’, o San Paolo assistiu a um hino ao futebol.
Danilo sobe pelo corredor direito, Josué dá de calcanhar para Quaresma e depois um momento de magia, em que me apetece citar António Oliveira (após um FC Porto x Marítimo, disputado nos anos 70): “Quem viu, viu, quem não viu, tivesse visto”.

Ricardo… QUARESMA! (Nápoles x FC Porto, REUTERS)

Daí até ao fim, Rafa Benítez e os seus jogadores nunca desistiram. O Nápoles haveria mesmo de chegar ao justo golo do empate, já em período de descontos, mas o vencedor da eliminatória tinha ficado carimbado no momento Quaresma.

Ainda haverá alguém que questione a contratação e regresso do genial Ricardo Quaresma ao Dragão?

P.S. Espero que o sorteio de amanhã não coloque a Juventus ou o slb no caminho do FC Porto (já chega os 4 jogos entre dragões e águias que estão previstos até ao final da época).

domingo, 9 de março de 2014

Para hoje


Antes das grandes questões que há a corrigir, existem uma meia-dúzia de aspectos que não carecem de grandes análises técnico-tácticas e, por isso mesmo, devem ser as primeiras a ser solucionadas pelo novo treinador.

A saber:

- Diminuir drasticamente o número de faltas e infracções cometidas pela nossa equipa, principalmente por médios e defensores. A abordagem ao adversário, deverá passar pelo intensificar da pressão sobre o mesmo de modo a que seja este a cometer erros e, de um modo nao-faltoso, a bola poder transitar rapidamente e sem interrupções arbitrais para o nosso lado;

- Os lançamentos laterais devem ser agilizados. Quanto mais tempo se perde a pensar numa solução, mais adversários se aproximarão. Se existem dois jogadores prontos a executar esta acção, não é necessário perder tempo à espera da chegada do lateral;

- Insistir menos pelas faixas e tentar mais frequentemente “rasgar” a defesa adversária pelo meio, quer por meio de triangulações, quer por aberturas;

- Terminar, de uma vez por todas, com aqueles intermináveis 5 minutos de palestra aos jogadores que vão entrar a substituir um colega. Para além do ridículo de se estar a mostrar uma série de desenhos a que o jogador, obviamente, não está a prestar grande atenção, a lição já deve vir estudada da semana de trabalho. Cada jogador deve saber de cor e salteado o que tem que fazer em campo, quer seja titular ou suplente;

- Evitar protestos para com o árbitro. É certo e sabido que eles estão lá para não nos facilitar a vida. A nossa “raiva” deve ser, ao invés, transposta para a bola jogável. É quando esta rola que devemos demonstrar toda a nossa insatisfação pelo desenrolar dos acontecimentos;


terça-feira, 28 de janeiro de 2014

De Caballero para burro

«Tal como A BOLA revelou hoje, os paraguaios do Libertad estão ao corrente do interesse do Benfica na esperança Mauro Caballero. O presidente do clube paraguaio, Carlos Guggiari, em declarações à Rádio Renascença, confirmou o alegado interesse por Maurito, de 17 anos, mas esclareceu que ainda não existe nenhum contacto oficial.»
in abola.pt, 19-04-2012


«O Benfica tem dois concorrentes de muito peso na corrida pelos direitos do avançado Mauro Caballero, de 17 anos, que representa o Libertad. De acordo com o paraguaio Diario Popular, o Real Madrid e o Barcelona seguem atentamente o jogador, que se destacou nas camadas de formação da seleção paraguaia.
Em 2009, Maurito, como é conhecido, participou no campeonato sul-americano de sub-15, que o Paraguai conquistou com um golo do avançado, que nessa competição foi vice-goleador, título pessoal que voltaria a repetir em 2011 (sub-17), com cinco golos.
O jovem jogador tem paulatinamente conquistado o seu espaço na primeira equipa do clube de Assunção, no qual se tem destacado na Taça Libertadores, na qual já assinou dois golos, chamando a atenção dos colossos europeus.»
in abola.pt, 08-05-2012


«Augusto Paraja, empresário que tratou das negociações entre o Benfica e Mauro Caballero, decidiu revelar os motivos que levaram ao rompimento do pré-acordo que existia entre o jogador e os encarnados.
“O Mauro Caballero assinou um papel onde aceitou as condições que lhe oferecia o Benfica, mas depois negou. (…) Se assinas um papel é para cumprir. Agora, rasgou a passagem, o salário, os prémios, a casa, tudo... Não há explicações quando tens algo assinado. Se tens uma oferta melhor e não tens nada assinado, tudo bem, mas ao contrário não.”
Augusto Paraja, 13-06-2012, em declarações à imprensa paraguaia


«Mauro Caballero tem tudo para ser jogador do FC Porto a partir de janeiro. O avançado já acordou um contrato de cinco épocas com o clube português e, nesta fase, não há qualquer direito legal do Libertad sobre ele, a não ser os direitos de formação, que de uma forma ou outra teriam sempre de ser pagos.»
in ojogo.pt, 04-11-2012


«Mauro Caballero, avançado que o FC Porto contratou ao Libertad, chegou ao Porto na manhã desta terça-feira [8 janeiro de 2013].»
in ojogo.pt, 08-01-2013


“Estou muito contente pela confiança que me estão a dar. Quero adaptar-me o mais rápido possível para devolver a confiança. (…) Deram-me boas referências do FC Porto. É um clube muito grande e já queria a minha chegada há muito tempo. É um grande desafio para mim. (…) Sou ponta de lança goleador. Quero títulos e o carinho das pessoas. Quero muita glória.”
Mauro Caballero, 09-01-2013, em declarações ao Porto Canal


«Aquisição dos direitos de inscrição desportiva assim como 100% dos direitos económicos do jogador Caballero à MHD, S.A. por 2.000.000 USD»
in Relatório e Contas da FC Porto SAD, do 1º Semestre de 2012/2013

Relatório e Contas Consolidado da FC Porto SAD, 3º Trimestre de 2012/2013

O primeiro jogo de Caballero pela equipa B, após um longo período de paragem (devido a um conflito com o seu anterior clube), foi apenas no dia 2 de Março de 2013, correspondente à 30ª jornada do campeonato 2012/13 da II Liga.

Em 24 de Julho de 2013, publiquei um artigo onde escrevi o seguinte:

Mauro Caballero parece-me promissor, mas tem 18 anos e só chegou ao Porto no início deste ano, tendo participado em apenas 13 jogos da equipa B (entre Fevereiro e Maio).
Não sei se este avançado paraguaio vai dar grande jogador mas, por aquilo que vi na época passada, para além de uma agressividade natural, já denota algumas movimentações à ponta-de-lança.
É óbvio que, para já, ainda não tem a maturidade suficiente para integrar o plantel principal mas, na época que agora começou, vai ser trabalhado por Luís Castro (que substituiu Rui Gomes como treinador da equipa B) e veremos o tipo de crescimento que irá ter.

Mas a realidade é que Caballero nunca foi aposta de Luís Castro, quer como ponta-de-lança, quer como 2º avançado e, em termos de utilização na época 2013/2014, Maurito contabiliza apenas 429 minutos nos 11 jogos (4 como titular) em que participou.

Utilização de Caballero na época 2013/2014 (fonte: zerozero)

Até que hoje soube-se o seguinte:
«O paraguaio Mauro Caballero é reforço do Penafiel, até ao fim da época 2013/2014, por empréstimo do FC Porto, anunciou hoje o clube da II Liga de futebol.
O provável substituto de Rafael Lopes – transferido para a Académica de Coimbra no mercado de inverno – chegou esta terça-feira a Penafiel e fará já hoje, às 15:30 horas, o primeiro treino ao serviço da equipa penafidelense.»

Deixa ver se eu percebi.

Ao serviço das seleções jovens do Paraguai, Mauro Caballero destacou-se como goleador nos campeonatos sul-americanos de sub-15 e sub-17.

Em 2012 (entre 25 de Janeiro e 7 de Outubro), ao serviço do Libertad e com apenas 17 anos, participou em 14 jogos da Liga Paraguaia Apertura (2 golos), 4 jogos da Liga Paraguaia Clausura e 6 jogos da Copa Libertadores (2 golos).

Utilização de Caballero, ao serviço do Libertad, em 2012 (fonte: zerozero)

A partir de Março de 2013 (quando o diferendo entre o FC Porto e o Libertad foi resolvido pela FIFA), Caballero foi sendo integrado gradualmente por Rui Gomes (ex-treinador da equipa B), tendo participado em todos os jogos da equipa B entre as jornadas 30 e 42 do campeonato 2012/2013 da II Liga.

Utilização de Caballero na época 2012/2013 (fonte: zerozero)

Após a adaptação à cidade, clube e futebol português estar concluída, esperava-se que 2013/2014 fosse a época de afirmação de Caballero, quer como titular da equipa B (na minha opinião, tem características de 2º avançado), quer com algumas chamadas à equipa principal (em jogos menos importantes).

Nada disso se passou e, pelo contrário, perante uma utilização muito baixa na equipa B do FC Porto, Caballero foi “desterrado” para Penafiel.

É estranho. Eu pensava que a equipa B era o espaço ideal para jogadores muito jovens, como Caballero, se integrarem, adaptarem, “beberem a cultura do clube”, potenciarem as suas qualidades e fazerem a transição para a equipa principal.

Afinal, parece que não. Para que serve, então, a equipa B?

(*) O título deste artigo é algo provocador (de discussão, assim espero) mas, evidentemente, não pretende atingir e/ou ofender o jogador Caballero ou o seu novo clube, o FC Penafiel.