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sábado, 18 de abril de 2015

3 pontos a pensar em Munique

15 de Abril de 2015, 19:45: hora de início do FC Porto x Bayern Munique
21 de Abril de 2015, 19:45: hora de início do Bayern Munique x FC Porto

No interesse do FC Porto, mas também do futebol português (quantas vezes é que as meias-finais da UEFA Champions League tiveram a participação de um clube português?), o FC Porto x Académica não devia ter sido disputado hoje.

Contudo, como a Liga não aceitou o adiamento do jogo e, ainda por cima, o presidente dos árbitros, o senhor Vítor "Sistema" Pereira, teve o descaramento de nomear o "artista" Duarte Gomes, Julen Lopetegui fez o que tinha de fazer e escalou um onze inicial a pensar no jogo mais difícil e, talvez, mais importante que os dragões irão disputar esta época: o Bayern München x FC Porto da próxima terça-feira, no Allianz Arena.

Assim, fora do onze inicial, ficaram Maicon, Marcano, Indi, Casemiro, Herrera, Óliver, Brahimi, Quaresma e Jackson, que se prevê irem ser titulares em... Munique.

Pensei que Ricardo também ia ser poupado e que Danilo (que não poderá jogar em Munique) iria jogar. MAS, atendendo a que Danilo está no limiar dos cartões amarelos (o árbitro era Duarte Gomes!!) e que Ricardo precisa de ganhar algum ritmo de jogo, Lopetegui fez bem em o ter escolhido para o onze inicial.

Ricardo

Perante estas escolhas, suponho que ninguém estaria à espera de uma exibição de luxo. Isto não é pegar em 11 jogadores, por melhor que eles sejam, mandá-los lá para dentro e agora, olhem, entendam-se...
O futebol é um jogo colectivo e, para as coisas saírem bem, é preciso entrosamento, rotinas, mecanização, movimentações treinadas, jogadas estudadas, etc. e ritmo de jogo.

Mesmo assim, o jogo poderia ter ido para intervalo com o FC Porto a ganhar por 4-1 e podia ter terminado 7-2.
Não foi assim. Apesar das oportunidades flagrantes, para os dois lados, só houve um golo, marcado por Hernâni, que me pareceu um dos mais empenhados, no tal jogo que não deveria ter sido disputado hoje.

Quaresma e Brahimi, de fora, dão os parabéns a Hernâni

Em sentido contrário esteve Quintero, que voltou a desperdiçar a n-ésima oportunidade que Lopetegui lhe concedeu.
O que se passa com este rapaz? Quer seguir as pisadas dos seus compatriotas Falcao, Guarín e James?
OK, mas primeiro tem de mostrar o que vale, porque ter um talento inato não chega.

Quem também esteve abaixo do que seria expectável foi Aboubakar, ao ponto de obrigar Lopetegui a substituí-lo por Jackson, a cerca de 10 minutos do fim. Aliás, o ponta-de-lança camaronês deve ter consciência que fez um jogo muito fraco, porque me pareceu ter saído chateado consigo próprio.
Se Aboubakar continuar a jogar a este nível e confirmando-se a pré-anunciada saída de Jackson no final da época, a SAD terá de ponderar uma ida ao mercado.

Em resumo, este jogo valeu pelos 3 pontos, por mais ninguém se ter lesionado e por não haver castigados para o jogo da Luz.

E agora, Munique...

Os adeptos também a pensar em Munique

segunda-feira, 23 de março de 2015

Uma 2ª Parte para recordar

Texto de Miguel Lourenço Pereira


Ainda faltam algumas jornadas para o término do campeonato, mas parece claro que o último fim-de-semana irá ter contornos decisivos, que nos acompanharão até ao fim do curso.

Era muito difícil que o Benfica – e a sua legião de admiradores de negro – conseguissem perder pontos antes do Clássico da Luz. E, ainda assim, em Vila do Conde, uma inesperada derrota dos encarnados, permitiria ao FC Porto – que entrava minutos depois na Choupana – reduzir a um misero ponto uma diferença pontual que, há umas semanas atrás, parecia irrecuperável.

Alguém se lembrou, seguramente, de 2012/13. Eu, pelo menos. O que se seguiu foi uma vergonhosa exibição na Madeira, sobretudo para uma equipa que sabia que tinha em mãos a melhor oportunidade da temporada para vencer um campeonato que, a todos, estava entregue à partida.

Esta época, o FC Porto perdeu 5 pontos na Madeira e esses podem ter sido precisamente os pontos que nos separam to titulo.

O que também se viveu na ilha, foi uma nova demonstração de erros de gestão de plantel e de cálculo de Julen Lopetegui em momentos de aperto. Sobretudo no segundo tempo.

O Porto chegou ao intervalo a ganhar. Não o merecia, propriamente. Tivera mais a bola, mas causara pouco perigo. O golo brilhante de Tello tapava muitas deficiências do jogo coletivo. Mas era um golo de 3 pontos, como se costuma dizer.

Para os segundos quarenta e cinco minutos era, simplesmente, necessário fazer o mais fácil, deixar o relógio correr, controlar o jogo e procurar ampliar a vantagem em lances pontuais. Sucedeu o oposto.

Tudo começou com a saída de Casemiro, ao minuto 52.

Não sei porque Lopetegui decidiu tirar o brasileiro. Tinha amarelo, sim, mas até então o jogo não tinha sido duro, não tinha exigido a Casemiro uma acumulação de faltas que o levasse a uma eventual expulsão. Quase todos os médios jogam largos minutos com amarelo e não saem por isso.

Há a possibilidade de que Casemiro – como quase todos em campo – tivesse problemas físicos já ao intervalo. Tentou aguentar, não conseguiu e pediu para sair. É um cenário possível que levanta outra questão, a do péssimo planeamento do plantel para uma posição chave, esse imenso flop que foi Campaña e a ausência de um médio defensivo de raiz no plantel, porque Lopetegui queria apenas um perfil muito concreto de jogador e que era demasiado caro para a SAD (Darder, Clasie, Camacho...).

Tendo em conta o estádio onde se jogava, a importância do jogo e a natureza do rival, a saída de Casemiro exigia um perfil próprio para a posição. Basicamente, qualquer jogador, menos Rúben Neves.

Evandro e um "carro de combate" do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Gosto muito, muito do Rúben, mas nem ele é um seis de raiz, nem tem capacidade física para aguentar um meio-campo sozinho num jogo de máxima tensão longe de casa. Rúben está em processo de crescimento, é um interior reconvertido e tem tido um excelente primeiro ano. Mas na Madeira foi “queimado” por Lopetegui.

Que podia ter feito o espanhol?

Subir Marcano ou Maicon para a posição de pivot e colocar Indi, por exemplo. Era importante segurar a vitória, mais do que procurar a nota artística. Não era noite para floreados. Mas Lopetegui é teimoso, acredita que o seu estilo prevalece sobre as circunstancias – viu-se no Estoril, contra o Boavista (em casa), contra o Marítimo – e a partir daí o meio-campo perdeu-se.

Herrera estava só, porque Evandro fisicamente não podia (a gestão do plantel, outra vez em questão, face ao claro mau estado físico de muitos jogadores).

Herrera cercado por jogadores do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Nesse cenário o Nacional cresceu. Procurou transições laterais rápidas, porque os alas estavam expostos. Não havia ajudas dos interiores nem dos extremos. João Aurélio parecia a reencarnação de Cafu e, ainda para mais, Alex Sandro estava em modo de não meter o pé e não correr mais do que o básico.

O perigo multiplicou-se e o Nacional deu sucessivos avisos. Lopetegui, impávido, voltou a errar. Ciente de que o meio-campo se perdia, lançou Quintero e Quaresma para os lugares de Evandro e Brahimi. Manteve o 4-3-3, mas deixou em campo um leque de jogadores macios, sem capacidade pressing, proclives a perder a bola e não recuperar. Abdicou de tudo aquilo que funcionou contra o Basileia. O descalabro foi inevitável. Rúben, Quintero e Herrera no meio e Quaresma, Tello e Aboubakar no ataque foram trucidados por um Nacional que pressionava, recuperava e lançava rápidos contra-ataques sem encontrar resistência. Marcaram um, podiam ter sido dois ou três. O título – perdido na Madeira, se é que está perdido – foi-se por má gestão táctica do colectivo.

O que podia e devia ter feito Lopetegui?

Dando por descontado que não queria quebrar a dupla de centrais (inconsequente num jogo assim a meu ver) e que Rúben entraria por Casemiro, o espanhol devia ter mudado o esquema de jogo de um frágil 4-3-3 para um mais compacto 4-4-2, quando o meio-campo deu os primeiros sinais de fraqueza.

Defender o resultado segurando o meio-campo. Procurando ter a bola e que ela circulasse, explorando dois avançados moveis nos espaços. Podia tê-lo feito de distintas maneiras.

Colocando Oliver no lugar de Brahimi, deixando Tello e Aboubakar nas alas, garantia mais posse, mais clarividência no jogo e as alas fechadas às incursões do Nacional. Deixava Tello em liberdade para explorar diagonais e Aboubakar a prender os centrais.

Outro cenário seria o de retirar Aboubakar e Brahimi e apostar em Quaresma e Oliver, com duas setas no ataque e um meio-campo de quatro.

Havia ainda uma terceira opção, a de colocar a equipa num claro 4-5-1 com Brahimi e Oliver acompanhados de Rúben, Herrera e Evandro no meio e Aboubakar ou Tello só no ataque. Os 3 pontos valiam o sacrifício e isso teria reduzido ao mínimo qualquer opção do Nacional.

Evandro a lutar contra o meio-campo do Nacional (fonte: Maisfutebol / REUTERS)

Qualquer um destes três cenários alternativos teria garantido tudo aquilo que as opções de Lopetegui não deram: controlo da bola e do espaço. Um ritmo de jogo imposto pelo nosso meio-campo, a exploração das diagonais entre o meio-campo e a defesa do Nacional e o impedimento de que os laterais pudessem subir em demasia para criar perigo. Lopetegui foi teimoso, mantendo o 4-3-3 com os jogadores mais macios que tinha e com isso provocou um naufrágio colectivo.

Um treinador está para treinar durante a semana – e aí o trabalho de Lopetegui tem sido positivo – mas também está para adaptar-se aos acontecimentos durante o jogo. Nesse cenário o espanhol ainda tem muito que aprender. O Porto raramente produz reviravoltas, a equipa raramente altera o esquema táctico e, num jogo de capital importância, exige-se mais ao líder do colectivo.

Duas viagens à Madeira complicadas, cinco pontos perdidos e a dupla sensação de um plantel mal definido com o seu consequente desgaste e, sobretudo, de um treinador que toma decisões erradas em momentos críticos.

Duas áreas a melhorar – e muito – para o próximo ano. Será difícil que o Benfica volte a perder pontos e será difícil ganhar por 0-2 na Luz (e ter um melhor goal-average). Mas talvez o mais difícil será não repetir erros cíclicos como tem sucedido esta temporada.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Desalento e dúvida


Quando a coisa corre mal (o que tem sido recorrente para uma equipa que quer ser campeã) é natural que se façam críticas a tudo o que mexe e o seu contrário. Os adeptos têm o direito e o dever de ser exigentes e de assumir o seu descontentamento. Com inteligência e contenção, de preferência. Estrutura, equipa técnica e jogadores são pagos a preço de ouro. Devem cumprir as suas obrigações de forma diligente e competente. Normalmente, é o treinador que paga a fava: despede-se o mister e a esperança renasce como a fénix, como se a equipa libertada do obsesso se revigorasse automaticamente ao ponto do pessoal se convencer facilmente que com um bom treinador a melhoria é imediata e que com algumas mudanças a próxima época vais ser de desforra (com juros) pelas "humilhações" sofridas.


Não aconteceu no FCP, apesar do terramoto que a vinda de Lopetegui provocou. O plantel foi reformulado com a entrada de gente nova. Uma revolução. A meio da época podemos fazer um balanço do que aconteceu até agora. Não estamos melhore do que a época passada nas provas caseiras, na CL atingimos dois objetivos importantes ao passarmos o play-off e ao atingirmos os oitavos. E não só isso: mais prestígio e €uros. Mas, a fasquia foi colocada muita alta e o último tombo deixou pisaduras que se juntaram a algumas nódoas de batalhas anteriores. Sempre me pareceu que Jullen era o homem certo no lugar certo. Acho-o um homem inteligente e, aos que julgo assim, tendo a dar o benefício da dúvida. Por isso, continuo a considerar que será um erro não terminar a época em paz e sem assobiadelas a mais, se for possível. Depois, deverá ser julgado por quem de direito sobre a forma como exerceu o seu mandato. Pela minha parte, ainda não desisti de  confiar nas suas capacidades.

















Das entradas de jogadores na presente época, considero que o falhanço maior foi na aquisição de Ádrian Lopez: tanto dinheiro para tão pouca serventia. Mas, houve outras lacunas: não nos reforçámos com um guarde redes de topo, nem com um número 6 de qualidade. Tirando isso, considero o plantel razoável e com soluções de qualidade. Tem potencial para mais e melhor, apesar de nesta fase do campeonato, me parecer que falta explosão, velocidade, intensidade a agressividade ao jogo do FCP. Talvez por isso, a nossa equipa raramente ganha vantagem nos "corredores" e centra com conta, peso e medida ou tem presença na área para provocar o perigo e o pânico na defesa adversária e provocar desequilíbrios e instabilidade táctica. Ontem, no golo sofrido, os jogadores do FCP perderam os duelos individuais (Martinez, Indi e Maicon), enquanto outros assistiram a todo o desenvolvimento da transição sem capacidade de reacção. Recordo que o central do Marítimo, antes de lançar o ala que centrou para área, onde estava Maazou que venceu na raça, correu uns bons metros sem ser incomodado. Depois, faltou-nos capacidade para montar um ataque vigoroso e continuado para virar o resultado. Tivemos oportunidades de golo, mas não foram assim tantas. A equipa parece enredada (e acomodada) ao sistema de ter bola, como se isso bastasse para chegar ao golo. Os primeiros 20 minutos foram interessantes, porque a bola rodou e reagimos sempre bem à sua perda. Mas ficou-se por aí e  o FCP saturou-se da repetição do ritmo baixo; o adversário, após a adaptação, ficou mais tranquilo e seguro. Não chega em muitos jogos, este passar e repassar sem substância. Termos que nos libertar do bonito e aceder à velocidade e à luta. Pusemos toda a carne no assador, mas não houve jeito nem raiva suficientes. Mas, não é de admirar: Tello não só não é agressivo como tem medo da sombra; Quintero que poderia ser muito útil no jogo interior (com uma missão muito idêntica ao que James cumpria) foi zero. Quintero parece um jogador incapaz de cumprir uma missão e de interagir com os colegas. Os laterais e alas foram quase sempre inconsequentes e os centros raramente saíram a preceito. Apesar de tudo, a derrota foi uma injustiça brutal e poderíamos ter chegado ao golo: pelo menos uma oportunidade de baliza aberta, outra ao poste e mais uma que bateu na cabeça de um defesa quase por acaso. Mas, quem não marca, não ganha. Martinez não fez um jogo de encher o olho, recuou muito para receber a bola e fazer jogar, mas raramente esse espaço foi ocupado por um outro avançado e poucas vezes entrámos na área adversária pela zona central.

Quando os nossos jogadores se exibem ao nível do seu melhor a equipa do FCP é capaz de atingir um excelente rendimento. O que acontece é que este plantel é servido por muitos elementos com prestações demasiado irregulares e por isso, confesso que assisto aos jogos sempre com o credo na boca. Não sei onde está o nó górdio, mas que existe, existe e não notei que tivesse sido identificado. 

Acho que o FCP deveria ter estado mais activo na abertura do mercado, quer para colmatar as saídas de dois atletas para o CAN, quer para a posição 6, quer para colocar alguns excedentários que carecem de evoluir numa primeira liga com regularidade. Não sei, se nesta fase do campeonato, ainda vamos a tempo de recompor um pouco o plantel.

Terei toda a paciência para acolher os desaires e ultrapassarei a azia. Porém, com o SLB na frente de forma consistente, o SCP a morde-nos os calcanhares e o VSG e o SCB por perto, estamos obrigados a uma atenção e rigor acrescidos. Chegar ao segundo lugar e aos quartos da CL são os alvos possíveis. Tal objectivo deve ser cumprido com consistência: não salvará a época, mas mitigará os danos e renovará a esperança.
Portanto, vamos a isso!

Nota: este artigo foi escrito antes do jogo do SLB.
   

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Os condicionalismos de Óliver e Quintero…

Capa de O JOGO de 11-11-2014
«O espanhol [Óliver] até foi um dos dois que saíram da equipa por comparação com a vitória na Champions três dias antes.
Lopetegui explicou que Quintero não jogou por culpa de uma gastroenterite, mas Óliver também estava com problemas, mas no tornozelo esquerdo. O emprestado pelo Atlético de Madrid levou uma pancada no jogo europeu e teve queixas nos dias que antecederam o jogo. Estava em condições de alinhar, mas com dor e as limitações inerentes a isso.»
André Morais, André Viana, O JOGO de 11-11-2014


Afinal, Quintero e Óliver estavam, ou não, em condições de jogar na Amoreira?

Se estavam com problemas e não estavam em condições de jogar, então não deviam, sequer, ter ido para o banco de suplentes e deveria(m) ter sido chamado(s) outro(s) jogador(es), até porque, esta época, o plantel à disposição de Lopetegui tem muitos médios de qualidade (e não só).

Contudo, os problemas não deviam ser graves porque, durante a 2ª parte do Estoril x FC Porto, ambos (primeiro Quintero e depois Óliver) foram chamados a dar o seu contributo à equipa.

E mais. Ontem, O JOGO escreveu o seguinte:

«Uma pancada sobre Brahimi lançou o pânico no banco do FC Porto logo ao segundo minuto de jogo. O argelino ficou muito tempo a queixar-se e Óliver saltou imediatamente para o aquecimento.»

Ou seja, com dores ou sem dores, não sei se Óliver estava em condições de jogar de início mas, pelos vistos, estava em condições de jogar a partir do 2º minuto…


sexta-feira, 20 de junho de 2014

Moutinho, Herrera e o “plantel fraquíssimo”

João Moutinho é insubstituível (mais insubstituível que Falcao, Hulk, etc.).
Herrera, uma das possíveis alternativas para refazer o meio-campo portista (as outras eram Fernando, Lucho, Defour, Josué, Carlos Eduardo e Quintero), não tem categoria sequer para fazer parte do plantel do FC Porto.

Esta foi uma das ideias que alguns portistas e comentadores desportivos repetiram até à exaustão, durante a época 2013/2014, e foi, também, um dos principais argumentos usados para justificar a péssima época do FC Porto (dentro da tese mais global do “plantel fraquíssimo”).

Contudo, em 19 de Maio passado, o prestigiado jornal francês L'Equipe, avaliando a época 2013/2014 em França, incluiu João Moutinho numa lista dos dez flops da Ligue 1!

Ironia do destino, ainda durante a época 2013/2014, o “manco” Herrera (segundo alguns, mais uma negociata da SAD…), vestiu a camisola da sua seleção e, jogo após jogo, tem sido sempre um dos melhores em campo.

México x Camarões (fonte: O JOGO)

Primeiro num particular contra… Portugal (do outro lado estava João Moutinho) e depois, já em pleno Mundial 2014, nos jogos México x Camarões e Brasil x México.

Brasil x México (fonte: O JOGO)

Chamando à atenção para estes factos, não quero dizer que, afinal, Moutinho não presta e que Herrera é que é bom. Nem tão pouco que Herrera é melhor do que Moutinho.
O que eu pretendo dizer é que, depois de assentar a poeira, Moutinho não é assim tão insubstituível e Herrera tão mau como alguns quiseram fazer crer.


Colômbia x Costa Marfim (fonte: O JOGO)
P.S. Outro que fez parte do tal “pior plantel dos últimos 20 anos” é Quintero. Ontem estreou-se no Mundial 2014 pela seleção da Colômbia e parece que não se portou mal…

terça-feira, 22 de abril de 2014

Serviços mínimos cumpridos


O FCP entrou bem, alegre e a praticar um futebol solto e a bola a rolar a preceito. Varela, na ala esquerda, estendia o jogo e nos primeiros vinte minutos fomos dominadores e criámos perigo, com Herrera muito activo na zona de finalização. Varela quebrou por inferioridade física e foi substituído por Ghilas que esteve bastante mal em todos os momentos do jogo. Não apoiou, não fechou, nem atacou ou segurou a bola. Com a quebra de Josué que desapareceu completamente e a acção errática dos restantes homens do meio campo, com Alex demasiado displicente e os demais pouco esclarecidos, a equipa eclipsou-se: faltou organização, intensidade e assertividade na condução do jogo. Muito repelão e regressou o inevitável (e dispensável) assobio. A verdade, porém, é que a equipa funciona de uma forma  tão irritante que chega para desanimar os mais crédulos.
No segundo tempo, a equipa apareceu mais empenhada e Quintero ajudou a que se instalasse um jogo mais vivo; a bola corria mais depressa e com mais critério. Chegámos ao golo através de uma grande penalidade que me pareceu indiscutível e que Martinez concretizou de forma muito competente. Alargámos o score com um golo muito bem esgalhado: um passe primoroso de Quintero e Herrera a desmarcar-se, num excelente movimento de ruptura, antecipando-se à saída do guarda redes adversário, para de cabeça aumentar a vantagem. Ainda houve tempo para mais um golo e o resultado acabou por estar bem acima da exibição.
Individualmente, destaco Danilo, Herrera, Quintero e Ricardo que pode ser um reforço a ter em conta, porque é jovem e tem uma grande margem de progressão. Ghilas foi uma decepção e não perece convertível para jogar na ala. Falta-lhe escola e cultura de jogo.
Em resumo: serviços mínimos cumpridos, no jogo e no campeonato. Foi esta a assinatura dominante da presente época.

domingo, 23 de março de 2014

Quintero derruba torre(s) de Belém

14': Jackson Martínez isola-se em direção à baliza do Belenenses. O árbitro auxiliar levanta a bandeirinha e Carlos Xistra, erradamente, interrompe a jogada e marca fora-de-jogo.

27': Jackson Martínez salta mais alto e cabeceia para o fundo das redes defendidas por Matt Jones. Carlos Xistra decide anular o golo e marcar falta ao ponta-de-lança colombiano. (só em Portugal é que se anula um golo em que há um contacto natural entre dois jogadores que disputam uma bola de cabeça).
2º golo anulado ao FC Porto nos últimos dois jogos disputados no Estádio do Dragão (FC Porto x Nápoles e FC Porto x Belenenses), com o resultado ainda em 0-0. Em contrapartida, em Alvalade, foi validado um golo (contra o FC Porto!) precedido de um fora-de-jogo claro. É tudo a "ajudar"...

30': Varela cabeceia, Matt Jones "defende com os olhos" e a bola vai ao poste.

32': Ghilas faz um bom cruzamento, Carlos Eduardo saltou mas não conseguiu cabecear em condições (a imagem seguinte mostra porquê).


37': Remate cruzado de Fernando Ferreira ao poste da baliza defendida por Fabiano. Única oportunidade de golo da equipa do Restelo em todo o jogo.

44': João Afonso carrega Jackson Martínez pelas costas à entrada da área, quando o colombiano iria ficar isolado e, naturalmente, é expulso.

Intervalo: Luís Castro troca Josué por Juan Quintero.

Se nos primeiros 45 minutos o Belenenses tinha defendido com os 11 jogadores atrás da linha da bola, com o 1º remate à baliza do FC Porto (de fora da área e à figura de Fabiano) a ser feito ao minuto 35 (!!!), a 2ª parte foi um "massacre", com o FC Porto a "empurrar" os azuis do Restelo (vestidos de cor-de-laranja) para a sua grande área.
De facto, a jogar com menos um, o Belenenses recuou ainda mais e, durante longos minutos, os 10 jogadores da equipa do Restelo estiveram remetidos aos últimos 25-30 metros do relvado.

Apesar do jogo ter sido interrompido umas 5 ou 6 vezes, para os jogadores do Belenenses respirarem... perdão, serem assistidos pela sua equipa médica (só em Portugal é que esta estratégia é usada de forma tão recorrente e com a complacência dos árbitros), o caudal ofensivo do FC Porto não parou de aumentar e sentia-se que o golo estava iminente.


Aos 74' Carlos Xistra não viu Gonçalo Brandão puxar o braço esquerdo de Jackson (mais um penalty por assinalar a favor do FC Porto), mas quatro minutos depois, o homem do jogo - Juan Quintero -, com um "passe para a baliza", fez o resultado final (1-0).


Daí até ao fim, Quintero ainda haveria (na marcação de um livre) de mandar uma bola à trave, novamente com Matt Jones completamente batido.
Nos últimos quatro jogos (Nápoles, Sporting, Nápoles, Belenenses), os dragões enviaram cinco vezes a bola aos postes da equipa adversária (e ainda há quem ache que Luís Castro é um treinador com sorte...).

Num jogo em que Ghilas foi titular e Luís Castro utilizou Ricardo, Reyes e Kelvin (com Paulo Fonseca andavam pela equipa B), o resultado foi muito escasso para tanto domínio e tantas oportunidades criadas (principalmente na 2ª parte).
Ataques: 60 / 17
Remates: 23 / 4

sábado, 21 de dezembro de 2013

Outro caso Iturbe? Não, obrigado!

Eu sou dos que acha que o Quintero tem o potencial para ser um grande jogador. O Iturbe também o tem. Aliás, demonstrou-o na pré-temporada (fui um dos melhores) e tem-no demonstrado numa Serie A que não costuma dar muitos espaços e facilidades a jogadores habilidosos como o argentino. Foi lá que vi o Quintero no ano passado, com o Pescara, e como sucedeu com o Alexis Sanchez, por exemplo, chamou-me a atenção a forma como encarava sem medo os defesas. Parecia um jogador com uma mentalidade muito diferente daqueles que chegam directamente da América do Sul. Como James. Ou como Iturbe.

E no entanto a fórmula repete-se.
Durante este ano o colombiano teve algumas oportunidades - algumas, não muitas é certo - e salvo momentos de destelhos de pura classe, esteve uns furos abaixo do que eu pensava que podia fazer. Pagou inevitavelmente o preço de um meio-campo descosido. De um treinador sem ideias, medroso e incapaz de por as peças no seu respectivo lugar. Faltou-lhe, sobretudo, uma voz tranquila a dizer-lhe ao ouvido que estivesse tranquilo. Um lider!
Também lhe faltou em campo um Carlos Eduardo com quem associar-se e, sobretudo, pesou-lhe o facto de muitos olharem para ele como o salvador da pátria demasiado cedo. O James só se tornou realmente importante no onze do FC Porto ao ano e meio de ter chegado. A Quintero pedia-se logo que fosse o jogador que ainda não pode ser. E com a instabilidade na equipa, as ideias trocadas do treinador - esse meio-campo desastroso - o promissor Quintero passou a ser o suplente Quintero. E de suplente passou a pedir para jogar pela equipa B para não perder a forma. Porque vestir a camisola principal, nem a feijões.


Não estranha portanto que a sua situação se comece a parecer, assustadoramente, à de Iturbe.
Hoje (ontem?) o colombiano declarou que o clube precisa de encontrar uma solução em Janeiro porque há Mundial, a Colombia tem muita esperança na sua selecção e ele tem sido convocado regularmente mas não é a única, nem a principal, opção de Pekerman. Quintero quer ir ao Brasil mais do que qualquer coisa e sabe que para isso precisa de jogar e mostrar o que vale. É lógico. Uma ambição natural a qualquer futebolista. Provavelmente alguém lhe prometeu isso mesmo em Julho, quando assinou, depois de um enorme Mundial sub-20 onde foi, com Pogba e Bruma, o melhor jogador do torneio. Os outros dois devem ter o seu lugar no Mundial cativo. Ele está a sofrer com o descontrolo emocional e táctico do seu treinador.

Tal como Iturbe, outro peso-pluma talentoso, a falta de minutos deixa Quintero nervoso. São jogadores que chegam ao FC Porto com a promessa de futebol de Champions, de minutos, de um nível de exigência inferior ao de outras equipas e de tempo e espaço para brilhar, crescer e dar o salto. Nós sabemos isso, os dirigentes sabem isso e os jogadores também. São as regras do jogo.
Mas sem jogar - ou jogando o que eu começo a chamar de "minutos Fonseca", os minutos que não contam para ninguém - e ainda para mais vendo que dele esperam o que ninguém lhes pediu ao chegar, estes jogadores assustam-se. Querem ir para outro lado onde as promessas sejam reais. Onde joguem sem pressão. Mas joguem. Iturbe demonstrou-o quando voltou ao River Plate e tem-no demonstrado agora em Verona. Enquanto isso nós resgatamos um Quaresma que há três anos que acabou para o futebol de topo. E agora podemos correr o mesmo risco com Quintero. Deixa-lo sair para que o colombiano jogue é abrir-lhe a primeira porta de saída. Imediatamente depois de ter chegado.


Não faz qualquer sentido.
Quintero tem de começar a ter o seu espaço na equipa. Tem classe e talento suficiente para jogar onde o faz Licá ou Varela, como sucedeu com James quando chegou ao Dragão. Com um Carlos Eduardo a patrulhar o meio-campo no lugar que Fonseca imaginou (mal) que era o de Quintero, e com um conjunto mais organizado e estruturado, estão postas todas as condições para que o jogador mostre todo o seu valor. E nós precisamos de jogadores como ele. Não só para manter em activo o nosso modelo de negócio mas para ganhar em campo, com classe e gerando ilusão nos adeptos.

Iturbe pode, por motivos extra-desportivos, não ser recuperável para o FC Porto. É uma pena. Kelvin corre o risco de ser tratado como foi Atsu, extremos com potencial mas que não são devidamente valorizados e que acabam por ser ostracizados sem que as pessoas que dirigem o clube (staff técnico) se lembrem que são miúdos que estão a começar as respectivas carreiras e têm (e devem) cometer erros para crescer. Quintero não pode engrossar esta lista. Não pode ser outro caso Iturbe. Espero que em Janeiro esteja no Dragão, de corpo e alma, e com a confiança necessária que necessita para ser o jogador influente que todos esperamos numa segunda metade de época que promete ser equilibrada até ao último segundo!

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Dezenas de milhões «investidos»... fora de campo

Dizia eu no artigo anterior que o facto de termos dezenas de milhões de euros (e não é só os passes, é também os salários) «empatados» no banco, na bancada ou na equipa B é uma das razões práticas para não haver correspondência entre a diferença orçamental do FCP para com os adversários que tem defrontado e as exibições em campo (havendo claro outras, de que já muito se falou). Falava eu nomeadamente das 4 contratações mais caras de 2013, nomeadamente Reyes, Herrera, Quintero e Ghilas.

Ora a meu ver, se isso acontece tem que ser apenas e só porque a resposta a (pelo menos) uma das perguntas seguintes é um claro «sim»:

1) Comprámos gato por lebre (i.e. a um preço claramente inflacionado)?
2) Demos prioridade no investimento às posições menos prioritárias?
3) Os jogadores são mesmo bons mas o treinador não sabe/pode tirar usufruto disso?
4) A «concorrência» desses jogadores (na luta por um lugar na equipa) tem surpreendido pela positiva, excedendo as expectativas iniciais?
5) Os jogadores estão a demorar bastante tempo a adaptar-se?

Pessoalmente acho que a verdade é uma mistura de 1), 2), 3) e em menor medida 5), dependendo do caso específico.

Comecemos por aquilo que acho claramente que não é: 4).

Muito sinceramente, não me parece que se esses quatro jogadores não jogam é porque os outros colegas que lhes estão a «roubar» o lugar (como Defour ou Josué) tenham estado até agora a um nível excepcional, superando as expectativas do início da época.

Do ponto 3) já muito aqui se falou, nomeadamente de uma insuficiência do treinador em potencializar a valia de jogadores. Por exemplo: penso que Herrera e Quintero poderão ser em parte vítima da confusão de ideias para o meio-campo; Ghilas poderia talvez ser aproveitado num 4-4-2 (tal como Quintero, aliás, jogando a nr 10 à frente de Lucho e Josué/Herrera, e Fernando mais atrás), ou pelo menos fazendo muitos mais minutos para descansar Jackson e coloca'-lo 'em sentido'.

Quanto ao ponto 5), isso poderá explicar muito parcialmente as situações de Herrera e Reyes em particular, chegados do México. Digo «muito parcialmente» porque - a este nível e num FCP, que nao e' um Barcelona receado de estrelas - um jogador que vale 10M ou perto disso não precisa de mais de 5 meses para começar a demonstrar qualidades de forma a ganhar algum espaço claro nas escolhas principais, mesmo que a adaptação ainda não tenha terminado.

Quanto ao ponto 1), sem haver dados definitivos (muito longe disso) parece-me que Herrera e Ghilas em particular terão custado bem mais do que valiam na altura (e valem) - mesmo que possam eventualmente valorizar-se no futuro (mas isso, a bem dizer, podem todos, pelo menos os que ainda nao atingiram o pico de carreira).

Quanto ao ponto 2), penso que é o factor que melhor explica a situação de Reyes, e em menor medida Quintero e Ghilas. Investiu-se muito pouco em extremos – posições claramente deficitárias no fim da época, principalmente se a ideia era para continuar com um 4-3-3, ainda que «envergonhado» - em detrimento de uma posição em que já estávamos claramente bem servidos (central) e outra em que a concorrência era considerável começando pelo «dono» natural do lugar (Lucho, mas também Carlos Eduardo e Josué). Da mesma forma dá jeito ter um suplente de qualidade para Jackson, mas já é discutível que seja preciso ter alguém no banco que custe tanto ou quase como o PDL titular (que dá garantias, estando no top10 europeu para a sua posição).

Ainda sobre o ponto 2), eu até compreendo que se queira precaver o futuro (por ex antecipando uma venda futura de Mangala ou Jackson), mas nunca descurando o presente ao ponto das 4 contratações mais caras de 2013 serem todas «de futuro» (se tanto).

Mais: se porventura a razao para este desequilíbrio na balança presente/futuro for (ainda que parcialmente) não uma decisão deliberada mas sim um desajustamento entre o que o treinador quer (tactica- e individualmente) e o que esses jogadores oferecem, entao sera' caso para pensar para os meus botões que das duas uma:

1) Ou a SAD toma ela própria a iniciativa nas grandes contratações (como parece à primeira vista ser regra geral o caso) e nesse caso terá que dar um pouco menos de autonomia ao treinador, impondo-lhe um ou outro ponto fundamental na táctica ou na composição da equipa (o que implica por sua vez contratar treinadores dispostos a tal, o que exclui tipicamente treinadores com palmarés e CV - e à partida seria de esperar que PF fosse um desses treinadores mais «moldáveis», sendo muito jovem e chegando com um CV muito modesto);

2)... ou então a SAD envereda por oferecer uma grande autonomia ao treinador no seu trabalho, mas nesse caso terá que lhe dar a principal palavra nas contratações (começando pelas mais caras).

O que já não fará para mim sentido é enveredar - como parece estar a ser o caso - por uma postura a meio caminho que «nem é carne nem peixe»: a Direção tomar a iniciativa nas grandes contratações, mas depois dar autonomia quase total ao treinador no seu trabalho. A consequência mais provável de tal postura é um desperdício de recursos (leia-se $$$$) com enorme custo de oportunidade (i.e. o dinheiro teria sido mais bem gasto em outras posições/jogadores que estivessem mais de acordo com as ideias do treinador) e/ou o desvalorizar de alguns dos seus melhores activos.

domingo, 6 de outubro de 2013

Mais um jogo de treta num fim-de-semana de Sol


Se era esta a resposta que a equipa do FC Porto pretendia dar após a primeira derrota oficial da época ocorrida na Liga do Campeões, então podemos finalmente dissipar todas as dúvidas sobre a pálida valia deste grupo de jogadores orientados por Paulo Fonseca. Mais uma vez a nossa equipa pôs os seus motores a carburar até fazer o primeiro golo para depois, uma vez mais, ir adormecendo à sombra da vantagem tangencial. O triunfo é inquestionável tal como inquestionável é o desencanto que a equipa azul e branca vai espalhando de cada vez que sobe a um relvado para disputar mais uma partida de (pouco) futebol.

Não sei se valha o esforço reportar uma súmula das incidências da contenda em Arouca. Na verdade, nem haverá muitos momentos dignos de registo nestas linhas que redigo, a não ser a regularidade com que Jackson Martinez vai picando o ponto. Talvez Herrera seja merecedor dos mais surpreendentes e entusiasmados vivas desta noite. O mexicano parece mostrar melhores aptidões para fazer transportar o jogo e circular a bola no sector intermediário portista. Muito longe de fazer esquecer Moutinho, mas indiscutivelmente mais hábil do que o inconsequente Defour. A variedade de soluções que esta tarde foi tentado prestar, pelo menos, são uteis para uma equipa que urge encontrar referências na sua construção de jogo.

De resto, é mesmo essa qualidade de jogo que ainda teima em manter-se ocultada por largos períodos de tempo no futebol dos homens de Paulo Fonseca. Infelizmente não creio que haja apenas uma razão para esse facto. Vislumbro várias! E todas elas, de maneira geral, vêem sendo enumeradas quer aqui, no Reflexão Portista, quer pelos adeptos do nosso clube, em geral. O treinador parece pouco sagaz de operar novas ideias capazes de introduzir o factor-surpresa ao adversário. De igual modo, PF parece pouco seguro de abordar os jogadores para moldar comportamentos erráticos outrora repetidos. A autoridade não parece para já estar posta em causa. Mas sua liderança – que deveria ser natural – não terá ainda chegado aos atletas e duvido que alguma vez chegue.

Enfim, reconhecendo o teor especulativo que anterior afirmação encerra, não acho seja o único a pressentir estes sinais que a paralinguagem de jogadores Vs. treinador nos vai emanando. Falta também muito talento nesta equipa. E isso é tão eloquente nas extremidades. Varela, Licá e Josué são bravos e voluntariosos jogadores. Mas nenhum deles tem consigo o talento que decide encontros e que faça polvilhar a nossa imaginação de que a magia pode surtir do inesperado.

O único elemento próximo disso no actual plantel do FC Porto é Quintero. Um miúdo com futuro brilhante à sua frente, mas que ainda tem muitas aulas da escola do futebol Europeu pela frente. Por hora vai quebrando aqui e acolá o estilo de jogo uniforme e fastidioso que a equipa portista produz. Tudo isto somado pode ser suficiente para arrebatar o título deste pobre e porco campeonato português. Mas joga-se tão mal que não volto a trocar um belo fim de tarde de Sol de um Domingo numa esplanada para ver mais um jogo de treta!

sábado, 24 de agosto de 2013

Quintero nas alas?


Ouvindo as declarações de Paulo Fonseca na conferência de imprensa de ontem - "Não descarto a possibilidade de usar Quintero nas alas" -, será que isso significa que o novo treinador do FC Porto admite utilizar um trio de ataque semelhante ao da época passada, isto é:

Varela na lado esquerdo do ataque;
Quintero (em vez de James Rodriguez) no lado direito;
Jackson no meio, na posição de ponta-de-lança.

Após tantas críticas na época passada, seria irónico ver Paulo Fonseca a adoptar um posicionamento para Quintero idêntico ao que Vítor Pereira adoptou para James.

E, por outro lado, se esta possibilidade for para levar a sério, significa que para Quintero entrar no onze inicial, não vai ser preciso que saia o Lucho...

domingo, 18 de agosto de 2013

Bom fim, MAS...

Analisando os lances decisivos do Vitória Setúbal x FC Porto, constata-se pelas imagens televisivas que:
- o penalty sobre o Jackson é bem assinalado;
- a expulsão do guarda-redes do Vitória Setúbal é indiscutível;
- as duas bolas cortadas in extremis, quando iam a entrar na baliza, não transpuseram completamente a linha de golo (pelo menos foi o que me pareceu).

Falando agora sobre o jogo...

Atendendo ao historial entre as duas equipas (o FC Porto não perde em Setúbal para o campeonato há 30 anos e não cede um empate desde 1997) e à fraca qualidade do adversário (recordo que na época passada o Vitória Setúbal lutou até à última jornada para não descer de divisão), não estava à espera de tantas dificuldades. Mas elas foram evidentes, mesmo quando o FC Porto já estava a jogar contra 10.

O meio-campo funcionou mal e isso esteve na origem da forma confusa como a equipa atacou. Não vislumbro grande futuro num meio-campo formado por Fernando, Defour, Josué e Lucho e menos ainda num meio-campo em que Fernando tenha muitas vezes um jogador ao seu lado (no caso foi Defour).

Mas o que me deixou mais preocupado foram os buracos defensivos evidenciados pelo FC Porto. Houve alturas em que a equipa que equipou de azul (belíssimo este equipamento alternativo) parecia um passador.
Quantas oportunidades teve esta frágil equipa do Vitória Setúbal?
Para além do golo, lembro-me de mais 3 ou 4, algumas das quais quando os sadinos já estavam a jogar com menos um jogador. Inadmissível!
O Paulo Fonseca tem de resolver rapidamente este aspecto senão, quando jogarmos contra equipas melhores, iremos sofrer muitos dissabores.

Uma outra componente do jogo em que o FC Porto esteve muito mal foi nas bolas paradas. Livres frontais, livres laterais e cantos foi uma desgraça. Fizemos umas "cociguinhas" ao Vitória de Setúbal, mas nem deu para os assustar.
Tendo no plantel/equipa especialistas do nível do Danilo, Josué e Quintero e "torres" como Mangala e Jackson, o aproveitamento deste tipo de lances tem de ser muito superior.

Por falar em Jackson, é verdade que voltou a marcar (já tinha marcado na Supertaça, contra o outro Vitória) mas, apesar de esforçado e lutador, não esteve num dos seus melhores dias. Enquanto a sua situação não estiver resolvida ("renovo ou saio"), suspeito que dificilmente veremos o Jackson da época passada.


Deixando para o fim o melhor: o golaço de Juan Quintero.
Depois do que já vimos, penso que nenhum portista discutirá esta contratação. Paulo Fonseca tem à sua disposição uma pérola. Esperemos que saiba lapidá-la dos defeitos que ainda tem e trabalhá-la como deve ser, de forma a que rapidamente Quintero possa ser um dos onze dragões que inicia os jogos com a camisola azul-e-branca.

P.S. Não quero falar muito do treinador do Vitória Setúbal porque, sinceramente, o seu tipo de comportamento durante os jogos e as declarações que faz no final dos mesmos (quando perde) metem-me nojo. Aproveito apenas esta ocasião para recordar dois artigos sobre o senhor Mota, que publiquei na época passada...

Fotos: Maisfutebol/LUSA

sábado, 13 de julho de 2013

Quintero, o último?

Aí está ele.

5 milhões, 50%.
Gostaria de acreditar que, depois de pagar mais de 10 milhões por jogadores como Danilo e Alex Sandro, o FC Porto só não é hoje detentor dos 50% restantes porque, pura e simplesmente, o Pescara não os quis vender (algo que é habitual em Itália). Porque, caso contrário, corremos o risco de voltar a perder dinheiro quando este excelente jogador saía, daqui a dois ou três anos, pelo óbvio valor da sua cláusula de rescisão (ou quem sabe ainda mais).

Creio que com esta contratação o plantel está 99,9% fechado.
Não vejo espaço (nem dinheiro) para atacar um jogador do perfil do Bernard e só se houver um golpe de asa no caso Bruma é que encontro justificação para encontrar espaço num plantel que já de por si está repleto de opções para quase todas as posições, descontando de principio que Quintero vem para a mesma posição de James Rodriguez, apesar de se mover também no posto de Lucho.

É uma grande adição ao plantel, uma excelente descoberta da equipa de olheiros da SAD por um jogador que ninguém conhecia de lado nenhum, por um valor interessante e uma opção mais para Paulo Fonseca montar o seu projecto. Se lhe faltam jogadores com mais experiência nas pernas em relação ao ano passado é inegável que PF tem muito mais alternativas (e com tempo de as trabalhar no estágio, o que sempre é importante) do que tinha o anterior treinador. Seguramente vai encontrar a fórmula correcta para repetir a nossa história de sucessos recentes.